ICFUT – Marta mais uma vez na disputa pela Bola de Ouro

Fonte: lancenet

Brasileira foi eleita a melhor jogadora de futebol do mundo nos últimos cinco anos

Marta após eliminação para os Estados Unidos (Foto: Fabrizio Bensch/Reuters) Marta mais uma vez será favorita ao prêmio Bola de Ouro (Foto: Fabrizio Bensch/Reuters)

A brasileira Marta encabeça a lista de candidatas ao prêmio Bola de Ouro do futebol feminino. A premiação é organizada pela Fifa e pela revista francesa "France Football".

Marta é a única brasileira indicada ao título de melhor jogadora do mundo. Ela venceu as últimas cinco edições do prêmio.

Também concorrerão à Bola de Ouro as francesas Bompastor e Necib; a alemã Garefrekes, as japonesas Miyama e Sawa, a sueca Schelin e as americanas Hope Solo e Wambach.

A melhor jogadora do mundo será conhecida na festa que a Fifa realizará no dia 9 de janeiro, em Zurique, na Suíça. Na ocasião também será anunciado o ganhador do prêmio no futebol masculino.

Por Cleber Aguiar – Copa do Mundo coloca o torcedor nos trilhos.

Fonte: Diário Oficial do Estado de São Paulo

Faltam menos de três anos para a bola rolar na Copa do Mundo, em 2014, em gramados brasileiros. E o  Estado de São Paulo já entrou em  ritmo de concentração, e construção, preparando-se para oferecer facilidades de transporte ao torcedor. É o programa de mobilidade urbana do Governo paulista em parceria com a prefeitura da capital.
O empreendimento envolve 20 projetos que irão beneficiar o deslocamento da população e do turista durante o maior evento de futebol no mundo. As obras concluídas no último ano, aquelas em andamento e as projetadas para ser entregues somam cerca de R$ 50 bilhões em investimentos. Alguns empreendimentos, como os do Metrô, por
exemplo, já estavam agendados antes mesmo de a Fifa passar a bola para o Brasil, mas virão a calhar. Do total previsto, R$ 37,6 bilhões se destinam à expansão e modernização do transporte sobre trilhos e outros R$ 12 bilhões para obras no sistema viário, como a ampliação da Marginal Tietê e do Complexo Jacu-Pêssego, ambos já entregues.
Na região de Itaquera, onde o futuro estádio do Corinthians, depois de pronto, vai sediar a festa de abertura da Copa, o investimento ocorre em duas frentes: transporte de massa (Linha 3-Vermelha do Metrô e Expresso Leste/Linha 11-Coral da CPTM) e obras viárias no entorno do estádio, feitas mediante convênio entre Estado e Prefeitura paulistana. Serão estabelecidas rotas de acesso para veículo credenciado, assim como bolsão de estacionamento para o público considerado vip, para a imprensa e táxis. O público geral  será incentivado a utilizar o transporte sobre trilhos. Aquele que optar pelo carro poderá estacionar em bolsões específicos próximos a estações de Metrô e trem.
O Executivo paulista criou o Comitê Paulista da Copa de 2014, formado pelas secretarias de Turismo e de Transportes Metropolitanos, por meio de suas empresas: Companhia do Metrô, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (Emtu) para acompanhar os projetos.
Com investimento na compra de trens novos e modernização da malha existente, a capacidade conjunta das linhas Vermelha e Coral será suficiente para transportar a lotação completa do estádio, estimada em 65 mil pessoas. O tempo de espera na plataforma também será reduzido de 100 segundos em média na Linha 3 para até 82 segundos, e de 7 minutos (há dois anos) para até 3 minutos em 2014, no Expresso Leste. A capacidade de transporte será ampliada em cerca de 30%. O investimento será de quase R$ 2,5 bilhões até 2014. A demanda atual na Linha Vermelha é estimada em 1,4 milhão de passageiros por dia. Em 2014, o número deverá ser de 1,6 milhão. No Expresso Leste com a Linha 11-Coral a média diária deve pular de 490 mil pessoas, hoje, para até 807 mil no ano da Copa.
Dois aeroportos – Outros dois investimentos do Governo em transporte ferroviário envolvem os aeroportos de Congonhas e de Cumbica, e também são estratégicos para o evento: as Linhas 17-Ouro (Metrô) e 13-Jade (Trem de Guarulhos, da CPTM). Em 30 de julho foi assinado o contrato das obras que irão ligar Congonhas à rede metroferroviária, por meio do sistema monotrilho (Linha Ouro) com 17,7 quilômetros de extensão e 18 estações.
As conexões com outras malhas do Metrô se darão na 1-Azul (Estação Jabaquara), 4-Amarela (São Paulo-Morumbi) e b5-Lilás (Água Espraiada), bem como na Linha 9-Esmeralda da CPTM (Estação Morumbi). Oito estações (sete quilômetros dessa linha) devem ser entregues até 2014: Jardim Aeroporto, Congonhas, Brooklin Paulista, Vereador José Diniz, Água Espraiada, Vila Cordeiro, Chucri Zaidan e Morumbi (integração com a CPTM). São previstos 252 mil passageiros por dia e investimento de R$ 3,1 bilhões. Já a Linha 13-Jade, o Trem de Guarulhos, ligará em 11 quilômetros o aeroporto de Cumbica ao centro de São Paulo. Vai sair da Estação Engenheiro Goulart,na Linha 12-Safira, da CPTM, em direção
a Guarulhos, com duas novas paradas (Parque Cecap Zezinho Magalhães e Aeroporto). Engenheiro Goulart será reconstruída e, a partir dela, o trem da Linha 13-Jade segue de maneira compartilhada na Linha 12-Safira até a
Estação Brás, onde há integração gratuita com o Metrô.
A viagem do centro da capital ao aeroporto internacional deve durar 23 minutos. O valor de investimento, incluindo infraestrutura de operação e composições, está estimado em R$ 1,2 bilhão. Os trens e a tarifa serão os mesmos da CPTM. Assim, milhares de pessoas que trabalham em Cumbica também usarão a Linha Jade. O local da parada final ainda não foi definido.

Trens mais modernos

A Linha 11-Coral (Expresso Leste), da CPTM, que circula em paralelo com a Vermelha, do Metrô, em boa parte da zona leste, vai chegar até Suzano no futuro. Hoje, opera entre as estações Luz e Guaianases. Para isso, já foram adquiridos nove trens novos que serão incorporados à frota da empresa gradativamente, a partir do segundo semestre de 2012. As composições terão ar-condicionado, câmeras de vigilância e itens de acessibilidade parapessoas com deficiências, como elevador, piso tátil, passarela, escrita em braile, etc.
É mais uma alternativa para o torcedor chegar ao futuro estádio do Corinthians. Também se encontra em andamento a modernização da infraestrutura dessa linha. As obras contemplam a capacitação do sistema de sinalização, telecomunicação, energia, rede aérea e via permanente, além da reconstrução das estações Ferraz de Vasconcelos e Suzano, na parte leste da Região Metropolitana da capital. Após as obras, o passageiro vai ganhar mais conforto. As novas estações terão plataforma coberta, escada rolante e itens para pessoa com deficiência. No banheiro público haverá sanitário exclusivo para o cidadão com deficiência ou mobilidade reduzida.
O Expresso Leste opera atualmente nos horários de maior demanda, com 18 trens e intervalo médio programado de 5 minutos. No ano da Copa, com os nove trens rodando, infraestrutura readequada e funcionamento da Estação Suzano, a CPTM estará capacitada para operar com intervalos médios de até 3 minutos no horário de maior movimento.

A hora do ônibus

A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (Emtu) coordena atualmente o projeto de construção do Corredor Metropolitano Perimetral/Jacu Pêssego, que facilitará o deslocamento da população por linhas de ônibus da região norte
da Grande São Paulo e do ABC paulista.Além da importância que terá para o transporte na Região Metropolitana da capital, o corredor vai propiciar acesso ao futuro estádio do Corinthians, por meio de serviço especial a ser criado no período da Copa de 2014.
Está em estudos também a criação de linhas de ônibus que partirão de bolsões de estacionamentos, com amplo número de vagas para automóveis, localizados em lugares estratégicos da área metropolitana, com o objetivo de facilitar o deslocamento do torcedor aos sistemas do Metrô e da CPTM e também ao futuro estádio de Itaquera.
Bolsões previstos serão os seguintes:
• Bolsão 1 – Futuro Terminal Metropolitano
Cecap, em Guarulhos – 300 vagas
• Bolsão 2 – Pátio EMTU em SBC – 500
vagas
• Bolsão 3 – Prefeitura de Santo André –
500 vagas
• Bolsão 4 – Prefeitura de Mauá – 500
vagas
• Bolsão 5 – Shopping Tamboré (Barueri)
– 500 vagas
• Bolsão 6 – Hipermercado Extra/Shopping
União – Av. dos Autonomistas, 1.400 –
Vila Yara/Osasco – 500 vagas
• Bolsão 7 – Shopping Taboão, Rodovia
Régis Bittencourt, km 271,5 – Taboão da
Serra – 500 vagas

Prefeitura parceira

Haverá obras de melhoria viária nas estações do Metrô e da CPTM, abertura de avenidas e alças de acesso, além da integração das novas vias com as existentes. Tudo isso com a parceria dos governos estadual e municipal. O investimento será de R$ 478,2 milhões, dos quais R$ 345,9 milhões do Estado e R$ 132,3 milhões por parte do município.
A licitação será preparada pela Dersa e a conclusão dos trabalhos está prevista para o segundo semestre de 2013.

Números a favor

Ao anunciar na última quinta-feira que São Paulo será a sede do jogo inaugural da Copa de 2014, a Fifa levou em conta vários aspectos, inclusive os números da cidade e do Estado, que preenchem os requisitos exigidos para o evento dessa magnitude. Um dos pontos fundamentais foi a capacidade hoteleira: São Paulo é a cidade com maior número de quartos da América Latina – 42 mil –, que já atende às exigências da Fifa, e que até a Copa deverá chegar a 45 mil. Ao lado disso,
estão as opções de lazer e outros pontos capazes de suprir as necessidades do grande número de turistas previstos por
ocasião da Copa: são 1,5 mil restaurantes, 15 mil bares, 6 mil pizzarias, 160 teatros, 299 salas de cinema, sete parques temáticos, 79 shoppings, 110 museus, sete estádios de futebol, entre dezenas de outras atrações. São Paulo é, também, a cidade mais visitada do Brasil, com mais de 11 milhões de turistas ao ano.
Além dos recursos destinados a melhorias de mobilidade urbana e Números a favor obras viárias paralelas, o Governo do
Estado investe também em projetos das áreas de educação, cultura, lazer e segurança, que vão mudar a paisagem da zona leste. Ali será erguido o Polo Institucional de Itaquera, vizinho ao estádio, e a região receberá ainda um Fórum, Centro Cultural, Rodoviária, Batalhão da Policia Militar e Bombeiros, Etec (Escola Técnica), Fatec (Faculdade de Tecnologia)
– alguns em fase final de construção. O Estado também trabalha para que mais cidades se comprometam e se beneficiem
do megaevento. Para viabilizar essa meta foi lançado o guia Cidade Base (www.planejamento.sp.gov.br/arquivos/ book_ed2_completo_baixa.pdf), que apresenta o potencial de 37 municípios que se candidataram a receber uma seleção de futebol e cumpriram os pré-requisitos do Comitê Organizador.
Essa iniciativa deu tão certo que, dos 145 Centros de Treinamento pré-selecionados em todo o País pelo Comitê Organizador Local (COL), 64 estão em São Paulo (em 32 cidades).

Por Cezar Alvarenga – Kleber livre para procurar outro clube.

Fonte: Folha.com

O atacante Kleber está, enfim, oficialmente liberado para negociar com outro clube.

A Folha apurou que em uma reunião ontem à noite entre o atacante, seu agente, Giuseppe Dioguardi, e o vice-presidente de futebol, Roberto Frizzo, foi definido que Kleber não joga mais no Palmeiras. E segue sua carreira na equipe em que desejar.

Também participaram do encontro o diretor financeiro, Marcos Bagatela, e André Sica, advogado do clube. Foi acordado ainda, por meio de documento, que Dioguardi será o responsável pela negociação –o agente tem carta branca para iniciar as negociações com outras equipes em nome do Palmeiras.

Segundo a reportagem apurou, o agente de Kleber, que teria direito a comissão sobre o negócio, se recusou a receber o percentual.

O atacante, que vinha treinando separadamente do elenco palmeirense agora não precisa mais ir ao centro de treinamento do clube.

Kleber receberá uma licença, mas continuará ganhando seus vencimentos até que a negociação com outro clube seja concretizada.

O motivo da concessão da licença é que, treinando separadamente, a imagem do atacante seria danificada e prejudicaria a negociação.

Roberto Frizzo, ontem à noite, não quis comentar o resultado da reunião. “A situação não está finalizada, ainda passará por vários momentos. Está bem adiantada, mas haverá uma continuação. Está bem encaminhado”, despistou o vice.

A diretoria do Palmeiras tomou a decisão de liberar o atacante para ser negociado motivada pelo receio de o clube ser processado.

Havia o temor de que Kleber entrasse com ação contra o clube, alegando estar sendo impedido de trabalhar.

Nos últimos dias, o Palmeiras tentou convencer o técnico Luiz Felipe Scolari a reintegrar Kleber ao elenco, para evitar processo judicial. O treinador, porém, recusou.

A intenção do Palmeiras é de, pelo menos, recuperar o investimento feito no atacante. O clube, em 2010, ainda sob a gestão de Luiz Gonzaga Belluzzo, pagou € 3 milhões ao Cruzeiro por 50 % dos direitos do atacante.

Por Cezar Alvarenga – São Paulo consultou Palmeiras sobre Felipão.

Fonte: UOL Esportes

O presidente do Palmeiras, Arnaldo Tirone, declarou nesta terça-feira, em uma palestra sobre gestão de esporte, que o diretor de futebol do São Paulo, Adalberto Baptista, telefonou a Luiz Felipe Scolari para tentar a sua contratação.

O suposto contato foi feito na semana passada, antes de o São Paulo acertar com Emerson Leão.

“Um time de São Paulo que não está construindo estádio me ligou na quinta-feira querendo saber se eu ia mandar o Felipe embora”, comentou Tirone

“É o São Paulo”, acrescentou o dirigente.

O presidente do Palmeiras ratificou a intenção de contar com Felipão até o término do contrato, que termina no fim de 2012. No começo de outubro, o São Paulo negou ter procurado o treinador do Palmeiras, alegando que muitas notícias estavam sendo plantadas com o intuito de desestabilizar o clube.

“Temos um compromisso muito forte com o Adilson. É uma ofensa qualquer cogitação a esse momento. Estamos fazendo boas campanhas no Brasileiro e na Sul-Americana. Não tem nenhum sentido esse tipo de conversa nesse momento. O São Paulo pretende manter o Adilson, temos contrato com ele”, disse na época o dirigente João Paulo de Jesus Lopes em entrevista à rádio Estadão/ESPN.

Por Cezar Alvarenga – Neymar na disputa de melhor do mundo.

Fonte: UOL Esportes


O atacante Neymar recusou seguidas propostas do futebol inglês e espanhol destacando que para ser melhor do mundo não necessariamente precisa atuar na Europa. E o nome do atleta figura na lista dos candidatos ao prêmio Bola de Ouro, realizado pela Fifa em parceria com a revista francesa France Football.

A Fifa ainda não divulgou oficialmente a lista dos 50 jogadores que concorrerão ao prêmio, mas o jornal espanhol MondoDeportivo teve acesso às informações.

No dia 1º de novembro serão selecionados 23 atletas. Em 5 de dezembro, serão escolhidos três jogadores. O anúncio do prêmio ao melhor jogador de 2011 será feito em 9 de janeiro. O argentino Lionel Messi venceu as últimas duas edições.

Campeão paulista e da Libertadores, Neymar tem tido uma temporada de grande série de jogos. Ele já atuou 61 vezes, defendendo o Santos, seleção brasileira principal e de juniores. Em dezembro, ele tentará o título do Mundial de Clubes. Devido à maratona de jogos, Neymar deverá ser poupado de alguns jogos do Santos no Brasileirão.

O santista concorre com 10 atletas do Barcelona: Messi, Xavi, Iniesta, Piqué, Cesc, Puyol, Villa, Alves, Alexis Sánchez e Abidal. O Real Madrid é representado por Xabi Alonso, Casillas, Cristiano Ronaldo, Ozil e Khedira.

A Nova filosofia das categorias de base.

Fonte: O Estado de São Paulo

Efeito Barcelona

Sucesso do time espanhol com três baixinhos geniais faz mudar a forma como os clubes brasileiros encaram o trabalho de formação, até então priorizando a estatura e a força física

Anelso Paixão – O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Foram necessários um time espanhol e um craque argentino para o futebol brasileiro redescobrir sua essência. No embalo do fabuloso Barcelona e do genial Messi, os clubes nacionais já falam em mudar a filosofia do trabalho de base. Acostumados a privilegiar a força física e, principalmente, à conquista de títulos durante a formação, os times já admitem que essa fórmula não é a ideal.

Messi: principal estrela dos baixinhos do Barça - Alejandro García/EFE
Alejandro García/EFE
Messi: principal estrela dos baixinhos do Barça

Agora, entendem que garotos inferiores fisicamente, mas com visão de jogo e habilidade acima da média, podem fazer toda a diferença no futuro.

O Barcelona, com seu trio de baixinhos feito em casa – Xavi, 1m70, Iniesta, 1m70, e Messi, 1m69 -, vem encantando o mundo com toque de bola refinado, velocidade impressionante e ofensividade que há tempos não se via.

“O Barcelona é a referência que salta aos olhos. É um case de jogar futebol, embora num raio X mais minucioso não seja essa maravilha toda na parte administrativa, mas ainda assim é um caso evidente de sucesso”, afirma o Diretor Executivo da Universidade do Futebol e mestre em Filosofia da Educação, João Paulo Subirá Medina. “É um clube excepcional porque a maioria de seus jogadores são formados na base, o que se torna um ponto fora da curva na atualidade.”

No Brasil, a exceção tem sido o Santos, que coleciona poucos títulos nas categorias menores, mas oferece grandes craques para o profissional, casos de Neymar, Ganso, Robinho e Diego, quatro das maiores revelações na atualidade.

Especialista no assunto, Medina explica que os dirigentes esportivos não conseguem enxergar as necessidades do trabalho de formação em sua plenitude. “Para o ‘hardware’ já caiu a ficha, porque os clubes têm centro de treinamento, campos bem cuidados, academia, estrutura física, mas para o ‘software’, que é o investimento na capacitação profissional, na integração do trabalho entre as diferentes áreas, isso ainda não.” E filosofa. “É um problema de teoria do conhecimento. Evoluímos muito na especialização, com excelentes profissionais, mas incapazes de fazer um trabalho integrado que o esporte exige.”

O professor destaca no caso do Barcelona a importância de um profissional de visão. “O Barcelona criou uma diretriz há 23 anos, com o Cruyjff (em 1988, quando assumiu o cargo de técnico). A instituição não pensa, quem pensa são os homens que a dirigem. Essa filosofia se mantém até hoje. No Brasil, a filosofia muda a cada má jornada do profissional e a cada troca de técnico.”

Na tentativa de largar na frente nesta empreitada que a formação de base pretende assumir, o São Paulo mudou o comando das categorias de base em 2009. O professor Marcelo Lima, bacharel em Esporte pela USP e especialista em fisiologia do exercício, vem coordenando uma reformulação. “Pensamos em formação e não em resultado. Desde 2009, mudamos o critério de seleção. A estatura, por exemplo, não é fundamental para resultados. A Espanha foi campeã do mundo e era a 8.ª seleção em tamanho de atletas na Copa, enquanto a Sérvia, a 1.ª, não passou da primeira fase”, explica.

O coordenador garante que, para isso dar certo, porém, é necessária uma mudança no comportamento também dos dirigentes. “A diferença é não ter a cobrança de se ganhar títulos nas categorias menores, tanto que nem disputamos o sub-13 e o sub-14. No sub-15, fazemos rodízio de atletas.”

AVALIAÇÃO COMPLEXA
O mais difícil nesta nova forma de avaliação, no entanto, é encontrar critérios concretos para detalhes tão subjetivos quanto inteligência de jogo e visão tática, bem diferentes de aspectos físicos facilmente mensuráveis como altura e peso.

De acordo com Lima, o clube encontrou uma metodologia. Para a questão da inteligência de jogo, é feito um teste tático, um jogo de três contra três, em que são avaliadas todas as ações, com e sem bola, e é criado um histórico ofensivo e defensivo. Um segundo ponto avaliado é a idade biológica. Para isso, são realizados quatro exames: o primeiro é o crescimento anual, em que é possível se detectar o pico de evolução; o segundo é o raio X do punho, que determina a maturação óssea; o terceiro é o da maturação sexual; e o quarto é o raio X dentário. Tudo isso para se definir a idade biológica exata.

A avaliação final passa, então, por uma média de todos estes aspectos. A aprovação ou não do garoto depende desta média entre as partes técnica, tática e física, com pesos diferenciados em relação a cada um delas. A técnica tem peso 3, a tática, 2, e a física, 1.

NA CONTRAMÃO
Nem todos os clubes, porém, pensam assim. O Corinthians garante que não dá para abrir mão de montar times competitivos e de brigar por títulos, mesmo na base. “No Corinthians é assim, a gente sempre entra em qualquer competição para ser campeão. A base tem de revelar, mas não pode abrir de ter times competitivos”, diz Fernando Alba Braghiroli, diretor do futebol amador. “É preciso se chegar a um meio-termo.”

Braghiroli faz questão de explicar que o fato de o clube não revelar um Neymar não significa que o trabalho não esteja sendo bem feito. “Fica a impressão que a base não funciona porque não tem um Neymar, mas lançar alguns jogadores, ainda que não sejam gênios, é uma forma de mostrar que a base está trabalhando bem.”

O diretor ainda destaca que a boa situação financeira do clube acaba indiretamente conspirando contra o trabalho de formação.“Tem de entender o momento econômico do Corinthians, que é excepcional e muito diferente da realidade do futebol brasileiro. Hoje, o grau de exigência para um atleta chegar ao profissional é muito alto”, destaca. “Situação diferente da que o Santos viveu quando lançou Diego e Robinho em 2002. Naquela época, o Leão dizia que não tinha time para entrar em campo. Por incrível que pareça, isso ajudou.”

O aproveitamento dos garotos no profissional é, portanto, o desfecho de todo o projeto. Por isso, alguns clubes sofrem com as poucas oportunidades oferecidas. No São Paulo, Lima garante que existe integração entre as áreas. “Quando chega no topo da pirâmide, que é o profissional, precisamos entregar atletas prontos e, em contrapartida, sempre tivemos as portas abertas.”

O desafio a partir de agora, porém, é fazer o Brasil redescobrir sua essência e provar que, quem um dia já foi o País do futebol, não pode ficar eternamente apenas reverenciando o futebol mágico do Barcelona e de Messi.

Santos aprende com Robinho e Diego que o segredo é fazer em casa

SANCHES FILHO / SANTOS , ESPECIAL PARA O ESTADO – O Estado de S.Paulo

SANTOS – A formação de craques no Santos é a continuidade, com ajustes, da política adotada pelo ex-presidente Marcelo Teixeira. Ao assumir o clube em 2000, sucedendo Samir Adbul-Hak, que tinha o respaldo de Pelé, ele herdou menos de um time completo para entrar imediatamente no Campeonato Paulista, e duas promessas: Diego, com 14 anos, convocado seguidamente para a seleção, e Robinho, selecionado numa peneira supervisionada por Pelé. Dois anos depois, uma forte crise financeira obrigou o Santos a cortar custos e a prestigiar os pratas da casa, deixando para trás a política de investir em jogadores consagrados e caros. Surgiu, então, a geração vencedora de 2002, que serviu de modelo para a atual.

Após a venda de Robinho ao Real Madrid por US$ 30 milhões, em 2005, o Santos passou a ser o novo rico do futebol brasileiro e os seus dirigentes perceberam que a formação de novos jogadores era a garantia de encontrar dentro de casa os craques que não estão disponíveis no mercado. Com o ex-capitão Zito supervisionando o departamento de futebol amador, foi criada uma rede de olheiros pelo País e, com base em indicações, os técnicos iam atrás de futuros craques.

Foi alugada uma casa espaçosa na Avenida Pinheiro Machado, no meio do caminho entre a Vila Belmiro e o CT Rei Pelé, para alojar os garotos de outras cidades. A “república” era chamada por Zito como “Ninho dos Cobrinhas”.

Numa dessas indicações surgiu Neymar, que chegou ao clube para integrar o time infantil de futsal e o de futebol de campo. Em pouco tempo, não havia mais dúvida. Ali estava uma joia rara, um jogador que antes de atingir os 18 anos já seria superior a Robinho. Aos 14, ganhava salário maior ao de muitos titulares do profissional. E, para não perdê-lo para o Real Madrid em 2007, Teixeira foi obrigado a dar R$ 1 milhão e parte dos futuros direitos econômicos à família da jovem promessa.

Paulo Henrique Ganso, um meia-armador à moda antiga, é outro talento especial da safra. Foi indicado a Narciso, então técnico do juvenil, por Giovanni, ídolo do time de 1995. E a geração que Teixeira preparou acabaria se tornando o segredo do enorme sucesso dos dois primeiros anos da nova administração.

Agora, o Santos tem cinco categorias na divisão de base – do sub-11 ao sub-20 -, com comissões técnicas distintas. Ao todo, são 280 garotos. O orçamento anual do departamento é de R$ 10 milhões, segundo o diretor Luís Fernando Moraes. Os candidatos a craque são selecionados em clínicas realizadas nos fins de semana pelo Brasil afora. Outros são garotos de empresários e já estão com os direitos econômicos fatiados muito antes do primeiro contrato, aos 16 anos.

Ao apostar num menino, o corpo técnico não obedece nenhum estudo do biótipo, porém há uma exigência: que ele tenha recurso técnico e demonstre determinação para se tornar jogador profissional. Há anos, quase todos os candidatos sonhavam ser o novo Robinho, agora a meninada se espelha em Neymar. Pelos cálculos da direção santista, de um contingente de mais de 200 jogado res, vingam de dois a quatro por ano. Com sorte, entre eles pode aparecer um novo Robinho ou Neymar, mas é raro. Tanto que o intervalo entre o surgimento dos dois foi de sete anos.

Para descobridor de Neymar, receita do sucesso é o futsal

SANTOS – Alberto Vieira, 51 anos, conhecido por professor Beto, foi o responsável por levar Neymar ao Santos. Em 2003, o clube da Vila Belmiro não contava com as categorias sub-12, sub-13 e sub-14. Foi então que Beto fez uma proposta para levar vários garotos, formando os times de futsal e futebol do clube.

“Para o Neymar jogar, foram terceirizadas as três categorias do Santos (sub-12, sub-13 e sub-14) para a empresa B&R. O Neymar chegou para a sub-12, ele era a promessa daquela categoria. Muita gente nem sabe desta história, porque o Santos não tinha essas categorias. Um ano depois, o clube cancelou o contrato e eu fui contratado para ser técnico do sub-13 e do sub-14. O Neymar continuou trabalhando comigo.”

O segredo para a tamanha habilidade de Neymar, para Beto, está justamente no fato de o garoto ter conciliado o futsal e o futebol de campo. “O Neymar chegou com 12 anos e, até os 14, jogava salão e campo. Esse trabalho foi importante na formação. Depois dos 16 anos, o garoto tem de escolher, mas, até os 15, é bom jogar as duas modalidades.”

A semelhança de Neymar com Messi é que, assim como o argentino, já fazia chover com 6 anos. “Ninguém precisou ensinar nada, era gênio.”

O mesmo ocorreu com Messi. Com problema de crescimento, o garoto foi levado aos 12 anos para Barcelona, já que seu time na Argentina, o Newell’s Old Boys, não tinha condições de bancar o custo de US$ 900 (R$ 1,6 mil) mensais com tratamento. Antes de entrar no Barça, porém, Messi teve de passar por um teste. O diretor Carles Rexach exigiu que participasse de um jogo de seu time, o infantil B, contra o infantil A, com jogadores mais velhos. “Eu o contratei em 30 segundos. Em meus 40 anos de futebol, jamais havia visto coisa semelhante”, conta emocionado Rexach. / A.P.

Inter aposta em especialistas para aprimorar fundamentos

O Estado de S.Paulo

Exemplo de clube bem-sucedido na formação de jogadores, o Internacional não se inspira no Barcelona para garimpar seus craques, mas também não dispensa o talento. “O clube sempre privilegia a qualidade, mas não dá para fugir de algumas exigências como as de que goleiro, zagueiro, volante e atacante têm de ser atletas de porte e força física”, explica o supervisor das categorias de base, Bernardo Stein, o Marabá. Nas demais posições, a liberalidade é maior. “Quem é do futebol não pode desconhecer Messi, Maradona, Zico e Pelé”, diz, referindo-se a quatro gênios com altura na casa de 1m70.

A fórmula de sucesso colorada passa pela manutenção, nas divisões de base, de estrutura semelhante à do futebol profissional. Para cada categoria o clube tem um auxiliar técnico, preparador físico e treinador de goleiros. Além disso, conta com especialistas para aprimorar fundamentos. O caso mais citado do momento é o de Leandro Damião. O artilheiro, que “estourou” neste ano com grande repertório de dribles, voleios e conclusões improváveis, foi lapidado desde 2009 pelo ex-atacante Ortiz e melhorou o domínio de bola, o giro e o cabeceio.

Nem todos pensam igual em Porto Alegre, porém. O outro tradicional time gaúcho, o Grêmio exige “pegada”, marcação forte para retomada da bola e contra-ataques rápidos. “O Olímpico não permite muito toque para o lado”, afirma o coordenador técnico das categorias de base, Rodrigo Lameira. Para ele, a postura do clube gaúcho não vai na contramão do que faz o Barcelona. “O Barcelona também é dos times que mais combatem. Quando perde a bola, trata de recuperá-la rapidamente.”

E o clube ainda se orgulha de ter lançado um dos maiores talentos do futebol mundial: o craque Ronaldinho Gaúcho.

Rio. Para os cariocas, o modelo de sucesso do Barcelona é o parâmetro para o trabalho das divisões de base, mas não deve ser considerado como a única fórmula para a excelência e as vitórias. “Tem de ter equilíbrio. Priorizamos o talento. A partir dele, podemos lapidar o aspecto físico”, comenta Eduardo Freeland, gerente técnico do futebol amador do Botafogo. “O primeiro critério é o talento. Mas a força não pode ser esquecida. Não se pode ser romântico a esse ponto.”

“No Flamengo, a filosofia sempre foi a criatividade. Chegamos a ser criticados por ter muitos jogadores baixos”, cita Carlos Brazil, diretor das divisões de base do Rubro-Negro.

“O Barcelona é o novo paradigma”, diz Fernando Simone, gerente geral das categorias de base do Fluminense. “Mas não podemos ter conceitos estanques”, ressalva o tricolor.

Minas. “Às vezes se encontra um Romário ou um Zico, mas essa história de que os times não se preocupam com físico é folclore”, afirma o diretor de Comunicação do Cruzeiro, Guilherme Mendes. Já no Atlético-MG, o gerente das categorias de base, André Figueiredo, diz que a prioridade é “sempre a qualidade técnica”. “Se alia a qualidade à genética, com força e altura, ótimo. A gente quer um atleta top, mas nem sempre se acha reunindo todas essas qualidades”, salienta.

Paraná. Os principais clubes do Paraná dizem procurar o equilíbrio. O coordenador de captação do Atlético-PR, Erasmo Damiani, acredita que o ideal é ter jogadores talentosos, ainda que baixos, junto com altos, ainda que não tenham tanta técnica, em uma mesma posição, o que permite uma compensação. Já o superintendente de Futebol do Coritiba, Felipe Ximenes, diz que a técnica “precisa e deve predominar” sempre. No entanto, salienta que não se pode criar regras ou buscar estereótipos. / ELDER OGLIARI, LEONARDO MAIA, MARCELO PORTELA E EVANDRO FADEL

Times do interior invertem papéis com os grandes

SÃO PAULO – Famoso por revelar grandes jogadores ao longo da história, os times do interior também começam aos poucos a mudar sua filosofia nas categorias de base. Neste caso, porém, a transformação é mais profunda e não passa apenas pelo estilo dos jogadores. Os times pensam mesmo em deixar de lado o trabalho de formação, considerado muito caro, para apenas aproveitar os jogadores que sobram nas grandes equipes, numa “parceria”.

Veja também:
link Especial – Efeito Barcelona

Quem assume publicamente esta posição é o sempre polêmico presidente do Bragantino, Marco Antonio Abi Chedid. Segundo ele, cada clube grande coloca no mercado por ano mais de 20 atletas que não foram aproveitados. Esses garotos, em muitos casos, se veem obrigados a abandonar o futebol. Aí, entra o Bragantino, que oferece a vitrine da 1.ª Divisão do Campeonato Paulista e da 2.ª Divisão do Brasileiro. O garoto recebe salário e a oportunidade de seguir a carreira. O clube, em contrapartida, fica com 50% dos direitos federativos.

Chedid lembra que o clube adotou esta postura após a Taça São Paulo de 2001. “Em 2001, ficamos em 3.º lugar na tacinha, com um trabalho de quatro anos, e, após a disputa, perdemos 90% dos jogadores por causa da Lei Pelé”, conta o dirigente, que especifica os detalhes da lei. “O primeiro contrato é do clube formador, mas a duração máxima é de cinco anos. A partir daí, o clube tem direito a 5% da solidariedade se o garoto ficou os cinco anos, e, se foi emprestado neste período, tem de dividir os 5% com outras agremiações.”

O dirigente enumera os vários casos de sucesso. “O Bragantino oferece salário em torno de R$ 4 mil, além de estrutura e a vitrine, que é o mais importante. Temos bons casos como Felipe, Zelão, Everton Santos, Moradei, Paulinho, Bill, Marco Aurélio, apenas para citar alguns. Agora, temos o Romarinho, que era do Rio Branco de Americana e jogou o Paulista pelo São Bernardo. Estava quatro meses sem jogar. O Lincoln estava encostado no Criciúma, chegou aqui na 10.ª rodada, e, em 20 jogos, fez 17 gols, é o nosso artilheiro.”

No caso de Paulinho, que veio do Pão de Açúcar e foi vendido ao Corinthians, Chedid mostra que o negócio também foi bom para o atleta. “Ele chegou para ganhar R$ 4 mil. No final do Paulista, foi para o Corinthians para receber R$ 40 mil, dez vezes mais. Hoje, deve ganhar uns R$ 150 mil.”

E o dirigente diz que alguns clubes também já estão optando pela terceirização das categorias mais baixas. “O sub-13 e o sub-15 da Ponte Preta e do Grêmio Prudente, por exemplo, já foram terceirizadas.” / A.P.

Por Cleber Aguiar – Pedrinho, o homem forte do Olaria

Fonte: O Globo – RJ

Pedro Motta Gueiros (pedromg@oglobo.com.br)

Foto: Jorge WilliamRIO – Com nome de fábrica de tijolos e fachada revestida em mármore, o Olaria é ao mesmo tempo alicerce e cobertura para a construção de uma vida toda. Criado no bairro vizinho de Vista Alegre, aos 34 anos Pedrinho volta às origens para se permitir os últimos momentos de prazer de uma carreira que já estava encerrada por três cirurgias no joelho e sucessivas lesões. Mais do que as dores do corpo, era a alma que se inflamava ao ouvir piadas sobre sua integridade. Nos dois anos em que chegou a se considerar um ex-jogador, ao se olhar no espelho, Pedrinho percebeu que havia crescido.

VÍDEO: A superação de Pedrinho

– Mudei o propósito, comecei a malhar muito. Não sei se era trauma porque todo mundo falava que eu era fraco – disse o meia, que iniciou na última quarta-feira sua preparação para o Estadual com 68kg. – Tinha 62 kg quando jogava e cheguei a 71kg com tanta musculação. Fiquei pesado, doía tudo para correr e percebi que estava me prejudicando.

Sorriso na face da dor

Ao botar a carreira na balança, Pedrinho se deu conta de que havia feito mais força do que precisava. Por excesso de empenho nos treinos, jogos e nos longos períodos de fisioterapia, entendeu que era credor de si mesmo. Embora as lesões tenham lhe deixado inativo por períodos que somados passam de dois anos, conseguiu aposentar a revolta para retomar a carreira. Campeão da Libertadores pelo Vasco, tinha 21 anos quando foi convocado pela primeira vez para a seleção. Dias antes da apresentação, o entusiasmo se rompeu junto com o joelho direito. Seis meses depois, voltava aparentemente bem até as dores indicarem que os ligamentos reconstituídos cirurgicamente estavam soltos.

– Vou falar o quê? Só Deus sabe – disse evitando se sentir vítima nem transferir responsabilidades. – Às vezes acontecem coisas erradas e você tem a chance de pegar o bom caminho.

Caçula, quarto filho do motorista Hélio com uma dona de casa Maria Filomena, conheceu as tradições portuguesas antes de chegar ao Vasco, com seis anos. Numa casa de dois quartos e um banheiro, Pedrinho dormia na sala com o irmão Ricardo, ou na cama dos pais. Até hoje a mãe faz pastéis portugueses e pizza de sardinha sem dar a receita a ninguém. À mesa, a família pratica a gratidão mesmo depois que Hélio morreu de câncer, em 2008.

– Estava nos Emirados Árabes e não pude vir no enterro. Foi a maior perda da minha vida justo no ano em que o Vasco foi rebaixado – disse Pedrinho – Logo que passa, a gente vê que ainda é privilegiado na vida.

Não foi fácil aceitar as dores. Após a terceira operação, dessa vez no joelho esquerdo, em 2003, já no Palmeiras, Pedrinho precisou de ajuda para se levantar após oito meses de tratamento, não apenas ortopédico. No momento em que seus pais enfrentavam problemas de saúde, a inatividade do jogador era sintomática:

– Chorei, entrei em depressão e tive que tomar remédio.

O sorriso para esconder a face do sofrimento completaria a recuperação. Em 2004, Pedrinho fez parte da seleção que jogou esperança no Haiti. Por maior que fosse seu empenho em levar alegria a um povo abandonado, dessa vez o jogador recebeu bem mais do que tinha para dar.

– Aquele foi dos jogos mais marcantes até para quem disputou Copa – disse, ao encontar sua identidade preservada nos achados e perdidos da carreira. – O mais importante é que eu sempre fiz muito mais do que eu prometia.

Com tatuagem de um leão num braço e de um tubarão no outro, brinca que a segunda era uma sardinha que cresceu com seu bícepes. Longe da academia, Pedrinho ainda faz força para cuidar da imagem.

– Talvez seja um defeito, mas me incomodo muito com o que as pessoas podem pensar.

Ao se aposentador em 2009, Pedrinho ouviu de muita gente que ainda “dava para roubar”. Sob a licença da ironia, o jargão fala sério sobre uma prática em que o jogador vende seu serviço mas não entrega.

– Mas não dava para roubar, porque nunca roubei.

Com o tórax expandido e as canelas finas, Pedrinho é um jogador fora dos padrões. Com humor, diz que ainda corre risco de ser preso por ter namorado uma menina de 13 anos quando tinha 16. Dezoito anos depois, o casal espera a alegria em dose dupla. Mesmo que a paternidade já esteja na cara do primogênito Enzo, de seis anos, o marido de Marcela ainda se preocupa em mostrar quem é o autor do gol. Como no bordão do radialista Edson Mauro, Pedrinho é o pai criança, foi ele que botou lá dentro:

– Ela está grávida de gêmeos, não foi inseminação artificial. Foi comigo mesmo.

Pudor em levar vantagem Foto: Jorge William

Parado, o craque teve tempo para a vida em família. De tanto vê-lo em casa, Marcela apresentou-lhe lista com profissões a seguir. Dono de duas franquias de uma lanchonete, evita a publicidade que muitos jogadores aproveitariam para fazer durante a entrevista. Ao contrário da linguagem padrão dos boleiros – “me dá uma moral aí” – Pedrinho só pede aquilo que julga merecer:

– Não posso dizer o nome das lojas para usar um espaço que os outros não têm.Tenho medo de usar meu nome para me beneficiar de algo que não seja correto. Sempre tive vergonha de querer aparecer.

Em campo, seu talento sempre saltou aos olhos. Apesar da técnica, da habilidade e do poder de finalização, Pedrinho considera a disciplina tática sua maior virtude. Operário e artista nas grandes construções vascaínas, está de volta para empilhar seus últimos tijolinhos.

Em Vista Alegre, reformou as casas que abrigavam a família de imigrantes. Após seu primeiro treino no Olaria, correu para lá, onde a mãe o esperava com arroz, feijão, bife e batata frita. De tanto engolir amarguras, o craque só aceita o que lhe dá prazer. No clube dos tijolos e do mármore, zela pela solidez e pela aparência para completar a obra, embora a vida já tenha atestado sua resistência. Com o corpo e a mente marcados pelas provações, Pedrinho já não precisa se olhar no espelho para ter a certeza de que é um homem forte.

A rivalidade com o Flamengo

Pedrinho chegou ao Vasco tão novo que ainda não podia ser federado. Ao ver o menino de seis anos sentando enquanto o time fraldinha jogava, sua irmã o pegou pelo braço e disse ao técnico que ele jamais voltaria porque o esforço da família não estava sendo recompensado. Ao explicar as razões da espera, Adamor, o descobridor vascaíno de talentos, disse que quando Pedrinho entrasse no time, seria para não sair mais. Mesmo sem jogar, já se alimentava de uma tradição transmitida desde a mamadeira. Ao crescer com o objetivo de vencer o Flamengo, Pedrinho aprendeu que a rivalidade deve ser consumida com moderação. Diante da chance de o Vasco ser campão em cima dos rubro-negros, sorri com o canto da boca, entre a cautela e o desejo de dar fim a uma escrita . Desde 1988 que o time de São Januário não vence uma decisão diante do maior rival, o que pode acontecer agora caso os dois times cheguem com chances de conquistar o título no clássico da última rodada

– Seria sonhar demais, mas seria muito bom – disse antes de admitir a necessidade por um acerto de contas. – Vai pagar e eles ainda vão ficar devendo, porque nunca um foi campeão Brasileiro em cima do outro.

Apesar das provocações rubro-negras que dão conta da freguesia, há dores e glórias dos dois lados do balcão desde 1988. No período em que o Flamengo estabeleceu grande vantagem na disputa regional, o Vasco se converteu no último time hegemônico do Rio no futebol nacional. Ao conquistar o Brasileiro de 1997, com direito a goleada por 4 a 1 sobre o rubro-negro na fase semifinal de grupos, o time de São Januário começava a fase mais vitoriosa de sua história. Enquanto os rubro-negros faziam a festa na província, o Vasco ganhava as Américas e chegava duas vezes à final do Mundial de Clubes.

– Acho que perdi mais que ganhei nos Estaduais, mas ganhamos mais no Brasileiro. Desde pequeno se aprende a jogar contra o Flamengo, é um clássico em que se carrega muita coisa – admite

Foto: Jorge William

Entre perdas e ganhos, Pedrinho se empenha para tirar o peso das cobranças excessivas e da intolerância que acompanha o futebol. Remanescente do período em que o Vasco viveu seus melhores e piores momentos, com a ascenção e queda do presidente Eurico Miranda, o craque toma o partido da boa convivência que atravessa a história do clube.

– Foram tantas brigas, aquilo foi desnecessário – disse ao lembrar do litígio com jogadores, do cerceamento à imprensa e da expulsão do atual presidente Roberto Dinamite da tribuna quando ele era apenas o maior ídolo do clube. – Quem é Vasco não é Eurico ou Roberto. Quem sabe lá na frente, as coisas não se acertam.

Com a capacidade que cultivou para se recuperar das pancadas da vida, Pedrinho acredita sempre na regeneração. Amado pelos vascaínos pela conquistas em campo, condenado por parte da sociedade pela destruição que promoveu fora dele, Edmundo é sempre um personagem arrebatador. Responsável pela morte de três pessoas em acidente de guerra, teve o processo arquivado na Justiça mas ainda responde a um julgamento moral e imprescristível. Parceiro dos bons momentos, discípulo naquele Vasco de 1997, Pedrinho tenta separar as coisas.

– Fora os esporros que dava, Edmundo ensinou muito para a gente, por ser um craque que incomodava demais com a derrota. Ele tem um poder grande de comover multidões – disse antes de mexer com cuidado na ferida que não fecha – Sem querer entrar no mérito do que aconteceu, acho importante olhar de onde ele veio e tudo o que passou na vida. Quando menos se espera, a vida se encarrega de mudar tudo. Já vi gente que se odiava e hoje é padrinho do filho do ex-inimigo.

A capacidade de regeneração das relações tem limites. Mesmo disposto da voltar ao futebol, Pedrinho não faz planos de vestir novamente a camisa do Vasco por não se sentir capaz de jogar à altura do que já fez pelo clube:

– Em São Januário, a gente já entrava sabendo que ia ganhar. No time de 2000, o coletivo era um jogo pela qualidade do elenco.

Para fazer o futebol fluir facilmente no meio-campo, Pedrinho fez esforço de gente grande quando ainda era apenas um menino. Com dez anos, andava de ônibus sozinho e passava debaixo da roleta porque não tinha dinheiro para pagar passagem. Hoje com a vida resolvida, investe no seu bem estar e na relação puramente afetiva com Vasco. Quem provou da rivalidade com o Flamengo desde a mamadeira, não engole as cores do rival nem de brincadeira. Ao contar que chegava a chorar por ter perdido a oportunidade de jogar no Milan, brinca que só jogaria no rubro-negro italiano porque suas listas na camisa são verticais. Na horizontal, Pedrinho deita a cabeça no travesseiro e dorme tranquilo à esperra do acerto de contas na última rodada.