Por Cleber Aguiar – Entrevista com Zagallo !

Fonte: O Estado de São Paulo

”O futebol chegou ao limite técnico. É só correria”

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O testemunho do Velho Lobo sobre sete décadas de dramas e conquistas do esporte mais popular do Brasil e do mundo

Fernando Paulino Neto e Sílvio Barsetti – O Estado de S.Paulo

Quando o alagoano Mário Jorge Lobo Zagallo começou a jogar futebol, no final da década de 40, no infantil do América do Rio, a bola avermelhada era pintada de branco para os treinamentos noturnos. Agora, ao comemorar 80 anos, na terça-feira, 9 de agosto, o único tetracampeão mundial da História (duas vezes como jogador, uma como treinador e outra como coordenador) vaticina o fim da evolução técnica no futebol. “Os espaços estão muito congestionados, como o trânsito de São Paulo. O futebol mundial chegou ao limite técnico. É uma correria só.”

Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE
Observador. Zagallo acompanha de perto o futebol

Testemunha ocular do Maracanazo de 1950 – servia o Exército e trabalhou no estádio durante a partida -, Zagallo jamais imaginou que oito anos depois estaria defendendo o Brasil em seu primeiro título na Suécia. Além de ter sido autor de um dos gols da final (5 a 2 sobre a Suécia), foi responsável por introduzir no País o sistema de jogo 4-3-3, substituindo o tradicional 4-2-4. Hoje, um atacante ajudar na marcação é corriqueiro. No Brasil, foi o primeiro a fazê-lo.

Em 2006, participou pela última vez da seleção brasileira, como auxiliar-técnico, repetindo a dobradinha campeã de 1994. Ele lamenta não ter colaborado com o treinador Carlos Alberto Parreira como gostaria. Um ano antes, havia passado por seriíssima cirurgia e, na concentração, ia de madrugada ao quarto dos médicos da delegação pedir remédios para depressão.

Primeiro jogador do futebol brasileiro a ganhar passe livre e atleta de poucas camisas – atuou pelo América, Botafogo e Flamengo -, Zagallo passa em revista uma longa e vitoriosa carreira. Fala de craques que conviveu em diversas épocas e só não perdoa Romário. “Foi um grande jogador. E ponto.”

Antes de marcar sua carreira como jogador do Flamengo e do Botafogo e da seleção brasileira, o senhor passou pelo América. Sempre falou muito bem dos três clubes. Mas, afinal, qual o seu o time de coração?

O Flamengo e o Botafogo me projetaram para o futebol. Tenho um carinho especial por tudo que os dois clubes fizeram por mim. Mas comecei no América em 1947, ainda no infantil. Nasci em Maceió e minha família se mudou para o Rio em 1932. Morávamos na Tijuca, bem perto da sede do América. Meu pai foi conselheiro e benemérito do clube. Eu vivia lá, onde disputei competições de tênis de mesa e natação. Então não tem como ser diferente. Torço pelo América. Assim fico bem com todo mundo.

Como era o futebol naquela época?

Muito amador. A gente jogava com uma bola meio avermelhada, pesada demais. Ela descascava e tinha de ser pintada para ser reaproveitada, principalmente nos treinos da noite.

Na final da Copa de 1950, o senhor viu a derrota do Brasil para o Uruguai. Quais as suas recordações daquela tarde?

Eu prestava serviço militar no Exército. Meses antes da Copa, fui ao Maracanã com meu pelotão retirar madeira da arquibancada. No dia do jogo, estava lá de verde-oliva, cassetete, capacete, “bate-bute”. Na arquibancada, eu deveria ficar de costas para o campo, mas vi perfeitamente o gol fatal do Ghiggia (o Uruguai venceu por 2 a 1). Aquele delírio, com 200 mil pessoas acenando lenços, acabou tudo ali.

Depois de assistir à final de 1950 na arquibancada, em 1958 o senhor foi um dos protagonistas…

Jamais poderia imaginar que oito anos depois eu estaria vestindo a amarelinha para ser campeão do mundo pela primeira vez. O Vicente Feola (técnico da equipe) introduziu uma mudança tática no futebol brasileiro, transformando o 4-2-4 num 4-3-3. Eu era a terceira opção na época, atrás de Canhoteiro e Pepe, para ocupar a posição de ponta-esquerda mais recuado. Na minha estreia pela seleção, no Maracanã, contra o Paraguai (em 4 de maio de 1958), ganhamos de 5 a 1, e eu fiz dois gols. Mas em outro amistoso com a Bulgária, no Pacaembu, eu olhei a escalação e não vi o meu nome. Fiquei preocupado, estávamos às vésperas da Copa do Mundo na Suécia. Então o médico Hilton Gosling me chamou num canto e disse: “Fica quieto, você já está escolhido. Agora o Pepe e o Canhoteiro vão disputar uma vaga.”

O senhor viu em 1958 o nascimento de um craque, Pelé. Todos agora se espantam com Neymar. Mesmo com estilos diferentes, há termo de comparação entre os dois?

Eu já conhecia o Pelé, mas só o tinha visto jogar rapidamente uma vez no Maracanã pelo Torneio Rio-São Paulo. O Neymar é o Neymar. O Pelé foi e sempre será o melhor jogador do mundo. Não vai ter outro igual. Falam de Messi, Neymar, Maradona. Mas a distância desses para Pelé é brutal. Um jogador completo, que jogava muito bem com a perna esquerda e com a direita. Ele fez gol de tudo que é maneira, o único a fazer mais de1.200.

Nas Copas de 1958 e 1962 havia outro gênio na seleção. Como foi a experiência de jogar ao lado de Garrincha?

O meu técnico no Flamengo, Fleitas Solich, apitava falta toda vez que eu driblava. Só permitia o drible quando não havia alternativa. Na seleção, em 1955, o técnico era o Zezé Moreira. Ele colocava uma cadeira no campo, no lado direito do ataque, e mandava que o Garrincha cruzasse a bola quando chegasse naquele ponto. Evidentemente que o Garrincha não respeitava nada. Ele driblava a cadeira, voltava, repetia o drible e só depois cruzava. Eu queria ver o Fleitas ir lá em General Severiano (sede do Botafogo) para dizer ao Garrincha que marcaria falta a cada drible dele. Quem viu, viu, quem não viu, vai ficar na saudade. Era fantástico.

Por que a escassez do drible hoje no futebol mundial?

O futebol está mudado. Futebol é um trânsito congestionado. Bota o trânsito de São Paulo no meio de campo e você imagina o que é o futebol atual. Dificilmente há jogos de beleza para se ver. É um tal de não deixar jogar.

Quando isso começou?

Em 1966, na Inglaterra. Já em 1970, no México, a altitude impediu um pouco isso e a própria técnica sobrepujava a condição física. A gente tinha mais valores técnicos que brucutus.

Houve algum time superior ou equivalente ao do tricampeão mundial em 1970?

Nós tivemos um time praticamente idêntico, o de 1958, com Garrincha e Pelé. Mas não havia TV para mostrar. Em 1970 se deu o estouro. O Brasil jogou uma enormidade no México e a TV exibiu tudo para o mundo inteiro. Em 1958, só quem estava em Estocolmo viu aquela maravilha.

Em 1970, cinco anos depois de deixar os gramados, o senhor dirigiu a seleção do tri. Houve uma mudança de esquema tático para escalar um grande número de jogadores extraordinários?

Seria inadmissível que eu, então como técnico, não fizesse como Feola em 1958, que abriu mão do 4-2-4 para efetivar o 4-3-3. Minha ideia era usar o 4-3-3 com o Paulo Cesar Caju na ponta esquerda. As coisas se modificaram. Passei o Piazza para a zaga, e botei no time titular o Rivellino e o Clodoaldo, reservas de João Saldanha. Como o Paulo não vinha bem, conversei com o Rivellino e o escalei na ponta-esquerda, com a ordem de ajudar na marcação.

O senhor não queria escalar Pelé e Tostão juntos…

A principio, o Tostão seria reserva do Pelé. Convoquei o Roberto Miranda e o Dario, pois a ideia inicial era jogar com o Roberto na frente. Depois, mudei. Escalei o Tostão de centroavante e eu mesmo achei que essa mudança não daria certo. Mas a inteligência do Tostão se sobressaía. Só teve ali um momento de dúvida. Ele tinha um problema na vista e precisava evitar o choque. Por isso, eu questionei o oftalmologista que o atendeu: “Escuta, se o Rivellino der um chute forte e o Tostão ficar na frente, pode correr algum risco?” E ele me respondeu: “Não, ele andou até na montanha russa!” Mas eu não perguntei nada disso. Eu queria saber do impacto da bola na cabeça dele. A resposta me deixou mais confuso ainda.

Incomoda aquela associação de que o presidente Medici interferiu na saída de João Saldanha e na convocação de Dario?

Quem provocou essa onda toda foi o próprio Saldanha, como jornalista. Ele fez uma coluna na qual dizia que o Médici era um fã do Dario e que o jogador seria convocado por mim. Você acha que um presidente da República ia falar com um técnico de futebol para convocar esse ou aquele jogador? Você acha que o Dario não seria o titular da seleção brasileira se o Médici viesse falar comigo? Pois bem. Ele não foi titular nem quando houve necessidade de um substituto para o Tostão, por questões médicas. Foi o Roberto Miranda quem entrou. A resposta está dada. A verdade está clara. Quiseram falar que naquele momento eu peguei um time pronto, coisa e tal. Mentira! Mudei tudo. Se não fosse daquele modo, nós perderíamos a Copa do Mundo.

Sempre se diz que o senhor mostrou desdém em relação à Holanda no Mundial de 1974 na Alemanha. É verdade?

Perfeitamente, foi intencional. Eu era o técnico da seleção brasileira, tínhamos perdido a base de 1970, e fomos enfrentar a coqueluche do futebol mundial daquela Copa: a Holanda (o Brasil perdeu por 2 a 0 e teve que se contentar com a disputa do terceiro lugar, quando perdeu para a Polônia por 1 a 0). O que eu ia fazer? Enaltecer o adversário? Não, eu queria diminuí-lo.

O Brasil ficou 24 anos sem um título mundial. Em 1994, o senhor estava de volta lá, como coordenador técnico. Seu trabalho era passar sua experiência para o Carlos Alberto Parreira?

A CBF apostou na mesma comissão técnica de 1970. O Parreira seria o técnico. Ele foi sempre meu assistente, acreditava em tudo o que eu falava. Eu estava ali como um técnico também, mas a palavra final era dele. Nos dávamos muito bem. Mas havia uma campanha muito grande contra nós. Diziam que não estávamos jogando o verdadeiro futebol brasileiro. Nosso time era aplicado, sabia o que fazer em campo. Tínhamos um time e mostramos que estávamos certos.

Qual o peso do Romário na conquista?

Importante, era o jogador de área. Nós demos um castigo nele na fase de classificação, depois que ele não aceitou a decisão do Parreira de ter escalado Bebeto e Careca num treino em Porto Alegre. O Parreira veio falar comigo: “Olha, o Baixinho já fez m.” Então eu disse: “Deixa ele comigo”. Cheguei no hotel, chamei o Romário no quarto e o Parreira também e disse: “Aqui a ordem vem de cima para baixo. Quem determina a escalação do time é a comissão técnica. Não é você.” Tomei a atitude porque numa fração de segundos a gente poderia perder a liderança. Se a gente cede, o que ia acontecer? Ele ia lá na frente dos outros, conheço a criatura, e ia dizer: “Olha lá, peitei e vou jogar.” Só voltamos com o Romário no último jogo das Eliminatórias, contra o Uruguai, no Maracanã, quando ele fez dois gols.

Mas ele foi importante ou fundamental na conquista de 1994?

Fundamental, está bem, como você quiser. Mas não se pode esquecer o papel do Bebeto, que era quem dava as bolas para ele fazer os gols.

Sua relação com Romário é delicada…

Teve aquele Brasil x Peru (em 1997, semifinal da Copa América). A seleção ganhava por 5 a 0, e eu fiz a última substituição. Chamei o Edmundo. Eles não se davam bem. Na primeira bola em profundidade, o Romário saiu mancando, com a mão na virilha. Ficamos com 10 em campo. O jogo seguinte era em La Paz. Antes da preleção, eu chamei o Lídio Toledo (médico da equipe), e reuni a comissão técnica no meu quarto: “Você vai lá e pergunta ao Romário se ele está em condições ou não.” Aí o Lídio respondeu: “Ele disse que ainda vai fazer um teste dentro de campo.” Decidi na mesma hora: “Então ele não vai jogar e nem vai ficar no banco.” Tive peito, porque não é fácil tirar o Romário de uma final. Eu fiz isso porque eu não gosto de safadeza. E eu sempre o convoquei em todas as situações. Tenho com ele uma relação delicada. Ganhei processo contra o Romário pelas caricaturas no Café do Gol (no fim do Mundial de 1998, mandou pintar na porta de banheiros de seu bar imagens de Zico e Zagallo num vaso sanitário). Não cabe mais recurso. São R$ 800 mil.

Quem é o Romário para o senhor?

Ele foi um grande jogador. Ponto. Nada além disso. Não posso falar mais nada sobre ele.

O senhor escalaria de novo o Ronaldo ( teve uma convulsão horas antes da decisão com a França) se pudesse voltar à final da Copa do Mundo de 1998?

Sem dúvida. Ele foi para uma clínica francesa. Fez todos os exames, não deu absolutamente nada. No vestiário (do Stade de France), o Ronaldo chegou já com meia, chuteira, calção e disse: “Eu quero jogar”. “Mas você não passou mal?” “Zagallo, eu não tenho nada. Tive um problema seis, sete horas atrás, o exame não acusou nada, estou me sentindo bem, não faça isso comigo, eu não sou criança, não me tire dessa.” O cara foi tão veemente, disse isso ao lado do Lídio e do Joaquim da Matta (outro médico da delegação) e ninguém falou nada. Tomei a atitude que caberia.

Existiu pressão de patrocinador?

Isso não existe, pô. Isso é balela, pô. Não tem nada a ver.

Antes da Copa de 1998, o senhor teve dois momentos importantes pela seleção. A perda da medalha de ouro nos Jogos de Atlanta, em 1996, e a vitória da Copa América, em 1997. Qual dos dois foi mais marcante?

Foi triste deixar escapar a medalha inédita na Olimpíada depois de estar vencendo por 3 a 1 (contra Nigéria) e o jogo acabar 4 a 3. Ficou um nó na garganta até hoje. Ficamos só com o bronze. Duro, muito duro mesmo. Já em 1997, a seleção estava sob muita pressão (na Copa América) e as críticas eram diárias. Foi quando eu disse a frase: “Vocês vão ter que me engolir!” Já ouvi isso até em casamento em que fui como convidado e acabei mais fotografado que a noiva. Foi um recado para quem só falava mal.

Um tumor benigno no abdômen levou o senhor a uma cirurgia grave em 2005. A recuperação foi lenta. Por causa disso não conseguiu auxiliar Parreira como imaginava no Mundial de 2006?

Exatamente isso. Eu saía de madrugada do meu quarto, lá na Alemanha, para procurar os médicos, para tomar injeção, remédios. Fiz uma operação que durou sete horas, retirei a vesícula, parte do estômago e do intestino e com reconstrução do pâncreas. Eu estava e não estava com a seleção. Estava perdidão.

O Maracanã passa por reformas e, segundo especialistas, vai ficar desfigurado. Como vê isso?

Do jeito que ficar, o Maracanã jamais vai ser esquecido. Agora, vem com outra tecnologia, vão aproveitá-lo de uma maneira diferente, mas nunca deixará de ser o Maracanã, com todo o seu glamour. Claro que a gente tem um impacto, de ver tudo quebrado. Mas foi assim que eu o vi pela primeira vez em 1949.

A Fifa sinalizou que os árbitros talvez possam recorrer a recursos eletrônicos na Copa de 2014 para tirar dúvidas durante o jogo. O senhor aprovaria essa medida?

Sou a favor desde que não se deturpe o que é certo e deixe o errado prevalecer. O exemplo mais claro da importância disso foi o episódio que levou a França a se classificar para o Mundial de 2010. Aquele lance em que o Henry pega a bola com a mão, ajeita e a França faz o gol da classificação é emblemático. A classificada tinha de ser a Irlanda. Se já tivesse a tecnologia ali, mudava tudo.

Qual o futuro do futebol, nas próximas décadas?

Não há uma maneira de evoluir mais. Todo mundo correndo onde está a bola, não querendo deixar o outro jogar. O futebol mundial chegou ao limite técnico. É uma correria só. Você diminui as condições para que se tenha grandes jogos. Os espaços estão muito congestionados, como o trânsito de São Paulo.

Por Cleber Aguiar – Juninho, sobre Mundial: ‘Se pudesse voltar no tempo, chutaria no gol

Fonte: O Globo

Com a simplicidade de ídolo que ainda hoje ajuda os funcionários do Vasco a carregar o material de treino e a maturidade adquirida aos 36 anos, 18 deles como profissional, Juninho Pernambucano reconhece erros do passado, frustrações da carreira, como não ter ganho um Mundial, mas sem lamentações. O meia olha para frente e tenta desvendar seu futuro no futebol: não sabe se no clube carioca ou no Lyon, da França. Por enquanto, quer aproveitar seus últimos momentos em campo.

Como é voltar mais ídolo do que antes?

Dá-se muito mais valor às conquistas um tempo depois. Nunca fui melhor do que Ramon, Donizete, Pedrinho, Carlos Germano e Luizão, por exemplo. Acontece que o Vasco entrou num período de dez anos de escassez de conquistas importantes, foi pra Segunda Divisão, depois de ser tão vitorioso. Ainda sou um daqueles jogadores em atividade, o reconhecimento aumentou por causa disso. Não posso nem me comparar a Edmundo e Romário, mas minha geração colaborou muito. E fiz um gol muito importante que ficou na memória.

Por causa desse gol contra o River Plate, na Libertadores de 98, a torcida fez uma música anos depois da sua saída. Como foi escutá-la pela primeira vez?

Fiquei sabendo através da minha filha Giovanna, que acompanha muito mais do que eu o Vasco. Quando ela falou, imaginei que tivesse sido coisa de um jogo, alguma rivalidade, por causa da volta do Adriano para o Flamengo. Não imaginava que fosse uma música que seria cantada em todos os jogos. Depois de ver que foi tudo isso, comecei a pensar que realmente tinha um carinho especial. Não imaginava que fosse tanto.

Seu pai passou o amor pelo Vasco. Você conseguiu fazer o mesmo com suas três filhas?

As escolhas são sempre feitas pelas crianças, lógico que a gente indica. Espero que as mais novas continuem como a Giovanna, que também nunca foi forçada. Mas ela participou do início, nasceu quando cheguei aqui, entrou algumas vezes comigo no campo. Numa reportagem de TV na final do Rio-SP de 98, ela cantou o hino e gostou. Quando ia para Recife e dizia que era Vasco, minha família insistia que ela tinha que torcer primeiro pelo Sport. Isso acabou instigando. Ela só torce pelo Vasco.

Como encontrou São Januário dez anos depois?

A parte negativa, desde que comecei a jogar futebol e que cheguei ao clube, é a falta de um centro de treinamento. O contato com o torcedor e com a imprensa é importante, mas um momento de reflexão, de solidão de um grupo dá muito mais resultado do que conviver nessa pressão diária. Senti falta disso. A grande diferença é que o Vasco tem muito mais profissionais qualificados em volta do time profissional, estrutura de trabalho bem melhor. O Vasco é um pouco atípico pelos últimos dez anos, com problemas políticos, econômicos e falta de resultados. Tudo isso influiu para que estacionasse, acabou perdendo credibilidade e grandes torcedores. Infelizmente, coincidiu com a falta de títulos. Às vezes, os títulos escondem um pouco.

Ao ir à Justiça para deixar o Vasco não temeu pela sua relação com a torcida?

Eu saí porque era um plano de vida. Independentemente do problema, eu queria sair, meu ciclo tinha se encerrado. Sonhava e achava que era capacitado para jogar na Europa, queria a Espanha na época. Talvez se fosse hoje, com salários melhores, contratos longos, acho que o jogador pode fazer carreira no Brasil, se inspirar num Rogério Ceni. Na minha época não se fazia isso porque pertencíamos ao clube a vida inteira. A solução foi entrar na Justiça do Trabalho, dez dias depois o mercado europeu fechou e fiquei preso. O destino me ajudou muito, apareceu um clube que não era a primeira opção, o Lyon, que conhecia muito pouco. A maioria dos torcedores entende essa saída. Não tenho rancor de ninguém.

Na final do Mundial de 2000, você teve a chance do gol do título, mas tocou para o Edmundo. Você se arrepende daquela decisão?

Se pudesse voltar no tempo, eu chutaria no gol. Não foi a decisão mais acertada, eu já estava na área, mas a vida não é feita só de glórias. Também tive momentos negativos. Para aprender, olho para trás. De repente nem estaria naquele Mundial, era para ter feito o gol do River e não aquele, que me marcaria mais. Reconheço que errei.

Por que não conseguiu se firmar na seleção?

A verdade é que nunca consegui me firmar na seleção como sempre fiz nos clubes. A única coisa que faltou na carreira foi ser campeão mundial pela seleção ou pelo Vasco. Fico feliz por ter participado de 35 jogos, feito alguns gols, por ter ganho a Copa das Confederações (2005). Com muitos jogadores aconteceu o mesmo. Outros campeões do mundo não marcaram a história do clube como eu. E muitos melhores do que eu também não foram campeões do mundo. Por ter marcado o Vasco e o Lyon, já sou muito feliz, sem nenhuma lamentação. Quem sabe ainda posso ser campeão do mundo de outra forma.

O que aconteceu para você decretar o fim de seu ciclo na seleção logo após a eliminação diante da França em 2006?

Eu achava que quando se perde uma Copa do Mundo, principalmente no Brasil, era natural que houvesse renovação. Achava que com 31 anos faria parte dessa mudança, seleção não tem que ter carreira cativa. Havia muita expectativa, o time era muito bom, mas não aconteceu. Perdemos num jogo difícil, 1 a 0, numa bola parada. Não jogamos tudo o que a gente podia jogar. Foi isso.

A decisão de ir para o Qatar foi pela questão financeira?

Não, pesou o desgaste do último ano no Lyon. Depois de sermos campeões sete anos seguidos, ficamos em terceiro naquele ano. Achava que havia se encerrado o ciclo, tinha campanha para o Lyon não ser mais campeão, porque estava reduzindo o futebol francês a um clube. Consequentemente foi um ano bem desgastante pra mim, por ser brasileiro, a cobrança aumentou. Aqui a imprensa reconhece o estrangeiro muito mais facilmente como Conca, Loco, Herrera. Lá fora é diferente, cada vez que ganha é mais cobrado. Não achava que era correto aquilo e restava um ano de contrato. Não estava mais curtindo a vida fora de campo. Tinha duas opções: ou voltava pro Brasil ou ia para um futebol menos competitivo, esse foi o acordo. Acabei decidindo pelo Qatar. O futebol lá não é tão fácil quanto se imagina, mas fui pra jogar futebol e ter mais qualidade de vida.

A cobrança de falta é sua marca registrada. Aquele quique que engana o goleiro é puramente treino?

Sempre fui batedor de falta desde a categoria de base, sempre gostei de praticar após os treinos. No Brasil, dividi com outros grandes batedores, logo a possibilidade de fazer gols diminui. O jogador brasileiro do jeito que é bom tecnicamente é natural que bata faltas bem. No Lyon não tinha nenhum, foi a grande oportunidade da minha vida. Fui evoluindo, treinando de mais longe, foi o melhor momento da minha carreira. Era o único, batia tudo. Dos 100 gols que fiz, 44 foram de falta. Quando fazia gol de falta, a gente nunca perdia, tinha essa coincidência. Lá, comecei a treinar essa bola que bate antes, que é mais distante. Às vezes, no campo molhado e gramado duro, sobe um pouco mais do que o goleiro imagina, foi treinando nessas variações que fui descobrindo outras formas. Espero evoluir mais.

Você reconhece que a sua volta foi melhor do que esperava. Já decidiu se encerra a carreira no Vasco no ano que vem?

Vou esperar. Começou tudo bem para mim, quero dar sequência. A situação na tabela é boa, vamos acreditar no nosso potencial e continuar lutando. Em dezembro, decido o que vou fazer. Vai depender de como vou terminar o ano e de como o Vasco vai terminar.

Por Cleber Aguiar – Anatel flagra o uso ilegal de bloqueador de celular em SP

Fonte: Folha de São Paulo
Agência autuou escritórios na av. Paulista, emissora de televisão e até empresário que instalou em casa

Autorização para usar o aparelho é restrita a presídios; emissora utilizava durante a transmissão de jogos

JULIO WIZIACK
DE SÃO PAULO

Quem nunca andou pela avenida Paulista e teve falhas no celular? Ou foi ao estádio de futebol e ficou sem sinal? Os clientes reclamam da qualidade do serviço nesses lugares, mas a culpa nem sempre é da operadora.
Investigação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) apontou que empresas, escritórios e até uma emissora de televisão usaram ilegalmente bloqueadores de celular na cidade.
No início de julho, fiscais da agência em São Paulo autuaram uma grande emissora de televisão, no estádio do Pacaembu, pelo uso ilegal de equipamentos que bloqueavam celulares em um raio de até 1,6 km do campo.
A emissora usava câmeras que transmitiam o jogo em HD (alta definição) na mesma faixa de frequência das antenas de celular.
Para ter estabilidade na transmissão, um dispositivo instalado nas câmeras impedia que celulares acessassem a antena da operadora mais próxima, que, assim, ficava a serviço da emissora.
A infração também foi verificada nos estádios da Portuguesa, na capital, e do Guarani e da Ponte Preta, em Campinas (SP). No Rio de Janeiro, esse tipo de equipamento também foi detectado.
A agência ainda não definiu o valor da multa.

SÓ NA CADEIA
Os bloqueadores de celulares só são autorizados em presídios. O que surpreendeu a Anatel é que, nos últimos quatro meses, esses aparelhos foram apreendidos em empresas e até residências.

As diligências ocorreram a partir de reclamações de “zonas cegas”. As falhas ocorreram na avenida Paulista, nas imediações do shopping Eldorado e Iguatemi, entre outros lugares onde a cobertura das teles é intensiva.
Os fiscais da agência foram então às ruas com equipamentos especiais para rastrear as interferências.
Dois escritórios de advocacia e uma corretora de valores foram autuados pelo uso de bloqueadores na avenida Paulista. Somadas, as multas foram de R$ 87 mil. Outra corretora foi autuada em R$ 37 mil, mas o caso ainda não foi julgado pela Anatel.
A Folha apurou que os equipamentos apreendidos entraram no país de forma clandestina e não tinham selo de homologação.
Os bloqueadores operam na mesma faixa de frequência das antenas de celular mas com um sinal muito mais potente. Por isso, “sufocam” os sinais das operadoras (e dos celulares) deixando os clientes sem serviço.
No processo aberto pela Anatel, as empresas infratoras disseram que usavam o bloqueador para impedir o vazamento de informações sigilosas via telefone.

Por Cleber Aguiar – PSG esbanja com milhões do Qatar

Fonte: Folha de São Paulo


FRANCÊS
Com Leonardo, clube se torna o mais gastador da Europa

O país-sede da Copa de 2022 conseguiu desviar para a França a rota das contratações milionárias, normalmente concentrada em Itália, Espanha e Inglaterra.
Após a venda de 70% de suas ações para o Qatar Sports Investments (QSI), fundo de investimento do governo qatariano, o Paris Saint-Germain se intrometeu entre os ricos e virou o clube mais gastador da Europa.
O time da capital levou para a França o goleiro da seleção italiana Salvatore Sirigu, o volante da Juventus Mohamed Sissoko e o meia-atacante Jérémy Ménez, da Roma.
Mas sua grande vitória foi bater o gigante Chelsea, que também possui um proprietário bilionário e disposto a gastar muito pelo argentino Javier Pastore, do Palermo.
O meia era um dos jogadores mais desejados do mercado europeu nesta temporada e acabou acertando com o PSG por € 42 milhões (R$ 93,6 milhões), segundo negócio mais caro da atual janela.
A transferência já foi confirmada por Pastore, mas não pelo clube. Há a possibilidade de ele ser apresentado durante o jogo de estreia no Francês, hoje, ante o Lorient.
Com a confirmação do negócio, o PSG será o recordista de gastos em toda a Europa nesta pré-temporada, com € 85 milhões (mais de 193 milhões). O valor representa mais de 52% do gasto dos times franceses com reforços.
Quem controla o projeto do clube, campeão nacional pela última vez em 1994, é o brasileiro Leonardo, que deixou de ser treinador da Inter de Milão para virar manager.
Ele tentou levar para Paris os meias Ganso e Lucas. Pelo menos por enquanto, os petrodólares que, segundo o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, “compraram a realização” do Mundial-2022, não foram suficientes para isso.
O PSG não é o único clube europeu recém-elevado de patamar pelas montanhas de dinheiro vindas do Qatar. O Málaga escapou do rebaixamento na temporada passada na Espanha após passar para as mãos do empresário Abdullah Al-Thani.
Na atual janela, gastou mais até do que os dois hegemônicos clubes do país, Barcelona e Real Madrid. Agora, quer fazer frente a eles também em campo. (RAFAEL REIS)

Por Allisson – Concurso Cultural ‘Encontro de ídolos’: Leve o seu pai para conhecer o Felipão

Fonte: Site Oficial do Palmeiras

O Site Oficial do Palmeiras chega com mais um concurso que vai agitar o seu Dia dos Pais. Você é capaz de tudo para dar um presente inesquecível para o seu maior ídolo? Então responda à pergunta: “O que eu faria para meu pai conhecer o Felipão e ganhar sua estatueta?”

ATENÇÃO: A frase deve conter no máximo 350 caracteres.

O autor da resposta mais criativa levará para casa uma estatueta exclusiva do técnico Luiz Felipe Scolari, e ainda, junto com o seu pai, poderá conhecer o treinador pessoalmente na Academia de Futebol.

Além disso, os vencedores podem optar em retirar o prêmio na Academia de Futebol ou por receber em casa. Para maiores informações, leia o regulamento do concurso.

Então não perca tempo e comece a pensar no que você faria para realizar este grande encontro que todo palmeirense já sonhou um dia. Assim como você, aposto que o seu pai ficaria muito feliz em conhecer o técnico que levou o Palmeiras ao topo da América em 1999 e o Brasil ao topo do mundo em 2002.

HUMOR ICFUT – Marketing Futebol Clube

Fonte: O Estado de São Paulo

Tutty Humor

Tutty Vasques – O Estado de S.Paulo

Depois de esculhambar a política, o marketing está fazendo o que pode para, com as invencionices próprias da atividade, transformar o futebol numa grande palhaçada. A ideia de contratar um jogador chinês para “alavancar” a marca Corinthians pela Ásia é ou não é tão inacreditável quanto a sacação de inscrever Pelé no time do Santos que deve enfrentar o Barcelona na final do Mundial de clubes? Parece brincadeira!

Como é que ninguém pensou nisso antes? É simples: só recentemente a ferramenta do marketing obteve no futebol o mesmo grau de importância a ela conferido no âmbito da política nas últimas duas décadas. Não faz muito tempo, alguém que sugerisse uma terceira camisa cor de marcador de texto para o Palmeiras, ou grená, para o Timão, tomava uma vaia, e segue o jogo!

Nem o tal Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing do Timão, parecia se levar a sério ao anunciar dia desses que está “trazendo um moleque” da seleção chinesa. “É ruim de bola, mas não faz mal”, explicou às gargalhadas. “A chinesada vai saber que tem um chinês jogando no Brasil, vai pagar os tubos para vê-lo atuar na TV, vai comprar a camisa do clube com o nome dele: Ling, Shing, Ling…” Simples assim!

No Santos, a ideia de jerico de querer escalar Pelé e Neymar no mesmo time é do próprio presidente do clube, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro. “É sério!” – garante. “Já imaginou o Pelé entrando no fim de um jogo para bater um pênalti?” O Rei já mandou lhe dizer “sem chances”, mas vá convencê-lo de seu delírio…

O marqueteiro é, antes de tudo, um sujeito que perde o senso de ridículo à medida que ganha poder no trabalho. Quando, enfim, é reconhecido como gênio da raça, aí – como diz o Chico Buarque (outro que, se dependesse do marketing, poderia estar jogando no Fluminense) – “larari, lairiri, laralá, lirili…” Já era, mano!

Por Cleber Aguiar – Moradores viram fiscais do Itaquerão

Fonte: O Estado de São Paulo

Entidades da zona leste prometem ficar de olho no dinheiro público que será investido no estádio e cobram obras para além da Copa

Marici Capitelli – O Estado de S.Paulo

O distrito de Itaquera, na zona leste de São Paulo, será o foco de investimentos do poder público para a Copa do Mundo na capital paulista. E a região terá fiscais para acompanhar tudo o que está sendo feito: moradores que integram a União das Entidades em Defesa de Itaquera. A região receberá R$ 478 milhões do Estado e Prefeitura para obras. O estádio, que vai custar cerca de R$ 820 milhões (metade com dinheiro público) terá cinco ou seis jogos do mundial que ainda serão definidos.

JB Neto/AE-4/8/2011
JB Neto/AE-4/8/2011
Na garagem. “Já peguei R$ 15 mil de empréstimo para ampliar meus negócios. Itaquera está no olho do furacão”, diz Silva

A União das Entidades em Defesa de Itaquera congrega 20 entidades como Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Câmara de Dirigentes Lojistas de Itaquera (CDLI), Fórum de Desenvolvimento da Zona Leste, além de profissionais liberais e outros moradores.

Para a jornalista Lídia Paniaga, vice-presidente da Associação Corinthians-Itaquera Comunidade e Família, o objetivo é não só acompanhar as obras públicas, como fiscalizar para que as ações governamentais não sejam apenas maquiagem em uma região que precisa de desenvolvimento efetivo.

“Vamos ficar atentos e articulados, porque não podemos permitir que sejam feitas ações só para maquiar a região, nos usem como vitrines e, depois da Copa, desmontem tudo e vão embora como se fosse um circo sem qualquer benefício efetivo para a região”, afirma a vice-presidente da associação. “A população tem de ser o foco desses projetos.”

O grupo já entregou ao ministro do Esporte, Orlando Silva, a proposta de um centro olímpico para funcionar nas imediações do estádio. As lideranças acreditam que essa é uma obra que beneficiará os jovens com a prática esportiva.

No papel. Com cerca de 600 mil habitantes distribuídos em 72 bairros, Itaquera tem, segundo as lideranças regionais, excesso de projetos que não se concretizam. Os moradores argumentam que algumas das obras atualmente previstas são projetos engavetados há anos.

“Hoje Itaquera está no foco do mundo. Temos de aproveitar para sermos ouvidos pelo poder público, porque atualmente não somos. Estamos esquecidos”, ressalta o advogado Roberto Manna, presidente da comissão de lojistas do distrito.

A Secretaria Especial de Articulação para a Copa do Mundo de 2014, da Prefeitura de São Paulo, informou que os movimentos sociais, as lideranças e as pastorais têm participado do processo de discussão. Segundo a pasta, algumas reuniões e fóruns foram feitos para que todos sejam ouvidos e esse sistema será mantido durante todo o processo das obras.

Primeira ação. Frutos dessa articulação, as lideranças vão ao Ministério Público amanhã pedir que o órgão apure irregularidades nas obras de revitalização do centro de Itaquera. Embora não conste do conjunto de melhorias propostas pelo Estado e a Prefeitura, esse é um empreendimento que os moradores consideram essencial para o bairro.

A união das entidades afirma que a revitalização se arrasta desde 2006 e sofreu alterações que descaracterizaram a proposta inicial. Entre essas mudanças está a extinção da Casa de Cultura. Esse espaço funcionaria dentro de uma casa de 1875 que pertenceu ao chefe da estação ferroviária. A ideia original era restaurar o espaço. “A informação que temos é que o espaço vai ser ocupado pela Polícia Militar. É uma memória que vai acabar sendo destruída”, alerta o arquiteto Fernando Luís Simas, um dos participantes da união das entidades de Itaquera.

Outra reclamação é que o projeto previa um complexo de gastronomia, com comida típica tanto dos migrantes nordestinos como das comunidades portuguesa, árabe, japonesa e italiana da região. Entretanto, esse item também foi retirado.

O arquiteto responsável pelo projeto, Luiz Cutait, vai acionar a construtora pelas alterações. “Isso é obra pública e não pode ser tratada dessa maneira.” A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) foi procurada pela reportagem para comentar as alterações no projeto, mas não respondeu.

Por Cleber Aguiar – Terroristas e hooligans vão ser vigiados de perto

Fonte: O Estado de São Paulo

Governo monta cadastro digital para identificar criminosos e cidades terão câmeras de identificação facial e biométrica

Vannildo Mendes – O Estado de S.Paulo

Ruas coalhadas de câmeras com dispositivo de identificação facial e biométrica e um cadastro digital, o primeiro montado no País sobre terroristas e torcidas violentas para ajudar a planejar a segurança dos grandes eventos que ocorrerão no Brasil a partir do próximo ano até a Olimpíada de 2016, passando pela Copa do Mundo de 2014.

O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, disse ao Estado que já começou a trocar informações com os governos de países com histórico de terrorismo e violência esportiva, como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, África do Sul, Holanda, Polônia e Argentina. Os bancos de dados com as informações armazenadas por esses países já começaram a chegar.

Cardozo criou nesta semana a Secretaria Extraordinária de Grandes Eventos com a missão exclusiva de articular as ações dos diversos organismos policiais brasileiros – federais e dos Estados. O Brasil tem a obrigação de garantir uma segurança eficiente a chefes de Estado, turistas, torcedores e delegações estrangeiras que circularão no País. Uma das paranoias é o risco de terrorismo, que o País não tem tradição de combater.

O megaesquema de segurança, segundo o ministro, será operado a partir de centros de comando e controle, estruturas com tecnologia de ponta para monitorar multidões em movimentos nas ruas, alimentadas por câmeras digitais. Haverá um centro nacional de comando, instalado em Brasília, com um backup no Rio de Janeiro, onde se realizará em 2012 a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), com a presença de mais de cem chefes de Estado, entre os quais, provavelmente, Barack Obama, presidente dos EUA.

Para o Mundial – e também para a Copa das Confederações em 2013 – serão montados adicionalmente 12 centros regionais de comando e controle, um em cada Estado-sede, além de 12 centros locais, instalados nas arenas dos jogos. Serão instalados de 30 a 40 centros móveis em aeronaves, helicópteros, viaturas e embarcações, de onde serão coordenadas e planejadas as ações de segurança dos megaeventos.

Eles receberão imagens online de tudo que se passa nas ruas e logradouros, enviadas por milhares de câmeras dotadas do Sistema OCR, do inglês Optical Character Recognition (Reconhecimento Óptico de Caracteres). A tecnologia permite identificar caracteres previamente armazenados num sistema. As informações captadas pelas câmeras são cruzadas com bancos de dados armazenados nas centrais.

As câmeras, com os dispositivos de identificação facial e biométrica, enviarão as imagens aos centros e vão emitir sinal de alerta às autoridades sempre que for identificada uma face humana ou placa de veículo suspeitas.

A primeira triagem da segurança começa na entrada de turistas no País. Muitos torcedores cadastrados como “valentões””, os típicos brigões e torcidas organizadas, serão impedidos de embarcar para o Brasil, ou expulsos, caso consigam entrar por descuido. Relatórios e dados de inteligência de polícias importantes do mundo, como o FBI (EUA) e a Scotland Yard (Inglaterra), já estão sendo enviados a0 País.

Os centros de comando ficarão fisicamente na Polícia Rodoviária Federal (o nacional) e nas secretarias de segurança dos estados (os regionais). Ao final, as instalações, com seus equipamentos de ponta e viaturas, ficarão como legado à segurança pública dos Estados que sediarem os eventos. O governo mandou também que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monte 13 centros operacionais próprios – um nacional e 12 regionais – para municiar a segurança dos eventos com dados estratégicos.

Para articular a cooperação com os países envolvidos nos eventos, será montado no Rio um Centro de Comando e Controle Internacional. Terão espaço nele representantes das forças de segurança dos países fronteiriços. Segundo Cardozo, isso é necessário para facilitar o encaminhamento rápido de ocorrências envolvendo estrangeiros e a troca de informações entre autoridades nacionais e estrangeiras.

Para ajudar na fiscalização de fronteira, serão adquiridos scanners. Os equipamentos ficarão à disposição da Receita e da Polícia Rodoviária Federal. A ideia é fechar o cerco não só sobre a entrada de mercadorias ilegais, mas sobretudo de drogas e armas. O esquema funcionará à semelhança do que existe na fronteira do México com os Estados Unidos. “Para que pudéssemos dar tratamento adequado a esses eventos dentro das suas especificidades, suas dimensões extraordinárias, é que se criou a secretaria””, justificou Cardozo.

Por Cleber Aguiar – Brasileiro Lazaroni é o novo técnico do Catar

Fonte: Diário do Comércio – SP

Escrito por Patrick Johnston/Reuters

Lazaroni, que já treinou o Qatari Sports Club, vai estrear no dia 2 de setembro.(Reprod)

DOHA (Catar) – O Catar anunciou ontem (7) a contratação do brasileiro Sebastião Lazaroni para dirigir a seleção local, no lugar do sérvio Milovan Rajevac, que passou cinco meses no cargo e saiu depois de levar o time à próxima fase das eliminatórias para a Copa de 2014. O Catar – que nunca disputou uma Copa, mas receberá o torneio em 2022 – se classificou para a fase seguinte apesar de perder por 2 x 1 para o Vietnã em Hanói. No jogo de ida, no Oriente Médio, os árabes haviam vencido a fraca equipe do Sudeste Asiático por 3 x 0.

Em nota na noite de ontem, a Associação de Futebol do Catar (QFA) disse que decidiu demitir Rajevac por causa da “forma bastante alarmante” como o time passou pelo “humilde” Vietnã.
O xeque Hamad bin Khalifa Al Thani, presidente da QFA, disse que o rompimento foi “de comum acordo”.
A primeira tarefa de Lazaroni, treinador da seleção brasileira na Copa de 1990 – quando o time foi eliminado pela Argentina nas oitavas de final -, será classificar o Catar para a quarta rodada da eliminatória asiática, o que significa ficar em primeiro ou segundo lugar no grupo E, que tem também Irã, Bahrein e Indonésia.
Lazaroni, que já treinou o Qatari Sports Club, vai estrear no dia 2 de setembro. Ele também já teve passagens como treinador em clubes de Brasil, Itália, Turquia, Japão, Portugal e Arábia Saudita.