Por Cleber Aguiar – Melhor árbitro, PC Oliveira banca o técnico e decora nomes dos atletas

Fonte: Globo.com

Escolhido pelos atletas, paulista revela que estuda táticas dos times, lê tudo antes dos jogos, treina sozinho no campo e prioriza lado psicológico

Por Alexandre Lozetti São Paulo

“Nenhum”. “Não tem”. “Tá difícil”. Foram algumas das respostas dos jogadores das Séries A e B, questionados sobre o melhor árbitro do Campeonato Brasileiro. Sem falar nos 149 atletas que preferiram não opinar.

Entre mortos e feridos, salvou-se Paulo César de Oliveira. O paulista goleou seus adversários na pesquisa realizada em conjunto pelo GLOBOESPORTE.COM e a revista “Monet”. Ele recebeu 75 votos, o triplo do segundo colocado, o gaúcho Leandro Vuaden.

As respostas nos questionários evidenciam certa insatisfação com a arbitragem brasileira. Logo abaixo dos cinco mais votados, vem a opção “Nenhum”, seguida por dois aposentados: Leonardo Gaciba e Carlos Eugênio Simon. Por isso, o popular PC festejou o resultado, e revelou alguns segredos que considera essenciais para conquistar os boleiros.

Paulo Cesar Oliveira (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Paulo César de Oliveira na final do Paulistão: Santos 4×2 Guarani (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

O árbitro, que já participou de 246 jogos na primeira divisão do Brasileirão, faz questão de estudar as equipes antes de cada partida. Desde o sistema tático utilizado pelo treinador até o nome dos atletas. Quando começou a carreira, em 1991, e fez o curso da Federação Paulista de Futebol em 1994, a orientação era para que evitassem informações sobre os jogos, para não se influenciarem. A tendência mudou e Paulo César adota postura totalmente oposta. Consome informações loucamente antes de cada atuação.

– Não posso ser pego de surpresa por uma jogada ensaiada, por exemplo. A bola parada tem decidido muitos jogos. Algumas equipes usam um jogador que sai da posição de impedimento, então falo para o assistente esperar antes de levantar a bandeira, porque ele pode sair para vir outro de trás. Há times que usam um centroavante como pivô, outros que têm dois atacantes rápidos. Nesse caso, preciso usar atalhos para acompanhar mais de perto. Quanto mais informações, melhor – explica o árbitro, que atua sabendo quem são os jogadores pendurados com cartões amarelos.

Grafico Arbitros 3 (Foto: Infoesporte)Paulo César de Oliveira teve o triplo dos votos do segundo colocado na eleição dos atletas (Foto: Infoesporte)

Em campo, o preferido dos jogadores ainda é chamado de “professor” por alguns, mas garante que a maioria, até os mais novatos, falam seu nome. Talvez uma troca de gentilezas. PC acha muito desagradável chamar um atleta pelo seu número de camisa, ou emitir sons vocais como se estivesse brincando com animais. Por isso, no vestiário, analisa a relação dos times e tenta decorar os nomes antes de subir ao gramado.

– Principalmente o goleiro, de quem às vezes tenho de pedir pressa, os laterais, que cobram os arremessos, algumas posições estratégicas. O jogador gosta, sobretudo em jogos de segunda divisão, no interior de São Paulo. Ele para, olha, observa… É um relacionamento com respeito.

Mas tantas cartas na manga não livraram Paulo César de Oliveira de uma carreira polêmica. Aos 38 anos, ele coleciona acaloradas discussões e críticas veementes. Já chegou a ser vetado por Palmeiras, Santos e São Paulo junto à comissão de arbitragem. Nos últimos anos cometeu erros graves no Brasileirão, como por exemplo no jogo entre Internacional e Bahia, quando deu apenas cartão amarelo e marcou jogada perigosa em entrada do zagueiro Bolívar, que rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo do lateral-esquerdo Dodô, e o tirou dos gramados por seis meses (veja no vídeo acima).

Na ocasião, o comentarista de arbitragem da TV Globo, Arnaldo Cezar Coelho, criticou duramente sua atuação no Beira-Rio.

– Foi a pior arbitragem que eu vi na carreira do Paulo César de Oliveira. Ele inventou aquele tiro livre indireto no lance do Bolívar com o Dodô, se acomodou. Esteve mal posicionado. Foi uma péssima atuação – decretou.

Para evitar novas críticas, o árbitro corre, pedala, apita e se exercita. Em silêncio e isolado, ao contrário dos jogadores, cujos treinos são acompanhados diariamente. Em cena inusitada, ensaia posicionamento, deslocamento e simula marcações de faltas sozinho no campo de sua cidade, Cruzeiro, no interior de São Paulo. Nas viagens, aproveita as horas em hotéis, aviões e aeroportos para repassar o livro de regras. Para completar, trabalha a mente. Em sua opinião, um vilão na carreira de um árbitro.

– Muitos têm talento, mas não conseguem conviver com críticas. É preciso desenvolver o lado psicológico, treinar com chuva, suportar a distância da família, abrir mão de dia das mães, aniversário de casamento… A arbitragem é um sacerdócio – filosofa.

Apesar de ter comemorado a pesquisa, Paulo César jura que não vai usar o resultado para argumentar em possíveis discussões durante uma partida. Até porque ele busca vencer também, pela primeira vez, o prêmio oferecido pela CBF no fim do ano. Com planos de apitar por mais sete temporadas, o árbitro de 38 anos gostaria de trabalhar na instrução de colegas depois de aposentado.

Filho de dona Teresa, irmão de outros dez homens (inclusive o também árbitro Luiz Flávio de Oliveira, que recebeu três votos na pesquisa), o paulista deixou de ser centroavante no time da família para virar centro das reclamações (assista vídeo ao lado sobre o início da carreira de Paulo César, em 1997). Decisão recompensada por notícias como essa, de ser o “queridinho” dos boleiros, às vésperas do início do Campeonato Brasileiro, considerado pelo veterano um dos mais difíceis do mundo pelo grande número de candidatos ao título.

– Recebo com orgulho porque são os jogadores com quem lidamos. E me dá responsabilidade para manter o padrão. Ter credibilidade é muito legal. É legal para o ego, faz bem, mas não posso usar isso para relaxar ou atuar de forma diferente.

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