ICFUT – Péricles Chamusca é confirmado como novo técnico do Coxa

Fonte: gazetaesportiva

Sem um acerto com Caio Júnior ou Celso Roth, procurados pela diretoria do Coritiba após a demissão de Marquinhos Santos, o Alviverde terá outro treinador considerado jovem e agregador. É Péricles Chamusca, confirmado para ser o treinador coxa-branca para as sequências da Copa Sul-americana e do Campeonato Brasileiro 2013.

Com 48 anos, Chamusca terá mais uma chance de mostrar serviço em um time da Série A depois de uma passagem pela Portuguesa que terminou de forma melancólica após uma goleada sofrida para o Comercial, por 7 a 0, pela Série A2 do Campeonato Paulista. O técnico, que começou sua carreira no Vitória, em 1995, teve seu primeiro destaque no comando do Brasiliense, quando foi vice-campeão da Copa do Brasil, em 2002.

No ano seguinte, a consagração veio na mesma competição, com o título conquistado pelo Santo André. Considerado um motivador, levou o São Caetano a brigar pelo título do Brasileirão em 2004. Após uma passagem por Goiás, Botafogo e pelo futebol japonês, no Oita Trinita, treinou Sport, Avaí, Al-Arabi e Al-Jaish, do Catar, Chamusca deixou saiu dos holofotes e busca, assim como o Coxa, se reencontrar.

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Péricles Chamusca foi anunciado como substituto de Marquinhos Santos no comando técnico do Coritiba

Por Cleber Aguiar – Ídolo no Coxa, Alex dispara contra time, torcida e futebol estadual

Fonte: Gazetaesportiva.net

A derrota para o Nacional-AM, por 4 a 1, na última quarta-feira, ela segunda fase da Copa do Brasil, já refletiu no elenco do Coritiba. O meia Alex, ídolo da torcida, não poupou críticas aos seus companheiros depois do desempenho ruim, alegando que a instabilidade durante a temporada pode atrapalhar o time no segundo semestre.

“Eu venho batendo nesta tecla desde quando eu cheguei. Mentalmente, nós não temos uma equipe forte. Já demos demonstração disso. Já tivemos jogos espetaculares, mas, três dias depois, tropeçamos”, explicou Alex, em entrevista à Rádio 98 FM. No último final de semana, o Coritiba venceu o Atlético-PR na decisão do Campeonato Paranaense, mas acabou sendo derrotado, de forma vexatória, na quarta-feira, pela Copa do Brasil.

Além de criticar seus companheiros de elenco, Alex também disparou contra a torcida, que o considera um ídolo. O meia alegou que o mau desempenho em campo é refletido nas arquibancadas. Em um momento complicado com o este, o jogador pede o apoio dos torcedores, já que o Coritiba tem dois jogos complicados pela frente.

Divulgação

O meia do Coxa vê a equipe em uma semana decisiva, com o confronto na Copa do Brasil e a estreia no Brasileiro.

“Mas não é só o time. É o clube, passa pela arquibancada, pelo torcedor. Isso demora para reverter. A diretoria tem batido no peito de que tem mais de 30 mil torcedores adimplentes, mas não vão ao estádio. A semana será pesadíssima e o torcedor tem de saber que teremos duas dificuldades. Uma, reverter (a derrota para o Nacional); outra, a estreia no Brasileiro, contra o time da moda (Atlético-MG)”, afirmou Alex.

 

Em relação ao futebol paranaense, o camisa 10 também foi duro com suas críticas e pediu uma mudança de postura dos dirigentes. A recente confusão entre Coritiba e Atlético-PR, sobre a escolha do mando de campo para o clássico, irritou o meia, que apesar do bom desempenho do Londrina, vê o Estadual centralizado na capital.

“Temos primeiro que separar. O futebol paranaense não existe. Existe o futebol curitibano. O Londrina teve uma sobrevida, mas desconfio, vamos ver até onde suporta. O futebol curitibano retrocedeu. Até 2000, o Atlético foi campeão nacional, vice na Libertadores. Agora, se recuperou um pouco com os dois vices na Copa do Brasil do Coritiba”, criticou o meia.

O jogador também apresentou uma solução para o problema: a mudança de postura dos mandatários. “O primeiro fator para que cresça é que (os dirigentes) se deem, possam sentar juntos para tomar um café. Esse processo de conversa é necessário. Aqui, vai se discutir um estádio para o Atletiba, parece novela mexicana”, concluiu.

Por Cleber Aguiar – Coxa massacra o Rio Branco e segue na luta pelo returno

Fonte: Gazetaesportiva.net

Do correspondente Luiz Felipe FagundesCuritiba (PR)

Sem maiores dificuldades, o Coritiba fez sua parte na luta pelo título do returno do Campeonato Paranaense 2013 e goleou o Rio Branco por 6 a 0, no Estádio Couto Pereira. Com o resultado, o Alviverde chegou aos 18 pontos, alcançando provisoriamente a terceira colocação. Já o Leão da Estradinha segue perigosamente ameaçado pela zona de rebaixamento no ano de seu centenário.

O Coxa conseguiu abrir o placar aos 28 minutos, com o artilheiro Alex, que recebeu lançamento açucarado de Robinho e tocou na saída do goleiro para marcar. Escudero ampliou aos 40 minutos, de cabeça. Depois do intervalo, Robinho, aos nove, marcou o terceiro. Aos 27, Pereira recebeu de Alex e fuzilou para marcar. Aos 33, Anderson Costa, que fazia sua estreia, precisou de dois minutos para deixar sua marca. Aos 40, Alex fechou a contagem.

Na próxima rodada, o Coritiba terá o clássico diante do Atlético Paranaense, domingo, em local ainda a ser definido. Antes, estreia na Copa do Brasil diante do Sousa-PB. Já o Rio Branco terá pela frente o Paranavaí, quinta-feira, no Gigante do Itiberê.

O jogo – A primeira chance para o Alviverde foi criada aos quatro minutos, com Victor Ferraz encontrando Rafinha, que foi travado na hora exata do chute. A resposta veio em chute de Fabinho, que pegou torto na bola e mandou para muito longe da meta. O Coxa tentava impor seu ritmo e desperdiçou grande oportunidade, aos 12 minutos, com Deivid, que recebeu na cara do gol e chutou para defesa de Rodrigo Café.

O Leão da Estradinha, desesperado na luta contra a degola, se defendia como podia e não representava nenhum perigo para o Coritiba, que, por sua vez, tinha dificuldade para abrir o placar. Aos 19 minutos, Alex tocou de letra para Robinho, que recebeu em ótima posição e arrematou por cima da meta. Aos 23 minutos, Rafinha arriscou de fora da área e Vinícius se esticou para ceder escanteio.

A pressão deu resultado aos 28. Robinho lançou Alex, que dominou e chutou na saída do goleiro para balançar as redes. O Rio Branco criou sua primeira chance aos 34 minutos, em cobrança de falta de Matheus, que Vanderlei teve trabalho para espalmar. Na resposta, Alex, também de bola parada, carimbou a trave. Mas, aos 40 minutos, Robinho fez o levantamento e Escudero testou para ampliar a vantagem.

Para a segunda etapa, nenhuma mudança nas equipes. O Coritiba administrava bem a vantagem e tocava a bola tentando criar novas oportunidades. E ela apareceu aos nove minutos. Robinho recebeu de Deivid e, mesmo desequilibrado, tocou forte, no cantinho, para fazer o terceiro.

O Alviverde fazia grande apresentação impondo seu ritmo desde o início da partida. Aos 17 minutos, Alex chutou de fora da área, pela linha de fundo. Caimmy aprontou, aos 23 minutos, para cima da defesa coxa-branca e cruzou para Bahia, que chegou desajeitado e facilitou a vida de Vanderlei, que ficou com a bola. Aos 27 minutos, Alex serviu Pereira, que desviou para o fundo das redes.

A goleada só crescia, e com direito a estreia. Com dois minutos em campo, em seu primeiro lance com a camisa coxa-branca, Anderson Costa tabelou com Luizinho, aos 33, e chutou cruzado para fazer o quinto. Cabia mais e, aos 40 minutos, Alex, artilheiro isolado do Estadual com 12 gols marcados, fechou a contagem aproveitando assistência de Deivid.

RETRÔ ICFUT – CORITIBA TRICAMPEÃO PARANAENSE 2012

Coritiba campeão

Final
1ª RODADA
6/05 – 16h00 Atlético 2 x 2 Coritiba
2ª RODADA
13/05 – 16h00 Coritiba 0 x 0 Atlético
2.º Turno
 Clube PG JG VI EM DE GP GC SG %A
1  Coritiba 28 11 9 1 1 26 12 14 84.8
2  Atlético 23 11 7 2 2 26 10 16 69.7
3  Operário 21 11 6 3 2 19 13 6 63.6
4  Arapongas 18 11 6 0 5 14 15 -1 54.5
5  Londrina 17 11 5 2 4 17 6 11 51.5
6  Paranavaí 15 11 4 3 4 12 16 -4 45.5
7  Rio Branco 14 11 4 2 5 16 20 -4 42.4
8  Cianorte 13 11 3 4 4 6 11 -5 39.4
9  Toledo 12 11 3 3 5 11 12 -1 36.4
10  Corinthians 11 11 2 5 4 12 15 -3 33.3
11  Iraty 5 11 1 2 8 10 30 -20 15.2
12  Roma Apucarana 5 11 0 5 6 9 18 -9 15.2
 
1.º Turno
 Clube PG JG VI EM DE GP GC SG %A
1  Atlético 26 11 8 2 1 26 5 21 78.8
2  Coritiba 25 11 7 4 0 28 7 21 75.8
3  Cianorte 25 11 7 4 0 25 8 17 75.8
4  Arapongas 20 11 6 2 3 18 14 4 60.6
5  Toledo 17 11 5 2 4 15 13 2 51.5
6  Rio Branco 13 11 4 1 6 15 25 -10 39.4
7  Londrina 13 11 3 4 4 12 12 0 39.4
8  Corinthians 12 11 3 3 5 12 17 -5 36.4
9  Roma Apucarana 11 11 2 5 4 10 19 -9 33.3
10  Operário 9 11 2 3 6 15 22 -7 27.3
11  Paranavaí 5 11 1 2 8 8 24 -16 15.2
12  Iraty 4 11 0 4 7 8 26 -18 12.1

Por Cleber Aguiar – De volta após 8 anos, Alex fala sobre acerto no Coritiba e saída da Turquia

Fonte: Folha de São Paulo

LUCAS REIS
DE SÃO PAULO

Alex, 35, foi “expulso” da Turquia.

Após oito anos defendendo o Fenerbahce, teve de antecipar seu voo ao Brasil por ordem da polícia local. “Os torcedores iam explodir o aeroporto com os fogos e sinalizadores”, brinca o meia, que recebeu inúmeras propostas do mundo todo, mas preferiu voltar para casa: jogará no Coritiba, clube do coração e do início da carreira, por dois anos, a partir da próxima temporada.

Filho de um pintor de paredes e uma cozinheira, Alex recebeu pessoalmente os agradecimentos do primeiro ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, antes de deixar Istambul. Saiu da Europa há 20 dias nos braços da torcida e chegou ao Brasil carregado por ela. Disse que revelaria seu destino em dez dias, mas fez isso em apenas quatro.

Em quase duas horas de conversa com a Folha, ontem, ele contou os motivos de sua saída do Fenerbahce, disse que optou por Curitiba antes mesmo de definir seu salário, abriu as portas para Mano Menezes e revelou como ajudou Glória Perez a escrever a novela Salve Jorge, da Globo.

  Geraldo Bubniak-18.out.2012/Fotoarena/Folhapress  
O meia Alex é apresentado como jogador do Coritiba no último dia 18
O meia Alex é apresentado como jogador do Coritiba no último dia 18

Você já voltaria em 2013?

Sim, só não sabia se em janeiro, quando termina o primeiro turno,. Mas para eu voltar em janeiro teria que entrar num processo de conversa com o clube, e eu já tinha já tinha iniciado isso, já tinha falado com o treinador [Aykut Kocaman] e o presidente [Aziz Yildirim] duas vezes, para tentar voltar em janeiro. Mas já era um fato decidido, já voltaria. No início, a ideia era cumprir contrato até maio. Mas como a temporada começou de maneira muito estranha, minha relação com o treinador cada vez pior, achei que era melhor em todos os sentidos, pra pegar a temporada brasileira no início, as minhas filhas pegarem o ano letivo no início. Achei que o melhor seria janeiro. Mas achava que seria difícil, porque tava jogando. Haviam problemas, mas não eram expostos, só as pessoas de dentro sabiam. Dentro disso tudo, achava que seria bem difícil uma liberação em dezembro ou janeiro. Mas já pensava, sim. Devido a ter oito anos de clube, ter uma relação de conversa com o presidente boa. Até aquele momento não tinha discutido pesado com o treinador. Achava que poderia acontecer, sim.

O problema foi o ego do treinador?

Não. O grande problema foram as ideias diferentes. Eu penso futebol de um jeito, ele pensa de outro. Eu o questionei várias vezes, ele me falou que mudaria várias coisas, e não mudou. Alguns comportamentos que ele tinha eu não concordava, e isso foi crescendo.

Houve uma perseguição? Você estava perto de bater o recorde de gols dele.

Não, não… pode até ser, mas não acredito que tenha peso. O grande peso é que ele queria fazer um time sem mim. Isso ele queria. Mas ele não tinha coragem de colocar isso pra fora, nem de fazer. Então começaram a me minar. Ia na televisão falar uma situação.. Vou dar um exemplo. Nas férias, ele deu uma entrevista dizendo que, por eu ter 35 anos, eu iria jogar menos e que em vários jogos ficaria no banco, faria um rodízio. Precisaria conversar comigo, pois isso nunca tinha acontecido comigo. Assim que eu voltasse da pré-temporada, ele iria conversar comigo. E é o que eu mais quero: aos 35 anos é impossível jogar 100% dos jogos. E voltei pra Istambul. Ele me cumprimentou no primeiro dia de pré-temporada, passamos um mês de pré-temporada, começaram os jogos da UEFA, pegamos um time da Romênia, e ele não falou comigo. Depois do primeiro jogo ele veio conversar comigo e eu explodi com ele. Falei que ele estava tendo um comportamento perante a imprensa e comigo estava tendo outro, e eu não concordava. E nessa conversa eu falei vários absurdos pra ele, ele falou vários absurdos pra mim. Acredito que ali tenha sido o ponto final da relação.

Foi essa a conversa que culminou com sua saída?

Nesse jogo na Romênia tive uma conversa muito pesada com ele. Falei várias besteiras pra ele, ele falou vários absurdos. A relação acabou ali. No jogo seguinte, joguei. Teve um jogo do Spartak Moscou, em Moscou, que ele me tirou na preleção, e as pessoas na Turquia diziam que o que me incomodava era ter ido pro banco, e não era verdade. Eu iria no banco sem problema nenhum, o importante era que o time vencesse. O que me incomodava é que ele dizia na imprensa que tinha falado comigo e que eu sabia que isso iria acontecer. Isso era mentira, ele conversou comigo no primeiro dia quando a gente se apresentou comigo na pré-temporada. Deu bom dia, boas voltas, e não falou mais nada comigo. E isso me irritava muito. Foi o ponto principal, ele na imprensa falava uma coisa que não era verdadeira.

  Osman Orsal-25.out.09/Reuters  
O meia brasileira Alex comemora gol do Fenerbahçe contra o Galatasaray
O meia brasileira Alex comemora gol do Fenerbahçe contra o Galatasaray

Te surpreendeu a repercussão do caso?

Muito, muito. Eu tinha uma preocupação, sabia que era questão de dias para sair. A relação era muito complicada, difícil. Também errei em vários momentos, expus minha opinião no Twitter e causou problemas dentro do clube, isso foi um erro meu. E era uma questão de momento. Minha rescisão aconteceria. Mas não esperava que fosse tão rápido, e eu tinha uma única preocupação: do momento que cheguei até o momento da confusão eu tinha sido muito bem tratado por todo mundo. Por todos do clube, da torcida, não tinha tido atrito nenhum, não tinha tido erros grandes. Minha preocupação era sair do clube com uma imagem verdade, se boa ou ruim é julgamento de terceiros, mas com uma imagem verdadeira, daquilo que realmente estava acontecendo. Comecei a me preservar, falar pouco, não dar entrevista, até uma preservação minha mesmo. Até o dia em que ele me mandou embora, de uma maneira que eu não entendi. E aí vem essa reação popular, que isso é uma coisa absurda, jamais passou pela minha cabeça que as pessoas fariam vigília na minha casa. Saí da Turquia faz duas semanas, as pessoas me tratam como se eu ainda tivesse lá, como se fosse jogador do clube. Esse tipo de reação eu não imaginava.

E a torcida de lá ficou toda do seu lado?

Fui expulso do país, senão os caras iam explodir do aeroporto! Meu voo era às 22h, tive que sair 20h30 devido aos fogos que eles estavam soltando. Começaram com aqueles sinalizadores, a polícia federal veio e falou: ‘Alex, sei que você está com os amigos, tem que se despedir, mas pode acontecer um acidente grande. Tem gás, avião, o aeroporto estava fechado por 40 minutos, então é melhor você ir embora’. Nem mentir para o povo que a gente tinha ido embora não dava, o avião era privado, de um amigo, e ficava na visão dos torcedores de fora. Não dava nem pra mentir. O torcedor se posicionou dessa forma, pois desde o primeiro dia que cheguei até o último jogo eu não tinha dado problema pra ninguém. Não é do meu perfil dar problema pra alguém, é do meu perfil discutir, contestar, essas coisas eu sempre diz, mas internamente. Nunca dei problema pra ninguém. E da maneira como foi, o povo se posicionou em cima de uma pessoa que durante oito anos tinha sido super correto com os caras.

Como começou sua relação com o técnico Kocaman?

Essa é a terceira temporada dele como treinador. Nossa apresentação não foi boa. A temporada 2008-2009 foi minha pior temporada como jogador do Fenerbahce. Individualmente, mas como time também. Ficamos em quarto lugar na liga. E no último jogo, jogamos contra o Trabzonspor, era um clássico, difícil de ganhar. E o clube nos passou um programa: se ganhar do Trabzonspor, nossa reapresentação seria em 7 de julho. Se perdêssemos, seria 1º de julho. E ficou combinado, seria uma semana a mais de férias. Fomos pro jogo, vencemos. Saímos de férias com as férias marcadas pra terminar 7 de julho e recomeçar os treinamentos da temporada 2009-2010. Luis Aragonés era o treinador. No meio das férias mudou tudo: o clube dispensou o Aragonés, voltou com o Christopher Daum, e ele [Kocaman] diretor de futebol. Em 22, 23 de junho, o clube me liga pra dizer que apresentação seria no dia 1º de julho. Eu disse: ‘não volto. Programei as férias com minha mulher pra sair do Brasil 5 de julho, dia 6 tô ai, dia 7 me apresento’. Passaram dois dias e ligaram de novo: ‘falamos com o novo diretor, mudaram tudo e a apresentação é 1º de julho.’. Respondi: ‘diga ao novo diretor que não o conheço, e a apresentação é 7 de julho. Não vou mudar, vou voltar 7 de julho’. O time se apresentou 1º de julho, e eu no dia 7. Cheguei e fui direto no treinador, que era o treinador que tinha me contratado. Falei: ‘desculpa o atraso, tive um problema. Ele falou: ‘não tem problema nenhum. Te conheço, e cinco dias não vão fazer diferente numa temporada de forma nenhuma. Da minha parte está tranquilo’. Saí da sala dele e fui ser apresentado ao diretor, e foi a primeira vez que eu o vi.

E me disse: ‘vou falar uma coisa, você como capitão do time está tendo um comportamento errado. Tem que ser o primeiro a se apresentar.’ Falei: ‘concordo, estava errado, me apresentei atrasado, mas como você está sendo direto, vou ser bem direto com você. Então organize-se: não sou obrigado a mudar minha vida fora, principalmente nas férias, porque vocês querem. Eu não vou mudar minha posição porque os outros querem que eu mude’. Assim foi a nossa apresentação.

Um ano depois, ele assumiu de treinador, e quando assumiu começou com papo assim: ‘já passaram vários treinadores, esse time não ganha nada faz três, quatro anos, isso mostra que a culpa é dos jogadores’. E aquilo estava me irritando, pois gosto muito mais que a pessoa chegue e fale direto do que ficar jogando uma situação no ar pra ver se alguém agarra. Um dia falei pra ele: ‘temos várias dificuldades. Uma delas pode ser o nosso comportamento. Mas essa é uma das [dificuldades], para ganhar o campeonato precisa de mais coisas.’

Começou a Liga, ele me tirava, às vezes não jogava. Mas em momento algum não reclamei. E quando voltei a jogar desandei a fazer gols. Viramos o turno nove pontos atrás do líder e batemos campeões na temporada 2010-2011. Mas sempre com problemas, sempre eu questionando a forma dele lidar com nosso grupo, ele questionando algumas coisas minhas e algumas coisas de outros jogadores, mas isso interno.

Isso chegou na imprensa turca?

Questionavam um pouco, mas a maneira como a imprensa turca trabalha e a imprensa brasileira trabalha é totalmente diferente. Esse assunto meu e do treinador ficou três anos assim. No Brasil isso não fica três anos, um assunto entre um atleta e um treinador. A imprensa expõe e discute de outra forma. A imprensa brasileira e turca trabalha de modos bem diferentes. Não dá pra entrar no mérito de melhor ou pior, existem coisas que culturalmente são bem diferentes. Isso entra no futebol, na imprensa… No Twitter, as pessoas perguntavam assim: ‘você quer ser o segundo treinador do time?’ Eu dizia que não quero. Pronto. Isso pra eles era ofensivo. Mesma coisa hoje, tô no Coritiba, vira alguém e pergunta se quero ser auxiliar do Marquinhos, o treinado. Não, não quero. Para o brasileiro é uma coisa totalmente normal. Pra eles é ofensivo. Tratando dessa forma parece que você não gosta do treinador. Durante esse tempo todo existiram problemas, mas foram problemas internos. Eles são super passionais.

A grande diferente entre eu e o treinador foi que, até a chegada dele, a gente tinha uma filosofia de futebol, de dia a dia, das pessoas que comandavam. O primeiro pensamento que cheguei era de um treinador alemão. Aprendi muito com isso. Depois veio o Zico, era uma passagem de ideias de coisas brasileiras. E o nosso time nesse período tinha dez brasileiros. Com o Luis Aragonés, fez-se um período de transição. Ele tentou por uma coisa nesse período de transição, que era meio parecido com o Zico, mas trazendo algo parecido com o que ele tinha na Espanha. Não conseguiu, ficou pouquíssimo tempo, trabalhou dez meses e foi mandado embora. Voltou o Christopher Daum, treinador voltou, com o esse treinador, o Aykut, de diretor. Começou a ter um choque, pois existia a ideia dele, e a ideia do treinador. Ele era diretor, mas o contato dele era diário com os jogadores. Ele estava no centro de treinamento todos os dias. O Daum durou um ano. O processo de transição durou duas temporadas, com Aragonés, Daum, e a partir do momento que ele assumiu, ele pôs o pensamento turco. E começou a criar choque, pois no pensamento turco eu concordava com pouca coisa. E como eu já era capitão do time, já tinha uma história grande no clube, comecei a contestá-lo.

O que seria o ‘pensamento turco’ no futebol?

Mudanças radicais no dia a dia do treinamento, a forma de se pensar o jogo, a maneira de se imaginar o que é possível ganhar, o comportamento dos jogadores. Isso tudo eu questionava. Por que um jogador chega hoje e dois anos depois mantém o mesmo nível de futebol? Isso na minha cabeça é inadmissível. Eu falava isso pra ele, e ele falava: ‘isso é Turquia. Aqui é assim’. Isso foi me irritando. Em toda conversa que eu tinha com ele, a respeito disso, dia a dia de clube, saia aceitando pela hierarquia dele, por ser o treinador, mas descordando das ideias cada vez mais. Chegou uma hora que eu explodi, ele explodiu.

Pra acabar de uma maneira boa, a Liga agora, em maio, ele já sabendo que não me queria, era muito mais fácil conversar, sentar e falar que não dá mais, as coisas não caminham do jeito que a gente imaginava. Vamos nos separar. Eu ia agradecer, ele ia seguir o caminho dele e não teria essa turbulência toda. A situação pra mim ficou insustentável. E ficou ruim pra ele também, comandar comigo dentro do vestiário, eu era um cara pesado, com uma história bonita, que tinha o apoio do público, de fora. Eu ia pra campo e tava jogando bem, estava ajudando, e ao mesmo tempo na ideia dele não era o cara pra estar naquela posição. Na minha dispensa, o que ele fala: ‘é uma decisão minha, pois não posso ter no vestiário alguém com peso tão grande como o meu, com ideias tão contrárias às minhas’. Ok, ótimo, vou ao presidente e ver o que ele faz com meu contrato. E o presidente carimbou o que disse o treinador e botou na minha mão: ‘ou treina à parte do grupo ou vai embora’. Isso em três minutos.

Divulgação Fenerbahce
Alex em frente a sua estátua, no estádio do Fenerbahce
Alex em frente a sua estátua, no estádio do Fenerbahce

E quando você decidiu que jogaria pelo Coritiba?

Cheguei sábado, na minha cabeça eu queria jogar no Coritiba, mas antes, do meu período de rescisão até eu vir embora, foram 12 dias na Turquia. Esses 12 dias na Turquia eu tinha correr atrás de muitas coisas, essa coisa burocrática, tentar resolver. Principalmente a mudança e a questão burocrática. Eu pensava: ‘não quero ter que voltar para a Turquia pra resolver qualquer pendência’. Eu acordava cedo todos os dias e ia atrás das coisa pra resolver, voltava pra casa no final do dia, pra ter tempo de resolver todas as minhas pendências. Nesse período, vários clubes me ligaram. Vários. Do Brasil, exterior, Europa, EUA, mundo árabe. E eu fui descartando: não quero voltar ao Brasil, ligava algum clube do Brasil e eu agradecia.

Eu dei conversa pra dois clubes: Cruzeiro e Palmeiras, pois são clubes que tenho um carinho grande, joguei nos dois clubes, e as pessoas que me contataram são pessoas que eu conheço. Foi o César Sampaio, pelo palmeiras, e o presidente do Cruzeiro [Gilvan Tavares], que na minha época era diretor jurídico. Para os dois eu falei a mesma coisa: ‘em bom português, tá foda aqui, uma comoção geral, um tempo curto pra resolver todas as minhas coisas. Chegando no Brasil eu converso com vocês’. E nesse período eu tô raciocinando. Pensando: ‘tô livre, o que vou fazer? Onde vou jogar? Como vai funcionar tudo isso na minha volta? Vou chegar no Brasil em outubro, não posso jogar até janeiro.’

Onde entra o Coritiba? Nas minhas férias, passei um dia no Coritiba, com o Felipe Ximenes [superintendente de futebol]. Ele me mostrou todo o clube, como estava funcionando, as categorias de base, o que imaginavam para o time profissional pra frente, a parte administrativa. Me deram um raio-X geral do clube. Nesse período lá, mantinha conversa com o Felipe Ximenes como um torcedor privilegiado. Dava boa sorte, lamentava derrota. Mas a gente não falou na possibilidade de voltar. A única coisa que eu falei, eu disse: quando eu voltar, vocês vão saber por mim aquilo que eu vou fazer. E eu vou sentar com vocês pois me acho obrigado a fazê-lo, por toda história que tenho com o Coritiba’.

Quando cheguei no Brasil sábado, dei entrevista falando que estava decidido, eu estava decidido por todas essas coisas que eu raciocinei que seriam melhores, mas eu não tinha conversado com o Coritiba, a parte de contrato, essas coisas.

Liguei para o Alexandre Mattos [diretor de futebol], do Cruzeiro, e marquei um encontro segunda-feira em Curitiba. Sábado, conversando com minha mulher, ela perguntou: ‘você vai falar o que?’. Respondi: ‘vou falar que não quero ir pro Cruzeiro, vou dizer que quero acertar com o Coritiba’. E ela disse: ‘não é melhor então ligar para ele e dizer, para evitar uma viagem de Belo Horizonte a Curitba, Curitiba-Belo Horizonte?’. E eu disse: ‘é, você tem razão’. Liguei pro Alexandre e falei: ‘obrigado pela procura, mas até pra evitar de você vir pra Coritiba, estou cancelando o encontro de segunda-feira, pois provavelmente vou seguir outro caminho.’

Na segunda, pra minha surpresa, ele deu uma entrevista dizendo que a minha família optou por ficar em Curitiba, que eu tinha sido pressionado naqueles dois dias pela minha família. Liguei pra ele, reclamei que não disse nada disso, mas pra mim pouco importa. E nisso eu estou atrás do César Sampaio. Não tinha telefone brasileiro, só turco. Meu telefone brasileiro não conseguia ligar. Achei o Sampaio na terça-feira de manhã. ‘César, seguinte: eu sei que o pessoal do Palmeiras deve estar te pressionando, mas eu tomei minha decisão, vou ficar em Curitiba. Aí o César falou: ‘isso é definitivo?’. ‘Sim. Obrigado, agradeça o pessoal, a você, desejei sorte e desliguei o telefone. E fui me encontrar com o pessoal do Coritiba, com o presidente e o Felipe Ximenes.

Sentei com eles, o presidente já veio com um pré-contrato definido por eles. Tomamos um café, olhei meu contrato, e assinei. Minha mulher até brincou: você leu direito?. ‘Sim, já li, assinei. E no dia seguinte eles assinaram.’

Você optou pelo Coritiba antes de negociar contrato e salário?

Sim. Assinei o contrato. Eu não ouvi Cruzeiro e não ouvi Palmeiras. O Alexandre Mattos me mandou uma proposta por e-mail. Eu falei pra não mandar nada, estava numa correria doida com a bagagem [na Turquia]. E mandou uma mensagem. Eu estava na rua. Peguei o e-mail pelo celular e vi. Aí brinquei com ele: ‘por esse valor nem vou sentar com você’. Ele disse: ‘manda uma contraproposta’. Eu disse que não, pois a partir do momento que eu mando uma contraproposta estaria abrindo uma negociação. O presidente [do Cruzeiro] me ligou, eu sentado numa mala, na minha casa. Eu falei: ‘o problema não é dinheiro. Se eu for acertar com vocês, não vai ser dinheiro o problema. Deixa eu chegar no Brasil, chegando no Brasil a gente senta, conversa, e se for pra acertar, vamos acertar o contrato’. Não teve [negociação], não ouvi o Cruzeiro. Ele me mandou e-mail, brinquei que por aquele valor nem conversaria. E depois de ter falado com o César, que foi o último, eu sentei com o Coritiba e a gente acertou o contrato.

Em quanto tempo acertou o contrato?

Tomamos um café da manhã, falamos de um milhão de coisas, de Curitiba, família, clube, do Brasileiro. No final, o presidente me mostrou o envelope com o contrato, eu li e assinei, o total desse encontro deve ter durado o tempo de um almoço, um café, não sei dizer. Eu estava muito relaxado, na minha casa, com meus filhos, minha mulher vinha. O presidente do Coritiba contou a história dele, de como resolveu assumir o clube. Contou as dificuldades que tiveram pra equilibrar o clube. No final a gente começou a conversar sobre a minha situação. Me mostrou um pré-contrato, li, gostei do que vi, assinei, e me anunciaram no jogo contra o Náutico. Depois teve apresentação, e depois da apresentação fui realmente assinar o contrato no clube, com documentação, o contrato de verdade, como faria com aquela coisa desse período do dia que assinei até dezembro, já que não posso entrar no BID da CBF. A coisa de legalizar mesmo o negócio foi feito depois.

O Palmeiras mandou uma proposta?

Pra mim, não. Quem falar isso é mentiroso. No Palmeiras falei com duas pessoas: uma não lembro o nome. A outra foi o César Sampaio. O outro acho que era Antônio Rodrigues, diretor financeiro [Antônio Henrique Silva]. Eles disseram: ‘a gente espera você chegar no Brasil’. Só isso. Falei pro Sampaio, vi no jornal, não lembro qual, que o Alex dava preferência ao Palmeiras. Não dei preferência pra ninguém. Dispensei vários clubes.

Você ouviu sua família?

Não. Meu pai, mãe, irmãos, todos eles foram surpreendidos. A decisão foi minha e da minha mulher. Somos nós dois no dia a dia, 15 anos juntos trocando ideias. Minha mulher gosta de futebol, vê futebol desde 7, 8 anos de idade. Ela sabe mais ou menos como eu penso, como é o dia a dia. Chegou uma hora que ela falou: ‘veja o que você quer e tome sua decisão. Pra mim, morar em Curitiba ou em outra cidade vai mudar muito pouco. É parecido. Seja em SP, BH, Curitiba.’

Por que o Coritiba?

Por dois motivos. Primeiro porque é o meu clube. E segundo porque é o meu clube e organizado. Se fosse o meu clube uma bagunça, eu não voltaria. O Coritiba fez 103 anos agora, eu joguei no pior período do clube. Nos 100 anos não teve um período pior. Me considero vitorioso dentro do Coritiba por isso. Ser profissional do Coritiba naquele momento [início dos anos 90] é uma grande vitória. Quem jogou no Coritiba naquele momento e conseguiu passar ileso merece os parabéns. Foram anos horríveis. Não dá pra separar o Coritiba da minha vida. A mulher que casei é filho do ex-presidente. Apareceu um monte de babaquice, que eu tô voltando ao Coritiba pro meu sogro voltar a ser presidente. Ele nem tem vontade de voltar pro clube, não participa da vida ativa, e nem tem saúde pra isso. Ele me conhece bem, sabe que não participo desse tipo de coisa. Casei lá dentro, as primeiras oportunidades foram lá dentro. Antes de jogador futebol eu já era torcedor do clube. Vi que era torcedor quando estava na Turquia. Me sentia um torcedor do clube. Sofri quando o time caiu contra o Fluminense. Sofri na final da Copa do Brasil contra o Palmeiras. Mas se o clube estivesse uma bagunça tremenda eu ia tentar terminar a minha carreira em outro clube que me desse uma boa condição, como eles estão me dando.

A proposta financeira do Cruzeiro era superior?

Era muito parecida. Se eu fosse negociar com Cruzeiro ou Palmeiras, ou o próprio Coritiba, poderia até ter pego mais dinheiro. Mas não era essa a minha preocupação. Se eu pensasse em dinheiro, teria ido ao Qatar.

Quem mais mandou proposta?

Não vale a pena falar, os caras estão trabalhando, né? Mas são clubes do Qatar, do Brasil, dois clubes dos Estados Unidos. Um cara que me procurou falando da China, mas não considero, pois quando entra empresário no meio não consigo entender a relação. Mas os outros não, foram pessoas do clube que me ligaram direto, querendo saber se tinha interesse ou não. Mas cortei: ‘quero voltar ao Brasil, meu ciclo está esgotado, e assim vai ser’. E os dois clubes brasileiros que falei foram Cruzeiro e Palmeiras. E só. O Grêmio falavam por causa do Luxemburgo, só por isso. Com o Vanderlei eu falo direto, a vida toda, não só agora.

Qual sua primeira impressão do futebol brasileiro nessa sua volta?

Ainda nenhuma, acabei de chegar, tenho visto muito poucos jogos. Tô muito mais preocupado em organizar minha vida, tentar me encaixar no esquema de treinamento que o Coritiba montou. Eu vi um jogo do Palmeiras, vi dois jogos do Coritiba, até por obrigação é o meu time e tenho que ver, e vi o jogo do Cruzeiro. Mas está tudo muito diferente. As referências são diferentes. O cara que joga na Turquia e joga em qualquer lugar do mundo vai sentir a diferença. Futebol na Turquia é 24 horas. Eu estou sentado aqui há quase uma hora com você, e não bati nenhuma foto. Se fosse lá já tinha batido foto com monte de gente, já teria outro jornal querendo fazer matéria, jamais acontece isso, eu sentar com repórter em um restaurante pra conversar, pois o clube tem uma política de jogadores não falarem com a imprensa. É muita diferença. Entrei no vestiário e todo mundo falava português. Eu entrava no meu time e o cara falava ao telefone no dialeto africano. Do lado, dois turcos falando em alemão. As diferenças são absurdas, enormes. Esse período de hoje para janeiro vai ser bom por causa disso. Ontem passei o dia todo em Brasília. Hoje estou aqui com você, só para conversar. Amanhã volto para o treino, treinar pra cuidar de mim. Eu tô num período coruja, só observando. E está sendo bom, já arrumei escola para as crianças. Futebol, por ora, está em segundo plano.

  Divulgação Fenerbahce  
Alex se emociona ao discursar durante a cerimônia de inauguração de sua estátua na Turquia
Alex se emociona ao discursar durante a cerimônia de inauguração de sua estátua na Turquia

E a imagem do futebol do Brasil na Europa?

Os turcos adoram o futebol brasileiro. Eles defendem muito a escola deles. Pra nós brasileiro é um jogo feio. Você vai lá hoje, passa 15 dias, vai dizer que o futebol turco é feio. O mesmo acontece pra eles: eles vêm pro Brasil e falam que o futebol brasileiro é fácil. Lá é mais corrido, os jogadores têm menos qualidade técnica, a maneira de se posicionar no campo é diferente. Eu aprendi o seguinte: quando alguém diz que o futebol é igual em todo mundo é mentira. De um país pra outro cada um tem as suas referências bem definidas e são respeitadas. O futebol brasileiro, pela sua qualidade, é respeitado. Uns gostam, outros não gostam. Isso varia de um pra outro.

Tem acompanhado a preparação do país para a Copa?

Não tiro muita impressão em cima do que leio pois pode não ser real. Tenho acompanhado de perto Curitiba essas duas semanas, a cidade está com dificuldades, a reforma da arena do Atlético, a cidade está um canteiro de obras. Só espero que o tempo seja viável até lá. Eu sou sempre otimista, espero que as coisas funcionam pré-Copa do Mundo e principalmente pós-Copa do Mundo, que os cidadãos tenham ganho, não só com as arenas, mas com tudo que está sendo em volta da situação Copa do Mundo.

Tem acompanhado a seleção brasileira?

Sim, tem bons jogadores, boa qualidade, sofreu um baque na Olimpíada. São jogadores que jogam em grandes times europeus, e apesar de jovens têm uma certa experiência. Na última convocação teve a volta do Kaká, que é importante, interessante, um jogador que tem uma bagagem muito grande a nível europeu e também com a seleção. A última entrevista que vi do Mano ele falou que a partir de agora vão ter alterações mínimas, isso vai dar confiança pra esse pessoal que tem sido convocado. Acredito que o Brasil vai montar um bom time, sim. Eu sou otimista.

Ainda vê possibilidade de jogar na seleção ou já fechou a porta?

Eu nunca fechei. Eu penso na seleção na seguinte forma: são jogadores que o treinador confia e que vivem um bom momento. Se eu tiver jogando bem… Mas hoje por exemplo não estou nem jogando, não tem nem como pensar nesse tipo de situação.

Acha que tem potencial pra jogar nessa seleção?

Achar ou não achar é difícil. Tem que ver jogando. Todo mundo dizia que o Ronaldinho estava praticamente fechado pra ela [seleção]. O ano do Ronaldo no Atlético-MG foi bom. Se mantiver o nível dele pra futuro, as possibilidades dele voltar existem. Isso vale pra qualquer jogador com boa qualidade.

Aos 35 anos, acha que pode jogar em que nível?

Não fico muito preocupado com isso. Tenho que me cuidar na parte física, e estando bem fisicamente a parte técnica vai acontecer. Agora, imaginar como vai ser, que nível posso jogar, realmente não dá. Não dá pra fazer um comparativo do que acontecia na Turquia e o que vai acontecer aqui. Na Turquia terminei a temporada muito bem, e estava começando a temporada. Joguei muito pouco, não dá pra saber como eu tava lá.

Tolga Bozoglu – 20.set.12/Efe
Alex comemora gol do Fenerbahce
Alex comemora gol do Fenerbahce

Você foi convidado pelo primeiro ministro para uma conversa?

É como o presidente, só o regime é diferente, é o chefe maior do Estado. Agradeceu, queria entender mais ou menso como tinha chegado nesse ponto, contei de maneira reduzida. Agradeceu pelo comportamento que eu tive nesse período, disse que me acompanharia à distância. E conversamos amenidades a respeito da Turquia, do Brasil.

A que você atribui tamanha idolatria?

O que levou o povo gostar tanto de mim e me respeitar eu não sei. Já pensei nisso várias vezes. Eu não fiz nada de diferente. Nada! Trabalhei, respeitei os caras, respeitei a cultura dos caras. Eu coloquei meus filhos em uma escola turca, e eles dizem que, pra sociedade, causa um efeito diferente. Pus minha filha em uma escola turca pois era a melhor escola que nós vimos. Não pra agradar alguém.

Pensa em um jogo de despedida?

Foi o que eu falei na minha coletiva: se pudesse pedir alguma coisa seria uma despedida no estádio do Fenerbahce. Mas não sei quando vai ser, se existe alguma possibilidade.

Pretende encerrar a carreira depois dos dois anos no Coritiba?

Não sei. Vai depender dos dois anos. Se me perguntar se penso em parar, não. Não penso em parar. Hoje, não.

Pensa em se tornar cartola?

Só se eu tiver qualidade pra isso. Só no meu nome, só porque joguei no Coritiba, não. Hoje não tenho qualidade pra nada disso. Nem pra ser treinador, nem pra ser dirigente. As pessoas dizem em Curitiba que quero ser presidente, mas não tenho capacidade nenhuma para administração. Qualquer coisa que eu quero fazer tenho que me preparar antes. Não acredito muito nessa coisa de que jogou muito e vai ser bom treinador, bom dirigente. Não acredito isso.

Você esteve com a Glória Perez na Turquia? Como foi isso?

Sou amigo da Malga [Di Paula], ex-mulher do Chico Anysio. Conheci ela em 2008, através de um grupo de brasileiros que foi visitar o CT um dia. Esse grupo tinha vendedor de tapete, turista, repórter. E a Malga estava. E na época de Palmeiras, o Chico era palmeirense, se dividia entre Vasco e Palmeiras. E em alguns viagens eu cruzei com ele algumas vezes. Mas eu pensava: ele era o Chico Anysio e eu era um jogador qualquer. Um dia a Malga disse que o Chico era meu fã. Falei por 5 minutos com o Chico por telefone, o Zico era meu treinador na época. Troquei telefonemas com a Malga e começamos a manter contato. Ela vive nessa linha Rio, Istambul e Capadócia desde 2007 e 2008, e fiz amizade. Trocava email, por telefone, nos encontrávamos em Istambul. Também fui pra Capadócia, tinha amizades lá. Um dia a Malga me procurou e falou: ‘eu preciso de um favor seu, estou tentando fazer um santuário de São Jorge na Capadócia. Eu tô pegando algumas pessoas pra participar comigo. É só vestir uma camiseta de São Jorge e bater uma foto’. Bati a foto, ela pôs no site dela, lá tem várias outras pessoas, e a Malga começou a correr atrás de recurso pra botar esse santuário de São Jorge.

Um dia ela me liga dizendo que a Gloria Perez ia fazer a próxima novela a respeito de São Jorge. ‘A Glória Perez vai fazer uma novela sobre São Jorge, e haverá gravação em Istambul e Capadócia. Algo parecido com o que fez com Clone, Caminho das Índias’.

Um belo dia elas foram a Istambul, almoçamos com a Glória. Conversamos, trocamos ideia a respeito de como funcionava a Turquia. A Glória falou: ‘preciso sair com você e ir num lugar turco, da juventude turca’. Falei que a levaria num bar turco. Ela disse que precisava sentar nesses lugares e observar os vários tipos. Fomos a um bar, convidei vários amigos meus turcos, de várias faixas etárias.

Eu explicava pra Glória: ‘esse é turco desse jeito, esse é daquele jeito’. Ela ficou de duas a três horas observando. Voltaram pro Brasil, um dia eles me ligaram, e disseram que a novela começaria a ser gravada. Eu estava voltando pra Istambul, o pessoal tava indo pra lá começar as gravações. E semana passada a novela começou.
Minha pariticpação foi essa, um jantar com ela, levar alguns amigos turcos. Assisti duas vezes. Os trejeitos são iguais, algumas palavras, os lugares q
ue ela escolheu pra gravar são lindos. Mas vi duas vezes só.

  Divulgação Fenerbahce  
Estátua do meia Alex com a camisa do Fenerbahce
Estátua do meia Alex com a camisa do Fenerbahce

Por Cleber Aguiar – Deivid é recebido pela torcida do Coritiba e quer vaga na Libertadores

Fonte: Globo.com

Jogador desembarca na capital paranaense durante a manhã de terça para assinar contrato. Logo depois, se junta ao grupo em Atibaia (SP)

Por Gabriel Hamilko Curitiba

Deivid já começou a sua ambientação no Coritiba. O atacante desembarcou em Curitiba na manhã desta terça-feira e foi direto para o estádio Couto Pereira para conversar com a imprensa, conhecer as instalações alviverdes e assinar o contrato. A pressa pela estreia do novo camisa nove é visível. A diretoria do Coritiba já pediu para entrar com pedido de inscrição no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF. Se for inscrito até o final do dia, pode entrar em campo contra a Portuguesa, na quarta-feira. A tendência é que entre em campo contra o Flamengo, seu ex-clube, no sábado, em Curitiba.

Após Deivid terminar os exames médicos e todo o processo burocrático, embarca imediatamente para Atibaia, no interior paulista, e se junta ao grupo coxa-branca. Além dele, a expectativa é que o peruano Ruidíaz também faça sua estreia.

A nova contratação alviverde foi recebida no Couto Pereira por um grupo de 20 torcedores, que soltaram fogos de artifício, sinalizadores e cumprimentaram Deivid. Além do apoio da torcida, o jogador posou para fotos com o presidente Vilson Ribeiro de Andrade.

Assediado por várias equipes, após se desligar do Flamengo, Deivid diz que um projeto grande foi apresentado para ele no Coritiba, motivo suficiente para o convencer. Com 32 anos e um contrato até abril de 2015, o atacante pode até se despedir no Couto Pereira.

– Tive algumas propostas de times de São Paulo e do Rio e optei pelo Coritiba pela grandeza do clube. Chego com o intuito de poder ajudar a conquistar, com responsabilidade e espero ganhar títulos. Não quero ter uma passagem apagada. Vim para vencer. Não podemos ter dois títulos disputados em casa, na Copa do Brasil, e perder.

A posição do Coritiba não é a mais confortável no Campeonato Brasileiro, brigando para fugir da zona do rebaixamento – está em 16ª , com 22 pontos. Mesmo assim, Deivid ainda acredita em uma classificação coxa-branca para a Taça Libertadores da América do ano que vem.

– O projeto é tentar botar o clube na Libertadores. Acho que tem condição ainda no Brasileiro. Quando fui campeão pelo Santos, a gente estava em penúltimo e passamos o Atlético-PR na penúltima rodada e fomos campeões. Tem que acreditar. mentalizar e tornar real. Faz tempo que o clube não ganha um campeonato de expressão, só no regional. É muito pouco pela grandeza do clube.

Deivid já garantiu a camisa nove do Coritiba (Foto: Gabriel Hamilko / GloboEsporte.com)Deivid já garantiu a camisa nove do Coritiba (Foto: Gabriel Hamilko / GloboEsporte.com)

Por Cleber Aguiar – No vestiário, Felipão se irrita e insulta equipe de TV

Fonte:Globo.com

Técnico ofende jornalistas da TV Gazeta que registravam imagens de Valdivia chateado após a expulsão no jogo contra o Coritiba

Por Sergio Gandolphi Barueri, SP

 

O Palmeiras ganhou do Coritiba por 2 a 0, na noite desta quarta-feira, em Barueri, e se aproximou do título da Copa do Brasil – pode até perder por um gol de diferença na partida de volta, quarta-feira que vem, em Curitiba. Mas Luiz Felipe Scolari saiu de campo furioso.

A caminho do vestiário, ele reclamava com dirigentes sobre a arbitragem de Wilton Pereira Sampaio, principalmente por causa da expulsão de Valdivia. O trecho entre o gramado e o vestiário é chamado de “zona mista”, local onde os jornalistas credenciados podem fazer entrevistas com os jogadores, e era ali que o meia chileno se encontrava após a expulsão, revoltado.

Ao notar que jornalistas faziam o registro da desolação de Valdivia, Felipão partiu para cima da equipe da TV Gazeta – havia várias outras no local, inclusive a do GLOBOESPORTE.COM, que fez as imagens acima e parou de gravar assim que o treinador começou os ataques.

– Aqui não é lugar para você, não – disse Felipão, ao repórter da TV Gazeta.

Depois, na entrevista coletiva, diante de todos os jornalistas, inclusive aquele que foi ofendido, o treinador falou sobre o caso, lembrando que já precisou se defender no STJD por conta de situação semelhante.

– No jogo do Grêmio fui citado pelo Tribunal. Eu tenho de fazer uma defesa, porque as televisões me captaram discutindo e bravo com alguma coisa – disse Felipão.

O técnico fez questão de deixar claro que sua maior preocupação é com a possibilidade de vir a ser julgado e suspenso por sua reação, já que o que ocorre no estádio pode ser citado na súmula do árbitro. Ele notou que havia um fiscal da CBF por perto.

– Quando desço para o vestiário, ali é a minha área, e não da televisão. Se captar, não pode exibir. Quando vi vocês com um “canhão”, fiquei bravo mesmo. Amanhã, esse mesmo cara (fiscal da CBF) vai colocar tudo na televisão. Se eu passo reto, não captou imagem, não tem nada. O maior prazer deles é botar isso no ar – disse o treinador, simulando rabiscos na mesa de entrevistas, dando a entender que se referia realmente à súmula do jogo.

Felipão Murtosa Rubens Sampaio (Foto: Marcos Ribolli / globoesporte.com)Felipão, entre o auxiliar Murtosa e o médico Rubens Sampaio (Foto: Marcos Ribolli / globoesporte.com)

Por Cleber Aguiar – Em casa, Coritiba faz 4 no Paysandu e se aproxima das quartas

Fonte: Portal Terra

Jogadores do Coritiba comemoram um dos gols diante do Paysandu no Couto Pereira. Foto: Felipe Gabriel/Agência Lance

Jogadores do Coritiba comemoram um dos gols diante do Paysandu no Couto Pereira
Foto: Felipe Gabriel/Agência Lance

O Coritiba conseguiu fazer valer o mando de campo na primeira partida das oitavas da Copa do Brasil nesta quinta-feira. Jogando no Estádio Couto Pereira, o time do técnico Marcelo Oliveira goleou o Paysandu por 4 a 1 e ficou muito perto da vaga nas quartas de final do torneio nacional. Os gols da equipe alviverde foram marcados por Anderson Aquino, Roberto e Everton Ribeiro – no primeiro tempo – e Tcheco, nos acréscimos do segundo. Tiago Potiguar fez o tento de honra dos visitantes.

As duas equipes voltam a se encontrar na próxima quinta-feira, às 19h30 (de Brasília), no Estádio do Mangueirão. Para esta segunda partida, o time do Paraná pode até perder por dois gols de diferença que ainda assim estará garantido na próxima fase do torneio. Quem avançar deste duelo, pega o classificado entre Botafogo e Vitória, que fazem a primeira partida na próxima quarta-feira, às 21h50, no Barradão.

O jogo

Atuando em casa, o Coritiba começou melhor do que o Paysandu. Logo aos 10min, o time da casa perdeu uma ótima chance de abrir o placar. Jonas escapou da marcação e passou na medida para Lincoln. Sozinho na marca do pênalti, o meia pegou mal na bola e mandou para fora. Aos 19, Everton Ribeiro aproveitou escanteio da direita e cabeceou a bola rente ao poste direito. A equipe da casa mandava na partida e tinha mais posse de bola.

Com a pressão, o gol do Coritiba sairia de forma natural. E saíram dois na sequência. Aos 32min, Anderson Aquino recebe livre na entrada da área. O atacante bateu colocado no canto alto de Paulo Rafael e abriu o placar no Couto Pereira. Um minuto depois, Roberto foi lançado no ataque, ganhou a disputa com o zagueiro e tocou de cobertura para ampliar o marcador: 2 a 0.

Com a equipe visitante atordoada, o Coritiba aproveitou para marcar o terceiro aos 42min. Roberto passou por Vanderson na área e cruzou da linha de fundo. Éverton Ribeiro bateu de primeira e aumentou a vantagem dos mandantes. A equipe da casa resolvia a partida ainda na primeira etapa.

O segundo tempo começou mais truncado, com poucas chances de gol até os primeiros vinte minutos. A equipe do Paysandu aproveitou vacilo da defesa do Coritiba e conseguiu descontar aos 22min. Helinton apareceu na cara do gol e se atrapalhou com a bola. Na sobra, Tiago Potiguar aproveitou para fuzilar Vanderlei e diminuir o prejuízo dos visitantes.

Aos 35, Rafael Silva – que acabara de entrar – penetrou na área e Tiago Costa derrubou o atacante. Guilherme Ceretta de Lima apontou penalidade para o Coritiba. Roberto bateu a primeira vez, fez o gol, mas que acabbou sendo anulado pois o goleiro do Paysandu saiu do gol antes da finalização. Na segunda cobrança, Paulo Rafael caiu no canto direito e espalmou o chute do camisa 7 do Coritiba, evitando o quarto gol da equipe da casa.

O Paysandu ainda assustou aos 43min. Após cobrança de falta de Yago Pikachu, Adriano Magrão cabeceou e Vanderlei fez defesa sensacional. Aos 46min, o Coritiba foi ao ataque e fez o quarto gol. Paulo Rafael entrou forte em Rafael Silva dentro da área e cometeu pênalti. O goleiro foi expulso pelo árbitro e, como a equipe visitante havia feito todas as substituições, Harrison foi para a meta. O meia Tcheco bateu bem no canto direito e consolidou a goleada que deixa o Coritiba perto das quartas.

Ficha técnica

CORITIBA 4 x 1 PAYSANDU

Gols
CORITIBA:
Anderson Aquino, aos 32 min, Roberto, aos 33min e Everton Ribeiro, aos 42min do primeiro tempo; Tcheco, aos 48min do segundo tempo
PAYSANDU:
Tiago Potiguar, aos 22min do segundo tempo

CORITIBA:Vanderlei; Jonas (Sérgio Manoel), Emerson, Demerson e Lucas Mendes; Júnior Urso, Tcheco, Everton Ribeiro e Lincoln (Rafael Silva); Roberto e Anderson Aquino (Renan Oliveira)
Treinador: Marcelo Oliveira

PAYSANDU: Paulo Rafael; Yago Pikachu, Douglas, Tiago Costa e Pablo (Adriano Magrão); Vanderson, Billy, Kariri (Harrison) e Tiago Potiguar; Rafael Oliveira e Heliton (Bartola)
Treinador: Lecheva

Cartões amarelos
CORITIBA: Émerson e Renan Oliveira
PAYSANDU: Kariri, Paulo Rafael e Tiago Potiguar

Cartões vermelhos
PAYSANDU: Paulo Rafael

Árbitro
Guilherme Ceretta de Lima (SP)

Local
Estádio Couto Pereira, em Curitiba (PR)