ICFUT – ENTREVISTA DA FOLHA : LUÍS ÁLVARO X MÁRIO GOBBI

Fonte: Folha de São Paulo

Frente a frente

Folha reúne cartolas de adversários da Libertadores para conversa no Pacaembu

BERNARDO ITRI
DO PAINEL FC

Pouco tempo antes do jogo que vai levar Corinthians ou Santos à final da Libertadores, presidentes dos dois clubes ficaram frente a frente, em encontro promovido pela TV Folha.

Entre as diversas troca de elogios que um fazia ao outro, o corintiano Mário Gobbi e o santista Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro falaram sobre o primeiro jogo, arbitragem, doação de ingressos a organizadas e de uma suposta ajuda da CBF para o time de seu diretor de seleções.

Folha – Acham que a CBF, ao não convocar jogadores corintianos e ter chamado o Neymar para os últimos amistosos, favoreceu o Corinthians para a semifinal?

Luis Álvaro – Os clubes são a grande força motriz do futebol brasileiro. Damos assistência, remuneramos o atleta e damos todas condições. A CBF não tem participação na criação de um talento. O caso Neymar é emblemático. Um garoto que desequilibra, mas quando você submete a uma carga de exigências psicológicas, reflexos são inevitáveis.

Folha – O Andres Sanchez disse que era só pedir a desconvocação

LAOR – Então ele foi injusto. Liguei para ele e pedi para ele falar com o Mano. Eram quatro amistosos que não tinham importância especial. Mas não acho que houve favorecimento.

Mário Gobbi – O Corinthians é quase nada favorecido. Acho que o Santos paga um ônus de ter um time com craques.

Folha – Concordam em a Conmebol escalar árbitros brasileiros?

MG – O Luis Alvaro me telefonou para saber disso, que na visão dele seria muito bom. E eu disse a ele que concordava plenamente. E enviamos ofício à Conmebol pedindo que escalassem árbitros brasileiros.

LAOR – Fui até no vestiário cumprimentar o juiz após o jogo.

Folha – Vocês têm dado ingressos às torcidas organizadas?

LAOR – As organizadas são insumo do espetáculo. Faço questão de estimular a presença de quem é absurdamente apaixonado pelo clube. Eu sentei com as lideranças e fiz um pacto. Não boto dinheiro na mão das organizadas, mas disponibilizo uma determinada carga de ingressos. Em troca, respeito ao adversário.

Folha – O Tite pode ser demitido caso seja derrotado?

MG – Pode perder Libertadores e Brasileiro que não mando embora. Eu sei o comando que ele tem, a competência técnica e tática. O Corinthians não quer mais mandar técnico embora.

Folha – Quais são seus palpites para o jogo de quarta?

MG – Só quero que o Corinthians não erre quase nada.

LAOR – Meu pai me ensinou uma sábia lição. Se o Mário quiser apostar, aposto no Corinthians. Por uma razão simples: se o Corinthians ganhar, eu vou ficar chateado que meu time perdeu, mas vou ficar aliviado porque ganhei uma grana.

Por Cleber Aguiar – Itaquerão vira templo para 62 casamentos

Fonte: O Estado de São Paulo

Iniciativa da empreiteira encarregada de construir o estádio do Corinthians reúne casais para o dia do “sim”

JÚLIA FERNANDES – O Estado de S.Paulo

O Itaquerão, estádio do Corinthians em construção em Itaquera, zona leste da cidade, foi palco de um casamento coletivo que reuniu 62 casais para um “sim” simultâneo na manhã deste domingo, 18.

O grande casório foi iniciativa da Odebrecht, construtora encarregada da obra. Segundo o gerente operacional, Frederico Barbosa, a partir dos dados dos recursos humanos a empresa percebeu que havia uma série de casais em uma união estável não oficializada e, em uma reunião há quatro meses, surgiu a ideia de fazer um casamento.

Dos 1820 trabalhadores que estão ajudando a erguer o Itaquerão, 62 conseguiram juntar os papéis a tempo de se casarem.

A cerimônia estava marcada para às 10h, mas às 9h o estádio já estava lotado de noivas ansiosas. O espaço para a união civil foi uma área usada normalmente para o lazer dos funcionários. Os casais, que puderam levar dois padrinhos e quatro convidados, assinaram os documentos e um a um foram chamados para responder à tão esperada pergunta. Provavelmente os que estavam esperando há mais tempo eram o operário Luiz Pedro de Souza, de 49 anos, e a doméstica Maria Neli dos Santos, de 51, que estão casados há 30 anos mas nunca oficializaram a união.

“Ofereceram essa oportunidade e fomos no embalo. É emocionante estar casando no estádio, porque sou corintiano desde que comecei a trabalhar aqui”, comentou Luiz, emocionado. O casal tem dois filhos, Raquel, de 27 anos, e Igor, de 15, que foram assistir ao casamento dos pais.

A cerimônia religiosa, em uma quadra onde os funcionários jogam bola no tempo livre, foi dividida entre católicos e evangélicos. E foi neste campo de grama sintética que Carlene Antonia, de 19 anos, aceitou se tornar esposa do primeiro namorado, o operário Paulo Souza, de 21 anos. Mesmo torcendo para o Flamengo, Carlene afirmou que se casar no Itaquerão foi inesquecível: “É uma sensação muito boa, simplesmente maravilhoso,” conta.

A festa foi finalizada com salgadinhos, docinhos, bolo e refrigerante. Os casais, junto com seus filhos e parentes, comemoraram em meio ao barulho da obra, que não parou durante todo o dia. Frederico Barbosa aproveitou a oportunidade para renovar seus votos de felicidade, com a proximidade do seu aniversário de 30 anos de casamento. “É uma oportunidade única. Hoje em dia em uma empresa os funcionários precisam estar mais próximos e hoje pudemos conhecer as famílias e ver a força e a união de cada casal”, afirmou.

Por Cleber Aguiar – Arqueologia Olímpica : Bola de Capotão

Fonte: Folha de São Paulo

Lucas, do São Paulo, brinca com bolas de 1925 chutadas por Arthur Friedenreich e se inspira para ouro olímpico

MARCEL MERGUIZO
DE SÃO PAULO

Bola de meia, bola de papel, bola de capotão. Não importa. Sempre há um menino, um moleque, que desperta dentro de quem brinca com uma bola.

Lucas encontrou o passado ao ver bolas de 1925 utilizadas na excursão do Clube Athletico Paulistano à Europa naquele ano.

O couro inflado, costurado a mão, chutado por Arthur Friedenreich, entre outros, é dos objetos mais raros do museu do clube e virou brinquedo nos pés do são-paulino.

“A bola é minha parceira, minha grande amiga desde criança. Dormia e acordava com uma bola, sempre correndo atrás, em casa, no quintal”, recordou Lucas, pré-convocado para Londres.

A capital britânica, aliás, sediou a primeira disputa olímpica do futebol entre seleções em 1908. Antes, em Paris-1900 e Saint Louis-1904, o torneio foi exibição, com clubes em campo.

Tempo de amadorismo em que as bolas se deformavam e dificultavam o jogo de craques como Friedenreich, ídolo do São Paulo na década de 1930, como Lucas é hoje.

“Dá para ter uma noção de como era complicado naquela época e o quanto evoluiu”, disse Lucas, que testou a bola em campo do Paulistano.

“O material é totalmente diferente. A maior dificuldade é o peso. O couro é muito pesado. Quando chovia, o peso devia dobrar. Atualmente, cada detalhe, cada costura é diferente. Se hoje é difícil, imagino antigamente”, afirmou o atleta, 19, que só viu bolas tão antigas em museu. Hoje, segundo a Fifa, elas pesam entre 420 e 445 gramas.

“Eu já respeitava bastante [jogadores do passado], mas, quando se descobre essas coisas, como o material que eles tinham à disposição, você passa a respeitar mais.”

Mesmo murchas, as bolas rolaram na grama (artificial) e foram controladas pelos pés (com chuteiras de alta tecnologia) de Lucas em rápidas embaixadinhas, como se fossem as atuais, sintéticas, impermeáveis, com colagem térmica e, até, mais redondas.

“Eu sempre quero jogar, independentemente da bola. Já fui moleque, qualquer bola de meia, de papel, o que tivesse, a gente se divertia.”

Em Londres, Lucas pode repetir Friedenreich na vitoriosa excursão de 1925 à Europa. Divertir-se, neste caso, é voltar ao Brasil com o inédito ouro olímpico do futebol.

“Olimpíada é minha grande meta, sonho acordado, todo dia. Quero trazer esse tão sonhado ouro olímpico.”

ICFUT – 50 anos do Bi

Fonte: O Estado de São Paulo

Seleção Brasileira se consagra no Chile com a conquista do segundo Mundial após quatro anos do primeiro título na Suécia

LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI – O Estado de S.Paulo

O Chile ainda estava de luto em 1962, assolado por um terrível terremoto – 9,5 graus na escala Richter – que deixou cerca de 6 mil mortos e 2 milhões de feridos e um rastro de destruição por todo o país, em 1960. A Copa do Mundo corria risco de ser transferida para outra sede quando Carlos Dittborn, presidente da Federação Chilena de Futebol, convocou o comando da Fifa e com uma frase convenceu os dirigentes de que tirar o Mundial do país seria uma outra tragédia. “Temos de ter a Copa porque não temos nada.” A frase virou como um mantra para os chilenos que arregaçaram as mangas e construíram três estádios em tempo recorde em Viña del Mar, Arica e Santiago. O Mundial estava garantido.

No dia 21 de maio de 1962, nas asas da Panair Brasil DC7CPP-PDO, a delegação brasileira embarcou para Santiago com 22 jogadores e 20 dirigentes e membros da comissão técnica. Antes de aterrissar em solo chileno, fez uma escala em Brasília para a despedida oficial em um evento na Granja do Torto com o presidente da República João Goulart.

No desembarque da seleção brasileira no Aeroporto de Santiago, fotógrafos e repórteres correram para registrar a chegada dos campeões mundiais de 1958. Era praticamente o mesmo grupo que havia conquistado a Copa na Suécia, apenas um pouco mais velho. Sete dos 11 titulares tinham mais de 30 anos. A organização da seleção era a mesma. Paulo Machado de Carvalho, o “Marechal da Vitória” de 58, chefiava a delegação com a maioria dos assessores de quatro anos atrás.

Evidente que Pelé era a maior aposta do Brasil. O menino que havia encantado o mundo aos 17 anos agora estava com 21 e pronto para conduzir o time ao bi. Todos queriam ver Pelé.

A seleção havia mudado pouco de 58 para 62. Na zaga saíram Bellini e Orlando e entraram Mauro e Zózimo. No ataque, Coutinho e Pepe, que chegaram como titulares, se machucaram e deram lugar a Vavá e Zagallo. E no comando estava o técnico Aymoré Moreira, que herdou o posto de Feola, afastado há dois anos por problemas de saúde.

O desafio do Brasil era alcançar a marca do Uruguai e da Itália, donos de dois títulos cada e potências do futebol. A epopeia começou por Viña del Mar na estreia diante do México. O Brasil abriu o jogo com Gilmar, Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagalo. E venceu por 2 a 0, gols de Zagallo e Pelé, para um público de 10.848 pagantes.

A boa exibição da seleção meteu medo nos adversários. Os campeões do mundo estavam mais fortes, apesar de mais velhos. Pelé voava.

Golpe duro. No segundo jogo, o susto. Ainda no primeiro tempo, Pelé sofreu uma lesão na virilha após um chute ao gol. Como não eram permitidas as substituições, o Rei se arrastou pelo campo até o final. O empate em 0 a 0 com a então Checoslováquia, para 14.903 pagantes, em Viña del Mar, acabou sendo um ótimo resultado. Mas e agora sem Pelé?

A contusão era séria e o craque estava fora da Copa. Alguém precisava assumir a seleção. E aí apareceram Amarildo e Garrincha. No terceiro jogo, ainda em Viña del Mar, com público de 18.715, a seleção não jogou bem, mas derrotou a Espanha por 2 a 1, dois gols de Amarildo, o último aos 41 minutos em cruzamento de Garrincha.

No quarto jogo, Garrincha barbarizou. Contra a Inglaterra, o genial ponteiro de pernas tortas fez dois gols e Vavá, um, na vitória por 3 a 1, para um público de 17.736, em Viña del Mar.

O próximo desafio seria complicado. O Chile, empurrado por 76.500 torcedores no Estádio Nacional, poderia acabar com o sonho do bi. Então Garrincha fez a diferença. Fez dois gols no primeiro tempo. Vavá fez outros dois no segundo e o Brasil venceu por 4 a 2. Cansado de apanhar, Garrincha revidou um pontapé e foi expulso. Ficaria fora da final da Copa. Os cartolas brasileiros conseguiram reverter a situação na Fifa e garantiram a escalação do craque na final diante da Checoslováquia.

Há exatos 50 anos, no dia 17 de junho, a seleção brasileira vencia os checos por 3 a 1, depois de sair perdendo, com belos gols de Amarildo, Zito e Vavá, no Estádio Nacional de Santiago com público de 69 mil torcedores. Brasil bicampeão do mundo.

Na volta para casa, os jogadores foram recebidos por cerca de 2 milhões de pessoas no Rio de Janeiro. Os “novos velhos” heróis desfilaram em carro aberto com a taça Jules Rimet diante da multidão inebriada. A festa se alastrou pelo País afora em um verdadeiro carnaval fora de época. Quando acabou o desfile, por volta das 23h30, no dia 18 de junho, Garrincha ganhou do governador da Guanabara, Carlos Lacerda, um mainá – ave que é capaz de imitar vozes de outras aves e até palavras. Feliz da vida, o craque foi cuidar do seu pássaro. Nem sabia que o futebol mundial havia se rendido ao seu enorme talento

‘Ganhamos aquela copa do mundo na experiência. Foi a copa do Mané’

Velho Lobo ainda se emociona ao recordar a campanha vitoriosa, a contusão de Pelé, o show de Garrincha e a atuação extraordinária de Amarildo

“O Brasil chegou ao Chile como favorito. Não foi como em 1958. Ninguém conhecia o Brasil, não tinha ganho nada. E quando nós fomos para o Chile fomos como campeões. Isso foi de grande importância porque praticamente nós jogamos com a mesma equipe. Jogou o Garrincha, que fez uma Copa maravilhosa. Infelizmente o Pelé se machucou. Mas nós estávamos confiantes pela vitória na Suécia e levamos a mesma equipe. Essa seleção jogou como jogou porque a condição física naquela época não era como na atualidade. Hoje é uma correria muito grande. O Nilton Santos tinha 37, o Djalma (Santos) tinha 33, o Didi por aí também, eu estava com 31. Muita gente não acreditava na seleção. Ganhamos aquela Copa na experiência.

Houve a contusão do Pelé e, claro, você perder o melhor jogador do mundo era um grande desfalque. Não tenha dúvida, (foi um baque) você perder o Pelé… Nós sabíamos que ele ia fazer muita falta. Mas o mais importante nesse caso foi o Amarildo, que o substituiu e a camisa 10 não fez falta. Nós já jogávamos juntos no Botafogo. Tinha eu, o Garrincha, o Didi e o Nilton Santos. Jogadores que ele já estava habituado a jogar. Ele não sentiu. E fez uma Copa do Chile sensacional. O Garrincha foi considerado o que ganhou a Copa, vamos dizer assim, mas o Amarildo, na substituição do Pelé, foi de grande importância, foi melhor do que todos nós esperávamos.

Começamos o primeiro jogo foi contra o México e eu tive a felicidade de fazer o primeiro gol do Brasil na Copa. Nós estávamos empatando em 0 a 0 e fiz um gol de cabeça aos 12 minutos do segundo tempo. Depois tivemos a felicidade de fazer o segundo e ganhamos a partida. Isso foi importante porque tínhamos uma equipe de mais idade. Depois tivemos a Checoslováquia, quando o Pelé se machucou. Acho que reverenciaram a contusão dele. Não vieram muito para cima da gente. E nós empatamos em 0 a 0 esse segundo jogo da Copa. E o Pelé ficou em campo, mas ele não podia… Mesmo assim ficou um atleta em cima dele, prestando atenção. Pensaram: ‘Sei lá se ele está machucado mesmo.’

A grande dificuldade foi quando o Pelé se machucou. Ali deu um susto. Quando a gente viu que era virilha, a gente viu que ia ficar com 10 jogadores. Mas a Checoslováquia respeitou o futebol brasileiro, respeitou o Pelé, mesmo com ele fazendo número. Respeitaram tanto que pouco atacaram. Eles estavam satisfeitos de empatar com o Brasil. Depois nós ganhamos da Espanha de 2 a 1, que foi um jogo dos mais difíceis.

A Espanha fez 1 a 0 e nós viramos. Inclusive participei da jogada do gol do Amarildo. Fui à linha de fundo, cruzei para trás e o Amarildo fez o gol. Depois houve um pênalti, que o juiz não deu, contra o Brasil. O Nilton Santos deu um pulo para fora da área. Para nós foi excelente. Com isso nós fizemos o segundo gol.

Ganhamos depois da Inglaterra, 3 a 1. O Garrincha fez gol de tudo quanto foi jeito. Fez gol até de cabeça. Fez gol de perna esquerda. Foi a Copa do Mané. O que seria o jogo difícil, contra o Chile (4 a 2), nós saímos sempre na frente.

No final o Garrincha acabou sendo expulso por uma bobagem. O Garrincha não fazia falta em ninguém. Ele deu um peteleco em alguém e botaram ele para fora. Naquele jogo o juiz… Se fomos favorecidos contra a Espanha, contra o Chile o Yamasaki (do Peru) queria de qualquer maneira derrubar o Brasil.

O Garrincha era sempre o mesmo. Na Copa de 1958, no Botafogo, na Copa de 1962. Quem tinha que estar satisfeito éramos nós, que não tínhamos que jogar contra ele.

Chegamos à final contra a Checoslováquia de novo. Sofremos o primeiro gol e viramos a partida. O gol do Amarildo, bati o lateral e o Amarildo e bateu pela ponta-esquerda, entre a trave e o goleiro. O goleiro saiu para cortar o lance. Nós ganhamos em outra jogada do Amarildo pela ponta-esquerda. Ele fez um cruzamento para o Zito, que só escorou, deixou a bola bater na cabeça e entrar: 2 a 1. O terceiro veio de um chute do Djalma Santos, deu um balão para a área, com o sol o goleiro deixou escapulir e o Vavá fez o gol.

Foi a mesma festa que aconteceu conosco em 1958. A chegada aqui (no Rio), a chegada em São Paulo. Foi a mesma coisa. Nós já esperávamos. O povo todo na rua. A gente chegando ao Palácio do Catete. Foi sensacional a repetição. Com isso proporcionamos um carnaval mais cedo, em junho. Foi uma alegria.

O Amarildo não sentiu absolutamente nada em entrar na seleção (no lugar do Pelé). E ele se mostrou um jogador espetacular, superou tudo. A própria camisa 10, que era difícil de ser vestida, pesada, ele fez um papel que muita gente não pensava que ele fosse fazer. Aí que ele virou o “Possesso”.

‘Eu fiz o gol da vitória numa final de Copa do Mundo’, lembra Zito

Jogador fala sobre o bicampeonato mundial da seleção brasileira, conquistado em 1962, no Chile

Sanches Filho – O Estado de S. Paulo

Tenho grandes lembranças daquela Copa porque foi a segunda seguida que o Brasil ganhou. E eu me lembro muito bem da conquista e tenho carinho por ela porque fiz um gol na final. Naquele tempo era difícil volante fazer gol, e eu fiz o da vitória numa final de Copa do Mundo. Até hoje consigo narrar esse gol. Foi assim: eu estava lá atrás, perto do Mauro, e pedi a bola. Ele tocou a para mim e toquei para o Zagalo, que também jogava muito atrás. Toquei para o Zagalo e continuei correndo e gritando para ele passar para o Amarildo, que estava na esquerda. O Amarildo foi à linha de fundo e acompanhei pelo meio, gritando ‘olha eu, olha eu’. No cruzamento, a bola veio na minha cabeça e fiz o gol.

Zito marca gol contra a Checoslovaquia na Copa de 1962 - Arquivo/AE
Arquivo/AE
Zito marca gol contra a Checoslovaquia na Copa de 1962

Outra lembrança é que quando Pelé machucou, no primeiro jogo, todos nós ficamos muito tristes, mas não ficamos com medo. Ele já era o grande jogador. A nossa tristeza foi porque Pelé não poderia jogar mais na Copa. Mas, depois que o Rei se machucou, Garrincha jogou muito, tudo o que ele podia.

Na seleção a disciplina era rígida e todos respeitávamos a hierarquia. Tinha horário para tudo e a única distração era o jogo de baralho. Nosso líder era o Mauro. Ele ganhou a posição do Bellini, que foi o titular em 58, e já entrou no time como capitão. Era muito sério e falava pouco. O mais chato na concentração era o Pelé tocando violão e cantando. E o mais brincalhão, o Garrincha. Não dava sossego em nenhum momento.

Na Copa de 58, na Suécia, fui companheiro de quarto dele e tinha que aguentar todo tipo de brincadeira, de beliscão a tapa na cabeça. Era até chato. No Chile a gente sabia que Mané ‘tava’ namorando a Elza Soares, mas acho que estava mais alegre porque a nossa seleção era a mais forte e tínhamos certeza de que não iríamos perder para aqueles cabeças de bagre. E também porque ele ‘tava’ jogando demais. Só depois surgiu aquela história que Garrincha tinha prometido ganhar a Copa para a Elza Soares.”

Por Eder – Corinthians cria poucas chances de gol e não vence Ponte Preta em Campinas

O Corinthians foi a Campinas neste domingo enfrentar a Ponte Preta, e não conseguiu voltar à capital com uma vitória. A falta de entrosamento entre os atletas corinthianos se evidenciou e o Timão não conseguiu criar boas chances na partida. Com um gol de André Luis aos 41 min do primeiro tempo, a Ponte Preta conseguiu manter o placar de 1 a 0 durante a segunda etapa e deixou o Moisés Lucarelli com os três pontos.

Os primeiros 15 min de partida foram mornos, com nenhuma ameaça aos arqueiros das equipes. Aos 19 min e aos 21 min, a Ponte Preta teve as duas chances mais claras do jogo de abrir o placar. O time de Campinas era superior até os 30 min, quando o Timão teve sua primeira boa chance com Willian. Motivado, o Alvinegro da capital ameaçou novamente cinco minutos depois, quando Elton chutou de fora da área e o goleiro Edson Bastos fez boa defesa. 

Com a primeira etapa se aproximando de seu fim, o placar parcial parecia estabelecido, mas em jogada aérea, André Luis marcou para a Ponte aos 41 min. O Timão não recuou, buscou o empate, mas a reação não veio no primeiro tempo

Segunda etapa. Motivado, o Corinthians voltou disposto a reverter o placar. Logo no primeiro minuto, teve uma boa chance após cobrança de falta de Douglas. Aos 08 min, Tite fez sua primeira substituição, tirando Willian de campo e colocando o estreante Romarinho em seu lugar. Dois minutos depois, Ramon chutou forte de fora da área e a bola passou rente a trave adversária. Com 12 min de jogo, a Ponte ameaçou novamente, porém Roger chutou a bola por cima do gol de Júlio César. 

Aos 17 min, Adilson entrou no lugar de Ramirez. Com cautela, ambos os times buscavam espaço para movimentar o marcador. O Coringão fez sua última alteração aos 24 min, com a entrada de Liédson no lugar de Elton. Seis minutos depois, Douglas cobrou falta, Willian Arão cabeceou, mas a bola passou do lado de fora do gol. 

Com o jogo equilibrado, o Corinthians ameaçou novamente aos 32 min, com um chute forte de Welder. A partir deste momento, o jogo esfriou, os times criaram poucas chances e o placar não se movimentou mais. No próximo domingo (24), o Corinthians tem um clássico pela frente, contra o Palmeiras, às 16h, no Pacaembu. Já na Libertadores, o Timão enfrenta o Santos nesta quarta-feira (20), às 21h50, também no Pacaembu. 

Gol Ponte Preta: André Luis, Cartões Amarelos Ramirez e Willian Arão Substituições Romarinho (Willian), Adilson (Ramirez) e Liédson (Elton

De volta após nove jogos, Júlio César vê plano por empate frustrado, mas aprova atuação pessoal

O goleiro Júlio César foi o titular do gol do Corinthians neste domingo depois de perder a posição de titular após a eliminação para a Ponte Preta nas quartas de final do Campeonato Paulista. De lá para cá, foram cinco jogos de Libertadores e mais quatro de Brasileiro que tiveram Cássio ou Danilo Fernandes em campo.
Depois da partida, onde o Corinthians perdeu para a Ponte por 1 a 0, Júlio admitiu que o time reserva queria pelo menos um ponto em Campinas. E que, na lanterna do campeonato com um empate e quatro derrotas em cinco jogo, o Corinthians precisa entrar de uma vez na disputa do nacional.

“Não é o que a gente estava esperando. Queríamos pelo menos um ponto. Tem muito campeonato, mas precisa abrir o olho o quanto antes, porque a gente sabe que a Libertadores vai acabar e não podemos estar tão distantes”, disse o goleiro revelado no próprio clube. “Fiquei feliz pela minha atuação, mas não pelo resultado”, acrescentou.

Liedson joga 25 minutos, diz não concordar com reserva e se vê pronto para substituir Emerson

De titular absoluto do time título brasileiro a reserva até no time “B”. A evidente perda de espaço de Liedson no Corinthians fez com que o jogador atuasse apenas dos últimos 25 minutos da derrota para a Ponte Preta, mas nada que faça Liedson perder a confiança no próprio futebol: o camisa 9 se diz pronto para substituir o suspenso Emerson e jogar pela Libertadores da América, quarta-feira, contra o Santos no Pacaembu.
“Estou trabalhando, tenho todas as condições e quero jogar sem dúvida nenhuma. Quarta a decisão é do treinador. Eu treino todo dia, tenho que fazer isso, e que decide é o treinador”, comentou Liedson, que seguiu falando sobre o assunto na saída do campo em Campinas.

“A situação não me irrita, sou profissional. Embora eu não concorde, vou respeitar e ficar à disposição. Estou jogando por prazer, tenho prazer em estar no Corinthians, e não estou satisfeito com a situação. Tenho apoio da torcida, dos jogadores, da comissão. Estou trabalhando, e jogar ou não é decisão do treinador”, completou.
Pela Libertadores, onde Tite escala o que tem de melhor, Liedson foi titular nos seis jogos da primeira fase. Depois, não viajou para pegar Emelec nem Vasco, e entrou apenas alguns minutos em ambos os confrontos do Pacaembu. Sobre o assunto, o técnico Tite também falou depois da partida.
“A construção do treinamento e do jogo é que define quem é titular. Não gosto mais de ninguém, ningué é mais bonito ou feio. Eu olho os treinamentos e o jogo, às vezes um pouco, às vezes bastante, às vezes uma série de jogos. Serve para ele e para todos. O Liedson poderia ser titular, todos que estão aí dentro entendem que poderiam. Eu não conseguia entender quando era atleta. Normal”, disse o treinador.
Nesta segunda-feira, às 15h30, o elenco principal do Corinthians volta a treinar com foco na partida de quarta, quando Tite começa a definir quem entrará no ataque. Pelo Brasileiro, o próximo compromisso é o clássico paulista contra o Palmeiras, domingo, às 16h, no Pacaembu.

Para Tite, Brasileiro tem sido forte para time ‘B’, mas lanterna não surpreende

Diferente do Campeonato Paulista, o Campeonato Brasileiro não tem dado chances aos reservas do Corinthians. No Estadual, enquanto o time principal se concentrou na Libertadores, os jogadores menos utilizados deram conta de deixar o clube na liderança da primeira fase; agora, os corintianos somam apenas um ponto em cinco rodadas neste início de nacional.
“No Brasileiro o time tem se mostrado insuficiente. São times dum nível mais forte que o Paulista. Mas ninguém está surpreendido com isso. Todas as equipes que chegaram às finais ou semifinais da Libertadores nesses últimos cinco, seis anos, sabem na zona de rebaixamento do Brasileiro”, explicou Tite.

Depois, o treinador admitiu que o jogo em Campinas, onde o Corinthians perdeu por 1 a 0 para a Ponte Preta, foi abaixo do esperado tecnicamente. E preferiu deixar no ar uma pergunta sobre as observações positivas que poderiam ter sido feitas. “Os setores defensivos estiveram abafados, o gramado sem condição de trocar passes”.
E não é na próxima rodada do Brasileiro que o Corinthians terá vida mais fácil. Na sexta rodada, domingo às 16h no Pacaembu, o time tem pela frente o clássico paulista contra o Palmeiras que tem um ponto a mais que o rival e atual lanterna: dois empates contra um na atual campanha.

Eder Pastana é integrante do ICFUT e apresentador do programa DEBATIMÂO que vai ao ar toda Segunda- Feira e Quinta-Feira pela Web Rádio Coringão ás 21 horas, site www.radiocoringao.com.br