Por Cleber Aguiar – Palmeiras já traça ‘projeto Série B’ do Brasileirão e pensa na Libertadores

Fonte: O Estado de São Paulo

DANIEL BATISTA , PAULO GALDIERI – O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – Matematicamente, o Palmeiras ainda tem chances de se manter na Série A do Campeonato Brasileiro, mas sabe-se que só um grande milagre garante a equipe na elite nacional. Por isso, a diretoria resolveu jogar a toalha e agir com a razão. Chegou a hora de pensar 2013 com a Série B a ser disputada e um árduo trabalho para montar dois times com caras e valores diferentes.

Kleina terá árduo trabalho para montar equipes diferentes - Filipe Araújo/Estadão
Filipe Araújo/Estadão
Kleina terá árduo trabalho para montar equipes diferentes

O primeiro semestre será proporcional à grandeza do clube, com uma Copa Libertadores pela frente e a promessa de um time competitivo, em que serão mantidos os principais jogadores desta temporada. Reforços de peso também contemplam o projeto. No segundo semestre, tudo muda com a triste realidade de uma Série B pelo caminho.

“Trabalhamos com a possibilidade de ter de montar dois times. Um para o primeiro semestre e outro para o segundo. Temos de pensar nisso, não tem jeito”, admitiu o gerente de futebol, César Sampaio. O problema é conseguir atrair alguns jogadores para disputar a Libertadores e a Série B. “Realmente é difícil convencer um jogador de nível Série A jogar a Série B, mas temos de tentar”, emendou.

Dois nomes certos para 2013, mas que podem fracassar as negociações em caso de queda, são o goleiro Dida e o lateral-direito Ayrton, do Coritiba. Outros três jogadores também estão apalavrados e só dependem da permanência do time na elite nacional.

O fato é que o presidente Arnaldo Tirone não sabe o que fazer. Ele chegou a conversar com Gilson Kleina para que o técnico aproveite as próximas rodadas para definir os últimos nomes de quem deve ou não ficar para a próxima temporada. O problema, porém, é que, paralelamente à situação do time, o dirigente tem se preocupado mais com a política do clube e seu interesse em tentar a reeleição.

Um dirigente confidenciou ao Estado que na derrota para o Coritiba, no dia 11 de outubro, muitos dentro do clube já haviam jogado a toalha. “Acontece que, se admitirmos publicamente que já caímos, o mundo cai em nossa cabeça, porque a verdade incomoda muita gente. Então é melhor não abrirmos o jogo, para evitar mais problemas”, disse o dirigente, pedindo anonimato.

Triagem. A ideia é primeiro fazer uma análise dos jogadores que têm contrato até o fim do ano, casos de Correa, Leandro, Artur, Daniel Carvalho, Obina, Betinho, Román e Fernandinho. Desses, existe o interesse em manter apenas Obina.

Depois, o clube vai mirar nos jogadores com salários mais elevados. É certo que Barcos terá um aumento de salário para permanecer pelo menos até o fim da Libertadores. Resta convencer o argentino de que será um bom negócio. Ele já admitiu que pode sair se o time cair e recentemente foi sondado pela Fiorentina e por um clube do Catar.

Já Marcos Assunção deve renovar contrato por mais uma temporada. Henrique e Wesley devem ficar. Valdivia vai entrar na lista dos negociáveis.

Com a eleição presidencial em janeiro, nem Gilson Kleina está garantido, mas no clube poucos creditam a difícil situação da equipe ao treinador. “Ele é um coitado, que pegou o barco afundando”, disse um dirigente.

Torcida do Palmeiras promete pressão sem violência e isenta Kleina

Membros de organizada dizem que não querem dar motivo para desculpas

Daniel Batista – Estadão

SÃO PAULO – Integrantes da maior torcida organizada ligada ao Palmeiras prometem que não haverá tentativa de agressão contra jogadores ou dirigentes do time e que a pressão para que se evite o rebaixamento acontecerá só com protestos.

 - Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Diferente de outros anos em que o time enfrentou crises dentro de campo, desta vez não haverá retaliações com tentativa de agressão. Para os torcedores que fazem parte das organizadas, esse tipo de atitude só ajuda a tirar o foco daqueles que, por eles, são considerados os verdadeiros culpados pela situação que o time vive no Brasileiro.

Os torcedores também renegam a tentativa da diretoria em impugnar o jogo contra o Internacional. Na avaliação deles, essa medida só serve para envergonhar ainda mais o clube, já que o gol marcado por Barcos e que deu início a toda a polêmica foi feito com a mão.

A indignação contra a diretoria e com alguns jogadores não atinge o técnico Gilson Kleina. Por ter aceitado assumir o cargo quando o time já estava em crise e com uma má campanha em curso, o treinador é absolvido de culpa pelos integrantes da organizada.

Organizadas do Palmeiras exigem a saída de 13 jogadores

Torcedores prometem não deixar diretoria e elenco em paz até o final do campeonato e fazem lista de dispensa

SÃO PAULO – As torcidas organizadas do Palmeiras prometem não dar paz para jogadores e diretoria até o fim do campeonato. E, para mostrar sua indignação, resolveram entregar uma lista de jogadores que eles não querem que fiquem no Palmeiras no ano que vem.

Bruno, Artur, Correa, Leandro, Fernandinho, Thiago Heleno, Leandro Amaro, Román, João Vitor, Mazinho, Luan, Daniel Carvalho e Betinho estão na lista da torcida, que promete pegar no pé desses jogadores caso permaneçam no clube para a próxima temporada.

Foi esta, inclusive, uma das reivindicações dos torcedores que invadiram a concentração da equipe em Recife, antes do jogo contra o Náutico, dia 14 de outubro. A principal organizada promete protesto sem violência, já que o que “tinham de bater, já bateram”, como disse um dirigente da facção.

A intenção da principal organizada é, pelo menos por enquanto, evitar a violência para não desviar o foco e ficar claro que a culpada da crise é a diretoria e qualquer atitude mais agressiva possa servir para desviar o foco.

Por outro lado, existe uma ala mais “xiita” das organizadas que não deve aliviar para ninguém. Ela é em menor número, mas pode oferecer perigo. Na madrugada passada, chegou a pichar os muros da sede social e da loja oficial do clube com ameaças de morte ao presidente Arnaldo Tirone. O dirigente tem andado com mais seguranças do que o normal.

As organizadas pedem a saída de toda a diretoria de futebol, inclusive do gerente César Sampaio, que consideram fraco e sem pulso para assumir o cargo que ocupa atualmente. /D.B. e P.G.

Pressão é cada vez maior sobre a diretoria do Palmeiras

Arnaldo Tirone e outros membros da cúpula têm sido cobrados pessoalmente por sócios e grupos políticos

SÃO PAULO – O peso da má campanha do Palmeiras em campo paira sobre as principais cabeças da diretoria alviverde. Arnaldo Tirone e outros membros da cúpula têm sido cobrados pessoalmente por sócios e grupos políticos internos no clube pela iminente queda no Campeonato Brasileiro.

No último sábado, o presidente foi questionado por membros de uma das mais ativas associações de torcedores palmeirenses na internet. Em tom de ameaça, ouviu que a culpa pela situação do time é toda dele.

Os resultados em campo também já minam as chances de uma reeleição – pretensão que agora o presidente passou a não confirmar mais publicamente, para evitar ser acusado de priorizar a política e deixar os problemas do time em segundo plano.

Antes apoiado por grupos de conselheiros sob influência de ex-presidentes (casos de Affonso della Monica e Mustafá Contursi, artífices de sua vitória, há quase dois anos), agora Tirone vive um isolamento político. A seu lado, permanecem apenas os diretores de maior confiança: o financeiro, Antonio Henrique Silva, o de futebol, Roberto Frizzo, e o jurídico, Piraci Oliveira. São esses cartolas que têm ajudado Tirone nessa reta final de mandato, enquanto os demais grupos políticos preferem adotar uma postura de oposição aberta ou, no máximo, de neutralidade momentânea.

Na mesma medida em que tem sido cobrada, a diretoria tem tentado envolver os jogadores em tudo. Desde a demissão de Felipão, é comum que o elenco seja ouvido antes que algumas decisões estratégicas sejam tomadas. Foi assim no processo de escolha do novo treinador. Emerson Leão foi descartado pelo clube depois do veto dos atletas. Já Narciso, em contrapartida, foi mantido na comissão técnica como auxiliar de Gilson Kleina também por sugestão dos jogadores.

O episódio mais recente da participação dos jogadores nos rumos do time foi a escolha de Presidente Prudente para o último jogo da punição imposta pelo STJD. Foi por um pedido do elenco que a diretoria remarcou a partida contra o Fluminense para o Prudentão, embora considere que jogar em Araraquara, que é uma cidade mais próxima da Capital (250 km, enquanto Prudente fica a mais de 500 km), era melhor para a logística. / D.B. e P.G.

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