Por Cleber Aguiar – Beira-Rio espera trabalhando !

Fonte: O Globo – RJ


Empreiteira que vai tocar a reforma do estádio do Inter será conhecida na primeira quinzena de maio,
mas obras já estão em andamento e desejo é deixar tudo pronto para a Copa das Confederações, em 2013

Naira Hofmeister
Especial para O GLOBO

O BEIRA-RIO já em obras: além de melhorias estruturais, a capacidade vai ser ampliada dos atuais 54 mil lugares para 60 mil. O estádio pode não ser fechado para as reformas.O nome da empreiteira escolhida para ser a parceira do Internacional na reforma do Beira- Rio — o palco da Copa do Mundo de b2014 em Porto Alegre — será anunciado
na primeira quinzena de maio. Desde que o Conselho Deliberativo do clube encerrou a polêmica sobre o modelo de financiamento da reestruturação do estádio colorado, na noite do dia 22 de março, e definiu que a melhor saída para o Inter seria entregar a responsabilidade pelas obras a uma empresa terceirizada, doze construtoras procuraram
os dirigentes para saber detalhes do projeto.
Onze mantêm a determinação de participar da concorrência, cujo objetivo é apresentar a casa reformulada a tempo de receber a Copa das Confederações, em junho de 2013. Em troca, a empreiteira vencedora poderá explorar suítes, cadeiras vips e o estacionamento que farão parte do Beira-Rio depois da obra.— A data limite para a entrega
dos projetos é dia 4 de maio. Depois disso, com o auxílio de empresas da área jurídica e de auditoria que contratamos,
tomaremos a decisão sobre qual é a melhor proposta — anuncia o presidente colorado Giovanni Luigi.
Apesar da indefinição sobre o parceiro, as obras do Beira- Rio estão em andamento há quase um ano. Além de melhorias estruturais, o primeiro quadrante da arquibancada inferior do estádio será concluído no início de junho.
— Estamos trabalhando totalmente dentro do cronograma que foi elaborado. O Beira- Rio, aliás, é o estádio que está
mais adiantado no Brasil — garante Luigi.
As obras vão ampliar a capacidade do estádio dos atuais 54 mil lugares para aproximadamente 60 mil. Também será construída uma cobertura, mas não está decidido se o Beira-Rio será fechado para a reforma.


Proposta não agrada
O estágio atual da obra é fruto da decisão da antiga diretoria, que acreditava na possibilidade de que o Internacional financiasse a reforma do Beira-Rio com recursos próprios — tese que foi contestada pela gestão que tomou posse em janeiro. A ideia era obter dinheiro com a comercialização direta dos novos espaços para os torcedores, além da venda do terreno do antigo estádio dos Eucaliptos, que vai se transformar em um complexo de sete torres residenciais, com 11 andares cada.
A primeira empresa a se apresentar foi a Andrade Gutierrez, mas a proposta não agradou aos membros do Conselho Deliberativo. Além de um aumento no valor da obra, que passaria dos R$ 150 milhões previstos inicialmente para R$290 milhões, a empreiteira exigia explorar por 20 anos as 121 suítes, três mil cadeiras gold e as três mil vagas do estacionamento. Luigi diz que a decisão deverá recair sobre a empresa que apresentar o menor tempo de
exploração dos espaços. ■

Carros devem ficar a oito quilômetros de distância

Cálculo aponta até 300 mil pessoas no entorno. Obras no Aeroporto Salgado Filho são as que mais preocupam
● PORTO ALEGRE. Cálculos da prefeitura de Porto Alegre apontam que, nos dias de jogos da Copa do Mundo, o entorno do Beira-Rio deverá receber mais de três vezes a capacidade de público do estádio, que, depois da reforma, passará a ser de 60 mil pessoas. O presidente da Empresa Pública de Transportes Urbanos (EPTC), Vanderlei Capellari, adverte que, dependendo do jogo, esse número poderá chegar a 300 mil pessoas. Por essa razão, a prefeitura de Porto Alegre não descarta proibir a circulação de carros por oito quilômetros no entorno do estádio.
Apenas autoridades e convidados vip poderão chegar em automóveis ao campo de jogos.
— Estamos estudando locais para instalar grandes bolsões de estacionamento, de onde sairão ônibus de transporte coletivos
— esclarece Capellari. A Fifa estabelece um mínimo de 2 km sem a circulação de carros, mas o presidente da EPCT alerta que a distância seria insuficiente em Porto Alegre. Essa peculiaridade se deve a que o estádio para o Mundial 2014 fica
— como indica o próprio nome — às margens do Guaíba, o grande lago que circunda a capital
gaúcha. Do lado oposto, está o Morro da Conceição, que abriga uma reserva natural.
Curioso é que a única obra de mobilidade urbana em andamento em Porto Alegre é justamente a duplicação da Avenida Beira-Rio, que, pela borda do Guaíba, faz o trajeto entre a Usina do Gasômetro, no Centro de Porto Alegre, e o estádio do Internacional, passando por um dos prováveis locais do fun fest: o Anfiteatro Pôr-do-Sol.
A duplicação da avenida já pôde começar porque uma parte da obra está fora da Matriz de Responsabilidades do Município, assinada pelo prefeito José Fortunati. Nenhuma das dez intervenções previstas no documento saiu do papel até agora porque o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul ainda não recebeu os projetos.
Desde dezembro de 2010, o órgão fiscalizador aguarda o encaminhamento
do material. — Tudo está dentro do cronograma para que as obras fiquem prontas até o final de 2013 — garante o prefeito. Entre as obras de mobilidade, a que mais preocupa os gestores municipais é a duplicação da Avenida Tronco, que deve reorganizar o trânsito na Zona Sul de Porto Alegre, onde fica o estádio Beira-Rio. Mil e oitocentas famílias
(40 mil pessoas) serão removidas para a obra ser executada.Segundo o cientista político da Ong Cidade, Sérgio Gregório Baierle, as famílias serão encaminhadas para áreas periféricas
da cidade, onde a infraestrutura é precária ou até inexistente. Uma das principais preocupações dos gestores da Copa 2014 em Porto Alegre é o Aeroporto Salgado Filho, que, apesar da capacidade de atender quatro milhões de passageiros, operou em 2010 voos com um total de público de 6,7 milhões de pessoas. Além da construção de um novo terminal de cargas e ampliação do terminal 1 de passageiros (que ampliará a capacidade do aeroporto para 10 milhões de passageiros), será necessário resolver dois problemas que afligem a população há anos. A pista do aeroporto é pequena e falta equipamento para pilotar os aviões em condições meteorológicas desfavoráveis.
A promessa da Infraero é investir no Salgado Filho R$ 670 milhões. Porém o secretário municipal da Copa em Porto
Alegre, João Bosco Vaz, critica a lentidão dos trâmites:
— Há três meses, transferimos 500 famílias para a obra da pista começar. Até agora, nada. Temo que as pessoas voltem a invadir a área e tenhamos que removê-las novamente. (N.H.) ■

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