Por Cleber Aguiar – EUA na Libertadores

Fonte: Lancenet.com.br

por janca

Representantes da Conmebol, a Confederação Sul-Americana de Futebol, voltaram a negociar com a Major League Soccer possível entrada de clubes norte-americanos e canadenses na Libertadores de 2015.

Os contatos, que tiveram início no ano passado, foram retomados na semana passada e novas reuniões devem acontecer em junho, durante a Copa das Confederações, que acontece entre 15 de 30 de junho no Brasil.

A ideia é ampliar e fortalecer a Libertadores, seja em 2015, seja em 2016, incluindo mais dois países na competição. Vale lembrar que os times mexicanos já disputam o torneio, muito em função de interesses econômicos e venda de direitos de TV.

A Major League Soccer, que foi formada em 1996, depois da Copa nos Estados Unidos, dois anos antes, é a principal liga de futebol profissional do país e tem hoje 19 equipes participantes. O Los Angeles Galaxy é o atual bicampeão.

Há algum tempo os norte-americanos resolveram aumentar o intercâmbio com equipes estrangeiras, participando de competições oficiais contra equipes da América Central, entrando em torneios com equipes asiáticas e da Oceania e atraindo times europeus para realizar a pré-temporada no país. O passo mais ambicioso, a participação na Libertadores, depende de questões financeiras.

É bom salientar que a Conmebol também tem trabalhado para ampliar a Libertadores, que este ano teve 32 equipes na fase de grupos, fora as que disputaram a chamada Pré-Libertadores. O torneio conta este ano com seis equipes brasileiras, todas classificadas para as oitavas de final, uma marca histórica para o Brasil, que conquistou 11 das últimas 20 edições do torneio. O campeão disputa o Mundial de Clubes, em dezembro.

Por Cleber Aguiar – FPF define datas e horários dos jogos das quartas; clássico será no sábado

Fonte: Globo.com

Palmeiras ganha tempo para a viagem ao México, onde disputará as oitavas de final da Taça Libertadores. Timão e Tricolor jogam domingo

Por Alexandre Lozetti e Cleber AkamineSão Paulo

tabela quartas de final paulista (Foto: Cléber Akamine)Tabela das quartas de final do Paulistão nas mãos
do presidente do Mogi (Foto: Cléber Akamine)

A Federação Paulista de Futebol divulgou nesta segunda-feira as datas e horários dos jogos das quartas de final do Campeonato Paulista. O clássico Santos x Palmeiras será disputado sábado, às 16h15m, na Vila Belmiro (TV Globo). No mesmo dia, Mogi Mirim e Botafogo se enfrentarão às 18h30m, no estádio Romildo Gomes Ferreira, em Mogi (SporTV). No domingo, serão realizados as outras duas partidas. Ponte Preta e Corinthians entrarão em campo às 16h, no Moisés Lucarelli (TV Globo). Às 18h30m, no Morumbi, o São Paulo receberá o Penapolense (SporTV).

Representantes dos oito clubes participaram do conselho técnico realizado na sede da FPF, na Zona Oeste de São Paulo. O clássico foi marcado para o sábado porque o Verdão terá pela frente uma longa viagem até o México, onde, na terça-feira, enfrentará o Tijuana pelas oitavas de final da Taça Libertadores. O Verdão deverá viajar logo após a partida em Santos.

Nas quartas, a única vantagem dos quatro times melhores colocados na primeira fase é a de jogar em casa. A decisão é em partida única. Em caso de empate no tempo normal, pênaltis.

Nas semifinais, o vencedor de São Paulo x Penapolense enfrentará quem passar de Ponte Preta x Corinthians. No outro lado, o confronto será entre os ganhadores de Mogi Mirim x Botafogo e Santos x Palmeiras.

Por Cleber Aguiar – Entrevista do técnico Cuca para o Estadão.

Fonte: O Estado de São Paulo

ENTREVISTA – ‘Eu me preocupo em jogar bonito’, afirma treinador Cuca

O técnico do time que exibe o melhor futebol do Brasil diz que dá mais importância à beleza do jogo do que às conquistas de títulos

Mateus Alves

Quando a CBF demitiu Mano Menezes, no fim do ano passado, as especulações sobre o nome do próximo técnico da seleção brasileira brotaram naturalmente. Muitos homens das pranchetas foram apontados como candidatos ao cargo, mas Cuca não foi. O fato de ele ter transformado o Atlético-MG no melhor time do País não comoveu os críticos, nem mesmo o bom trabalho que fez no Botafogo, no Fluminense e no Cruzeiro.

Sobre a cabeça de Cuca, pesam (e muito) a falta de títulos de grande expressão e as pechas preconceituosas de supersticioso, azarado, depressivo… E, por mais que tente se mostrar alheio à má vontade que sua figura desperta, o curitibano sabe que ela não o ajuda em absolutamente nada.

Com absoluta franqueza, Cuca falou muito sobre esse incômodo assunto em entrevista exclusiva ao Estado. E falou mais: ele explicou a ótima fase do Atlético, contou como é trabalhar com Ronaldinho Gaúcho e disse que, ao contrário da grande maioria de seus colegas de profissão, tem um compromisso inegociável com a qualidade do futebol.

ESTADÃO – Quando você chegou ao Atlético, em 2011, o time corria risco de cair para a Série B do Brasileiro. Hoje, a situação é muito diferente: a equipe é a melhor do Brasil. Como ocorreu essa transformação?

CUCA – Entrei no Atlético em agosto de 2011. O time estava em uma situação bem complicada, lutando para não cair, na zona de rebaixamento. Tive dificuldade no começo, perdi seis jogos seguidos, o objetivo naquele ano era evitar a queda e a gente conseguiu salvar o time mesmo com 78% de chance de cair. A partir daquela salvação, fizemos a remontagem para 2012. Hoje, em comparação com quando cheguei, saíram 22, 23 jogadores e entraram 15 ou 16. Foi uma remodelagem total que a gente fez com o (Eduardo) Maluf (diretor de futebol), com o presidente (Alexandre Kalil). No Mineiro, fomos campeões invictos, no Brasileiro, fomos vice-campeões com o melhor ataque e a terceira melhor defesa, jogamos no ano passado um futebol muito bonito em alguns momentos. Faltou um pouco mais de elenco para sermos campeões, e que o Fluminense não fosse tão preciso como foi. Fizemos pontuação para sermos campeões, com 72 pontos em 2009, 2010 e 2011 teríamos sido campeões, mas no ano passado não fomos.

ESTADÃO – E, neste ano, a remodelação continuou…

CUCA – Neste ano, a gente deu uma fortalecida ainda maior, trouxemos alguns jogadores de boa qualidade, saíram outros, demos mais um upgrade. Continuamos jogando igual, mas já com meu conhecimento de casa, com a maneira de jogar que a gente sabia, com os jogadores me conhecendo, eu sabendo do potencial de cada um, mudando alguma coisa na maneira de jogar e as coisas estão fluindo bem. Estamos jogando um futebol bonito, vistoso, mas nossa responsabilidade é muito grande.

 

ESTADÃO – Você monta suas equipes sempre com o objetivo de apresentar um futebol bonito ou isso depende apenas dos jogadores que tem à sua disposição?

CUCA – As duas coisas. Quando você monta um time, tem de ter a imagem do que você quer, de que forma o seu time vai jogar. Se você tem um jogador de uma característica, ele vai jogar de acordo com a característica dele, e eu respeito muito a característica do jogador. Gosto de velocidade, de mobilidade, de versatilidade no jogador, e isso tudo a gente encontrou nesse grupo que a gente tem. Aí trabalhamos muito a parte tática para dar desenvoltura a eles, trabalhamos as jogadas. O jogo nada mais é do que expor o produto que a gente faz. É o quadro que o cara pinta e depois leva para uma exposição. É um prazer quando as coisas saem bem, quando você expõe um produto bom.

ESTADÃO – Esse estilo vistoso é o mais indicado para levar o Atlético ao título da Libertadores?

CUCA – A gente tem essa confiança no grupo, mas ao mesmo tempo sabe que uma Libertadores, que é o sonho do atleticano, é muito difícil. Tem mais cinco times brasileiros top, como nós, tem os argentinos, além de outros times que são difíceis de serem batidos, e você não pode ter um dia ruim. Tive isso no Cruzeiro (em 2011). Fizemos a melhor campanha como aqui, mas uma noite ruim e acabou (derrota para o Once Caldas nas oitavas de final). Isso eu trago de aprendizado, de exemplo, para que não ocorra mais e que neste ano a gente possa ir mais longe e, se Deus quiser, sermos campeões.

ESTADÃO – O fato de o Atlético ser um clube que jamais ganhou a Libertadores aumenta a pressão?

CUCA – O sonho é igual ao que o corintiano tinha, e a busca obcecada é a mesma.

ESTADÃO – Mas o corintiano sofreu muito até chegar lá…

CUCA – Mas o atleticano também, não é diferente, até a cor é igual. Com o caminho que o Corinthians trilhou, a gente via que se não fosse hoje, seria amanhã. E, com o caminho que o Atlético está trilhando, a gente vê da mesma forma. Se não for hoje, e tomara que seja comigo, vai ser amanhã. O clube está organizado, está tudo andando redondinho, e quando você tem um clube em que todos os setores andam de um jeito igual, a tendência é você ganhar. Futebol não tem merecimento, mas se você for pegar a trajetória do Atlético de dois anos para cá, o caminho é vitorioso, e as coisas tendem a acontecer.

ESTADÃO – O que explica o momento próspero do Atlético?

CUCA – São diversos fatores, acho que vem de cima para baixo. A organização que o clube tem, o orçamento que tem, o pagamento em dia, a condição de trabalho e a estrutura do clube..

ESTADÃO – O clube é bem dirigido?

CUCA – É muito bem dirigido, e isso é o principal. E aí vem a montagem, que é tão importante quanto os outros fatores. Quando a gente estava nessa montagem, a gente tinha a necessidade de um grande astro, daquele cara que faz a torcida ir ao aeroporto para ver, daquele cara que vai fazer o próprio jogador abrir a boca.

ESTADÃO – E aí entrou o Ronaldinho Gaúcho na história…

CUCA – Quando o Ronaldo saiu do Flamengo, me veio essa ideia. Eu liguei para o presidente e ele aceitou, aí liguei para o Assis (irmão e empresário do meia) e conversei com ele, eu joguei com o Assis (no Grêmio). Falei para o Ronaldo como queria usá-lo, que não era mais como ponta-esquerda, era como o dez, o cara para pensar à frente dos meus volantes, do lado dos meus dois velocistas, atrás do meu jogador de referência, e ele adorou a ideia. Ele disse: ‘Com você eu vou até a morte’. Foi nítido que os próprios jogadores cresceram com isso, Bernard, Marco Rocha, eles pegaram corpo. A torcida do Atlético era muito carente desse ídolo, ela que teve isso no passado. A chegada dele engrandeceu muito o nosso time, o clube, o torcedor. No começo, tinha rejeição grande, os clubes todos tinham rejeição com o Ronaldo, mas hoje ele é uma unanimidade. Ele está jogando bem, se identificou, é um clube de massa. Está responsável, profissional, tem os defeitos dele, como qualquer um tem, como eu também tenho, mas a gente sabe administrar melhor as situações do que no passado. Hoje, criou-se um compromisso do jogador com a comissão técnica, com a diretoria e com a torcida que a gente tem de manter. O segredo para o Atlético ganhar é manter esse elo, que é muito forte, da arquibancada para o campo. Se continuar assim, a gente tem uma chance muito boa.

ESTADÃO – Nos clubes anteriores, o Ronaldinho vinha jogando muito fixo no lado esquerdo do ataque, mas isso mudou no Atlético. Você foi o responsável por essa mudança? Isso foi fundamental para a ótima fase dele?

CUCA – Eu tinha essa ideia, claro. Ele tinha de sair (da esquerda) porque ele cria tudo, ele não pode ficar em uma faixa de jogo, segundo meu pensamento, não quer dizer que eu estou certo. No Atlético, ele fica na esquerda quando cansa. Aí ele vai lá para a esquerdinha e o Bernard vem para dentro, ou o Tardelli, eles sabem o momento em que um precisa dar uma descansadinha e o outro vem pensar por ele. A gente aprendeu isso com ele, ele se adaptou muito facilmente, em questão de dois meses estava adaptado a essa função, é um cara diferenciado, tem qualidade monstro, tem quem corra por ele. Ele tenta de todas as formas diminuir o espaço, mas não é marcador, e nem é para ser. Quem corre por ele faz o trabalho de limpa-vidro, e é importante ter isso. A gente está bem montado, tem um pouquinho de cada coisa.

ESTADÃO – Algumas estrelas dão muito trabalho para seus treinadores. É o caso do Ronaldinho?

CUCA – Eu já trabalhei com muitos jogadores consagrados, mas cada jogador tem um histórico, uma maneira. Tem jogador que responde a uma bronca, tem outro jogador que responde a uma cobrança, tem outro jogador que responde a um carinho. O tempo ensina a gente a lidar com essas situações, mas não abrindo mão do profissionalismo. Lá, o Ronaldo não tem regalia diferente de ninguém, ele chega no horário, concentra dois dias antes, faz as coisas que os outros têm de fazer. É lógico que quando você sente ele um pouco mais abafado você preserva em um treino ou outro, mas acho que esse exemplo contagia os demais.

ESTADÃO – E ele aceita bem isso?

CUCA – Normal, normalíssimo, ele é um cara mais humilde do que eu imaginava. Eu me lembro do Ronaldo indo ver treinos nossos no Grêmio, menino ainda, mas ele foi duas vezes o melhor do mundo, já ganhou tudo, menos a Libertadores, eu acho, e, se você vê o tamanho da humildade dele, é inacreditável. Tem gente que não ganhou a metade dele e é muito mais prepotente. O Ronaldo é um cara muito humilde, fácil de lidar. É lógico que a gente evolui também na vida da gente, há um tempo seria muito mais difícil para mim, mas hoje é muito tranquilo lidar com ele.

ESTADÃO – Apesar do seu sucesso como técnico, muita gente ainda o vê com desconfiança. Alguns o consideram supersticioso demais, outros dizem que você se abate nos momentos de dificuldade. E sempre há quem lembre que ainda lhe falta um grande título. O quanto isso incomoda você?

CUCA – Faz dois anos que não frequento nenhum programa de tevê, nem de rádio. Hoje, no nosso país, rotular o outro ser humano é muito fácil. Basta você não gostar de mim e colocar um rótulo e passar para o outro, e para o outro, e isso vira uma verdade no nosso meio. Passam que eu me abato, que fico triste, mas pergunte no Atlético em dois anos quantos problemas eu dei para a diretoria ou para o grupo de jogadores, se eu levanto o moral deles ou abaixo. No Cruzeiro, no Fluminense, com 99% de chance de cair (em 2009), se a gente não foi o escoro de tudo aquilo. Enfim, diversas coisas que se a gente fosse aqui enumerar, eu não seria a pessoa ideal, porque não gosto de falar de mim.

ESTADÃO – Mas o que você sente quando dizem que você não é um ganhador?

CUCA – Quanto a ganhar, para você ver como é, existem treinadores, e eu nem gosto de falar, que não medem consequências para tirar um título e deixam como herança para o clube um buraco muito profundo. Contratações, dívidas… Sai de campeão, mas fica um rombo enorme. Geralmente, onde eu trabalho fica uma condição para um outro profissional entrar e colher, fica para o clube uma condição de vender cinco ou seis meninos bem vendidos. Eu não me preocupo em tirar o campeonato para mim, me preocupo em jogar bem, em fazer o time jogar um futebol bonito. De repente, me falta isso, esse negócio de eu querer ganhar, de eu querer ser o campeão. De repente, me falta isso, porque eu ainda não aprendi. Não quero ganhar para mim, quero ser campeão para o torcedor do Atlético, não para eu ganhar estátua lá e ficar. Quero olhar aqueles caras felizes, como a gente consegue fazer na maioria dos clubes pelos quais passa. Se eu conseguir fazer isso, para mim é como se fosse campeão.

ESTADÃO – É inegável, no entanto, que se você ganhar um grande campeonato, as pessoas vão olhar você de outro jeito…

CUCA – Mas, se eu não ganhar, vou ser vice. E vão falar: ‘Aí, está vendo…’. Eu tenho 49 anos, não tenho 70, não disputei 50 campeonatos. Mas eu não me incomodo, fico feliz que vocês (jornalistas) se preocupem mais com isso do que eu. Então, no dia em que eu ganhar, vocês vão comemorar também. Se bem que já ganhei um Carioca, ganhei um Mineiro invicto, ganhei um Mineiro com o Cruzeiro…

ESTADÃO – E teve aquela campanha inacreditável com o Fluminense em 2009…

CUCA – Em 2009, eu não salvei o Fluminense, mas ajudei numa salvação milagrosa, aquilo é coisa de Deus, ganhar oito e empatar três, sendo que havia ganho quatro em 26. Fui vice-campeão brasileiro em 2010, com o Cruzeiro, e vice em 2012, com o Atlético. Sabe quem foi o campeão nesses dois anos? O Fluminense. Será que se eu não tivesse ajudado a salvá-lo eu teria sido bicampeão brasileiro? Mas aquilo que aconteceu no Fluminense, para mim, valeu mais do que um campeonato brasileiro. Não teve faixa, mas a lembrança daquilo eu tenho muito maior do que uma conquista.

ESTADÃO – Esses rótulos dos quais você se queixa são um obstáculo para um dia você comandar a seleção brasileira?

CUCA – Se você olhar os meus números, vai entender. Se você tem um time de futebol, você me leva para treinar seu time. Mas há outras pessoas que vão preferir outro cara, porque ele é mais simpático, mais alegre, mais extrovertido, se bem que eu me acho um cara simpático, não sou tão rabugento quanto me falam. Mas eu não sou fissurado em ir para a seleção brasileira, não fico pensando: ‘Ah, meu sonho é ir para a seleção’. O meu sonho é ser feliz, e eu fico feliz quando vejo meu time jogar bem e ganhar jogo, isso é a minha felicidade.

ESTADÃO – Você diz que não é fissurado na ideia de ir para a seleção, mas e nos grandes títulos, você é fissurado?

CUCA – Não. É lógico que isso é a consagração de qualquer profissional, eu busco isso e vou conseguir, mas o que eu não tenho nisso é uma fissura, de pensar: ‘Se não ganhar, vou me matar’. De forma nenhuma. A vida é tão boa…

ESTADÃO – Mas aí nós, jornalistas, colocamos em você os rótulos de perdedor, de supersticioso…

CUCA – É, a imprensa rotula porque diz que sou bravo, não dou risada… Aí, quando ganho, diz: ‘Ele não ri’. Diz que eu tenho manias, que eu não deixo dar ré em ônibus. É mentira! Que eu troco de camisa no intervalo. É mentira! Que eu roo unha. Isso é verdade, mas não é superstição, é apenas uma mania. Agora, de resto eles rotulam muito a gente mesmo, por isso eu fico em casa, quieto. Aí eu assisto à tevê porque não estou me incomodando, se falarem, está bom, se não falarem, está bom também.

ESTADÃO – E quando falam que você é azarado, como você se sente?

CUCA – É isso o que eu te digo. Então, eu sou azarado. Por favor, me dê um exemplo de que eu sou azarado! E os caras falam isso. No ano passado, quando a gente estava em segundo e caiu para terceiro, teve um apresentador de um programa importante que disse: ‘Ih, olha a síndrome do Cuca!’. Mas que síndrome minha? Aí voltamos e acabamos vice-campeões ganhando do Cruzeiro e o Grêmio não ganhando do Inter (na última rodada). Aí veio: ‘É, mas o Cuca é vice de novo’. Quer dizer, eu não tenho sossego. E, quando eu for campeão, vão dizer: ‘É, mas ele só ganhou um’. Mas é bom, é bom que falem de mim.

ESTADÃO – Com tudo isso, você se considera menos valorizado do que merece?

CUCA – Não. Não estou generalizando, o pessoal tem falado bem, eu aceito críticas de tudo o que é jeito, positivas e ruins também, quando elas têm o lado que é para a gente evoluir. Tenho muito a evoluir, não sei a metade do que posso saber. Tem gente que sabe tudo e eu não sei a metade. Mas eu acho que esse rótulo que colocam no cara… Primeiro, porque eu dei um soco na mesa num dia em que me roubaram um jogo, não preciso dizer qual foi (derrota do Cruzeiro por 1 a 0 para o Corinthians, na reta final do Brasileiro de 2010). Até hoje vou ao estádio e gritam: ‘Chorão! Chorão!’. Por causa de uma vez! Porque no Botafogo, naquela vez que meteram a mão na gente no Maracanã (derrota para o Flamengo por 2 a 1, pela Taça Guanabara de 2007), meteram a mão, o time inteiro ficou bravo, até hoje é: ‘Chorão!’. Mas é um caso em dois anos e meio em que dirigi o Botafogo. Dois anos e meio de dureza, de dinheiro curto, de atraso de salários, mas de montagem de time, de bater de frente com o Corinthians e perder nos pênaltis na Copa do Brasil (em 2008), de perder nos pênaltis para o Flamengo (final do Carioca de 2007). Tudo com time montado em um mês, ia lá e batia de frente. Aquele Botafogo jogava lindo, é difícil montar um time e bater de frente com os outros times assim, jogando o futebol que a gente jogava.

ESTADÃO – Mas, então, por que o Botafogo liderou boa parte do Brasileiro de 2007 e desabou na reta final?

CUCA – Porque não tinha elenco. Perdemos o Jorge Henrique, que eu peguei no Atlético-PR de graça e valeu uma fortuna, por estiramento. O Dodô caiu no antidoping, o Zé Roberto foi afastado por indisciplina, o Juninho, ou o Lúcio Flávio, teve uma cirurgia. Foram quatro jogadores que não tinham reposição, aí nós ficamos no meio do caminho. Se eu tivesse quatro reposições daquela altura, teria sido campeão, porque eu estava sete pontos à frente do São Paulo, que era o segundo colocado, isso na última partida do primeiro turno.

ESTADÃO – Voltando a falar da sua relação com a imprensa, o que mudou nela por causa dos rótulos colocados em você?

CUCA – Com a imprensa? Não vou mais em programa. Chego em programa e é logo: ‘Ô, Cuca, pode dar ré em ônibus?’. Mas que ré em ônibus? Vamos falar de futebol ou o quê? Minha superstição é rezar, ir à igreja, agradecer à Nossa Senhora. Aí dizem que não deixo dar ré em ônibus, então prefiro não ir em programa. Se é para falar de futebol, de tática, alguma coisa que a gente possa melhorar no futebol, eu vou com o maior prazer. Mas se for para falar balela, não vou.

ESTADÃO – Pelo que você diz, você tem um compromisso com a qualidade do jogo…

CUCA – Muito.

ESTADÃO – Aí é o caso de perguntar: por que tão poucos técnicos no Brasil se preocupam com a qualidade do futebol? Porque, ao que parece, a grande maioria dos treinadores só se importa com os resultados…

CUCA – Bom, você me pergunta por que ninguém se preocupa com a plástica no futebol, e eu digo: é porque não tem tempo! Se você em três ou quatro meses, em um time grande, não começar a ganhar, você cai, pode ser quem for, cai e vem outro. Ninguém tem paciência para esperar. Hoje, eu estou usufruindo de um trabalho que me foi dado e confiado, porque perdi no começo.

ESTADÃO – Mas, então, o Atlético teve essa paciência…

CUCA – Por isso hoje eles estão colhendo, porque confiaram no trabalho e na montagem, que, modéstia à parte, eu sei fazer. Então, hoje a gente tem um pouquinho de cada coisa e está tentando fortalecer o grupo para não cair no erro do Botafogo em 2007. Eu me preocupo muito com isso (a qualidade do futebol), mas se você não tiver tempo, como foi meu caso, eu já teria saído do Atlético faz tempo e entrado outro treinador. De repente, lá no juvenil, no amador, acontece a mesma coisa. Em vez de o pessoal trabalhar bem direitinho a gurizada para subir pronta taticamente, porque nós somos involuídos em relação a lá fora taticamente…

ESTADÃO – De que maneira?

CUCA – Quando você pega um menino em uma peneira, ele fala que joga de nove ou dez. Você acha que alguém diz que joga de cabeça de área? Na peneira, você só ouve: ‘Olha esse guri como tem qualidade técnica, como joga, como pega a bola, olha o chapéu que ele deu!’. E aquele que preenche os espaçozinhos atrás, será que alguém consegue ver isso? Será que a gente não está errado desde lá? Será que lá a gente não tem de priorizar a qualidade do jogo, em vez do título do júnior, ou do juvenil? É isso aí que a gente tem de pensar bem, os dirigentes têm de pensar.

ESTADÃO – Na sua opinião, faltam profissionais de qualidade ou a culpa é da sede de títulos a qualquer custo dos dirigentes?

CUCA – Tudo, eles (os dirigentes) precisam ter a consciência de que lá não se ganha título, lá vai se formar um profissional para ganhar um título grande no time profissional. Lá, se for campeão, ótimo, e se não for, que se trabalhe a excelência do jogo, a qualidade do jogo. É parar de cair, de simular. Não é puxar a sardinha para o meu lado, mas nós tivemos só um jogador expulso no ano, a gente faz dez, 13 faltas por jogo, a gente não estimula isso, a gente estimula o bom futebol. É isso que tem de ser feito.

ESTADÃO – Para terminar, vamos falar de suas duas passagens como técnico pelo futebol paulista. A primeira foi no São Paulo, quando você chegou à semifinal da Libertadores de 2004, e a segunda, no Santos, em 2008, que foi muito ruim. Qual avaliação você faz desses dois trabalhos?

CUCA – Deixa eu começar pelo segundo. Eu fiquei dois anos e meio no Botafogo e fui eliminado na semifinal da Copa do Brasil pelo Corinthians nos pênaltis. Nós treinamos aquele pênalti e o Zé Carlos, o pênalti dele não era aquele, era no outro canto. Tanto que a gente treinou… Ele inverteu o pênalti e o goleiro, o Felipe, pegou. Para você ver como eu lembro até hoje do detalhe. Acabou o jogo no Morumbi, no outro dia eu estava em Santos. Um erro crasso, horrível, ridículo, não podia de forma alguma. Eu fui para o Santos e confundia os nomes dos jogadores e do clube. Muitas vezes nas entrevistas eu falava Botafogo. Eu não podia, depois de dois anos e meio, ter saído e ido lá. Eu tinha de ter dado um tempo para mim, o que agora eu aprendi, passar uns 15, 30 dias em casa, me reciclar um pouquinho, me renovar para ir. Eu fui sem o oxigênio necessário para gastar lá, e não tinha como dar certo, fiquei um mês e meio num lugar maravilhoso, porque eu joguei, fui capitão do Santos e espero voltar um dia porque não foi legal a passagem lá.

ESTADÃO – E no São Paulo?

CUCA – A passagem pelo São Paulo foi boa, maravilhosa. Doutor Juvenal (Juvêncio), doutor Marcelo (Portugal Gouvêa), que Deus o tenha, confiaram em mim, eu e os dois na casa do doutor Juvenal comendo amendoim e tomando um chá. Não era um chá, mas tudo bem… (risos). E ali a gente montou aquela base, 90% dos jogadores que levamos foram depois para o mercado europeu. Depois o São Paulo colheu tudo, não por minha causa, mas por causa do (Paulo) Autuori, por causa do Muricy (Ramalho), que foram os que entraram e colheram. Foi um lugar em que eu gostei muito de trabalhar.

ESTADÃO – Você se sente ao menos em parte responsável pelos títulos que o São Paulo ganhou depois de sua passagem pelo clube?

CUCA – Não. No São Paulo eu tive alguns erros que hoje, quase dez anos depois, eu certamente não teria.

ESTADÃO – Como qual, por exemplo?

CUCA – Eu me demiti do São Paulo de uma maneira absurda. Nós perdemos de 3 a 2 para o Coritiba (pelo Brasileiro de 2004) e eu escutei um comentário dos jogadores no vestiário falando sobre outro jogador, que eu não gostei, e eu me demiti na coletiva. Eu tive uma discussão na época com o Rogério Ceni, que eu acho o maior ícone da história do São Paulo e o melhor goleiro com quem já trabalhei, em que eu estava errado.

ESTADÃO – Como foi essa história?

CUCA – Ele teve uma discussão com meu preparador físico (Omar Feitosa). Era véspera de um jogo da Libertadores no Morumbi, e eu peguei as dores do meu preparador sem saber o teor, e o teor era que ele estava totalmente errado, o meu preparador. São erros que hoje certamente eu não teria, as coisas passam, a gente evolui, graças a Deus reconhece os erros que teve para não errar mais. Hoje eu já não tenho esse tipo de erro.

ESTADÃO – Dizem que até hoje o Juvenal Juvêncio quer levá-lo de volta para o Morumbi…

CUCA – Eu sempre conversei com o doutor Juvenal, até teve uma vez em que o Muricy ficou bravo com uma situação porque a gente conversava sempre sobre jogadores, mas eu nunca liguei (para o dirigente), sempre fui chamado por ele, é uma pessoa que eu aprendi a admirar e respeitar, e gosto dele como pessoa. Mas, de um tempo para cá, a gente não tem mais se falado, em questão de um ano, um ano e pouco a gente não tem se falado.

ESTADÃO – Você tem o desejo de voltar ao São Paulo?

CUCA – Gosto muito de São Paulo em geral, já joguei no Palmeiras, já joguei no Santos, tenho uma simpatia muito grande pela cidade, é o coração do País e um dia eu vou voltar para cá, com certeza.