Por Cleber Aguiar – Pequenos causam estrago zero

Fonte: Folha de São Paulo

PAULISTA –  Após dez rodadas, nenhum clube grande foi batido por um rival mais modesto

DE SÃO PAULO

Um empate aqui, outro ali. Mas ganhar um jogo de um dos quatro grandes é uma missão impossível para os outros 16 clubes do Paulista.

Depois de dez rodadas, Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo só perderam no Estadual que já foi famoso pela força de seus pequenos quando jogaram entre si.

Em 34 confrontos do quarteto dos grandes contra os demais concorrentes, foram 23 vitórias dos clubes mais poderosos e 11 empates.

Desde que o Paulista passou a adotar uma primeira fase com todos os times se enfrentando, em 2005, nunca o torneio chegou à décima rodada sem triunfos dos pequenos diante dos grandes.

O que mais preocupa é o fato de a decadência dos clubes modestos crescer ano a ano. Em 2008, o Paulista tinha nove derrotas dos grandes depois da décima rodada. Nos dois anos seguintes, foram quatro. Em 2011, duas. Agora, a conta está zerada.

O último clube pequeno a conquistar o Paulista foi o São Caetano, em 2004.

Dos quatro principais Estaduais do país, o único que está zerado em termos de vitórias de pequenos diante dos grandes é o Paulista.

No Rio Grande do Sul, a dupla Gre-Nal sofreu cinco derrotas só na primeira fase do primeiro turno.

Na temporada 2012 em São Paulo, nem quando um poderoso resolveu poupar todos os titulares, como o Santos fez em praticamente metade dos jogos que disputou, um clube modesto conseguiu arrancar os três pontos.

Até os clubes que estão na Série A do Brasileiro não conseguem peitar o quarteto mais tradicional do Estado.

A Ponte Preta levou 6 a 1 do Santos anteontem. A Portuguesa empatou com o Palmeiras e perdeu para o Corinthians na semana passada.

O baixo poder de fogo dos pequenos ocorre numa temporada em que um item do regulamento fez os clubes, especialmente os do interior, pensarem duas vezes antes de contratar atletas caros.

Pelas regras estipuladas pela federação, times que atrasarem os salários de seus jogadores podem ser punidos com a perda de pontos.

ICFUT – Futebol Feminino na Olimpíada 2012 – Londres

Fonte: O Estado de São Paulo

Futebol Feminino: maturidade é a aposta de Marta e companhia

Com um time de veteranas, seleção feminina do Brasil põe suas fichas em atletas que disputam os Jogos Olímpicos pela terceira vez

Bruno Deiro – estadão.com.br

SÃO PAULO – A seleção feminina do Brasil aposta na maturidade e em um elenco que joga junto há mais de oito anos para, enfim, voltar com o ouro olímpico. Melhor do mundo cinco vezes seguidas, Marta terá a missão de liderar o time após ter sido preterida na última eleição da Fifa – a escolhida foi a japonesa Homare Sawa.

Marta, titular absoluta da seleção olímpica - Arquivo/AE
Arquivo/AE
Marta, titular absoluta da seleção olímpica

Do grupo que deve ser escolhido para ir a Londres, pelo menos oito jogadoras estiveram nas duas últimas edições dos Jogos Olímpicos. Segundo o técnico Jorge Barcellos, a definição das convocadas dá facilidade para trabalhar. “Ainda estamos em fase de treinamento, mas diria que 70% do elenco já está definido.”

Com muitas jogadoras acima dos 30 anos, Barcellos vê um time formado ao longo de muito tempo – para a maioria, será a última chance de tentar conquistar o inédito ouro olímpico.

“É um grupo maduro, uma seleção muito experiente que está jogando junta há dois Mundiais e duas olimpíadas. Sabe a responsabilidade que terá pela frente”, afirma o treinador.

A equipe base para Londres iniciou sua jornada com a prata nos Jogos de Atenas, em 2004, e repetiu a dose em Pequim. No Mundial da China, em 2007, chegou invicta e com 100% de aproveitamento à final, com direito a goleada por 4 a 0 nos EUA na semifinal, mas perdeu a decisão para a Alemanha (2 a 0).

NOVA CONCORRENTE
Além de Alemanha e dos EUA, principais rivais do Brasil nas competições femininas de futebol, o Japão surge como uma nova potência a ser observada. Na Copa do Mundo da Alemanha, no ano passado, o time nipônico deixou a anfitriã pelo caminho, bateu as norte-americanas na final e entrou para o seleto clube das campeãs mundiais – que tem apenas os EUA, a Alemanha e a Noruega.

Artilheira (5 gols) e melhor jogadora do torneio, Homare Sawa foi o grande nome. Aos 34 anos, a camisa 10 deve ter sua última chance de levar o Japão à sua primeira medalha no torneio olímpico – em 2008, ela estava em campo na derrota para a Alemanha na decisão do 3.º lugar.

Tropeços serviram de lição, diz Jorge Barcellos

bruno Deiro – estadão.com.br

SÃO PAULO – O time feminino do País diz ter aprendido com os erros para evitar um roteiro trágico que tem se repetido a cada Olimpíada. Após deixar escapar duas vezes o ouro para os EUA nos minutos finais, a promessa é de que o fator emocional não será mais o obstáculo para grandes conquistas – no Mundial do ano passado, a sina se repetiu: nas quartas de final, o Brasil cedeu o empate (2 a 2) no fim da prorrogação contra as americanas e caiu nos pênaltis.

“Uma das coisas que esta seleção aprendeu é que tem de manter a concentração todo o tempo”, garante o técnico Jorge Barcellos. “O jogo tem de ser interessante do começo ao fim. Deixamos escapar o ouro no final em Atenas e Pequim, e isto foi um aprendizado muito grande.”

Após ter obtido o 4.º lugar nas duas edições anteriores, o Brasil chegou à Grécia como favorito, há oito anos. Na primeira fase, o time de René Simões levou 2 a 0 dos EUA, mas avançou. Ao reencontrar as americanas na final, a confiança estava reestabelecida e o Brasil dominou. Injustamente, Tarpley abriu o placar na primeira etapa, mas Pretinha empatou após o intervalo e levou para a prorrogação. Quando o duelo parecia se encaminhar para os pênaltis, Wambach aproveitou falha na zaga para marcar de cabeça e selar a derrota.

Quatro anos depois, a chance de vingança veio na final em Pequim. Novamente, o Brasil sufocou as rivais e poderia ter goleado – o desespero de Marta e Cristiane a cada chance perdida era a imagem da agonia. Com mais fôlego, os EUA fizeram 1 a 0 com Lloyd no início da prorrogação e o Brasil não teve força para reagir.

“Digo para elas que é preciso ser forte até o fim. Só assim é possível conquistar um título dessa grandeza. 

ICFUT – Futebol Masculino na Olimpíada 2012 ( Londres )

Fonte: O Estado de São Paulo

Obsessão e necessidade movem a luta pelo ouro

Conquistar a medalha de ouro no futebol olímpico está se tornando quase uma obsessão para brasileiros e brasileiras. Por motivos diferentes. O futebol masculino do País tem cinco Copas do Mundo, mas só a partir da década de 80 começou a dar alguma importância para os Jogos – a prata de 1984, por exemplo, foi ganha, a rigor, pelo time do Inter-RS – e a colocação da medalha dourada no peito por muito tempo foi mais uma questão de teimosia do que objetivo real. O feminino, fundamentalmente, vê no ouro a cartada maior, e decisiva, para a tentativa de fazer a modalidade ser levada realmente a sério no País.

O Brasil tem chances reais de vencer as duas competições no futebol. No mínimo, deve voltar para casa com alguma medalha, como ocorreu quatro anos atrás, em Pequim, quando o time masculino foi bronze e o feminino, prata.

O espírito das duas equipes, porém, vai ser distinto em Londres. Para a seleção masculina, se o ouro não vier haverá a boa desculpa de que ganhar a Copa de 2014, que o Brasil vai sediar, é o que realmente interessa. Além do mais, em 2016 a Olimpíada será por aqui e então o esforço pelo lugar mais alto do pódio vai ser total.

Mesmo assim, um time com nomes como Neymar, Ganso, Lucas e Damião é sempre cotado.

O feminino, ao contrário, tem no título olímpico o objetivo total. Para alcançá-lo, o técnico Jorge Barcellos tem promovido longos períodos de treinos e pretende realizar muitos amistosos, para que a seleção chegue a Londres bem preparada e, depois de algumas bolas na trave, enfim, faça o gol. Ou seja, conquiste o ouro.

Futebol masculino: o primeiro passo rumo ao futuro

Brasil, Espanha, Suíça e Uruguai, entre outros, levarão à Inglaterra o melhor de suas novas safras de craques

Almir Leite – estadão.com.br

SÃO PAULO – O Brasil busca o ouro inédito. O Uruguai volta à Olimpíada 84 anos depois da arrasadora participação em 1928, quando a Celeste conquistou o bicampeonato. A Espanha, atual campeã da Copa do Mundo, está disposta a provar que sua nova geração também é promissora, além de confirmar que já nasce vencedora – é a atual dona do título europeu sub-21, ganho no ano passado. A Suíça amealhou jovens originários de várias partes do planeta e tenta mostrar que, assim, consegue jogar bom futebol. E há também os africanos, que não podem ser desprezados quando se trata de futebol olímpico.

Lucas, do São Paulo, é nome certo na Olimpíada - Martin Mejia/AP - 13/1/2011
Martin Mejia/AP – 13/1/2011
Lucas, do São Paulo, é nome certo na Olimpíada

Apesar de o esporte ainda ser considerado o “patinho feio’’ da Olimpíada, o torneio masculino deste ano tem boas perspectivas de se tornar um dos pontos altos de toda a competição. Ainda há vagas pendentes na formação do grupo das 16 seleções que irão brigar por medalhas, mas a turma que já se garantiu tem condições de oferecer bons espetáculos, além de apresentar – em alguns casos, solidificar – jogadores que darão o que falar no futebol mundial nos próximos anos.

São os casos do brasileiro Neymar, do espanhol naturalizado Thiago Alcântara (filho do volante brasileiro Mazinho, campeão mundial em 1994), do uruguaio Cabrera e do inglês Phil Jones, entre várias outras promessas.

Há problemas, porém. Vai ser muito difícil as seleções levarem suas forças máximas à Inglaterra. Nem tanto por conta dos jovens jogadores, mas em função da cota de três atletas com idades acima de 23 anos que os técnicos têm direito de relacionar na lista dos 18 convocados. Para dispor desses “experientes’’, deverá ser preciso ampla negociações com os clubes onde jogam.

O técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, já está consciente das dificuldades. “Vamos tomar a decisão sobre os jogadores acima de 23 anos mais para frente, até porque isso exige uma negociação mais ampla. São jogadores consagrados, podem ser de fora, e todos conhecem as questões que envolvem essa convocação olímpica e os clubes europeus’’, disse, recentemente.

Há, porém, quem tenha opções demais. O técnico Stuart Pearce tem em seu poder lista com nomes de 184 jogadores interessados em defender a anfitriã seleção do Reino Unido (Escócia, Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte) na Olimpíada. São atletas dos 4 países, entre eles os veteranos Beckham (inglês) e Giggs (galês).

Como ocorreu em Olimpíadas anteriores, o torneio de futebol masculino vai começar antes da cerimônia de abertura dos Jogos, mais exatamente na véspera. A bola rola a partir de 26 de julho. A medalha de ouro será decidida no dia 11 de agosto, em Wembley.

Ainda restam seis vagas e disputa vai até abril

Ainda falta conhecer seis das 16 seleções que irão disputar o torneio masculino de futebol na Olimpíada de Londres. A lista só vai ser fechada em abril, quando os dois representantes da Concacaf serão designados. Ao contrário da Copa do Mundo, que determina as 32 equipes participantes com no mínimo oito meses de antecedência, nos Jogos essa definição acontece quase em cima da hora. Isso ocorre, principalmente, pela dificuldade de encontrar brechas no calendário da Fifa para os torneios pré-olímpicos.

Europa e América do Sul decidiram suas seleções muito tempo antes do início da Olimpíada porque optaram por tornar seus campeonatos continentais classificatórios para Londres. O Sul-Americano Sub-20, disputado em janeiro e fevereiro passados no Peru, garantiu as vagas de Brasil e Uruguai. O Europeu Sub-21, realizado no início do segundo semestre de 2011 na Dinamarca, colocou Espanha, Suíça e Bielo-Rússia nos Jogos.

A outra seleção do continente será a do Reino Unido, garantida por ser a anfitriã.

A África também já tem seus três representantes: Gabão, Marrocos e Egito. Pode ter uma quarta seleção, a do Senegal, que vai jogar repescagem contra o quarto colocado. O adversário dos senegaleses só será conhecido no final de março.

A Ásia definiu na quinta-feira a primeira seleção do continente: a Coreia do Sul fez 3 a 0 em Omã e vai à Olimpíada pela sétima vez seguida. As duas outras vagas continuam em disputa – o pré-olímpico termina em março. Japão e Emirados Árabes, no momento, estão mais próximos, mas Omã, Catar e Síria – país que vive clima de guerra civil – ainda têm chances. Já Austrália e Arábia Saudita, que normalmente participam do futebol olímpico, desta vez estão fora.

A disputa asiática classifica diretamente três equipes para os Jogos e vai apontar, em uma repescagem, uma quarta seleção para disputar uma vaga com a seleção senegalesa.

A Oceania fará um pré-olímpico de 15 dias nas Ilhas Fiji, no próximo mês, para apurar seu representante.

A Concacaf encerra a série, escolhendo até abril seus dois representantes. Os Estados Unidos vão sediar o pré-olímpico da região. / A.L.

Renovação para 2014 tem prova de fogo

Após decepção na Copa América da Argentina, time de Neymar, Ganso e Lucas tem a chance de se redimir em Londres

BRUNO DEIRO – O Estado de S.Paulo

A promissora geração que desponta no País para a Copa de 2014 terá um duro teste em Londres. Se for mantida a escrita, a campanha na Olimpíada vai determinar o fracasso ou o reforço do projeto de renovação do time brasileiro, proposto por Mano Menezes. Para Neymar, Ganso e cia., o ouro é a chance de apagar o fracasso no primeiro teste dessa geração, na última Copa América.

Após a derrota para o Paraguai no torneio da Argentina, no ano passado, as críticas pesaram sobre nomes mais experientes, como Elano, Daniel Alves e Robinho. Desta vez, porém, a responsabilidade é toda da garotada.

Com o peso de buscar um título inédito, a cobrança costuma ter reflexos. Em 2008, por exemplo, a derrota para a Argentina quase derrubou Dunga. E a consequência para o elenco foi visível dois anos depois: apenas o volante Ramires e o zagueiro Thiago Silva, dos 23 jogadores que estiveram em Pequim, foram lembrados na convocação para a Copa da África do Sul, em 2010.

O principal desafio para Mano é equilibrar um time tão desigual. Do meio para a frente, além de Neymar e Ganso, há opções em ascensão como Oscar e Leandro Damião, do Internacional, e o são-paulino Lucas. O problema é que a defesa na conquista do Sul-Americano Sub-20, que classificou o time para Londres, era formada por nomes como os zagueiros Juan, ex-Internacional, e Bruno Uvini que treina com o time B do Tottenham.

Por isso, Mano já avisou que vai usar o direito de convocar três jogadores com mais de 23 anos. Os mais cotados são David Luiz, Thiago Silva e Dedé, principais nomes de defesa para o Mundial de daqui a dois anos.

O comandante: ‘vejo a Olímpiada como uma grande oportunidade’

Técnico já tem definida a base que vai tentar a medalha de ouro e garante que seleção estará bem preparada

Almir Leite – estadão.com.br

SÃO PAULO – Mano Menezes sabe que se o Brasil não conquistar o ouro no futebol não será o fim do mundo. Ganhar a inédita medalha, no entanto, terá significado histórico. E o treinador não pretende perder a chance. Vai levar à Inglaterra uma equipe jovem, porém talentosa, que servirá como base para o real objetivo, o hexacampeonato mundial em 2014.

Mano Menezes: ninguém conseguiu até agora - Fábio Motta/AE - 22/9/2011
Fábio Motta/AE – 22/9/2011
Mano Menezes: ninguém conseguiu até agora

Para Mano, a Olimpíada de Londres é, sim, prioridade, embora o diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez, tenha dito, um mês atrás, que o mais importante é preparar a equipe para a Copa do Mundo – por isso, a determinação é convocar a seleção principal, e não a olímpica, para os amistosos já marcados para o primeiro semestre.

Mano diz que não é bem assim. “Em entrevista, nem sempre as palavras saem exatamente como se quer”, disse ao estadão.com sobre a posição de Andrés. “Ninguém tem dúvida de que a prioridade maior é a Copa, mas não vamos desperdiçar nenhuma oportunidade. Nossa obrigação é de sempre fazer o melhor.”

Seja como for, o fato é que Mano, desde que assumiu o cargo – pouco depois do fracasso brasileiro no Mundial de 2010 –, deu um jeito de dar um “toque olímpico” à seleção. Na maior parte de suas convocações, chamou vários jogadores com idade para ir aos Jogos.

Com isso, além de iniciar um trabalho de renovação da desgastada equipe principal que ficou pelo caminho na África do Sul, começou a preparar o terreno para a Olimpíada.

Na primeira convocação deste ano, por exemplo, para o amistoso contra a Bósnia, terça-feira, na Suíça, Mano chamou oito jogadores que poderão estar nos Jogos: o goleiro Rafael; os laterais Alex Sandro e Danilo (desconvocado por contusão); o volante Sandro; os meias Paulo Henrique Ganso e Lucas; e os atacantes Leandro Damião e Neymar. Em outras ocasiões, havia relacionado garotos como o goleiro Neto, o lateral-direito Rafael (Manchester United) e o atacante Alexandre Pato, este já um “veterano’’ entre os jovens, pois esteve em Pequim.

O treinador tem a convicção de que a seleção olímpica é a base para 2014. “Este é o planejamento. Temos atletas sub-23 que vêm obtendo destaque e se afirmando na seleção. Se continuarem evoluindo com as competições, é bem provável que cheguem lá (na Copa)”, afirmou.

Nessas convocações, mesmo que o jogador não tenha atuado, o trabalho não foi perdido, considera o treinador. “Foi possível ver durante todo esse período o mais importante para ser visto em relação à capacidade desses jogadores, mesmo que não tenham atuado. Treinaram com a gente, observamos comportamento, atitudes, disciplina, e assim você vai selecionando.”

PREPARAÇÃO
Mano Menezes não terá o tempo ideal para preparar a equipe. Mas considera que o trabalho paralelo com a seleção principal que fez desde que assumiu ajudará bastante. “Isso nos possibilitou escolher a base de atletas que farão a preparação final a partir de 9 de julho, inicialmente no Rio, e depois do dia 18, em Londres’’, garantiu. No seus planos, estão dois amistosos em território britânico.

Ele também pretende aproveitar o fato de a seleção principal não ter, pelo menos até agora, compromissos para os meses de março e abril e boa parte de maio para reunir a seleção olímpica para jogos-treino e até amistosos.

Ney Franco só espera poder colaborar

O Brasil deve boa parte da classificação do futebol masculino à Olimpíada a Ney Franco. Coordenador das categorias de base da seleção, ele foi o técnico da equipe que conquistou, no início do ano passado, o título sul-americano sub-20 e a consequente vaga nos Jogos. Ney, porém, não estará no comando em Londres, nem sabe ainda qual (e se) função exercerá no time olímpico.

Ney não se sente preterido ou injustiçado. Afinal, sempre soube que Mano Menezes – responsável por sua contratação pela CBF – iria dirigir o time na Olimpíada. Mas, claro, quer participar de alguma maneira. “Já me coloquei à disposição dele para ajudar, mas ainda não fui informado como poderei fazer isso. Está tudo encaminhado.”

Ele gostaria de exercer alguma função ligada ao campo – “é o que eu gosto e sei fazer” -, mas reconhece que talvez não seja possível, pois Mano já tem sua comissão técnica definida.

Na sede da entidade, no Rio, comentou-se sobre a possibilidade de ele trabalhar como uma espécie de “espião” durante a Olimpíada – e até mesmo um pouco antes de seu início -, observando as seleções que poderão vir a ser adversárias do Brasil. Não há nada certo, porém. Há 15 dias, quando Mano Menezes se reuniu na CBF com o diretor de seleções, Andrés Sanchez, e outros membros da entidade, para tratar do planejamento olímpico, falou-se de períodos de treinamentos, locais que poderão receber a seleção durante a fase preparatória no Rio – foram visitadas as instalações da Gávea, sede do Flamengo, e da Escola de Educação Física do Exército, na Urca – mas não se discutiu qual atribuição será dada a Ney.

O técnico não acredita que o recente fracasso no Pan de Guadalajara, quando o Brasil foi eliminado ainda na primeira fase, possa dificultar sua inserção na delegação que vai à Inglaterra. Diz ter a confiança da CBF em seu trabalho e alega que não teve tempo de preparar a equipe para o Pan, sem contar o fato de que montou uma “seleção possível” e não a que considerava ideal para ir ao México. / A.L.

Estrela olímpica: hora de Neymar brilhar na Europa

Em seu primeiro grande teste no continente, craque santista tem a missão de liderar o País em busca do ouro inédito

Bruno Leite – estadão.com.br

SÃO PAULO – Depois de encerrar o jejum de quase 50 anos do Santos na Libertadores, chegou a hora de Neymar fazer história com a camisa da seleção. O principal astro do Brasil fez uma temporada quase perfeita em 2011 e jogará seu primeiro grande torneio em território europeu – embora os clubes de lá, há um bom tempo, venham tentando antecipar este teste.

Veja também:
link FOTOS – A carreira de Neymar

Neymar: esperança de gols em Londres/2012 - Alex Domanski/Reuters - 10/8/2011
Alex Domanski/Reuters – 10/8/2011
Neymar: esperança de gols em Londres/2012

Aos 20 anos, completados no início de fevereiro, Neymar sedimentou no ano passado o caminho para se tornar um ídolo mundial sem sair do País. O jovem santista foi o único da última lista dos 23 melhores jogadores da Fifa que não pertencia a clubes da Europa. Ficou fora da disputa final, mas acabou agraciado com o Prêmio Puskas, por conta do gol de placa sobre o Flamengo, na Vila Belmiro.

Em Londres, espera-se um protagonismo semelhante ao que o atacante teve na última Libertadores. No time santista, não fugiu da responsabilidade e amadureceu durante a competição. Foi expulso de maneira infantil na 1.ª fase, ao vestir uma máscara na comemoração de um gol, mas se redimiu nas etapas decisivas, com passes e gols salvadores. De forma inquestionável, foi eleito o melhor jogador da competição.

No Mundial de Clubes, em dezembro, abriu caminho para a vitória na semifinal contra o Kashiwa Reysol, do Japão, marcando um golaço. Na decisão, porém, afundou com a fragilidade do time santista diante de um aparentemente imbatível Barcelona – e o esperado confronto com Messi foi um duelo desigual.

Pela seleção, foi bem em alguns amistosos, mas decepcionou na última Copa América. Com dois gols em quatro jogos, pouco conseguiu fazer para dar brilho às atuações medíocres do time de Mano Menezes no torneio sul-americano.

Nos Jogos de Londres, porém, os olhos do mundo estarão sobre o garoto, que carrega as esperanças do País na busca pelo ouro inédito.

Ganso e Lucas chegam a Londres como coadjuvantes de luxo

Cobiçada por grandes clubes europeus, dupla pode roubar a cena na Olimpíada e garantir vaga na seleção principal

A seleção olímpica do País desembarcará em Londres com Neymar como estrela principal, mas dois coadjuvantes vão tentar roubar a cena. Antes de sofrer com lesões, Paulo Henrique Ganso chegou a desbancar o amigo quando os dois surgiram no Santos, há quase três anos. E Lucas, com atuação de gala, ofuscou Neymar na decisão do Sul-Americano Sub-20, no ano passado.

Apontado até mesmo por Mano Menezes como dono da camisa 10 do Brasil para os próximos anos, Ganso terá o desafio de ser o maestro da seleção. No Santos, amadureceu mais cedo do que Neymar e foi apontado como principal responsável pelo primeiro título dos dois pelo time da Vila, no Estadual de 2010.

Duas lesões sérias e divergências contratuais com a diretoria santista, porém, deixaram o meia em segundo plano, enquanto Neymar brilhava sozinho. Jogando pela seleção, ele tampouco conseguiu repetir até agora as atuações exuberantes de seus primeiros anos no Santos.

No São Paulo, Lucas tem sido capaz de decidir sozinho algumas partidas. Rápido e com um chute potente, o atacante foi lançado no time profissional no segundo semestre de 2010 e desde então se firmou como titular absoluto do time do Morumbi.

Despertou a atenção dos clubes europeus no Sul-Americano Sub-20, no Peru, quando conseguiu algo improvável: tomou o protagonismo de Neymar. Na goleada por 6 a 0 sobre o Uruguai na decisão, marcou três lindos gols e garantiu o título. Desde então passou a ser alvo de assédio de clubes como a Inter de Milão e o Chelsea. Caso arrebente em Londres, será difícil para o São Paulo segurá-lo no País. / B.D.

Momentos do Esporte: Gilmar lembra a primeira medalha olímpica do futebol brasileiro

Almir Leite – estadão.com.br

SÃO PAULO – Ex-goleiro da seleção, Gilmar Rinaldi fala sobre a primeira medalha olímpica do futebol, conquistada em Los Angeles/84.

O ex-jogador também comenta sobre as dificuldades na preparação para os Jogos de Londres e a divergência de opinião com Andrés Sanchez, diretor de seleções da CBF, que prefere preparar melhor o time para a Copa do Mundo de 2014 do que para a Olimpíada/2012.

Duas pratas, dois bronzes e nada do ouro

Título olímpico do futebol ainda não passa de sonho, mas durante décadas País não deu importância aos Jogos

ALMIR LEITE – O Estado de S.Paulo

O Brasil tem apenas duas medalhas de prata e duas de bronze em 11 participações no torneio olímpico masculino de futebol. O ouro tão sonhado hoje ainda não veio por vários motivos: tempos do amadorismo, em que os países da Cortina de Ferro eram imbatíveis; preparação deficiente; derrotas inesperadas em finais e semifinais; e falta de sintonia entre CBF e Comitê Olímpico Brasileiro (COB), em algumas ocasiões no momento de formar a seleção brasileira para os Jogos, estão entre eles.

A primeira participação brasileira foi em Helsinque/1952, com uma equipe que tinha Vavá, Evaristo de Macedo e Zózimo, entre outros. O time começou bem, batendo Holanda (5 a 1) e Luxemburgo (2 a 1). Nas quartas de final, porém, vencia a Alemanha por 2 a 1 até o último minuto, tomou o empate, levou 2 a 0 na prorrogação e voltou para casa.

Nas quatro participações seguintes, o Brasil não passou da primeira fase. Mesmo assim, levou aos Jogos garotos bons de bola como Gerson (Roma/1960) e Falcão (Munique/1972).

Em 1996, em Toronto, a medalha quase veio. Mas uma derrota por 2 a 0 para a então campeã Polônia e outro tropeço, pelo mesmo placar, diante da União Soviética, relegaram o time do goleiro Carlos, do zagueiro Edinho e do lateral-esquerdo Júnior ao quarto lugar.

Enfim, o pódio.

O Brasil não foi a Moscou em 1980, mas quatro anos depois, em Los Angeles, com novo regulamento – passou a ser possível inscrever profissionais, desde que não tivessem participado de Copas -, obteve a primeira medalha. Uma prata muito festejada.

“Entramos para a história do futebol brasileiro. E foi especial também porque ninguém acreditava na gente”, conta Gilmar Rinaldi, goleiro daquela seleção.

Ele se refere ao fato de a equipe ter sido reunida em cima da hora. Na época, o Campeonato Brasileiro estava em fase decisiva e os clubes não queriam ceder jogadores. Então, o técnico Jair Picerni telefonou para o presidente do Internacional – que já estava fora do Brasileiro – e pediu a equipe “emprestada”.

Assim, a seleção de 1984 foi a base do Inter, com jogadores como Gilmar, Dunga, Mauro Galvão e Milton Cruz, e alguns forasteiros, como o meia Gilmar (Flamengo) e o atacante Chicão (Ponte Preta).

“Nos reunimos 15 dias antes. Fomos treinar no Espírito Santo e todos falavam que iríamos cair na primeira fase. Aquilo mexeu com a gente. Fizemos um pacto de trazer uma medalha”, disse Gilmar.

Com muita raça, o Brasil chegou à final, mas perdeu da França por 2 a 0. “Eles mereceram mais o ouro do que nós, porque estavam se preparando havia quatro anos”, admite Gilmar.

Quatro anos depois, em Seul, com nomes como Taffarel, Jorginho, Bebeto e Romário, derrota por 2 a 1 para a União Soviética na prorrogação e nova prata. Depois, vieram os bronzes. Em 1996, com vexame. A seleção foi eliminada na semifinal pela Nigéria, venceu a disputa do terceiro lugar com Portugal (5 a 0), mas Ronaldo, Rivaldo, Dida e cia. não apareceram na cerimônia de entrega de medalhas.

Quatro anos atrás, em Pequim, outro terceiro lugar. A seleção treinada por Dunga, com Ronaldinho Gaúcho em campo, foi arrasada nas semifinais pela Argentina de Messi. Depois, bateu a Bélgica, mas o terceiro lugar teve gostinho de frustração.

Outras forças: Celeste Olímpica festeja retorno após 84 anos

Fora desde o bi nos Jogos, em 1928, seleção do Uruguai busca o terceiro ouro depois ter seu feito igualado pela Argentina

Bruno Deiro – estadão.com.br

SÃO PAULO – Há 84 anos longe dos Jogos, o Uruguai retoma a força de sua seleção para voltar a justificar a alcunha de Celeste Olímpica. Campeão da Copa América em 2011 e quarto lugar no Mundial da África do Sul, o time apresenta em Londres a geração que promete dar sequência ao renascimento do futebol no país. Além dos uruguaios, o anfitrião Reino Unido e a promissora Espanha são as outras forças que devem fazer frente ao Brasil no torneio olímpico.

Em 1924 e 1928, o Uruguai conquistou duas medalhas de ouro no futebol e permaneceu como único sul-americano bicampeonato olímpico até que a rival Argentina igualou a façanha 80 anos depois, ao ganhar em 2004 e 2008.

No retorno ao torneio, os uruguaios tentam montar um time forte, capitaneado pelo jovem Sebastian Coates. Aos 21 anos, o zagueiro do Liverpool é chamado de “Luganito”, por conta da semelhança física e de estilo com o ex jogador são-paulino Lugano, capitão da seleção principal.

Nos últimos torneios inferiores, porém, a equipe tem tido tropeços que ameaçam o sonho olímpico. No Sul-Americano Sub-20 do ano passado, o time garantiu a vaga nos Jogos de Londres e chegou à final, mas apanhou de 6 a 0 do Brasil. Em seguida, no Mundial Sub-20 da Colômbia, foi eliminado na primeira fase, sem ter ganhado nenhum jogo. Nos dois torneios, a equipe não teve Coates, mas outra promessa, o zagueiro Leandro Cabrera, estava em campo.

Para Londres, o Uruguai não vai abrir mão de usar os três atletas acima de 23 anos. Até mesmo Lugano, aos 31 anos, já manifestou publicamente seu desejo de se juntar aos garotos.

RIVALIDADE INTERNA
Para o Reino Unido, que há 52 anos (desde Roma-1960) não disputa os Jogos, o maior obstáculo foi chegar a um acordo para montar a equipe. A Irlanda do Norte, a Escócia e o País de Gales bateram pé para que tivessem seleções independentes da Inglaterra, mas prevaleceu a decisão da Federação Inglesa.

Com isso, os galeses Gareth Bale, do Tottenham, e Aaron Ramsey, do Arsenal, podem ser alguns dos poucos não ingleses na seleção anfitriã, apesar de o técnico Stuart Pearce ter intenção de “misturar” bem o elenco.

Na Espanha, o time deve ser o mesmo que conquistou o Campeonato Europeu Sub-21 em 2011. Com uma talentosa safra, que tem Thiago Alcântara, do Barça, como principal nome, os espanhóis devem abrir mão de usar atletas com mais de 23 anos.

Bicampeã, Argentina é a maior ausência nos Jogos londrinos

A ausência da Argentina, atual bicampeã olímpica, é a principal surpresa no futebol em Londres. O time deixou escapar a vaga no último Sul-Americano Sub-20 e, assim, perdeu a chance de exibir novos talentos como o meia Pastore, cotado para ser o futuro maestro da seleção principal. Outra potência a ficar fora é a Alemanha de Thomas Müller, do Bayern de Munique, destaque da Copa do Mundo de 2010.

No torneio classificatório do Peru, a Argentina chegou invicta ao hexagonal final, mas tropeçou na zebra Equador. Única a vencer o Brasil na competição, foi eliminada ao perder para o Uruguai (1 a 0), em jogo duro.

Finalista em três das últimas quatro Olimpíadas, a equipe argentina levou o ouro em Atenas-2004 e Pequim-2008. Na última edição, liderada por Messi e reforçada por Riquelme, despachou com incrível facilidade o Brasil, de Ronaldinho Gaúcho, por 3 a 0 na semifinal.

Neste ano, o principal nome seria o jovem Pastore, do francês PSG. Aos 23 anos, é uma espécie de Paulo Henrique Ganso dos argentinos – tido como o substituto de Riquelme para a seleção principal. Outra promessa a ficar fora do Jogos é Iturbe, de 18 anos, atacante que atualmente defende o Porto, de Portugal.

A última vez que a Argentina havia ficado de fora do torneio olímpico tinha sido nos Jogos de Sydney, em 2000.

Pelo caminho. A seleção alemã, que chamou a atenção pela juventude no Mundial de 2010, tampouco conseguiu garantir uma das vagas europeias para Londres. Derrotada pela Islândia nas fases de classificação, a equipe tinha em seu elenco o zagueiro Holger Badstuber e o meia Thomas Muller, as duas principais apostas do Bayern de Munique.

No continente africano, melhor para o Brasil que Gana ficou pelo caminho. Com vários jovens atletas que atuam na Europa, os ganenses bateram a seleção sub-20 brasileira na decisão do Mundial da categoria no Egito, em 2009 – Paulo Henrique Ganso era um dos que estavam em campo naquela derrota, em disputa por pênaltis.

Camarões e Nigéria, únicos países da África a ganharem a medalha de ouro olímpica no futebol, também ficam fora após participarem em Pequim. / B.D.

Os palcos do futebol

Bola rola em campos ingleses, da Escócia e do País de Gales

Almir Leite – estadão.com.br

SÃO PAULO – O futebol vai servir para integrar a Grã-Bretanha à Olimpíada. A seleção do Reino Unido contará com atletas de todos os países da região – pelo menos esse é o plano do técnico Stuart Pierce. Além disso, Escócia e País de Gales abrirão seu território para receber partidas dos torneios masculino e feminino. As outras quatro arenas designadas estão em solo inglês.

Estádio Hampden Park, em Glasgow - Reprodução/AE
Reprodução/AE
Estádio Hampden Park, em Glasgow

A principal delas, claro, fica em Londres. É o estádio de Wembley, onde serão realizados nove jogos, entre eles os que definirão a medalha de ouro tanto no masculino como no feminino. Com capacidade para 90 mil pessoas, a arena, inaugurada em 2007 (o antigo Wembley foi demolido), é atualmente uma das mais modernas do mundo.

O futebol olímpico também vai passar pelo tradicional Old Trafford, o alçapão do Manchester United, pelo simpático St. James Park, casa do Newcastle, além do belo City of Coventry, estádio inaugurado em 2005, mas não muito conhecido fora do Reino Unido, pois o time local não vem fazendo coisas relevantes no futebol.

A Escócia contribuiu com o futebol olímpico com o centenário Hampden Park, estádio inaugurado em 1903 e que já chegou a ter capacidade para 184 mil pessoas – era o maior do mundo até 1950, quando surgiu o Maracanã. Hoje, depois da última reforma, comporta “apenas” 52.103 pessoas, mas se mantém como uma das mais famosas arenas da Europa, por isso foi escolhido para participar dos Jogos.

O futebol também vai utilizar o Millennium Stadium, em Cardiff, País de Gales, mais acostumado com os jogos de rúgbi. Mas é lá que a bola vai começar a rolar na Olimpíada: o Millennium recebe, em 25 de julho, a primeira partida do torneio feminino.

Paul Deighton, CEO do Comitê Organizador da Olimpíada, diz que a opção de descentralizar o futebol levou em conta o grande público que o futebol tem em toda a Grã-Bretanha.

“O torneio olímpico de futebol apresenta alguns dos melhores jogadores jovens. Como os britânicos são amantes do esporte, levar os jogos para todo o Reino Unido permite que todos possam compartilhar a emoção”, disse. “Com os preços dos bilhetes baixos, será um sucesso.”

 

Por Cleber Aguiar – ‘Eterna promessa’ diz ser especial

Fonte: Folha de São Paulo

FUTEBOL – Após fracasso na Europa, Freddy Adu, 22, ainda sonha em ser melhor do mundo

RAFAEL REIS
DE SÃO PAULO

“Sou tão bom quanto todo mundo achava que eu era. E ainda posso ser aquele jogador que todos esperavam.”

Essas frases seriam normais se tivessem saído da boca de quase qualquer promessa de 22 anos que estivesse iniciando a carreira e correndo atrás de reconhecimento no mundo do futebol.

Mas Freddy Adu está muito longe de ser como os outros atletas de sua idade.

Esse ganense de nascimento, que chegou aos EUA com oito anos porque sua mãe ganhou, numa loteria de “green card”, o visto para residir no país, foi o adolescente mais famoso do futebol.

Ou você se lembra de outro jogador de 13 anos que foi parar no “The New York Times”, ganhou reportagens especiais dos maiores jornais e revistas esportivas do mundo e assinou um contrato de US$ 1 milhão com a Nike?

“Não acho que sou só mais um bom jogador. Acredito que sou mesmo especial”, disse, por telefone, à Folha.

Mal saído da infância, Adu já era comparado a Pelé e tinha duas missões: ser o maior jogador do mundo no início do século 21 e também o primeiro grande nome do futebol vindo do maior mercado esportivo do mundo (os EUA).

E, se ainda é necessário explicar quem é (ou foi) esse atacante de ascensão meteórica na década passada, é porque ele passou a anos-luz de cumprir o destino que julgava ser o projetado para ele.

Adu voltou aos EUA em agosto, após três temporadas em que pouco fez -disputou 20 partidas pelo Benfica, clube que o contratou, e passou por empréstimo e sem sucesso por França, Grécia e a segunda divisão da Turquia.

Defende agora o Philadelphia Union. E não está entre os 21 jogadores que ganham acima do teto salarial da MLS e se beneficiam da regra feita pela Major League Soccer para atrair estrelas como Beckham e Thierry Henry.

Aos 14 anos, quando se tornou o mais jovem atleta a ingressar em uma liga profissional norte-americana em mais de 110 anos, tinha o maior salário do futebol do país: US$ 500 mil por ano, mais do que recebe hoje.

“Tudo voltou a ser como sempre deveria ter sido. Às vezes, você se deixa levar pelo que as pessoas falam e perde um pouco o foco. Mas estou mais maduro, aprendi com erros e estou pronto para me tornar o jogador que sei que posso ser”, afirmou.

Ele pretende passar duas ou três temporadas na MLS antes de retornar à Europa para fazer frente a Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

“As minhas [expectativas] são para quando eu tiver 25 ou 26 anos. Hoje, não dá para falar em ser o melhor do mundo porque não estou no Barcelona ou no Real Madrid. Mas gostaria muito de sê-lo um dia”, completou Adu.

ICFUT – Links de Transmissão – Amistoso Brasil x Bósnia 16:00 hs

Fonte: O Estado de São Paulo

Ronaldinho joga e Ganso é banco no amistoso contra a Bósnia

No primeiro jogo do ano, Mano ignora a boa fase e ascensão do meia do Santos e dá preferência ao veterano do Flamengo

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL , / ST. GALLEN – O Estado de S.Paulo

Ao escolher os 11 jogadores que entrarão em campo nesta terça-feira, 28, contra a Bósnia-Herzegóvina, em amistoso na Suíça, o técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, inaugura uma nova fase de seu trabalho, marcada pela maior pressão por resultados. A menos de seis meses da Olimpíada de Londres e a dois anos e meio da Copa de 2014, o treinador precisa começar a definir o grupo com o qual vai encarar os dois desafios, apontando o caminho das vitórias para uma equipe que ainda não convenceu.

Mano Menezes continua apostando na experiência de Ronaldinho Gaúcho - Mowa Press/Divulgação
Mowa Press/Divulgação
Mano Menezes continua apostando na experiência de Ronaldinho Gaúcho

Se as incertezas ainda são muitas, duas referências técnicas do time parecem definidas: Neymar e Ronaldinho. Ganso, em alta no Santos e antes uma referência para Mano na seleção, vai ficar na reserva.
Ontem, em sua única entrevista antes do treino realizado a zero grau na arena AFG, em St. Gallen, na Suíça, Mano reconheceu que a seleção agora caminha contra o tempo. “Mas não adianta reclamar. A seleção sempre passou por isso”, ponderou. Segundo ele, a “modificação radical” do grupo em relação à equipe que foi à África do Sul fez com o rendimento inicial fosse prejudicado. Por isso a preocupação em aproveitar todos os momentos, como o jogo de hoje contra a Bósnia. “Quando estivermos reunidos, como estaremos nos Estados Unidos na metade do ano, teremos de saber tirar proveito desses momentos raros.”

Sobre a missão de montar dois times, um com apenas três jogadores com mais de 23 anos, para a Olimpíada, e outro com força máxima para a Copa, Mano não lamentou, pelo contrário. Para ele, um será derivado do outro. “A seleção que vai disputar a Olimpíada vai ser formada por um número bastante grande de jogadores que vai estar na Copa de 2014. Por isso é uma parte importante da programação”, disse ele, sem ignorar a pressão. “Tenho ouvido que a Olimpíada pode significar um desgaste para o técnico. Mas decidi encarar essa responsabilidade, porque acho que é uma parte importante da preparação para 2014. Uma é a sequência da outra.”

Pressão. De forma discreta, o diretor de Seleções da CBF, Andrés Sanchez, colocou Mano na obrigação de apresentar um time consistente e obter resultados. Falando aos jornalistas na tarde de ontem, na concentração da equipe, no Hotel Säntispark, o ex-presidente do Corinthians deixou claro que a pressão tende a aumentar.

Perguntado pelo Estado sobre qual seria a sua avaliação sobre o estágio atual da seleção, Sanchez desconversou: “Tem de perguntar para o Mano”.

Mas a seguir cobrou definições, garantindo que a fase de experiências chegou ao fim. “Temos de começar a montar o time mais forte possível”, disse. “Já temos a base, Mano sabe disso, era essa programação da CBF. O planejamento era ter um ano, um ano e pouco para fazer todos os testes. Agora é começar a jogar com o time que ele achar que é o melhor.”

BÓSNIA X BRASIL

Bósnia: Begovic; Mujdza, Jahic, Spahic e Papac; Rahimic, Misimovic, Medunjanin e Alispahic; Dzeko e Ibisevic – Técnico: Safet Susic

Brasil: Julio Cesar; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Sandro, Fernandinho, Hernanes e Ronaldinho Gaúcho; Neymar e Leandro Damião – Técnico: Mano Menezes

Juiz: não divulgado

Local: Arena AFG, em St. Gallen (Suíça)

Horário: 16 horas

Transmissão: Rádio ‘Estadão ESPN’, Globo e SporTV

Links para assistir o jogo

https://icfut.wordpress.com/2010/09/12/icfut-links-de-transmissoes-de-jogos-ao-vivo/

Por Cleber Aguiar – Oscar garante que não volta ao Morumbi

Fonte: Folha de São Paulo

ENTREVISTA
Meia do Inter diz que ação tricolor é para desestabilizá-lo

EDUARDO OHATA
DO PAINEL FC

Alvo de uma ação judicial movida pelo São Paulo, o meia Oscar, 20, descarta qualquer possibilidade de retornar ao clube do Morumbi.
Cotado para ir aos Jogos de Londres, Oscar disse à Folha que não há clima para defender seu ex-clube, que “quer mexer com a cabeça” dele.

Folha – Você achou que iria passar pelo estresse de uma batalha legal depois de já estar jogando no Inter?
Oscar – Após dois anos, não esperava mais. Na hora em que me informaram de que havia começado tudo de novo, esquentei a cabeça. Mas me acalmei depois de conversar com os advogados.

Como o peso de uma ação judicial sobre você afeta sua performance em campo?
Acho que não afeta. Se ficar sem jogar, sim, me afetará. Como quando fiquei sem jogar no São Paulo. Foram seis meses que fiquei sem jogar, e treinei separado. Espero que isso se resolva logo para eu poder continuar jogando.

Você participou da campanha da seleção sub-20 que garantiu vaga na Olimpíada de Londres. Tem medo que a batalha judicial o tire dos Jogos?
É. A Olimpíada está chegando, estou passando por um bom momento com o Internacional, a Libertadores, o Gaúcho. Acho que esse negócio da ação, e as acusações de que estou inscrito irregularmente na Libertadores, são para mexer com a minha cabeça. Estão tentando mexer com a minha cabeça.

Se os seus advogados perderem a batalha na Justiça, você está preparado para voltar a jogar pelo São Paulo?
Não penso nisso. A juíza disse que não me vê jogando pelo São Paulo de novo. Acho que o próprio São Paulo não acha que eu vá voltar para lá. Só tentam recuperar o investimento. Se eu ficar sem jogar, dessa vez acho que serão dois, três jogos, algo que não irá me prejudicar para a Olimpíada, sei que o Mano [Menezes] confia no meu trabalho.

Você chegou a ser ameaçado por torcedores são-paulinos na época do início do imbróglio com o São Paulo, não?
Eles cercaram minha casa. Não chegou a ter uma ameaça. O problema é que os dirigentes falam muitas coisas e, mesmo quando corrigem depois, o estrago está feito. As pessoas ficam com uma impressão errada sua. Só quem está mesmo dentro da situação sabe como é, tem mesmo que ter um apoio da família. Eu só espero que tudo se resolva e eu continue jogando.

Até aonde você acha que o São Paulo irá para ter você de volta jogando no Morumbi?
Acho que vão insistir até o final, ficar no meu pé. Tenho que ter cabeça para isso não me afetar. Mas, se chegasse a um ponto em que eu tivesse de voltar para o São Paulo, teria que ter algum acordo, porque não jogo mais lá.

Por Cleber Aguiar – Corinthians é 2ª torcida e 1º mercado

Fonte: O Estado de São Paulo

Mesmo com 4 milhões a menos de torcedores do que o Flamengo, público corintiano tem o maior poder aquisitivo do Brasil

 

WAGNER VILARON – O Estado de S.Paulo

Poucos assuntos renderam – e ainda rendem – tanta polêmica e discussão quanto o tamanho das torcidas dos clubes de futebol. Ter uma “nação” maior do que a do rival massageia o orgulho e a autoestima dos apaixonados torcedores. No entanto, um novo conceito, que deixa o lado emotivo de lado e ganha força entre dirigentes e profissionais de marketing esportivo, promete relegar o velho debate às conversas informais entre torcedores. De acordo com a ideia, o importante para o mercado não é o tamanho da torcida, mas a quantidade de consumidores da marca. Em outras palavras: mais relevante do que ter torcedores é ter clientes.

E como tem ocorrido nas mais recentes projeções de mercado do futebol brasileiro, o Corinthians aparece em destaque dentro deste novo conceito. Segundo levantamento realizado pela Pluri Consultoria, o potencial de consumo de artigos relacionados a esporte da Fiel ultrapassa os R$ 450 milhões/mês, cifra que a coloca na liderança absoluta das torcidas mais “endinheiradas” do Brasil.

Só para se ter ideia do destaque alvinegro neste ranking, a segunda posição é do São Paulo, com R$ 289 milhões, seguido por Flamengo (R$ 287 milhões), Palmeiras (R$ 202 milhões) e Vasco (R$ 110 milhões). “Lembrando que esse potencial está disponível para ser explorado não apenas pelos clubes, mas também por empresas patrocinadoras, fornecedoras de material esportivo, redes de comunicação, varejo esportivo, empresas de produtos licenciados”, explicou o diretor da consultoria e responsável pelo levantamento, Fernando Pinto Ferreira.

Para chegar a estes números, os responsáveis pelo estudo definiram dois critérios objetivos: socioeconômico e geográfico. “A torcida do Flamengo, em números absolutos, é maior do que a do Corinthians. Só que boa parte dos rubro-negros está localizada nas regiões Norte e Nordeste, onde o poder aquisitivo e, consequentemente, o potencial de consumo são menores. Já os corintianos estão em menor número, mas concentrados em regiões mais ricas”, observou o especialista.

Geografia da receita. Consta do levantamento que o Flamengo ainda possui a maior torcida do País, com 15,2% da população, o que representa pouco mais de 29 milhões de torcedores. Na sequência aparecem Corinthians, com 13,1% (25 milhões), São Paulo, 8,4% (16 milhões), Palmeiras, 6,4% (12 milhões) e Vasco, 4,6% (8,7 milhões).

O que chama atenção, porém, são os números que revelam a concentração destes torcedores. No caso do Flamengo, a fama de ter torcida espalhada por todo o País é confirmada, uma vez que apenas 26% dos rubro-negros estão concentrados no Estado do Rio. “Mas esta conclusão não representa um bom indicador, pois o torcedor que mais consome é aquele que está no mesmo centro do clube, pois ele vive o clima de rivalidade com outros torcedores, o que impulsiona o consumo de artigos relacionados ao clube”, explicou Ferreira. “Torcedores de outros Estados apenas se declaram torcedores, mas não transformam essa preferência em consumo. O desafio, nesse caso, é desenvolver estratégias para alcançar este público.”

É neste ponto que o Corinthians consegue se destacar. Além de ter sua base no Estado mais rico da federação, onde o poder aquisitivo e potencial de consumo é mais elevado, o clube do Parque São Jorge conta com 56% de sua torcida dentro do Estado de São Paulo. De acordo com o estudo, pouco mais de 14 milhões de paulistas declaram-se corintianos, contra 11 milhões de outros Estados (44%).

“Nunca nos interessou ter a maior torcida. Queremos apenas tratar bem a Fiel, dar a ela o que ela quer. Deveria ser objetivo de qualquer clube transformar o torcedor em cliente, consumidor e sua paixão em receita”, afirmou o ex-diretor de marketing e atual vice-presidente do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg.

Força santista. Quando o assunto é capacidade de gasto per capto, quem dá bola é o Santos. A divisão do potencial de consumo da torcida santista (R$ 103,4 milhões) pelo número estimado de torcedores (5,2 milhões) chega-se a R$ 19,6 por torcedor. Logo atrás aparece o Corinthians (R$ 17,9), seguido de perto pelo São Paulo (R$ 17,8) e Palmeiras (R$ 16,5). O Flamengo, dono da maior torcida, fica lá embaixo, com apenas R$ 9,8.

CARNAVAL 2012 – Debate sobre Torcidas Organizadas no Carnaval Paulistano.

Fonte: Folha de São Paulo

Erika Papangelacos

Gaviões e o direito de ser uma torcida que samba

Levamos para o Carnaval de SP o maior público e a maior renda de todos os tempos; o evento cresce com a audiência da imensa torcida do Corinthians

Nós, dos Gaviões da Fiel, lamentamos todos os episódios ocorridos durante a apuração do Carnaval de 2012. É importante deixar claro que repudiamos qualquer tipo de violência, de vandalismo ou qualquer ato que tenha ocorrido nos arredores do Anhembi.

Não apoiamos esse tipo de atitude. Se for comprovado que algum membro da nossa entidade participou de algo, ele será punido.

Vale lembrar que a nossa agremiação trabalhou o ano inteiro enquanto se preparava para o Carnaval. Foram muitas pessoas envolvidas, trabalhando para fazer o melhor, à altura dos Gaviões da Fiel.

Sentimos muito com tudo o que aconteceu e queremos mais respeito com o nosso público e com a nossa comunidade, pois é para eles que vivemos e fazemos essa grande festa. Esse é o nosso único objetivo. E é para a fiel torcida corinthiana que devemos algum tipo de explicação.

Historicamente, os Gaviões da Fiel são julgados por serem uma torcida dentro do Carnaval. Mas, para quem não sabe, fomos convidados, em 1988, pela liga, para participar do Grupo de Acesso do Carnaval.

Lamentamos esses questionamentos e julgamentos por sermos uma torcida organizada que samba, algo que é de direito.

E esse direito é conquistado a cada ano que realizamos atividades carnavalescas, desde 1975. Disputamos o Carnaval como bloco 13 vezes. Fomos campeões 12 vezes e vice-campeões uma vez.

Assim veio o convite da liga. Logo estávamos no Grupo Especial e, após alguns anos de experiência, fomos campeões do Carnaval paulistano.

Temos a nítida certeza que fazemos um Carnaval à altura de qualquer escola participante da “elite paulistana”. Porque não dizer que os Carnavais dos Gaviões contribuíram para o crescimento do Carnaval paulista? Todos sabem que essa contribuição foi relevante.

Se outras agremiações carnavalescas que mantêm atividades como torcida organizada também conquistaram esse direito, não compete aos Gaviões prejudicá-los ou fazer qualquer tipo de manifestação contra. Elas também estão lá por um direito adquirido e conquistado por mérito de cada agremiação.

Nós estamos trabalhando para superar as adversidades. Exemplo disso é que já faz muitos anos que estamos desenvolvendo atividades carnavalescas, sem nenhum histórico negativo.

A mídia sempre está querendo achar culpados. Faz comentários a partir de recortes “jogados” e editados da maneira que acha pertinente à sua linha editorial.

Nossos dirigentes não acordaram nada com ninguém. Nada foi “orquestrado”, como dizem alguns veículos de comunicação. Tirar conclusões por imagens e suposições é extremamente tendencioso. Mostra muita má-fé com a grande maioria que foi apenas assistir a apuração.

É impressionante como falam de nós. Será que não é pelo fato de sermos o maior público de todos os tempos do Carnaval paulista? E maior fonte de renda de todos os tempos?

Portanto, o que podemos concluir é que, no final da contas, os mesmos que falam de nós ganham e se aproveitam da grande massa corinthiana, que traz uma enorme audiência e beneficia muitos.

Somos uma torcida que samba. Fazemos o Carnaval para o corinthiano. Sabemos que isso incomoda a muitos. Nós não temos a pretensão de ser melhores do que nenhuma das escolas que se apresentaram (e que também fizeram um ótimo trabalho), mas nós, dos Gaviões, somos a torcida do Corinthians -que é e sempre será a razão da nossa existência.

ERIKA PAPANGELACOS, 30, jornalista e fotógrafa, é responsável pelo departamento de comunicação dos Gaviões da Fiel

Fernando Capez

As torcidas organizadas devem participar do Carnaval de São Paulo?

NÃO

Não querem samba, não querem festa

Para a imagem do Carnaval, patrimônio cultural do povo brasileiro, melhor que não participem.

Não que as escolas de samba ligadas a torcidas de futebol sejam um mal em si. Seus enredos são criativos, a música é de boa qualidade. Grande parte dos integrantes não tem ligação com as organizadas.

Carnaval é alegria, harmonia, congraçamento. Um período em que os espíritos se desarmam e até a criminalidade violenta declina. Não é o momento para discriminar ninguém ou para negar o direito de participar da festa. Escolas ligadas a torcidas organizadas já protagonizaram Carnavais memoráveis. Trazem muita alegria -mas só quando vencem.

Basta contrariar os seus interesses e a aparente felicidade se transforma em violência insana.

Elas não entendem a lógica do Carnaval. Trata-se de se divertir e de encarar a competição como uma motivação para se superar a cada ano e fazer o melhor. Realizar, na fantasia, o sonho que não se concretizou na realidade do cotidiano sofrido.

Essa não é a lógica dessas escolas. Estão ali para vencer, como se fosse um duelo com inimigos. Essa é a sua cultura, haurida no distante mundo do futebol. Essa é a visão dos seus dirigentes e do público que elas arrastam para o universo do sambódromo.

O torcedor de uma escola de samba ligada ao futebol é, antes de mais nada, um torcedor de futebol. Fanático por sua torcida -e um pouco também pelo seu time. Nada tem a ver com o ambiente do Carnaval.

Narcisistas, desejam ser os protagonistas do espetáculo. Como não têm grandeza de alma para partilhar, procuram se destacar pela violência. Não querem samba, não querem festa. Querem projetar a si próprios como temidos, violentos e poderosos.

Sem qualquer compromisso com a imagem do Carnaval, não se importam em agredir pessoas e em depredar patrimônio público ou alheio. Ao contrário, isso lhes dá especial prazer, pois confere a possibilidade de usufruir seu momento de glória.

No início da década de 2000, às vésperas do Carnaval, integrantes do bloco carnavalesco Tricolor Independente, liderados pelo seu presidente, mataram a socos e a pontapés um carnavalesco da escola adversária -digo, inimiga. Os assassinos foram condenados e cumprem reclusão de 12 anos. Mataram a pobre vítima e também o Carnaval.

Torcidas organizadas foram processadas e extintas pela Justiça. Atualmente, as remanescentes assinaram Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público, e a torcida envolvida será punida em cumprimento ao compromisso que assinou, respondendo pelas consequências dos seus atos.

Além disso, a liga paulista precisa expulsar, por tempo indeterminado, as escolas envolvidas na trama que culminou com um vândalo roubando as urnas com os votos dos jurados, no dia da apuração. Quando voltarem, devem retornar ao grupo de acesso, não mais o principal.

A prefeitura deve cortar, por prazo indeterminado, o repasse da ajuda a essas escolas de baderna. Finalmente, as pessoas que protagonizaram o vexame devem arcar com perdas e danos materiais e morais. O montante correspondente aos lucros cessantes e aos danos emergentes ao Carnaval paulista pode ser quantificado, levando em conta o impacto no turismo, a perda de patrocínios, a retração do público etc.

Quem viola direito alheio responde nos termos da legislação civil e criminal. As escolas ligadas às torcidas devem ser punidas pelas ações dos seus dirigentes e torcedores. Se é para ser como no futebol, a escola deve ser punida pelo mau comportamento de sua torcida, exatamente como ocorre com os clubes nos torneios que participam. Essa linguagem elas entendem.


FERNANDO CAPEZ, 47, procurador de Justiça licenciado, é professor de direito penal e deputado estadual pelo PSDB

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

Vanderlei de Lima

As torcidas organizadas devem participar do Carnaval de São Paulo?

SIM

Os violentos são uma pequena minoria

Há um grande debate que nos coloca, há anos, diante de um dilema sobre a participação de torcidas organizadas no Carnaval paulista.

Minha posição, depois de ter estudado por vários anos essas agremiações: elas devem, sim, desfilar nos dias de folia em nossa capital.

Afinal, apesar de existirem conceituadas escolas de samba que participam dos festejos carnavalescos sem ter vínculos com torcidas, muitas organizadas possuem as suas próprias escolas e primam por mostrar, no sambódromo, parte da grande riqueza cultural brasileira.

Só neste ano, três torcidas da capital se fizeram presentes no grupo especial: Dragões da Real (São Paulo), Gaviões da Fiel (Corinthians) e Mancha Alviverde (Palmeiras).

Festejaram de modo bonito. Parte da imprensa chegou a mostrar, inclusive, que torcedores rivais se uniram para sambar juntos, independentemente do seu time.

Desse modo, foi possível ver botafoguenses, são paulinos, vascaínos e até (pasmem!) corintianos exercendo funções especiais na Mancha Verde, tudo sem o menor problema.

Vimos também que a Dragões da Real, entusiasta do São Paulo, despertou, com seu enredo sobre as mães, aplausos e lágrimas de emoção de corintianos da arquibancada, que cantavam e vibravam. Isso não é uma sadia rivalidade?

É certo, no entanto, que parte das autoridades e até alguns órgãos da mídia parecem torcer para que algo dê errado entre as organizadas.

Criou-se, evidentemente por culpa de uns poucos seres humanos estúpidos ou portadores de distúrbios psicológicos ou psiquiátricos que ingressam nas torcidas, a ideia de que o torcedor de organizada é um vândalo e de que, onde ele for, irá brigar, destruir ou até matar.

Parte das diretorias de torcidas também são, evidentemente, responsáveis por essa má fama que foi adquirida ao longo dos anos. Elas, embora podendo, raramente dão boa formação aos seus associados e dificilmente expulsam aqueles que cometem atos ilícitos. Essas diretorias pagam, pois, o preço por alimentarem o sábio provérbio popular que sentencia que “quem agrada aos burros um dia leva coice”. Não há outra saída plausível a não ser colher o que se plantou. Ou dão formação e aplicam punições, ou nunca terão voz e vez.

No entanto, o rótulo de violentas dado às torcidas organizadas parece demasiado genérico. Segundo Maurício Murad, sociólogo carioca, dentro de uma torcida, apesar da empolgação quase desmedida, só uma pequena parcela de 5% é realmente estúpida e merece censura.

Esse dado já serve para tranquilizar, mas não anestesiar, os críticos de plantão. Afinal, se só o torcedor organizado causasse transtornos, os eventos em que eles não estão presentes seriam de uma paz celestial. Ora, isso não é verdade.

Basta acompanhar os noticiários para ver o quanto a violência é uma realidade social que ultrapassa de longe os agrupamentos de torcedores organizados presentes no Carnaval. Eles não podem, portanto, ficar com a responsabilidade pelos males causados também por outras pessoas no Carnaval -evento que, apesar de festivo, tem o seu lado sombrio.

Aliás, no ano passado, os profetas da desgraça lançaram aos quatro ventos os seus brados de que, com três grandes torcidas paulistas no Anhembi, teríamos uma tragédia anunciada. Protestei com cartas a vários jornais e qualifiquei os falsos adivinhos de “morcegos”, pois parecem desejar que tudo que se refere às organizadas acabe em sangue.

Enganaram-se. Abstraindo-se um ou outro problema mais pessoal e organizacional do que institucional, a festa foi grandiosa. As torcidas devem, pois, continuar no Carnaval paulista, mostrando brilho e alegria, apesar da oposição enfrentadas. Parabéns! O abuso não tolhe o uso.


VANDELEI DE LIMA, 34, é professor universitário de filosofia e diretor da Toppaz (Torcidas Organizadas pela Paz)

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

Por Cleber Aguiar – Ibson não se derrete por amor antigo e mira o Santos: ‘Nunca quis sair’

Fonte: Globo.com

Jogador garante que não pensou em retornar ao Flamengo, comenta ‘baile do Barcelona’ e fala sobre o estilo de vida brasileiro que teve na Rússia

Por Eduardo PeixotoRio de Janeiro

Manhã do dia 11 de fevereiro, sábado. Ibson recebe meia dúzia de ligações de amigos cariocas festejando o acerto com o Flamengo. Com um quê de espanto e um sorriso constrangido, ele garante a todos que a informação da troca por Alex Silva é inverídica e que seguiria normalmente seu caminho em busca do sucesso no Santos.

A notícia, espalhada por um ex-dirigente do departamento de futebol do Fla, provocou euforia entre os rubro-negros nas redes sociais. Festejaram o retorno virtual de um jogador com mais de 15 anos de Gávea. Mas Ibson, em momento algum, se posicionou favorável à saída da equipe paulista.

O carinho pelo Flamengo fica guardado na estante de recordações. Olha para o papel, vê os três anos e meio de contrato com o Santos e mira o status de imprescindível que ainda não conquistou.

Durante os pouco mais de 40 minutos de entrevista, Ibson apegou-se aos adjetivos positivos e não os largou. A vida no inverno russo foi classificada como “maravilhosa”, Neymar um “moleque sensacional” e a acachapante derrota por 4 a 0 para o Barcelona na final do Mundial virou uma “alegria”.

entrevistão de domingo Ibson (Foto: Montagem sobre foto da Ag. Estado)Flamengo, Spartak, Santos… Ibson em diversos momentos (Foto: Montagem sobre foto da Ag. Estado)

O volante, aos 28 anos, é assim. Desde o início da carreira, usa a mesma velocidade para fazer a ligação entre o meio-de-campo e o ataque para fugir de problemas extracampo. Confira a entrevista:

Como foi acordar e ler que você tinha sido trocado pelo Alex Silva? 
Olha, em momento algum fiquei preocupado achando que tivessem feito algo sem eu saber. Estava bem tranquilo porque tenho contrato com o Santos por quase quatro anos. Conversei com o diretor e ele me passou que não havia nada. No dia seguinte, tinha jogo (contra o Linense) e não me desconcentrei. Mantive a cabeça boa.

Em algum momento alguém do Flamengo o procurou? 
Não, ninguém falou comigo.

Tenho uma história no Flamengo, recebo muitas mensagens dos torcedores. Sei que sigo no coração deles por tudo o que fiz. Também tenho carinho e respeito enormes. Mas no momento não penso em voltar. “
Ibson, volante do Santos

Nem com o seu empresário (Eduardo Uram)? 
Não conversamos sobre isso. Tenho contrato e estou feliz. Em momento algum pensei em sair. Nunca quis sair. Recebi várias ligações de amigos, mas avisei que não sabia de nada, que não tinha nada. Acho que (a notícia) foi precipitada. Mas não me abalou.

Mas no Twitter você foi festejado pelos rubro-negros. Não balançou? 
Tenho uma história no Flamengo, recebo muitas mensagens dos torcedores. Sei que sigo no coração deles por tudo o que fiz. Também tenho um carinho e respeito enormes. Mas no momento não penso em voltar. Tenho contrato com uma grande equipe e quero cumprir. Depois disso, não posso responder. Falar do futuro é complicado.

Sete meses depois de chegar ao Santos, você ainda busca um espaço na equipe. A demora está ligada à readaptação ao futebol brasileiro? 
Sinceramente? Acho que não. Quando voltei fiz cinco jogos bons, mas tive uma lesão muscular na coxa esquerda que me atrapalhou bastante. Fiquei quase 50 dias sem jogar, voltei com uma fibrose no local e ainda sentia muita dor. Isso afetou meu rendimento. No fim do ano, consegui fazer bons jogos.

Ibson no desembarque no Rio de Janeiro (Foto: Fábio Leme / Globoesporte.com)Ibson na chegada ao Brasil para assinar com
o Santos (Foto: Fábio Leme / Globoesporte.com)

Ainda tem vontade de jogar na Europa? 
Pergunta difícil de responder, hein? Sei que tive duas experiências maravilhosas: uma em Portugal (no Porto) e outra na Rússia (no Spartak). Não me arrependi e se voltasse no tempo repetiria as experiências. Sempre quis jogar na Espanha, mas no momento não estou pensando nisso.

Percebe-se um movimento cada vez maior de jogadores voltando da Europa antes dos 30 anos. Por quê? 

Os clubes brasileiros estão bem estruturados. Os salários são parecidos ou até maiores do que os da Europa.

Por que decidiu voltar da Rússia? Foi o famoso incômodo com o frio?
Vivi dois anos incríveis na Rússia. O país é muito bom para morar, o Spartak é um clube espetacular. Tem frio? Tem no inverno, mas eles estão preparados e a vida segue normalmente. Não me atrapalhava. Eu jogava uma vez por semana e tinha bastante tempo para aproveitar a família (a esposa Cíntia e os filhos Ibson Junior e Alícia moraram com o volante em Moscou). Só que depois de algum tempo vários jogadores brasileiros saíram e vi que era a hora de voltar.

Como assim? 
Morávamos em um condomínio em que a língua oficial era o inglês. Vários brasileiros e argentinos viviam lado a lado. Era muito divertido. Quando o inverno terminava, fazíamos churrasco em uma mini-praia que havia no condomínio, jogávamos futevôlei… Tudo isso nos ajudava a aliviar a saudade da nossa terra. Mas o Alex, que era meu vizinho de porta, foi para o Corinthians, o Rodolfo voltou (para o Grêmio) e fui ficando mais triste. Quis voltar.

Foi quando apareceu a oferta do Santos? 
Isso. Quando soube me empolguei. O time era campeão da Libertadores e disputaria o Mundial. Mas isso não foi o mais importante. Importante foi saber que tinha uma ótima estrutura, um time forte.

E ainda tinha o Neymar… como o primeiro contato? 
O Neymar é um moleque sensacional, tranquilo, de cabeça boa. E um jogador fora de série. Não tenho nem palavras.

Nem palavras para descrever o cabelo dele?
Cabelo está bem, está bonito. (risos)

Você já arriscou um moicano nos tempos de Flamengo…
É, mas era um pouquinho diferente. Mais discreto. Agora não tenho mais idade.

 

Na última semana relataram um ríspido bate-boca entre você e o Muricy Ramalho durante o jogo contra o Comercial. Como é a relação com ele?
Não houve bate-boca, foi uma coisa de jogo. Ele falou, não escutei, não interpretei da maneira que ele queria. No calor do jogo, você acaba falando mais alto. Mas nada que atrapalhe. O relacionamento é bom, ele é um grande treinador e demonstrou isso nos últimos anos.

Qual foi a reação após a goleada por 4 a 0 para o Barcelona na final do Mundial? 
Sabíamos que seria uma coisa difícil. Mas foi uma alegria por terminar o ano como a segunda melhor equipe do mundo. Voltamos de cabeça erguida. Eles estão há cinco anos juntos. Nunca tinha visto nada igual ao Barcelona. Eles não jogam com atacante fixo e têm um toque de bola espetacular. Impressionou bastante vê-los em campo.

Voltando ao passado… em 2008, o Flamengo perdeu por 3 a 0 para o América-MEX, foi eliminado em casa e surgiu a história de que os jogadores fizeram um pagode com álcool na concentração horas antes do jogo…
Depois de uma derrota adoram inventar coisas que não aconteceram para justificar os fracassos. Não aconteceu nada de anormal na concentração. Aquele jogo é um grande mistério. Eles foram três vezes ao ataque e marcaram três vezes. Ninguém nunca vai conseguir explicar. Nem eu… (risos)

Ibson, do Santos (Foto: Ivan Storti/Divulgação Santos FC)Ibson durante treino do Santos
(Foto: Ivan Storti/Divulgação Santos FC)

Esses boatos o incomodam? 
Plantam muitas notícias. Qualquer pessoa que tem um celular pode tirar uma foto comigo e dizer que fiz isso ou aquilo. É complicado. Passei a nem ler mais jornal para não me aborrecer.

O Bruno era capitão daquele time do Flamengo e vocês tinham um bom relacionamento. Como foi receber a notícia da prisão dele pelo desaparecimento da ex-namorada Eliza Samudio? 
Eu estava na Rússia naquela época e até hoje não acredito nisso. Convivi com o Bruno dois anos e acredito que ele não fez nada. O Bruno, apesar do temperamento forte, não seria capaz de uma crueldade dessas.

Por Cleber Aguiar – Giovanni detona Ganso e diz temer pelo futuro do meia

Fonte:Lancenet.com.br

Ex-jogador, que ‘descobriu’ o camisa 10 santista ainda disse temer pelo futuro do meia caso ele saia do Brasil

Giovanni (Foto: Ivan Storti) Giovanni detonou o camisa 10 santista (Foto: Ivan Storti)

LANCEPRESS!
Publicada em 26/02/2012 às 18:37 
Santos (SP)

Em alta no Santos, Paulo Henrique Ganso foi duramente criticado por Giovanni, o Messias, que o “descobriu” pouco antes de sua última passagem pelo Santos.

O ex-jogador santista, um dos principais do vice-campeonato brasileiro de 1995, lamentou a perda do vínculo com o atleta, com quem disse já ter tido uma relação próxima.

– Tínhamos uma amizade boa, éramos bem próximos. Tive uma participação direta em sua carreira pois o levei para um teste no Santos e ele passou logo de primeira, sabia do potencial que ele tinha. Antes de despontar no futebol, o pai dele chegou comigo para assinarmos um contrato, não quis aceitar poque para amigos a palavra basta. Insistiram, fomos no cartório e assinamos os papeis. Depois, quando ele vingou no time, o Santos veio para que mudássemos o acordo, diminuindo a minha parte e até querendo me tirar do contrato. Houve alguns problemas e o Ganso acabou brigando com todo mundo, mas nem ligo mais, não sou de correr atrás de macho nem de dinheiro – disse em entrevista ao jornal “O Liberal”, do Pará.

O ex-jogador prosseguiu com as críticas ao jogador.

– Meus pais sempre me ensinaram isso, a ter ética. O que você fala, você tem que cumprir, e já que eles (Ganso e família) não cumpriram, o problema é deles. Tudo o que você semear aqui você vai colher aqui. Então, deixa eles viverem a vida deles, que eu vou viver a minha. Não tenho nada contra ninguém, mas é claro que a gente perdeu aquela nossa amizade, não por mim, mas eu acho que os caras ficaram meio envergonhados, por não cumprirem o que prometeram.

Giovanni ainda disparou contra a DIS e quem agencia a carreira do meia. O “Messias” chegou a dizer que teme pelo futuro do meia no futebol.

– O Henrique é um menino de muito bom coração mas tem sido mal orientado. A DIS consegue manchar a carreira dele, que está no começo, sei que ele perdeu dinheiro por toda a confusão que aconteceu dele não renovar com o Santos. Ele se prejudica e isso pode fazer falta no futuro. Se pudess e conversar com ele, pediria para ele ficar no Brasil, pois é burrice jogar na Europa hoje, os salários aqui são muito bons. A impressão que dá é que ele não tem mais voz, não manda no próprio passe, não manda na própria vida. Temo que ele nofuturo jogue em algum time da segunda divisão da Espanha – concluiu.