Por Cleber Santista – Mulheres dizem ter olhar diferenciado na cobertura da Copa

Fonte: Portal Terra

Marcelle Ribeiro

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A sensibilidade mais aguçada das mulheres ajuda na hora de cobrir treinos da Seleção Brasileira e futebol de maneira geral, segundo jornalistas que participam da cobertura na Granja Comary, em Teresópolis, onde a equipe de Luiz Felipe Scolatri treina para a Copa do Mundo. Ainda são minoria, é verdade, mas as mulheres estão cada vez mais presentes nesse mundo que antigamente era praticamente apenas masculino.

Para a repórter Daniele Carvalho, da Mowa Sports, que produz conteúdo para o site da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), as mulheres são mais detalhistas. “Conseguimos perceber a expressão dos jogadores. O Oscar, por exemplo, está esperando o filho nascer. A gente consegue perceber a felicidade dele de estar aqui, mas também da expectativa do nascimento. Já os repórteres homens não estão ligando muito, só querem saber do futebol mesmo”, afirmou Daniele.

Na opinião de Paloma Tocci, apresentadora da TV Bandeirantes, as mulheres estão cada vez mais presentes nesse universo do futebol e precisam mostrar que entendem do assunto e ter postura profissional.

“Nós temos um olhar diferente, temos o sexto sentido aflorado. Já reparei em dois jogadores se estranhando em campo, tive uma visão diferente”, disse Paloma. A jornalista lembra também que já passou por situações diferentes, como quando entrevistou o então meia-atacante Denílson, que na época jogava no Palmeiras, durante um Campeonato Paulista.

“Eu estava entrevistando o Denílson durante a festa do Palmeiras em um hotel de São Paulo. O time havia prometido que se conquistasse o título, todos os jogadores cortariam o cabelo. E ele olhou para mim e perguntou se estava gato, se eu havia aprovado o corte”, lembrou.

Paloma, que acorda às 4h para se arrumar e se maquiar na pousada em Teresópolis, sugere que na área de imprensa da Granja Comary – que conta com um stand com barbeiro e cabeleireiro para homens – seja colocado um salão de beleza para que as mulheres também possam cuidar do visual, já que o banheiro feminino não tem espelho.

Cobrindo a quinta Copa do Mundo da carreira, a repórter Marluci Martins, do jornal carioca O Dia, concorda que mulheres têm mais sensibilidade, mas lembra que isso não basta para boas reportagens: é preciso dominar o esporte e conhecê-lo a fundo, além de ir atrás de boas histórias e, para isso, não importa se o repórter é homem ou mulher.

“Aqui ficamos distantes da Seleção e temos que observar cada gesto, cada bocejo, principalmente nas coletivas de imprensa”, disse. Para ela, as mulheres estão cada vez mais gostando de futebol. Ela lembra que, antigamente, os jornalistas podiam ter acesso aos vestiários.

“No início era muito mais difícil, porque tinha que entrar no vestiário com homem pelado. Se tivesse outra mulher para entrar no vestiário com homem pelado ficaria mais fácil”, disse, rindo.