Por Cleber Aguiar – Entrevista de Daniel Alves para o Estadão.

Fonte: O Estado de São Paulo

‘Nosso trabalho não será interrompido’, diz Daniel Alves sobre Barcelona

Lateral diz que balanço do time até agora é superpositivo e mudar conceitos por causa de derrotas seria um erro

Raphael Ramos – O Estado de S.Paulo

Acostumado a triturar quem aparecesse na sua frente, o Barcelona passou a ter o seu estilo de jogo questionado depois de fracassar no Campeonato Espanhol e na Copa dos Campeões. Muitos chegaram a decretar o fim de uma ciclo com o anúncio da saída de Pep Guardiola. O lateral-direito Daniel Alves, no entanto, diz que nada deve mudar no time catalão. Sob o comando de Tito Vilanova, a ideia é que a filosofia de jogo que encantou o mundo seja mantida. Ao Estado, ele defende também que Neymar tem de jogar na Europa para ter o respeito dos adversários. E espera ser convocado para a Olimpíada.

Daniel Alves pensa em ficar no Barça até 2015 - Manu Fernandez/ AP
Manu Fernandez/ AP
Daniel Alves pensa em ficar no Barça até 2015

Como os jogadores receberam a notícia da saída do Guardiola?

Ficamos surpresos, como todo mundo. Não esperávamos essa decisão. Nossa intenção era que ele continuasse porque era o cabeça do grupo. Foi uma perda muito importante. Dos males o menor porque ele deixou o time em boas mãos. O Tito conhece bastante nossos conceitos. Temos a garantia que o trabalho não será interrompido.

As derrotas recentes no Campeonato Espanhol e na Copa dos Campeões significam o fim de um ciclo no Barcelona?

Em momentos como esse, é preciso ter muita cautela e tranquilidade. Quando ganhamos muitos títulos seguidos não achávamos que estávamos com a vida resolvida e não é porque agora não conseguimos nossos principais objetivos que tudo está perdido. São coisas que acontecem no futebol, situações que a gente precisa aceitar e procurar evoluir daqui pra frente. Esse é o nosso principal objetivo.

Chegou a hora de mudar conceitos ou, apesar das recentes derrotas, o Barça tem de continuar fiel à sua maneira de jogar?

Você não tem de mudar a sua filosofia de trabalho e a sua forma de fazer as coisas por causa de um ou outro resultado negativo. Uma equipe tem de ter os seus princípios e ir até o final. É evidente que resultados positivos te fortalecem para você manter o trabalho, mas o balanço até agora é superpositivo e temos de dar continuidade.

Você acha que o adversários aprenderem a marcar o Barcelona e a anular os pontos fortes da equipe. Chegou a hora de o Barça tentar fazer alguma coisa para surpreender os adversários?

Não penso dessa forma. A forma de jogar do Barcelona é imprevisível por causa da qualidade dos jogadores, que podem desequilibrar em um lance. Tivemos muitas chances de superar tanto o Real Madrid como o Chelsea, mas o futebol é uma caixinha de surpresas. Criamos várias situações, mas infelizmente não conseguimos converter em gols e acabamos pagando por isso. Há dias que a bola entra e em outros, não. Mas o mais importante é você não desistir. Foi essa filosofia de jogo que tantas alegrias deu ao torcedor que gosta de futebol. O Barcelona resgatou isso e mudar agora seria um erro.

Você tem contrato até 2015, mas a imprensa espanhola noticiou que o Barcelona pretende negociá-lo para fazer caixa e novas contratações. Você foi procurado pela diretoria para tratar sobre esse assunto?

Tudo o que sei é o que saiu na imprensa. Até o momento, ninguém do Barcelona falou nada comigo. Se não tivesse intenção de continuar no Barcelona, não teria renovado o meu contrato. Estou muito feliz aqui e quero continuar fazendo o meu trabalho, sempre tentando evoluir.

Nesses jogos decisivos contra o Real e o Chelsea, o Messi não apresentou um futebol tão exuberante e muita gente disse que o Barcelona não jogou bem justamente por ser dependente dele. Você concorda com isso?

Não. O destaque da nossa equipe é o futebol coletivo, mas é evidente que o Messi faz a diferença e não pode ser comparado com ninguém. Muitas vezes, a gente tem de se fazer de surdo quando aparece esse tipo de comentário. O Messi marcou mais de 70 gols na temporada. Como alguém que atingiu essa marca pode ser acusado de não ter jogado bem e vivido de casualidades? Quando você joga contra um time que coloca 11 jogadores dentro da área, nem dois Messis seriam capazes de driblar todo mundo e fazer o gol. Não é hora de buscar culpados. O Messi é incomparável.

Na sexta-feira, o Mano Menezes vai convocar a seleção para amistosos preparatórios para a Olimpíada. Ele já antecipou que entre os jogadores com mais de 23 anos deve priorizar atletas de defesa e você é um dos cotados. O Mano conversou com você?

Seria um sonho representar a seleção em busca de um título inédito. Vou tentar fazer o meu melhor para, caso o Mano precise, eu possa corresponder. Já estou há alguns anos na seleção, mas mesmo assim vou tentar somar pontos para estar em Londres. A parte que depender de mim eu vou tentar fazer da melhor maneira possível.

O Neymar é o grande nome da seleção, mas para liderar o time em 2014 é preciso que ele tenha experiência em algum clube do exterior até lá?

Sou partidário de que para você ter o respeito do mundo tem de competir entre os melhores. No Brasil, o Neymar já tem esse respeito, mas aqui na Europa as pessoas não falam muito sobre ele. Quando você disputa um campeonato importante, todo mundo fala sobre você e as suas qualidades. Acredito que se o Neymar jogar na Europa vai ser bom para ele e para a seleção.

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