ICFUT–Entrevista com Elano

Fonte: uol

Elano comemora boa fase em Porto Alegre e novo momento na carreira profissional

Elano comemora boa fase em Porto Alegre e novo momento na carreira profissional

Elano pede que torcida do Santos apoie Ganso e admite que ficou ‘desamparado’ no clube

Elano atingiu sucesso no Santos e de lá saiu após momentos conturbados. Problemas internos no elenco, ficar fora da final do Mundial por opção de Muricy Ramalho, vida pessoal exposta na mídia, tudo empurrou o meia para fora do clube. Destaque da última Copa do Mundo, menos de dois anos depois, ele viveu incertezas.

Carmelito Bifano/UOL Esporte
  • "Uma mudança sempre gera algo positivo", diz. Elano chegou ao Grêmio em julho e reencontrou o bom futebol. Em Porto Alegre, o meia disputou todos os jogos e é tido como responsável pela boa fase do time.
    Ao contrário do que poderia acontecer, ele mede palavras para falar do Santos. Não quer parecer ingrato com o time que o abriu as portas e descarta ter passado por problemas internos no elenco. De longe, pede apoio da torcida ao amigo Paulo Henrique Ganso – envolvido em negociação e podendo deixar o clube – e sequer cita percalços da vida pessoal.
    "Tive uma história maravilhosa no Santos. Não posso deixar de exaltar a minha gratidão. O meu respeito e o carinho pelo Santos serão sempre muito grande. Por tudo que vivi lá dentro. Agradeço desde o meu primeiro treinador, o Giba, que foi quem me levou para o Santos, até o último que foi o Muricy", disse em bate-papo sincero e descontraído com a reportagem do UOL Esporte nesta terça-feira.

UOL Esporte: Elano, por que você resolveu sair do Santos?
Elano: Tive uma história maravilhosa no Santos. Não posso deixar de exaltar a minha gratidão. O meu respeito e o carinho pelo Santos será sempre muito grande. Por tudo que vivi lá. Agradeço desde o meu primeiro treinador, o Giba, até o último que foi o Muricy. Mas houve alguns desgastes normais e naturais, principalmente quando se trata de Brasil. Às vezes as coisas não saem como a gente queria, principalmente, pela desclassificação na segunda Libertadores. Algumas coisas começaram a recair sobre mim que indiretamente eu não era o responsável. Eu junto com o grupo é que tínhamos a responsabilidade de uma desclassificação e me senti um pouco desamparado. Decidi sair antes de ter uma proposta na mão. Depois meu empresário falou do Grêmio. Conversei com a minha esposa e expus a importância de uma nova oportunidade, de um projeto maravilhoso que o Grêmio tem. Voltar a trabalhar com um treinador e jogadores que conheço… Então, o projeto que o Grêmio ofereceu para a minha família me trouxe muita luz, com novos objetivos e em um novo clube.

UOL Esporte: Houve uma queda de rendimento tua por questões táticas, ou o Muricy Ramalho não soube lidar com as disputas internas do elenco?

Elano: Não sei. É difícil falar de problemas… Não sei se diria problemas. Personalidades, maneiras e jeitos, cada um tem o seu. Eu, particularmente, em todos os clubes que trabalhei ou na seleção, o meu relacionamento com todos sempre foi respeitoso. Não tive problemas no Santos. Não vi problemas internos no Santos se tratando de campo [comissão técnica e jogadores]. Jogar ou não, faz parte do treinador e do jogador, aceitar ou não. Tudo foi bem natural, bem tranquilo, não vejo problema interno.

Boa fase no Grêmio


O torcedor está percebendo que a equipe está querendo. Mesmo nas derrotas, todos viram que buscamos algo mais. E a vitória no Gre-Nal confirmou isso. Não estamos felizes com a situação de 10 anos sem título do clube. Isso incomoda muito os jogadores, mesmo quem chegou depois. Queremos fazer história, acabar com isso

  • UOL Esporte: Foi um marco para você ter ficado fora da final do Mundial de Clubes, contra o Barcelona? Te magoou muito?
    Elano: Lógico que fico triste. A final do Mundial e a semifinal [da Libertadores] contra o Corinthians, no Pacaembu, são situações que pela qualidade que demonstro em grandes jogos acredito que poderia ter ajudado da melhor forma. Mas é o que falei: é um lado respeitoso do jogador com o treinador. Na final do Mundial o Muricy [Ramalho] conversou comigo depois, sobre a escalação, que eu não sabia. Ele conversou comigo no ônibus, antes de entrar no vestiário, por ser um atleta profissional exemplar e que cumpro com as minhas obrigações de forma respeitosa. Isso me deixou contente. Disse para ele que aquele momento tinha que ser de alegria. Que tínhamos que nos fechar, independente de qualquer coisa, pois não era momento de pensamento negativo. As coisas foram muito naturais. A chateação… o jogador fica triste, é normal, mas não houve nada mais do que isso.
    UOL Esporte: Quando no Santos, sua vida pessoal ficou exposta [Elano viveu romance e fim dele com a atriz Nívea Stelmann]. Isso também te prejudicou dentro de campo? Foi bom sair do foco?
    Elano: Toda mudança é importante. Ainda mais se tratando de um clube que eu conhecia todos e conquistei tudo. Às vezes a mudança é importante. Sou tão abençoado e agradeço muito a Deus por estar no Grêmio porque a minha adaptação foi muito rápida. Pelo carinho das pessoas de Porto Alegre. Pela maneira que fui tratado pelos jogadores. Além do principal, que é o time estar jogando bem e vencendo. Estamos bem colocados. Foi importante a mudança por toda essa questão. Agora, o lado da pressão.. foi melhor ou foi pior, confesso que falei muitas vezes… Não me importo muito, pois sempre sigo o meu caminho. O que vem acontecendo comigo desde que cheguei, foram oito ou nove jogos, em um mês e pouco, são coisas normais na minha carreira. Estou muito feliz, pois é esse Elano que eu quero continuar sendo.
    UOL Esporte: Pretende voltar ao Santos um dia?
    Elano: Agora não penso, mas não posso dizer que não voltaria, mesmo que não fosse para jogar, um dia trabalhar, não sei… Como disse, sou muito grato às pessoas que me ajudam. Seria muito ingrato e injusto se eu dissesse que jamais voltaria para o Santos. Como também seria ingrato ao Grêmio de dizer que eu sairia e voltaria. Então, neste momento, nada disso me passa pela cabeça porque quero ter mais cinco ou seis anos de carreira. Respeito muito a minha história no Santos, mas, no momento, a minha cabeça está extremamente focada para a equipe do Grêmio.
Gol marcado em Gre-Nal


Fiz história. É muito bom. Fiz gols em Brasil e Itália, Brasil e Argentina, Brasil e Portugal, Santos e Corinthians, Santos e São Paulo, e agora pude fazer gol em Gre-Nal. Marcar nestes jogos é para a vida toda. Na lembrança e na história do torcedor. Você sai na rua e as pessoas te agradecem

  • UOL Esporte: Tem um caso semelhante ao seu de saída do Santos ocorrendo, que é com o Paulo Henrique Ganso. O que você tem falado com ele, se é que tem, e o que pode ser dito disso?
    Elano:  Falar algo seria muito difícil, pois não sei o que está realmente acontecendo. Se tivesse lá, poderia ser mais claro. Agora, se pudesse pedir, mesmo de longe, seria para a torcida apoiar. Enquanto ele está no Santos, os torcedores têm que dar as mãos a ele. Porque é um jovem, que passou por períodos difíceis como a cirurgia, e queira ou não, tem que ser respeitado por querer estar dentro de campo. Esse é o único recado que gostaria de dar. Para que o torcedor apoie, pois a gente não sabe o que a diretoria faz, não sabe qual a postura dele. Peço que tenham respeito enquanto ele tiver contrato para que possa fazer o seu trabalho em paz. O jogador precisa de paz e tranquilidade para render. A qualidade que ele tem é indiscutível.
    UOL Esporte: Seu caso poderia ser exemplo para ele sair e ser feliz?
    Elano:  Como disse, toda a mudança é uma motivação diferente. Quem pode te responder é ele. Eu e a diretoria do Santos que decidimos minha saída. Tem situações em que precisamos tomar uma decisão. Espero que ele saia pela porta da frente, como ocorreu comigo. O lado do torcedor é importante e ele [torcedor] esteve do meu lado neste período. Às vezes, fico meio receoso de falar das coisas do Santos porque tem muita gente que interpreta as de várias maneiras. Jamais vou querer ser ingrato e a torcida do Santos sempre me apoiou nos momentos difíceis. Com o Paulo Henrique, peço as mesmas coisas. Vi agora no Pacaembu, contra o Palmeiras [Ganso foi vaiado], e fiquei muito chateado porque eu acho que ele não merece.
Lesão na Copa do Mundo


Me preparei, fiquei um ano me preparando, sem contar Eliminatórias, Copa América e amistosos.Tive oportunidade de fazer dois jogos e marcar dois gols. Tinha altas expectativas. Fiquei muito feliz que fui colocado na seleção da primeira rodada e estava na segunda.Com o Brasil avançando, tinha a possibilidade de ganhar algum prêmio. Disputar o título de uma Copa do Mundo, poder ser campeão. Tudo passou naquele momento e, para mim, tudo isso ficou para trás. É muito triste, mas bola para frente, a vida continua

  • UOL Esporte: Pelo desempenho que deste ao time, o Grêmio é, hoje, ‘Elanodependente’?
    Elano: Eu me vejo uma peça importante no Grêmio, mas vejo os jogadores totalmente empenhados. Hoje, até aqueles que não jogam estão totalmente empenhados, focados e concentrados para conquistar as vitórias. Com a minha chegada e com a qualidade e a inteligência de jogadores como Gilberto [Silva], Zé Roberto, de conduzir…  Temos a possibilidade de fazer uma história maravilhosa no Grêmio. Porque é um estádio que vai ser demolido e temos a possibilidade de fazer história aqui e começar uma nova dentro do outro. O que eu fiz no Santos, nem quando eu morrer vai ser apagado. A história vai continuar. Estamos construindo uma historia muito bonita aqui e esperamos um final feliz. Não vejo um Grêmio dependendo só de mim. Me vejo como uma peça importante, mas o Grêmio é mais que isso.
    UOL Esporte: Com a boa fase no Grêmio, você volta a pensar em seleção brasileira?
    Elano: Esse é o meu objetivo. Seleção é uma consequência. Se continuar fazendo o que venho fazendo no Grêmio e a gente continuar com uma grande sequência de vitórias, brigar por títulos, a seleção é consequência. Para a seleção brasileira tem que ir os melhores naquele momento. Respeito todas as convocações, mas vou buscar a minha. A Copa do Mundo está logo ali. Tive a possibilidade de fazer uma grande Copa do Mundo, não consegui acabar por uma fatalidade, mas o meu objetivo é poder voltar.
    UOL Esporte: E a adaptação a Porto Alegre….
    Elano: A adaptação foi muito fácil, pois a cidade tem muita qualidade. Se come muito bem. As minhas filhas estão extremamente adaptadas na escola. Fiz a minha mudança. Fiz amigos e conheço os lugares. É uma cidade pequena, as coisas são próximas e isso é muito gostoso. Onde vou tenho o carinho das pessoas. Independente de serem torcedores do Grêmio, todos têm um respeito muito grande pelo meu trabalho. Isso é muito gratificante. Então, quando tudo isso acontece, a cabeça e o coração ficam limpos para trabalhar.
    UOL Esporte: Você percebe ter a característica do futebol gaúcho… pegada, marcação…
    Elano: É bem engraçado, pois vocês que acompanham a história dos times do Grêmio sabem que eles são bem aguerridos. Times dedicados no posicionamento, força, mas que sempre tiveram qualidade técnica. Mesmo assim, os meias que têm essa qualidade também marcam. O Zé Roberto é extremamente importante. A gente brinca que somos dois meias e marcamos. Às vezes, marcamos os volantes como eles nos marcam. Isso é importante e o equilíbrio está nessa versatilidade. O Zé tem muito isso. Ele é impressionante.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s