Por Cleber Aguiar – Entrevista de Mano Menezes ao Estadão.

Fonte: O Estado de  São Paulo

Técnico sabe que será vaiado e criticado enquanto a seleção não jogar bonito, mas diz estar confiante

Almir Leite e Paulo Galdieri – O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Mano Menezes não está aflito com a pressão diária que sofre no comando da seleção brasileira. “Vou ser vaiado, vou ser xingado, vou ser elogiado em determinadas situações. Isso aconteceu com outros técnicos e comigo não vai ser diferente”, garante o treinador. Sua preocupação é montar um time forte para ganhar a Copa de 2014, mesmo que no meio do caminho tenha de suportar palpites do presidente da CBF, cobranças pela volta de jogadores experientes, amistosos contra adversários fortes e ainda resgatar na torcida a paixão pela seleção. Um dia após o jogo do apagão na Argentina, Mano, em visita ao Estado, falou ontem desses e de outros desafios que tem pela frente e prometeu: “Nos próximos meses a seleção vai passar confiança ao torcedor”.

Mano Menezes durante entrevista exclusiva ao Estado - Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE
Mano Menezes durante entrevista exclusiva ao Estado

Você já tinha vivido alguma situação como a do cancelamento do jogo do Brasil na Argentina?

Há muito tempo não passava por uma situação como essa. Se não me engano, desde quando eu treinava categoria de base no interior do Rio Grande do Sul. Infelizmente a gente não pôde fazer a parte mais importante, que era jogar. Nos daria muita coisa importante que a gente precisa observar sobre determinados jogadores. Foi muito frustrante.

Qual o impacto que esse tipo de frustração causa?

A gente não falou muito sobre esse assunto. Mas obviamente para esses jogadores que iriam iniciar pela primeira vez, como Thiago Neves e Arouca, a frustração é maior. Mas eu costumo dizer que uma só partida não vai mudar a avaliação, nem para um lado, nem para outro. Seria muito injusto com eles, caso a avaliação fosse negativa, e muito injusto com a seleção, se fizesse avaliações extremamente positivas baseadas num jogo só. Elas não são tão confiáveis assim, é preciso mais.

Por que você testou tantos jogadores em dois anos na seleção?

Quando assumi a seleção a solicitação feita foi de encontrar novos nomes. Na projeção, nós não tínhamos condições de contar em 2014 com a maioria dos jogadores que foram à Copa da África do Sul. E se a gente olhar pela idade, isso vem se confirmando, com raríssimas exceções. E para encontrar novos nomes na proporção de quase 100% demora e é difícil. Nós não temos na seleção titular nenhum jogador que jogou como titular a Copa de 2010. Estamos trazendo o Kaká de novo. Mas isso já passou e é possível ver nas últimas convocações a repetição de muitos jogadores. Sempre tem um nome ou outro que o torcedor quer, e é até um contrassenso porque, ao mesmo tempo que ele pede pra definir, de períodos em períodos se fala em um novo nome que ele gostaria de ver. Precisamos de um equilíbrio nisso. Não podemos fechar as portas a novos nomes que aparecem. Seria injusto.

Não há nenhum jogador que esteja fora da seleção e que seja muito pedido pela torcida. Como isso pode ajudar seu trabalho?

Isso é sinal de que a condução até agora é boa em relação aos nomes escolhidos para a seleção. Por outo lado, aumenta a responsabilidade de quem está conduzindo o trabalho. Se os nomes são esses é deles que temos que tirar o melhor para ganhar a Copa de 2014.

Você vai tentar mesclar mais com jogadores experientes?

Não tenha dúvida que o caminho é esse. Mas na proporção certa e com aqueles que apresentam condição de chegar em 2014 em alto nível. Isso é o importante. Eu tenho muita confiança que nos próximos meses a seleção vai passar essa confiança ao torcedor e para a crítica, de um modo geral. Porque também não poderia acontecer antes. A seleção sempre conviveu com essa desconfiança. Outro dia eu estava vendo um artigo do João Saldanha (jornalista e ex-técnico da seleção, morto em 1990) criticando a seleção de 1982 às vésperas da Copa. É assim, e a gente tem que entender, faz parte essa paixão toda. Nós é que temos que fazer o trabalho mais com a razão.

O torcedor às vezes pede um time com “raça”. Você leva isso em conta na hora de convocar?

Eu não acho que a seleção de 1982, que foi a última seleção pela qual o torcedor se apaixonou, tinha como característica a raça. Muito pelo contrário. Ela tinha a capacidade e a inteligência de se jogar futebol. Pegada e raça é muito subjetivo. Depende de uma boa capacidade física, pois hoje não se joga sem isso no futebol de alto nível. É por isso que fomos buscar uma base jovem. O futebol de hoje exige muito entendimento do que está acontecendo e capacidade de propor dentro de campo. E é essa capacidade que eu tenho buscado. O jogo muda muito ao longo da disputa e o técnico não tem mais a capacidade de fazer alterações se os jogadores não tiverem a capacidade de entender o jogo. É isso o que apresentam as melhores seleções do mundo.

Como conviver com a pressão e qual suporte recebe da CBF?

Primeiro é preciso estar aberto às alterações que o futebol exige. Não se pode ter as convicções rígidas dentro de um trabalho de quatro anos e não saber identificar as necessidades de alterações. Faz parte até da inteligência que temos que ter. O resto é do futebol. Nenhuma seleção joga bem sempre. Muito menos a brasileira, que não está ao nível de definições como outras seleções. A Espanha tem ganho amistosos com dificuldades, mas vive um momento de vitórias nos últimos anos que dá um lastro de tranquilidade. Mas é preciso saber conviver com essa pressão externa. Isso já aconteceu com outros técnicos e comigo não vai ser diferente. Eu vou ser vaiado, vou ser xingado, vou ser elogiado em determinadas situações. O importante é saber separar cada momento e não perder a condução do trabalho.

E quando as críticas vêm de dentro da CBF? O presidente Marin gosta de palpitar.

Olha, é sempre delicado quando alguém acima de você faz observações pontuais sobre a seleção. Isso pode criar algum constrangimento. Se o técnico segue na mesma linha é porque está assinando embaixo de uma opinião. Se ele vai contra, ele está afrontando uma opinião maior. Então é bom deixar que cada um faça a sua parte e que a gente discuta todas as questões internamente. Porque falar mesma língua passa segurança para quem está acompanhando o trabalho. Houve uma mudança significativa no comando, mudou-se a maneira de dirigir, com a visão do presidente Marin. Houve uma adaptação. Obviamente o presidente já sentiu as repercussões de cada declaração dele. A gente evoluiu.

No começo do trabalho o Brasil jogava com grandes adversários, mas isso mudou. É fato de que a partir de agora a gente vai ter adversários de nível inferior?

Não tenho nada contra jogar com seleção de nível mais alto. É necessário que a seleção seja testada com adversários mais difíceis. Mas tem que haver um planejamento estratégico. Tem horas que você vai jogar com seleções mais fortes, tem hora que jogará com seleções menos fortes. Eu não critiquei o fato de terem achado a China um adversário fraco. Critiquei o fato de ninguém ter falado antes do jogo que a China era fraca. E depois que a gente fez 8 a 0, a China ficou muito fraca. Precisa haver coerência na avaliação. Também achei que a China foi fraca durante o jogo, mas não se pode tirar o mérito da seleção brasileira nisso. Não pode ser ruim ganhar de 8 a 0, senão tem algo errado. Contra qualquer adversário há observações a fazer. Se a defesa do adversário é fraca, seu ataque tem que ir muito bem. Se o ataque dele é fraco, é a sua defesa que tem que ir muito bem. E não é possível jogar contra as principais seleções a toda hora. Elas têm seus calendários. Nenhuma quer jogar contra o Brasil a toda hora.

Fred, Ronaldinho Gaúcho e Diego Cavalieri estão nos planos?

Eu não tenho nada contra o Fred. Eu nunca dei uma declaração contra o Fred. Aliás, foi ele quem deu uma declaração sobre a seleção. E também não me incomoda jogador ter opinião diferente da minha. Eu não estaria aqui se tivesse essa dificuldade. Acho que o Cavalieri faz um grande Brasileiro. A gente trouxe grandes goleiros e está direcionando para alguns nomes, mas eu não vou fechar a porta para ele se ele continuar a fazer o que está fazendo. O Fred já esteve com a gente na Copa América. É um goleador nato e tem qualidade. A gente tem feito um posicionamento de ataque sem deixar um homem mais centralizado e vamos ver como a seleção se comporta assim. Vamos com isso até o jogo com a Inglaterra para ver se isso funciona de forma confiável. Sobre o Ronaldinho, é um pouco diferente, mas também não excluo a possibilidade porque sempre respeito os grandes jogadores. Levamos ele quando estava bem no Flamengo e depois teve uma queda. Agora no Atlético voltou a jogar bem. De grandes jogadores sempre é possível esperar grandes coisas. Basta a gente decidir no momento certo se é interessante para a seleção ou não.

O que a torcida pode esperar para os próximos dois anos? A Copa das Confederações é teste?

Eu não gosto da palavra teste. A Copa das Confederações é um parâmetro. Se a um ano da Copa estivermos muito distantes do que pretendemos não está bom. A seleção vai estar na Copa das Confederações em condições de ganhar. Essa é uma etapa importantíssima para a Copa de 2014.

Por Cleber Aguiar – Buffon é eleito melhor goleiro dos últimos 25 anos; Taffarel é o 10º

Fonte: Portal Terra

Gianluigi Buffon, da Juventus, foi escolhido pela IFFHS o melhor goleiro desde 1987. Foto: AP

Gianluigi Buffon, da Juventus, foi escolhido pela IFFHS o melhor goleiro desde 1987
Foto: AP

O italiano Gianluigi Buffon foi escolhido o melhor goleiro do futebol mundial no último quarto de século, logo à frente do espanhol Iker Casillas, divulgou nesta quarta-feira a Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS). O brasileiro mais bem colocado foi Taffarel, camisa 1 da Seleção Brasileira em três Copas do Mundo (1990, 1994 e 1998).

Pela votação feita por especialistas de todo o mundo, Buffon é o melhor do período entre 1987 e 2011. Na sequência, aparecem Casillas e o holandês Edwin van der Sar, que se aposentou no meio do ano passado.

Completam os cinco primeiros outros dois nomes que marcaram época no futebol: Peter Schmeichel, dinamarquês que se destacou pelo Manchester United nos anos 90, faturou a Eurocopa de 1992 e foi eleito por duas vezes o melhor goleiro do mundo pela IFFHS; e Oliver Kahn, alemão que liderou sua seleção no vice-campeonato mundial de 2002, sendo eleito o melhor jogador da Copa, e três vezes melhor goleiro do planeta.

Taffarel, Van der Sar e o espanhol Andoni Zubizarreta são os três goleiros do top 10 que nunca chegaram a ser declarados melhores goleiros do mundo de um ano. O paraguaio José Luis Chilavert foi escolhido o melhor goleiro da América do Sul dos últimos 25 anos, seguido por Taffarel e o também brasileiro Dida.

Outros atletas nacionais que figuram na lista são Júlio César (Inter de Milão), Rogério Ceni (São Paulo), Zetti (ex-São Paulo e Santos), Marcos (ex-Palmeiras), Gomes (Tottenham), Doni (Liverpool), Carlos (camisa 1 da Seleção na Copa de 1986) e Hélton (Porto).

Taffarel o goleiro mais bem colocado.

Confira os melhores goleiros dos últimos 25 anos, segundo a IFFHS

1. Gianluigi Buffon (Itália) – 226 pontos
2. Iker Casillas (Espanha) – 213
3. Edwin van der Sar (Holanda) – 201
4. Peter Schmeichel (Dinamarca) – 179
5. Oliver Kahn (Alemanha) – 162
6. Petr Cech (República Checa) – 154
7. José Luis Chilavert (Paraguai) – 146
8. Walter Zenga (Itália) – 132
8. Andoni Zubizarreta (Espanha) – 132
10. Cláudio Taffarel (Brasil) – 130
11. Michel Preud’homme (Bélgica) – 124
12. Fabien Barthez (França) – 115
13. David Seaman (Inglaterra) – 114
14. Dida (Brasil) – 109
15. Vítor Baía (Portugal) – 94
16. Gianluca Pagliuca (Itália) – 90
17. Francesco Toldo (Itália) – 82
17. Víctor Valdés (Espanha) – 82
19. Jens Lehmann (Alemanha) – 81
20. Júlio César (Brasil) – 76
21. Bodo Illgner (Alemanha) – 71
21. Hans van Breukelen (Holanda) – 71
23. Roberto Abbondanzieri (Argentina) – 68
24. Sergio Goycochea (Argentina) – 66
25. Andreas Köpke (Alemanha) – 64
26. Jorge Campos (México) – 62
26. Peter Shilton (Inglaterra) – 62
28. Thomas Ravelli (Suécia) – 61
29. Rinat Dasaev (União Soviética) – 57
30. Angelo Peruzzi (Itália) – 56
30. Neville Southall (País de Gales) – 56
33. Rogério Ceni (Brasil) – 53
50. Zetti (Brasil) – 26
62. Marcos (Brasil) – 17
67. Gomes (Brasil) – 15
95. Doni (Brasil) – 10
107. Carlos (Brasil) – 9
122. Hélton (Brasil) – 6