Por Cleber Aguiar – Metaleiro, técnico do sub-20 do Peixe sofre com garotada do funk e pagode

Fonte: Globo.com

Filho de Pepe, ídolo do Santos, Alexandre Serrano Macia é fã de heavy metal, organiza excursões a shows, incentiva bandas e teve loja de discos

Sexta-feira, 8 de novembro. Vestido com uma camiseta preta, do guitarrista sueco Yngwie Malmsteen, Pepinho Macia chega ao CT Rei Pelé para treinar os garotos da equipe sub-20 do Santos, finalista da Copa do Brasil da categoria. Fã de heavy metal, o técnico caminha até o vestiário se esforçando para ignorar a música que sai das potentes caixas de som dos modernos carros das promessas santistas.

– O negócio dos meninos é funk, pagode e sertanejo mesmo – diz, em tom resignado.

Filho de Pepe, segundo maior artilheiro da história do Santos com 405 gols (atrás “só” de Pelé, que fez 1.091), Alexandre Serrano Macia, o Pepinho, tem 48 anos e curte rock na mesma intensidade em que se dedica ao futebol. Tanto que depois do treinamento de sexta-feira, ele subiu a Serra para ir a um show de Yngwie Malmsteen, em São Paulo. Não conhece? Ele é bem fã. Na noite anterior, ele já havia organizado uma excursão para apresentação de um grupo bem mais famoso, o Red Hot Chili Peppers, também na capital.

– Apesar de o meu pai não gostar de rock, ele acabou sendo meu principal incentivador, porque ele tinha uns discos do Elvis Presley. Eu ouvia e achava bacana, agitado. Depois foram as amizades de adolescência que me levaram ao rock. Comecei a procurar discos pelas lojas, ir a shows e o primeiro que comprei foi um vinil do Led Zeppelin – conta o técnico do sub-20 do Peixe, time que disputa nesta terça-feira, contra o Criciúma, na Vila Belmiro, o primeiro jogo da final da Copa do Brasil da categoria.

Em Santos, Pepinho é tão conhecido por ser técnico das categorias de base do Peixe quanto pela sua importância na cena local do rock. Ele nunca foi músico, mas esteve sempre presente nos eventos de heavy metal. Durante anos produziu shows na cidade, teve também uma loja de discos e CDs, chamada Metal Rock, e criou um selo, pelo qual conseguiu lançar algumas pequenas bandas.

Mosaico Pepinho Macia Santos sib-20 (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Pepinho Macia, técnico do sub-20 do Santos  (Fotos de Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

Pepinho sabe que é ponto fora da curva no futebol quando o assunto é gosto musical. Mas, quando provocado sobre o tema, afirma que só no Brasil é assim.

– Não é comum ter roqueiro no futebol brasileiro, porque se você for aqui do lado, na Argentina, está cheio de gente que gosta de rock. E na Europa, então, é mais comum quem gosta de rock e futebol do que outra coisa. Aqui tem um ou outro só, como o Rogério Ceni. São exceções. Paralelamente ao futebol, eu sempre acompanhei e me fiz presente no contexto do rock.

Primeiro disco foi do Led Zeppellin. Hoje, Pepinho é fã de AC/DC, Black Sabbath, Rush, Judas Priest, Iron Maiden, Manowar, Slayer, Morbid Angel e Motörhead

Fã de AC/DC, Black Sabbath, Rush, Judas Priest, Iron Maiden, Manowar, Slayer, Morbid Angel, Motörhead, entre outros, o técnico do sub-20 do Santos gosta de dizer que seu gosto vai de Beatles a Sepultura. Seus xodós são os mais de mil canhotos de ingressos de show que ele guarda, no mesmo local onde está sua coleção de mais de 20 mil discos de vinil e CDs. Falta agora uma taça de futebol em seu acervo.

– Estou seguindo essa carreira de técnico e sempre penso em mais. Tenho de ter ambição para tentar conquistar e subir mais na carreira. Estou muito satisfeito no Santos. Se a gente conseguir esse título da Copa do Brasil, vamos revelar atletas que conquistaram. Quem não quer revelar um goleiro que defende pênalti, um zagueiro que salva em cima da linha, um atacante que faz gol de final? – diz Pepinho.

Alexandre Serrano Macia tem contato com futebol desde que nasceu, em 1965. Não tem recordação, porém, de seu pai como jogador. Apenas como técnico. Viu Pepe ser campeão paulista com o Santos e com a Inter de Limeira, brasileiro com o São Paulo…

– Tentei ser jogador. Joguei cinco anos na base do Santos, fui também da Portuguesa Santista. Mas aí a cobrança era muito grande e eu não tinha nem 10% do futebol do meu pai. Queriam que eu jogasse na mesma posição dele, mas eu não tinha as mesmas características e acabei não jogando. Aí em 98 comecei a trabalhar como auxiliar e treinador. Foram 14 equipes até agora, inclusive no Catar – conta.

Pepinho Macia Jorge Eduardo Santos Sub-20 (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo / Santos FC)Pepinho, durante jogo do sub-20 do Santos
(Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo / Santos FC)

Completamente envolvido na final da Copa do Brasil sub-20, que tem seu primeiro jogo entre Santos e Criciúma nesta terça-feira, na Vila Belmiro, Pepinho acredita que o carisma que herdou do pai possa ajudar na relação com os jogadores. O técnico da garotada ainda assegura que seu pai pouco se intromete no seu trabalho.

– Eu falo com meu pai todos os dias, almoçamos juntos, mas confesso que ele não dá pitaco. Ele fala algumas coisas do alto da experiência dele, dá alguns conselhos, mas só. Além da qualidade do trabalho e dos ensinamentos que consegui assimilar, o que mais gosto é do carisma dele. Os jogadores olhavam para ele e sorriam. É importante ter essa empatia com o grupo. E sinto que tenho isso aqui. Temos um ambiente muito bom. Isso conta muito na hora do “vamos ver” – diz Pepinho.

A partida de volta da grande decisão entre Santos e Criciúma será no dia 20 de novembro, no estádio Heriberto Hulse, na cidade catarinense.

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