ICFUT–Entrevista com Montillo

Fonte: lancenet

Montillo: ‘Minha valorização salarial foi merecida. Cada um briga por seu interesse’

Em entrevista ao LANCENET!, craque comentou o interesse de outros clubes em seu futebol e os dois anos de Cruzeiro

Montillo - Treino do Cruzeiro (Foto: Gil Leonardi) Montillo conversou com a equipe do LANCENET! na última semana (Foto: Gil Leonardi)

Dois anos como jogador do Cruzeiro. Montillo atinge essa marca nesta segunda-feira. O meia-atacante chegou a Belo Horizonte como a solução para a camisa 10 celeste e, até o momento, o resultado é satisfatório. A sua estreia aconteceu apenas em 15 de agosto de 2010, contra o São Paulo, no estádio do Morumbi. A demora ocorreu porque, no período em que ele foi anunciado pelo clube celeste, era disputada a Copa do Mundo na África.

Se, por um lado, o argentino precisou de um bom tempo para estrear com a camiseta estrelada, por outro, o carinho dos torcedores cruzeirenses foi instantâneo. Foram necessários poucos jogos para o craque se tornar um verdadeiro xodó. E a afeição dos apaixonados pelo clube não acabou. Tudo isso é devido aos bons números do atleta na Raposa. Até o momento, são 33 gols em 96 partidas. Essas estatísticas fazem dele o maior artilheiro estrangeiro da História celeste.

Embora tenha atingido feitos inimagináveis, Montillo ainda não se considera ídolo do Cruzeiro. Para o jogador, é necessário pelo menos um grande título para atingir esse patamar.

– Eu não atingi esse nível. Preciso conquistar um título importante dentro do clube – destacou o jogador.

Montillo comentou isso e muito mais em uma entrevista exclusiva ao LANCENET!. Confira, abaixo, o bate-papo do craque argentino com a nossa equipe de reportagem:

LANCENET!: Há dois anos, você deixou a Universidad de Chile e foi anunciado como jogador do Cruzeiro. O que mudou do Montillo que chegou a Belo Horizonte para o Montillo de hoje em dia, sobretudo no âmbito profissional?
O meu futebol de hoje é o mesmo da época em que eu cheguei ao Cruzeiro. Acho que não mudei em nada, sempre fiz isso nos outros clubes. Quem me acompanhou na La U, sabe que sempre joguei esse futebol. Não mudei em nada na minha maneira de jogar. Sempre ajudei na marcação, busquei a bola no campo defensivo. Isso é normal para mim. A única diferença de hoje para aquela época é que, atualmente, todos já sabem como eu gosto de jogar, como é a minha movimentação. Isso facilita a marcação do adversário, mas cabe a mim buscar alternativas para fugir dos marcadores.

LANCENET!: Então, você pode dizer que amadureceu?
Claro. Na vida, nós sempre buscamos melhorar, sempre mudamos. A expectativa é crescer, mudar para melhor. Acho que amadureci desde que cheguei ao clube.

LANCENET!: A vinda para Belo Horizonte correspondeu às suas expectativas?
Correspondeu, sem dúvida. Aliás, acho que até superou. Não esperava que fosse tão bom assim. É uma cidade maravilhosa, com um povo agradável e os torcedores do Cruzeiro são muito apaixonados. É fantástico morar aqui. Agora, melhorou ainda mais. Voltamos para a cidade e jogamos no estádio Independência, que será a nossa casa daqui para frente. Para mim, foi muito importante voltar para a capital. Desde que cheguei, sempre jogamos fora daqui, rodamos todo o estado e nunca encontramos um torcedor tão identificado. É normal, estamos na cidade do clube. Aquele jogo contra o Figueirense ficou marcado na minha memória.

LANCENET!: Você e seus familiares estão em Belo Horizonte há quase dois anos. Já se sentem totalmente adaptado à cidade?
Sim, estamos muito adaptados. Meus filhos já freqüentam a escola e já têm alguns amigos na cidade, o que é sempre muito importante. Eu e minha mulher também temos vários amigos. Sempre aproveitamos para sair com eles, o que nos ajudou na adaptação a Belo Horizonte. Não é uma cultura muito diferente da Argentina. Obviamente, tem coisas que são distintas, mas no geral, é mais ou menos a mesma coisa.

LANCENET!: O que você e seus familiares mais gostam de fazer na capital mineira?
Costumamos sair com amigos, freqüentar shoppings, ir a restaurantes… Jogador de futebol tem raros momentos de folga, então precisa aproveitar para sair com a família. Quando posso descansar um pouco, esquecer o futebol, saio com eles. É uma oportunidade para sair da rotina de viagem e trabalho.

LANCENET!: Você estreou pelo Cruzeiro contra o São Paulo, em agosto de 2010. Lembra daquele jogo?
Lembro muito bem desta partida. Foi uma das mais importantes que tive com a camisa do Cruzeiro. Estávamos perdendo por 2 a 0, dentro do Morumbi lotado e quase viramos. Felizmente, fizemos um bom jogo e marcamos dois gols. Não tem como eu esquecer uma partida que marcou a minha estreia pelo clube. Naquela oportunidade, mostrei um bom futebol e ajudei muito a nossa equipe. Não tinha como eu me esquecer de um dos meus melhores jogos com a camisa do clube.

LANCENET!: Você disse que aquele jogo da estreia foi um dos mais importantes da sua passagem no clube. Sabe dizer qual foi o mais importante?
Não dá para apontar apenas uma partida como a mais importante da minha passagem no Cruzeiro. Eu tenho quase dois anos de clube, é quase impossível escolher apenas um jogo. Os jogos que mais me marcaram foram os da Copa Libertadores do ano passado. Mas ainda assim é difícil escolher apenas um. Tem um jogo que me recordo muito bem. Contra o Estudiantes, que tinha sido campeão recentemente do torneio, nós aplicamos 5 a 0. Foi uma marca inacreditável. É sempre muito difícil vencer um time forte como o Estudiantes e nós fizemos cinco gols. Essa foi uma das partidas mais importantes que fiz com a camisa do Cruzeiro.

LANCENET!: Hoje, você é o maior artilheiro estrangeiro da História do Cruzeiro. Qual o sentimento de ocupar este posto?
Eu fico muito feliz com essa posição. É muito importante chegar a uma marca como essa. Quando cheguei a Belo Horizonte, sequer imaginei que seria o maior artilheiro estrangeiro da História do clube. Estou feliz com essa marca. É uma satisfação enorme, não dá para descrever. No fim da minha carreira, vou olhar para trás e relembrar tudo de bom que passei com a camisa do Cruzeiro. Isso ficará guardado para sempre e o meu nome estará na História do clube, sempre. Estou muito satisfeito.

LANCENET!: Você renovou contrato com o Cruzeiro até 2015. Pretende encerrar sua carreira em Minas Gerais?
Ainda é cedo para dizer que vou encerrar a carreira no Cruzeiro. Hoje, tenho apenas 28 anos. No fim do meu vínculo com o clube, terei 31 anos. Acho que ainda terei muito tempo no futebol quando meu contrato se encerrar. Se eu vou continuar no Cruzeiro até o fim da carreira, eu não posso dizer. Isso vai depender da época. Quando terminar meu contrato, vou conversar com o presidente e passar o que eu acho. Se ele quiser renovar comigo, ele vai me procurar e me dar a valorização que eu mereço.

LANCENET!: Você recebeu uma valorização salarial enorme nesse contrato…
Acho que foi merecido. Cada um tem que brigar pelo seu. Foi um acordo, eu não cheguei e impus a diretoria um valor. Não obriguei ninguém a me dar um valor exorbitante. Pedi algo dentro da realidade e que merecia, tive mérito por isso. Todos os jogadores que se dedicam, que se entregam, merecem uma valorização. Quem acha que deve ser mais valorizado, tem que chegar ao presidente e pedir para ser mais valorizado. Isso é absolutamente normal. Eu conversei com o presidente, expliquei a minha situação e ele me valorizou o tanto que poderia me valorizar. Ele teve a escolha dele e meu uma valorização merecida.

LANCENET!: Depois de tanto tempo se destacando pelo time celeste, já se sente ídolo do clube ou acha que ainda é necessário conquistar um título de expressão?
Ainda não posso ser considerado ídolo do Cruzeiro. Sei do carinho que a torcida tem por mim, mas ídolo é uma palavra muito forte. Eu não atingi esse nível. Preciso conquistar um título importante dentro do clube, passar um pouco mais de tempo aqui, para chegar a esse patamar. O carinho que a torcida tem por mim é maravilhoso, é algo que me deixa muito feliz. Sou muito agradecido a tudo isso, mas não tem como ser considerado ídolo sem um título importante.

LANCENET!: Este título pode ser o Brasileirão deste ano?
Pode ser a Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro ou até a Copa Libertadores… Tenho que conquistar um título importante para chegar a este patamar de ídolo. Sei do carinho da torcida por mim, mas ainda não me considero um ídolo do clube.

LANCENET!: Por estar atuando em alto nível em um dos campeonatos mais difíceis do mundo, você sonha com uma convocação para a seleção argentina?
Esse é meu sonho, jogar pela seleção argentina. Trabalho todo dia e trabalho muito forte, pensando sempre nisso. Desde que cheguei ao Cruzeiro, estive na seleção apenas uma vez. Vou continuar fazendo o meu trabalho, lutando todos os dias, porque quero retornar à seleção. Se o técnico (Alessandro Sabella) da Argentina quiser contar comigo, vou com todo o prazer, porque esse é um dos meus sonhos.

LANCENET!: A história sobre uma possível transferência para o Corinthians ou o São Paulo ficou totalmente no passado? Esta situação te atrapalhou de alguma maneira?
Atrapalhou a minha relação com os torcedores do Cruzeiro pela maneira como as coisas foram conduzidas. Falaram demais, escreveram demais naquela época. Colocaram que eu queria sair do Cruzeiro, quando eu nunca tinha dito isso. Em momento algum, conversei com ninguém, nunca falei que gostaria de sair. Deixei o meu empresário (Sergio Irigoitia) conduzir todas as negociações. Então, para mim, como jogador de futebol, não teve problema nenhum. Continuei fazendo o meu trabalho, me dedicando como jogador, que é a minha função, a minha obrigação. Os clubes fizeram propostas ao presidente do Cruzeiro, que achou melhor me segurar aqui no clube. E isso já era, o futebol é dinâmico. As coisas mudam. Não posso ficar pensando no que aconteceu. Tenho que pensar no agora, sempre mirando o futuro.

LANCENET!: Como avalia o trabalho do Celso Roth até aqui?
Ele está procurando o melhor e achando o melhor do Cruzeiro. Não sei como falar, mas taticamente o time não estava bem. O time não conseguia fazer marcação boa, marcação sob pressão. Nesse período do Celso, o time taticamente está muito bem, e há a nossa vontade de sempre querer melhorar.

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