Por Cleber Aguiar – Ronaldo vira piada no Twitter !

Fonte: Uol.com.br

No Twitter, usuários “sugerem” Ronaldo como Free Willy e Professor Aloprado em film

Ronaldo disse se sentir “aprovado” por seus seguidores no Twitter como comentarista após estrear na função na TV Globo, quando analisou os clássicos entre Barcelona e Real Madrid pela Liga dos Campeões. No entanto, o Fenômeno conheceu o outro lado da moeda. Ele se tornou “vítima” de piadinhas e virou um dos assuntos mais comentados do microblog nesta quarta-feira.

O grande número de comentários, que fez Ronaldo se tornar um dos trending topics do Twitter, deve-se à confirmação da “estreia” dele como ator. O Fenômeno deve fazer o papel de um vilão em “Open Road”, que terá direção de Márcio Garcia. O ex-jogador deve viajar para Los Angeles em junho para iniciar as gravações.

“Ronaldo Fenômeno ator? Ele vai ser novo Professor Aloprado, Free Willy ou Vovózona?”(sic), ironizou o usuário rick_batera, tirando sarro da forma física do ex-jogador. Em sua passagem pelo Corinthians, Ronaldo teve que conviver com várias críticas por estar acima do peso.

Já likajedi preferiu perguntar se Ronaldo participaria de outra gravação. “Vai fazer todos os papéis do Norbit”, disse, referindo-se ao filme estrelado por Eddie Murphy. RafaelRangel também não perdoou: “Nossa vai ter Free Willie 3 com o papel principal o Ronaldo Fenômeno… não perderei kkkkkkk”(sic), satirizou.

Entre os personagens lembrados, também está Igordão, do filme Austin Powers. “2012 anuncia sua entrada : Ronaldo Fenômeno fazendo vilão em filme! Será que ele vai tentar matar alguém com hamburguer , de porco?”(sic), diverte-se quinhaa.

USUÁRIOS “SUGEREM” PERSONAGENS PARA RONALDO INTERPRETAR

O PROFESSOR ALOPRADO
Nesta comédia, Eddie Murphy interpreta o professor Sherman Klump e os membros de sua família, todos acima do peso.
FREE WILLY
O filme conta a história de Willy, uma baleia que foi capturada e conta com a ajuda de um garoto para voltar ao mar.
NORBIT
Eddie Murphy também faz vários papéis nesta comédia ? entre eles o de Rasputia, mulher obesa e casada com Norbit.
VOVO…ZONA
O ator Martin Lawrence interpreta um agente do FBI que se disfarça em uma simpática velhinha para prender bandidos.

Por Edgar Santista – Manchester poupa titulares para duelo contra o Schalke

Em vantagem, Diabos buscam mais uma vaga em finais de Champions, além de motivação para reta final do Inglês, enquanto alemães tentam último suspiro no ano

Manchester United Treino (Foto: divulgação)Jogadores do Manchester United treinam para duelo
contra o Schalke (Foto: divulgação)

Com uma grande vantagem conquistada no jogo de ida das semifinais da Liga dos Campeões, o Manchester United recebe o Schalke 04 em partida que decide não só seu futuro na competição, como também na temporada. O confronto desta quarta-feira, às 15h45 (de Brasília), é visto como oportunidade perfeita para motivar o grupo para outro jogo decisivo, no final de semana, mas contra o Chelsea, pelo Campeonato Inglês.

A vitória no jogo de ida faz com que o Manchester United possa se dar ao luxo de poupar alguns jogadores na partida desta quarta. Wayne Rooney, com dores na coxa, é dúvida, e pode dar lugar ao experiente Michael Owen. Berbatov também pode ganhar uma chance no time titular após se recuperar de lesão.

– Tenho um elenco que me permite poupar jogadores, mas todos sabem que a partida não será fácil. Devemos ter jogadores experientes, como Owen e Scholes, e espero que todos entrem em campo com muita vontade e consigam o resultado. Vamos poupar alguns jogadores pensando no jogo contra o Chelsea, porque no ano passado, quando os enfrentamos, estávamos desgastados por conta da Liga dos Campeões, e acabamos perdendo o jogo e o título – contou Sir Alex, de 69 anos, acredita que o Schalke vai dar trabalho no confronto em Old Trafford.

– É claro que eles têm chance de conseguir a classificação. Eles vão buscar a vitória, porque não têm nada a perder – completou.

Caso avance, o Manchester chegará à terceira decisão de Liga dos Campeões nos últimos quatro anos. Nas outras duas, venceu o Chelsea, em 2008-2009, e perdeu para o Barcelona, em 2009-2010.

Os alemães, no entanto, não querem saber do favoritismo dos Diabos Vermelhos. O resultado da partida em Gelsenkirchen, 2 a 0 para o United, é complicado de ser revertido, mas o Schalke 04 está confiante em dar a volta por cima. Após fazer uma campanha ruim na Bundesliga, o time vê a Liga dos Campeões como única chance de título na temporada.

– O Manchester United tem jogadores fantásticos, que você vê na televisão, em campo e acha sensacional. Eles são um time ótimo, têm um ótimo treinador, mas o Schalke também têm grandes jogadores, um ótimo treinador e torcedores apaixonados. Então, vamos nos doar ao máximo. Se ganharmos, vamos à final da Liga dos Campeões e esse é o objetivo – afirmou o japonês Atsuto Uchida, titular do Schalke.

raul owen real madrid schalke (Foto: Getty Images)Companheiros no Real Madrid, Owen e Raul são adversários na semifinal desta quarta (Foto: Getty Images)

Schalke se inspira no próprio United

Se o United terá alterações, o time alemão também deve ter modificações. O centroavante Huntelaar é uma das esperanças do Schalke 04 para o confronto. O holandês não joga desde fevereiro, por conta de uma lesão no joelho. O apoiador Alexander Baumjohann está confiante, independente do resultado do primeiro jogo do confronto.

– Você tem que acreditar sempre. É claro que há muitos obstáculos e teremos que lutar para realizar um milagre, mas se não acreditássemos, nem nos importaríamos em viajar para a Inglaterra – ressaltou.

A inspiração para o Schalke vem do próprio rival. O técnico Ralf Rangnick se lembra da histórica virada do Manchester United sobre o Bayern de Munique na decisão da Liga dos Campeões da temporada 1998-1999.

– Temos que estar organizados desde o início, porque o United vai querer marcar logo. Depois, temos que buscar marcar, mesmo que seja a dois ou três minutos do final, como foi com o próprio Manchester, que ganhou a Liga contra o Bayern nos últimos minutos – encerrou.

MANCHESTER UNITED X SCHALKE 04
Van der Sar, Rafael (Fábio), Ferdinand, Vidic e Evra; Anderson, Park, Carrick (Scholes) e Valencia (Nani); Owen (Rooney) e Berbatov Neuer, Uchida, Höwedes (Matip), Metzelder e Sarpei; Uchida, Matip (Baumjohann); Farfán e Edu (Jurado);
Raúl e Huntelaar.
Técnico: Alex Ferguson. Técnico: Ralf Rangnick.
Estádio: Old Trafford, em Manchester (ING). Data: 03/05/2011. Árbitro: Howard Webb (ING)
Transmissão: o GLOBOESPORTE.COM acompanha em Tempo Real a partir das 15h30 (de Brasília)

Por GLOBOESPORTE.COM Manchester, Inglaterra

ICFUT – Tesouro Palmeirense pegando poeira !

Fonte: O Estado de São Paulo

Tesouro verde pega poeira à espera da nova casa

Troféus e relíquias acumulados em 96 anos saem da Turiaçu por causa das obras da Arena Palestra

ANTERO GRECO – O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – O Palmeiras copia Steven Spielberg? Sim, mas sem querer. A primeira imagem que vem à mente, assim que se entra no depósito em que estão guardados 96 anos de troféus e história palestrinos, é a da cena final de Os Caçadores da Arca Perdida, episódio inicial da tetralogia Indiana Jones, série de filmes que deu fama e fortuna a Harrison Ford. Aguça curiosidade e imaginação.

O local vive na penumbra, pela luz fraca interna e pelos vidros da fachada carregados no insulfilm. Num espaço de mais de mil metros quadrados estão empilhadas caixas e caixas iguais, lacradas, numeradas, distribuídas por plataformas de madeira divididas em longas filas. Impossível distinguir que taças conservam, daquelas conquistadas no arco e flecha à preciosa lembrança da Libertadores de 1999, de proezas em torneios de boccia à Taça Rio, relíquia do Mundial de Clubes de 1951. Tudo igual…

Desde 8 de agosto o tesouro palmeirense saiu da sede da Turiaçu para concentrar-se em quatro andares (mais um terraço) de um prédio de 1982, numa agitada rua de Pinheiros. O armazém está encaixotado entre um terreno baldio, uma loja de móveis, um salão de beleza com manobrista à porta, um bar, um restaurante que serve feijoada aos sábados, uma banca de jornais. Um arranha-céu, de arquitetura medonha e em fase de acabamento, tem como vista os fundos do “mausoléu”.

Quem passa por lá não tem a mínima ideia da função atual daquele imóvel esquisito, que lembra também a caixa-forte do Tio Patinhas. Moradores mais antigos se recordam que ali já foi boate e showroom de marca de famoso material esportivo.

Por quatro anos, ficou com as portas fechadas, pois em 2006 o inquilino anterior entregou as chaves e foi para outra freguesia. O Palmeiras paga em torno de R$ 23 mil por mês (mais taxas complementares, que pode elevar o total a 30 mil), contrato assinado na gestão Luiz Gonzaga Belluzzo, com validade de três anos.

A movimentação no depósito é discretíssima – e não poderia ser diferente, para não chamar a atenção. Três vezes ao dia, o portão lateral abre-se, para a entrada de dois homens e a saída de outros tantos. É o ritual da troca de guarda, feita a cada oito horas. Funcionários do Palmeiras há nove meses se revezam na função de zelar pelas provas de metal de que o clube foi um grande colecionador de prêmios. O acervo, na última década, praticamente ficou estagnado. A ele se juntou só o troféu do Paulista de 2008…

A clausura só não é total porque o dono do prédio, herdeiro de dezenas de propriedades idênticas, aparece por lá com regularidade insistente. Uma hora leva eletricista para fazer reparos na rede elétrica. Depois, vem com encanador a tiracolo para conferir se há vazamentos. Quando lhe dá na telha, traz pedreiros para ajustar rachaduras. Agora, tem pronto fosso para colocar elevador.

O buracão para botar o atlas está aberto, livre, sem proteção. Se alguém descuidar e perder o equilíbrio, se estatela no fundo. O pessoal do Palmeiras reza para que o bichão seja instalado antes da retirada do material. Foi um trabalho danado subir as escadas com toneladas de história e patrimônio alviverdes nos ombros. Dezenas de viagens de caminhão, na maioria das vezes feitas à noite. Sabe como é… poderiam crescer os olhos de gente que não tem o que fazer.

Calmaria. Apesar das constantes intervenções do locador, que inverte a lógica do negócio e faz reformas com o locatário dentro, não houve incidentes até agora. Eletricistas, encanadores, técnicos são discretos e pouco perguntam. Nenhum susto, zero de sobressalto, exceto por ruídos feitos por ratos que ultimamente andam farejando as caixas de papelão uma fonte de alimentação. Estuda-se espalhar ratoeiras.

Imóvel e entorno são monitorados por câmeras. No início, eram 14, no ar 24 horas por dia. Desgasta uma aqui, queima outra ali, restam 4. Ainda assim, permitem bom controle. Como reforço, no fundo do prédio, numa casa anexa, há um pastor alemão bravo como o capeta. Antes, circulava pelos andares, a rastrear o território. Como andou a rosnar feio para seus humanos companheiros de trabalho, optou-se por deixá-lo confinado. Só se dá bem com um dos seguranças, que estica a jornada para prover comida e água suficientes para o dia.

O cachorrão foi motivo de discórdia entre atual e antiga diretorias. Num momento, se falou que o animal custava R$ 3 mil por mês, entre aluguel e ração. Depois, se afirmou que seria do clube e a despesa ficaria em torno de R$ 600. Até um tempo atrás, um adestrador levava o totó passear, a R$ 35 por dia. O Palmeiras ficou duas semanas sem pagar o tratador, que sumiu do mapa. Não se faz a higiene do terreno nos fundos.

Limpeza não é propriamente característica da fortaleza palestrina. Nas escadas que levam de um andar para outro, jazem algumas carcaças de baratas e insetos similares. A turma da faxina deu o ar da graça só uma vez, depois de insistência dos guardiães do tesouro. Uma Kombi parou lá, a tropa de vassoura e esfregão caprichou na varredura, espanou o pó, foi embora para nunca mais voltar. Mesmo assim, foi mais assídua do que cartolas: nenhum baixou por lá.

Os sentinelas mantêm asseados os banheiros – espelhados e cafonas, dos tempos de rendez-vous – e a modesta cozinha, tudo no térreo. Os alimentos são mantidos em um freezer de coca-cola, desses comuns, que se encontram em bares e mercearias. Há, num dos cômodos, até um lugarzinho para repousar. O trabalho é monótono; o conforto, o que menos incomoda. Chato mesmo é ficar o dia todo vendo as pessoas na rua, pelo vidro escuro, e aquele marasmo na masmorra.

Pó nas cadeiras. O tédio acumula-se como o pó. Camadas mais espessas envolvem móveis e utensílios, pois não há só troféus guardados. No subsolo amontoam-se cadeiras de escritório (destino provável: lixo), armários (alguns eram usados pelo time profissional), poltronas de camarotes de luxo (lindas, com os símbolos do Palestra Itália e do Palmeiras entrelaçados).

Cadeiras e mesa de madeira de lei, entalhadas, finas, antigas, caras, testemunhas de reuniões que definiram episódios da história do clube estão no meio de material plebeu. Empoeiradas, escanteadas. Pedestais que ostentaram joias como o Ramon de Carranza estão num canto, à espera de retomar os dias de glória. Temporais já provocaram discretos alagamentos na parte mais baixa da pirâmide moderna.

O provisório predomina em tudo. Até no tempo de uso do prédio. A diretoria atual não afasta a possibilidade de tirar o acervo de lá, desde que ache local mais adequado e menos dispendioso. Há o cuidado, porém, de não mexer demais nas taças, sob risco de provocar danos. “A intenção é criar uma sala de troféus temporária no clube mesmo”, afirma o presidente Arnaldo Tirone. “Estamos em busca de patrocínio para isso”, emenda o dirigente, preocupado em conhecer detalhes sobre o armazém e suas condições.

Justiça seja feita: as taças estão bem embaladas, protegidas, o controle de conteúdo está no clube, em computadores. Nada se perderá. Não se sabe, no entanto, onde ficarão as copas na nova arena. Não há previsão de um memorial, ao estilo daqueles de Santos, Corinthians, São Paulo. Mas os dirigentes juram que essa riqueza não será relegada a segundo plano. “Teremos um espaço bom”, avisa Tirone. “Cuidaremos disso.”

Por enquanto, repousam nas caixas, à espera da luz, de polimento, de brilho. A tentação de achar as taças Libertadores e Rio é grande. Os olhos, inquietos, percorrem dezenas de caixas, nos três andares. Impossível encontrá-las.

De fato, não há como não lembrar da cena final do filme de Spielberg. Elas estão lá, mas onde?!

Por Cleber Aguiar – O Mengão de Arlindo Cruz !

Fonte: Globo.com

Meu Jogo Inesquecível: ritmo veloz do Fla na era Zico toca Arlindo Cruz

Sambista toca versão do ‘Samba rubro-negro’ para Carlos Alberto, autor de gol na virada por 4 a 3 sobre Coritiba em 1980 na semi do Brasileiro

Por Márcio Mará Rio de Janeiro

A infância na Piedade foi daquelas de causar inveja aos garotos de hoje. Descalço, seja correndo atrás de pipa ou jogando peão e bola de gude, o menino Arlindo se divertia. Nada, no entanto, o deixava mais maluco do que a irresistível tabelinha samba-futebol. Em 1965, quanto tinha sete anos, ganhou do pai, o Arlindão, o primeiro cavaquinho. Em casa, começava a ensaiar os primeiros acordes. Na rua, com a bola no pé ou o time de botão do Flamengo armado na mesa,  sonhava ver o Maracanã lotado e a comemoração da torcida. No mesmo ano, realizou o desejo ao presenciar a vitória por 2 a 1 sobre o Fluminense que garantiu o charmoso título carioca no IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro.

Já fiz um samba, ‘Fla-Flu’, não muito conhecido. Estou querendo fazer outro, mais popular”
Arlindo Cruz

O herói da partida era justamente o craque do time de botão de um dos maiores sambistas do país, o compositor e intérprete Arlindo Cruz. O camisa 10 dos seus dois Flamengos era Silva Batuta. No Maracanã, naquele 12 de dezembro, o ídolo matou no peito, livrou-se do marcador e fuzilou, sem chance para o goleiro Borracha. O menino repetia ali a comemoração que fazia no estádio imaginário, no meio da calçada, quando o “xará” em miniatura de formato redondo sempre batia de curva para estufar o filó da rede de plástico.

A primeira história de Arlindo Cruz com o Flamengo, apesar de curiosa e romântica, não é a mais marcante. Tal como os primeiros acordes de um samba, impulsionou a paixão. Dali em diante, ele jamais abandonou o clube de coração. A carreira de compositor crescia à medida que o menino virava adolescente, rapaz… E a era Zico foi acompanhada com a mesma frequência com que participava das rodas de samba com o rubro-negro Candeia, símbolo da Portela – falecido em 1978 -, ou com os galácticos do Cacique de Ramos. Na semifinal do Brasileiro de 1980, a vitória por 4 a 3 sobre o Coritiba em ritmo veloz de virada – o time fez três gols em cinco minutos – o levou à euforia.

Em 1980, Arlindo Cruz já era do samba quando foi ao Maracanã ver o Flamengo passar pelo Coritiba e chegar às finais do Campeonato Brasileiro (Foto: ANDRÉ DURÃO / Globoesporte.com)

– Naquele ano eu era estudante. Já tinha saído da Aeronáutica e ia ao Cacique. Estava começando a virar compositor. Lembro que fui assistir a esse jogo com o Coritiba e os caras meteram 2 a 0 no começo. Aí se machucou o Zico, depois o Júlio César, Uri Geller… Se eles fizessem mais um gol, adeus. Só que o maluco do Nunes meteu logo dois gols. Pouco depois, veio aquele golaço do Carlos Alberto. E eu estava de frente. Não tinha torcida do Coritiba no Maracanã, a do Flamengo estava cheia. Por isso fui lá para o outro lado, detrás do gol, vendo o time atacar no primeiro tempo. Vi o cara saindo lá de baixo, em velocidade, driblando todo mundo. É um gol inesquecível. A arrancada dele foi sensacional.

Naquele momento, Arlindo já estava sem fôlego. O jogo, realmente, foi dos mais emocionantes da era Zico, com uma avalanche de gols na primeira etapa. O Flamengo tentava naquele ano o seu primeiro título brasileiro, e o time vinha embalado pelo tricampeonato carioca. Dirigido por Cláudio Coutinho, chegou às semifinais com o Coritiba e levou a melhor no duelo no Couto Pereira: 2 a 0, gols de Zico.

Na segunda partida, no Maracanã, diante de quase 90 mil pagantes, o time foi surpreendido por um Coxa disposto a dar o troco. Vilson Tadei abriu o placar aos 21 e Aladim ampliou, dez minutos depois. As contusões de Zico e Júlio César deixaram Arlindo Cruz e os rubro-negros ainda mais tensos. Mas Nunes já antecipava ali que seria o jogador decisivo: diminuiu aos 34 e empatou aos 37. Dois minutos depois, a arrancada do reserva Carlos Alberto, lateral-direito que substituía Toninho, contundido, terminava em gol e enlouquecia o estádio.

 

Veio o segundo tempo. Anselmo, que substituíra Júlio César, fez o quarto aos 29 com outro golaço. Claudinho diminuiu para o Coxa aos 37, mas já era tarde. Arlindo já se preparava para curtir a noite após a vaga assegurada para as finais, com o Atlético-MG. Perguntado sobre o samba que cantaria para Carlos Alberto, herói daquela partida, não titubeou ao mandar a versão do “Samba rubro-negro”, de Wilson Batista e Jorge de Castro, atualizada na época por outro rubro-negro doente do samba, João Nogueira (assista ao vídeo ao lado).

– Essa é pra você, Carlos Alberto! Obrigado pelo gol! Eu estava sozinho naquele jogo. Meu irmão já tinha casado, eu não estava namorando ninguém… Na era Zico, praticamente não perdi nenhum jogo. Eu ficava bolado quando não podia ir, ou numa quarta, ou num sábado. Quase ficava doente. Lembro uma vez que minha mãe, com dificuldade, comprou um radinho de pilha pra mim, para eu ouvir os jogos. E o Flamengo, no dia do seu aniversário, perdeu para o São Cristóvão por 1 a 0 na Gávea. Aí, eu, bolado, pá! Joguei o rádio na parede, quebrei. E entrei na porrada. O coroa ficou na bronca: “Pô, tua mãe comprou o rádio no maior sacrifício…”

É bom lembrar que o pai de Arlindo, o Arlindão, era vascaíno, mas jamais se opôs à preferência do filho. Muito pelo contrário. O levava ao Maracanã para ver Silva Batuta, Almir Pernambuquinho, Carlinhos, o Violino… Depois vieram Reyes, Fio, Doval, Paulo César e os craques da era Zico. Arlindo já ia ao estádio com o irmão mais velho. Uma derrota, no entanto, deixou o sambista-torcedor bem abalado.

– Eu era apaixonado, chorava quando o time perdia. Aquele jogo dos 6 a 0 do Botafogo, em 1972, não foi fácil. Tinha um cara que namorava a minha irmã. Era botafoguense, o Sidnei. Foi ele que me levou. E me encarnou pra caramba. Teve gol de letra do Jairzinho, o Fischer, um argentino atacante, também marcou… Eles tiraram a maior marra com a gente. Em compensação, depois assisti aos dois seis que demos neles, por 6 a 0 e 6 a 1.

Arlindo Cruz (Foto: ANDRÉ DURÃO / Globoesporte.com)Arlindo Cruz lembra do ídolo de infância, Silva
Batuta (Foto: ANDRÉ DURÃO / Globoesporte.com)

Mesmo quando tocava nas rodas de samba, Arlindo sempre dava um jeito de ver os jogos. Seja na primeira fase, de aprendiz. Ou no Cacique de Ramos. Ou quando já estava no Fundo de Quintal, quando substituiu Jorge Aragão.

– Eu comecei a tocar com o Candeia, então ia a muita roda de samba na sexta ou no sábado. O Candeia era flamenguista, mas os filhos dele não. O Jairo era botafoguense e o Edinho, que morreu, também. Não sei por quê… No Cacique sempre tinha muitos jogadores. O Denilson, o Galdino, o Alcir Capita (como Alcir Portela era conhecido), Luxemburgo, Jairzinho, Paulo Cezar Caju, eles curtiam o pagode. Era sempre depois da pelada, primeiro rolava um salão.

Agora, Arlindo celebra a presença de Ronaldinho no Rio e no Flamengo. O craque, segundo o compositor e intérprete, ajuda e muito a resgatar o samba no futebol, hoje com jogadores mais voltados para a música sertaneja ou baiana. Em qualquer época, história de sambista com futebol fica sempre saborosa.

– Tinha uma patota que ia muito ao Maracanã. O Batata, o Acir Marques, meu irmão, o Mineiro, que era flamenguista, foi para Minas e virou atleticano. O Dudu, lá de Campo Grande. Uns primos e tal… No Cacique, o Ubirani é um rubro-negro roxo. E um detalhe: ele sempre atrasava um pouquinho para ir aos jogos. A gente chegava com 15 minutos. Lembro uma vez que teve um Flamengo x Corinthians. Um gol do Júnior Baiano de falta. Estava um a zero e assim terminou. A gente não viu mais nada, o gol já tinha acontecido. O jogo foi até morno…

Certa vez, Beth Carvalho comentou que Arlindo Cruz poderia também ganhar a vida como comentarista de futebol. E o sambista mostra que, apesar de rubro-negro roxo, sabe olhar os craques, nem que sejam dos maiores rivais.

– O Zico, sem dúvida, foi o meu maior ídolo. Mas o Rivelino foi um cracaço que eu vi jogar. Não atuou no Flamengo, mas era fantástico. O Jairzinho também. Carlos Alberto Torres, idem… No Flamengo, tinha o Geraldo, Assobiador, o Adílio.. Leandro era fantástico, Junior fantástico… Outro cara do samba. Estive com ele recentemente, foi me dar um abraço na Nut. Em 1982, quando gravou o “Voa, canarinho”, já estava se chegando para o samba. Foi lá para o Cacique, se entrosou com a rapaziada e gravou até um samba meu. Acho que “A luz do teu olhar”, com a Lecy Brandão…

O papo não terminava. No palco do Teatro Rival, preparando-se para mais um dos shows que tem feito pelo Rio de Janeiro, Arlindo Cruz dá uma pausa no banjo para lembrar outro momento marcante como torcedor. Lembra um ídolo que depois se tornou algoz, atuando pelo Fluminense. E volta a dizer que a união do samba com futebol pode dar boa música.

– Teve um jogo que o Renato Gaúcho calou o Mineirão, naquele Flamengo 3 x 2 Atlético Mineiro . A gente estava lá no pagode, mas quando o Galo empatou, nós paramos de tocar. “Pô, ferrou!”, pensamos. Mas aí, menos com um a menos, a gente conseguiu o gol da vitória. Era uma quarta-feira, meio da semana. O Mengão me dá boas recordações, muitas alegrias. Estou muito feliz com a nova fase. O Ronaldinho, um cara do samba, do bem, é bom para a gente, para divulgar. Eu já fiz um samba, “Fla-Flu”, mas não é muito conhecido. Estou querendo fazer outro, mais popular, para a galera cantar. Vamos ver…

flamengo 4 x 3 coritiba
Raul, Carlos Alberto, Rondinelli, Marinho e Júnior; Andrade, Adilio e Zico (Reinaldo); Tita, Nunes e Júlio César (Anselmo). Moreira, Gilson Paulino, Gardelo, Eduardo e Wilson; Leomir, Almir, Luís Freire e Vilson Tadei; Escurinho e Aladim (Claudinho).
Técnico: Cláudio Coutinho. Técnico: Mário Juliato.
Gols. Vilson Tadei, aos 21, Aladim, aos 31, Nunes, aos 34 e 37, e Carlos Alberto, aos 39 minutos do primeiro tempo. Na segunda etapa, Anselmo, aos 29, e Claudinho, aos 37 minutos.
Árbitro: Carlos Sérgio Rosa Martins.
Data: 25/05/1980. Local: Maracanã. Competição: Campeonato Brasileiro (semifinal). Público: 87.934 presentes.

Por Edgar Santista – Santos fica no zero com América-MEX e espera Cruzeiro para confirmar duelo entre melhores times do Brasil.

Goleiro santista faz pelo menos cinco grandes defesas, e Alvinegro, que venceu primeiro jogo por 1 a 0, segue para às quartas da Libertadores

Nem Ganso, muito menos Neymar. A noite desta terça-feira, em Querétano, foi toda da defesa santista. Toda de Rafael. Com pelo menos cinco grandes defesas, principalmente no segundo tempo, ele garantiu o 0 a 0 com o América, no México, e carimbou a passagem do Santos às quartas de final da Taça Libertadores.

Foi praticamente um duelo à parte. O camisa 1 do Peixe tinha como seu maior problema o atacante Reyna, artilheiro do time mexicano. Chute da esquerda, da direita, à distância. Todos rebatidas para fora por Rafael, que apontava para o céu e se benzia a cada espalmada.

Com o resultado – o Santos venceu o primeiro jogo na Vila Belmiro, na semana passada, por 1 a 0 – , o Peixe avançou no torneio e agora espera o vencedor da disputa entre Cruzeiro e os colombianos do Onze Caldas – o time brasileiro venceu o primeiro jogo por 2 a 1, fora de casa.

Depois da batalha no México, o time alvinegro volta seus olhos para a decisão do Campeonato Paulista. Neste domingo, no Pacaembu, o time tem o primeiro confronto com o Corinthians. E torce para que Rafael mantenha o bom momento desde que Muricy Ramalho assumiu o time – foram apenas dois gols sofridos em oito partidas.

Zé Eduardo Santos Mosquera América-MEX (Foto: Reuters)Zé Eduardo disputa bola com Mosquera (Foto: Reuters)

Marcação para conter o América

Frio, vento forte e gelado, gramado castigado, 40 mil pessoas torcendo contra e o América-MEX precisando vencer. Eram vários os adversários do Santos nesta terça-feira à noite, em Querétaro. Se não sofresse gols, o Peixe avançaria às quartas de final. Nos primeiros 45 minutos conseguiu, com marcação forte no meio de campo.

Houve sustos em algumas bolas aéreas, que sempre foram um tormento para a zaga santista. Logo aos 5 minutos, Montenegro cobrou falta pela direita. A bola pingou na área e encobriu Valenzuela, que não conseguiu acertar o cabeceio, perdendo grande chance.

O Peixe, aos poucos, foi tentando controlar o ímpeto adversário com toque de bola. Ganso buscava se aproximar de Neymar. Os dois até trocaram passes, mas não conseguiram penetrar a zaga mexicana. O América tentava imprimir um ritmo forte, mas errava alguns passes nas saídas. O jogo das Águias só saía quando a bola caía nos pés de Montenegro. Aos 22, ele cobrou escanteio da direita. Mosquera subiu mais que Dracena, cabeceou e acertou a trave. Peixe escapava de mais uma.

Houve ainda, aos 31, uma outra jogada de perigo do América. Montenegro, sempre ele, recebeu pela esquerda e cruzou rasteiro, tirando a bola do alcance de Rafael. Sanchez chegou atrasado e não acertou a bola. Enquanto isso, torcedores do América, que estavam atrás do gol defendido por Rafael, passaram a atirar sinalizadores na direção do goleiro santista. A polícia teve de ser acionada e houve um princípio de tumulto, logo controlado.

A partir daí, o Santos passou a ficar mais com a bola, não permitindo a aproximação do adversário. A torcida mexicana foi se aquietando. Não havia mais pressão. O Peixe passou a trocar passes até o apito do juiz.

São Rafael!

O Santos voltou melhor para o segundo tempo, mais adiantado, tocando bola no campo de ataque do adversário. Logo aos 4 minutos, Ganso, cobrando falta que ele mesmo sofreu, carimbou a trave direita de Ocha. Logo em seguida, o técnico Carlos Reinoso começou a mexer no América. Reyna, artilheiro do Campeonato Mexicano, com 13 gols, entrou no lugar de Pardo. Três minutos depois, o grandalhão Esqueda entrou no ataque, na vaga de Sánchez.

O América passou a dominar a posse de bola e levar perigo. Muricy, então, resolveu subir a estatura do time. Primeiro, colocou Possebon no lugar de Arouca. Depois Bruno Aguiar na vaga de Zé Eduardo. Essa segunda mudança, que deu muito certo no clássico contra o São Paulo, sábado passado, no Morumbi, semifinal do Paulistão, deixou o time retraído demais nesta quarta. O América foi para o abafa.

Aos 18, Reyna mandou uma bomba de esquerda. Rafael espalmou. Depois, aos 25, Esqueda foi lá em cima e concluiu cruzamento da esquerda. Rafael, de novo, salvou. O Peixe estava sufocado. Não conseguia sair de trás. O jogo se tornava dramático.

A bola não chegava na frente. Nas raras vezes que ela chegava a Neymar, isolado, ele abusava dos dribles. Assim, o campo era todo do América. E Rafael ia se desdobrando. Aos 31, Reyna de novo mandou o chute de fora. Agora de direita. O goleiro santista se esticou todo para espalmar. No minuto seguinte, o camisa 18 do América ganhou presente da zaga santista, que saiu errado, e tentou o chute colocado. Rafael de novo. Uma muralha.

A pressão mexicana era enorme. Aos 34, Reyna de novo, cobrou falta colocada. Acertou o travessão. A torcida, entusiasmada, gritava: “Si, se puede (Sim, é possível)”. Muricy Ramalho, por sua vez, se descabelava à beira do campo a cada tentativa de saída equivocada de sua equipe.

AMÉRICA-MEX 0X0 SANTOS
Ochoa; Rojas, Valenzuela, Mosquera e Reyes; Treviño, Pardo (Reyna), Rosinei, Montenegro (Gallardo); Sanchez (Esqueda) e Vuoso. Rafael, Jonathan, Edu Dracena, Durval e Léo; Adriano, Arouca (Rodrigo Possebon), Danilo e Paulo Henrique Ganso; Neymar e Zé Eduardo (Bruno Aguiar).
Técnico: Carlos Reinoso. Técnico: Muricy Ramalho.
Gols:
Cartões amarelos: Reyna, Reyes, Sanchez e Valenzuela (América-MEX).
Local: Corregidora, Querétaro (MEX). Data: 03/05/2011. Árbitro: Carlos Vera. Auxiliares: Luis Alvarado e Marco Muzo.

Por Adilson Barros Direto de Querétaro, México (globoesporte.com)