ICFUT – Polícia de São Paulo pede desculpa à torcida do Timão

Fonte: lancenet

Bandido é vestido com camisa do Timão em simulação de assalto durante treinamento. Polícia admite falha e pede desculpa à Fiel

Policial "prende" ator com a camisa do Corinthians durante simulação de assalto em treinamento da PM (crédito: reprodução TV Globo) Policial "prende" ator com a camisa do Corinthians durante simulação de assalto em treinamento da PM (crédito: reprodução TV Globo)

Um treinamento das polícias Civil e Militar de São Paulo causou indignação dos torcedores corintianos. No treinamento, o bandido aparece com a camisa do Corinthians atacando a vítima, que está com a camisa do São Paulo. A cena foi levada ao ar durante a primeira edição do programa SP TV, da Globo, na última terça-feira.

As imagens mostram o “bandido corintiano” atacando a “vítima são-paulina”, com um revólver. Em seguida, o suposto bandido é rendido pelos policiais. Torcedores do Corinthians ficaram revoltados com a associação do clube com o crime. Um grupo chegou a divulgar uma carta aberta de protesto ao governador Geraldo Alckmin.

A polícia reconheceu o erro e enviou uma nota ao MAIS com pedido de desculpas aos torcedores. Veja abaixo:
NOTA OFICIAL DA POLÍCIA MILITAR DE SÃO PAULO:
"A Policia Militar lastrea seus treinamentos calcada no respeito integral aos direitos fundamentais do cidadão, não fazendo e não admitindo nenhum tipo de discriminação. O episódio foi ocasional e pontual, não havendo intenção em macular a imagem de quem quer que seja. Lamentamos o ocorrido e nos desculpamos publicamente, e esclarecemos que a Instituição já orientou as unidades escolas a tomarem cuidado em eventuais alusões nos momentos de teatralizações"
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BATE-BOLA
Alexis Couto de Brito
Professor da área de direito penal do Mackenzie

Caberia algum tipo de processo para quem se sentiu ofendido?
Do ponto de vista penal não, porque não houve referência direta a uma pessoa. Do criminal, muito menos, porque você tem que ter uma crime concreto e autor e vítima determinados. Do ponto de vista civil, seria uma volta muito grande para comprovar um dano moral. Como disse, a referência é indireta. A situação foi fruto de uma simulação. Portanto, qualquer referência individual de alguém que tenha se sentido individulamente ofendido é uma suposição, não tem cabimento. As leis existem para serem aplicadas diante de situação comprobatórias e reais. Os tipos penais existem para práticas criminosas concretas, não suposições.
Mas os torcedores se sentiram ofendidos…
Isso é claro. O futebol é paixão nacional e é pedaço importante da vida das pessoas. Por isso a situação ficou grave e tomou essa proporção. Há claramente um desconforto moral nisso.
O senhor é corintiano?
Não. Sou santista.
E se fosse a camisa do Santos?
Haveria um desconforto, é claro. Desagradaria qualquer um. Eu me perguntaria: Por que raios o bandido tem que ser santista? Isso é humano, isso é natural, porque como disse, futebol é paixão. Portanto, o desconforto, a raiva, é normal. Mas isso não pode gerar uma ação por injúria, por exemplo, já que a injúria afeta uma situação interna da pessoa e não uma escolha, nesse caso a opção pelo time a ou b, e calúnia é quando dizem que você fez alguma coisa que não fez, como uma mentira. Portanto, em nenhum dos casos caberia, porque houve um descontentamento da torcida que se viu representada, mas não houve referência direta a uma pessoa.
Mas a uma torcida, a uma agremiação?
Mesmo assim, não cabe processo porque não tem autor definido; e essas pessoas que se sentiram individualmente lesadas dificilmente ganharia em uma ação civil. Não é assim, não pode sair pedindo indenização por qualquer coisa.
E houve preconceito?
A lei de discriminação não prevê escolha de time. Ela só é aplicada para exclusão por raça, cor, religião e procedência nacional.
Como vê o ocorrido?
Acredito que houve um descuido. Foi uma ideia infeliz fazer alusão a times de futebol. Quero acreditar que não foi proposital. Eu não faria essa referência de jeito nenhum, mas acho que não pensaram nisso, foi ingenuidade mesmo. Mas não acredito de jeito nenhum que tenha havido uma intencionalidade em colocar mocinho versus bandido envolvendo dois grandes times paulistas.
E o que acredita que deveria ser feito?
Deve haver um desagravo formal dos envolvidos, seja a autoridade de Segurança Pública, seja o governador.

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CARTA DE CORINTIANOS REVOLTADOS ESPALHOU-SE PELA INTERNET:

O futebol, o delito e a vítima da imagem
Carta Aberta ao Excelentíssimo Sr. Geraldo Alckmin, Governador do Estado de São Paulo.
Perplexos, assistimos, nesta terça-feira (18/10) a uma reportagem do noticioso SPTV, da Rede Globo de Televisão, que exibia um treinamento de policiais militares paulistas diante de situações críticas.
Na cena exibida para milhões de telespectadores, muitos deles jovens e crianças, os atores encarnavam criminoso e vítima em aparente situação de sequestro.
De maneira não menos absurda que ignominiosa, a vítima, de cútis mais clara, vestia camisa do São Paulo Futebol Clube, enquanto o suposto meliante, de pele mais escura, trajava a malha do Sport Club Corinthians Paulista.
Não conseguimos imaginar qual seria vosso propósito ao incentivar na corporação policial o ódio e o preconceito.
Há grave delito se vosso Secretário de Segurança Pública incentiva essa prática. Caso sua escusa seja a ignorância, ainda assim mereceria rigorosa reprimenda.
A bizarra dramatização serve apenas para cristalizar opiniões distorcidas e categorizações antropológicas que não encontram espelho na realidade.
Entre os 30 milhões de corinthianos, há, sobretudo, trabalhadores, desde 1910, ano de fundação do clube no bairro do Bom Retiro.
São estas pessoas, operários, estudantes, advogados, juízes, jornalistas, engenheiros, biólogos, médicos, veterinários, motoristas, empresários, servidores públicos e colaboradores de organizações privadas, entre outros, que constroem cotidianamente a riqueza de São Paulo.
Não por acaso, o Sport Club Corinthians Paulista é bastião histórico da concórdia, patrocinador da miscigenação que deveria orgulhar o povo deste Estado. Da célula empreendedora esportiva de Miguel Bataglia, surgiu uma instituição popular que agrega brancos da terra, negros, índios e descendentes de italianos, espanhóis, portugueses, japoneses, sírios, libaneses, gregos, entre outros.
Ao fantasiar de corinthiano um bandido imaginário, os responsáveis pelo treinamento cobrem com a lama da vergonha não somente a corporação policial como o próprio governo paulista, cujos olhos deveriam estar atentos ao modelo de educação destinado aos agentes da segurança pública.
Nos últimos anos, temos acompanhado uma série de equívocos na gestão de segurança nos estádios, particularmente no que tange ao tratamento dispensado aos afiliados de nossas agremiação.
Registre-se, por exemplo, a absurda compartimentalização das entradas do estádio do Pacaembu. Em nome da “segurança”, exige-se que milhares de torcedores do setor Tobogã, inclusive mulheres e crianças, se espremam diante de um único acesso.
Agora, sabemos o porquê.
Considerada a visão turva e insidiosa de vosso designados para a Segurança Pública, somos cidadãos de segunda classe, ainda que paguemos em impostos o mesmo que os aficcionados da agremiação tradicionalmente associada à elite paulista.
É certo que esse tipo de cultura estúpida de exclusão resultará em novos conflitos, condicionando o olhar dos policiais a presumir culpa em qualquer torcedor mosqueteiro, o que ameaça a nós todos, particularmente nossos jovens e nossas crianças.
Exige-se do senhor, portanto, pulso forte e autoridade para punir imediatamente os responsáveis por tal injúria e apeá-los dos cargos de comando que ora exercem. É o mínimo que se pode esperar diante de tamanha infâmia.
MR777 – Resistência Corinthiana 777

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