ICFUT – Próximo do Mundial, Vanessa pede mais atenção para futsal feminino

Fonte: gazetaesportiva

No mês de novembro, a Seleção Brasileira masculina conquistou o heptacampeonato mundial de futsal. Falcão e companhia chamaram a atenção de todos os fãs da modalidade ao mostrar um grande poder de reação e superação na campanha que culminou no sétimo título. Menos de um mês após a coroação dos comandados do técnico Marcos Sorato, é a vez de as mulheres mostrarem que também têm força, sob a chancela do mesmo treinador, que substitui Vander Iacovino. Mas, se o futsal masculino no Brasil já recebe menos atenção do que deveria, com as mulheres a situação é ainda pior. Porém, assim como Alessandro Rosa Vieira, o Falcão, atrai pessoas para acompanhar mais o esporte, a Seleção feminina também tem uma estrela que figura entre as melhores do mundo. E o nome dela é Vanessa Cristina Pereira.
Atualmente vestindo a camisa do UnoChapecó (SC) e com passagem também pelo futsal espanhol, no qual defendeu as cores do Burela FS, a ala mineira de 24 anos de idade encanta pela sua habilidade e objetividade em quadra. Com dois prêmios de melhor jogadora do planeta dados pelo site futsalplanet.com, referência mundial na modalidade, e diversos títulos importantes em seu currículo, entre eles os da Liga Futsal, com o clube catarinense, e do Mundial de futsal feminino, com a Seleção Brasileira, percebe-se logo que a atleta nascida em Patos de Minas (MG) tem algo de especial.
Agora, em 2012, a garota que começou a se interessar pelo futsal aos cinco anos de idade, influenciada por seu pai, espera voltar da pequenina cidade portuguesa chamada Oliveira de Azeméis, em Portugal, com o tricampeonato mundial, conquista que, certamente, contribuiria mais um pouco para atrair os olhos das pessoas para essas mulheres que tão bem representam o país. E assim como o astro Falcão, da Seleção masculina de futsal, sofreu com lesões no último Mundial, Vanessa também vai para a competição enquanto se recupera de uma lesão na coxa direita.
Mas antes de embarcar para a terrinha, a estrela concedeu uma entrevista por telefone à GE.net,logo depois de um treino preparatório realizado no CT da Confederação Brasileira de Futsal, localizado em Iparana (CE), e falou sobre as expectativas para o torneio, sobre as seleções que podem ser uma pedra no sapato do Brasil e sobre o crescimento do futsal feminino no país.

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Ala Vanessa está entre os destaques da Seleção Brasileira para a disputa do título mundial.

Gazeta Esportiva.net: Como e quando você começou a praticar futsal? Sente-se realizada na profissão?
Vanessa: Comecei a jogar aos cinco anos, morávamos dentro de uma escola, lá em Minas, e eu comecei a assistir às pessoas jogando, já que meu pai tinha acesso às quadras. Me sinto realizada, o futsal é a minha vida e eu amo fazer isso.
Ge.net: A Seleção Brasileira está às vésperas do Mundial feminino. Quais as expectativas para o campeonato e quais os principais concorrentes ao título?
Vanessa: Expectativa é sempre muito grande para o Mundial. Espanha, Rússia e Portugal são seleções muito fortes, que vão brigar pelo título. Tailândia e a Ucrânia, que não estiveram no último Mundial, também são fortes, além do Japão, que tem um time muito veloz, muito rápido. A Venezuela vem numa crescente também.
Ge.net: E o contato com o técnico Marcos Sorato, como está sendo a experiência, ainda mais depois de ele ter sido campeão com a Seleção masculina?
Vanessa: O Marcos Sorato é um técnico muito experiente, que entende muito de futsal. Então esse contato com ele deixa a gente muito feliz, não somente por causa do título. Lamento pelo Vander Iacovino, que não vai poder ir com a gente. Deixa a gente bastante contente trabalhar com ele, outras atletas também já tiveram contato com ele. É um treinador fantástico.
Ge.net: Qual a sua opinião sobre a polêmica das sete estrelas na camisa da Seleção masculina, depois que a Fifa solicitou ao Brasil que retirasse as duas estrelas referentes às duas conquistas da época da Fifusa (Federação Internacional de Futebol de Salão)?
Vanessa: Criaram essa polêmica para tirar o foco da Seleção no Mundial. Se fosse com a Espanha, por exemplo, será que eles teriam brigado por isso? Esse caso foi criado por algo que não tinha porquê. Para mim, o Brasil é sete vezes campeão e não tem discussão.
Ge.net: O Mundial feminino, diferentemente da edição masculina, não é organizado pela Fifa. Por quê? O que você acha disso?
Vanessa: Já está mais do que na hora de o futsal feminino ter apoio. É um esporte bastante praticado, eles poderiam apoiar mais. A gente fica triste, mas espera que a Fifa passe a reconhecer o futsal feminino e a organizar o Mundial.
Ge.net: Como você vê a situação do futsal no Brasil atualmente? Acha que ainda falta algo para que a modalidade cresça no país?
Vanessa: Falta mídia, o futsal feminino, em si, é bem praticado, conta com uma estrutura que permite que as atletas pensem somente em jogar futsal. A partir do momento que existir mídia passando os campeonatos, um Sportv, uma Globo transmitindo, a gente vai crescer.
Ge.net: E a situação da modalidade no exterior?
Vanessa: Joguei na Espanha em 2010, no Burela, e a liga lá é bem organizada, mas também precisa de visibilidade. Lá tem um pouco mais, mas não é tanto. O que muda um pouco é que na Espanha tem cobertura e rádio e da imprensa, mas na televisão também falta muito.
Ge.net: Você foi eleita por duas vezes consecutivas a melhor jogadora do mundo pelo site futsalplanet.com. Como se sente de receber a honraria? Realmente você acha que é a melhor do planeta?
Vanessa: Hoje em dia tem várias atletas que poderiam ser escolhidas. E ganhar o prêmio mostra que o trabalho está sendo correto, tanto na Seleção quanto no Chapecó. Não me coloco como a melhor do mundo. Tem muita menina boa. Mas fico muito feliz pelo reconhecimento internacional.

Ge.net:
Você aprova o trabalho realizado no UnoChapecó?
Vanessa: Estamos em uma sequência de cinco títulos da Liga Futsal, o trabalho é bem feito. Os títulos estão vindo e isso mostra que o trabalho está sendo bem executado. Claro que um clube não vive somente de conquistas, mas elas realmente mostram um planejamento bem realizado.

Ge.net:
Por que razão o Sul do Brasil tem uma grande quantidade de equipes fortes no futsal?
Vanessa: Para falar a verdade, não sei o motivo. Deve ser por causa da estrutura que tem no Sul. Quanto mais estrutura, maior visibilidade a gente traz e os grandes atletas passam a se sentirem atraídos para jogar lá.

Ge.net: Acha que o futsal tem mesmo que entrar nas Olimpíadas?

Vanessa: Já passou da hora de o futsal ser esporte olímpico. Não só como esporte de exibição, mas de forma fixa. A gente está brigando por isso. Talvez não aconteça na minha geração, mas as próximas vão poder ver e praticar o futsal nas Olimpíadas.

Ge.net: Como você convenceria uma pessoa que não conhece ou não gosta de futsal a acompanhar o esporte?

Vanessa: Precisa levar para assistir um jogo. Depois que assiste o primeiro, começa a gostar e a acompanhar. Ainda existe muito preconceito em relação ao futsal feminino, mas ele é bem jogado, assim como o masculino. Mas depois que você começa a assistir, gosta do esporte e passa seguir.

Ge.net: Quem são seus maiores ídolos no futsal?

Vanessa: Meus maiores ídolos são o Vander Iacovino e o Manoel Tobias. Acompanho eles desde pequena. Claro que também tem o Falcão, que é um grande jogador, mas o Vander e o Manoel Tobias são os meus maiores ídolos.

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Ala diz que seu maior ídolo no futsal é Manoel Tobias, campeão mundial em 1992 e 1996

Ge.net: Em outra entrevista concedida à Gazeta Esportiva.net, em 2011, você passou a impressão que não era tão fã do estilo de jogo do Falcão. Isso procede?
Vanessa: Na verdade, eu falei mais das características do Falcão comparadas a mim. Ele é um cara fenomenal, habilidoso, consegue criar grandes jogadas. Como jogador, dentro das quatro linhas, ele é excepcional. Mas eu me referia mais em relação às minhas características, que são diferentes do estilo dele.

Ge.net: O que você achou da atuação dele no último Mundial?

Vanessa: Só de ele estar ali no grupo, mesmo que não esteja treinando, traz confiança para o pessoal. Ele é um cara que faz a diferença e tem estrela. Ele desequilibrou nas quartas (contra a Argentina) e, na final, contra a Espanha.

Ge.net: Além do Falcão, quais outros jogadores você destacaria na campanha do Mundial masculino?

Vanessa: O Neto foi um dos melhores e ganhou o prêmio de melhor do Mundial com méritos. Tem também o (Rafael) Rato, o camisa 5, que chegou na última hora e também foi muito bem, substituindo bem o Ciço. Isso, claro, além do (goleiro) Tiago e dos outros grandes jogadores.

ICFUT – Contraste de Falcão, melhor do mundo no feminino mora em uma república

Fonte: gazetaesportiva

Em 14 de outubro, a conquista do Brasil no Campeonato Sul-americano Feminino de futsal foi praticamente ignorada no país: faz parte do triste retrato do apoio restrito à modalidade. Então, muitos dos fãs do esporte  da bola pesada também não devem conhecer a melhor jogadora do mundo da modalidade eleita por especialistas através do site Futsal Planet, uma brasileira, a ala Vanessa, que atua no Unochapecó/Nilo Tozzo/Aurora, de Chapecó (SC).

O futsal feminino está longe de ter a visibilidade do masculino. Sem o acompanhamento da mídia e transmissões pela televisão, os patrocínios são mais humildes. O resultado aparece no bolso dos atletas: até a melhor do mundo aceita a moradia oferecia por sua equipe em uma república para evitar gastos maiores. "Eu moro com outras sete meninas em uma casa", conta Vanessa.

Por outro lado, o futsal feminino conseguiu dar passos importantes. No Unochapecó/Nilo Tozzo/Aurora, todas as jogadoras da categoria adulta são profissionais. Obviamente, os salários estão longe dos seis dígitos pagos, por exemplo, ao astro Falcão. "Uma jogadora de ponta ganha recebe, no máximo, uns R$ 3.500 ou R$ 4 mil. E algumas podem receber um salário mínino, depende do nível", explica Vanessa.

Vanessa (esq) foi considerada a melhor jogadora do Campeonato Sul-americano de futsal, na Venezuela

A grande preocupação da melhor do mundo é a falta de segurança no futsal. Por isso, junto com os treinos diários – e até em dois períodos às terças e sextas -, Vanessa faz faculdade de fisioterapia no convênio com a Unochapecó. Ela chegou a desistir da experiência no futebol espanhol – no Burela – para completar os estudos.

"O futsal pode durar mais quatro ou cinco anos na minha vida, não sei. A faculdade é para a vida inteira, tenho mais um ano e meio para completar. A estabilidade não é tão grande como no masculino, não se ganha tão bem", justifica.

Apesar de todos os obstáculos e receios quanto ao futuro, Vanessa não se arrepende de buscar o sonho que moveu a sua vida. "Meu pai e minha mãe deram força desde o início, eu sempre quis ser uma jogadora de futsal", comemora a ala, que conta com o apoio de seu técnico em Chapecó, Eder Popiolski, para não desistir. "Se essa modalidade fosse reconhecida, a Vanessa seria o Falcão", completa.

Vanessa recebe prêmio de Marcos Sorato, técnico da Seleção masculina de futsal

Talento nato: O futsal começou cedo para a ala nascida em Patos de Minas. Aos cinco anos, Vanessa se interessou pelo esporte ao observar uma escolinha de futsal montada pelo seu pai, um ajudante de serviços gerais.

"Nós morávamos dentro de uma escola, meu pai tinha acesso às quadras. Ele nem é professor de Educação Física, fazia isso porque gostava. Ali começou o meu encanto, jogava com os meninos, já que as meninas não tinham muito interesse", diz a craque.

Aos 12 anos, Vanessa entrou para uma escolinha de verdade na região de Patos e, ao participar de competições, sua qualidade técnica floresceu. Cinco anos depois, ela foi descoberta nos Jogos Brasileiros Estudantis e passou atuar pelo time de Governador Valadares. O futsal já era algo sério na vida da atleta.

"Em 2005, joguei a Taça Brasil, fomos campeões e a equipe de Caçador (SC) me fez uma proposta. Então, desde 2006 eu jogo aqui no Sul", explica a atleta de 23 anos.

Dados da melhor do mundo no futsal

DivulgaçãoNome: Vanessa Cristina Pereira
Naturalidade: Patos de Minas (MG)
Data de Nascimento: 02/02/1988 (23 anos)
Posição: Ala
Altura: 1,57m
Peso: 51kg
Clubes: Minas/Governador Valadares, Kindermann/Caçador, Burela-ESP e Unochapecó/NTozzo/Aurora
Torneios conquistados: Campeonato Sul-americano, Torneio Mundial de Seleções e Campeonato Mundial Universitário (pela Seleção Brasileira); Campeonato Mundial Universitário, Copa das Nações, Liga Futsal, Jogos Abertos Brasileiros, Campeonato Catarinense, Mundial Interclubes, Olimpíadas Universitárias Brasileiras, Jogos Abertos de Santa Catarina (pelo Unochapecó/Nilo Tozzo/Aurora).

Veja os lances da melhor do mundo no futsal