ICFUT – História do Barueri FC !

Fonte: Jornal Oficial de Barueri ( 10/07/2010 – Pág 10 )

Barueri FC: 90 anos batendo de primeira


A coluna Barueri Conta Sua História inaugura uma série de reportagens sobre o futebol da cidade.Um passeio pelas grandes conquistas do passado, atendo-se a equipes com mais de 50 anos de história. Assim, foram eleitos times como o Barueri, de 1920, o 1º de Maio (1947), Belval (1948), Cruzeiro do Sul e X de Setembro (1950) e Silveira (1958).Um breve histórico da equipe e um depoimento de um personagem. Nesta edição, o Barueri Futebol Clube e um de seus atletas, o Dori.


Fundado em 1920, o Barueri F.C. é o primeiro time da cidade, acumulando vitórias e tornando-se motivo de orgulho da sociedade local. “Um time famoso, que sempre envolvia a torcida onde jogava”, lembra Norival de

Oliveira, o Dori, que começou a atuar na equipe dos anos 50.Segundo ele, naquela época, Barueri, Sul Americana e São Bento se alternavam nos títulos das competições regionais, cada equipe com seus craques idolatrados. Profissionalmente, Dori jogou pelo Botucatuense, Inter de

Limeira e Bragantino. Nascido na Barra Funda em 1938, Dori já atuava no juvenil do São Jorgeaos 13 anos. Dois anos depois a família mudou-se para Barueri, e Dori começou a jogar no X de Setembro.O cenário esportivo dos anos 50 merece alguma avaliação: “os campos eram os do Maio, X de Setembro, Silveira, Sul Americana, São Bento e Botafogo. Época de campo ruim e bola ruim”, lembra Dori. Nesse período, o Barueri Futebol Clube tinha fama de elitista mas, em campo, esbanjava futebol: “tinha o Iraci, o Milton, o Biazoli, o Irani, o Biba”, relaciona Dori, “todos muito bons de bola”.


Em 1958 Dori se aventurou no Botucatuense, mas voltou a Barueri no ano seguinte. Em 1962 e 1963 defendeu o Inter de Limeira, depois foi jogar

no Esportiva de Guaratinguetá, e finalmente no Bragantino. Sem queixas: “era um bom salário”, assegura, “e ainda tinha as luvas.Dava pra viver muito bem”, elogia. A alfinetada sobra para a corrupção no futebol interiorano da época: “time da casa sempre vencia, e visitante tinha que se conformar com a derrota. Tudo era acertado com antecedência”, denuncia.Depois do Bragantino, Dori interrompeu a carreira profissional. Em Barueri, as partidas de futebol eram eventos: “mas era um período de muitas brigas”, observa Dori, “hoje tem famí mais disciplina”. Segundo ele, naquela época tinha briga feia na torcida também, e principalmente entre mulheres.”

Aqui em Barueri, por exemplo, o Sula era a equipe que representava a tecelagem, e tinha uma grande torcida feminina”, conta. Mesmo interrompendo a carreira profissional, Dori continuou atuando no Barueri. “Barueri se orgulhava muito de jogadores como Miro, Ziano, Manolo,Olivio, Kunga, Nega e Wagner”,lembra. Ano após ano atuando nas competições municipais, Dori tornouse figura carimbada na comunidade esportiva local.

Casou-se em 1965, com Etelvina de Oliveira, com quem teve ttrês filhos: Jaime, Dalmaris e Renato. Hoje, o orgulho dele são os quatro netos: Henrique, Artur, Rafael e Lucas.

Em 98 Dori pendurou as chuteiras,mas não apagou da memória uma carreira de vitórias.

O orgulho da sociedade local e reduto de craques


Segundo seus fundadores, o Barueri Futebol Clube data de 19 de junho de 1919, embora o estatuto apresentado para legalizar o clube junto à Federação Paulista de Futebol conste data de 1º de janeiro de 1920.

Os fundadores foram João Fernandes Dias, Joaquim Barbosa, Napoleão Berzaghi, José Firmino do Monte, Humberto Berzaghi, José Farbo e Heitor Ariente.

Desde o início o clube destacou se pela atuação de jogadores como Napoleão, Cezário, Heitor, Zizico, Caetê, Chiquinho,Pereira, Farbo, Celinho, Orlando, Lula, Antenor, Angelino Decó, Lanzico, Aníbal Correia, Ardegundes Serrão e Pirulão. Na década de 30, o Barueri F.C.

conquistou a mais cobiçada taça de época, a Galo da Redondeza, em famoso jogo contra o Sul Americana. Além dos jogadores citados, destacaram-se Marques, Manezinho, Irani, Walter, Jaci, Santana, Lupércio, Manoelito, Clóvis, Roberto, Ditolô, Orélio, Rubitão, Darci, Bira, Correia, Anésio, Bodinho, Ari, Bruno, Bertão, Zezé, Galo, Kunga, Dorival,Iracy, Mané Pantera, Alécio e Batistinha.

Na década de 40 o clube proporcionava bailes e também mantinha um grupo teatral, onde atuavam moradores como Napoleão Berzaghi, Humberto Berzaghi, Heitor Ariente, Renato Cabral, Walter Carril Loureiro, Aristides Costa e Silva, Tereza Berzaghi, Elisa Garcia e Francisca Farbo.

Em 1953, o clube contava também com uma equipe juvenil de excelente nível, com jogadores como Alfredo Goiaba, Biba, Milton Baltazar, Piteira, Milton, Darcinho e Zé Maria Baileiro. O primeiro mascote do time foi Ednir, que depois veio a ser jogador do Barueri por vários anos.

Em 1955, o local onde o time jogava transformou-se na Vila São João. Neste mesmo ano, o Barueri sagra-se campeão da Liga Barueriense de Futebol,em emocionante jogo contra o São Bento de Carapicuiba (então, bairro de Barueri – Carapicuiba seria emancipada em 1965). Em 1957, o presidente Irani de Almeida sonhava em instalar um campo onde é hoje a Vila Militar. O clube recebeu uma doação de um terreno com uma casa na Vila Ceres, para ser rifada. Mas os ladrões demoliram a casa, roubaram o material e lá se foi o sonho. Não houve oportunidade para a aquisição de um novo campo mas, com a venda de um terreno do clube no Jardim dos Camargos, foi construida a sede social, na avenida Dom Pedro II, 235.

Dados extraídos da Coleção: Conheça

Barueri, Volume IV – Nosso Futebol (1990)