Por Cleber Aguiar – Nigéria é a 1ª seleção africana a se classificar para a Copa-2014

Fonte: Folha de São Paulo

Campeã africana neste ano, a Nigéria tornou-se o primeiro país do continente a se garantir na Copa do Mundo de 2014 neste sábado, ao derrotar a Etiópia por 2 a 0 em casa.

Os nigerianos já haviam vencido por 2 a 1 fora de casa, em 13 de outubro.

Em Calabar, Victor Moses abriu o placar aos 20 min, de pênalti, e Victor Obinna ampliou aos 37 min do segundo tempo.

A Nigéria já participou do Mundial em 1994, 1998, 2002 e 2010. Chegou às oitavas de final nas duas primeiras edições. Nas outras, caiu na fase de grupos.

  Afolabi Sotunde/Reuters  
O nigeriano Victor Moses comemora seu gol diante da Etiópia
O nigeriano Victor Moses (sem camisa) comemora seu gol diante da Etiópia

Confira os confrontos finais do mata-mata das eliminatórias africanas:

Sábado
Nigéria 2×0 Etiópia (ida: 2×1)
Senegal 1×1 Costa do Marfim (ida: 1×3)

Domingo
Camarões x Tunísia (ida: 0x0)

Terça-feira
Egito x Gana (ida: 1×6)
Argélia x Burkina Fasso (ida: 2×3)

  Editoria de Arte/Folhapress  

Por Cleber Aguiar – Costa do Marfim tira Senegal e garante vaga na Copa

Fonte: O Estado de São Paulo

Seleção marfinense aparece na 17.ª posição no ranking da Fifa

CASABLANCA – A não ser por lesão, Yaya Touré, Didier Drogba, Kalou e Gervinho estarão no Brasil no ano que vem. Hoje a mais poderosa seleção africana, a Costa do Marfim garantiu neste sábado o seu passaporte para a Copa do Mundo de 2014. Em campo neutro, em Casablanca, empatou em 1 a 1 com Senegal, mas, como havia vencido por 3 a 1 o jogo de ida da última fase das Eliminatórias, estará no próximo Mundial.

Mais cedo, a Nigéria venceu a Etiópia por 2 a 0 e se colocou como primeira seleção africana classificada para a Copa do Mundo de 2014. Ainda que os nigerianos sejam os campeões continentais, é dos marfinenses o posto de melhor equipe africana no ranking mundial, aparecendo no 17º lugar – a Nigéria é 33.ª. Senegal, 64.ª colocada no ranking, já chegou ao playoff como azarã. Dentre seus atletas, aquele cuja ausência mais será sentida no Brasil é Papiss Demba Cissé, do Newcastle. Já a Costa do Marfim tem, entre outros, Kolo Touré (Liverpool), Yaya Touré (Manchester City), Drogba (Galatasaray), Kalou (Lille) e Gervinho (Roma).

Podendo perder por um gol de diferença ou até mesmo dois, uma vez que anotasse pelo menos dois gols, a seleção de Costa do Marfim jogou neste sábado com o regulamento debaixo do braço. Acabou levando um gol, aos 32 minutos do segundo tempo, com Moussa, de pênalti. Precisando de mais um gol, Senegal foi para a pressão e perdeu um gol aos 47 minutos do segundo tempo. Na jogada seguinte, contra-ataque fulminante, três contra um. Kalou recebeu na cara do goleiro e empatou.

A Costa do Marfim foi adversária do Brasil na Copa do Mundo de 2010. Em um jogo marcado pela violência dos jogadores marfinenses (Elano se contundiu gravemente na partida), os brasileiros venceram por 3 a 1 com dois gols de Luis Fabiano.

ICFUT – CAMPEONATO BRASILEIRO 2013 – SÉRIE A

Clube PG J V E D GP GC SG A%
Cruzeiro-MG 74 34 23 5 6 72 30 42 72,5
Atlético-PR 58 35 16 10 9 53 45 8 55,2
Botafogo-RJ 57 35 16 9 10 50 38 12 54,3
Grêmio-RS 57 34 16 9 9 38 33 5 55,9
Goiás-GO 56 34 15 11 8 44 35 9 54,9
Atlético-MG 52 34 14 10 10 41 31 10 51,0
Vitória-BA 51 34 14 9 11 50 48 2 50,0
São Paulo-SP 49 34 14 7 13 37 35 2 48,0
Santos-SP 48 34 12 12 10 45 35 10 47,1
10º
Corinthians-SP 48 34 11 15 8 27 20 7 47,1
11º
Internacional-RS 45 34 11 12 11 50 49 1 44,1
12º
Flamengo-RJ 45 34 11 12 11 38 39 -1 44,1
13º
Criciúma-SC 42 35 12 6 17 47 59 -12 40,0
14º
Portuguesa-SP 41 34 10 11 13 46 45 1 40,2
15º
Coritiba-PR 41 35 10 11 14 39 44 -5 39,0
16º
Fluminense-RJ 39 34 10 9 15 37 42 -5 38,2
17º
Bahia-BA 39 34 9 12 13 32 42 -10 38,2
18º
Vasco da Gama-RJ 37 34 9 10 15 45 55 -10 36,3
19º
Ponte Preta-SP 34 34 9 7 18 34 50 -16 33,3
20º
Náutico-PE 17 34 4 5 25 20 70 -50 16,7
34ª RODADA
13/11 – 19h30 Goiás-GO 2 x 0 Ponte Preta-SP
13/11 – 19h30 Grêmio-RS 1 x 0 Vasco da Gama-RJ
13/11 – 21h00 Criciúma-SC 2 x 1 Atlético-PR
13/11 – 21h00 Botafogo-RJ 0 x 0 Portuguesa-SP
13/11 – 21h50 Coritiba-PR 0 x 1 Corinthians-SP
13/11 – 21h50 São Paulo-SP 2 x 0 Flamengo-RJ
13/11 – 21h50 Vitória-BA 1 x 3 Cruzeiro-MG
14/11 – 19h30 Santos-SP 3 x 0 Bahia-BA
14/11 – 21h00 Fluminense-RJ 2 x 0 Náutico-PE
14/11 – 21h00 Atlético-MG 2 x 1 Internacional-RS
35ª RODADA
16/11 – 19h30 Botafogo-RJ 4 x 0 Atlético-PR
16/11 – 21h00 Coritiba-PR 1 x 2 Criciúma-SC
17/11 – 17h00 Fluminense-RJ x São Paulo-SP
17/11 – 17h00 Corinthians-SP x Vasco da Gama-RJ
17/11 – 17h00 Vitória-BA x Santos-SP
17/11 – 17h00 Cruzeiro-MG x Ponte Preta-SP
17/11 – 19h30 Goiás-GO x Internacional-RS
17/11 – 19h30 Portuguesa-SP x Atlético-MG
17/11 – 19h30 Náutico-PE x Bahia-BA
17/11 – 19h30 Grêmio-RS x Flamengo-RJ

Por Cleber Aguiar – Há 50 anos, Santos deixava técnica de lado para ganhar Mundial na raça

Fonte: Globo.com

Sem Pelé e precisando virar o jogo contra um dos melhores times da época, o Peixe realizou duas grandes partidas no Maracanã e garantiu sua segunda estrela

Por Bruno GutierrezSantos, SP

“Se não dá para ganhar na técnica, tem de ganhar na raça. Esse negócio de só jogar bem tecnicamente, toca daqui, toca dali… às vezes, tem jogo que não dá para fazer isso. Tem de jogar pesado”. A frase dita por Mengálvio retrata o que foi o Santos na conquista do bicampeonato mundial interclubes, contra o Milan, em 1963. A missão alvinegra era muito complicada. Depois de perder o primeiro jogo, na Itália, por 4 a 2, o Peixe precisaria vencer a volta, no Brasil, para forçar o jogo de desempate. Precisando sair do sufoco e garantir sua segunda estrela, o Alvinegro contou com a garra dos seus atletas, com a chuva e com um incansável camisa 10, que tirou os adversários do sério e foi o símbolo do título: Almir Pernambuquinho.

Os rossoneros tinham um time de estrelas, como Maldini, Trapattoni, Rivera, além dos brasileiros Mazzola e Amarildo. Para piorar a situação dos brasileiros, lesões tiraram titulares absolutos como Calvet, Zito e o Rei do futebol, Pelé.

– O clima estava tenso. Tínhamos de ganhar de qualquer maneira no Maracanã. Nosso treinador começou a ter problemas com alguns jogadores. Pelé, Calvet e Zito estavam com distensão, Geraldino também estava machucado. Era preocupante a nossa situação. O Milan era um dos melhores times do mundo. Não era fácil – conta o ex-meia Mengálvio.

Para tentar a virada, o  Peixe escolheu o Maracanã como a sua casa. Uma escolha que provaria ser acertada.

– Hoje, o Santos tem uma torcida grande em São Paulo, mas naquela época, não. Nós preferíamos jogar no Rio de Janeiro porque o torcedor carioca tinha um carinho especial pela nossa equipe. Sabíamos que teríamos o apoio da torcida, coisa que naquela época não iria acontecer no Pacaembu – relembra Pepe, personagem fundamental da segunda partida.

O foco no Mundial era tamanho que o Alvinegro abandonou o Campeonato Paulista e seguiu para o Rio de Janeiro, onde treinou por uma semana antes do segundo confronto da final, que seria realizado no dia 14 de novembro. Foram sete dias alojados no próprio Maracanã, enfrentando altas temperaturas. Tudo para encarar os italianos. O jogo decisivo acabou marcado para o dia 16.

No dia em que a façanha completa 50 anos, confira como foram os dois jogos clássicos, com depoimentos de personagens que estiveram dentro e fora de campo naqueles dias quentes de novembro de 63.

MOSAICO - Campeão. Na Base Da Raça, Santos Vence Milan (Foto: Editoria de Arte)MOSAICO – Campeão. Na Base Da Raça, Santos Vence Milan (Foto: Editoria de Arte)
“Pepe, você está fora”
Pepe ex-jogador Santos (Foto: Bruno Gutierrez)Após “pegadinha”, Pepe foi confirmado no ataque santista (Foto: Bruno Gutierrez)

Sem Pelé, os torcedores santistas apostavam suas fichas em Pepe e Coutinho para vencer a forte retranca milanista. O primeiro, maior artilheiro do clube depois do Rei, passou por momentos de tensão antes da primeira partida. Isso porque ele foi informado que não jogaria.

– O Dalmo veio até mim e disse: ‘Pepe, o Lula se reuniu com alguns jogadores e que parece que o Batista vai jogar. Você está fora. Te aviso para te prevenir e você não se aborrecer’. Fiquei bravo porque queria jogar – conta o Canhão da Vila.

A tensão durou até uma hora e meia antes da partida, quando descobriu que tudo não passava de um truque do técnico Lula para mexer com os ânimos e “pilhar” o jogador para encarar o Milan.

– Me chamaram em uma sala e estavam Nicolau Moran (diretor de futebol) , Modesto Roma (vice-presidente) e o Lula. Ele (Lula) me perguntou: ‘Como está para hoje, bomba?’. Disse que estava bem e que ele poderia contar comigo. Ele me respondeu: ‘Vou precisar de você hoje’. O Lula tinha esse mistério e nas grandes decisões ele dava uma sacudida no time para a final.

01Almir x Milan

Almir Pernambuquinho bimundial Santos (Foto: Reprodução / Livro 'Na Raça' - Editora Realejo)Almir procurou desestabilizar o lado emocional dos italianos (Foto: Reprodução / Livro ‘Na Raça’ – Editora Realejo)

A final do Mundial tinha um gosto especial para um santista: Almir Morais de Albuquerque, o Almir Pernambuquinho. O meia, substituto de Pelé nas duas partidas realizadas no Brasil, havia jogado na Itália, onde atuou por Fiorentina e Genoa, e segundo Pepe, teria sido maltratado na Europa. Além disso, o fato de Amarildo ter dito que era melhor que Pelé também mexeu com os nervos de Almir.

– O Almir, apesar de ser meio biruta – quebrava o pau a qualquer momento -, tinha uma adoração pelo Pelé que era incrível. Ele sentiu que precisava jogar muito bem para dar uma resposta ao Amarildo. Ele ficou “p” da vida com esse negócio do Amarildo falar que seria melhor que o Pelé. Fez parte da raiva que o Almir sentiu no campo – conta Pepe.

O primeiro confronto em terras brasileiras ocorreu no dia 14 de novembro. Quando começou a partida, Ademar Indau, vendedor de sapatos na época, era um dos 132.728 torcedores que estavam no Maracanã. Ele recorda que, logo no primeiro minuto, o clima esquentou entre Almir e Amarildo.

– Assim que o Amarildo pegou na bola, o Almir veio para trás e deu um pega nele para quebrar. Naquela época não tinha cartão amarelo, ou o árbitro expulsava ou deixava para lá. Então, o árbitro não fez nada – recorda o torcedor, hoje com 72 anos.

Pernambuquinho não parou por aí. O tempo todo provocava os italianos e tentava desconcentrar os rivais a todo custo. Tudo para tirar o Milan do sério. Pepe conta alguns dos artifícios que o meia usava.

– O Almir mexia com os italianos, passava a mão neles, dava tapa sem o árbitro ver. Ele tinha uma bronca incrível. Se o Almir não tinha um futebol para substituir o Pelé, tinha uma raça incrível e foi um dos responsáveis por essa virada.

Mas, apesar da vontade de Almir, o que se viu no primeiro tempo foi uma repetição do que havia acontecido na Itália. Em 17 minutos, os italianos já venciam por 2 a 0. No intervalo, Lula estava sem entender o que acontecia.

– O Lula falou o mínimo com a gente. Dizia que não sabia o que estava acontecendo, mas que nós tínhamos condições de reverter. Já era para ter revertido lá. Agora nós estávamos em casa, diante de muitos torcedores cariocas, e tínhamos de reverter. Voltamos para o campo. Ficamos menos de 7 minutos no vestiário. Nisso, arriou uma chuva muito fronte, que não foi brincadeira. Tomamos aquela chuva por uns 15 minutos porque os italianos cumpriram o horário normal de descanso – lembra Coutinho.

Nessa hora, Almir, irritado com a derrota e a possível perda do título, voltou pilhado para o segundo tempo. Ele tentou contaminar os companheiros e injetar ânimo em uma equipe que estava longe de ser o Santos conhecido no mundo inteiro.

– Esse pernambucano, Almir Moraes de Albuquerque, olhou para mim e disse: ‘Mengálvio, nós não vamos perder esse jogo’.  Ele apertava meu braço de tal maneira que eu falei: ‘Calma! Nós vamos chegar lá’. E ele seguia falando que nós iríamos ganhar, que tínhamos de ganhar. Eu concordava senão ele me dava um tapa na orelha, do jeito que ele estava – conta Mengálvio.

Ademar Indau torcedor Santos 50 anos bimundial (Foto: Bruno Gutierrez)Ademar Indau quase deixou o estádio após o fim do primeiro tempo (Foto: Bruno Gutierrez)

Da arquibancada, Ademar não acreditava no que via. Ao lado de outros sete amigos, que viajaram por sete horas, de Santos ao Rio de Janeiro, só para ver o Alvinegro na final, ele pensou, por um momento, em voltar para o hotel.

– No intervalo, pensei: ‘Dois a zero para eles. O Santos sem o Pelé. Porque quando estava o Pelé, esperávamos de tudo. Mas sem ele…’ Pensei em voltar para o hotel, até porque também chovia muito. Mas valeu a pena ter ficado lá – conta.

E como valeu! Pode ter sido a chacoalhada de Almir. Pode ter sido a chuva. Mas o fato é que o Peixe voltou diferente para o segundo tempo e, em 23 minutos, já havia transformado o placar. Com dois gols de Pepe, um de Lima e outro de Mengálvio, os brasileiros asseguraram a vitória e o terceiro jogo, marcado para dali a dois dias, também no Maracanã.

Com duas bombas, o Canhão da Vila havia feito, segundo ele próprio, a maior partida de toda sua carreira. Enquanto o Peixe comemorava a vitória no Rio de Janeiro, em Santos o pai de Pepe, que fazia aniversário no mesmo dia, era só alegria. A felicidade foi tanta que gerou até prejuízo para o bar da família.

– Na época, nem todos tinham um aparelho de TV. Mas no bar do meu pai tinha. Estava cheio de torcedores vendo o jogo. Depois que ganhamos, o velho Macia disse: ‘Pessoal, está liberado geral. Bebida para todo mundo’. Realizou uma cervejada com o pessoal todo, festejando o 4 a 2 e imaginando que tudo daria certo no último jogo.

01 paradinha de Dalmo e o bi
Coutinho Santos Memorial das Conquistas (Foto: Bruno Gutierrez)Para Coutinho, Almir foi o grande herói do título  (Foto: Bruno Gutierrez)

Para acompanhar o terceiro e decisivo confronto entre Santos e Milan, Ademar precisou inventar uma desculpa para o chefe. Conseguiu até um atestado médico para poder ir novamente ao Maracanã.

– Tive de falar que eu fiquei doente para ir. O pior é que meu chefe sabia que eu tinha ido. Fui o maior cara de pau – lembra.

O último duelo foi o mais disputado dos três. Uma partida onde jogadores dos dois times entravam de forma ríspida. No jogo da raça, Almir se destacou, mas também cometeu seus deslizes. Logo no início da partida, acertou um chute no goleiro Balzarini, que precisou ser substituído no fim do primeiro tempo. Ademar relata como Pernambuquinho se comportava em campo.

– Almir era terrível. Chutava os caras. Quando eles partiam para cima, ele levantava os braços como se dissesse: ‘Olha aí, juiz, estão querendo me bater’. Ele deixou o time do Milan nervoso e jogou muita bola.

O grande momento de Almir na partida surge aos 30 minutos do primeiro tempo. Após uma cobrança de falta de Dalmo, ao ver que Cesare Maldini se preparava para chutar a bola e afastar o perigo da área, o camisa 10 se atirou e colocou a cabeça entre o pé do italiano e a bola. Pelo bi, foi ao sacrifício. Levou o chute, o pênalti e provocou a expulsão do adversário.

– Eu, particularmente, acho que o Almir foi o grande herói nesse jogo. Ele deu a cabeça para o Maldini chutar. Não é qualquer leão que faz isso. O Maldini chutou a cabeça dele mesmo – comenta Coutinho.

– O cara deu um chega para lá no Almir, poderia ter arrancado a cabeça dele. O Almir estava para tudo. Ele entrou nesses jogos para decidir, como substituto do Pelé, tinha de substituir o melhor de todos e foi um dos principais – completa Pepe.

Restava saber quem iria cobrar a penalidade. Pelé, o batedor oficial, estava fora. Caberia então, a Pepe ou Dalmo a responsabilidade de marcar aquele que resultaria no gol do título. O lateral-esquerdo assumiu a responsabilidade.

– O Dalmo e o Pepe se olharam. O Dalmo era um cara de uma personalidade forte. Ele falou: ‘Pepe, deixa que eu vou bater’. Com a maior tranquilidade, marcou o gol – diz Mengálvio.

Na cobrança, Dalmo enganou Balzarini no primeiro momento. Ele pulou por cima da bola para mostrar ao árbitro argentino Juan Regis Brozzi que o italiano estava se adiantando. Em um segundo momento, ele realizou a paradinha, hoje, movimento proibido pela Fifa.

– Ele estava muito frio e bateu com a paradinha. Imagina dar uma paradinha com tantas pessoas vendo? E fez o gol. Cinquenta anos depois eu digo que foi ótimo ele ter batido, porque o Dalmo teve o seu valor reconhecido como grande campeão no Santos – completa Pepe.

Capa Jornal A Tribuna bimundial Santos gol dalmo (Foto: Bruno Gutierrez)Jornal A Tribuna, de Santos, destaca título. Na foto, o gol de pênalti de Dalmo (Foto: Bruno Gutierrez)

Na frente no placar e com um jogador a mais em campo, a partida poderia ficar mais fácil para o Alvinegro. Mas não ficou. Isso porque, no fim do primeiro tempo, o santista Ismael acertou uma cabeçada em Amarildo e também foi expulso. Para complicar, o árbitro ainda deu incríveis 11 minutos de acréscimo à primeira etapa.

Os últimos 45 minutos foram de entrega total dos santistas. Com organização tática, todos atacavam e defendiam. Dorval recuou para auxiliar na marcação após a expulsão de Ismael. Mengálvio relata o que se passou na cabeça dos jogadores do Peixe.

– Nessa hora, botamos o coração para fora e tentamos nos desdobrar da melhor forma possível.  Eu já defendia e atacava. Não queria saber. Tanto eu quanto meus colegas só queríamos vencer o jogo. Foi um acontecimento marcante.

Novamente, brilhou a estrela de Almir. Exausto, o meia jogou quase metade do segundo tempo com câimbras nas duas pernas. Mesmo assim, não fugiu do duelo, como conta Coutinho.

– Houve um lance no final do jogo em que o Almir pediu a bola na lateral. Eu toquei para ele e pedi para ele devolver. Ele falou que iria prender a bola ali até o final do jogo. Eu falava que não iria dar e pedi a bola novamente. Ele tocou, eu voltei para ele. O Almir levou até o pau da bandeirinha, que naquela época era fixo, e ficou prendendo a bola. Os caras faziam falta, a gente tocava bola e ele prendia de novo. O jogo terminou assim, e ele com câimbra nas duas pernas.

Dessa forma, o Santos segurou o placar e levantou a taça. Indignados com a atuação do árbitro e revoltados com o vice, os jogadores do Milan rapidamente deixaram o gramado. Enquanto isso, os santistas davam a volta olímpica para mais de 120 mil pessoas. Já no vestiário, Coutinho, conhecido por ser um homem mais sisudo, de expressões fortes, caiu em lágrimas.

– Foi aquela emoção porque até hoje ainda falam que o Santos era o Pelé. Mas o Santos nunca foi só o Pelé. O Santos era um todo. Sentimos a ausência deles (jogadores lesionados), mas não podemos deixar de abraçar os que entraram e cumpriram o papel. Foi uma coisa que mexeu muito. Foi uma emoção muito grande.

Festa em Santos, protestos em Milão

Artigo Jornal A Tribuna Milan Santos (Foto: Bruno Gutierrez)Artigo do jornal A Tribuna fala sobre revolta dos italianos (Foto: Bruno Gutierrez)

Após o título, o Santos voltou para casa, onde iria comemorar com os torcedores que não puderam ir até o Rio de Janeiro. A festa começou em São Paulo e desceu a Serra do Mar para uma recepção digna de um campeão mundial.

– Foi uma festa incrível. Em São Paulo já foi feito um cortejo, com carros buzinando. Nós descemos a Serra e desfilamos na cidade cansados, mas muito felizes. Fomos à Prefeitura, à Vila Belmiro, onde estava cheio de gente também nos esperando. Entramos no gramado, teve toda a saudação e o Santos era, pela segunda vez, campeão mundial – conta Pepe.

Enquanto isso, na Europa, o Milan desembarcava destilando veneno contra os brasileiros. Uma publicação no jornal A Tribuna, de Santos, no dia 20 de novembro de 1963, diz que a derrota revoltou todo o futebol italiano. O técnico Eraldo Mozeglio, da Juventus, pedia o rompimento de relações e o fim de amistosos entre brasileiros e italianos por, no mínimo, dois anos. Já os jornais “La Notte” e “Corriere Della Sera” falavam que o Mundial Interclubes deveria passar a ser regido sob supervisão da Uefa e da Fifa.

Os dirigentes rossoneros ainda entraram com uma representação na Liga de Futebol Italiano pedindo a anulação das duas partidas realizadas no Brasil. No documento, os cartolas acusaram o árbitro argentino Juan Regis Brozzi de ser “cúmplice” dos brasileiros. Para os jogadores santistas, todo o movimento dos europeus só simbolizava que o Milan era um mau perdedor.

– Eles deram muito pontapé na gente lá, e o árbitro deixou correr. Anulou um gol meu que, no momento do jogo, empataria a partida em 2 a 2. Tudo isso fica gravado. Mas aqui no Rio as coisas se inverteram e, como nós ganhamos, logicamente, que eles vão se queixar da vida – disse Coutinho.

Já Mengálvio, um dos mais brincalhões daquele grupo, leva a revolta italiana com humor.

– Eu acho que até hoje esse pessoal que jogou contra a gente não quer nem lembrar do nosso nome. Eles estavam crentes que estavam com a taça na mão. Com 15 minutos de jogo estavam ganhando por 2 a 0. No vestiário, eles já estavam festejando. No fim, eles não levaram a taça, não levaram nem um copo.

Por Cleber Aguiar – SÉRIE B: Tarde verde e branco! Palmeiras conquista título e Chapecoense o acesso

Fonte: Futebolinterior.com.br

SÉRIE B: Tarde verde e branco! Palmeiras conquista título e Chapecoense o acesso

 Já o Sport venceu o Paraná e segue mais do que vivo na luta pelo acesso

A 36ª rodada do Campeonato Brasileiro teve sequência na tarde deste sábado, com cinco jogos. E, mais duas definições aconteceram: a Chapecoense conquistou o acesso à elite, enquanto, o Palmeiras confirmou o título. Além do que, o G4 não teve modificação, do início da rodada, com Sport, Icasa e Ceará na luta por duas vagas.

Em São Paulo, o Palmeiras não quis dar sopa ao azar e venceu, sem dificuldades, o Boa Esporte, por 3 a 0, fazendo uma grande festa no Pacaembu, para seus torcedores, que não estiveram presentes em um grande número. Mas, os que foram comemoraram a conquista com os jogadores.

Por sua vez, em Chapecó, um empate garantia o time na elite do futebol nacional, com isto, Bruno Rangel chegou ao seu 29º gol na Série B, abrindo o placar no primeiro tempo. Na etapa final, aos oito, Lincom deixou tudo igual. No final, a festa foi grande na Arena Condá, com o Verdão Catarinense conquistando mais um acesso em seguida, já que em 2012 estava na Série C. Além do que, garantiu também o vice-campeonato.

G4 mantido!
Em Recife, o Sport não deu sopa para o azar e venceu o Paraná, por 2 a 0, num jogo que poderia ter se complicado, com uma grande falha do árbitro, que expulsou o goleiro Magrão de forma indevida. Com isto, o time retornou para terceira colocação, com 59 pontos, ultrapassando o Icasa e Ceará.

Quem segue com esperanças é o América-MG, que na tarde deste sábado, venceu o Atlético-GO, por 3 a 0, com isto, chegou aos 56 pontos, em sexto, três a menos que Sport, Ceará e Icasa. Por outro lado, a situação do Dragão se complicou ainda mais, praticamente sendo rebaixado para terceira divisão.

Por fim, quem está praticamente certo na Série B de 2014 é o América. Num resultado surpreendente foi até Florianópolis e venceu o Avaí, por 1 a 0, com gol de Max, aos 14 minutos do segundo tempo. Com isto, abriu seis pontos, do Papão, primeiro time, faltando dois jogos. Por sua vez, o Avaí não conquistará mais o acesso, já que estacionou com 53, em nono.

A rodada ainda será finalizada na noite deste sábado, com mais dois jogos. São Caetano e Joinville se enfrentam em São Caetano do Sul, enquanto, Oeste e Figueirense jogam em Itápolis.

Confira os resultados da 36ª rodada
Guaratinguetá-SP
0
x
1
Ceará-CE
ABC-RN
4
x
1
ASA-AL
Icasa-CE
2
x
1
Paysandu-PA
Chapecoense-SC
1
x
1
Bragantino-SP
Palmeiras-SP
3
x
0
Boa Esporte-MG
América-MG
3
x
0
Atlético-GO
Avaí-SC
0
x
1
América-RN
Sport-PE
2
x
0
Paraná-PR