Por Cleber Aguiar – Diário de uma viagem pelo futebol argentino

Fonte: Globo-RJ

Eduardo Zobaran (eduardo.zobaran@oglobo.com.br)

Cachorro com camisa do River Plate em banca de jornal de Buenos Aires. Foto: Eduardo ZobaranRIO – Visitar a Argentina não é nada fora do normal. Buenos Aires está cheia de brasileiros e em qualquer lugar onde há comércio é o português que impera. Os vendedores já até sabem se você é carioca, paulista ou gaúcho. Ainda que o roteiro seja batido, depois que conto sobre minhas férias na Argentina todos fazem cara de espanto e perguntam se sou louco.

Para a maioria, sair de férias é momento de recarregar as energias depois de um ano de estresse e, é claro, esquecer totalmente da rotina de trabalho. Como sou jornalista e trabalho com esporte, o senso comum não indicava que visitasse treze estádios e assistisse a sete jogos em partidas da primeira, segunda e terceira divisões. Mas foi o que fiz.

Ao lado de Londres, Buenos Aires é a cidade com maior número de clubes de futebol profissional no mundo. Não são cinco ou seis equipes. São mais de 25 apenas na capital. Se levarmos em consideração toda a região metropolitana, mais de 40. Muito além de Boca Juniors e River Plate, os portenhos estão cheios de opções de times para torcer. É um parque de diversões para quem gosta de futebol.

Se você for um desses, nem se preocupe em olhar horário de jogos enquanto estiver no Brasil. Desde que o campeonato esteja em andamento, sempre vai ter jogo para assistir por lá. Como a maioria dos clubes representa bairros ou classes de trabalhadores, visitar seus estádios – ou “canchas”, como dizem os hermanos – é uma ótima forma de conhecer como vivem nossos vizinhos. Uma verdadeira aula de história e sociologia. Essa é minha desculpa esfarrapada.

DIA 1

O voo mais barato para Buenos Aires me fez esperar por cinco horas uma conexão em Montevidéu, no Uruguai. Tempo de visitar o Estádio Centenário, pensei. Errado. Não pude sair do aeroporto e terminei conversando por horas com um casal de argentinos que voltava de férias em Búzios. Ela é torcedora do Los Andes, da terceira divisão, e ele, do Banfield, da primeira. No final das contas, ele me chamou para o jogo de seu time contra o Atlético de Rafaela, que acabara de subir de divisão. Alguns dias depois, peguei o trem e em menos de uma hora já estava lá. Era a abertura do campeonato e comecei com o pé-esquerdo: derrota de 2 a 0. Município de Lomas de Zamora, Banfield fica na região metropolitana de Buenos Aires. O estádio é cercado por casas e meu anfitrião mora em uma delas. Basta atravessar a rua. Depois do jogo, fui tomar um vinho com toda a família e me fizeram assistir aos gols do título de 2009, com direito a replay dos gols da vitória sobre o arquirrival Lanús, que fica a 10 minutos dali. Como sou louco, gostei.

DIA 2

Torcedores do Atlanta fazem festa em jogo da segunda divisão. Foto: Eduardo ZobaranA vida noturna de Buenos Aires começa e termina muito tarde. Para quem gosta é ótimo. Quando, às 10 da manhã, saí para pegar um metrô para Villa Crespo, bairro onde fica o estádio do Atlanta, time da B Nacional – a segunda divisão – passei por duas boates a pleno vapor. O jogo era uma hora mais tarde e nem o horário inusitado afastou o público. Eram quase 10 mil torcedores no empate em 1 a 1 com Aldosivi, de Mar del Plata. Um deles, ao me contar um pouco da história dos ‘bohemios’, como são conhecidos, notou que nunca viu seu time na primeira divisão. O time está fora da elite desde 1984 e acabou de conquistar a terceirona.

O Estádio Don León Kolbovsky é a típica cancha de bairro portenha: muitas famílias e todos parecem se conhecer. E, é claro, todos xingam os clubes de bairros vizinhos, Chacarita Juniors, Argentinos Juniors e All Boys, minha visita seguinte.

Fui de ônibus para o Estádio Islas Malvinas, onde já havia estado em 2008 em um jogo que praticamente garantiu a ida do All Boys da terceira para a segunda divisão. Dessa vez, já na primeira, pegaram o Belgrano, de Córdoba. A torcida da casa praticamente lotou o estádio, mas, ansiosa, quase não cantava. Os visitantes voltavam à primeira divisão – depois de enfrentar e eliminar o River Plate – e seus torcedores deram um show. No gramado, o Belgrano saiu na frente, mas o All Boys empatou. Festa, cantoria, torcedor subindo no alambrado, mas ficou nisso aí. Outro 1 a 1 no meu currículo.

DIA 3

Em minha viagem anterior, visitei o Nuevo Gasómetro, estádio do San Lorenzo, numa partida contra o River Plate, na Libertadores. Estádio cheio, vitória e hinchada – como são conhecidas as torcidas por lá – muito animada. Dessa vez, contra o Lanús, derrota por 1 a 0, com direito a gol contra. Mas foi divertido. Cheguei cedo e vi muitos torcedores fazendo seu próprio churrasco dentro do clube. Não há venda de bebida alcoólica, mas cada um leva sua cerveja ou vinho. Original de Boedo, tradicional bairro com grande importância cultural, eles só falam da volta à “Tierra Santa”. O Nuevo Gasómetro é longe dali, numa área insegura da cidade, e sair de lá de ônibus ou de táxi dá trabalho.

DIA 4

Já estive num Boca x River, em 2008. Como foi na Bombonera, precisava conhecer o Monumental de Nuñez, a cancha do River. Sem jogos, tive que apelar à visita guiada do museu – tão ou mais bacana que o do Boca e menos visitada. Mas legal foi sair de lá e caminhar por Belgrano, bairro de casarões e prédios modernos, até chegar ao minúsculo estádio do Excursionistas, clube da quarta divisão. Bati um papo com dois torcedores que me contaram que em partidas aos sábados ou domingos aparecem uns dois mil deles por lá. Duvidei. Pela recordação, pedi para um senhor tirar uma foto minha na fachada do clube. Ele puxou conversa e disse que havia jogado no Maracanã na despedida do Garrincha. Duvidei de novo, mas levei o papo adiante. Era René Houseman, reserva do time campeão mundial em 78… no Monumental de Núñez.

DIA 5

Independiente 2 x 1 Internacional, pela final da Recopa, com mais de 40 mil pessoas no Estádio Libertadores da América e duas missões: conseguir um ingresso e passar despercebido como brasileiro. Missão cumprida e ainda voltei de Avellaneda em um ônibus que ficou entupido de torcedores que não pagaram passagem e cantavam como loucos. Eu, é claro, fingi que cantava e passei sem ser notado. Essa foi a parte boa. Traumático foi o sistema de som ter tocado duas vezes o hit sertanejo universitário “Chora, Me Liga” nos 30 minutos de espera até os portões serem abertos ao fim do jogo.

DIA 6

Em meu último jogo, vi duas camisas do Fluminense no Estádio José Amalfitani. Fui falar com esses torcedores do Vélez Sarsfield, que tem um terceiro uniforme tricolor igual ao do clube carioca. Eles me convidaram para assistir a vitória por 3 a 0 sobre o Banfield no meio da torcida organizada do “fortineros” – como são conhecidos os torcedores do Vélez. Ali, desconstruí um mito. Esqueça os torcedores sisudos. Como muitas músicas da arquibancada são versões para canções de salsa e cumbia, gêneros populares e dançantes, havia muito torcedor requebrando o esqueleto. E tem mais. Me anteciparam uma versão de “Chora, Me Liga'” do Vélez, o que me fez pensar o quanto esse esporte é injusto. O futebol argentino exporta Montillo, Conca e D’Alessandro para o Brasil e importa o sertanejo universitário.

Até Santiago: Mais estádios antes da volta Estádio cheio em jogo do Gimnasia y Tiro, em Salta. Foto: Eduardo Zobaran

Depois de Buenos Aires, a viagem seguiu adiante. Afinal, nem só de futebol vivem as férias. Ainda assim, sempre dá tempo de visitar um estádio. Em Rosário, visitei o Colosso del Parque, do Newell’s Old Boys, mas deixei o estádio do Rosário Central para uma próxima. Em Córdoba, fui ao estádio do Belgrano, mas fiquei devendo os do Talleres e do Instituto.

Foi em Salta, no belíssimo noroeste argentino, que me superei. Em apenas duas horas caminhando, visitei três estádios: do Juventud Antoniana, do Central Norte e do Gimnasia y Tiro, todos da terceira divisão. Gostei tanto que no dia seguinte, uma sexta-feira, às 10 da noite e com temperatura de 3º C, fui a um jogo do Gimnasia. Eram 10 mil torcedores para ver a vitória por 1 a 0 sobre o Central de Córdoba, de Santiago del Estero. Uma das torcidas locais se chama “La Torcida”, referência aos torcedores brasileiros.

Seguindo viagem, pelo Chile, resisti à tentação de visitar o estádio do Cobreloa, em Calama, quando estive por lá depois de passar pelo Deserto do Atacama, mas em Santiago não me segurei. Palco de crimes da ditadura de Pinochet, foi no Estádio Nacional que assisti o Universidad de Chile – ou apenas La U – vencer o Univesidad de Concepción. Depois, foi fazer as malas e voltar para o Brasil. Afinal, alguém tem que trabalhar nesse país.

Por Cleber Aguiar – Curtas …

Fonte: Folha de  SãoPaulo

Renata Lo Prete

Arquibancada 1 Geraldo Alckmin abriu consulta aos presidentes dos grandes clubes de futebol sobre o projeto que libera a entrada de bandeiras nos estádios, aprovado pela Assembleia paulista. Antes de vetá-lo ou sancioná-lo, o tucano quer saber se os cartolas consideram viável a mudança, desaconselhada pela Polícia Militar.

Arquibancada 2 Do seu time do coração, o Santos, o governador recebeu sinal verde. Luis Álvaro Ribeiro disse acreditar que a festa nos gramados ficará valorizada com a medida. O mesmo afirmou Andrés Sanchez, que preside o Corinthians.

Preliminar O comitê organizador local convocou as sedes da Copa amanhã ao Rio para transmitir novas instruções sobre segurança nas arenas. A ideia é explicar as diretrizes da Fifa aos dirigentes regionais antes da conferência unificada sobre o tema promovida pelo Ministério da Justiça, na sexta-feira, em Porto Alegre.

Boleiros Mais dois ex-jogadores devem se aventurar nas eleições para as Câmaras Municipais em 2012. Zé Elias (ex-Corinthians) é cortejado pelo PPS para disputar vaga de vereador na capital paulista e Washington (ex-São Paulo e ex-Flu) se filiou ao PDT de Caxias do Sul (RS).

Por Cleber Aguiar – Almanaque: Fenômeno Ronaldo chega aos 35 anos

Fonte: Diário do Comércio – SP

Na próxima quinta-feira, Ronaldo Luiz Nazário de Lima,  o Ronaldo Fenômeno, completa 35 anos de vida. Ele nasceu no subúrbio de Bento Ribeiro, no Rio de Janeiro, no dia 22 de setembro de 1976. Na foto ao lado, Ronaldo aparece na modesta casa de seus pais, aos 2 anos de idade, quando ainda não falava (aprenderia somente aos 4), mas, segundo amigos e familiares, já sabia chutar bolas de futebol.

 

Ronaldo começou jogando futebol de campo e de salão no São Cristóvão,  descoberto pelo ex-jogador Jairzinho, o Furacão da Copa de 70. Antes de completar 17 anos, já estava no Cruzeiro. Campeão do mundo pela Seleção Brasileira em 1994, embora sem disputar nenhuma partida, transferiu-se a seguir para o futebol europeu, onde se consagraria  como o Fenômeno com as camisas do PSV Eindhoven-HOL, Barcelona-ESP, Inter-ITA, Real Madrid-ESP e Milan-ITA. 

Mesmo atrapalhado por seguidas e sérias contusões nos joelhos e por uma estranha convulsão horas antes da final da Copa de 1998, contra a França, Ronaldo sempre se superou. Eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa em 1996, 1997 e 2002, pela Seleção Brasileira ele foi campeão mundial e artilheiro, com 8 gols, da Copa disputada na Coreia do Sul e no Japão, em 2002. Em 2006, sua última Copa, completaria 15 gols, tornando-se o maior artilheiro da história dos Mundiais. Ronaldo encerrou a carreira de jogador em 2011, pelo Corinthians, onde ganhou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil de 2009.

414 gols marcou Ronaldo nas 615 partidas oficiais que disputou em 18 anos como jogador de futebol profissional, por Cruzeiro, PSV-HOL, Barcelona-ESP, Inter-ITA, Real Madrid-ESP, Milan-ITA, Corinthians e Seleção Brasileira. Uma média de 0,67 gol por jogo.

ICFUT – CHAPA ALVINEGRA

Fonte: Folha de São Paulo

Mônica Bergamo

bergamo@folhasp.com.br
A escola de samba Gaviões da Fiel diz não ter medo de ser acusada de chapa branca ao homenagear Lula no Carnaval 2012

Eduardo Knapp/Folhapress

Da esq. para a dir.: os carnavalescos Delmo de Moraes, Fabio Lima e Igor Carneiro, na quadra da Gaviões da Fiel, em São Paulo

A escola de samba Gaviões da Fiel já está em velocidade máxima nos preparativos de seu desfile de Carnaval de 2012. O ex-presidente Lula, num carro alegórico, será a estrela do samba, que contará a sua vida. Ou melhor, só “a parte linda e bonita da história dele”, segundo revela Antônio Alan Silva, o Donizete, presidente da agremiação, à repórter Lígia Mesquita.


Mensalão? Nada disso. Quebra do sigilo do caseiro Francenildo? Nem uma alegoria a respeito. Protestos? Só os que Lula comandou contra os outros em seus tempos de sindicalista. O ex-presidente, corintiano de carteirinha e padrinho do bilionário Itaquerão, o tão sonhado estádio do Timão, será reverenciado na avenida com os slogans “Verás que o Filho Fiel Não Foge à Luta” e “Lula, o Retrato de uma Nação”.


“Vai meu gavião… cantando a saga do menino sonhador/ Um filho do sertão, cabra da peste… irmão/Que Deus pai iluminou”, diz a letra de uma das músicas que concorrem a samba oficial da escola. “Companheiro fiel/ Por liberdade/ Na corrente do bem/ Contra a maldade”, segue o refrão.


O abre-alas, com o título A Despedida do Carcará e do Escorpião em Busca do Mundo Melhor, representará a saída de Lula, criança, de Garanhuns, em Pernambuco -o ex-presidente é do signo de escorpião. Uma das alas subsequentes terá componentes com fantasias inspiradas no animal. a Lula vai desfilar no último carro alegórico. Não tem fantasia -vai vestido como quiser. “Meu sonho é que ele venha de sandálias havaianas”, diz o carnavalesco Igor Carneiro, um dos responsáveis pelo desfile, ao lado de Delmo de Moraes e Fabio Lima. Perto do petista, passistas vestirão chapéus com garrafas de cerveja. “A ala vai representar tudo o que ele gosta, tudo o que todo torcedor gosta.” Vai se chamar Futebol e Carnaval.


Entre as duas pontas do sambódromo paulistano, 4.500 integrantes devem desfilar no sábado, 18 de fevereiro. Lula é um chamariz poderoso. “O número de destaques pulou de 40 em 2011 para cem em 2012”, diz Carneiro. E já há uma lista de espera de 20 mulheres, segundo Cida Araujo, diretora de comunicação da Gaviões. As fantasias começam a ser vendidas amanhã, com preço em torno de R$ 500 -as de destaque, a partir de R$ 2.000.


A literatura de cordel foi fonte de pesquisa para a comissão de Carnaval da escola. “Usamos as referências principalmente da luta do bem contra o mal na primeira parte do desfile. Isso vai aparecer exageradamente no carro da democracia em duelo contra a ditadura”, afirma Carneiro. E no uso de trajes típicos nordestinos e tecidos como chita e juta.


Dona Lindu, mãe de Lula, é a inspiração para a tradicional ala das baianas, que terá o nome Mãe Terra, Mãe Coragem, Pátria Mãe.


A bateria sairá com macacões com desenhos de engrenagens, inspirados nos uniformes de operários. Lula trabalhou em uma fábrica no ABC paulista.


O sindicalismo aparecerá logo na primeira parte do desfile, em uma fantasia que destaca a placa “Greve Geral”. Já a ala Fundação de um Partido para os Trabalhadores terá a cor e a estrela do PT. Só não terá o nome da legenda. “Não vamos fazer propaganda política”, afirma o carnavalesco Delmo de Moraes.


O carro alegórico A Esperança Venceu o Medo traz um Rolls Royce preto, veículo oficial usado na posse presidencial, em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília.


“Daí em diante, começa o quarto setor do desfile, que fala do sentimento do povo e da autoestima”, explica Carneiro. É nessa hora que irão surgir no Anhembi fantasias como Diploma de Brasileiro. “Com o Brasil aparecendo, o Lula devolveu ao povo o orgulho de dizer que é brasileiro.” A Copa 2014, no país, e a Olimpíada 2016, no Rio, surgem na ala O Brasil no Mapa.


O final da apresentação fará a ligação do fundador do PT com o Corinthians. O ex-presidente desfilará ao lado da mulher e de seus convidados no último carro, que trará a imagem de são Jorge, padroeiro da equipe paulista.


Lula se reuniu com os carnavalescos e a diretoria da agremiação há dois meses. “Ele ficou emocionado, dava pra ver os olhos lacrimejando. Ele não fez nenhuma objeção e foi muito simpático. Chamou todo mundo pra entrar na sala”, diz Moraes. “A gente assustou quando ele brincou com o horário do desfile. Ele falou: ‘Se for muito tarde…’ e fez uma pausa. Aí continuou: ‘Não vou poder levar as crianças!’. E todo mundo riu”, lembra Carneiro.

LINDA E BONITA

Antônio Alan Souza Silva, presidente da Gaviões da Fiel, falou à coluna:


Folha – Não teme desagradar quem não gosta do Lula?
Antônio Souza Silva –
Nem Jesus agradou a todo mundo. Mas tenho certeza que a grande maioria tá muito feliz aí com nossa escolha.

Quem está patrocinando?
A gente usa os recursos que todas as escolas têm, que vêm da Liga das Escolas de Samba. E estamos tentando captar outros.

Com quem?
Isso é um trabalho particular e a gente prefere não expor para não atrapalhar as negociações. Além da nossa cerveja [Nova Schin], não temos ninguém ainda.

Qual o valor estimado?
Não sei. Mas pode ter certeza de que o investimento é muito grande.

A Gaviões não corre o risco de ser acusada de chapa branca?
Não vimos pelo lado político. Não estamos fazendo marketing. Essa escolha foi feita pelo fato de ele ser corintiano e ter uma história muito bonita.

O mensalão vai aparecer?
O mensalão não.

Por que nenhuma crítica?
Acima de tudo, a gente vai contar a parte linda e bonita da história de vida dele, entendeu? É só isso que nos interessa.

Por Cleber Aguiar – ENTREVISTA LEANDRO DAMIÃO

Fonte: Folha de São Paulo

Várzea é do mesmo jeito que futebol profissional

DOS RATOS, MORCEGOS E MARMITA, PASSANDO PELA VÁRZEA, NOVO CAMISA 9 DA SELEÇÃO DEIXA A VIDA DE ‘GROSSO’ E DESAFIA A LÓGICA COMO CRAQUE IMPROVÁVEL

RODRIGO BUENO
DE SÃO PAULO

Da várzea e da pobreza para a camisa 9 da seleção e uma vida de sonhos foi um pulo. O Brasil e o mundo tentam ainda entender o fenômeno Leandro Damião, 22.
O atacante do Inter fez 40 gols no ano e virou astro não planejado do futebol. O paranaense de Jardim Alegre falou à Folha por telefone sobre sua carreira, recheada de dramas até pouco tempo e de lances de efeito neste ano.

Folha – Como é trocar a várzea pela seleção e a pobreza por vida de sonho em só 4 anos?
Damião
– Bem tranquilo. Não sou de comprar aquela casa gigante, aquele carro legal. Graças a Deus posso comprar casa para meu pai.

Você fala muito em Deus e celebra gols apontando para o alto. Qual a importância da religião para você? Sou batizado na Católica [Igreja], nada contra as outras religiões. Tem sempre que agradecer a Deus. Aconteceram coisas na vida da gente que não acontecem sempre. Ele te dá oportunidades, e você tem que agarrar. Não sou de ir à igreja, mas estou sempre agradecendo.

Você é bem família, casou cedo no papel com a segunda namorada [Nádia], não gosta de baladas, cerveja…
A família foi importante na carreira e foi importante até eu ter começado a namorar cedo [namorou por cinco anos a mulher]. Difícil me ver tomando cerveja, prefiro tubaína, refrigerante, coisa leve, sou tranquilo mesmo.

E o casamento na igreja?
Ainda não tem data, o jeito é casar depois da temporada.

Como era na várzea?
Atuei no Família Tupi City e no Estrela da Saúde [em São Paulo]. É um jogo normal o da várzea. Final de campeonato lotado, precisava ganhar e ganhamos, fiz gol. A várzea é do mesmo jeito que o futebol profissional. Tem grama sintética [no Jardim Ângela], a prefeitura colocou.

Você começou a jogar em uma escolinha do governo, não? Achava que seria profissional?
Comecei assim [no Parque Ecológico, em São Paulo]. Gostar de jogar, gostava desde pequeno, mas só virei profissional em Santa Catarina [no Atlético de Ibirama, em 2007].

É verdade que quis desistir da carreira já em Santa Catarina?
Tinha hora que não dava. O jeito que morávamos lá. Eram R$ 100 por mês, não era uma coisa certa. Cheguei lá e era amador. Era complicado, morava em casarão e tinha rato, morcego… Era marmita, não comida normal, era difícil. Graças a Deus, a família e a esposa me ajudaram.

Como rodou pela várzea em São Paulo e não atraiu nenhum grande time paulista?
Fiz peneira em todos os grandes de São Paulo, só no Santos que não fiz. Não passei. Peneira tem muito jogador, é muito difícil. Aí tinha um colega que ia fazer teste em Santa Catarina. Ele não quis ir e me indicou. Fui.

Como foi a decisão de apostar na carreira e deixar a escola?
Até um tempo era bom na escola, depois comecei a jogar bola e tive que largar, pensar na bola. Era a decisão. Meu pai é uma pessoa humilde [era faxineiro] e sempre deu tudo o que eu precisava.

Seu pai [Natalino] foi o maior incentivador de sua carreira. Fará mais comemorações homenageando o bigode dele?
É um orgulho o pai que eu tenho. Todos queriam ter um pai assim. Sempre que puder vou oferecer um gol para ele.

Você era visto como um atacante de pouca técnica, mas está distribuindo carretilha, calcanhar, bicicleta…
Eu sempre quero melhorar. No começo, era muito difícil, duro. Não tive base. No Inter, as coisas começaram a melhorar. Tenho evoluído. O Ortiz [ex-jogador de futsal que toca o Programa Aprimorar] ajudou muito, é diferenciado o trabalho dele. Tem muito jogador que vai sair pelo trabalho que ele faz. Agora, sou praticamente ambidestro.

Você joga agora com Ronaldinho e Neymar. Já caiu a ficha?
Desde que cheguei ao Inter já foi difícil pelo grupo que tem. Na seleção não tem que ser diferente. É humildade do mesmo jeito. Em cada jogo, dou o máximo no Inter. Na seleção não será diferente.

Dizem que centroavante é algo raro no Brasil. Concorda?
Não, o Brasil tem grandes centroavantes, o Borges, o Luis Fabiano, quando se recuperar, o próprio Adriano, o Ricardo Oliveira, que está fora. O Brasil está bem de atacante. Quero estar no meio.

Já teve proposta de R$ 27 milhões por você. Tem preferência por clube na Europa?
Não, vivo o momento. O pensamento é Inter e seleção. Não dá para pensar em que time eu me encaixaria depois.

Sua multa contratual é de 1 50 milhões. Você vale isso hoje?
Não tenho como falar de valores, deixa para a diretoria. Meu papel é jogar.

ICFUT – Felipão faz gesto obsceno, xinga torcida do Palmeiras e classifica protesto como ‘ridículo’

Fonte: uol

O técnico Luiz Felipe Scolari entrou em atrito com torcedores do Palmeiras após o empate por 1 a 1 com o Avaí, neste domingo. Enquanto se dirigia ao túnel de acesso ao vestiário da Ressacada, o comandante alviverde fez um gesto obsceno e, ao mesmo tempo, xingou alguns membros da torcida da sua própria equipe.

Os torcedores, por sua vez, ficaram irritados com mais um jogo sem vitória do time, o quinto consecutivo neste Campeonato Brasileiro. Além de Felipão, os alvos foram o meia Marcos Assunção e o atacante Kleber.

“Eu acho ridícula e entendo que eles não estão corretos nesse tipo de manifestação por hoje, pode estar por outros jogos, mas também tem que perguntar daqui pra frente com quem eles estiveram no CT nessa semana, quem foi que os convidou, quem levou lá pra dentro. É bem orquestrado, bem orquestrado, só isso que eu vou dizer”, disse o treinador alviverde.

Ao longo da semana, a relação entre o técnico, a torcida e a diretoria foi complicada. Enquanto torcedores colocam faixas, ora de apoio, ora de repúdio ao treinador, Felipão disparou contra alguns dos problemas internos do clube e reclamou até das categorias de base alviverde.

Independentemente das polêmicas, o Palmeiras volta aos treinos já na tarde desta segunda-feira, pois o time enfrentará o Ceará nesta quinta-feira, às 20h30, para tentar se recuperar no Campeonato Brasileiro. Após o empate, o time ocupa a oitava colocação, com 35 pontos, dez a menos que o líder Vasco da Gama.

ICFUT – Torcedores vão ao vestiário corinthiano para cobrar a demissão de Tite

Fonte: gazetaesportiva.net

Alguns torcedores do Corinthians não se contentaram em cobrar a demissão do técnico Tite apenas nas arquibancadas do Pacaembu, durante a derrota por 3 a 1 para o Santos, no clássico deste domingo. Após a partida, integrantes do Movimento Rua São Jorge (ala radical da organizada Gaviões da Fiel) foram ao vestiário corintiano para reforçar o protesto.

O gerente de futebol Edu Gaspar aceitou ouvir as queixas de uma comitiva composta por quatro (número divulgado pela segurança do Corinthians) torcedores. "Estou sempre à disposição para conversar, desde que seja de uma forma tranquila, pelo bem da instituição. Se eu não falasse com eles, poderia provocar uma ira maior", comentou o ex-jogador.

Ouvir as reivindicações dos organizados faz parte da política do presidente Andrés Sanchez, que sempre se orgulhou de deixar as portas de sua sala no Parque São Jorge abertas à torcida. Depois da derrota para o Coritiba, por exemplo, Edu Gaspar já havia se disponibilizado a escutar um grupo de manifestantes que foi ao CT Joaquim Grava. O combinado só foi desfeito porque os torcedores invadiram o local.

Embora tente manter um bom relacionamento com as torcidas organizadas, Sanchez nem sempre cede à pressão. O mesmo presidente que manteve Mano Menezes após fracasso na Copa Libertadores da América na temporada do centenário do Corinthians e também segurou Tite depois de uma derrota ainda pior, na pré-Libertadores, não quer trocar o comando técnico de sua equipe outra vez.

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Apesar do respaldo da diretoria, Tite está cada vez mais pressionado a cair do comando do Corinthians

"Imagina, pelo amor de Deus: o presidente já falou várias vezes que o Tite vai ficar, que está bem, tranquilo. Corinthians é assim, mesmo. Em momentos bons, é uma glória. Em momentos ruins, somos cobrados", minimizou Edu, tentando não centralizar os problemas em Tite. "Os torcedores cobram tudo. Eles também me falaram que eu preciso fazer melhor o meu papel, além de citarem o Tite e os atletas. É todo mundo."

Por sua vez, Tite não demonstra a mesma paciência dos dirigentes. "Sou um profissional que deve satisfação às pessoas que me comandam, ao presidente. Mas não fujo da responsabilidade em nenhum momento. Respeito o torcedor, mas também respeitem a minha condição. Não falo com ninguém", desabafou o ainda treinador corintiano, incomodado com as críticas sobre as substituições que fez contra o Santos.

Com a diretoria do Corinthians, Tite é obrigado a se manifestar. Após a reunião de Edu Gaspar com os torcedores organizados, os dirigentes também conversaram entre si. E negaram que o assunto em pauta tenha sido a continuidade ou não do treinador gaúcho no cargo.

ICFUT – Alex é levado para hospital depois de desmaiar em campo, mas passa bem

Fonte: gazetaesportiva.net

O meia Alex passa bem após desmaiar em campo no final do clássico contra o Santos, que terminou com derrota do Corinthians, por 3 a 1. O jogador deixou o Pacaembu de ambulância em direção ao Hospital São Luiz, no Morumbi, onde realizou uma tomografia computadorizada.

"O atleta desmaiou. Parecia grave. Mas ele começou a acordar e ficou consciente. Ele sentia alguma coisa na coluna cervical. Por isso, encaminhamos ao hospital para fazer exames", disse Rodrigo Zogaib, médico do Santos, o primeiro a atender Alex no gramado.

O meia do Corinthians se machucou ao bater a cabeça no joelho do lateral direito Danilo. Preocupados com o estado de Alex, que se contorceu enquanto estava desacordado, os jogadores do Santos apressaram o socorro. "Nessa hora, não há rivalidade. Fiquei assustado, pois ele teve uma espécie de convulsão, tremendo. É um colega de trabalho", comentou o lateral esquerdo Léo.

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Jogadores dos dois times ficaram preocupados quando Alex desmaiou em campo, nos acréscimos

Em comunicado divulgado em seu site oficial, o Corinthians informou que Alex deve receber alta ainda na noite deste domingo. Os exames realizados não constataram nenhum edema no jogador.