Por Alexandre – Fifa reduz replay no telão.

Fonte: O Estado de São Paulo

Após erros, Fifa reduz replay nos estádios

Jamil Chade – O Estado de S.Paulo

ENVIADO ESPECIAL
JOHANNESBURGO
Depois de erros grosseiros dos árbitros na Copa do Mundo, a Fifa opta por reduzir ? e não aumentar ? a tecnologia em campo e não mostrará mais os lances polêmicos nos telões dos estádios. A entidade voltou a vetar ontem a introdução de novas tecnologias para ajudar os juízes e se manteve em silêncio total sobre as atuações de arbitragens que comprometeram resultados nos jogos das oitavas de final.

Enquanto isso, as empresas de tecnologia garantiram ontem que seus sistemas de sensores em bolas são 100% confiáveis e deixariam o futebol “mais justo”. Segundo as companhias, o sistema foi aperfeiçoado na última década e não há mais impedimentos técnicos para adotá-lo.

No domingo, o jogo entre Inglaterra e Alemanha entrou para a história dos maiores erros das Copas. Lampard chutou. A bola bateu no travessão e caiu dentro do gol da Alemanha, mas o árbitro uruguaio Jorge Larrionda não viu e mandou o jogo seguir.

Horas depois, a Argentina abriria o placar contra o México com uma jogada irregular. Tevez arrematou um passe de Messi em clara posição de impedimento, mas o gol foi validado pelo italiano Roberto Rosetti.

Replay em xeque. Segundo a Fifa, o problema é o excesso de tecnologia: o telão do estádio onde jogavam as seleções latino-americanas mostrou a repetição do lance, fazendo os mexicanos partirem para cima da arbitragem. O público, que também viu a irregularidade, protestou.

Diante disso, a decisão da Fifa foi prometer uma seleção mais criteriosa dos lances que poderão ser exibidos em replay no telão dos estádios. A medida é uma forma de proteger os árbitros de situações constrangedoras, mas não evita eventuais injustiças em uma Copa do Mundo.

Nem os dois lances de domingo são capazes de levar a Fifa a reavaliar a introdução de sensores e câmeras em campo, algo que já existe no cricket e no tênis. Os guardiães das regras do futebol ? a International Board of Football ? vetaram a tecnologia em março, alegando que o sistema ainda não é perfeito.

As empresas rejeitam o argumento. “Nossa tecnologia é 100% confiável e adicionaria justiça ao futebol”, disse Christian Holzer, da Cairos. Segundo ele, basta a Fifa dar seu sinal verde.

A tecnologia ganha apoio até na esfera política. Ontem, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, defendeu o uso de equipamentos eletrônicos para auxiliar os árbitros. “Está na hora de a entidade olhar para esse assunto”, disse, lembrando que outros esportes adotaram tecnologia sem perder seu charme.

Mais olhos. Por ora, a única opção real que a Fifa avalia é a introdução de mais dois assistentes para ajudar nas decisões sobre lances na área e no gol. A entidade admite que, depois de vários testes, há uma boa chance de isso ocorrer na Copa de 2014. Neste ano, será a Liga dos Campeões da Europa que adotará a medida.

E como tem sido praxe, não houve nenhuma declaração em relação aos erros propriamente ditos. “A entidade não comenta decisões de juízes”, disse Nicolas Maingot, porta-voz da Fifa. O assessor garantiu que não há qualquer indicação de que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, se reuniria com os juízes para falar das polêmicas. Hoje, em Pretória, os árbitros receberão a imprensa em um evento marcado previamente. Mas foram proibidos de falar sobre suas decisões.