ICFUT – Para ser o 10 do Palmeiras, é preciso ter o couro duro – Entrevista da Folha com Valdivia

Fonte: Folha de São Paulo

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O chileno, que joga hoje, comenta as cobranças que recebe e critica a diretoria do Corinthians

DIEGO IWATA LIMA DE SÃO PAULO

Alternando jogos e descanso neste ano, Valdivia volta a campo hoje, contra o Audax, às 17h, no Pacaembu.

Com 100% de aproveitamento em seis jogos no Paulista, o Palmeiras talvez nem precisasse dele. Mas o técnico Gilson Kleina quer o meia em campo. E ele quer jogar.

Em entrevista exclusiva à Folha, fala sobre a Copa, tanto sobre o desejo de jogá-la pelo Chile quanto dos problemas de organização.

Também critica a conivência do rival Corinthians com as torcidas organizadas e a violência de um modo geral.

E revela se arrepender de ter jogado muitas vezes sem o tempo adequado de recuperação durante a última gestão Felipão no clube, em 2012.

Folha – Qual a sua expectativa para a Copa?
Valdivia – A ansiedade é grande. Disputá-la aqui seria maravilhoso. Por isso, tenho me preparado muito, para jogar bem pelo Palmeiras e para poder ser convocado.

Você acha que o Brasil está pronto para receber a Copa?
Não, não está. Rivaldo, Romário e muitos jornalistas dizem isso, e eu concordo. Aqui há problemas de segurança, trânsito, aeroportos.
Leio que há centros de treinamentos que não estão prontos, como o da Rússia, em Itu, que há ampliações com lonas em aeroportos. A imagem que vai ficar para os estrangeiros será ruim.
Mas será a melhor Copa de todos os tempos porque o Brasil é o país do futebol, e os melhores jogadores estarão aqui. O povo e os jogadores vão fazer a diferença.

A imprensa chilena diz que o técnico da seleção do país, Jorge Sampaoli, está questionando sua convocação. Como é sua relação com ele?
Ele foi um dos poucos a acreditar que eu ainda tinha como jogar pelo meu país. Para preservar a minha sanidade mental, não leio a imprensa chilena.

Você parece mais leve, mais feliz. Está mesmo?
Estou, mas não que eu fosse infeliz. No passado, havia muita fofoca no Palmeiras. Agora, comissão técnica, diretoria e jogadores não permitem isso. O Gilson Kleina deposita confiança em todos, a responsabilidade é dividida.

Você foi muito cobrado. Acha que foi injusto?
Sim. Quando o Palmeiras não conseguia os resultados positivos, o fato de eu não jogar era mais importante do que os erros dos que estavam em campo. Eu era culpado por derrotas em que não havia atuado. Aqueles que podem mais têm de ser mais cobrados. Mas a cobrança não pode ser sobre um jogador só. Isso mexia comigo.
Passei por cima dos protocolos médicos, voltei a jogar antes do tempo e me machuquei. Fiz isso muitas vezes. Até porque as pessoas me pediam “por favor, me ajude, jogue…”

Na época do Felipão?
Sim.

E por que você jogava?
Acho que faltou autoridade do departamento médico para me vetar. Eu poderia ter sido mais firme. Isso prejudicou minha imagem. Parecia que eu não queria jogar.

Hoje você sente dores?
Sinto. Mas hoje trabalho com um especialista cubano em reabilitação física, o José Amador, que atua também na seleção do Chile.

Como você vê os atos de violência contra jogadores?
Bater esperando mudança do jogador é um erro. Quando torcedores arremessaram uma xícara em mim no aeroporto da Argentina [em março de 2013, após jogo pela Libertadores], disse para a diretoria que queria ir embora. Mas uma parte minha queria ficar e dar a volta por cima.

Participa do Bom Senso F.C.?
Sim. Aos poucos, o movimento vai dar certo. Os jogadores do futuro é que vão se beneficiar. Se os sindicatos fossem mais duros, não precisaria do Bom Senso.

Você apoiaria uma greve?
Depende. Pela violência da torcida do Corinthians, como se comentou recentemente, não. Não adianta nada a gente fazer greve se a diretoria do Corinthians não fizer como o [presidente do Palmeiras] Paulo Nobre, que tem postura firme com as torcidas organizadas.

Olhando para sua carreira, acha que deveria ter saído menos à noite?
Muitos jogadores sempre saíram à noite e se tornaram fenômenos. E existem muitos jogadores crentes que nunca saíram e nunca jogaram bem. Quando mais saí, entre 2006 e 2008, foi quando joguei melhor. Não há regra.

É difícil ser o Valdivia?
Muito difícil. É muita responsabilidade. Para ser o camisa 10 do Palmeiras, que já teve Ademir da Guia e Alex, é preciso estar sempre de cabeça erguida para receber críticas. O couro precisa ser duro. Mas não tem problema. Pode vir que eu aguento. Responsabilidade e caráter há de sobra aqui.

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