Por Cleber Aguiar – Crise do São Paulo FC !

Fonte: O Estado de São Paulo

Pilares são-paulinos não se sustentam

Meta para 2012 era montar um grande time, iniciar um megaprojeto para o Morumbi e obter um patrocinador de peso. Até agora, obras tímidas no estádio

PAULO GALDIERI – O Estado de S.Paulo

Ao final do ano passado, depois de amargar a terceira temporada seguida sem títulos e de ter ficado sem a vaga na Taça Libertadores deste ano a diretoria do São Paulo se reuniu para balanço.

Rogério Ceni assiste ao gol contra que marcou - Aldo Carneiro
Aldo Carneiro
Rogério Ceni assiste ao gol contra que marcou

No encontro do Conselho Deliberativo, uma turma de conselheiros apresentou um manifesto em que apareciam três pilares fundamentais para que a temporada de 2012 não repetisse o fiasco de 2011:1) Montar um time competitivo e renovado, gastando dinheiro com contratações e não apenas aproveitando negócios de ocasião; 2)Iniciar o projeto de reforma do Estádio do Morumbi; 3) Obter uma receita recorde com patrocínio de camisa. A diretoria aceitou o desafio.

Mas eis que, oito meses depois de iniciar a busca pela construção da tríplice base idealizada para sustentar os próximos anos de conquistas e manutenção do time na vanguarda do futebol, quase nada saiu como o esperado pelos cartolas são-paulinos.

Dois dos três pilares (time competitivo e patrocínio milionário) não vingaram até agora.

A equipe, revitalizada pelo presidente Juvenal Juvêncio, com a contratação de jogadores que, ao todo, consumiu mais de R$ 40 milhões, não resultou em um time com regularidade capaz de transformá-lo em um “papa títulos”. Depois da troca de técnico, da contratação de novos atletas no meio da temporada e da promoção de promessas das categorias de base, o São Paulo patina no Brasileiro e já falhou na Copa do Brasil (seu maior objetivo).

A avaliação interna até agora é de que houve um erro de conceito na montagem da equipe. Conselheiros se queixam que a diretoria reforçou mal o sistema defensivo -setor que nos anos seguidos de conquistas (2005 a 2008) era o ponto forte do time.

O técnico Ney Franco já fala que a reação do time precisa ocorrer agora. E talvez até esteja atrasada. “Para conseguirmos uma vaga na Libertadores a nossa reação já está retardada.”

Com relação ao patrocínio, os departamentos envolvidos na busca por parceiros têm relatado dificuldade de fechar negócios com valores altos, conforme o estipulado. E um dos problemas é justamente o rendimento da equipe. Nem com a ajuda do empresário Roberto Justus o São Paulo conseguiu atrair um novo patrocinador principal para sua camisa, disposto a desembolsar algo entre R$ 35 milhões e R$ 45 milhões por ano.

O terceiro pilar da reviravolta tricolor (a megarreforma do estádio) foi o que mais se desenvolveu, mas teve um avanço bem mais tímido do que o esperado.

Lançado com pompa no fim do ano passado, o projeto de reforma do Morumbi previa a cobertura do estádio, a construção de uma arena multiuso para 25 mil lugares, um hotel e um novo memorial de troféus.

O grosso da obra, que engloba justamente a cobertura e será tocada pela empreiteira Andrade Gutierrez, no entanto, ainda não pôde sair do papel por problemas com autorizações de órgãos públicos. A previsão inicial era de que no máximo em maio a construção deveria começar.

“Ainda dependemos de algumas autorizações. Essa parte não depende da gente, então temos de esperar. Mas temos feito outras coisas, como a troca das cadeiras de madeira em todos os setores”, disse o vice-presidente Roberto Natel, que acompanha a reforma.

O projeto do hotel, idealizado para fazer parte da engenharia financeira que fecha a conta da obra, foi obrigado a ser engavetado momentaneamente porque não houve avanço nas promessas de políticos para a alteração na Lei de Zoneamento do bairro do Morumbi, necessária para o empreendimento.

O ano planejado pelo São Paulo ainda não saiu do papel. E a cada mês que passa, a tarefa de levantar os três pilares em 2012 tem se tornado mais difícil.

SÃO PAULO. Ney Franco estuda voltar a usar o esquema 4-4-2

Cartolas estão preocupados com futuro de Rogério Ceni

Após a falha grotesca do goleiro, o sentimento entre a cúpula do time é de dúvida: Ceni vai se recuperar em campo?

Por seis meses, a volta de Rogério Ceni aos gramados foi um dos momentos mais aguardados pelos são-paulinos em 2012. Não à toa, seu retorno, contra o Flamengo, levou mais de 40 mil torcedores ao Morumbi.

Pois agora, depois de três partidas – com três derrotas -, algumas falhas e um lance bizarro e impensável de ser protagonizado pelo capitão são-paulino há alguns anos, já se discute no Morumbi a situação do maior ídolo do time tricolor.

Ontem, um dia depois da derrota para o Náutico com a grande falha de Rogério na saída de gol, o sentimento entre cartolas no Morumbi era uma mistura de tristeza e dúvida. Tristeza por ver o ídolo em má fase, num time em má fase.

“Quando a fase é ruim até o Rogério está indo mal”, disse um conselheiro ao Estado, que pediu para não ser identificado.

Mas o problema, de fato, vem com o outro sentimento entre os são-paulinos: a dúvida. No caso, a de saber se Rogério terá condições de, aos 39 anos, se recuperar em campo e poderá ajudar o time, ou ao menos evitar que as falhas aconteçam.

Publicamente, a diretoria do São Paulo deixa Rogério à vontade para decidir o momento de parar. “Com relação a isso estamos bastante tranquilos. Essa é uma decisão do Rogério”, chegou a dizer o vice de futebol, João Paulo Jesus Lopes, ainda no período em que o capitão se recuperava da cirurgia no ombro direito e se preparava para estrear na temporada.

O contrato do goleiro vai até o final deste ano e a diretoria deixa aberta a possibilidade de uma renovação para pelo menos mais uma temporada.

Rogério já declarou que sua aposentadoria está condicionada à manutenção de boas performances em campo e também ao São Paulo montar equipes em condições de disputar títulos – o sonho do capitão do time é encerrar a carreira após disputar mais uma vez a Taça Libertadores, no ano que vem.

Liderança. Com ou sem falhas em campo, a diretoria do São Paulo acredita que não pode abrir mão de Rogério no elenco. A falta de um líder, tanto durante as partidas como fora do campo, foi um dos problemas identificados como mais graves e fundamentais para a eliminação do clube na Copa do Brasil e no Campeonato Paulista, no primeiro semestre da temporada.

A volta do veterano foi muito comemorada por seus companheiros, sobretudo pelos mais pressionados, como Luis Fabiano, que sempre se queixou da ausência de outros com quem dividir responsabilidades. / P.G.

Reforços no ataque animam Ney Franco

No meio da enxurrada de problemas e do agravamento da crise são-paulina, Ney Franco pelo menos ganhou duas boas notícias já para o jogo de sábado e espera receber uma terceira antes da partida pela Sul-Americana, contra o Bahia, no meio da semana que vem.

Contra a Ponte Preta, no Morumbi, o São Paulo poderá ter um ataque novo e reforçado. Lucas e Oswaldo estarão à disposição de Ney Franco e devem fazer a dupla titular, com a missão de achar os gols que faltaram nas últimas três rodadas do Brasileirão, em que o time acumula três derrotas seguidas.

O retorno mais comemorado é o de Lucas. O garoto, já vendido ao Paris Saint-Germain, volta para seus últimos cinco meses com a camisa tricolor – ele desfalcou o time por dez partidas. Será a primeira vez, desde que chegou ao clube, que Ney Franco poderá escalar o meia.

A situação de Oswaldo ainda está indefinida. Ele está fora de combate desde a derrota para o Vasco, no dia 18 de julho e não sabe se volta ao time como titular, mas sua convocação para a partida de amanhã, em que uma vitória é urgente, foi confirmada pelo treinador.

O atacante sofreu a contusão muscular justamente no momento em que recebia a primeira chance de fazer uma sequência de jogos como titular. Com Leão, Osvaldo, que é uma das principais apostas da diretoria na temporada, nunca conseguiu espaço para atuar.

Quanto ao retorno de Luis Fabiano, o treinador deve esperar mais um pouco. O atacante só deve ter condições de voltar a jogar no compromisso seguinte do São Paulo, pela Copa Sul-Americana, contra o Bahia, no Morumbi.A ideia de Ney Franco é que o time consiga voltar ao prumo nessas duas partidas para que tenha condições de enfrentar o Corinthians, na última rodada do primeiro turno do Brasileiro, sem tanta pressão.

“Depois do jogo com o Bahia as coisas devem clarear para nos”, diz.

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