Por Cleber Aguiar – Entrevista com Beckenbauer.

Fonte: O Estado de São Paulo

‘Dinheiro público é para infraestrutura’, diz Beckenbauer

Um dos maiores atletas alemães dá dicas do que foi feito no seu país no Mundial de 2006, para o qual houve até plebiscito

Almir Leite – O Estado de S.Paulo

ENVIADO ESPECIAL / STUTTGART

ENTREVISTA

Franz Beckenbauer, ex-jogador e coordenador da Copa da Alemanha

Mike Hutchings/Reuters-6/7/2011
Mike Hutchings/Reuters-6/7/2011
Ídolo alemão. Campeão do mundo como jogador e técnico

Se existe uma coisa de que Franz Beckenbauer entende no futebol é de Copa do Mundo. Em 1970, ele encantou o mundo na Copa ganha pelo Brasil com seu futebol sóbrio, inteligente e técnico e também pela demonstração de garra, ao ficar em campo com a clavícula quebrada na decisão do terceiro lugar com a Itália. Quatro anos depois foi campeão pela Alemanha como jogador. Em 1990, levantou outra Taça Fifa, como treinador. E em 2006 comandou a organização da Copa disputada em seu país. Um currículo e tanto.

Foi escorado nesse currículo que Beckenbauer falou ontem pela manhã com exclusividade ao Estado sob os preparativos do Brasil para a Copa de 2014. Fez elogios e defendeu o emprego do dinheiro público em estádios, com ressalvas. “Estou otimista em relação ao que o Brasil está fazendo””, disse o Kaiser, durante evento da Mercedes-Benz realizado no centro de Stuttgart para comemorar os 125 anos da invenção do automóvel.

Para ele, um dos fatores que podem levar a Copa no Brasil a fazer sucesso é a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) trabalhar próxima do Comitê Organizador Local. Por esse raciocínio, o fato de Ricardo Teixeira acumular os dois cargos não vai ser, necessariamente, negativo. “O que é preciso é que todos os setores trabalhem muito próximos e na mesma direção”, aconselhou.

Com a experiência como presidente do Comitê Organizador da Copa de 2006, o que poderia dizer ao Brasil para fazer um bom Mundial em 2014?

É preciso ter um bom time na organização, pessoas com experiências em todas as áreas e disposição para o trabalho.

O Brasil tem esse bom time?

Tem sim, pelo que posso perceber. São pessoas experientes.

Mas é preciso mais do que isso…

Tem de fazer como a Federação Alemã, que trabalhou muito próxima do Comitê Organizador. Essa é a melhor situação para resolver os problemas.

O senhor é a favor do uso de dinheiro público na construção de estádios?

Pode ter, mas não só em estádios, mas em infraestrutura (para 2006, porém, quando a Fifa exigiu uma nova arena em Munique, ele procurou a prefeitura local e organizou um plebiscito para a população responder se era ou não a favor da construção da Alianz).

Esse dinheiro deve ser usado como?

Em infraestrutura, aeroportos, estradas. Outras coisas. Porque milhares de pessoas irão ao Brasil para a Copa. E também ficará como legado.

Como o senhor vê o trabalho que está sendo realizado pelo Brasil para o Mundial?

Estou otimista em relação ao que o Brasil está fazendo.

O senhor conhece o Neymar.

Neymar? Ah, ele é excelente. Vai jogar hoje (ontem) à noite? Que bom.

PARA LEMBRAR

Kaiser chefiou Copa memorável

Franz Beckenbauer foi campeão mundial como jogador (1974, na Alemanha) e técnico (1990, na Itália), mas também tem seus méritos como dirigente de futebol- até hoje é o presidente de honra do Bayern de Munique. Como chefe do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, promoveu uma competição memorável, com estádios fantásticos, como a Allianz Arena, em Munique, e o Olympiastadion, em Berlim. Todos ficaram prontos com investimento de pouco mais da metade do que o Brasil estima que vá gastar para receber o Mundial de 2014 (R$ 6,1 bilhões). As 12 arenas da Copa de 2006 são atualmente utilizadas por clubes locais. Apenas três precisaram ser construídas para o evento – as demais, muitas inauguradas nos anos 20 e 30, foram somente reformadas e o custo total ficou em R$ 3,2 bilhões.

Por Cleber Aguiar – Santos e Corinthians empatam em jogo terrível !

Fonte: O Estado de São Paulo

Incrível! Eles ainda gostaram do jogo

Jogadores de Corinthians e Santos preferem exaltar o poder de marcação das equipes e saem satisfeitos da Vila Belmiro

Paulo Galdieri e Sanches Filho / SANTOS – O Estado de S.Paulo

Corintianos e santistas empataram também depois que a bola parou de rolar. Jogadores dos dois times saíram de campo exaltando a marcação forte de ambos os lados e comemorando o ponto conquistado.

Jose Patricio/AE
Jose Patricio/AE
Substituto de Neymar. Diogo parou na defesa cortiana. Ainda não mostrou seu valor no time do Santos.

Para os corintianos, o 0 a 0 representou a volta à liderança. E isso, para eles, já foi suficiente. “No segundo tempo ficamos a desejar. Valeu o ponto conquistado”, disse o atacante Willian, que mais uma vez passou em branco.

Para Danilo, o Corinthians teve um bom desempenho, mas falhou justamente na hora de transformar o domínio que teve no primeiro tempo em vantagem. “Só faltou o gol. Fizemos um primeiro tempo perfeito. O cansaço fez com que o time caísse de produção no final.”

“Voltamos à liderança”, comemorou o zagueiro Chicão. “Mas a gente sabia que podia vencer aqui, infelizmente não aconteceu”, lamentou. Ele elogiou a marcação santista. “Foi um jogo bastante truncado, o Muricy tem a característica de colocar marcação forte.”

Segundo o meia Alex, os últimos resultados do Corinthians não podem ser atribuídos apenas a uma queda de rendimento do time. “Outras equipes melhoraram. Estamos jogando com equipes melhores e estamos com eficiência menor.” Mas o jogador admitiu que faltou pontaria para o time. “Criamos as oportunidades e não aproveitamos. Mas foi um empate fora de casa. Foi um bom resultado e nos dá a liderança.”

Para Alessandro, o time precisa tirar lições do clássico para voltar a vencer. “Tem de assimilar o que a gente não fez de bom e tentar melhorar no próximo. Mas ao menos retomamos a liderança”, afirmou.

Santistas satisfeitos. Entre os jogadores do Santos, o discurso também esteve uniformizado. O consenso era de que o segundo tempo foi melhor que o primeiro. “Houve poucas chances para os dois lados. Foi um grande jogo, de mais marcação, com poucas oportunidades de gol. Um resultado justo”, falou o atacante Borges, que não conseguiu finalizar nenhuma vez com perigo contra a meta corintiana.

Arouca conseguiu enxergar um jogo de boa qualidade na Vila. “Clássico é sempre muito disputado. Foi um jogo bonito em que ninguém conseguiu fazer um gol”, disse.

Mas foi o capitão Edu Dracena o mais crítico com o Santos. O zagueiro afirmou ter faltado qualidade para o time vencer o clássico e será preciso mostrar uma reação mais rápida.

“Quando tivemos a chance, deveríamos ter matado a partida. Foi um jogo com as duas equipes marcando forte. Mas a gente não pode ficar lamentando.”

Dracena afirmou que o Santos não pode ficar dependente de Neymar e Ganso, embora tenha admitido que a dupla faz muita falta ao time. O capitão santista criticou a falta de criatividade do time sem os meninos. “Nós temos de aprender a jogar bem sem eles. Essa é uma situação que vai se repetir muitas vezes. Eles são jogadores de seleção brasileira e vão ser convocados muitas vezes.”