Por Cleber Aguiar – Danilo, da seleção, busca seu pai: “Talvez nem me reconheça”

Fonte: Portal IG

Meia, que estará na Copa América sub 15, sofre com a ausência de José, que se separou de sua mãe por causa do alcoolismo

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro

Foto: Arquivo pessoal

O jovem Danilo com sua mãe, Clarice

Danilo Barbosa da Silva se apresenta nesta terça-feira à seleção brasileira sub 15, que embarcará na quinta para a Copa América da categoria, na Venezuela, a ser disputada entre 17 e 26 de junho (o Brasil estreia no dia 18, contra a Colômbia). Ao contrário de muitos candidatos a astros com a camisa amarela, o meia do Vitória não sonha com a fama. Quer, é claro, ter uma condição melhor para ajudar a família, que vive em Simões Filho, cidade próxima a Salvador. Mas sente “um vazio”. Desde 2004, quando tinha 8 anos, não vê seu pai.

A amargura com a ausência de José Cândido da Silva chega a atrapalhar alguns treinos, especialmente em datas próximas ao Dia dos Pais. “Nem sei direito aonde ele está, bebia demais, era alcoólatra, aí acabou se separando da minha mãe (Clarice de Amorim Barbosa) e nunca mais o vi. Não batia na gente, mas bebia muito. Vi meu pai uma semana depois da separação e nunca mais”, contou Danilo, com voz tímida e claramente desconfortável com um assunto que o fere.

“Não é querer ficar famoso, queria meu pai, sinto falta. No Dia dos Pais, os colegas ligam para os seus pais… E parece que fica um vazio. Às vezes é ruim até para treinar. Fiquei mais chateado em 2009, já estava aqui no Vitória, na concentração. Era Dia dos Pais, fui para casa ficar com os meus irmãos. Não cheguei a chorar, mas fiquei triste com a situação”, lembrou o adolescente.

 

Foto: Arquivo pessoal

Danilo (esq.) na Granja Comary, com a sub 15

A descrença numa reaproximação através da fama no futebol é justificada. O pai de Danilo, segundo o jogador, nunca gostou do esporte e o proibia de praticar. Fora isso, reportagens por escrito pouco animam o atleta. Conta que José não sabe ler. “Ele nem sabe que eu jogo bola, nunca gostou de futebol, não deixava eu jogar. Agora não tem como proibir porque minha mãe tem mais autoridade, me criou. Talvez o meu pai nem me reconheça. Estava olhando as minhas fotos e mudei bastante”, disse o jovem.

Indagado sobre o que acha que mudaria em sua vida após reencontrar seu pai, Danilo não teve dúvida. “Acho que eu teria mais felicidade para jogar mais, com mais vontade. Fico preocupado porque ele está há muito tempo fora. Não sabe ler… Queria ajudar, passear com ele. Eu era muito pequeno quando ele foi embora, não tinha nem noção disso”, disse o meia da seleção.

A última pista que Danilo teve de seu pai foi em 2008. Enquanto treinava no Grêmio, no Rio Grande do Sul, onde ficou por um ano e meio, José ligou para casa e falou com seus irmãos. Na época, estava em uma cidade no sul da Bahia. “O pessoal aqui do Vitória sabe disso, mas lá na seleção não. Quando o meu pai ligou lá para casa soubemos que estava no interior da Bahia, em Camamu. Já pensei em ir atrás dele, falei até com o meu irmão de passar uns dias lá procurando. O meu sonho é o de quase todo jogador: poder ajudar a minha família. A primeira coisa que eu faria seria dar uma vida melhor a eles”, afirmou.

 

Pai de Danilo não o deixava jogar bola

Ao responder sobre quem é seu maior ídolo no futebol, Danilo não hesita: Hernanes, ex-São Paulo e atualmente na Lazio, da Itália. E ele treinou no clube do atleta que mais admira em uma trajetória curiosa. O baiano Allan Ribeiro gravou um vídeo seu jogando em um núcleo do Flamengo em Aracaju e logo surgiu um teste no São Paulo. Allan foi o mesmo que levou o jovem Maycon Santana ao Flamengo por causa de uma gravação publicada no Youtube, mas o garoto não vingou na Gávea.

“Um amigo dele o levou para me ver jogar em Simões Filho e aí fui para o núcleo do Flamengo. Ele fez um vídeo e aí apareceram essas chances”, contou. Apesar do teste no São Paulo, Danilo foi parar no Grêmio, de onde só saiu em 2009, para então defender seu clube atual, o Vitória da Bahia.

Morando em Salvador, o meia afirmou que é sua quarta convocação para a seleção. “Mas é a primeira competição agora na Copa América. As outras vezes foram só preparação, ficamos na Granja (Comary, em Teresópolis, região serrana do Rio)”. Ele poderá assinar o primeiro contrato profissional ao completar 16 anos, em fevereiro de 2012, e mostra gratidão à equipe baiana. A prioridade, porém, é clara: “Quero ficar no Vitória, estou feliz aqui, foi aonde surgiram as coisas boas da minha vida, mas se um dia vierem outras propostas a gente vê como fica. O meu sonho é o de quase todo jogador: poder ajudar a minha família”.

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