Por Cleber Aguiar – Nova geração de Meninos da Vila tenta repetir sucesso de 2002 e 2010

Fonte: Globo.com

Protagonistas das últimas duas gerações de craques do Santos apontam semelhanças e diferenças entre equipes do passado e a atual garotada

Por Lincoln Chaves Santos, SP

Ficou difícil? Chama os Meninos da Vila. Em 2002 e 2010, a estratégia de recorrer à base em momentos de dificuldade deu resultado no Santos. Não só com títulos, mas revelando jogadores que, além de cativar a torcida, trouxeram retorno aos cofres do clube. Com a demissão do técnico Muricy Ramalho e a venda de Neymar, é chegada a vez de mais uma geração de jovens promessas ganhar espaço na Vila Belmiro. O cenário, no entanto, é diferente do que se viu nos últimos anos. É o que garantem personagens que acompanharam de perto o surgimento das últimas duas grandes safras do Peixe.

Montagem - Promessas Santos (Foto: Editoria de Arte)Diego, Robinho, Ganso, Neymar, Neilton, Gabigol e a fábrica de craques do Santos (Foto: Editoria de Arte)

Meia da geração campeã brasileira em 2002, Robert já era veterano quando Diego e Robinho despontaram. Na ocasião, o Santos vinha de um primeiro semestre decepcionante, eliminado na primeira fase do Torneio Rio-São Paulo. Era preciso remontar toda a equipe – mesmo sem condições financeiras para arcar com nomes de peso. Só aí, aponta o ex-jogador, estão duas diferenças fundamentais entre a geração que brilhou 11 anos atrás – que também teve “meninos” como o zagueiro Alex, o meia Elano e o atacante William – e a atual.

– Acho que o aspecto financeiro do clube agora está melhor que naquela época. Hoje há condição de investir. Venderam o Neymar, entrou um dinheiro (pouco mais de R$ 27 milhões do total da transferência ficaram com o Santos). Além disso, o time atual já tem um esqueleto. Uma defesa com Edu Dracena e Durval, gente como Arouca, Cícero e Montillo. Em 2002, o (Emerson) Leão chegou e só tinha praticamente a molecada, mais o Renato e o Fábio Costa. Ele (Leão) teve que montar toda a equipe. Vieram Maurinho e Alberto. Depois, o Alex, que tinha sido mandado embora e foi chamado para completar time no coletivo – recorda.

Robert, Santos 2002 (Foto: Celso Junior / Agência Estado)Em 2002, Robert era um dos mais experientes do
Santos (Foto: Celso Junior / Agência Estado)

Outra diferença, na visão de Robert, está justamente no surgimento de Robinho e Diego. O ex-camisa 11 do Santos ainda não vê, na atual geração, jogadores que destoem do resto do elenco como ocorria com a dupla há 11 anos. Ele, porém, recorda que em 2002, antes do Brasileirão começar, ninguém apostava que os então meninos teriam aquele sucesso.

– Nosso time tinha dois caras acima da média, que foi algo que só percebemos durante o Brasileiro. O Diego estava sempre em seleções de base, o Robinho também. Eu vejo bons jogadores na atual geração, mas nenhum fora de série. Só que nós só percebemos as qualidades deles quando começaram a jogar. Hoje, há garotos com potencial. Casos do Jubal, Pedro Castro, Leandrinho, Léo Cittadini, Lucas Otávio. O Gabriel tem entrado bem. Naquela época, escalar o time era montar quebra-cabeça com dois jogadores geniais. Já hoje, são bons jogadores que podem dar certo juntos – opina.

Oito anos depois, mais uma geração

Oito anos depois, foi a vez da geração liderada por Neymar e Paulo Henrique Ganso aparecer, com os títulos paulista e da Copa do Brasil, resultados de um futebol alegre e veloz. Gerente de futebol do Santos em 2010, o ex-jogador Jamelli, um dos destaques do Alvinegro vice-campeão brasileiro em 1995, acabou participando da montagem da equipe – na qual também despontaram nomes como André, Rafael Cabral e Wesley. Só que, diferentemente de 2002, a mescla entre meninos e veteranos foi maior.

– Nosso desafio era criar um time totalmente novo, pois havia chegado ao fim o ciclo daquela geração de Fábio Costa, Rodrigo Souto, dentre outros. Tínhamos talentos, mas era preciso ampará-los com gente experiente. Então, vieram Durval e Marquinhos, recuperamos Edu Dracena e Léo, e demos sustentação a esses meninos. Neymar era craque, o Ganso era craque, o Wesley voltou bem do Atlético-PR, o André chegou à Seleção… E trouxemos o Robinho. Foram veteranos que, na hora da paulada, seguravam as pontas para a molecada – descreve Jamelli, que vê mais semelhanças que diferenças nos cenários das gerações de 2010 e 2013.

– Na história do Santos, sempre houve a tradição de se recorrer à molecada e ela corresponder. Em 2010, acho que o grande mérito foi que, em janeiro daquele ano, o time valia 10. No final da temporada, ganhando tudo, valia 10 milhões. Acho que agora é a mesma situação. Há jogadores talentosos em meio a outros mais experientes, e o Santos tem esse Brasileiro para revelá-los. Mas com cuidado. Não adianta botar seis meninos de uma vez, por exemplo. O Neymar entrou aos poucos. Já o Victor Andrade, acho que a entrada dele foi precipitada. É preciso que os experientes deem a estrutura – avalia.

André, Robinho, Neymar e Ganso em treino do Santos (Foto: Agência Estado)André, Robinho, Neymar e Ganso: geração de 2010 brilhou com garotos e veteranos (Foto: Agência Estado)

A cautela pregada por Jamelli é defendida também pelo vice-presidente Odílio Rodrigues, que há três anos ocupava o mesmo cargo de hoje na Vila Belmiro. O dirigente pede que o torcedor não espere o surgimento de novos Neymares e Gansos, mas também admite semelhanças entre as safras de 2010 e a atual.

– Em 2002, houve uma necessidade (de se apostar nos jovens). Agora é diferente. Temos jogadores bem experimentados no elenco e o fato do Claudinei (Oliveira, técnico) estar promovendo e observando garotos vindos da base. Entendemos essa uma mescla como mais prudente. Há mais semelhanças (da geração de 2013) com a de 2010, mas deixando claro que não podemos cobrar mais deles do que se deve, para não exagerarmos na responsabilidade destinada a eles – resume.

Dos 39 jogadores do atual elenco, 19 são formados na Vila Belmiro, sendo que dois (Leandrinho e Neilton) vem sendo titulares no Brasileirão e na Copa do Brasil. Resta saber se a safra vai alcançar o sucesso dos times liderados por Robinho e Neymar. Sem perder a quatro partidas e responsável pela ascensão do Alvinegro no campeonato nacional, a geração de Neilton, Leandrinho, Gabriel, Pedro Castro e companhia já mostra, pelo menos, um cartão de visitas muito promissor.

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