Por Cleber Aguiar – Luis Alvaro Presidente do Santos FC ” Não a Ronaldo ” – PARA SEGURAR SEU MAIOR CRAQUE NO BRASIL, PRESIDENTE DO SANTOS CONTA QUE ENFRENTOU ATÉ O EX-JOGADOR, QUE ‘VIROU EMPRESÁRIO

Fonte: Folha de São Paulo

Ronaldo fez oferta por Neymar em nome do Real

ENTREVISTA LUIS ALVARO DE OLIVEIRA RIBEIRO

PARA SEGURAR SEU MAIOR CRAQUE NO BRASIL, PRESIDENTE DO SANTOS CONTA QUE ENFRENTOU ATÉ O EX-JOGADOR, QUE ‘VIROU EMPRESÁRIO’

LEONARDO LOURENÇO
DE SÃO PAULO

O presidente do Santos, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, 68, disse que Ronaldo trabalhou ativamente para tirar Neymar do Brasil. Em entrevista à Folha, anteontem, o cartola afirmou que o ex-jogador fez uma proposta em nome do Real Madrid.

“Ele virou empresário”, declarou Luiz Alvaro. “Naturalmente, ele queria ganhar dinheiro, está em seu direito.”

Para convencer Neymar a ficar, o cartola reformulou seu contrato: agora, o atacante ficará com 90% dos ganhos de publicidade, o que pode fazer seus vencimentos ultrapassarem os R$ 2 milhões.

E usou de retórica. “Ele joga no clube em que cresceu e ama, junto da avó, dos pais, do filho. Para que trocar isso por um Real Madrid com um técnico temperamental? Há o risco de mandarem o Neymar cortar o cabelo, de exigirem que ele tenha que defender, que não possa driblar. Aqui ele joga como quer.”

Folha – Como foram os últimos meses com a investida europeia sobre o Neymar?

Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro – Começou em junho, durante a despedida do Ronaldo [amistoso da seleção ante a Romênia, no Pacaembu]. O Sandro Rosell, presidente do Barcelona, me procurou. Depois, ainda em junho, uma pessoa, que eu prefiro não dizer quem foi, trouxe a proposta do Real Madrid. As pressões eram muito grandes, o dinheiro que se oferecia ao jogador era monstruoso. E quanto mais eu dizia não, maior era o apetite.

Como o Santos resistiu?

Eu tinha que criar um diferencial competitivo para fazer face a um dinheiro que eu não tinha. Nós tínhamos que criar uma situação que fosse suportável pelo Santos e atraente para o jogador. E, dentro do nosso grupo de gestão, existiam membros mais conservadores.

Como os convenceu?

Não foi nenhuma decisão técnica. O motor disso tudo foi uma convicção de que os intangíveis que o Santos conquistaria com a permanência do Neymar tinham um valor econômico difícil de ser mensurado, mas que era algo áureo. Apostei nesse discurso.

Essa atitude foi isolada ou pode ser o ponto de virada no futebol brasileiro?

Se eu fosse pretensioso, diria que é como o slogan do Obama: Yes, we can [sim, nós podemos]. Acho que mostramos que, com um pouco de criatividade, um pouco de audácia e muita sorte, você inverte o curso natural da história. O Santos se desfez do Robinho e ficou longe de galgar um novo patamar. Vender jogador não resolve o problema de ninguém. Manter o jogador, especialmente o diferenciado, representa um ativo que você incorpora ao clube, que é inalienável e impenhorável: o aumento da torcida. Com o melhor espetáculo, mais gente quer ver o Santos, mais gente torce e mais gente se associa ao Santos. E, dessa forma, eu consigo criar uma riqueza.

Como o Ronaldo participou das negociações?

Ele me procurou e, em nome do Real Madrid, fez uma oferta, com um valor abaixo da multa [37 milhões de euros, 8 milhões de euros a menos que a rescisão, na época].

Foi ele aquele primeiro intermediário que o senhor citou?

Foi o primeiro que falou em termos de Real Madrid. Depois vieram emissários.

Como o senhor viu essa participação do Ronaldo?

Ele deixou de ser jogador e virou empresário. Naturalmente, ele queria ganhar dinheiro, está em seu direito. Eu é que não quero ganhar dinheiro, mas ele quer.

Pela manutenção do Neymar e pelos resultados em campo, o senhor tem sido apontado como um “dirigente exemplar”.

É gozado, eu vou no supermercado, e os são-paulinos, corintianos, falando que eu podia ir para o São Paulo. Isso é profundamente gratificante. Mas não posso mais fazer xixi na tábua. Se fizer uma conversão proibida à esquerda, estou roubado.

O que acha do continuísmo no futebol? A CBF tem o mesmo presidente desde 1989. O senhor reclama do calendário da CBF, das convocações, mas nada mudou. Por que os clubes não se unem, que poder têm?

Nenhum, quase zero. Eu sempre fui a favor da rotatividade, é a essência da democracia. Mas cada galo cuida do seu galinheiro. Precisaríamos que os clubes criassem uma liga, que fosse unida. Mas você viu no Clube dos 13 que os interesses são conflitantes. Há um nível de troca de farpas que não ajuda.

O senhor não crê nessa união?

Não vejo com muita clareza a possibilidade de isso ser implantado rapidamente. Seria o ideal. Mas é como eu enfrentar o Mike Tyson. Posso ter ideias ótimas, de acertá-lo no fígado, mas o provável é que eu tome uma surra. Para uma luta dessa você tem que ir unido. Acho que ainda não existe clima e diálogo para um pacto assim. Depende de um processo de aculturação, que está começando agora.

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