Por Cleber Aguiar – Preso de Oruro estava presente na briga entre corintianos e vascaínos no DF

Fonte: O Estado de São Paulo

Leandro Oliveira, conhecido como Soldado na Gaviões da Fiel, passou cinco meses detido na Bolívia. E domingo participou do conflito no Mané Garrincha

RAPHAEL RAMOS – O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Leandro Silva de Oliveira, um dos 12 corintianos presos na Bolívia acusados pela morte do jovem Kevin Espada e soltos por falta de provas, participou da briga generalizada com torcedores do Vasco domingo, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Leandro Silva de Oliveira aparece sem camisa nas imagens - Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão
Leandro Silva de Oliveira aparece sem camisa nas imagens

Vídeos de emissoras de tevê e fotos feitas pelo Estado mostram Oliveira enfrentando policiais militares, sendo atingido por spray de pimenta e, na sequência, trocando socos e pontapés com vascaínos e policiais.

Conhecido como Soldado, Oliveira é sócio da Gaviões da Fiel e graduado na alta cúpula da organizada. Na briga de domingo, ele é um dos primeiros a, no intervalo da partida, correr em direção aos torcedores do Vasco. Como o Mané Garrincha não conta com barreiras físicas para separar as torcidas, não foi difícil se aproximar dos cariocas, que também estavam na arquibancada superior.

Em um primeiro momento, Oliveira chegou a ser contido por policiais e recuou. Mas com a chegada de mais corintianos, voltou a atacar. Torcedores do Vasco partiram para o confronto e a confusão aumentou. A polícia tentou conter os baderneiros com cassetetes e spray de pimenta, mas não conseguiu. Oliveira esteve na linha de frente durante o confronto, e em alguns momentos chegou a servir de escudo para alguns companheiros. A confusão só terminou depois que os policiais conseguiram isolar os corintianos.

Soldado ficou cinco meses e meio preso em Oruro. Ele foi detido no dia 20 de fevereiro, durante a partida entre Corinthians e San Jose pela primeira rodada da Libertadores, quando Kevin foi atingido por um sinalizador e morreu de traumatismo craniano causado pelo impacto do artefato. Três dias depois da morte do boliviano, inquérito policial apontou que foi encontrado com Oliveira um sinalizador, sem marca identificada. Por causa disso, o Ministério Público da Bolívia chegou a indiciá-lo como responsável do disparo do sinalizador.

Oliveira saiu da prisão no dia 2 de agosto junto com outros quatro torcedores. Em julho, a Justiça boliviana havia liberado sete corintianos, também por falta de provas. Ele não foi o único entre os 12 presos em Oruro que esteve domingo no Mané Garrincha. Hugo Nonato, conhecido como São Luiz, é tesoureiro da Pavilhão 9, e também assistiu ao jogo em Brasília. Não é possível, no entanto, identificá-lo nas imagens da briga.

Após o jogo, quatro torcedores corintianos (cujos nomes não foram divulgados) foram encaminhados ao 5º DP de Brasília e liberados em seguida por falta de provas.

Oliveira não está livre de uma punição. Ele pode ser enquadrado no artigo 41 do Estatuto do Torcedor, que prevê a exclusão dos estádios por até três anos de quem “promover tumulto, praticar ou incitar a violência, ou invadir local restrito aos competidores em eventos esportivos”. O departamento jurídico da Gaviões disse que ainda não foi comunicado oficialmente sobre a participação de Soldado na briga. Como Oliveira foi considerado inocente pela morte de Kevin, não haverá interferência no processo aberto na Bolívia. O presidente da Gaviões da Fiel, Wagner da Costa, não retornou as ligações da reportagem para comentar o assunto.

Por Cleber Aguiar – Barato que rende

Fonte: Folha de São Paulo

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São Paulo dobra arrecadação depois de vender ingressos a R$ 2 e mostra opção à inflação nos estádios

RAFAEL REIS DE SÃO PAULO

O São Paulo precisou reduzir a até R$ 2 o preço de um ingresso para quebrar seu recorde de arrecadação com bilheteria no Brasileiro-2013.

Os 55.256 torcedores que pagaram para ver a vitória por 2 a 1 sobre o Fluminense, domingo, a primeira em 13 rodadas, geraram uma renda de R$ 658.580,00, a maior do clube nesta edição do torneio.

Bastaram dois jogos da promoção que baixou para R$ 10 as arquibancadas e R$ 2 as entradas para sócios-torcedores para provar que, sim, é possível ganhar dinheiro com bilhetes mais baratos.

Os confrontos com Atlético-PR e Fluminense tiveram uma média de público de mais de 40 mil pagantes, quase o quíntuplo dos seis jogos anteriores à liquidação.

O aumento do número de torcedores compensou os preços menores, e a arrecadação saltou de R$ 228 mil para cerca de R$ 463 mil.

A receita média originada pela promoção é maior que a do São Paulo nas oito primeiras partidas em casa no Brasileiro do ano passado, quando o torcedor tinha motivos para ir ao estádio que iam além das entradas populares.

“O mercado brasileiro é muito maluco, não se mede por uma curva de demandas. Faz uma década que aumentamos os preços e vemos o público cair. Por que não tentamos o inverso?”, questiona Fernando Ferreira, economista da Pluri Consultoria.

Segundo ele, cada clube precisa descobrir o preço que lhe dá a proporção mais rentável entre público e renda.

O São Paulo fatura mais cobrando menos porque tinha espaço físico no Morumbi para que o aumento de torcedores pague a perda.

Já o Corinthians, ao menos por agora, não tem para onde crescer, pois o Pacaembu tem capacidade de cerca de 37 mil pessoas. Mas o Itaquerão receberá 46,5 mil pessoas sentadas e, com integrantes das organizadas em pé, acomodará até 50 mil pessoas.

A tendência de alta nos preços e elitização da torcida nos estádios pode ser vista em arenas construídas para jogos da Copa de 2014.

O último jogo na Arena Fonte Nova teve renda menor (R$ 315,1 mil) do que a liquidação no Morumbi, apesar do ingresso médio a quase R$ 30.

O empate entre Fluminense e Corinthians, no Maracanã, há duas semanas, também. Arrecadou R$ 341 mil.

Sucesso incontestável só no Mané Garrincha, em Brasília, que já importou nove jogos e ostenta receita de mais R$ 2,6 milhões por duelo com ingressos a R$ 70 em média.