ICFUT – Copa América 2011 – Semi-Finais Venezuela x Paraguai

Folha de São Paulo

Semifinal inédita une venezuelanos na desforra à fama de fregueses no futebol

 

FLÁVIA MARREIRO
DE CARACAS

Na terra do beisebol, das misses e das novelas, Eduardo Bautista, 18, bate no peito: “Acabou isso de nos humilharem, de acharem que são três pontos garantidos. A Venezuela se faz respeitar”.
Com o amigo Daniel Castillo, 14, Eduardo buscava comprar ontem, no centro de Caracas, uma camisa da seleção venezuelana, “La Vinotinto”, que faz campanha histórica e disputa hoje uma inédita semifinal da Copa América contra o Paraguai.
É a partida mais importante da história do futebol no país, que jamais esteve em uma Copa do Mundo e cujos jogadores falam do sonho de estar no Brasil em 2014.
O tom de desforra dos garotos está por todos os lados: nas declarações dos jogadores e do polêmico treinador César Farias, 38, o mais jovem do torneio, e também na imprensa local, nem sempre em paz com a equipe.
Ressoa a mágoa de ser freguês frequente da “casta mundialista”, as seleções que já disputaram a Copa do Mundo, mas especialmente as piadas chilenas antes do duelo de domingo, vencido pela “Vinotinto” (2 a 1).
Um anunciante da equipe do Chile fez um spot afirmando que os venezuelanos só entendiam de novela.
“Estamos orgulhosos de sermos venezuelanos e demonstramos que não sabemos somente fazer novelas”, rebateu o goleiro titular da equipe, Renny Vega.
“Ouço nossos rivais dizerem: “Perdemos porque não jogamos bem. E nós? Continuam nos menosprezando”, disse o técnico venezuelano.
O jornal esportivo “Meridiano” considerou a pressão e as duas bolas da trave do Chile, mas reconheceu o desempenho da seleção.
“Dizer que a Venezuela foi superior não seria honesto, mas afirmar que os criollos fizeram melhor as coisas e foram mais contundentes é totalmente legítimo”, afirmou.
“Saímos em caravana no domingo, foi uma festa”, declarou o estudante Eduardo, que mora nos arredores da Grande Caracas.
Num bairro nobre da capital, picapes fecharam vias principais para a festa, enquanto o convalescente presidente Hugo Chávez, em Cuba para fazer quimioterapia, comemorava pelo Twitter.
Para hoje, o governo Chávez anunciou telões em parques e praças da cidade.
O inusual clima de união e alegria compartilhada na Venezuela, onde até o corredor da F-1 Pastor Maldonado, com patrocínio oficial, divide chavistas e antichavistas, fez um site humorístico do país lançar: “Cansados de futebol e união, políticos exigem que Chávez volte a ser assunto”.

Fonte: O Estado de São Paulo

Farías tenta colocar Vinotinto na 1ª decisão

Paulo Galdieri – O Estado de S.Paulo

BUENOS AIRES

O famoso grito de “sí, se puede”, entoado geralmente pelas seleções sul-americanas com menor poder de fogo, por décadas não foi nem sequer sussurrado pelos venezuelanos. Mas desde que o técnico Cesar Farías assumiu o comando da Vinotinto, o coro que antes era só otimista está cada vez mais verdadeiro.

O treinador de apenas 38 anos – e que tem pinta e idade mais para ser um jogador veterano do que um comandante de uma seleção nacional – já é quem tem os melhores resultados com o time em toda a sua história.

Farías assumiu o cargo em 2007. Até hoje, foram 50 jogos sob seu comando. Nesse período, tornou-se o único que tem mais vitórias do que empates ou derrotas. Foram 18 triunfos e 16 derrotas. O aproveitamento do time com ele é de 46,6%.

Hoje, a 51.ª partida dele como treinador da Venezuela, é sem dúvida, a mais importante. Na semifinal contra o Paraguai, às 21h45, tentará levar a sua seleção pela primeira vez a uma final.

Para Farías, ser o artífice de uma façanha não é exatamente um problema, nem sequer é inédito. Foi com ele no banco que a Venezuela venceu o Brasil pela primeira vez, em um amistoso em 2009, em Boston, nos EUA.

O placar de 2 a 0 no time então dirigido por Dunga causou comoção no país – aquela também fora a primeira vez que os venezuelanos saíram de campo sem levar nenhum gol dos brasileiros.

Veja como foi o jogo na 1º fase entre as duas seleções !

No mesmo ano, ele foi o responsável por levar a Venezuela a disputar seu primeiro Mundial em qualquer categoria, o sub-20 disputado no Egito. De quebra, revelou o atacante Salomón Rondón, destaque desta edição da Copa América.

O treinador chegou ao comando da seleção principal com apenas cinco anos de carreira, que começou em 2002, como técnico do modesto Trujillanos.

A missão de Farías com a seleção era dar continuidade à revolução no futebol venezuelano, iniciada no começo do século 21, sob o comando do técnico argentino Luis Omar Pastoriza e que teve sequência nas mãos de Richard Páez.

A chegada da Venezuela à semifinal já é um feito histórico. Até esta edição, um 5.º lugar erasua melhor colocação – e, mesmo assim, com importância relativa, já que aquela edição, no Uruguai, teve seis participantes.

FICHA TÉCNICA
PARAGUAI X VENEZUELA

Local: Estádio Mundialista Mendoza, em Mendoza (Argentina)
Data: 20 de julho de 2011 (Quarta-feira)
Horário: 21h45 (de Brasília)
Árbitro: Francisco Chacón (México)
Assistentes: Leonel Leal (Costa Rica) e Humberto Clavijo (Colômbia)

PARAGUAI: Justo Villar; Ivan Píris, Darío Verón, Paulo Da Silva e Marecos; Vera, Christian Riveros, Victor Cáceres e Estigarribia; Lucas Barrios (Haedo Valdez) e Roque Santa Cruz
Técnico: Gerardo Martino

VENEZUELA: Renny Vega; Roberto Rosales, Perozo, Vizcarrondo e Gabriel Cichero; Franklin Lucena, Luis Seijas (Giacomo Di Giorgi), César González e Juan Arango; Maldonado e Nicolás Fedor
Técnico: César Farías

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