Por Cleber Aguiar – Entrevista com César Sampaio do Palmeiras

Fonte: Folha de São Paulo

Montaremos um time para ser campeão em 2013, diz César Sampaio

O telefone de César Sampaio não para de tocar. São empresários oferecendo atletas para o Palmeiras em 2012.

“Só tem Kaká e Robinho. Mas, quando pergunto onde jogam, é no ASA de Arapiraca. Com todo o respeito, não vai resolver meu problema”, ironiza o gerente de futebol.

À Folha o ex-meio-campista disse que o time precisa de seis ou sete reforços e que conquistas são para 2013.

Folha – Qual avaliação você faz do time neste ano?
César Sampaio – Tem muitas lições importantes para tirar de 2011. Não só os erros. Os dois últimos jogos foram muito bons. Estou muito feliz com o grupo, acho que o espírito foi recuperado. Mas lógico que precisamos qualificar o elenco. Com a saída do Danilo e do Kleber, perdemos jogadores importantes. Também é preciso levar em consideração a recuperação do Valdivia. Só a parte tática e física não adiantam. Tem que ter uma superação.

O Palmeiras está hoje no lugar em que merece?
Baseado nos problemas que o time teve no ano, as lesões, os erros, o máximo que poderíamos estar é três posições acima da que estamos hoje [o time é o 13º].

A única coisa que resta no ano é tirar o título do Corinthians?
O torcedor é paixão. A gente sabe que, se isso acontecer, para os torcedores salva o ano. Para nós, que trabalhamos na inteligência do negócio, não é o jogo do Corinthians que vai fazer com que esse time seja competitivo.

Qual o seu orçamento para contratações?
Não sei ainda. Tem jogadores que retornam de empréstimo, e pretendemos colocar alguns, que o Felipe [Luiz Felipe Scolari, técnico] não pretende utilizar, como parte da negociação. Uns são caros e estão bem empregados. Não gostaria, mas, para determinado atleta, talvez tenhamos que recorrer a um parceiro.

Scolari já te passou uma lista de reforços?
Já. Tem 12 nomes “número 1”, aqueles que todo mundo quer. Mas tem mais uns 20 jogadores que são plano B e C.

Quantos jogadores esse time do Palmeiras precisa?
Eu penso em seis, sete “número 1”, para ter um elenco. Temos limitações e carências em algumas posições.

O Palmeiras vive um de seus piores anos. Como convencer atletas a jogar no clube?
Toda e qualquer empresa tem momentos de baixa. Mas a marca Palmeiras é muito forte. E significa muito no cenário nacional e internacional. Tem o centenário em 2014. Devagarzinho vamos colocar o trem nos trilhos.

Foi o Scolari quem te indicou para assumir o cargo?
Não sei. Quem fez o convite foi o presidente. Não sei se o [Arnaldo] Tirone conversou com ele, deve ter conversado. O que mais pesou na minha negociação foi a minha função. Eu disse que queria que as minhas ideias fossem ouvidas. Não que elas fossem aceitas, mas que eu pudesse questionar. Ele me deu 100% de autonomia. A primeira bucha foi me reunir com o Felipe e dizer que, se fosse detectada a má vontade do grupo e a intenção de prejudicá-lo, eu teria que demiti-lo.

E o que ele te respondeu?
Ficou tranquilo. Disse que, se o problema fosse ele, que abriria mão da multa rescisória. Que não quer atrapalhar. Disse que quer terminar a carreira no Palmeiras. A gente corre risco de rebaixamento, e ele falou que, se cair, quer ficar e subir o Palmeiras.

O Galeano foi contratado para fazer a função que você faz, mas é visto com desconfiança por atletas. Teme isso por ser muito amigo do técnico?
O Galeano é muito útil para o Felipe. Acho que completo o Galeano. Não sei se foi contratado para fazer a minha função e não sei se dá para acumular as duas funções: dar suporte para a comissão e ser gerente. Acho difícil, porque tem muita demanda.

Se suas ideias não forem aceitas, vai torná-las públicas?
Não. É coisa interna. Fiquei chateado como foi conduzido o caso do Kleber. Poderia tratar internamente. Mas todo mundo presenciou. Como diz o ditado, “lavar a roupa suja é no fundo do quintal”.

Você conversou com os atletas para saber se demitiria o Scolari. Quais as queixas deles?
É assunto interno. Não sou pombo [-correio].

O Valdivia fica?
Fica, tem contrato até 2014. Conversei com ele, mostrei que todos os problemas que teve o atrapalharam bastante e que é importante que o foco dele seja o Palmeiras. Queremos que seja um dos pilares desse elenco em 2012.

É possível prometer algo para a torcida para o ano que vem?
Vamos montar um time competitivo. Se vai disputar títulos, depende de como as peças vão se encaixar. Mas um time para voltar à Libertadores e que no fim de 2012 só precise de alguns reforços para disputar para ser campeão em 2013.

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