Por Cleber Aguiar – Entrevista de Robinho para Folha de São Paulo.

Fonte: Folha de São Paulo

ENTREVISTA ROBINHO

Pensarei em ser o melhor do mundo até o fim da carreira

MARTÍN FERNANDEZ
SÉRGIO RANGEL
ENVIADOS ESPECIAIS A LOS CARDALES

Robinho, 27, cresceu. Deixou de ser o garoto que chamava Ronaldo de “presidente” para virar “tio” de Neymar, Ganso e Lucas. À Folha o atacante conta que já sofreu com racismo na Argentina, garante que não vai ficar chateado se for para o banco da seleção e defende os gastos com a Copa-14.

Folha – Como é jogar a Copa América na Argentina?
Robinho – Vai ser difícil, como foram as outras. Agora eu sou mais velho, mais experiente, mas com a mesma vontade de ganhar. Aqui é diferente, a torcida argentina influencia bastante, é um ponto positivo para eles.

Você está num papel novo, não é mais o garoto.
Tio, né? É legal, o tempo passa, fiquei mais experiente, mais maduro na seleção por todas as fases que passei. Já fui muito criticado, muito elogiado, mas também não estou tão velho. Tenho 27, eles [Lucas, Neymar] têm 19. Mas dou conselhos a eles.

Neymar pediu a sua opinião sobre a possibilidade de ele ir jogar na Europa?
O que eu passo é para ele ficar atento, porque ele vai ser cada vez mais cobrado. Não é mais promessa, já é realidade. Na Europa, o futebol é diferente do Brasil, é mais de força. Mas não sei se ele vai sair agora ou depois.

Você finalmente achou seu lugar na Europa?
Estou muito feliz, fui campeão italiano na minha primeira temporada no Milan. Cheguei ao time que queria, estou jogando bem, fazendo gols. O time me dá moral.

Vai jogar bem aberto ou mais pelo meio?
O Mano quer que eu jogue aberto pela direita, com o Ney [Neymar] na esquerda. Com essa formação bastante ofensiva, os homens da frente têm que ajudar Lucas [Leiva] e Ramires na marcação.

É um sacrifício?
É um sacrifício que vale a pena. Para jogar dessa maneira ofensiva, todo mundo tem que ajudar a marcar.

Ficou chateado por perder o posto de capitão?
Não fiquei. O Lúcio merece, é campeão do mundo, mais velho do que eu, o Júlio César também. Não é a faixa que vai mudar meu modo de lidar com os companheiros.

Já sofreu algum caso de racismo na Europa?
Graças a Deus, nunca sofri isso, nunca tive problema em nenhum time em que já joguei, nem com torcida nem com adversário, nada.

E na Argentina?
Aqui já, mas não foi pessoal comigo, foi com os brasileiros em geral, chamam de “macaquito”, essas coisas. Fizeram coro num jogo que a gente perdeu [por 3 a 1, em 2004, pelas eliminatórias].

E se acontecer de novo?
Vou tentar esquecer, jogar futebol e responder na bola.

Como é jogar na mesma posição de jogadores tão jovens como Neymar e Lucas?
É difícil, são jogadores excelentes, já são realidade no Brasil, mas isso é bom para a seleção brasileira. Se eu me acomodar, sei que o Lucas pode tomar a minha posição.

Você aceitaria ter que ficar no banco da seleção?
Para mim, não tem problema. Se tiver que ficar no banco, vou respeitar a opinião do Mano e o jogador que entrar na minha posição. Se tiver que entrar um minutinho, vou dar a vida para jogar.

Você acha que vale a pena fazer a Copa no Brasil? Acho que vale, os países que fizeram a Copa melhoraram. O Brasil vai melhorar ruas, estádios, lugar para torcida. Espero que isso ocorra.

Sonha jogar em 2014? Sonho que estou jogando no meu país, com meu pai e minha mãe no Maracanã lotado. Já sonhei que estava na Copa, sempre sonho que estou fazendo gol de bicicleta.

Você ainda pensa em ser o melhor do mundo? Sim. Até o fim da carreira, pensarei em ser o melhor do mundo, campeão do mundo.

O Milan é o time ideal? É um time possível. Ideal é o Barcelona (risos). Mas meu contrato vai até 2014, e me vejo jogando lá até o fim. Espero que minha história no Milan seja grande, bonita.

O Milan quer mesmo contratar o Ganso? Querem muito, seria excelente poder jogar com ele lá.

Você tenta convencê-lo a ir? Não, a torcida do Santos ficaria chateada comigo. Queria pela qualidade, pelo companheiro, mas ele foi campeão agora, tem a chance de jogar o Mundial. Ele é quem sabe o momento de sair.

Como está sua disputa judicial com a Nike? Espero que quem esteja com a razão possa ganhar. Para processar alguém, só em último caso. Se eu tomei essa atitude, foi porque eles não quiseram acordo.

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