Por Cleber Santista – Candidato único, Carlos Miguel Aidar é eleito presidente do São Paulo

Fonte: Globo.com

Membro da situação, Aidar já tinha larga vantagem depois de eleição do Conselho Deliberativo. Com a desistência da oposição, ele apenas cumpriu a formalidade

Por Alexandre Lozetti e Carlos A. FerrariSão Paulo

Juvenal Juvêncio deu adeus, mas o grupo político dele continuará absoluto no São Paulo pelos próximos três anos. Em uma noite de muita agitação, nesta quarta-feira, no salão nobre do Morumbi, Carlos Miguel Aidar, candidato da situação, foi eleito presidente do Tricolor – seu mandato vai até abril de 2017, e o estatuto permite reeleição. Dos 140 votos apurados, 133 foram para Aidar e sete em branco.

– Nunca imaginei voltar à presidência do São Paulo. Confesso que não passava pela minha cabeça. Estou bastante emocionado e feliz. Sei da responsabilidade que terei, mas estou acostumado a desafios. Não será o primeiro e espero que não seja o último – declarou Aidar aos conselheiros, logo depois da oficialização de sua eleição como presidente do Tricolor.

Carlos Miguel Aidar Eleito (Foto: Carlos Augusto Ferrari/GloboEsporte.com)Ao lado de Juvenal Juvêncio, Carlos Miguel Aidar comemora eleição (Foto: Carlos Augusto Ferrari/GloboEsporte.com)

Poucas horas antes da votação, Kalil Rocha Abdalla, da oposição, retirou a candidatura para impedir que o projeto da cobertura do estádio fosse votado. Os oposicionistas não participaram da votação e, com isso, o  número de conselheiros presentes não atingiu os 75% necessários para a realização da reunião – dos 234 possíveis, 140 estiveram no pleito.

– Ele fugiu, não disputou, fez campanha de mais de um ano, movimentou o clube social, movimentou torcida, foram às rádios, televisões, imprensa escrita. Mobilizou todo mundo, fez estardalhaço danado. Onde está a coletividade reunida pela oposição? Por que não entraram nesse plenário? Que votassem contra o projeto. É contra a instituição São Paulo. Desculpem o que vou falar, mas não aceito de modo nenhum que se brinque com o São Paulo desse jeito, que fique 14 meses fazendo campanha e não compareça no segundo turno. Isso não tem o nosso DNA. Que vergonha! – acrescentou Aidar em seu discurso.

Nunca imaginei voltar à presidência do São Paulo. Confesso que não passava pela minha cabeça. Estou bastante emocionado e feliz
Carlos Miguel Aidar

A vitória de Aidar era dada como certa antes mesmo da apuração. Na semana passada, a situação conseguiu eleger 49 das 80 vagas renováveis do Conselho Deliberativo. Eles, mais os 135 vitalícios, deram ampla vantagem para a situação manter o poder.

Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e João Hercílio de Paula Eduardo foram escolhidos como os novos presidentes do Conselho Deliberativo e do Conselho Fiscal, respectivamente.

Durante anos, Juvenal tentou “construir” um substituto, mas não se contentou com as lideranças políticas que surgiram no Morumbi. Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, Júlio Casares e Roberto Natel chegaram a abrir uma disputa interna pelo apoio de conselheiros, mas o presidente optou por escolher seu próprio mentor: Carlos Miguel Aidar.

Curiosamente, foi Aidar quem lançou Juvenal na vida política do São Paulo, como diretor de futebol nos anos 80. O novo presidente não é tão novo assim. Ele dirigiu o clube entre 1984 e 1988, sendo o mandatário mais jovem da história do Tricolor, na época com 37 anos.  Sob o comando dele, os são-paulinos montaram o time apelidado de “Menudos” pela presença de jovens valores vindos da base.

Oposição, Kalil Rocha Abdalla retira candidatura a presidente do São Paulo

Horas antes da eleição contra Carlos Miguel Aidar, da situação, candidato opositor desiste da disputa na tentativa de vetar votação para obra na cobertura do Morumbi

Por Alexandre Lozetti e Carlos A. FerrariSão Paulo

O candidato da oposição, Kalil Rocha Abdalla, reeleito provedor da Santa Casa de São Paulo nesta tarde,  formalizou a retirada de sua candidatura da eleição presidencial no São Paulo, que ocorreu nesta quarta-feira. O grupo não aceitou a inclusão da votação da reforma que construiria uma cobertura no estádio do Morumbi na pauta eleitoral do clube.

Com isso, Carlos Miguel Aidar, da situação, foi eleito o novo presidente pelos próximos três anos em sucessão a Juvenal Juvêncio, que permaneceu no cargo pelos últimos oito anos.

– Estou desistindo da candidatura diante da reunião hoje designada, com uma única lista de presença. O objetivo (da situação) foi obter o quórum para a aprovação daquele maldito projeto (de cobertura do Morumbi). Nós recusando participar e não daremos o quórum necessário de 175 (conselheiros) . Prefiro sair da disputa para poder dignificar o nome do São Paulo e da oposição. Se tivesse uma lista de presença para a reunião ordinária e outra para a extraordinária seria diferente. Agora, era uma única lista, como da outra vez, uma lista de panetone, que queriam aplicar o golpe em todos – explicou Kalil Rocha Abdalla.

A intenção da oposição ao retirar sua candidatura foi desobrigar seus conselheiros a comparecerem ao pleito. Dessa forma, não foi possível atingir o quórum mínimo de 75% de conselheiros para que o projeto pudesse ser votado – dos 234 possíveis, 140 estiveram no pleito. No último dia 5, os sócios elegeram 49 conselheiros da situação e 31 da oposição, o que aproximou Aidar da vitória.

– É um contra-ataque ao ataque de se colocar essa votação no dia da eleição. Como um conselheiro recém-eleito vai votar numa matéria que nem conhece? É isso que divide o São Paulo. Eu vou lá e vou votar. Acho tão difícil a execução desse projeto que gostaria de apostar nela – disse Marco Aurélio Cunha, líder da oposição.

O projeto, estimado em cerca de R$ 440 milhões, contém, além da cobertura, uma arena multiuso e dois edifícios-garagem. Em dezembro, a oposição já freou a primeira tentativa de aprovação alegando falta de explicações sobre a obra. A sequência de brigas fez a Andrade Gutierrez abandonar a parceria. O São Paulo, agora, espera aprovar a obra para acertar contrato com outra construtora.

Kalil Rocha Abdalla candidato da oposição à presidência do São Paulo (Foto: Alexandre Lozetti)Kalil Rocha Abdalla sai da disputa para ser presidente do São Paulo (Foto: Alexandre Lozetti)

ICFUT – Reeleição de Juvenal vai contra história política do São Paulo

Fonte: esporte.ig.com.br

Novo mandato tornaria atual presidente o terceiro mais duradouro da história do clube: 8 anos consecutivos

Apesar de ainda não confirmada oficialmente, a possível candidatura do atual presidente do São Paulo Juvenal Juvêncio a um novo mandato – e sua vitória na disputa – é praticamente dada como certa nos bastidores políticos do clube. Contudo, caso a decisão seja confirmada, irá contra uma história de alternância na presidência que já dura mais de quarenta anos.

Juvenal já está há cinco anos no comando do São Paulo e, com um novo mandato até 2014, chegaria a oito, tornando-se o terceiro dirigente a permanecer mais tempo no cargo – isso considerando apenas o atual momento, sem contar seu primeiro mandato, entre 1988 e 1990. E quebraria uma tradição: desde 1971 ninguém fica mais de cinco anos na presidência do clube.

O último a superar tal marca foi o ex-presidente e ex-governador de São Paulo Laudo Natel. Principal responsável pela construção do estádio do Morumbi ao lado de Cícero Pompeu de Toledo, Natel também é o recordista de anos à frente do São Paulo, ficando por 13 temporadas como presidente, entre 1958 e 1971. Toledo, que o precedeu, é o segundo colocado, com nove anos, entre 1948 e 1957.

Com as exceções dos presidentes que dominaram os anos 50 e 60, o São Paulo teve apenas outros dois presidentes que ficaram por cinco anos, como Juvenal Juvêncio: Edgard de Sousa (primeiro mandatário, ainda nos tempos de São Paulo da Floresta) e Henri Couri Aidar. Todos os outros ficaram no cargo por períodos de quatro anos ou menos.

É verdade que Cícero Pompeu de Toledo e Laudo Natel se tornaram dois dos mais importantes presidentes da história são-paulina. Afinal, o primeiro foi o responsável por dar início às obras do Morumbi (e inclusive dá o nome ao estádio), enquanto o segundo levou a construção até o final. Mas também é verdade que o período de seus mandatos (48-71) foi de vacas magras em termos de títulos, com as conquistas de apenas seis Campeonatos Paulistas em 24 anos.

Nos 75 anos do São Paulo, parece inclusive existir uma relação entre duração do mandato e conquista de títulos. Os dois períodos mais vitoriosos do clube aconteceram sob o comando de presidentes que ficaram quatro anos no cargo.

Foto: Divulgação

Juvenal Juvêncio em entrevista coletiva ao lado de Leco (esq.), vice-presidente de futebol, e João Paulo de Jesus Lopes (dir.), diretor de futebol

Entre 1990 e 1994, José Eduardo Mesquita Pimenta conquistou dois mundiais, duas Libertadores, duas Recopas Sul-Americanas, uma Supercopa, um Brasileirão e dois Paulistas. E entre 2002 e 2006, Marcelo Portugal Gouvêa levou o clube a um Mundial, uma Libertadores, um Brasileiro e um Paulista.

Resultados esportivos à parte, o fato é que a extensão do mandato de Juvenal também contraria o movimento recente dos principais do São Paulo em busca de alternância política. O Palmeiras, depois de 12 anos com Mustafá Contursi, já teve Affonso Della Mônica e Luiz Gonzaga Belluzo como presidentes desde 2005. E o Corinthians, após 14 anos de Alberto Dualib, está com Andrés Sanchez no poder desde 2007 e terá um novo presidente eleito em dezembro – Sanchez não pode se reeleger.

Entenda a polêmica

Juvenal Juvêncio, que já havia sido presidente do São Paulo entre 1988 e 1990, foi eleito para suceder Marcelo Portugal Gouvêa em 2006. Depois de um mandato de dois anos, foi reeleito em 2008 vencendo a chapa liderada pelo ex-judoca Aurélio Miguel e dando início ao primeiro mandato com duração de três anos, depois que o estatuto do clube passou por mudanças.

A polêmica em relação à nova candidatura acontece porque mesmo o novo estatuto proíbe duas reeleições seguidas. Assim, os oposicionistas defendem que Juvenal não poderia sequer concorrer novamente ao cargo. A ala de conselheiros que apóia o dirigente, por outro lado, argumenta dizendo que esta seria sua primeira reeleição, já que o primeiro mandato, por ainda ter siso regido sob o antigo estatuto, não deveria ser considerado.

Por enquanto, os argumentos da oposição parecem não ter força suficiente para desbancar Juvenal, assim como uma chapa concorrendo contra ele dificilmente teria sucesso nas eleições, marcadas para abril. Um possível novo mandato, que se estenderia até 2014, teria como principal “missão” a reinclusão do Morumbi como sede da Copa no Brasil.

Há pouco mais de uma semana, Juvenal se reuniu com conselheiros da situação no estádio, teve seu nome aprovado como melhor opção para o cargo e, com isso, teve a candidatura confirmada extra-oficialmente, inclusive por possíveis concorrentes, como o vice-presidente de futebol Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e o vice-presidente de comunicações e marketing, Júlio Casares.

A única manifestação recente contrária à reeleição vinda de um aliado foi a do ex-superintendente de futebol Marco Aurélio Cunha, ao afirmar que, como amigo, não gostaria de ver Juvenal concorrendo à reeleição. O conselheiro e vereador da cidade, apesar de admitir que sonha em ocupar a presidência do São Paulo no futuro, descarta concorrer com Juvenal.

Com todo o cenário interno indicando que o mais provável é mesmo a reeleição, a principal resistência à continuidade de Juvenal Juvêncio na presidência tem vindo da torcida, principalmente por meio da internet. Em diversos fóruns e blogs, pesquisas não-científicas indicam a reprovação ao novo mandato. Um desses blogs, de autoria não identificada e com o nome de “Nem a pau Juvenal”, criou um abaixo-assinado contra a reeleição.