Por Cezar Alvarenga – Ronaldinho acerta com o Atlético Mineiro

Fonte: MSN Esportes

Nem bem deixou o Flamengo em conturbada saída, e Ronaldinho Gaúcho já tem futuro definido para os próximos meses: o Atlético-MG acertou a contratação do meia-atacante. O clube mineiro também estava negociando com o meia Juninho Pernambucano, mas após o empresário e irmão de Ronaldinho, Roberto Assis, passar os valores ao presidente Alexandre Kalil, este não titubeou e logo aceitou a proposta para contar com o melhor do mundo de 2004 e 2005.

Na última sexta-feira, Ronaldinho entrou na Justiça contra o Flamengo cobrando cinco meses de direitos de imagem atrasados além do FGTS que não estaria sendo pago desde o ano passado, em uma soma de mais de R$ 40 milhões. Com essa alegação, ele conseguiu a rescisão do contrato com o clube rubro-negro e está livre para assinar com qualquer outro time. O pentacampeão mundial estava desde 2011 na Gávea e conquistou um título, o Carioca do mesmo ano.

As conversas teriam começado logo após o desfecho do caso contra o Flamengo. Aproveitando-se do bom relacionamento com Assis à época em jogaram juntos no Grêmio, no fim dos anos 1980, Cuca sondou o irmão do meia-atacante sobre a chance de negociar com o Atlético-MG. Ao receber o sinal positivo, o treinador passou a informação para Alexandre Kalil, que tomou as rédeas.

Quem também estava interessado em ter Ronaldinho Gaúcho era o Palmeiras, que o disputou em 2011 com Flamengo e Grêmio. O time alviverde teria até o apoio de um fundo de investimento árabe para ajudar a pagar os salários do possível reforço, mas a diretoria desistiu da negociação.

O Flamengo acusou o clube alviverde de aliciamento para tentar tirar Ronaldinho da Gávea. O Palmeiras diz que o clube carioca tenta “desviar o foco” por perder o jogador e lembra da tentativa de contratação do atacante Kleber por parte do Fla para acusa-lo de falta de ética.

 

Por Cleber Aguiar – Internet vira dor de cabeça para atletas

Fonte: Folha de São Paulo

SELEÇÃO CBF quer fazer lista de perfis verdadeiros dos convocados para evitar confusão em redes sociais

DO ENVIADO A DALLAS

O zagueiro David Luiz navegava pela internet quando recebeu uma mensagem de um certo Thiago Silva.

“Meu parceiro, me adiciona aí, tamo junto na seleção.”

David se espantou, porque Thiago Silva, o de verdade, estava ao seu lado naquele momento, e não manuseava um computador ou telefone.

A mensagem era de um perfil falso do zagueiro do Milan, mais um dos tantos que se fazem passar pelos atletas da seleção brasileira.

“Nao tenho Twitter, Facebook, nada disso”, disse à Folha o capitão do time nacional. “É muito desagradável saber que tem gente por aí se passando por você, tentando se aproveitar disso.”

O atacante Hulk também já sofreu com impostores, que publicaram mensagens como se fossem dele, algumas comentando especulações sobre seu destino após a janela de transferências.

É tamanho o incômodo que a CBF pretende publicar em seu site os perfis verdadeiros dos jogadores que eventualmente estiverem convocados.

No ano passado, um perfil falso do lateral esquerdo Marcelo publicou uma mensagem de apoio à Palestina contra Israel. A postagem foi apagada em seguida, mas desatou todo tipo de teoria da conspiração. Na época, Marcelo estava fora da seleção.

Os mais ativos na rede são Neymar, David Luiz e Leandro Damião, que comentam quase todos os treinos e postam fotos com frequência.

MORDAÇA

A espontaneidade excessiva no Twitter fez Neymar ser condenado a pagar até uma indenização: R$ 15 mil ao árbitro Sandro Meira Ricci, a quem criticou com a frase de arquibancada “juiz ladrão, vai sair de camburão”.

Algumas seleções proíbem seus jogadores de se manifestarem em redes sociais durante a disputa de competições.

O técnico da Dinamarca, que apanhou do Brasil no último sábado (3 a 1), vetou o uso de Facebook e Twitter.

Foi criticado por jogadores e pelo ministro do Esporte do país, Uffe Elbaek, mas manteve a lei do silêncio virtual.

Nesta semana, a atual campeã do mundo também aderiu à mordaça. Vicente del Bosque, técnico da Espanha, proibiu manifestações durante a disputa da Eurocopa.

“Em quatro dias vamos estar com a seleção e não vamos poder tuítar”, escreveu o meia Cesc Fàbregas.

Mano Menezes, ele mesmo um dos primeiros técnicos do Brasil a aderir ao Twitter, adota postura mais liberal.

O treinador permite o uso, mas pede que os jogadores não comentem assuntos internos da seleção. Já havia sido assim na Copa América, em 2011.

(MARTÍN FERNANDEZ)

Por Cleber Aguiar – Quero ser grande

Fonte: Folha de  São Paulo

Estaduais sub-11 e sub-13 acontecem em campos para profissionais, o que prejudica a formação

GUILHERME YOSHIDA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

“Força neste chute, meu filho! Solta esta perna”, grita um pai da arquibancada, preocupado com um zagueiro da categoria sub-11 do Santo André que não consegue fazer a bola passar a intermediária do campo de defesa quando cobra um tiro de meta.

O jogo foi contra o Juventus e aconteceu no estádio Pedro Benedetti, em Mauá, com medidas de 100 m de comprimento por 70 m de largura, dentro dos padrões oficiais.

No entanto, nem o pai nem a Federação Paulista de Futebol levam esse detalhe em consideração na hora de organizar torneios para categorias de base. A alegação é a falta de campos adaptados.

Por isso, jogos das categorias sub-11 e sub-13 do Paulista têm sido realizados em gramados com dimensões para profissionais. Há adaptações, como o tempo de partida (dois tempos de 20 minutos), mas insuficientes para ajudar na formação dos jovens.

Campos assim podem gerar um desequilíbrio no desenvolvimento cognitivo, técnico e físico dos pré-adolescentes, de acordo com profissionais que atuam na base.

Para eles, partidas dessa faixa etária deveriam ocorrer em espaços menores (quadras de futsal ou society) e com menos participantes. Permitiriam aos praticantes ter mais contato com a bola e uma maior relação com os gols, fatores valiosos para esses momentos de evolução.

“Com quase 20% a menos de altura, em média, os jovens têm de cobrir distâncias que um profissional cobre. Eles não conseguem gerar a mesma força de um adulto porque não têm a musculatura toda desenvolvida. Desse jeito, o jogo perde o seu sentido”, diz Leandro Zago, técnico do Corinthians sub-13.

Um campo oficial, para a Fifa, tem de 100 m a 110 m de comprimento e de 64 m a 75 m de largura. E os torneios da base estão sendo disputados em campos profissionais.

O time do Parque São Jorge, por exemplo, manda seus jogos no mesmo estádio que o Flamengo de Guarulhos disputou a última Série A-3. Já Juventus e Marília recebem os visitantes, respectivamente, na rua Javari e no Bento de Abreu, locais que já foram da elite do futebol paulista.

Clubes como Portuguesa e Santos optam por atuar como mandantes nos seus respectivos CTs, que também têm dimensões oficiais. “Correr nesses grandes espaços gera um desgaste físico muito maior para a idade”, acrescenta Bruno Praglioli, treinador do Juventus sub-11.

Segundo a Topper, fornecedora oficial do Paulista, as bolas usadas para garotos e profissionais também são similares. A variação pode chegar a 20 gramas no peso e dois centímetros na dimensão.

O cenário adulto das partidas fica pior para os jovens goleiros. À frente de uma meta com 7,32 m entre as traves e 2,44 m de altura, os pequenos arqueiros não alcançam as bolas chutadas no alto.

“Qualquer bola que for para o gol tem grande chance de entrar. Então, o jogo passa a ser chutar ou cruzar para a área e isso não é aprender a jogar futebol. É uma enganação para as crianças e pais”, alerta Alcides Scaglia, mestre em pedagogia do esporte e docente da Unicamp.

Os garotos confirmam a dificuldade encontrada nos gramados da competição. “Acho muito grande o gol”, afirma Cauã Godoy, 10 anos e 1,58 m, goleiro do Juventus.

“Gosto de chutar no canto porque o goleiro nunca chega”, diz Riquelme dos Santos, 10, meia da Portuguesa.

Por Cleber Aguiar – Sua Excelência, Romário.

Fonte: Diário do Comércio – SP

Durante sua carreira no futebol, Romário de Souza Faria, malandro de jogo bonito, amado no Brasil, gostava de provocações. Ele festejava até de madrugada enquanto os companheiros amargavam a concentração, brigava com torcedores, menosprezava repetidamente o rei Pelé e sempre reclamava de ter de treinar.

Certa vez, ao falar de seu futuro, e antes de pendurar as chuteiras, disse que jamais seria técnico de futebol. “De jeito nenhum. Eu nunca conseguiria aguentar um sujeito como eu!” Mesmo assim, ele acabou treinando por um tempo seu antigo clube, o Vasco.

O político – Hoje, porém, Romário vem agitando os brasileiros num novo domínio, a política. Eleito deputado federal em 2010, com 46 anos e bem grisalho, surgiu como um dos parlamentares mais francos do País, defendendo os direitos de deficientes físicos e oferecendo críticas contundentes sobre a política brasileira e a preparação para a Copa do Mundo de 2014.

E de forma ainda mais surpreendente, pois figura entre os políticos mais esforçados, possuindo um registro de presença quase perfeito. Bem diferente dos tempos de seleção, quando seus companheiros chegavam para treinar na mesma hora que ele voltava das boates. “A tendência de todos é evoluir”, declarou Romário, em recente entrevista em sua cobertura na Praia do Pepe, uma das faixas de areia mais exclusivas do Rio.

Novo uniforme – De fato, Romário parece ter adotado tal mudança pessoal a ponto de as pessoas precisarem olhar bem para reconhecê-lo. Usando óculos e quase sempre de terno preto, o ex-atacante de 1,65 metro quase poderia ser confundido com um auditor.

Junto com o Baixinho, o Congresso recebeu o palhaço Tiririca, o boxeador Acelino Popó de Freitas e o ex-goleiro Danrlei de Deus Hinterholz, mas nenhum possui a estrela de Romário, cuja jornada da boca do gol à Câmara de Deputados permanece impressionante, até mesmo para ele.

Presente de Deus – A incursão na política, segundo ele, só fez sentido após a chegada de seu sexto filho, a menina Ivy, que nasceu em 2005 com síndrome de Down. Ele conta que seus primeiros momentos, após ser informado da doença, foram terríveis, e ele se perguntava: “O que foi que eu fiz? Estou pagando por algum pecado de meu passado?”. Sua mulher, Isabella Bittencourt, acalmou-o dizendo que Deus lhes havia enviado Ivy.

Em retrospecto, hoje ele diz que sua filha o ajudou a amadurecer, oferecendo um propósito como político. Após juntar-se ao Partido Socialista, ele começou a focar nos direitos dos deficientes, e sua contribuição foi fundamental para a aprovação de uma lei, intitulada em homenagem à sua filha, criando subsídios especiais para portadores de deficiências. “Finalmente me acostumei com Brasília”, afirmou ele sobre a capital, explicando que levou meses para captar a importância das regras arcanas de senioridade e decoro no Congresso.

 

Voz no deserto – Ainda assim, os longos e prolixos discursos de colegas parlamentares o aborrecem – assim como sua visão aparentemente descontraída sobre o trabalho no Legislativo. “Estou em Brasília há três semanas e nada acontece”, escreveu Romário no Twitter em fevereiro. “Será que o ano realmente começa após o carnaval?”.

Membros novatos do Congresso não deveriam fazer declarações como essa sobre seus colegas, o que talvez explique parte da admiração conquistada por Romário fora de Brasília. Chamando-o de “uma voz no deserto”, a escritora Lya Luft louvou sua coragem em artigo sobre a prestação de contas na política.

 

As críticas de Romário ao sistema político brasileiro se intensificaram nas últimas semanas, quando ele atacou os preparativos do País para a Copa do Mundo de 2014 – processo que vem sendo marcado por escândalos de corrupção, atrasos nas obras e greves de trabalhadores na construção dos estádios.

Último minuto – Irritando a Fifa, os parlamentares brasileiros também brigaram por meses sobre a possibilidade de vender bebidas alcoólicas nos estádios. Jerome Valcke, secretário-geral, enfureceu as autoridades esportivas brasileiras ao citar os atrasos com uma frase polêmica – pediu um “chute no traseiro” para colocar as coisas em movimento. Embora o Senado tenha aprovado a Lei da Copa, em maio, Romário declarou que infelizmente tinha de concordar com Valcke.

“Ele está totalmente certo”, afirmou Romário. “O Brasil está muito atrasado e precisa acordar”, continuou. “Nós, brasileiros, feliz ou infelizmente, deixamos muita coisa para o último minuto. Isso significa que muito dinheiro será roubado de nossos bolsos”.

Romário, ao explicar seu temor de que as construtoras poderiam estar atrasando propositalmente os projetos para contornar normas de auditoria e licitações, não está sozinho em expressar preocupação com os preparativos do Brasil. Porém, sua proeminência no mundo do futebol e sua origem nas favelas do Rio de Janeiro fazem com que suas opiniões se sobressaíam.

Rixa com Pelé – A disposição de Romário para falar sem rodeios, muitas vezes empregando gírias das ruas do Rio, elevou sua notoriedade. Cultivando alguns rancores até hoje, ele mantém uma eterna rixa com Pelé, que questionou a validade de sua contagem de mil gols. “Quando Pelé fica quieto, ele é um poeta”, declarou Romário. “Mas quando abre a boca, não acrescenta nada.”

 

Apesar dos ternos feitos sob medida, óculos e outros adornos do poder em Brasília, Romário afirma ainda ser o mesmo homem que corria para cima e para baixo no campo. A controvérsia parece gostar dele – como quando sua habilitação foi apreendida numa batida policial, no ano passado, depois que ele se recusou a fazer o teste do bafômetro.

“Era meu direito recusar”, explicou, embora naquela mesma noite tinha sido fotografado numa casa noturna. Segundo Romário, o enxaguante bucal Listerine poderia ter indicado erroneamente que ele havia bebido. E insistiu que raramente ingere bebida alcoólica, além de uma ocasional taça de prosecco. E disse que havia proposto recentemente uma lei para tornar os testes de bafômetros obrigatórios em casos suspeitos de embriaguez ao volante.

Embora suas visões sobre a vida política tenham evoluído – ou estejam pelo menos em transformação –, suas opiniões sobre o futebol permanecem teimosas como sempre. Ele ainda acha que os grandes goleadores merecem mais privilégios que outros jogadores. E elogia os talentos de alguns atacantes, incluindo o brasileiro Neymar da Silva Santos Junior, Lionel Messi, da Argentina, e Cristiano Ronaldo, de Portugal. Mesmo assim, respeito relutante é uma coisa; humildade é outra.

Quando questionado se esses excepcionais atacantes possuem seu nível de talento,  respondeu que não. “Eles são ótimos jogadores, mas não são nenhum Romário”, afirmou. “Para entrar para a história como Romário, eles precisam vencer uma Copa.”

Com essas palavras, ele voltou os olhos para as areias da Praia do Pepe. Um jogo de futevôlei, o esporte brasileiro que combina futebol e vôlei e exige uma destreza espantosa, o chamava. Era sexta-feira, afinal, e os corredores do poder em Brasília pareciam muito distantes.

Ele insistiu que era o mesmo Romário de sempre, e que seu apetite pelas escapadas noturnas e brigas públicas permanecia forte. Mas num raro lampejo de introspecção, ele também reconheceu que essas ações trazem consequências. “Eu pago minhas contas. E sinto a minha dor.”

*The New York Times News Service

ICFUT – Entrevista de Thiago Silva para o Estadão.

Fonte: O Estado de São Paulo

‘Não vamos atropelar na Olimpíada’

Novo capitão do time de Mano, jogador do Milan aposta no favoritismo do Brasil em Londres, mas pede cautela e humildade

MATEUS SILVA ALVES , ENVIADO ESPECIAL /DALLAS – O Estado de S.Paulo

Ele pode não admitir, mas não há como negar: em Londres, a seleção brasileira será Thiago Silva e mais 10. Um dos melhores zagueiros do mundo, o jogador do Milan é um homem em quem Mano Menezes confia demais, tanto que deu a ele a emblemática faixa de capitão. Com a experiência de ter participado da frustrante campanha olímpica do Brasil em 2008, Thiago terá a missão de liderar a turma de Mano em mais uma tentativa brasileira de finalmente conquistar a medalha de ouro. E ele pretende fazer isso à sua maneira, sem tentar se impor na base do grito.

As convincentes vitórias da seleção sobre Dinamarca e Estados Unidos são suficientes para decretar que o time já encontrou o caminho para chegar ao ouro?

Não, é cedo ainda, foram apenas dois jogos. Por incrível que pareça fizemos dois belíssimos jogos, então conseguimos mudar aquela desconfiança que existia sobre nós, mas não dá para colocar sapatinho alto. É preciso manter a humildade para desfrutar desse momento bom que estamos vivendo. Não são duas vitórias que vão mudar nosso ambiente, temos de jogar da mesma forma que temos feito, com confiança.

Mas não há como negar que as vitórias tornam qualquer ambiente mais agradável…

Sim, o ambiente está maravilhoso para trabalhar, para se conviver. Esse é o momento que nós brasileiros gostamos de viver, não é aquele momento triste, mas de pura alegria.

Você esperava um rendimento tão alto de uma seleção que não é a principal?

A gente sabe que muitos dos que estão aqui podem fazer parte da seleção considerada principal, não que essa aqui não seja. Se você for analisar os jogos, essa seleção teve porcentagem maior de posse de bola e de qualidade do que as outras. Qualquer um aqui pode fazer parte da seleção principal. Todos jogam em grandes clubes e muitos são titulares. Aqui não tem juvenil, todos têm experiência.

De qualquer maneira, o time é jovem. Vocês tinham algum receio de que a equipe não fosse capaz de jogar bem contra Dinamarca e Estados Unidos?

Aqui dentro nunca houve essa dúvida. Se houvesse, o Mano não convocaria os jogadores que aqui estão. Se ele convocou esses jogadores para jogos tão importantes, é porque temos qualidade, não foi à toa que fizemos dois grandíssimos jogos. E sem falar que o público foi contra nós na duas partidas, e nós suportamos muito bem a pressão. Domingo (hoje) vai ser a mesma coisa, mas a personalidade da rapaziada é uma coisa que está me impressionando bastante. Sem falar do comprometimento. Se você não tem comprometimento no futebol, dificilmente você consegue alguma coisa. E o comprometimento que a gente está tendo um com o outro é espetacular.

A preparação para os Jogos de Pequim foi muito criticada na época. O trabalho agora está sendo mais bem feito?

Está sendo muito diferente, no meu modo de ver. Não é desde esses dois jogos que o Mano está convocando jogadores com idade olímpica, é desde o primeiro jogo dele, quando começou a prestar atenção nos jogadores com os quais podia contar. As pessoas diziam que havia muitos jogadores jovens na seleção e ele respondia que o primeiro objetivo dele era a Olimpíada. Nessa última convocação antes da Olimpíada, foi chamado mais ou menos o pessoal que ele observou antes. O time tem uma base da seleção sub-20 que jogou o Sul-Americano e isso é bom porque você não coloca tantos jogadores jovens que nunca jogaram juntos.

Muita gente acredita que o Brasil não terá adversários à sua altura em Londres. Concorda?

A gente que joga sabe que futebol muda a cada minuto, não tem essa de que não tem time de expressão, como todo mundo diz, e que a gente vai atropelar qualquer um. Chegando lá a gente pode se enganar, até porque todo mundo que joga contra o Brasil mantém os 11 jogadores atrás da linha da bola. Essa história de que não vamos ter adversários engana. E nos coloca sob mais responsabilidade. É inevitável a gente ler algumas coisas, e se a gente lê isso talvez a gente comece a acreditar, e não pode ser assim. Temos de ser humildes o suficiente para respeitar todos os adversários.

A conquista do ouro será fundamental para que a seleção faça bonito na Copa de 2014?

O futebol é uma coisa engraçada. Você depende de resultados para ter mais confiança e se não tem resultados você está arriscado a ver o técnico perder o emprego e os jogadores não serem mais convocados. Se ganharmos a Olimpíada, que nunca vencemos, isso nos dará mais moral, mas não acredito que o time vá se abalar em caso de derrota. Apesar de jovem, o grupo é muito ambicioso, com jogadores que querem algo a mais e não se abatem com as derrotas. Em todos os momentos ruins, principalmente no início, o mais importante foi a amizade dos jogadores.

O que representa para você ser capitão da seleção?

É uma sensação nova ser capitão, pouco a pouco estou pegando esse espírito. Não esperava ser capitão da seleção, o que eu sonhava era um dia jogar com essa camisa, mas desde que fui escolhido tenho me surpreendido bastante, até com a forma de falar com os jogadores.

Sua relação com os companheiros mudou?

Mudou. Ela muda porque você tem de saber o modo de falar com todo mundo. Tem jogador que aceita de uma forma e jogador que aceita de outra. De repente você não pode levantar a voz para um Neymar, mas pode levantar para um Lucas, cada um reage de um jeito diferente. Principalmente nos momentos difíceis que a equipe atravessa, você tem de ser o mais tranquilo. E isso não é uma coisa fácil.

O Brasil inteiro considera que você já está convocado para a Olimpíada. Você pensa assim?

Isso para mim não diz nada, o que vale é a palavra do homem (Mano). As pessoas podem me considerar um dos líderes da seleção e ele pensar de outra forma. A mesma coisa vale para a convocação. Todo mundo está achando que eu vou, mas até o momento ele não me falou nada. Quero muito ir para a Olimpíada porque na primeira (Pequim/2008) não tive a oportunidade de participar tanto. Eu me machuquei no último amistoso antes da estreia.