Por Cleber Aguiar – Ex-centroavante do Santos, Coutinho fala com o Estadão

Fonte: O Estado de São Paulo

Hilton Authentic

Por que Coutinho, ‘o maior centroavante que o Brasil já teve’, se fecha numa névoa espessa, procurando conter a própria glória?

CHRISTIAN CARVALHO CRUZ

Ainda no alto da Serra do Mar eu olhava o tempo horrivelmente bonito, de nuvens cinza baixíssimas, garoa, mas com o sol forte brilhando sobre a vegetação, e pensava que aquilo bem podia resumir o Coutinho. Eu nunca estivera com ele. Mas depois de ler a seu respeito e ouvir algumas pessoas, levava para o nosso encontro a impressão de que o eterno camisa 9 do Santos, lembrado em qualquer botequim como “o maior centroavante que o Brasil já teve”, na velhice tinha se tornado aquele céu contraditório, uma névoa espessa esforçando-se para conter a própria glória. De modo geral as opiniões que eu reunira convergiam para a imagem de um astro sombrio: “Foi gênio, só que muito ressentido. Nunca lidou bem com o fato de ter passado a carreira – e a vida – à sombra do Pelé”.

No começo da semana, um reforço. Saiu no jornal que o Coutinho se recusou a participar do documentário Santos, 100 Anos de Futebol Arte, de Lina Chamie, porque não lhe pagaram. “O filme vai rodar o mundo, alguém vai lucrar. E os artistas não tiveram cachê. Achei melhor não participar”, foi a explicação dele, que ainda se queixou dos confetes todos derramados sobre Neymar e seus 108 gols pelo Santos. “Não citam Pepe (405 gols), Toninho Guerreiro (283), Dorval (198), Edu (183). Tem muita gente na frente.” Tem Coutinho na frente, com 370, o terceiro maior artilheiro da história do clube. “Montei o filme com a entrevista que ele me deu e não autorizou o uso. Era inconcebível falar dos 100 anos do Santos sem falar do Coutinho”, conta Lina Chamie. No último dia de edição eu ainda telefonei para tentar demovê-lo. Ele não foi rude. Disse apenas ‘Não quero mesmo participar’.” Entrevista não há, mas Coutinho está lá, marcando gol e tendo seu nome gritado pelo locutor: “Cou-ti-nho!”

Nos últimos meses, ele também quis ficar fora do livro Os 10 Mais do Santos, de Thiago Arantes, cobrou para aparecer em Pelé – Primeiro Tempo (depoimentos de ex-jogadores, jornalistas e autoridades) e, no ponto alto das celebrações do centenário do clube, o dia do lançamento do belíssimo Santos – 100 Anos de Futebol Arte, de Odir Cunha, preferiu jogar cartas no bar da esquina a se juntar a alguns ex-companheiros no salão nobre da Vila Belmiro. O que passava? Não bastava o Pelé ter dito e repetido que sem o Coutinho, a quem chama de “irmão”, não teria feito a metade dos 1.091 gols que fez pelo Santos? Não adiantava Almir Pernambuquinho, outro craque santista, ter explicado que para conseguir brilhar ao lado de Pelé só mesmo jogando muuuuita bola? Aquele tipo quase masoquista de autossabotagem me fascinava. Liguei para ele pedindo uma entrevista. “Claro. Amanhã às 3 da tarde no salão do Didi, em frente ao portão 6 da Vila.” Nem quis saber o tema da conversa. Foi direto e objetivo, resoluto, como nos bons tempos de goleador que não brincava em serviço.

O Didi é criador do topete do Pelé e até hoje atua como seu personal hair stylist. Apesar de aparar o bigode no Didi semanalmente, curioso o Coutinho ter marcado o encontro ali. As paredes do pequeno salão são forradas de imagens do… Pelé. Tem Pelé em todas as fases, de todos os tamanhos, desenhado, fotografado, pirografado. O Coutinho está aqui e li, mas nunca sozinho. Aparece sempre na formação tradicional do timaço dos anos 60, naquela linha de ataque que até hoje soa como Bach: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Nenhuma do Coutinho sozinho, Didi? “Tem essa aqui, fiz questão de guardar. Este é o Coutinho”, ele apontou, sorrindo, um retrato pendurado mais para o fundo mal iluminado do recinto. E o “este é o Coutinho” serviu menos para identificar o cliente do que para resumir sua personalidade. Na foto, um Coutinho em fúria estica o dedo a milímetros do nariz de um árbitro, que parece se esquivar andando para trás. A legenda diz somente “A bronca do craque”. Sua figura ameaçadora, de olhos de açoite, me lembrou Muhammad Ali, o boxer.

“Sabe que eu gostava desse rapaz?”, diz o Coutinho, já sentado à mesa de plástico do bar contíguo à barbearia do Didi, quando eu comento sobre sua semelhança com Ali, na juventude. Ele chegara sozinho, pilotando seu Toyota Corola preto. Desceu sorridente, de sandálias de couro sem meia, camisa azul de punhos desabotoados, unhas feitas e puxando a calça jeans para cima. Apesar da aparência de banho tomado, cheirava a cigarro. “O Zito vivia me dizendo ‘ah, neguinho, você é muito rebelde’. Vai ver é por isso que você me acha parecido com o Ali. Mas eu sempre fui bem mais preto e ele bem mais alto.” O apelido, por sinal, vem do seu corpo mirrado já na infância. Um coto, um cotinho, como chamavam em casa, em Piracicaba, ao terceiro dos cinco filhos de seu Waldermar e dona Antônia – ele funcionário de um engenho de cana, ela lavadeira. O “u” intrometeu-se quando chegou ao Santos, aos 14 anos (aos 15 já estava entre os profissionais). Feroz como Ali no ringue, ele diz que nunca foi. “Eu era mal-humorado, isso sim.”

Uma contradição, se você vir no YouTube a alegria circense do Santos daquele tempo. E também se olhar a fotografia do time reunido, na qual Coutinho, um menino de aparente espírito leve, aparece sorrindo e envolvendo Dorval e Pelé com os braços esticados. Ele me explica que o ponto de ebulição era o primeiro toque na bola. Nesse instante seu corpo se esvaziava de qualquer sensação de tempo e espaço, de qualquer preocupação ou lembrança, para se preencher imediatamente de um único sentimento: a vontade doentia de vencer. “Era nessa hora que fazia efeito a mijadinha do medo”, ele diz, referindo-se a ritualística última aliviada que o time inteiro dava no túnel de acesso ao gramado. “Eu mijava o medo fora ali, mas era ao encostar na bola que a ficha caía, que eu me transformava. Eu só pensava em não desperdiçar a chance quando ficasse de frente para o gol. Porque, escuta aqui, se você é um atacante e recebe a bola de frente para o gol, não tem como errar, só se for muito grosso. Basta levantar a cabeça. Se levantar a cabeça você enxerga tudo, tudo, tudo: o companheiro melhor posicionado, o goleiro, a torcida, o refletor, o bandeirinha, o zagueiro chegando… Então, se quiser chutar em vez de passar, é só ver a perna que o goleiro mexe primeiro e colocar a bola naquele lado. Ele nunca terá como voltar.” Realmente, muito fácil.

O Coutinho fala com a gente olhando o tempo todo na cara. Não baixa a cabeça, não volta os olhos para o lado, para o horizonte, para lugar nenhum. Meu plano era tentar conversar com ele sem citar o nome de Pelé, deliberadamente surrupiar da história o camisa 10 da tabelinha que deu tantas alegrias ao Santos e que de alguma forma parecia trazer desconforto ao 9. Quanto tempo duraria? Seria possível falar de Coutinho sem falar de Pelé? Não foi. Lá pelos cinco minutos de bola rolando o próprio Coutinho falou: “Eu era menino e um dia o Santos foi a Piracicaba enfrentar o XV. Eu quis muito assistir ao jogo porque se falava muito no rádio e nos jornais de um tal de Pelé. Eu queria ver o tal de Pelé. O Santos venceu por 4 x 0 com quatro gols dele. Na arquibancada comentei com um senhor que estava ao meu lado: ‘Esse Pelé é bom mesmo’. E ele respondeu: ‘O neguinho é demais’. Foi um choque. Eu achava que o Pelé era o branco da camisa 9 que tinha dado todos os passes pros gols. Este na verdade era o Pagão, que me deixou maluco e virou meu ídolo. ” Não precisa ser um craque da psicanálise para vislumbrar um Coutinho falando de si mesmo, de sua trajetória ao lado do grande Rei do Futebol. Pagão era o ídolo do Chico Buarque, eu comento. Coutinho rebate de primeira: “Mais depois dele sou eu”.

Às portas dos 69 anos, ele leva uma vida confortável em Santos. Dá aulas de futebol em projetos sociais em Cubatão e Extrema (MG) e tem imóveis de aluguel. “Precisar não precisamos. Eu e a patroa trabalhamos ainda porque não conseguimos ficar parados”, diz o Coutinho, explicando que a opção de não participar dos livros e filmes nada tem a ver com falta de dinheiro. “É uma questão de justiça. Quando é pro Santos eu faço. Se tem intermediário que vai levar grana com o meu nome, quero a minha parte. Abre um livro sobre o Santos aí. O autor marcou quantos gols? Conquistou quantos títulos? Estourou quantas vezes o joelho? Então, o Coutinho e as outras estrelas do espetáculo que fizeram tudo isso não levam nada? Tô fora”, ele esbraveja, dando uma banana. Mas assim você se sabota, Coutinho, fica fora da história de um esporte no qual foi um dos maiores, eu arrisco. “Não preciso disso. Sou reconhecido todos os dias na rua, dou palestras, meus amigos gostam de mim. Veja só, no mês que vem sai a minha biografia autorizada. Eu autorizei porque o autor é legal, um cara sério. Não quis levar vantagem. E eu nem pensei em fazer 70% das vendas pra mim, 30% pra ele. Fiz questão de que fosse meio a meio.”

A “patroa” do Coutinho é a Vera Lúcia, com quem logo celebrará bodas de ouro. Ela costura 400 sungas por semana para uma confecção. Em casa mesmo. Acha fácil conviver com o Coutinho, “só precisa ter paciência”. O chama de Honoróio, que é o terceiro nome de um homem sem sobrenome: Antônio Wilson Honório. Eles tiveram três filhos, duas meninas e um menino. O rapaz, Kleber, que jogou no juvenil do Santos – com a camisa 10 – morreu em 1989, aos 23 anos. O Coutinho não gosta de tocar no assunto, mas está assim na biografia autorizada Coutinho, o Gênio da Área, de Carlos Fernando Schinner: “A morte do filho é ainda hoje um assunto tabu para o ex-camisa 9. Coutinho não fala sobre a doença que matou Kleber e, ao lembrar-se do filho, com a voz embargada e lágrimas nos olhos, não se perdoa, acha que não ajudou o rapaz o bastante, como realmente deveria”. Sem saber o que dizer, digo que posso imaginar a dor que ele sente. O Coutinho me fulmina como numa cobrança de pênalti sem paradinha: “Você também perdeu um filho? Ah, não? Então, me desculpa, você não pode imaginar a dor que eu sinto”. Aos domingos, ele vai conversar com Kleber na missa da Igreja Santa Josefina Bakhita. “Sou devoto dela, uma santa dos escravos.”

O joguinho de tranca que o Coutinho disputa todas as noites ali mesmo no bar ao lado do Didi ainda vai longe. Seus companheiros de mesa brincam que, ao contrário dos tempos de centroavante, no pano verde felpudo ele segura demais o jogo. E tem pudores de sujar canastra com coringa de outro naipe. Coisas do Coutinho. Do Neymar ele não quer falar. De seleção brasileira, só um pouquinho, sempre em profundidade: “Seleção? Podemos chamar de seleção um time sem o Arouca, c@&*)*#?!”, ele pergunta retoricamente, citando o atual médio-volante do Santos e encaixando na frase um palavrão que rima com baralho. “O Mano Menezes não dura até a Copa. Deve entrar esse aí no lugar”, continua, apontando com o queixo o estádio do Peixe do outro lado da rua. O “esse aí” é Muricy Ramalho, que de um jeito ou de outro tem um quê marrento do Coutinho. O Santos jogaria logo mais pela Libertadores e estranhamente nenhum dos quatro na mesa de tranca falava de futebol – nem mesmo o dono do estabelecimento, que carrega 12 escudos do Santos tatuados nos braços e um na testa. Ninguém xinga, ninguém bate na mesa… Uma modorra que só vendo. Coutinho acaricia o joelho direito que lhe custou a Copa de 62 e acabou sendo sua ruína, pede outra cerveja e acende um cigarro que talvez diga muito dele. Um Hilton Authentic.

Por Cleber Aguiar – Santos x Vélez: ingressos para duelo à venda para sócios do Peixe

Fonte: Globo.com

Carga total de bilhetes para duelo pelas quartas de final será de 15.500 entradas para jogo contra os argentinos

Por GLOBOESPORTE.COM Santos, SP

O Santos atendeu ao pedido do técnico Muricy Ramalho e dos jogadores mandando a partida de volta contra o Vélez Sarsfield-ARG para a Vila Belmiro, válida pelas quartas de final da Libertadores. Por conta desta decisão, o torcedor do Peixe terá de pagar mais caro pelo ingresso para ver o jogo decisivo. Os bilhetes já estão disponíveis ao preço de R$ 45 exclusivamente para sócios do clube, que pagam meia-entrada e adquirem os bilhetes por meio do site Sócio Rei.

A carga total para o jogo será de 15.500 ingressos, só que apenas 5 mil serão colocados à venda. Do restante, aproximadamente 5 mil são de donos de cadeiras e camarotes, enquanto os outros cerca de 5 mil ficam entre Conmebol (cadeiras laterais e de fundo) e torcida visitante – uma pequena parte.

A expectativa no Peixe é de que todas as entradas se esgotem ainda nesta segunda. Caso a previsão não se confirme, o clube divulgará o esquema de venda de bilhetes para os demais torcedores à noite.

Para fazer com que os torcedores cheguem cedo ao estádio, o Santos fará uma promoção: quem entrar até uma hora antes do início da partida ganhará um “vale refrigerante” a ser trocado dentro da Vila.

Quando entrar em campo nesta quinta-feira, às 20h, o Santos precisará vencer por dois gols de diferença para eliminar os argentinos e seguir na competição continental.

Por Cleber Aguiar – Entrevista de Pelé ao Estadão.

Fonte: O Estado de São Paulo

‘A gente vai se sair bem, mas está muito atrasado’

Pelé reconhece problemas na organização da Copa do Mundo e cobra definição de Mano Menezes quanto à seleção

Roberto Bascchera – O Estado de S.Paulo

 

Quando foi convidado pela presidente Dilma Rousseff para ser embaixador da Copa no Brasil, em julho do ano passado, Pelé não imaginou que teria de fazer o papel, como ele mesmo diz, de “bombeiro”. Sua função seria promover o evento de 2014 no País e no exterior. Afinal, ele participara dos comitês dos Mundiais dos Estados Unidos (1994), Coreia do Sul/Japão (2002) e África do Sul (2010). No Brasil, no entanto, Pelé se viu diante de obras atrasadas, indefinições, desentendimentos entre dirigentes, disputas clubísticas e construtoras sob investigação. “Não tem por que haver tantos problemas”, diz. “Há muita coisa atrasada, mas, se Deus quiser, vamos nos sair bem.”

Outro motivo de desconforto para Pelé é a seleção. Ele acredita que o Brasil tem condições de trazer a medalha de ouro de Londres, mas critica a ausência de Arouca, volante do Santos, nas listas de Mano Menezes. Também acha que Dedé, do Vasco, tem lugar certo no time (o zagueiro está machucado) e, sua principal crítica: cobra definição.

“Tem de haver decisão. Dizer a equipe é essa e treinar, senão a equipe olímpica fica na dificuldade que a profissional (a principal) está tendo, sem base.” Pelé cita como exemplo João Saldanha, que usou Santos e Botafogo, os melhores times do País no final dos anos 60, para montar a espinha dorsal do time tricampeão no México, em 1970.

No mais, como sempre cheio de compromissos profissionais e ansioso pela conclusão de seu grande projeto no momento, o Museu Pelé, em Santos, o Rei continua encantado com Neymar e, profético, previu na quarta-feira que o Santos terá dificuldade para eliminar o Vélez Sarsfield. Se passar, leva a Libertadores.

Os prazos da Copa estão apertados e um relatório recente da Fifa mostra que as obras de alguns estádios estão muito atrasadas. O que acha disso?
Eu fiz uma brincadeira e disse que a Dilma me convidou para ser embaixador e estou aqui para apagar fogueiras (risos). Há coisas que não dá para a gente entender. Somos todos brasileiros… Um exemplo: a presidente me pediu para ir ao Rio Grande do Sul porque estava dando aquele problema com o Grêmio e o Internacional. A Copa das Confederações já estava decidida que seria no campo do Inter. O Inter atrasou um pouco as obras, o Grêmio adiantou a construção do seu campo e queria dar uma rasteira no Inter. Eu fui falar com o governador (Olívio Dutra): “Somos todos brasileiros, por que essa briga?” Agora, infelizmente, aconteceu esse negócio lá no Rio, no Maracanã, esse problema por causa da (Construtora) Delta, do (Carlinhos) Cachoeira. No próprio Brasil, um evento aqui dentro e essas brigas… Não tem porquê, não dá para entender.

Como integrante do comitê organizador você conseguiu fazer alguma coisa?
A minha missão é mais conversar, como fiz lá no Rio Grande do Sul. Felizmente resolvemos o problema, assim como foi resolvido o do Itaquerão, que não se definia. Felizmente parece que agora vai.

Hoje, você está mais otimista ou preocupado com a Copa?
É evidente que nós somos brasileiros e achamos que temos de fazer a melhor Copa do Mundo. Só como exemplo: eu, como brasileiro, me orgulho muito de ter sido embaixador da Copa no Japão e Coreia, a convite deles. Houve briga porque achavam que deveria ser só Japão e depois entrou a Coreia, e eu estava trabalhando com o comitê japonês, mas saiu tudo bem. Quando os Estados Unidos pleitearam a Copa, eu trabalhei na organização. Eles fizeram uma das Copas mais organizadas, com dinheiro de empresas privadas, sem verba pública. Na África do Sul, o (Nelson) Mandela pediu para dar uma ajuda, e entregamos a Copa. No meu País, você acha que vou aceitar que dê algum problema? Essa é minha preocupação, mas, se Deus quiser, a gente vai sair bem. Só que está muito atrasado.

Você também agiu na crise do Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, por causa do famoso “chute no traseiro”?
O ministro Aldo Rebelo (Esporte) ficou muito triste, muito chateado com a declaração do Valcke. Eu trouxe o (Joseph) Blatter (presidente da Fifa) aqui. Quando estive no Gabão, falei com o presidente Blatter que ele precisava vir aqui e ele veio. Graças a Deus houve essa união, porque foi indelicada pra chuchu aquela declaração do Valcke. Agora está tudo bem. Pelo menos o bombeiro funcionou, porque o presidente Blatter não queria vir aqui conversar com a Dilma.

Estamos a menos de três meses da Olimpíada. Qual sua opinião sobre a base convocada por Mano Menezes?
A lista teve algumas surpresas, também pelo fato de ele poder usar jogadores acima do limite de idade de 23 anos. Pelo que vimos nesses últimos anos, eu acho que o Arouca deveria ter sido convocado, pelo que vem jogando. O Brasil não enfrenta dificuldades porque tem muitos jogadores bons. Só acho que tem de haver uma decisão, dizer “a equipe é essa” e treinar, senão fica na dificuldade que a profissional está tendo, não tem base. Uma coisa que muitos esquecem, ou melhor, se lembram mas não elogiam: o João Saldanha, que era treinador interino do Botafogo, era jornalista, e o que fez em 70? Estava com dificuldade, pegou os dois melhores times brasileiros, Santos e Botafogo, e fez a base. Depois trouxe Tostão, trouxe Rivellino, mas tinha uma base montada, coisa que nós não temos ainda.

Então o Mano Menezes está devendo?
Falta um ano e meio para a Copa e ainda não temos base, ele está retardando essa decisão. Espero que depois da Olimpíada ele possa fazer um time e o deixe jogar, treinar.

O Neymar prometeu a medalha de ouro para o presidente da CBF…
Você já ouviu falar num tal de Pelé (risos)? Dizem que o Brasil não tem um título olímpico porque o Pelé não jogou. Na época, profissionais não podiam jogar, e eu, com 17 anos, já era profissional. Mas o Brasil tem todas as condições de trazer (a medalha de ouro). Acho que o Neymar vai trazer pra gente.

E na Libertadores, vai dar Santos?
Esse confronto (o da última quinta-feira) com o Vélez é o mais importante. Contra um time argentino, que tem mais experiência. Se passar, com os brasileiros (Corinthians ou Vasco, na semifinal) não tenho muita preocupação, porque eles se conhecem. Mas no futebol nunca se sabe. Quem diria que o Barcelona ficaria fora da Champions League? E, aqui em São Paulo, entrariam Ponte e Guarani nos lugares de Corinthians e São Paulo?

Imagino que o Museu Pelé, que você vem preparando em Santos, seja a realização de um sonho pessoal. Aos 71 anos, ainda há outros?
É aquela história, se você está vivo, vive sonhando. Essa coisa do trabalho com as crianças, com os jovens, é muito importante e é um sonho, um legado ao País que eu gostaria de deixar, a educação das novas gerações. Tenho várias ideias para escolinhas do Pelé, como a Litoral, que eu tenho em Santos. E depois dar prosseguimento a isso com o Edinho, que já é treinador lá no Santos. Já deixei o DNA lá, né (risos)? O Edinho não teve a sorte que o pai teve, porque quebrou o joelho num jogo com o Palmeiras, mas está no Santos agora como auxiliar técnico.

Qual será a peça principal do seu museu?
Tem tanta coisa importante… Tem o troféu de atleta do século, tem peças de ouro, brilhantes, esmeraldas, como a coroa que eu recebi lá de Minas. Tem também a caixa de engraxate, com um valor sentimental muito grande. E junto com ela, os primeiros 400 réis que ganhei engraxando sapatos dos amigos do meu pai, que jogavam no BAC (Bauru Atlético Clube). Eu entreguei o dinheiro para o meu pai. Minha mãe guardou esse dinheiro e a caixa de engraxate. Eu tinha 12, 13 anos. O valor disso é inestimável.

Quem você vai convidar para a inauguração do museu?
Tem tanta história, tanta gente, que ainda não dá para saber direito. Mas vai ser um chamariz de turismo muito grande para Santos. E durante a Copa, muita gente deve visitar.

ICFUT – BRASILEIRÃO 2012 – GOLS, JOGOS & CLASSIFICAÇÃO 1º RODADA

Corinthians 0 X 1 Fluminense – Brasileirão 2012

Ponte Preta 0 X 1 Atlético-MG – Brasileirão 2012

Internacional 2 X 0 Coritiba – Brasileirão 2012

Vasco 2 X 1 Grêmio – Brasileirão 2012

Bahia 0 X 0 Santos – Brasileirão 2012

Cruzeiro 0 X 0 Atlético-GO – Brasileirão 2012

Botafogo 4 X 2 São Paulo – Brasileirão 2012

Figueirense 2 x 1 Náutico – Brasileiro 2012

Palmeiras 1 x 1 Portuguesa –  Brasileiro 2012

Sport 1 x 1 Flamengo – Brasileiro 2012

LINK AO VIVO PARA OS JOGOS DO BRASILEIRÃO 2012 – CLIQUE AQUI

Time PG J V E D GP GC SG (%)
1 Botafogo 3 1 1 0 0 4 2 2 100
2 Internacional  3 1 1 0 0 2 0 2 100
3 Figueirense  3 1 1 0 0 2 1 1 100
3 Vasco  3 1 1 0 0 2 1 1 100
5 Atlético-MG  3 1 1 0 0 1 0 1 100
5 Fluminense  3 1 1 0 0 1 0 1 100
7 Flamengo  1 1 0 1 0 1 1 0 33
7 Palmeiras  1 1 0 1 0 1 1 0 33
7 Portuguesa  1 1 0 1 0 1 1 0 33
7 Sport  1 1 0 1 0 1 1 0 33
11 Atlético-GO  1 1 0 1 0 0 0 0 33
11 Bahia  1 1 0 1 0 0 0 0 33
11 Cruzeiro  1 1 0 1 0 0 0 0 33
11 Santos  1 1 0 1 0 0 0 0 33
15 Grêmio  0 1 0 0 1 1 2 -1 0
15 Náutico  0 1 0 0 1 1 2 -1 0
17 Corinthians 0 1 0 0 1 0 1 -1 0
17 Ponte Preta  0 1 0 0 1 0 1 -1 0
19 São Paulo  0 1 0 0 1 2 4 -2 0
20 Coritiba  0 1 0 0 1 0 2 -2 0

Proxima Rodada

2ª RODADA – 26/05/2012
HORA JOGO ESTÁDIO CIDADE
18h30 Flamengo x Internacional Engenhão Rio de Janeiro
18h30 Portuguesa x Vasco Canindé São Paulo
18h30 Atlético-GO x Ponte Preta Serra Dourada Goiânia
21h00 Náutico x Cruzeiro Aflitos Recife
2ª RODADA – 27/05/2012
HORA JOGO ESTÁDIO CIDADE
16h00 Santos x Sport Vila Belmiro Santos
16h00 São Paulo x Bahia Morumbi São Paulo
16h00 Atlético-MG x Corinthians Independência Belo Horizonte
16h00 Coritiba x Botafogo Couto Pereira Curitiba
18h30 Fluminense x Figueirense Engenhão Rio de Janeiro
18h30 Grêmio x Palmeiras Olímpico Monumental Porto Alegre
1ª RODADA – 19/05/2012
HORA JOGO ESTÁDIO CIDADE
18h30 Palmeiras 1 x 1 Portuguesa Pacaembu São Paulo
18h30 Sport 1 x 1 Flamengo Ilha do Retiro Recife
21h00 Figueirense 2 x 1 Náutico Orlando Scarpelli Florianópolis
1ª RODADA – 20/05/2012
HORA JOGO ESTÁDIO CIDADE
16h00 Botafogo 4 x 2 São Paulo Engenhão Rio de Janeiro
16h00 Corinthians 0 x 1 Fluminense Pacaembu São Paulo
16h00 Internacional 2 x 0 Coritiba Beira-Rio Porto Alegre
16h00 Ponte Preta 0 x 1 Atlético-MG Moisés Lucarelli Campinas
18h30 Vasco 2 x 1 Grêmio São Januário Rio de Janeiro
18h30 Cruzeiro 0 x 0 Atlético-GO Parque do Sabiá Uberlândia
18h30 Bahia 0 x 0 Santos Estádio de Pituaçu Salvador