Por Cleber Aguiar – Futebol amador vira alternativa para craques que deixaram os campos pela família

Fonte: Portal Uol

Bruno Doro 

O Brasil pode transformar os craques do futebol em jovens milionários. Mas o país do futebol também pode ser muito cruel com quem talento com a bola no pé. E o futebol de várzea é o maior exemplo disso. Na Copa Kaiser, o principal torneio de futebol amador, não faltam exemplos de atletas que tinham chance de se tornar jogadores profissionais, mas foram obrigados a deixar o sonho para sustentar a família.

“Tem muito jogador na várzea que poderia jogar profissionalmente. O problema é que, para começar, o garoto precisa apostar no futebol. Até começar a ganhar bem, você passa por períodos difíceis, ganhando pouco, em times pequenos. Muitos não podem apostar”, explica o volante Axel, que teve uma grande carreira no futebol profissional e hoje coordena as divisões de base do Jabaquara, tradicional equipe da Baixada Santista.

Durante a cobertura da Copa Kaiser, o UOL Esporte ouviu várias histórias assim. Confira algumas:

DIEGO: CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL DEIXA O FUTEBOL PARA SER PROFESSOR

O zagueiro Diego foi campeão da Copa do Brasil em 2004, pelo Santo André. O que poderia ser o início de uma carreira vitoriosa, porém, marcou o adeus à profissão. Em 2005, Diego se aposentou do futebol profissional. “Fui campeão, mas meu contrato terminou. Recebi propostas de times do interior de São Paulo e do nordeste, mas ligava para os amigos, perguntava como estava por lá e eles falavam em salários atrasados. Eu tinha acabado de me casar, minha filha estava para nascer. Não podia apostar em uma carreira que podia me deixar tanto tempo sem ganhar dinheiro. Foi aí que me inscrevi em um concurso público”. Hoje, Diego é professor de educação física e segue jogando na defesa. Disputou a Kaiser pelo Adega, eliminado na terceira etapa.

LEANDRO: ATACANTE DEIXA OS GOLS DE LADO PARA SUSTENTAR O FILHO

Outro exemplo é Leandro, jogador do Benfica, da Vila Maria, que está disputando a Série B Kaiser. Descoberto quando jogava salão, chegou à várzea em 2006. Pelas mãos do técnico Índio, que comandou o Leões da Geolândia no título da Copa Metropolitana de 2005 e trabalhava na escolinha do Benfica na época, chegou às divisões de base do Paraná Clube. Ficou em Curitiba até 2009, quando passou a rodar pelo interior do país. Passou por quatro times diferentes em dois anos. “Mas quando meu filho nasceu, tive de parar. Com a responsabilidade, não dá para seguir pulando de cidade em cidade sem saber se vai ter salário no fim do mês”.

SARRAFO: FAMÍLIA GRANDE FAZ SONHO PROFISSIONAL DURAR POUCO

Meio-campista de respeito, Sarrafo tem 1,93 m – altura que rendeu a Wannuyck Pereira Junior o inusitado apelido – e muita qualidade com a bola no pé. Ele é meia do Napoli, da Vila Industrial, campeão da Copa Kaiser de 2002 e sensação da edição atual. Jogou na Segunda Divisão do Campeonato Paulista – que equivale à quarta divisão – pelo São Vicente, mas disputou apenas duas temporadas. “Até que fiz bons campeonatos. Como meia, marquei sete gols em um ano. Mas desisti por opção. Precisava ajudar a família, que é grande. Tenho nove irmãos. E o salário no futebol era muito baixo. Aliás, nem salário era. Era ajuda de custo. Hoje, ganho muito melhor”, diz o jogador, que, durante a semana, é técnico de uma empresa de telefonia.

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