Por Cleber Aguiar – Entrevista com Júlio César Goleiro do Corinthians.

Fonte: O Estado de São Paulo

‘Quem tem sido tão regular na temporada quanto eu?’

Goleiro Júlio César diz que eventual título do Corinthians acalmará seus crítico

VÍTOR MARQUES – O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – Numa conversa descontraída com jornalistas, na última sexta-feira, no CT, Andrés Sanchez dispara: “Como vou contratar outro goleiro no ano que vem se o meu está na eleição dos melhores do campeonato e a defesa do time é a menos vazada?”

Júlio César se firmou como titular do Corinthians após saída de Felipe - Ayrton Vignola/AE - 23/11/2011
Ayrton Vignola/AE – 23/11/2011
Júlio César se firmou como titular do Corinthians após saída de Felipe

Se todos no Corinthians pensassem como o presidente, Júlio César teria uma vida mais fácil. Não tem. “Um título acaba com essa desconfiança, com essa interrogação”, afirmou o goleiro, de 27 anos, em entrevista exclusiva ao Estado.

Júlio César espera repetir nesta domingo, 27, contra o Figueirense, o feito de Ronaldo, último goleiro formado nas categorias de base campeão brasileiro pelo Corinthians. E também o último incontestável na posição dentro do clube, exceção feita a Dida, em mais de 15 anos.

Você é o único titular do time formado nas categorias de base? Quais suas lembranças do extinto terrão?

São recordações boas que guardo de Itaquera, das concentrações para a Taça São Paulo, dos treinos, dos jogos. Lembro que havia três campos e a gente só podia jogar no campo de baixo. O campo três, o melhor de todos, às vezes era usado pelos profissionais. Mas quando a gente podia jogar lá, colocávamos a melhor chuteira, a melhor luva.

Com a construção do estádio, o CT não existe mais. Você esteve em Itaquera depois do início das obras?

Faz muito tempo que não vou até lá, mas posso dizer uma coisa: será uma honra muito grande para mim se eu puder continuar jogando no Corinthians até a inauguração do estádio. Por ter sido criado lá e por ser corintiano, vai ser um prazer.

O último grande goleiro formado nas categorias de base do clube foi o Ronaldo, campeão brasileiro em 1990. Depois dele, poucos conseguiram sucesso no Corinthians, salvo a breve passagem de Dida. Por que?

Olha, jogar aqui é mais complicado. Uma porque é o time de maior exposição na capital, no Brasil, pode-se dizer, e você tem de provar sempre (que pode ser titular). Ainda mais sendo formado nas categorias de base. Falam muito em trazer outros goleiros. Por isso, se ganharmos o título brasileiro, virá num bom momento.

Você se sente desvalorizado ou chega a ficar chateado quando lê que o clube procura novos goleiros?

Estou tranquilo, o Tite é um técnico excepcional e o Andrés me dá muita força. Mas também não fico bravo (com especulações). Não é que me sinta desvalorizado, mas valorizam mais quem é de fora. E dos nomes que falam, quem tem sido tão regular nessa temporada quanto eu? Esse tipo de pressão é boa para você estar ligado todo o jogo, você tem de se superar.

Esse é seu primeiro ano completo como titular. Qual balanço que você faz da temporada?

Acho que foi um ano bom, apesar da eliminação na Libertadores e no Campeonato Paulista. Acho que esse (o Estadual) foi o pior momento meu e do time no ano, mas já falei muito sobre isso, sobre o erro, que na verdade foi um lance ruim, e não um jogo ruim.

Você considera que falhou em algum gol neste Brasileiro? Por exemplo, aquele de falta sofrido contra o América.

Não vi falha no gol contra o América. Um gol que alguém poderia falar foi o do Juninho Pernambucano. Ele bateu bem, a bola quicou, mas era defensável. Um gol em 30 e poucas partidas. Nesse jogo, o Tite falou ‘pô Júlio, pela sua qualidade sei que você pegaria essa bola’. Agora, tem coisas que acontecem e que muita gente aumenta muito. Se fossem outros (goleiros) não falariam tanto. Acho que o título acaba com a desconfiança, com a interrogação. Somos a melhor defesa do campeonato. Eu respeito a crítica, cada um tem sua opinião, mas também gosto que me respeitem.

Imagino que outro momento difícil foi a chegada do Renan, que, por sinal, se deu mal…

Se fosse outro clube, teriam mais paciência com ele. Jogou três jogos e, na época, todo mundo me tirando do gol… Ele jogou e mudou a situação totalmente. Posso dizer que ele é jovem, ainda tem tempo para brilhar. O Tite me ajudou muito. Ele me disse: ‘você está saindo por contusão (dedo da mão esquerda) e o mais justo é que você volte como titular’.

Quais as chances de o time ser campeão em Florianópolis?

A chance de título é real. Se nós vencermos e o Vasco, não, seremos campeões. Mas temos a consciência de que temos de vencer o jogo. Independentemente do jogo do Vasco. Claro que se eles tropeçarem será melhor. Na última rodada, o Palmeiras vai querer dificultar as coisas, vai querer vencer a gente de qualquer jeito.

O Corinthians já está classificado para a Libertadores. Isso é bom ou ruim, levando-se em conta os últimos anos?

Claro que é bom! Estamos chegando perto de uma conquista. Será a primeira vez que vamos jogar três Libertadores seguidas. Jogando direto aumenta a chance de vencer. Estamos chegando perto.

Pode ter o Santos no caminho…

Vai ser duro enfrentar o Santos com Neymar, Ganso, Arouca. Será o time a ser batido

Você esteve no grupo campeão de 2005. Não se considera campeão?

Não, joguei um jogo só, e foi contra o Figueirense. Ganhamos por 2 a 1 no Pacaembu. Tevez e Roger fizeram os gols. Mas não era um time tão unido quanto o nosso. Era um time mais de estrelas.

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