Por Edgar Santista – Cristiano Ronaldo fatura a segunda ‘Chuteira de Ouro’ de sua carreira

Uefa anuncia, oficialmente, vencedores do prêmio, que o gajo leva para casa repetindo o feito da temporada 2007-08 pelo Manchester United

Por GLOBOESPORTE.COM Madri

Cristiano Ronaldo gol Real Madrid (Foto: EFE)Cristiano Ronaldo fez história na atual temporada
vestindo a camisa do Real Madrid (Foto: EFE)

Pela segunda vez na carreira, Cristiano Ronaldo é o dono da “Chuteira de Ouro” do futebol europeu. Nesta segunda-feira, com todos os campeonatos nacionais já oficialmente encerrados, a Uefa anunciou os principais goleadores do Velho Continente na temporada. E como não poderia deixar de ser, o português, que quebrou o recorde de gols em uma única edição do Campeonato Espanhol, com 40 gols em 38 jogos, faturou o troféu, com 80 pontos.

Ele repete o feito da temporada 2007-2008, quando com bem menos gols, 31, vestindo a camisa do Manchester United, conquistou a chuteira pela primeira vez na carreira, com 62 pontos. Neste ano, ele deixou para trás Lionel Messi, que conquistou o prêmio no ano passado com 34 gols (68 pontos) e nesta temporada marcou 31 (62 pontos). Di Natale, do Udinese, e Mario Gomez, do Bayern de Munique, com 28 gols e 56 pontos, vieram logo atrás.

– A Chuteira de Ouro é um grande prêmio, porque é fruto do trabalho dos meus companheiros, da comissão técnica, de todos os funcionários e dos dirigentes do clube, além do apoio da torcida. Não é só minha, mas sim de todo o Real – disse, em entrevista ao jornal “Ás”.

A “Chuteira de Ouro” premia o jogador que marcou mais gols em seu campeonato nacional, tendo em vista um sistema de classificação que dá pontos aos atletas. A cada gol marcado em um dos cinco principais campeonatos do continente (Espanha, Itália, Alemanha, França e Inglaterra), o jogador marca dois pontos. Nos campeonatos austríaco, belga, búlgaro, croata,escocês, grego, holandês, israelense, norueguês, polonês, português, tcheco, sérvio, suíço, turco e ucrâniano, os gols valem 1,5 ponto. Nas outras ligas, um ponto por gol.

Alex, do Fenerbahçe, artilheiro e campeão turco, é o único brasuca da lista dos 12 melhores, na oitava posição, com 42 pontos. Curiosamente, o jogador poderia ter sido o terceiro colocado, empatado com Di Natale e Mario Gomez, pois marcou o mesmo número de gols que os dois (28). No entanto, por pontuar menos pelo fato de jogar na Turquia, ficou apenas no oitavo lugar.

Classificação final da Chuteira de Ouro:
1 Cristiano Ronaldo (Real Madrid CF) 40 x 2 = 80
2 Lionel Messi (FC Barcelona) 31 x 2 = 62
3 Antonio Di Natale (Udinese Calcio) 28 x 2 = 56
Mario Gomez (FC Bayern de Munique) 28 x 2 = 56
5 Edinson Cavani (SSC Napoli) 26 x 2 = 52
6 Papiss Cissé (SC Freiburg) 22 x 2 = 44
Moussa Sow (LOSC Lille Métropole) 22 x 2 = 44
8 Alex (Fenerbahçe SK) 28 x 1.5 = 42
Dimitar Berbatov (Manchester United FC) 21 x 2 = 42
Samuel Eto’o (FC Internazionale de Milão) 21 x 2 = 42
Kévin Gameiro (FC Lorient) 21 x 2 = 42
Carlos Tévez (Manchester City FC) 21 x 2 = 42

Por Edgar Santista – Udinese recusa oferta de R$79 mi por Sánchez: ‘Vale o mesmo que Messi’

Cobiçado por Barcelona, Manchester City e Inter de Milão, chileno é visto como peça fundamental e clube italiano não pensa negociá-lo por enquanto

Alexis Sanchez Udinese (Foto: Getty Images)Alexis Sanchez vale tanto quanto Messi para a
diretoria do Udinese (Foto: Getty Images)

Alexis Sánchez é o novo queridinho do futebol europeu. Em cada país, seu nome é especulado em um clube diferente. O chileno, destaque do Udinese na atual temporada, teria sondagens de clubes como Manchester City, Barcelona e Inter de Milão. No entanto, no que depender da equipe atual, ele não vai mudar de ares tão cedo. Para Giampaolo Pozzo, manda-chuva do time de Udine, o jogador “vale tanto quanto Messi” e não vai deixar o clube tão fácil na próxima janela de transferências.

De acordo com informações do jornal italiano “Gazzetta dello Sport”, Pozzo já teria, inclusive, recusado uma oferta de € 35 milhões (R$ 79 milhões) pelo jogador. O clube não foi revelado, mas ao que tudo indica, para Sánchez deixar o Udinese, o clube terá que lucrar bastante com o negócio.

– Para mim, Sánchez vale o mesmo que Messi, porque já recusamos uma oferta de 35 milhões por ele – contou o dirigente.

Com vaga garantida na próxima edição da Liga dos Campeões, o Udinese pretende montar um elenco forte para a temporada que vem e a permanência de Sánchez é vista como fundamental.

– Agora vamos montar uma equipe forte, que possa competir em grande nível. Não podemos contratar todos, mas sempre estamos em condições de fazer bons negócios e vamos buscar fazer um elenco homogêneo – completou.

Texto: Globoesporte.com

ICFUT – Gilberto Silva fecha com o Grêmio !

Fonte: Globo.com

Sonho antigo do Grêmio, Gilberto Silva é anunciado pelo Tricolor

Volante pentacampeão desembarca em Porto Alegre na próxima semana

Por GLOBOESPORTE.COM Porto Alegre

gilberto silva panathinaikos messi barcelona (Foto: agência Reuters)Gilberto Silva marca Messi em partida
do Panathinaikos (Foto: agência Reuters)

O Grêmio anunciou o volante Gilberto Silva, pentacampeão mundial em 2002 com a Seleção Brasileira, como seu mais novo reforço. O jogador de 34 anos estava no Panathinaikos, da Grécia, se apresenta na próxima semana para realizar exames médicos e assinar contrato de 18 meses. No sábado, a diretoria tricolor já havia anunciado a chegada do atacante argentino Miralles, do Colo Colo-CHI.

– Estamos muito felizes com essa contratação. Nosso compromisso é reforçar ainda mais o elenco para que o Grêmio faça uma grande campanha no Campeonato Brasileiro – disse o presidente Paulo Odone ao site oficial do clube.

Gilberto Silva já esteve nos planos do clube. Na abertura da janela de transferências do mercado europeu no ano passado, o jogador chegou a ser sondado pela diretoria tricolor. Mas o alto salário exigido pelo pentacampeão inviabilizou a contratação. Para o setor defensivo, o lateral-esquerdo Gilson e o zagueiro Vilson acabaram sendo os reforços na época.
O lateral-direito Gabriel, também garantido no clube depois da renovação de contrato, foi companheiro de Gilberto Silva no clube grego e só elogios ao reforço tricolor.

– Ele é um superprofissional, um cara positivo para o grupo e é um líder também. Não é à toa que jogou dez anos na Europa e na Seleção Brasileira, onde foi capitão inclusive.

Ficha técnica:

Nome: Gilberto Aparecido da Silva
Nascimento: 07/10/1976, em Lagoa da Prata (MG)
Altura e peso: 1,84m e 74kg
Clubes: América-MG, Atlético-MG, Arsenal-ING e Panathinaikos-GRE

Por Cleber Aguiar – Por ingressos, torcedores santistas chegam cedo ao Pacaembu

Fonte: Globo.com

No primeiro dia de venda para não sócios, torcedores fazem fila bem antes da abertura das bilheterias. O primeiro da fila chegou ao estádio às 5h

Por Diego Ribeiro São Paulo

fila de torcedores do Santos para jogo contra o Cerro (Foto: Diego Ribeiro / GLOBOESPORTE.COM)Fila de santistas para jogo contra o Cerro
(Foto: Diego Ribeiro / GLOBOESPORTE.COM)

A segunda-feira no Pacaembu promete ser movimentada pela torcida do Santos. Buscando ingressos para o duelo contra o Cerro Porteño-PAR, nesta quarta-feira, às 21h50m, pela semifinal da Taça Libertadores, os fanáticos pelo Peixe chegaram cedo às bilheterias no primeiro dia de venda para os não sócios. Muito antes da abertura dos guichês, às 9h, torcedores já buscavam espaço na fila.

O primeiro a chegar foi o gráfico Emerson Lima, que saiu de casa ainda de madrugada para assegurar um ingresso para a partida. Ele chegou ao Pacaembu por volta das 5h porque não queria gastar muito tempo na fila.

– Ainda estava tudo escuro. Saí de casa às 4h, peguei trem, ônibus… No jogo passado, contra o Once Caldas, cheguei tarde e acabei passando horas na fila – disse Emerson.

Alguns integrantes de uma organizada santista também mostravam animação e chegaram a ensaiar algumas músicas para passar o tempo. As vendas no estádio seguem até as 19h. Ainda há outros cinco postos de venda na capital paulista, além da Vila Belmiro e outros sete postos em Santos.

fila de torcedores do Santos para jogo contra o Cerro (Foto: Diego Ribeiro / GLOBOESPORTE.COM)Torcedores do Santos acordaram cedo para ir ao Pacaembu (Foto: Diego Ribeiro / GLOBOESPORTE.COM)

PREÇOS PARA NÃO SÓCIOS:

Tobogã: R$ 20 (meia R$ 10)
Arquibancadas (verde, amarela e lilás): R$ 50 (meia R$ 25)
Cadeira especial laranja: R$ 80 (meia R$ 40)
Cadeira descoberta manga: R$ 200,00 (meia R$ 100,00)
Cadeira coberta azul: R$ 250,00 (meia R$ 125,00)

Sócios que não garantirem suas entradas pelo site http://www.multiplicacaodospeixes.com.br não conseguirão entrar no estádio apenas apresentando sua carteirinha. A venda antecipada é necessária para que se evite o overbooking. O clube tem mais de 30 mil sócios.

ACESSO AO JOGO
O sócio que compra pelo site não precisa realizar troca por ingresso. A entrada é mediante a carteirinha de sócio, que, com a compra realizada, recebe uma “carga” para a partida. É importante e recomendável que, após a efetivação da compra pelo site, por segurança, o sócio imprima o comprovante de reserva de ingresso e leve ao jogo.

SÓCIOS PORTADORES DE CADEIRAS E CAMAROTES
Como acontece na Vila Belmiro, os sócios não precisam efetuar a compra antecipada dos ingressos pelo site e entram diretamente com a carteirinha de sócio, desde que estejam em dia com as mensalidades. Os associados donos de cadeira cativa ficam nas cadeiras cobertas azuis; os portadores de cadeira especial ficam nas cadeiras descobertas mangas. Os valores também são R$ 25.

UNIFORMIZADAS
Torcedores com qualquer uniforme de torcidas uniformizadas só terão acesso pelo portão 3 (arquibancadas amarelas).

PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS
Haverá 300 vagas para portadores de necessidades especiais. Os interessados em assistir ao jogo devem enviar um e-mail para arrecadacao@santosfc.com.br com nome completo, para reservar seu lugar. Esse e-mail será respondido com a confirmação da vaga e as informações sobre a retirada do ingresso. Apenas os 300 primeiros torcedores a enviar o e-mail garantirão a vaga.

O acesso será pelo portão 13 (cadeira especial laranja). O atendimento gratuito é apenas para os portadores de necessidades especiais. Seus acompanhantes devem obrigatoriamente ter o ingresso do setor cadeira especial laranja para entrar no estádio.

Postos de venda de São Paulo

– Ginásio do Ibirapuera: Rua Manuel da Nóbrega, nº 1361 – Ibirapuera – São Paulo – domingo, das 13h às 17h, e a partir de segunda, das 9h às 17h
– Estádio Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu): Praça Charles Miller s/nº – São Paulo – domingo, das 13h às 17h, e a partir de segunda, das 9h às 17h
– Estádio Bruno José Daniel: Rua 24 de Maio, s/n – Santo André – domingo, das 13h às 17h, e a partir de segunda, das 9h às 17h
– Estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte (Canindé): R Comendador Nestor Pereira, 33 – São Paulo – domingo, das 13h às 17h, e a partir de segunda, das 9h às 17h
– Ginásio de Esportes José Corrêa, Barueri (Bilheteria A): Av. Guilherme P. Guglielmo, 100 – Barueri – a partir de segunda, das 9h às 17h
– Estádio Anacleto Campanella, São Caetano do Sul: Av. Walter Thomé, 64 – São Caetano do Sul – a partir de segunda, das 9h às 17h

Postos de venda em Santos

– Alexi Calçados – Av. Ana Costa, 549 (Shopping Parque Balneário , 51, Térreo) – Tel: 3284-5518. Aberto de segunda a sábado, das 10 às 21h
– Ali-Car Auto Peças e Serviços de Mecânica e Elétrica – Via Santos Dumont, nº 752 – Vicente de Carvalho – Guarujá – Tel.: (13) 3352-5077– Aberto todos os dias 24 horas;
– Chaveiro Magenta – Rua Martin Afonso, nº 34 – Centro – Santos – Tel.: (13) 3233-6688– Aberto de segunda a sexta, das 8 às 18 horas
– Empório Brasil Esportes – Rua Jacob Emmerick, nº 448 – Centro – São Vicente – Tel.: (13) 3467-5298– Aberto de segunda a sábado, das 9 às 19 horas;
– Hotel Praiano – Avenida Barão de Penedo, nº 39 – José Menino – Santos – Tel.: (13) 3251-6826 – Aberto todos os dias 24 horas;
– Pepino Esportes do Super Centro Boqueirão – Rua Oswaldo Cruz – loja 66/95 – Santos – Tel.: 3233-8850 – Aberto de segunda a sábado, das 9 às 20 horas;
– Santos Mania do canal 3 – Avenida Washington Luiz, nº 446 – Gonzaga – Santos – Tel.: (13) 3234-3310 – Aberta de segunda a sexta-feira, das 10 às 20 horas.

Por Cleber Aguiar – Valdivia tem direito a comissão pela própria negociação

Fonte: O Estado de São Paulo

Empresa controlada por seu pai pode receber R$ 1,8 mi do Palmeiras, que direcionou 27% do negócio a intermediários

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Wagner Vilaron – O Estado de S.Paulo

O fato de não render em campo o que se espera dele e de ser figura frequente nas baladas paulistanas, como revelou o próprio presidente do Palmeiras, Arnaldo Tirone, em entrevista ao Estado, não são os únicos problemas que incomodam a direção alviverde em relação ao chileno Valdivia.

A contratação do meia-atacante está cercada de episódios mal explicados que serão analisados pelo Conselho de Orientação e Fiscalização (COF).

Mas dois detalhes chamam especial atenção: pelo menos quatro empresas receberam comissão pela negociação. E uma delas é controlada pelo pai do atleta.

O chileno acertou sua volta ao Palestra Itália em julho do ano passado. Para tirá-lo do Al-Ain, do Catar, o Palmeiras, depois de várias tentativas do então presidente Luiz Gonzaga Belluzzo, se comprometeu a pagar na época 6,25 milhões (R$ 14,3 milhões).

O valor foi considerado alto até mesmo por correligionários de Belluzzo, mas o dirigente decidiu assumir a contratação e conduzi-la praticamente sozinho.

“Confesso que não acompanhei esse processo. Sabia por alto, pois ele foi conduzido diretamente pelo presidente, que sonhava em trazer o jogador”, lembrou o ex-vice presidente de futebol, Gilberto Cipullo. “Mas reconheço que foi estranho, pois fugiu um pouco da praxe vista em negociações desse tipo.”

Naquele momento, a possibilidade de reunir no mesmo time todos os ídolos recentes do clube – o atacante Kleber, o goleiro Marcos e o emia Valdivia, todos sob a batuta de Luiz Felipe Scolari – fez com que não se prestasse atenção no modelo do negócio.

No início deste ano, quando a nova diretoria assumiu e deu início a um levantamento para saber a quantas andava a situação do departamento de futebol, percebeu que pelo menos quatro empresas receberam comissão pela negociação de Valdivia: RB Negociações Esportivas S/C Ltda., Galáxia Soccer Assessoria Desportiva Ltda., RBZ Consultoria Desportiva e Valdivia Sports.

No caso dessa última, a razão social com o nome do atleta despertou suspeitas. Mas havia outro indício: além de Valdivia, seu pai, Luis Valdivia Duran, também assina o documento.

Porcentual incomum. A estranheza, porém, não para por aí. Considerados os valores recebidos apenas por essas quatro empresas, chega-se a R$ 3,88 milhões pagos aos intermediários, o que representa 27% do total da negociação – a média de comissão praticada pelo mercado em transferências é de 10%.

“Estamos falando de um valor quase três vezes maior do que o praticado”, observou o ex-presidente e conselheiro do clube Mustafá Contursi.

A divisão dos pagamentos também é curiosa. O maior valor foi pago à empresa de Valdivia (R$ 1,84 milhão; salário e luvas foram negociados à parte), seguida por RB (R$ 1,39 milhão), RBZ (R$ 506 mil) e Galáxia (R$ 146.638,50). “No mercado, o costume é que a parte responsável pelo pagamento de comissões é a que vende. Basta ver quando compramos um imóvel”, observou Contursi. “Só que nesse caso, o Palmeiras banca esse dinheiro.”

Ajuda bem-vinda. Questionado pelo Estado a respeito do modelo adotado na transferência de Valdivia, Belluzzo afirmou que todas as partes remuneradas exerceram papel importante para concretizar o negócio.

“Negociar com aquele pessoal do Catar não é fácil. É preciso ter gente ajudando em várias frentes”, explicou. Mas para que pagar comissão ao próprio atleta, por meio de uma empresa controlada por seu pai? “O pai do Valdivia nos ajudou muito nessa missão. Nos deu várias diretrizes de como proceder para fechar o negócio.”

Clube tem de arrumar R$ 18 mi até agosto, para pagar o Mago

Wagner Vilaron – O Estado de S.Paulo

Modelo de negócio, valores envolvidos e porcentuais de comissão não são os únicos aspectos da contratação de Valdivia que despertaram preocupação no Palestra Itália. Para contratar o chileno, o clube contou com pelo menos dois auxílios financeiros. O primeiro deles foi do empresário Osorio Henrique Furlan Junior que, segundo o contrato, investiu 2,2 milhões (R$ 5 milhões) para ficar com 36% dos direitos econômicos do meia-atacante. Conselheiros estimam que a Sociedade dos Eternos Palestrinos, grupo formado por sócios, aplicou montante menor, de R$ 1,8 milhão no negócio.

Por Valdivia, o Palmeiras conseguiu uma carta de crédito junto ao Banco Banif em 2010 e agora tem de acertar sua dívida até 15 de agosto. “Temos de arrumar R$ 18 milhões (já contando os impostos) para pagar o Valdivia”, disse o presidente Arnaldo Tirone. “Não foi um bom negócio.”

Mais uma vez, o ex-presidente Mustafá Contursi contesta a negociação. “Ora, se houve dois aportes de dinheiro para auxiliar na compra do atleta, como o clube pode estar devendo o valor integral? Onde foram parar esses R$ 7 milhões que representam quase a metade do valor total pago?”, questionou.

Luiz Gonzaga Belluzzo, responsável pela contratação de Valdivia, já avisou que o dinheiro colocado por Furlan e os Eternos Palestrinos foi usado para pagar outras dívidas em 2010.

Integrantes do Conselho de Orientação e Fiscalização do Palmeiras dizem que nenhum centavo do negócio foi quitado até aqui. Nem mesmo as comissões para o pai de Valdivia.

Por Cleber Aguiar – Obras da Copa desalojam 65 mil pessoas no País

Fonte: O Estado de São Paulo

“Muitos vão sorrir, mas alguns vão chorar.” O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, recorre a esta frase sempre que fala sobre o impacto que a arena do clube terá para Itaquera, na zona leste de São Paulo. O riso virá das oportunidades que o estádio paulistano da Copa de 2014 proporcionará a quem vive na região. O choro fica por conta do “preço a pagar pelo desenvolvimento??. Nessa situação estão pelo menos 5.200 pessoas, ameaçadas de despejo para obras no entorno do estádio. É um risco que aflige outras 60 mil pessoas em várias sedes do Mundial, Em São Paulo, moradores de duas comunidades próximas da Arena do Corinthians, as favelas da Paz e da Fatec (também conhecida por Agreste de Itabaiana), estão apreensivas. Temem que o futuro seja ainda pior que o presente.

Na Favela da Paz, a menos 500 metros da futura arena, reclamam da falta de diálogo do poder público. “Estou aqui há 16 anos, já perdi dois barracos em incêndios e ninguém me ajudou a reconstruir??, diz Diana do Nascimento, mãe de 4 filhos e que os vizinhos garantem ser a mais antiga moradora do local. “Agora que vai ter Copa, chegam aqui e dizem que temos de sair. Falam que é por causa do córrego (Rio Verde), mas não para onde vamos.??

A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente confirmou, em nota, que há várias obras previstas na segunda fase das obras do Parque Linear Rio Verde (que o governo admite fazer parte dos projetos da Copa) e que “a área está em fase de desapropriação, pois contava com moradias na área de preservação permanente??. A nota não esclarece se será oferecido algum tipo de benefício aos atuais moradores. A Secretaria Municipal de Habitação diz só realizar realocação de famílias nas áreas em que fará obras de urbanização. Na Favela da Paz, a execução dos projetos está prevista para o período entre 2013 e 2017.

Distante cerca de 3 km do Itaquerão, a Favela da Fatec (na avenida Águia de Haia, em frente ao terminal AE Carvalho), já teve 82 das cerca de 800 famílias removidas – as que ficam à beira do córrego. A retirada de outras 52 está sendo preparada. “A avenida pode servir de passagem para quem vai para o estádio. Acho que fica feio para quem vem do estrangeiro ver uma favela no caminho??, diz a doméstica Andrea Cristina Gonçalves. “Eles pagam R$ 4,3 mil para a família e ela tem se virar para arrumar lugar para morar. Esse dinheiro dá para quê? E não falam em dar um terreno para a gente, em colocar em apartamento da CDHU??, critica.

A CDHU explica que as famílias foram retiradas a pedido da Prefeitura porque estavam em área de risco e não por causa da Copa, mas diz que, além dos R$ 4,3 mil dados a elas, foi firmado compromisso de “futuro atendimento habitacional definitivo??. A Secretaria do Verde informa apenas que o Parque Linear Ponte Rasa está em fase de estudos.

Sair do local onde moram e receber indenização baixa é drama que se repete em outras cidades, como Belo Horizonte e Cuiabá.

Barraco no chão, Ana foi para o outro lado do córrego

Almir Leite – O Estado de S.Paulo

Quando chegou à Comunidade Fatec, 32 anos atrás, Anazira Souza Tavares viu no lugar muitas semelhanças com a pequena Anhumas, cidade a 560 km da capital onde nasceu. “Aqui era uma chácara, do japonês. Tinha plantação e criação. Ele plantava de tudo, mas também tinha muito mato””, recorda ao falar do terreno que tem um dos acessos pela Avenida Águia de Haia, bem em frente ao terminal de ônibus AE Carvalho.

Sem pensar duas vezes, Ana, como é conhecida na região, se “estabeleceu””. Pouco depois, o “japonês”” – de quem não lembra nem o nome – foi embora (talvez porque ocupasse irregularmente um terreno público) e a comunidade começou a crescer. Hoje, 800 famílias, de acordo com cálculos dos moradores, estão no local.

Trabalhando como empregada doméstica, copeira, auxiliar de limpeza, Ana também cresceu e expandiu o patrimônio. Seu barraco, às margens do córrego, tinha quarto, sala, cozinha e um bom quintal, onde ficavam seus cachorros (atualmente são nove) e dezenas de galinhas. “Gosto de criação””, justifica.

Até que um dia, meses atrás, chegaram avisando que tudo iria para o chão, por conta da construção de um Parque Linear e das obras da Copa. “O que eu mais me admirei é que chegaram de supetão e na segunda reunião já desapropriaram””, conta Ana.

À beira do córrego, a casa de Ana foi um das primeiras a ir para o chão. Restou a ele pegar suas coisas – móveis, duas geladeiras, fogão, um freezer bem surrado e a máquina de lavar, o seu xodó -, atravessar a pinguela com cuidado e espalhá-los pelos cubículos onde vivem alguns de seus filhos, do outro lado do córrego. “Mas minha cômoda ficou lá, no meio do terreno (protegida por uma capa de plástico).”” Ela diz ter recebido os R$ 4.300 pagos pela desocupação do lugar, mas não pensa em sair. “Vou para onde? Estou velha (73 anos), doente do coração e sempre cuidei de mim. Agora, o que vou fazer?””.

Sem aposentadoria, Ana atualmente se cuida colhendo material para reciclar pelas ruas do bairro. Às vezes, tem ajuda do filho Anderson, de 33 anos. Com a reciclagem, ganha R$ 250 nos meses bons. “Não dá para nada”””, diz o óbvio.

Ainda mais para quem tem pendurada na geladeira conta de água de R$ 61,55 atrasada para pagar. A conta é dos barracos de seus filhos. Do outro lado do córrego, todos têm endereço registrado. Alguns pagam água e luz. Outros dão o conhecido jeitinho.

Aos 83 anos, JOSELINA teme perder a casa para um trem

Fátima Lessa – O Estado de S.Paulo

Desde que ouviu falar que sua casa corre risco de desapropriação para “passar um trem””, Joselina Maria de Siqueira entrou em depressão. Compreensível. Viveu todos os seus 83 anos na residência da Rua Bandeirante, no centro histórico de Cuiabá. Agora, por causa da Copa, pode ter de sair, para dar lugar ao Bus Rapid Transit (BRT) ou ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

O governo do Mato Grosso ainda não decidiu que tipo de transporte vai implantar, mas já calculou serem necessárias 1,2 mil desapropriações, para esta e outras obras. E uma das principais é o tal “trem””, como define dona Joselina, que vai passar pela avenida da Prainha.

Nos últimos tempos, ela tem passado boa parte do dia na porta de casa, olhando para a Igreja de São Benedito. E rezando. “Não deixe que eles mexam comigo””, costuma pedir ao santo. O progresso já levou um pedaço da centenária casa de Joselina, quando a avenida foi construída. “Quase metade da casa foi engolida””, diz, recordando-se também do quintal cheio de árvores frutíferas.

A boa notícia é que a casa pode ser “salva””, por ficar na esquina da avenida com a Rua Bandeirante, essa tombada pelo patrimônio histórico. O Iphan vai lutar contra sua demolição. ” Até porque é tombada””, disse o superintendente do órgão, Cláudio Conte. Parece que São Benedito vai atender às preces de dona Joselina.

ONU critica a falta de diálogo e transparência

Relatora para o direito à moradia do órgão diz que remoções são tratadas com descaso, o que pode afetar imagem do Brasil

Almir Leite – O Estado de S.Paulo

Falta de transparência, de diálogo e de negociações justas. Esses são alguns dos problemas que estão ocorrendo nos processos de desapropriações e remoções de pessoas por conta das obras para a Copa do Mundo de 2014 em várias cidades do Brasil. A avaliação é da relatora especial para o direito à moradia da ONU, Raquel Rolnik. No fim de abril, ela divulgou relatório sobre violações nessa área em que demonstrava preocupação com a maneira como o tema vem sendo tratado.

“Percebo certa negligência, em função da preocupação em realizar as obras rapidamente””, disse Raquel ao Estado. “É possível fazer (as obras) com agilidade, mas também com respeito e responsabilidade, nos três níveis de governo.””

A relatora lembra que o Brasil é defensor dos direitos humanos e enfatiza: “Os olhos do mundo estão voltados para o Brasil não apenas para ver se o País é capaz de organizar uma grande Copa, mas também pela maneira como fará isso””.

No entanto, ela deixa transparecer ceticismo sobre a atitude a ser tomada pelos governantes. Diz que, após a divulgação de seu relatório, recebeu apenas duas manifestações, com visões completamente opostas. “Recebi um telefonema da Maria do Rosário (Nunes, ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos), que me falou da criação de um grupo de trabalho para acompanhar o tema, o impacto das obras””, conta. “Mas não recebi carta-resposta formal do governo.””

Carta formal Raquel diz ter recebido do prefeito de Porto Alegre, José Fortunattti (PDT). “Ele disse estranhar as declarações (do relatório) porque em Porto Alegre as remoções e os remanejamentos estão inteiramente de acordo com as diretrizes dos preceitos do direito à moradia.””

A relatora lembra existir procedimentos legais em âmbito internacional, referendados pelo Brasil, a serem cumpridos em casos de desapropriações. “Qualquer remoção ou despejo deve assegurar outra área para moradia, de preferência o mais perto possível do local anterior. Ou então uma compensação financeira efetiva.””

Urbanista formada pela Universidade de São Paulo (USP), Raquel Rolnik garante que o fato de ser brasileira não interfere em seu trabalho. “É acaso. No meu trabalho, faço relatório de vários países””, diz.

Revolta com valor da indenização une ameaçados

Reclamação comum é que dinheiro a ser pago pela desapropriação é insuficiente para manter ‘nível alcançado’

Angela Lacerda, Anna Ruth Dantas, Carmen Pompeu e Elder Ogliari – O Estado de S.Paulo

Em Porto Alegre, cerca de 4,5 mil famílias, ou 15,3 mil pessoas segundo estimativa da própria prefeitura, podem ter de mudar de endereço por conta das obras de mobilidade de ampliação do aeroporto Salgado Filho, necessárias para a Copa do Mundo. Indenizações, aluguel social ou bônus-moradia de R$ 45 mil são opções oferecidas pelo poder público. Mas há insatisfações.

Os temores daqueles que correm risco são vários, entre serem deslocados para bem longe do local que habitam atualmente. “Dos 20 terrenos que prospectamos (para recolocar famílias), 17 ficam no mesmo bairro””, tenta tranquilizar o diretor-geral do Departamento Municipal de Habitação, Humberto Goulart.

Preocupação que a prefeitura de Natal não demonstra ter com os proprietários de 600 imóveis que, segundo estimativas, serão removidos para as obras de mobilidade urbana. “Vamos desapropriar. Não há programa de relocação das famílias. Essas pessoas receberão o dinheiro referente à desapropriação””, avisou o secretário municipal de Obras Públicas, Dâmocles Trinta. Foram reservados R$ 25 milhões para indenizações.

A incerteza também predomina em Fortaleza, onde ao menos 14 mil pessoas correm risco. E um dos motivos principais é o mesmo de outras cidades: o valor a receber. “Que desapropriem eu concordo, mas que ofereçam o preço justo””, pede Carlos Roberto do Nascimento, dono de uma pizzaria, preocupado porque a outros comerciantes o valor ofertado foi considerado “irrisório””. O governo se defende, argumentando que os cálculos são feitos com base em critérios técnicos.

A única cidade em que parece não ter ocorrido grande desgaste com desapropriações foi São Lourenço da Mata, vizinha ao Recife. Lá quase todos os 1,4 mil desapropriados concordaram com as indenizações, cujos valores variaram de R$ 2,6 mil a R$ 1 milhão (pagos a uma instituição religiosa), efetuadas para que possa ser erguida a Arena Pernambuco e a cidade da Copa.

Por Cleber Aguiar – ENTREVISTA – Falcão: ‘Quero provar que tenho condições de triunfar’

Fonte: O Estado de São Paulo

Técnico do Internacional quer provar que tem condições de colecionar título

ELDER OGLIARI – O Estado de S.Paulo

PORTO ALEGRE – Uma das grandes novidades do Campeonato Brasileiro deste ano estará no banco do Internacional. Profissional bem-sucedido como jogador e comentarista esportivo, Paulo Roberto Falcão, 57 anos, volta ao torneio que conquistou três vezes como atleta. Agora técnico, após 14 anos analisando jogos de futebol na Rede Globo, quer provar para ele mesmo que tem condições de colecionar títulos como na época em que desfilava talento com a equipe gaúcha. Já ganhou o primeiro, o Estadual, no domingo passado.

Jefferson Bernardes/Divulgação
Jefferson Bernardes/Divulgação
Falcão é fã da Holanda da Copa do Mundo de 1974

Jogador consagrado, comentarista reconhecido, homem bem-sucedido nas duas profissões. Vale a pena trocar tudo isso pelas turbulências da vida de técnico?
Na televisão eu tinha uma responsabilidade enorme, mas era menos vidraça. Agora voltei porque acho que tinha que passar por isso de novo. Eu já tinha começado esse trabalho, estava me faltando, eu queria ver, voltar para ter condições de saber esse potencial. É claro que é um risco, mas quando eu assumi eu não pensei em correr um risco, eu pensei em conseguir ter sucesso nessa profissão de treinador, que era uma coisa que eu deveria ter vivido. Estou vivendo com esse objetivo, eu quero talvez comprovar para mim mesmo que tenho condições.

Depois de passar 14 anos como comentarista, o senhor volta ao vestiário. Dá para notar diferenças no relacionamento entre técnicos, jogadores e dirigentes por conta da presença do empresário no futebol?
Ainda não notei isso. O que eu noto é que o Internacional hoje é um clube diferente, completamente organizado. O vestiário, de um modo geral, não mudou muito. O jogador está um pouco diferente, argumenta mais e eu gosto disso. Porque quando há conversa, você também vai argumentar e se o seu argumento tiver justificativa, ele (o jogador) vai para o campo fazer (o que for combinado).

É um projeto de longo prazo? Inclui uma volta à seleção no futuro?
Meu objetivo é ficar muito tempo treinando o Internacional e ganhando títulos. Não todos, porque não dá para ganhar todos, mas ter um trabalho que me possibilite ficar bastante tempo. No Brasil isso é um grande desafio. Seleção eu não penso, penso em continuar aqui no Internacional.

O senhor fala muito em compactar o time. O que é isso, exatamente?
Antes de qualquer esquema, é importante que os jogadores estejam próximos um do outro, tanto quando o time estiver atacando como quando estiver defendendo. Minha ideia é ter uma distância entre meu centroavante e meu zagueiro de no máximo 30 metros.

Eu chamo isso de compactação.

Mas isso não dá muito espaço às costas da defesa, para atacantes adversários velozes?
Depende muito da primeira linha de marcação. Você não pode deixar o jogador com a bola no pé ter visão de jogo. O ideal é que os dois ou três atacantes façam a primeira marcação, que atrás deles estejam dois, três ou quatro jogadores de meio-campo. Isso requer muito treino.

Alguém já consegue fazer isso?
A Holanda faz isso muito bem, o Milan do (Arrigo) Sacchi fazia. O futebol inglês compacta muito. Você olha o futebol inglês e vê que tem duas linhas de quatro lá na frente. Por isso é que às vezes os times ingleses usam só um volante de contenção e outros três que tenham condições de chegar, porque eles estão muito perto um do outro. Mas o meu xodó de marcação por pressão é a seleção holandesa. E quem faz isso muito bem é o Barcelona, até porque tem uma história holandesa, construiu um esquema tático pensado em 30 anos, passou pelo Rinus Michels, pelo (Johan) Cruijff, pelo (Frank) Rijkaard, vem vindo nessa cultura. Acho que o Barcelona tem isso. Mesmo com três atacantes, aperta muito o adversário.

O senhor está iniciando isso no Brasil, com o Internacional?
Não sei. Acho que o Internacional em 1974 e 1975, quando o (Rubens) Minelli era treinador, fazia marcação individual. Mas era homem a homem, é um pouco diferente.

A Holanda de 1974 parece ser sempre a sua referência…
Aquele time encantou o mundo. Eu gosto de time que aperta o adversário e se impõe. Mas o que digo que gosto não significa que vá conseguir, porque entre o que se pretende e o que se consegue há diferenças que não são fáceis de superar. O objetivo é criar um time que se impõe independentemente de jogar em casa ou fora de casa.

Há uma expectativa quanto ao desempenho do Internacional no campeonato brasileiro, até pela sua presença e pelas suas idéias. Como será o seu time no campeonato nacional?
Desde que entrei (dia 11 de abril) ficamos jogando decisão em cima de decisão, duas vezes por semana. Agora teremos um pouco mais de tempo para organizar alguma coisa que possa ficar automatizada no jogador, organizar um time para todo o campeonato e não só visando o jogo de domingo.

Em vez de montar para uma emergência, montar um time com a sua personalidade?
Não é mais pronto-socorro, né.

O senhor considera que o time tem boas chances? É um dos favoritos?
Não colocaria favorito. E nem acho que tenha que ser apontado como favorito. Mas o Internacional tem história nessa competição e é muito respeitado. Temos que fazer isso valer dentro do campo. E tenho expectativa de fazer um bom brasileiro, sim.

Quem são os favoritos?
Baseado pelos jogos que vi recentemente não dá para não apontar o Cruzeiro, o Flamengo, o Fluminense, o São Paulo, o Santos, o Coritiba, o Grêmio, que sempre faz boas competições, e certamente ainda estou esquecendo alguns.

Quais são os grandes jogadores do futebol atual?
No Brasil, Neymar e Ganso. No mundo, o Messi.

Seu estilo à beira do campo não obedece o do treinador que gesticula, esbraveja, briga com o juiz…
Isso não é novo. Tem outros treinadores que são assim, como o (Carlos Alberto) Parreira, o Paulo Autuori. Em nenhum momento tive necessidade de fazer isso no Internacional. Normalmente isso acontece no intervalo, quando se tem que mudar o jogo ou um resultado parcial, ou chamar a atenção do time por alguma negligência. Eu não tive essa necessidade porque o Internacional tem feito belíssimos primeiros tempos. A única coisa que não aceito é um time perder porque o adversário teve mais vontade. Para mim, isso não existe. Meu time vai perder porque o adversário foi melhor, não porque teve mais vontade, mais pegada.

Motivação ganha jogo?
Pode ganhar determinado jogo. Mas sozinha não dá resultados a longo prazo. O grande desafio é construir um time que jogue bem. Se você jogar bem estará mais perto do resultado.

Quem são seus mestres?
Eu tive grandes treinadores, como Ernesto Guedes nas categorias de base, Dino Sani, que me puxou para o time profissional, Rubens Minelli, que me colocou um pouco mais à frente no campo. Depois o Ênio Andrade, que sabia tudo de futebol e não esbravejava no banco. E o (Niels) Liedholm no Roma. Não sei se copio alguém, mas devo ter aprendido com todos eles algumas coisas.

O senhor falou que quer ver um time jogando feliz. Isso é possível com tantas exigências de marcação e disciplina tática que a necessidade de vitória impõe?
É no sentido de que os jogadores estejam tranqüilos dentro do campo. De um time que tenha a capacidade de saber o que tem que fazer, que não se sinta desconfortável ao jogar. Se cada um estiver confortável em suas funções, isso faz com que o time fique leve e aí se chega a um time feliz. Não é firula e nem brincadeira. É um time no qual a marcação não necessariamente tenha que ser feita com três volantes marcadores. Se você fechar os espaços você consegue os mesmos resultados, com a diferença que quando você tem a bola tem mais qualidade de chegada.

Depois de ganhar o campeonato gaúcho na decisão por pênaltis, o senhor foi visto consolando o Adilson, jogador do Grêmio que havia errado a cobrança decisiva. Também lembrou que o Grêmio é adversário e não inimigo. O senhor se propõe a levar atitudes mais civilizadas ao mundo do futebol?
Eu acho que o adversário tem que ser batido, qualquer que seja o adversário. Eu estava indo para o vestiário quando vi ele chorando, em meio a outros jogadores. Dei um abraço nele e disse que ele joga muita bola e que todo mundo erra pênalti um dia. Mas não fui falar com o jogador do Grêmio, fui falar com um ser humano que estava ali com o mundo caindo em cima dele. E vou fazer isso sempre que for possível.

Na sua visão, o que o futebol é para a sociedade?
O futebol sempre foi importante e hoje, felizmente, faz parte da cultura da gente. Jogos importantes, como os da seleção ou decisões como o recente Gre-Nal param o País e Estados como o Rio Grande do Sul. Mas isso não significa alienação. Terminado o jogo, vou tocar minha vida, eu sei que as coisas estão difíceis, que tem desemprego, o futebol não me deixa cego para as outras coisas. Já não existe mais isso.

Nos anos 70 havia quem dissesse que era…
O ópio do povo. Mas não é. É que na época estávamos sob uma ditadura. Eu saí da Copa do Mundo em 1978 por uma situação de ditadura. Eu tinha total condição de estar na Copa da Argentina.

Qual foi essa situação de ditadura?
Eu tive uma discussão com o treinador, o capitão Cláudio Coutinho. Eu não gosto de falar no assunto porque infelizmente ele (Coutinho) já morreu E havia um ranço de ditadura na época. O que se dizia quase como um consenso era que eu tinha que estar na seleção. Então isso foi marcante para mim, eu fiquei fora por causa de uma discussão. Talvez se entendeu que eu estava indo contra o sistema, mas não era isso, estava apenas achando que merecia mais oportunidades na seleção. Cinco meses depois da Copa ganhei a Bola de Ouro da revista Placar como melhor jogador do Campeonato Brasileiro.

Por Cleber Aguiar – Os ‘xerifes’ por trás dos grandes eventos

Fonte: O Estado de São Paulo

Coronel e delegado cuidam da segurança de megashows a clássicos do futebol em SP

Luísa Alcalde – O Estado de S.Paulo

Nos bastidores de shows como os de Paul McCartney, U2, Miley Cyrus, nas arquibancadas das Fórmulas 1 e Indy ou nos campos de clássicos como Santos e Corinthians, no Pacaembu, o delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, da Polícia Civil, e o coronel Carlos Celso Castelo Branco Savioli, da Polícia Militar, passam despercebidos na multidão.

2º Batalhão de Choque da PM
2º Batalhão de Choque da PM
De olho. Coronel Savioli, em dia de jogo: comanda de 90 a 150 homens, que fazem até 100mil revistas na porta dos estádios

Frequentadores de grandes eventos na capital paulista nem imaginam que aqueles dois anônimos são responsáveis pelas estratégias de segurança que vão garantir tranquilidade e ausência de tumultos. Os dois também foram escolhidos para atuar na Copa de 2014.

Cada um na sua área, começam a elaborar os planos, dependendo de cada caso, até um mês antes. Nos dias do evento montam nos locais uma espécie de quartel-general, onde comandam equipes prontas para atender a qualquer tipo de ocorrência policial ou de desordem. Muitos dos policiais destacados para a função são bilíngues, destaca Lima e Silva.

São montados até um posto do Instituto de Criminalística (IC) e um do Instituto Médico-Legal (IML), quando é necessário apoio da Polícia Técnica. O efetivo equivale ao total de funcionários de uma ou até duas delegacias. “Para facilitar a identificação no meio da multidão, os policiais vestem uniformes diferenciados”, explica Lima e Silva.

O delegado tem ainda a incumbência de organizar a equipe de guarda-costas que protege autoridades que visitam a cidade. Entram nessa operação o levantamento preventivo de todo o trajeto que o estrangeiro vai fazer, além de informações sobre eventuais ameaças. “Encarregados da segurança de vips devem ter em mente que não precisam responder aos ataques se evitarem que a autoridade ou a celebridade seja atingida, colocando o corpo entre o agressor e o protegido”, explica Lima e Silva.

Choque. À frente do 2.º Batalhão de Polícia de Choque, faça sol, chuva ou frio, o coronel Savioli comanda entre 90 e 150 homens que todos os fins de semana fazem a segurança em jogos de futebol nos estádios da capital ou atrás de palcos quando ocorrem grandes shows na cidade. Por jogo, eles realizam cerca de 50 mil a 100 mil revistas pessoais nas portas dos estádios. Não usam armas, apenas escudos e cassetetes.

É ele quem traça os planos, com os demais órgãos envolvidos, para escoltar as torcidas, separar as organizadas, garantir a ordem dentro dos estádios e proteger, além dos jogadores, o trio de arbitragem.

No momento do jogo, segundo ele, nem é possível dar uma olhadinha nos passes e dribles dos jogadores. “Mal começa o segundo tempo e já nos preparamos para a evacuação do estádio na saída”, explica.

Durante as partidas, uma das principais preocupações do coronel é evitar que brigas isoladas se alastrem. “As multidões agem por contágio.”

Antes de assumir essa função, ele até gostava de assistir aos jogos do Corinthians. “Hoje, durante as minhas folgas, o último assunto que quero saber é futebol. Prefiro ler história do Brasil.”

Por Cleber Aguiar – Futebol de luto – EDUALISSON MATOS SANTOS (1986-2011)

Fonte: Folha de São Paulo

EDUALISSON MATOS SANTOS (1986-2011)

Um sonho curto de ser jogador

ESTÊVÃO BERTONI
DE SÃO PAULO

Em 27 de janeiro do ano passado, o zagueiro do Araripina Edualisson Matos Santos caiu em campo aos sete minutos do primeiro tempo. A partida, contra o Porto de Caruaru, era pelo Campeonato Pernambucano.
Nas duas horas seguintes à queda, mesmo após ser atendido e levado ao hospital, ele teve sete paradas cardiorrespiratórias seguidas.
Edualisson sobreviveu.
Nascido em Aracaju (SE), o rapaz cresceu acompanhado pela bola em Maruim (SE). Ao terminar os estudos, decidiu correr atrás do sonho.
Começou a carreira no time da cidade, o CSM. Não era craque, como conta o irmão Carlos, mas tinha força física.
Aos 17 anos, caiu no mundo com o apoio do pai. Veio a São Paulo, onde disputou a Copa SP pelo Suzano, segundo lembra a família. Teve um empresário, um gaúcho dono de um restaurante que lhe dava moradia e alimentação, além de levá-lo aos testes.
Quando foi dispensado na peneira do São Paulo, decidiu voltar até o restaurante do empresário a pé. Caminhou das 9h da manhã às 16h, com a mala na cabeça.
Evangélico, de bom comportamento, vivia grudado à Bíblia. De São Paulo, ligava dizendo que estava bem. Jogou ainda no PR, mas voltou.
Em 2006, fez parte do elenco do Pirambu que se sagrou campeão sergipano. Depois, jogou em Pernambuco.
“Era um sonhador”, conta o irmão. Queria estabilidade para ajudar o pai e os tios.
Fez exames sem nunca constatar problemas. Desde o incidente, estava em estado vegetativo. Na quarta (18), não resistiu a outra parada cardíaca. Morreu aos 24.