Por Cleber Aguiar – ‘Ser ídolo me deixa orgulhoso e também assustado’, diz Tite

Fonte: O Estado de São Paulo

Técnico admite que não esperava a reação da torcida na sua despedida e fala do legado que deixa no clube

Vítor Marques – O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – Tite entrou na galeria dos treinadores mais vitoriosos da história do Corinthians. E também no coração da torcida. E ele está um pouco “assustado” com tudo isso. Em entrevista ao Estado, Tite relembra as homenagens que recebeu no último sábado, no Pacaembu, e fala do legado que deixou no clube, após ter conquistado cinco títulos em três anos. Abaixo, leia os principais trechos da entrevista.

Tite admite que sonha em substituir Felipão - Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão
Tite admite que sonha em substituir Felipão

ESTADO – 35 mil pessoas gritaram seu nome no Pacaembu. Um técnico de futebol pode ser ídolo?
TITE –
Sim, eu estou envergonhado, talvez não querendo ostentar, mas isso mostrou que daqui a pouco um técnico pode ser idolatrado. E isso me assusta, por dentro me assusta, um atleta, eu concebo. Estou um misto de orgulhoso e assustado…

ESTADO – No minutos finais do jogo de sábado, logo após Emerson perder um gol, a torcida gritou um “Olê, Tite” e o jogo ainda não havia se encerrado. O que você sentiu naquele momento?
TITE –
Eu não chorei porque estava com vergonha, mas por dentro eu estava chorando, eu acenei para o torcedor, mas queria ganhar o jogo, queria terminar com uma vitória.

ESTADO – O Tite, ao lado de Oswaldo Brandão, já é um dos maiores treinadores da história do clube?
TITE –
Não faço comparações, cada um teve sua etapa, suas características, eu estou no hall daqueles cinco maiores, isso tenho consciência. O simbolismo que tem o campeonato (Paulista) de 77 tem a Libertadores. Com cada um que falo, diz assim: ‘cara, a Libertadores do jeito que foi nos redimiu’. E eu falo: ‘não fui eu, foram os jogadores.’ E eles falam: ‘tu foi o técnico, nossa autoestima foi resgatada.’

ESTADO – Foi mais importante que o Mundial de clubes?
TITE –
Como resgaste de orgulho próprio, sim, o marketing do Mundial foi extraordinário, ecoou mais que a Libertadores, para o Tite mundialmente ecoou mais, mas o valor, o contexto geral, para o torcedor, a Libertadores foi mais importante.

ESTADO – Qual é maior legado do Corinthians de Tite?
TITE –
Vencer de forma leal e competente. Vencer sendo o melhor, competitivamente, tecnicamente, taticamente… Ganhamos a Libertadores e todo mundo dizia: ‘ah, tem malandragem, tem cusparada, tem que ser avião, malandrão, fomos o mais disciplinado e campeão invicto. Pegamos o Emelec, spray de pimenta, expulsão, arbitragem no mínimo tendenciosa, escambau, a equipe matou no peito e superou. Esse é o legado.

ESTADO – Após o anuncio de sua saída do Corinthians, quantas equipes procuraram você?
TITE –
Duas do exterior e cinco do Brasil, e algumas do Brasil repetidas vezes, mas eu não quero falar os nomes.

ESTADO – Do exterior, uma delas é da China, o time do Vagner Love (Shandong Luneng Taishan)?
TITE –
Sim, esse time me procurou pessoalmente, por telefone, sem passar pelo meu empresário, o Gilmar (Veloz).

ESTADO – E o outro clube de fora?
TITE –
Foi o time que o Maradona dirigiu, o Al Wasl, dos Emirados Árabes.

ESTADO – Ainda que esses clubes ofereçam propostas milionárias, vale a pena trabalhar lá?
TITE –
Profissionalmente não busco o lado financeiro, já tenho uma vida, não vou modificar, quero um lugar em que eu esteja feliz e cresça profissionalmente.

ESTADO – Dirigir um clube europeu passa a ser uma opção?
TITE –
São dois pré-requisitos, qualificação profissional e domínio do idioma. Se não tiver, não adianta. Não adianta ir para um clube inglês que vou me ferrar.

ESTADO – O cargo de técnico da seleção brasileira vai ficar livre depois da Copa e você foi um dos cotados antes de o Felipão assumir. Não pensa nisso?
TITE –
Eu penso e mais uns 15 técnicos pensam isso… tenho consciência dos meus passos, sou um dos postulantes por tudo que construí, pelos trabalhos que me credenciam.

ESTADO – 2013 foi um ano ruim para o Corinthians, com problemas extracampo. O quanto isso influenciou no time?
TITE –
Tiveram alguns componentes, jogamos sem torcida… Depois uma porrada de jogos, me perguntaram se tinha vontade de dirigir o time no Itaquerão, isso antes da minha saída, e eu respondi que queria voltar ao Pacaembu, foram muitos jogos fora de casa.

ESTADO – Todos sabem que o Mano Menezes é o novo técnico. Ficaria incomodado se o anúncio fosse feito com você ainda trabalhando?
TITE –
A partir do momento que sentamos, nos reunimos e decidimos (minha saída) é natural (a procura por um novo técnico), antes não, antes disso é deslealdade.

ESTADO – Mas acha que houve contato antes?
TITE –
Não quero julgar, eu fiz o que foi acordado.

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