Por Cleber Aguiar – Conheça garotos que treinam na ‘fábrica de fazer Neymar’

Fonte: Folha de São Paulo

LAURA MATTOS
EDITORA DA “FOLHINHA”

Ricardo Nogueira/Folhapress
SANTOS, SP, Brasil, 09-04-2012, 08H00, FOLHINHA - MATERIA ESPECIAL OS NEYMARZINHOS - TREINO DO SANTOS SUB-11: Dodo (E), Deivison (C) e Richard brincam no onibus apos o treino no CT Meninos da Vila, em Santos, litoral sul de Sao Paulo. (Foto: Ricardo Nogueira/Folhapress)***exclusivo Folha***ESPECIAL FOLHINHA***
Jogadores do sub-11 brincam em ônibus após treino

É possível saber quem vai ser um Neymar ao ver o time de crianças do Santos jogar?

Na segunda-feira (9), a “Folhinha” foi ao centro de treinamento Meninos da Vila, em Santos (litoral de SP), assitir ao treino do sub-11 –com meninos de dez e 11 anos, os mais novos a defender a camisa do clube, que completa 100 anos hoje.

Antes do aquecimento, o técnico Luciano Costa, 37, pergunta aos 29 garotos quem viu os jogos no fim de semana. Um deles diz que não, porque é caro ver o jogo pela TV paga, R$ 90.

Após os exercícios e a partida, outra conversa com o “professor” (como jogadores chamam o técnico). “Troféu é como casa: cada um coloca um tijolo. Aqui não tem estrela, todos são iguais.”

Para estar em um time como esse, não basta se destacar no futebol da escola ou da rua. “Seu” Abel, 70, que jogou com Pelé e hoje é supervisor das categorias de base (crianças e jovens que ainda não estão no time profissional), diz que muitas vezes um garoto “arrebenta” com os amigos, mas, diante do nível da equipe mirim do Santos, “não joga nada”.

O clube manda “olheiros” à procura de talentos pelo país. Após a “peneira” (seleção) local, vem o teste final: eles precisam jogar bem com os meninos do Santos.

Os “peixinhos” (Peixe é o apelido do Santos) têm ajuda mensal de até R$ 500, treinam três vezes por semana e precisam ir bem na escola. Muitos são pobres e se tornam a esperança de uma vida melhor para a família. Por lei, é proibido que menores de 16 anos tenham contrato, mas alguns já têm empresários, que fazem acordos com os pais.

É bem cedo, porém, para saber quem são os poucos que chegarão lá, dizem os treinadores. Ser um Neymar, então… Quase impossível. Mas os meninos sonham e correm sem parar naquela imensidão de campo.

Pelé revela à ‘Folhinha’ mistério sobre seu armário trancado no Santos

FERNANDO SILVA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Ricardo Nogueira/Folhapress
Santos, SP, Brasil, 13-03-2012, 11H30, FOLHINHA, ENSAIO ARMARIO PELE: Armario fechado de Pele, nos vestiarios da Vila Belmiro, em Santos, litoral sul de Sao Paulo. Materia especial fala sobre o misterio do armario de Pele que, segundo diz a lenda santista, esta trancado desde que o rei do futebol se aposentou. (Foto: Ricardo Nogueira/Folhapress)***exclusivo Folha***ESPECIAL ***
Armário dos jogadores e o de Pelé, com foto preta e branca, que é mantido fechado

Pelé, 71, não entende de onde vem tanta curiosidade em torno do armário que usava na Vila Belmiro, o estádio do Santos, trancado desde que deixou o time: “Não sei de onde veio esse mistério. Não tem nada de importante lá”.

À “Folhinha”, por telefone, Pelé negou a história de que teria guardado algo no armário após sua última partida pelo Santos, em 1974. O armário lacrado virou atração das visitas à Vila Belmiro (ingressos de R$ 5 a R$ 10).

Em passeio, o público é levado a imaginar o que o rei do futebol teria deixado lá após 18 anos, 1.116 jogos e 1.091 gols. Ao falar do “segredo”, o ex-jogador revela a busca por material para o Museu Pelé, que monta em Santos. “Se fosse algo importante, claro que iria colocar no museu.”

Diz ter usado o armário depois que parou de jogar, pois treinou com o time em algumas ocasiões. “Quero esclarecer a história para que, se morrer amanhã, não digam que deixei algo importante lá”, afirma.

A assessoria do Santos disse que “o clube, de nenhuma maneira, mexe no armário”. “O acesso só pode ser feito por ele, não podemos afirmar o que há lá.”

O que será os jogadores fazem no vestiário? Pelé e outros craques nos contam

FERNANDO SILVA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A exposição “Vestiário” vai até o dia 15 de julho, no Museu do Futebol, e revela alguns aspectos dos bastidores do esporte.

Com fotos e instalações, como a de um chuveiro imaginário, a mostra montada justamente no espaço de um dos antigos vestiários do Pacaembu, tenta fazer com que o visitante sinta o ambiente do local reservado para a preparação e descanso dos jogadores (veja horários e endereços da exposição abaixo).

A partir daí, a “Folhinha” foi conversar com Pelé e atletas de São Paulo, Corinthians e Palmeiras para saber histórias e a rotina de um dos lugares mais secretos do futebol.

Confira trechos dos depoimentos:

Ricardo Nogueira/Folhapress/Reprodução
Foto de Pelé, no Memorial das Conquistas, na Vila Belmiro; a imagem mostra o dia em que ele chegou ao Santos
Foto de Pelé, no Memorial das Conquistas, na Vila Belmiro; a imagem mostra o dia em que ele chegou ao Santos

Pelé, 71, bicampeão mundial de clubes pelo Santos, em 1962 e 1963:

“No dia em que cheguei ao Santos, levado pelo Waldemar de Brito [jogador nos anos 1930 e 1940, que descobriu Pelé em Bauru (SP)] e por meu pai, o Dondinho, eu tinha de 14 para 15 anos, e fui apresentado ao técnico, que na época era o Lula [Luiz Alonso Perez, treinador do clube entre 1955 e 1966]. Para tirar uma foto, me deram a camisa preto e branca, a listrada. Isso no primeiro dia em que cheguei à Vila Belmiro. Eu passei 18 anos jogando no Santos e, quando fui me despedir, joguei justamente com a camisa listrada. O normal seria jogar com a branca, o uniforme número um, mas a Ponte Preta veio jogar de branco [em sua última partida pelo Santos, em 2 de outubro de 1974, na Vila] e tivemos de jogar com a camisa listrada. Eu não sou supersticioso, mas veja como são as coisas.
[No vestiário] Eu sempre fazia do mesmo jeito. Meia hora antes do jogo, eu procurava um lugar para ficar mais quieto. Deitava na cama de massagem para relaxar. Gostava de ficar sempre mais tranquilo antes do jogo. Eu tentava entender, ficava pensando em qual o lado mais fraco de meu adversário, se a esquerda ou a direita. Se eu já tivesse enfrentado o zagueiro no primeiro turno [de um campeonato], tentar lembrar em qual lado tinha maior dificuldade. Ficava pensando qual o ponto negativo do adversário. Mas eu fazia isso, punha uma venda nos olhos e ficava relaxando”.

Lucas, 19, meia do São Paulo:

“Você começa a desenhar uma vitória ali no vestiário já pelo aquecimento, preparação, concentração. Acho que isso é muito importante na hora do jogo. Costumo conversar com meus companheiros sobre situações do jogo e também faço minhas orações. Tenho minha Bíblia, que sempre levo, e deixo ali perto da chuteira, antes de eu usá-la.
No intervalo, o tempo é curto [15 minutos]. Então, a gente procura descansar um pouco para voltar inteiro para o segundo tempo. E ter uma conversa sobre o que a gente pode melhorar, o que está dando errado e os perigos do adversário. O Leão [técnico do São Paulo] é bravo, sim (risos), mas nos incentiva bastante. Ele já foi jogador, sabe como mexer com a motivação do atleta. Então, ele incentiva e briga, quando tem que brigar. É um treinador que deixa o jogador sempre ligado.
Quanto a alguma história, na [categoria de] base, às vezes, a gente brincava, fazia pagode ali. Em vestiário com pouca estrutura, a gente pegava a lata de lixo e começava a fazer um samba. Era sempre muito animado o clima. No profissional, a coisa é mais séria: cada um fica ali, com seu fone de ouvido, escutando uma música e não tem tanto clima de descontração.”

Deola, 28, goleiro do Palmeiras:

“Eu não tenho ritual, mas eu faço uma preparação que leva um certo tempo. Como já tenho torções em tornozelo, eu já torci os dois tornozelos, faço uma proteção com bota, que é uma bandagem com esparadrapo, e isso leva um bom tempo. Tem que proteger o punho, tem que proteger os dedos. Então, na verdade, esse tempo que eu levo para me arrumar já é meio contado. Acabou, já está no aquecimento.
No intervalo, todo mundo fala ‘vamos descer e ouvir o que o treinador vai falar’ porque realmente ele está vendo o jogo e pode mudar um determinado momento. Ainda mais nós que temos o Felipão [Luiz Felipe Scolari, técnico do time], que já nos conhece há dois anos, e sabe identificar muito mais fácil se o jogador está meio abatido, se está mais alegre, se está no nível de concentração dele. Então uma colocação, uma palavra bem dada pode mudar toda uma situação.
E as passagens mais marcantes, que acontecem em um vestiário, são depois de uma grande vitória, quando você está perdendo e faz uma virada. Aí sim, é que há aquela alegria e descontração, fica uma coisa mais prazerosa. Antes do jogo, a gente brinca, mas nada que extravase muito para não afetar na concentração. Agora depois do jogo, se tem uma vitória, é festa, você entra gritando, chutando tudo, comemorando. Você conquistou três pontos, o dever foi cumprido, então isso é satisfatório demais”.

Willian, 25, atacante do Corinthians:

“Cada um tem seu jeito de se concentrar, às vezes de ouvir uma música, de ler a Bíblia. Fica dançando, cantando, brincando. Isso não quer dizer que o jogador não está concentrado: cada um tem seu jeito de se comportar. E a preparação é essa aí, sempre pensando no que vai acontecer no jogo, no que você pode fazer. Mas sempre ligado na partida para ter um bom desempenho.
A coisa mais simples, no intervalo, é a conversa, o diálogo. Ficam todos [os jogadores] ali sentados. Abaixam o meião, tiram a caneleira e a chuteira, dão uma relaxada e se hidratam. E o Tite [técnico do Corinthians] vai conversando, mas sempre é uma cobrança com respeito. E todo mundo presta atenção, olhando nos olhos dele. Para quando a gente voltar para o segundo tempo, não cometer nenhum tipo de erro.”

VALE CONFERIR
Exposição “Vestiário”, no Museu do Futebol
QUANDO: até o dia 15 de julho, todos os dias, das 9h às 18h; em dias de jogos no Pacaembu, é preciso verificar os horários de funcionamento
ONDE: espaço de exposições temporárias do Museu do Futebol (pça. Charles Miller, s/n, São Paulo; tel: 0/xx/11/3664-3848)
QUANTO: ingressos custam R$ 6, mas estudantes, aposentados e idosos pagam meia; às quintas-feiras, a entrada é gratuita

ICFUT – Entrevista com Carlos Alberto do Vasco para o Globo.

Fonte: O Globo – RJ

‘Hoje sou um menino que começa no profissional’

Carlos Alberto, que volta a ser relacionado no Vasco, fala da carreira e da fama de brigão

Carlos Eduardo Mansur

Tatiana Furtado

Carlos Alberto pensativo em entrevista ao GLOBO: volta ao time do VascoFoto: Fernanda Dias / Agência O Globo

Carlos Alberto pensativo em entrevista ao GLOBO: volta ao time do Vasco Fernanda Dias / Agência O Globo

RIO – Ele narrou cada dia de seu afastamento com a ansiedade do presidiário que conta os dias para a liberdade. Na semana da volta, ao receber a reportagem do GLOBO, era o mesmo jogador articulado, capaz de discutir qualquer assunto com seriedade. Mas, ao falar dos planos para o reencontro com o futebol, o sorriso ressurge. O meia aparenta a leveza de quem se dispõe a se reconciliar com o mundo, assim como já fez com Leão e o presidente Roberto Dinamite.

O GLOBO: Você encara esta volta como um recomeço?

CARLOS ALBERTO: De certa forma sim. Ir treinar sozinho, fazer tudo sozinho. É triste. Estou feliz por conviver com o grupo. Uma coisa é acordar para treinar visando ao jogo do final de semana. Outra coisa é acordar para treinar sozinho. Tinha dias que acordava porque tinha que ir, mas a vontade era não ir. Não queria sair na rua, toda hora ficar esclarecendo as coisas. Eu estava frágil. Foram 89 dias, eu fazia igual a presidiário contando os dias. Via jogos e pensava: podia estar jogando. E meu filho está crescendo, meus pais querendo me ver jogar. Depois de um ano posso falar que não foi legal. Se pudesse não teria saído, minha história no Vasco era bacana, uma grande história de amor, que teve um divórcio e agora a gente está voltando.

A identificação construída com o Vasco pode ter sido abalada?

CARLOS ALBERTO: O que está feito ninguém vai apagar. Mas tem coisas que vou ter que buscar de novo e merecer. Vejo as pessoas lá dispostas a me ajudar. Vou precisar muito mais da ajuda deles do que eu ajudá-los. Preciso de paciência, conto com o torcedor, que vai ser um combustível a mais. O ritmo eu só vou adquirir jogando. Mas estou feliz. Todos sempre foram muito sinceros. Se eu acertasse a situação com o Dinamite, sabia que seria resolvido. Todos os jogadores estavam ao meu lado, o staff do Vasco. Quando voltei, mostraram felicidade verdadeira. Não foi algo tipo só porque está na frente dele vamos tratar bem.

O que você disse ao Dinamite na discussão?

CARLOS ALBERTO: É uma coisa chata, se pudesse voltar no tempo, parasse naquela cena… Mas serviu de aprendizado. O presidente entrou no vestiário cobrando o grupo e eu questionei. Não xinguei, não teve briga, porrada, nada disso. Talvez eu não tenha tido a tranquilidade de passar o que eu queria. Sem falar que jogador de futebol esquece que existem as hierarquias. Ele não citou meu nome, falou de uma forma geral. Eu achei que aquilo não era o momento e houve a discussão. Mas foi uma besteira que eu me arrependo, falei para ele e ele me perdoou. E sabe o que mais pegou nessa história? Surgiu o interesse do Grêmio. Até liguei para o Dinamite, mas não tive habilidade para marcar logo a conversa e resolver esse assunto. Foi mais cômodo pra todo mundo.

Em que patamar você acha que volta para esse time?

CARLOS ALBERTO: Hoje, acho que sou um menino começando no profissional e para mim não é nenhum demérito. Hoje Dedé, Fágner, Rômulo, são os que podem dar retorno ao Vasco. Vejo-os como exemplo. Preciso dar uma volta por cima bem dada. Vou errar passe, chutar pra fora. Vou precisar de paciência. Hoje, o Vasco está entre os quatro, cinco melhores elencos do Brasil. Trabalhar com Juninho, Diego, Alecsandro, Felipe, Dedé… É prazeroso.

E você saiu, o Vasco foi campeão, mudou de patamar…

CARLOS ALBERTO: Essas comparações são normais. Chegaram reforços vencedores. Você junta esses caras com a base que já tinha, não precisa ser mágico. Espero engrenar com eles, sempre tive vontade de jogar com eles.

É comum falarem que jogador de futebol ganha muito e, por isso, não tem problema…

CARLOS ALBERTO: Esse é o maior erro. Jogador não é máquina, tem problemas como toda pessoa. Mas é tratado com preconceito. O cara não pode ficar triste, procurar terapia. Eu fui procurar, já tive ajuda psicológica outras vezes. Até isso o jogador tem que fazer escondido. A gente no Brasil acha que dinheiro resolve tudo, tapa problemas, preconceitos. Sou sensível, igual a todo ser humano.

Não é natural que olhem torto o jogador que ganha tanto?

CARLOS ALBERTO: Isso é uma minoria, uns 90% ganham pra sobreviver. E natural eu não acho. Eu passei dificuldade, lutei e venci. Deveriam olhar e falar: “Esse cara trabalhou”. E entender que a vida sorriu pra alguns. O atleta tem grande dificuldade. Todo mundo quando se forma e vai começar a ganhar dinheiro, está com uns 27 anos. Essa idade eu tenho hoje. Imagina, comecei a lidar com meu dinheiro aos 19, a ser responsável por uma família. Nesta idade a gente não tem maturidade. Tem oportunidades. Vai aprendendo, errando e sendo julgado pela sociedade.

E como foi ver sua vida se transformar aos 19 anos?

CARLOS ALBERTO: Nessa época, você acha que vai mijar no chão e vai nascer grana. Se eu tivesse a cabeça de hoje, talvez tivesse ficado mais tempo na Europa. Foi bom voltar, tive conquistas aqui. Mas venci inseguranças, medos e acho que resistiria mais. O jogador de futebol, num dia, não tem dinheiro pra comprar um lanche. No outro, compra o carro que quiser. Isso pode não mexer com a minha índole, mas mexe com a cabeça. Você pensa: “Ralei pra caramba, agora quero ter o melhor”.

Já disseram que, por problemas psicológicos, você precisou de remédios e teve problema de peso.

CARLOS ALBERTO: Na Alemanha, tive insônia e foi diagnosticado um problema na tireoide. Mas retinha líquido por problema genético. Não tenho problema de falar de dificuldades.

Fazem de você uma imagem equivocada?

CARLOS ALBERTO: Sou mal interpretado. Afirmar que causo problema em grupo me incomoda. Quando eu parar de jogar, tenho filho se espelhando em mim. De futebol, acho normal. Não tenho como chegar para um médico e dizer como ele vai operar um rim. Mas todo mundo te para na rua pra falar de futebol e você tem que ouvir. Se não ouvir, é marrento, prepotente. Ou entra no sistema ou convive com problemas. Eu me preocupo com imagem, em especial quando falam de eu ser ruim ou bom como pessoa. Quando falam que crio caso, qual o primeiro que vem na sua cabeça?

A briga com o Leão (no Corinthians em 2006).

CARLOS ALBERTO: Todo mundo fala isso, fiquei com imagem de brigão. Depois daquilo, quantas coisas eu fiz de bom? Mas ficou marcado. Aquilo eu não faria mais. Mas quando é impactante, fica marcado. Se eu fosse ruim, desagregador, o Vasco iria me trazer de volta? Os jogadores foram consultados. Diriam logo: “Esse cara é mau-caráter, não queremos ele”.

Você voltou a falar com o Leão?

CARLOS ALBERTO: Na hora de ser mal educado com alguém, intempestivo, todo mundo é corajoso. Mas o ser humano é tão frágil que, na hora de se desculpar, fica com medo. Em 2009, tive meu ano Dalai Lama. Disse ao Dorival Júnior que isso me incomodava. Ele falou para eu ligar pro Leão. Ele disse: “Você vai ver o que o perdão provoca na alma sua e na dele”. Liguei com medo e disse logo: “Professor, antes de o senhor desligar, me xingar, só queria pedir perdão por aquela situação”. Ele falou: “Se dependesse de mim, meu dedo podia quebrar que eu não ia te ligar, mas você me deu uma lição. Eu tive atitudes piores do que a sua e não tive a coragem de pedir perdão”. Depois daquilo, fiquei em paz.

Você concorda que sua carreira está num patamar inferior ao que se imaginava lá no início?

CARLOS ALBERTO: Concordo. Tem coisas que eu puxo minha orelha. Outras, não. E fiz opções. Quando vim para o Vasco, ia jogar o primeiro semestre, mas tudo foi tão legal que joguei a Série B. Aí meu filho nasceu, ficou uns dias na UTI e quis ficar. Aquilo era mais importante pra mim. Se eu estivesse fora, ia ter problemas extracampo. Não me arrependo. Se precisar pegar no batente um dia, eu vou. Mas guardei, investi meu dinheiro e fiz escolhas pensando no meu bem estar e da minha família. Será que vale a pena estar lá fora ganhando muito dinheiro sem estar feliz? Estou vendo meus pais envelhecerem, tem gente da minha família que já perdi. O dinheiro não vai trazer estas pessoas de volta. A fase de buscar meu filho no colégio vai passar. Fui privilegiado de conquistar coisas cedo e poder ficar mais tempo no Brasil. Hoje, só saio se aparecer algo de outro mundo.

Por que você se puxa a orelha?

CARLOS ALBERTO: Só de olhar para o seu filho você percebe que não pode mais dar mau exemplo. Não aceito mais viver mal, estar mal com alguém. A briga com o Leão, a intolerância, criar problemas em nome dos outros, contestar, não faria de novo. Tem coisas que podiam acontecer com o Carlos Alberto de 19 anos. Com o de 27, não dá. Meu pai um dia falou: “Você é pai de dois filhos, tem 27 anos, vai lá e conversa com o Dinamite! Quando o teu filho estava na UTI ele não foi lá? Caráter ele tem”. Falam que criei polêmicas. No Botafogo, joguei um ano e pagaram dois meses. No Vasco, teve o problema com o Dinamite e me desculpei. Na Alemanha, foi opção minha voltar. No Porto, estava bem, mas o Corinthians fez uma proposta alta. Falam que fui superestimado. Só se nasci com o bumbum pra lua, vai ter sorte assim lá longe… Querem tirar seu mérito, jogar areia na sua história.

E no Grêmio?

CARLOS ALBERTO: Fizeram um investimento para a Libertadores. A gente se complicou. Ali começaram a falar que, se não classificássemos, iam mandar alguns embora. E meu nome estava na lista. Fui falar com os caras e disseram: “É possível, sim“. Não tenho como treinar sabendo que o jogo é meu divisor de águas. Talvez meu erro tenha sido ir lá falar, não ter habilidade.

Qual foi seu o melhor técnico?

CARLOS ALBERTO: O Mourinho. Ele pega jogadores que nunca jogaram numa posição e faz render. No Brasil, o jogador que tem mais qualidade é treinado para não marcar. E a gente cresce com este vício. Por isso muitos batem na Europa e voltam. Mourinho me colocou de volante em alguns jogos. Fomos jogar com o Manchester United e ele me pôs de atacante. Joguei muito bem e ganhamos. Ele me chamou e perguntou se eu tinha entendido por que ele tinha me colocado de volante. Disse que não e ele perguntou se eu era burro. Ele explicou que fez aquilo para eu ser competitivo.

A arbitragem e o jogo são muito diferentes aqui?

CARLOS ALBERTO: Por que o jogador brasileiro cai? Porque o árbitro vai marcar. No Brasil, o árbitro virou um recurso para nós. Se eu me jogar bem direitinho ele marca. Na Europa eles são mais compactos, treinam isso há muitos anos. Nós trabalhamos o coletivo, mas destacamos muito as individualidades. Vê o Barcelona: Messi, Xavi, todos são menores do que eu. Mas marcam pressão, jogam, ficam com a bola. Na nossa base, colocam três volantes para o cara de talento só resolver o jogo. Tá errado.

ICFUT – Gols dos Estaduais 16/04/2012

América-Mg 0 X 4 Guarani-Mg – Mineiro 2012

Villa Nova 0 X 2 Nacional-MG – Mineiro 2012

Metropolitano 2 X 5 Avaí Pelo Campeonato Catarinense 2012

Rio Branco-Pr 5 X 2 Iraty – Paranaense 2012

Joinville 2 X 0 Brusque – Campeonato Catarinense 2012

Atlético-Pr 2 X 1 Arapongas – Paranaense 2012

Toledo1 X 2 Paranavaí – Paranaense 2012

Roma-Pr 1 X 1 Londrina – Paranaense 2012

Cruzeiro 3 X 2 Uberaba – Mineiro 2012

Grêmio 4 X 0 Ypiranga – Gaúcho 2012

Ponte Preta 1 X 2 Corinthians – Paulista 2012

Palmeiras 2 X 2 Comercial – Campeonato Paulista 2012

Nova Iguaçu 1 X 3 Vasco – Carioca 2012

Tiradentes 1 X 3 Ceará – Campeonato Cearense 2012

Botafogo-SP 2 X 1 Guarani – Paulistão 2012

Aparecidense 2 X 4 Goiás – Goianão 2012

Resende 0 X 3 Bangu – Taça Rio 2012

Boavista 1 X 1 Botafogo – Taça Rio 2012

Operário-PR 2 X 2 Coritiba – Taça Rio 2012

Mirassol 4 X 2 Portuguesa – Paulistão 2012

Fluminense 5 X 1 Olaria – Taça Rio 2012

Atlético-GO 3 X 0 Rio Verde – Goiano 2012

Flamengo 3 X 1 Americano – Carioca 2012

Linense 2 X 1 São Paulo – Campeonato Paulista 2012

Santos 5 X 0 Catanduvense – Paulista 2012