Por Cleber Aguiar – Aos 36 anos, meia Felipe admite que encerrou a carreira

Fonte: O Estado de São Paulo

Agora ex-jogador, atleta teve grandes passagens pelo Vasco da Gama

AE – Agência Estado

RIO – Campeão de seis diferentes torneios importantes com a camisa do Vasco, Felipe agora é um ex-jogador de futebol. Neste sábado, em reportagem transmitida pelo Globo Esporte da TV Globo do Rio, o jogador, de 36 anos, confirmou que está aposentado depois de não ter o seu contrato renovado pelo Fluminense ao fim do ano passado.

Felipe atuou pelo Fluminense em 2013 - Bruno Haddad/Divulgação
Bruno Haddad/Divulgação
Felipe atuou pelo Fluminense em 2013

 

“É complicado responder, mas uma hora ia chegar. É obvio que fica chato você parar desse jeito, não ter uma despedida. Mas não fui o único e não vou ser o último. Então estou bastante tranquilo, consciente que minha história no futebol foi legal. No somatório de tudo foi bem legal”, comentou o jogador à reportagem.

Formado em São Januário, Felipe compunha um time memorável do Vasco com Juninho Pernambucano e Pedrinho, também já aposentados, vencendo o Brasileirão de 1997 e 2000 (Copa João Havelange), o Rio-São Paulo de 1999, a Libertadores de 1998 e a Copa Mercosul de 2000. Na época, atuava o jogador atuava como lateral-esquerdo.

Depois de passar por Palmeiras, Atlético-MG, Galatasaray, Flamengo, Fluminense e Al-Sadd, ele voltou ao Vasco em 2011 para conquistar o título da Copa do Brasil daquele ano. Dispensado em 2012, depois de criticar a diretoria, o experiente jogador fechou com o Fluminense para a temporada passada. Nas Laranjeiras, porém, teve poucas chances entre os titulares e quase sempre foi utilizado como opção para o segundo tempo.

Ele admite que pretendia voltar para ter uma despedida no Vasco. “Pela vontade do Rodrigo (Caetano) eu voltaria, pela minha também. Mas tem algumas pessoas que não são a favor. O René (Simões) ficou chateado, fez a cabeça do presidente, mas não tem problema nenhum. Por eu ter sido criado no Vasco desde os seis anos, seria bem legal.”

Felipe teve poucas chances na seleção brasileira durante a carreira. A primeira foi no segundo semestre de 1998, com Vanderlei Luxemburgo. Depois, foi novamente chamado em 2004, para disputar a Copa América, que ele venceu com o time comandado por Carlos Alberto Parreira, que derrotou a seleção argentina nos pênaltis.

Por Cleber Aguiar – Vitória vence Juazeirense pelo Baianão 2014.

VITÓRIA 3 x 2 JUAZEIRENSE
CAMPEONATO BAIANO
Sábado, 15 /03 – 16h – Estádio Roberto Santos, Salvador (BA)
Quartas-de-final – Jogo de Volta – Grupo 2
VITÓRIA: Wilson; Ayrton (Nino) Jonathan Ferrari, Matheus Salustiano e Juan (Mansur); Marcelo, José Welison, Felipe (William Henrique) e Cáceres; Marquinhos e Dinei
Técnico: Ney Franco
JUAZEIRENSE: Vinícius; Joãozinho, Edy, Rodrigo e Adriano Chuva; Waguinho, Naldo, Jacson (Nen) e Thiago Laranjeira; Júnior e Bruno Matos (Sylvestre)
Técnico: Quintino Barbosa
ÁRBITRO: Rafael Luís de Almeida Santos, assistido por Adson Marcio Matos Leal e Jucimar dos Santos Dias
GOLS: Dinei aos 26min do 1º tempo; Felipe aos 4min, Júnior (JUA) aos 5min e 29min, e Marquinhos aos 21min do 2º tempo
CARTÃO AMARELO: Juan (VIT), Rodrigo (JUA)

Por Cleber Aguiar – Botafogo perde para o Boa Vista e fica longe da fase final do carioca.

FICHA TÉCNICA 
BOAVISTA 2 X 1 BOTAFOGO

Local: Estádio Eucy Resende, em Saquarema (RJ)
Data: 15 de março de 2014 (Sábado)
Horário: 16 horas(de Brasília)
Árbitro: André Rodrigo Rocha (RJ)
Assistentes: Gilberto Pereira (RJ) e Daniel Parro (RJ)
Renda: R$ 22.945,00
Público: 1.012 pagantes

Cartões amarelos: Bruno Costa e Jeferson (Boavista); Sidney (Boavista)

GOLS:
BOAVISTA: Jeferson, aos 35min do primeiro tempo e 36min do segundo tempo
BOTAFOGO: Zeballos, aos 8min do segundo tempo

BOAVISTA: Getúlio Vargas, Barrach (Vitor Hugo), Gustavo, Bruno Costa (Victor) e Romarinho; Cascata, Thiago Silva, Jeferson e Maranhão; André Luis e Gilcimar (Diogo)
Técnico: Américo Faria

BOTAFOGO: Renan, Alex, Mario Risso, Matheus Menezes e Junior Cesar; Bolatti, Dedé (Daniel), Fabiano (Sidney), Gegê e Zeballos; Henrique (Cidinho)
Técnico: Eduardo Húngaro

Por Cleber Aguiar – Atentos e fortes

Fonte: O Estado de São Paulo

Ex-craque e sempre militante, Afonsinho pede vigor e intensidade contra preconceito em campo e declara:’Não dá mais para pôr panos quentes’

Mônica Manir – O Estado de S. Paulo

“Um momento, que doutor Afonso vai atender.” Doutor Afonso não atendeu de prima. Foi só na quarta ligação que ele se despiu do clínico geral para retomar o Afonsinho, engajado ex-craque do time do Botafogo. Ainda assim, demorou um pouco para entrar no jogo. “Aqui é fogo na roupa”, disse, expirando longamente ao telefone.

Armadilha em campo: torcedores jogam casca de banana em gramado durante partida de futebol  - Friso Gentsch/DPA
Friso Gentsch/DPA
Armadilha em campo: torcedores jogam casca de banana em gramado durante partida de futebol

Afonsinho está com 66 anos. Aposentou-se no ano passado, mas dá expediente três vezes por semana na Unidade de Saúde Manoel Arthur Villaboim, em Paquetá, RJ. Diagnostica gripe, hipertensão, diabete, erisipela e tem fôlego para outras mazelas da vida. O racismo, por exemplo, entrou em seu protocolo depois que três episódios praticamente seguidos enfeiaram os gramados do Brasil. Os insultos aos jogadores Tinga e Arouca e ao árbitro Márcio Chagas da Silva o levaram a concluir o seguinte: “Não dá para pôr panos quentes”.

Afonsinho se injuriou na quinta-feira com a pena branda dada ao Esportivo, que não perderá pontos nem será expulso do Campeonato Gaúcho, mesmo depois de o juiz anotar na súmula o que ouviu da arquibancada: “Volta para a selva, seu negro macaco, ladrão, safado, imundo. Temos que matar todos, seus negros sujos”. O clube terá de desembolsar R$ 30 mil. Para esse crítico contumaz do neoliberalismo, dinheiro não compra tudo. “Tem que punir o preconceito com o maior vigor possível e com muita intensidade.”

Quando jogador, Afonso Celso Garcia Reis conseguiu sua liberdade na Justiça. Foi um dos pioneiros do passe livre, e por esse motivo sentiu olhos tortos na sua direção, inclusive dos colegas de campo. A barba de matusalém também lhe fechou espaços entre as quatro linhas. Acabou por ser exilado no time do Olaria, período durante o qual terminou a faculdade de medicina. O meia-direita ainda atuaria no Flamengo, Santos, Vasco, América-MG e Fluminense. Sempre gostou de fazer política, mas se sentiu aliviado quando perdeu para deputado, na época da Constituinte. Acha que a bandeira do racismo pode ser uma para o Bom Senso Futebol Clube, “porque tem de lutar no profissional e no social”. Por isso ele participa de projetos no único campo de Paquetá, no qual reúne a garotada e os veteranos em torno do esporte que nasceu para agregar, não para discriminar.

A seguir, a entrevista desse pai de cinco filhos e avô de cinco netos. “Mas vai desempatar daqui a um mês”, avisa. Com filho ou com neto? “Poxa, agora você me deu uma moral legal.”

Você ficou surpreso com os últimos casos de racismo nos campos de futebol do País?

Afonsinho – O que chama a atenção é a frequência. Ela se acelerou. Mais que isso, ela se associou a outras manifestações de raiz semelhante. Aqui no Rio, outro dia, amarraram um camarada, um ladrão, no Aterro. Eu não sou de sofrer de véspera, mas acho que essas manifestações têm uma ligação e isso é muito preocupante, sim.

O brasileiro estaria perdendo o pudor de se mostrar racista?

Afonsinho – Não acho que esteja perdendo o pudor. Acho que isso faz parte de um conjunto de expressões. A gente também pode juntar a isso as brigas entre torcidas. Veja que o ano terminou de uma maneira horrorosa. E tudo é diretamente proporcional à baixa qualidade técnica do futebol. Quando o espetáculo é bom, isso não acontece. Eu me lembro dos melhores tempos do Flamengo, quando o time ganhou em Tóquio. A gente brincava que o chefe da torcida do Flamengo e todos os outros torcedores do time tinham ido estudar em Londres. Era um cavalheirismo, uma tranquilidade…

Diante do que aconteceu com o juiz Márcio Chagas da Silva, em Bento Gonçalves, o jogador Luís Fabiano teria questionado se era racismo de verdade ou se aquilo ‘era mera provocação’.

Afonsinho – Isso aí não procede. Existem resíduos, é racismo, sim. Não dá para pôr panos quentes. O esporte é um ambiente de lazer, de recreação, mas isso não permite que você o desassocie da questão social. É um espaço de expressão. Eu acho muito ruim a postura do Luís Fabiano. Procurar escapar, ficar fora… Acho muito ruim para ele mesmo como negro. E uma autonegação. Como disse o Tinga, “a gente fica fingindo que todos são iguais”.

O racismo em campo já foi muito pior?

Afonsinho – Não faz tanto tempo assim, existiam clubes só de negros e só de brancos no Brasil. Então eu acho que já foi pior, mesmo porque os recursos dos tempos modernos trazem mais informação e numa velocidade maior. E isso é um problema de esclarecimento, de conhecimento.

Como se pune o racismo?

Afonsinho – Com o maior vigor possível e com muita intensidade.

Você aprova que se fechem estádios, que os clubes percam pontos, que sejam expulsos de campeonatos?

Afonsinho – Sem dúvida, sem dúvida, é isso que chamo de ação vigorosa, que ainda não acontece, mas um dia pode acontecer. É rigor intenso, mas com zero ódio. Me preocupa a extensão. Propagar muito isso, e de qualquer maneira, estimula um exibicionismo. Acho que é mais correto como fez o juiz: ele fotografou a agressão, reagiu, se defendeu, aprofundou da melhor maneira, sem ficar com lamentação. Tem essas duas dimensões: tratar vigorosamente e não dar corda.

Acredita que o Bom Senso Futebol Clube poderia incorporar essa bandeira?

Afonsinho – Vi uma declaração do Alex a propósito de outra questão e achei interessante a resposta. Ele disse que o Bom Senso precisa ter firmeza nas bandeiras já propostas. Não querem perder a direção, não querem deixar diluir, enfraquecer. Eles estão atuando de perto e precisam ver que propostas têm condições de sustentar. Mas acho que o racismo é uma bandeira do mais alto significado, ainda mais no esporte, que consegue misturar a sociedade e é um ambiente de liberação.

O que é ter bom senso no futebol hoje?

Afonsinho – Eu acho que bom senso no futebol é mostrar como se situar nas questões não só profissionais, mas sociais. Bom senso também é o grupo encabeçado pela Ana Moser, a ONG Atletas pela Cidadania, que lutou pela limitação dos mandatos de presidentes e dirigentes a, no máximo, quatro anos. Conseguiu até mudança de estatuto no Comitê Olímpico Brasileiro. Penso que este é o caminho: juntar forças para conquistar direitos. Bom senso é praticar política de todas as formas.

Continua praticando política?

Afonsinho – Sim, embora eu não seja um político formal. Sempre procuro discutir, participar, dentro do meu perfil. Cheguei até a ser candidato na Constituinte por causa do movimento que a gente fez entre os esportistas. Mas, das encrencas em que eu me meti, essa foi uma das que mais me desgastaram pessoalmente.

Quando jogava, você foi vítima de preconceito por causa da barba e do cabelo compridos.

Afonsinho – Em relação ao cabelo e à barba, tive um confronto direto com os dirigentes, que alegaram isso para me proibir de treinar num primeiro momento e depois até de pegar material para o treino. No entanto, tive mais problemas com as reações dos próprios colegas por começar a jogar com passe livre. Na África, havia negros que vendiam negros. À medida que a gente vai abrindo os olhos, é uma coisa semelhante. Essa coisa do passe tem um paralelo muito forte com a escravidão, com o respeito.

Hoje o jogador tem de fato o passe livre?

Afonsinho – Tem uma porção de vínculos dissimulados. O jogador hoje é escravo do empresário? Pode ser, mas a comparação é impossível com a época do passe preso. Quando atinge um determinado nível, o atleta pode se libertar. O Romário largou o empresário pra lá, o Ronaldão fez o mesmo depois. Agora, esse negócio de um grupo de empresários ser mais forte que um clube é uma falta de vergonha na cara dos dirigentes. Pelo menos parece que chegamos ao fundo do poço, quer dizer, os clubes estão começando a deixar de ser reféns.

Você acha que os técnicos têm se preocupado com o lado social do futebol?

Afonsinho – Um ou outro pode ter essa preocupação, mas não é prioridade dele. O técnico é uma figura destacada na estrutura, mas o que ele significa nos clubes hoje é uma grande mentira. Parece que é um gênio, um superpoderoso. Dá palpite, fala das finanças do clube, do mercado. É uma piada. Técnico não é isso. Técnico é para cuidar do time, e olhe lá.

Romário disse durante a semana que podemos até ganhar a Copa dentro de campo, mas a Copa fora do campo a gente já perdeu. Ele se referia ao alto custo das obras e a suposto enriquecimento ilícito. Concorda?

Afonsinho – As notícias dos últimos dias não são boas. Aeroporto não sei de onde não vai ficar pronto, tal obra também não… O futebol é algo que o brasileiro adora, o envolvimento é muito grande. É um sonho receber amigos na sua casa para uma festa, esse é o sentido maior. Mas estamos promovendo uma Copa num dos períodos mais vergonhosos da sociedade humana. As premissas do neoliberalismo submetendo todas as inter-relações são vergonhosas. É o lucro acima de qualquer coisa. Em nome do quê marcar uma partida de futebol num horário criminoso? Em nome do quê você vai submeter as pessoas a isso?

Faremos uma Copa pela Paz e uma Copa contra o Racismo, como reafirmou a presidente Dilma na quinta-feira, no evento em solidariedade às vítimas de atos racistas?

Afonsinho – Não sei bem, não consigo avaliar essa extensão. Vivemos um momento de descontentamento. Quanto mais formos justos, melhor. A liberdade é filha da justiça.

Você já foi chamado por Pelé, quando ele saía do Santos, de o único homem livre do Brasil. Sente-se assim, totalmente liberto?

Afonsinho – Totalmente livre, eu não me sinto, não. O jovem pensa assim e taí fazendo manifestação, indo pra rua. Mas, à medida que a gente envelhece… Outro dia eu estava vendo uma entrevista do presidente do Uruguai e me identifiquei um pouco quando o repórter mencionou que ele foi um tupamaro, um radical, e tal e tal. Aí o Mujica falou com toda a sinceridade: “Sim, eu fui, mas, quando você vai ampliando seus horizontes, vê que as coisas são muito mais complexas”. Eu busco a liberdade e o equilíbrio o tempo todo, mas vivo em sociedade, com todos esses problemas que a gente está discutindo. De qualquer forma, em qualquer tempo, e o tempo todo, é preciso estar atento e forte, como diz o verso da canção.