Por Cleber Aguiar – Arqueologia Olímpica : Bola de Capotão

Fonte: Folha de São Paulo

Lucas, do São Paulo, brinca com bolas de 1925 chutadas por Arthur Friedenreich e se inspira para ouro olímpico

MARCEL MERGUIZO
DE SÃO PAULO

Bola de meia, bola de papel, bola de capotão. Não importa. Sempre há um menino, um moleque, que desperta dentro de quem brinca com uma bola.

Lucas encontrou o passado ao ver bolas de 1925 utilizadas na excursão do Clube Athletico Paulistano à Europa naquele ano.

O couro inflado, costurado a mão, chutado por Arthur Friedenreich, entre outros, é dos objetos mais raros do museu do clube e virou brinquedo nos pés do são-paulino.

“A bola é minha parceira, minha grande amiga desde criança. Dormia e acordava com uma bola, sempre correndo atrás, em casa, no quintal”, recordou Lucas, pré-convocado para Londres.

A capital britânica, aliás, sediou a primeira disputa olímpica do futebol entre seleções em 1908. Antes, em Paris-1900 e Saint Louis-1904, o torneio foi exibição, com clubes em campo.

Tempo de amadorismo em que as bolas se deformavam e dificultavam o jogo de craques como Friedenreich, ídolo do São Paulo na década de 1930, como Lucas é hoje.

“Dá para ter uma noção de como era complicado naquela época e o quanto evoluiu”, disse Lucas, que testou a bola em campo do Paulistano.

“O material é totalmente diferente. A maior dificuldade é o peso. O couro é muito pesado. Quando chovia, o peso devia dobrar. Atualmente, cada detalhe, cada costura é diferente. Se hoje é difícil, imagino antigamente”, afirmou o atleta, 19, que só viu bolas tão antigas em museu. Hoje, segundo a Fifa, elas pesam entre 420 e 445 gramas.

“Eu já respeitava bastante [jogadores do passado], mas, quando se descobre essas coisas, como o material que eles tinham à disposição, você passa a respeitar mais.”

Mesmo murchas, as bolas rolaram na grama (artificial) e foram controladas pelos pés (com chuteiras de alta tecnologia) de Lucas em rápidas embaixadinhas, como se fossem as atuais, sintéticas, impermeáveis, com colagem térmica e, até, mais redondas.

“Eu sempre quero jogar, independentemente da bola. Já fui moleque, qualquer bola de meia, de papel, o que tivesse, a gente se divertia.”

Em Londres, Lucas pode repetir Friedenreich na vitoriosa excursão de 1925 à Europa. Divertir-se, neste caso, é voltar ao Brasil com o inédito ouro olímpico do futebol.

“Olimpíada é minha grande meta, sonho acordado, todo dia. Quero trazer esse tão sonhado ouro olímpico.”

Um pensamento sobre “Por Cleber Aguiar – Arqueologia Olímpica : Bola de Capotão

  1. tenho uma bola dessas de 1964 autografada pelo Pelé, quando ele não assinava como Pelé e sim como Edson Arantes do Nascimento. Jogo de Botafogo de Sao Paulo 0 x 11 Santos. Pelé fez oito gols com esta bola.

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