ICFUT – Andrés Sanchez confirma conversa com PH Ganso

Fonte: futebolinterior

No entanto, o presidente deixou claro que o futuro do meia deve ser a Europa

Ainda com o futuro indefinido no Santos e querendo jogar no futebol europeu, Paulo Henrique Ganso (foto) entrou na mira do Corinthians. A informação foi confirmada pelo presidente Andrés Sanchez, que revelou ter iniciado conversas com o meia, mas não acredita na sua contratação.

Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o mandatário do Timão revelou que o camisa 10 gostaria de ficar apenas três meses e depois acertar sua transferência para a Europa, o que foi descartado pelo clube alvinegro. Assim, PH Ganso está mais perto de deixar o Brasil do que acertar sua transferência para o Parque São Jorge.

"Teve uma conversa, mas com todo respeito ao Santos. O jogador quer ficar três meses e depois ir embora, o que eu não aceito. O Ganso está mais perto dos clubes da Europa do que do Corinthians. Se ele aceitar um contrato de maior duração, aí sim nós podemos chegar a um acordo e trazê-lo para o Corinthians", comentou Andrés Sanchez.

No entanto, o destino de Paulo Henrique Ganso deve mesmo ser a Europa. Na semana passada, ele não entrou em um acordo com a diretoria sobre uma possível renovação de contrato e deixou claro que o seu desejo é ser negociado e deixar o futebol brasileiro. Inter de Milão-ITA e Milan-ITA já demonstraram interesse em sua contratação.

Depois da derrota para o Palmeiras no clássico deste domingo, por 1 a 0, a torcida santista pegou bastante no pé do meia, que deixou o gramado debaixo de gritos como mercenário. Além disso, alguns torcedores chegaram a balançarem dinheiro nas arquibancadas.

ICFUT – Muricy Ramalho acerta com o Santos

Fonte: estadao.com.br

Após quase um mês de férias, técnico assumirá o comando do time para salvá-lo da crise

Muricy Ramalho vai assumir o comando do Santos. O técnico deixou o Fluminense há quase um mês para férias e fechou o acordo nesta segunda-feira, informa a colunista do Grupo Estado, Sonia Racy, na rádio Estadão ESPN. Os detalhes devem ser divulgados em breve pelos dirigentes do time alvinegro.

Marcos de Paula/AE - 6/12/2010

Muricy Ramalho estava de férias desde que deixou o Flu

Embora se arraste há mais de um mês a escolha do novo comandante santista – cargo vago desde que Adilson Batista foi demitido – o nome do campeão brasileiro do ano passado era o preferido do presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro. Tanto que, mesmo com a pausa que Muricy pediu, ele esperou o tempo passar e colocou o auxiliar técnico Marcelo Martelotte para trabalhar com o time profissional.

O caso tem desfecho nesta segunda-feira pela necessidade que o Santos tem de sair da crise, especialmente após a derrota para o Palmeiras no clássico de domingo – 1 a 0 -, a quarta posição na classificação do Campeonato Paulista e a situação complicada na Copa Libertadores, com uma sequência de resultados ruins.

Quatro vezes campeão brasileiro (três pelo São Paulo, uma pelo Fluminense) e cinco vezes eleito o melhor técnico do País pela CBF, Muricy Ramalho tem passagens por times como – além dos citados acima – Náutico, São Caetano e Palmeiras. Só não tem a seleção brasileira no currículo por ter recusado o convite que recebeu após a Copa do Mundo de 2010.

Por Cleber Aguiar – Inspirado no Peixe, novo estande turístico da cidade de Santos será lançado segunda (04), no Salão de Mármore da Vila Belmiro

Fonte: http://www.santosfc.com.br

Imagem ilustrativa do estande

Um minicampo de futebol, com gramado, trave, bandeiras, placas de patrocínio, banco de reserva, iluminação de estádio e até banners reproduzindo torcedores do Santos Futebol Clube em plena ação. O novo estande turístico institucional de Santos, a ser lançado oficialmente em solenidade marcada para segunda-feira (4), às 19h, no Salão de Mármore do Peixe (Rua Princesa Isabel, 77, Vila Belmiro), tem todos os elementos para atrair a atenção do público de feiras e eventos de turismo, fortalecer a imagem da cidade e cativar novos visitantes.

O novo estande será inaugurado na 34ª Aviestur (Associação das Agências de Viagens do Est. de SP), evento promovido pela Aviesp (Ass. das Ag. de Viagens Independentes do Est. de SP), a ser realizado nos dias 15 e 16 de abril, em Campos do Jordão (SP).

O cenário do estande, de 24m² (8m de comprimento e 3 de profundidade), terá ainda quatro vitrines que resgatam parte da história do Santos FC, expondo camisetas autografadas, bolas e chuteiras. Além disso, o espaço ainda terá uma tv LCD de 42 polegadas que transmitirá vídeos institucionais da cidade e do Glorioso Alvinegro Praiano. A ambientação se completa com um totem, onde o público poderá consultar o portal de turismo de Santos (www.turismosantos.com.br) e o site do Clube (www.santosfc.com.br), que patrocinou o estande.

“Não há como separar a Cidade de Santos do Santos FC. Temos uma identidade que dispensa comentários. É interesse do clube ampliar nossa visibilidade por todo o mundo e a cidade tem na história do Santos, na Vila Belmiro, Memorial das Conquistas e, futuramente, no Museu Pelé, grandes pontos turísticos. Por isso essa parceria foi desenvolvida com tanta naturalidade. Estamos unidos há quase 100 anos e, mais do que nunca, vamos trabalhar juntos para atrair cada vez mais gente para a cidade”, afirma o gerente de Marketing do Santos FC, Armênio Neto.

“Nos últimos seis anos, temos tematizado os nossos estandes com elementos considerados ícones de Santos, como as muretas da Ponta da Praia, o bonde do Centro Histórico e a orla. A opção pelo tema futebol decorre do envolvimento da cidade em ser subsede da Copa de 2014 e pela construção – já iniciada – do Museu Pelé, aproveitando parte da estrutura das ruínas dos casarões do Valongo”, completou a secretária de Turismo de Santos, Wânia Seixas.

Por Cleber Aguiar – Febre Futebol Inglês !

Fonte: Folha de São Paulo

Febre de bola

Mania entre jovens brasileiros, a rica liga inglesa vira fenômeno de audiência e puxa aumento da venda de uniformes de clubes

RODRIGO BUENO
DE SÃO PAULO

“Febre de Bola” é o título em português do famoso livro do inglês Nick Hornby sobre um fanático por futebol. Febre de bola é o que a liga inglesa promove no Brasil.
A Folha localizou no Twitter inúmeros grupos de torcedores brasileiros de times ingleses, alguns tão dedicados que transmitem jogos, como as webradios de Liverpool (reds4us.com) e Manchester United (manutdbr.com), e vão a partidas na Inglaterra (a torcida Arsenal Brasil).
Mesmo equipes da segunda divisão, como Burnley, Leeds e Nottingham Forest, e da terceira divisão, como Notts County, já contam com um razoável número de fãs.
No Twitter, os perfis @PremierLGBrasil, @championshipbr e @FlgBrasil têm notícias da badalada primeira divisão, da forte Segundona e de todas as divisões da Inglaterra, respectivamente.
A coqueluche é comprovada por TVs e empresas de material esportivo e se reflete nas ruas, cheias de camisas estrangeiras, e na rede.
“É um tremendo produto. Começamos há poucos meses com o Inglês. A audiência só cresce, o retorno comercial é excelente”, diz Américo Martins, superintendente de Jornalismo e Esportes da Rede TV!. “Manchester United x Manchester City teve um share de quase 8%. A audiência é maior na média do que a do Italiano”, complementa ele.
Felipe Aquilino, gerente de marketing do Esporte Interativo, mostra com orgulho dados da audiência da Copa da Inglaterra. “Nosso alcance acumulado somente desde janeiro foi de 4,2 milhões de pessoas, 767 mil pessoas na Grande São Paulo.”
Robert Mills, gerente de marketing da ESPN, diz que os times ingleses hoje aparecem mais tempo na TV no país do que os brasileiros.
“A TV a cabo destrói. Liverpool, Arsenal, Chelsea estão todo fim de semana com a gente. E, na TV aberta, o torcedor tem mais chance de assistir a Arsenal e Manchester do que ao São Paulo. Não é surpresa você ver menino com a camisa do Manchester e alguém criando blog de time inglês no Brasil”, falou.
Segundo dados da ESPN, o Inglês gera mais comentários do que outros campeonatos nacionais. Em média, são 1.109 por partida em 2011, contra 444 do Italiano, 252 do Alemão e 251 do Espanhol, que normalmente ultrapassa mil comentários só em jogos de Barcelona e Real Madrid.
A Nike diz, por meio de sua assessoria, que “houve crescimento na venda de camisas dos times ingleses em 2010/ 11 e que a projeção é de um aumento de 8% para 2011/ 12”. As camisas de Barcelona e Manchester United são as de futebol internacional mais vendidas pela marca.
Paulo Ziliotto, gerente de comunicação da Adidas, festeja a ampliação de produtos.
“Nossos cinco top no mundo são Chelsea, Liverpool, Bayern, Real e Milan. O Chelsea não é tão tradicional como o Real e é um fenômeno. Antes, a gente trazia a camisa 1, a principal. Agora vem a 2, a 3, o short, o meião, coisas para fora do campo de jogo. Toda a linha cresceu.”
O Chelsea tem inclusive uma ativa torcida feminina no Brasil (@TFCBrasil).
“O grupo foi criado em 8 de abril de 2007. Surgiu no Orkut e foi atraindo as garotas que torciam para os Blues. A ideia de criar a TFC foi da minha irmã, a Lara”, conta Maiara Dourado, 22, estudante em Salvador.

Por Cleber Aguiar – [Peter Siemsen]” Se a Unimed sair agora, o Fluminense quebra”

Fonte: O Globo

Peter Siemsen: ‘Se a Unimed sair agora, o Fluminense quebra’

Renato Maurício Prado

 

RIO – Ninguém deve mais que o Fluminense no futebol brasileiro. São, ao todo, R$ 385 milhões – dívida em sua maior parte concentrada nos últimos seis anos da desastrada administração Roberto Horcades, que assumiu o clube em 2005 com um passivo de R$ 100 milhões. Diante de quadro tão grave, o novo presidente tricolor Peter Siemsen, um advogado de 44 anos, que tinha como principal esporte o iatismo, admite que o mar não está para peixe.

O GLOBO: Se uma eventual saída do patrocinador quebraria o clube, qual a saída? Se é que ela existe…

PETER SIEMSEN: É isso que estamos buscando, com novos investidores, como, por exemplo, a Traffic. Mas é importante que se faça justiça à Unimed: ela tem o seu papel e o cumpre à risca. Se a Unimed sair agora, o Fluminense quebra. São 13 anos de parceria. E é natural que ela tenha suas prioridades, como jogadores de mais renome, para aumentar a visibilidade do time e buscar títulos. Mas esta não pode ser a única diretriz do nosso futebol. Precisamos, também, revelar jogadores em Xerém e até buscar outros que possam ser contratados mais baratos e, uma vez valorizados no Fluminense, vendidos, mais tarde, com lucro para o clube.

Existem, no momento, boas promessas em Xerém?

PETER: Três das principais já estão praticamente vendidas: o atacante Pernão (nascido em 93) e os laterais Ronan e o Wallace (de 94). Quarenta por cento dos direitos deles foram repassados ao Chelsea para viabilizar a vinda do Deco. E o restante (dos direitos destes três jogadores) também já está comprometido. Eu mesmo fui obrigado a vender agora, para um fundo de investidores, os últimos 15% que nos restavam do Pernão… Precisava fazer dinheiro para pagar as contas, não havia saída…

É sabido que a Unimed ajuda a pagar os salários dos jogadores (na verdade, se responsabiliza pelo que corresponde ao direito de imagem), mas não põe dinheiro propriamente dito nos cofres do clube. Como fazer, então?

Não recebemos um tostão de bilheteria por nenhum dos jogos que fizemos. Foi tudo penhorado!

PETER: É complicado. Porque, além do prejuízo de R$ 50 milhões, somente em 2010, a diretoria passada nos deixou com um outro buraco de aproximadamente R$ 40 milhões, relativos a adiantamentos de receita e impostos e encargos atrasados… Junte-se a isso a penhora de arrecadações, que enfrentamos por conta da dívida trabalhista (que é de R$ 200 milhões) e o que eu posso te dizer, por exemplo, é que até agora o Fluminense está jogando de graça em 2011. Não recebemos um tostão de bilheteria por nenhum dos jogos que fizemos. Foi tudo penhorado! E já fomos obrigados a pagar desta parte da dívida, que é a pior de todas, R$ 5 milhões, somente nestes primeiros três meses. Dá mais ou menos R$ 100 mil por dia! Existem mais de 500 ações trabalhistas contra o Flu! Somente na gestão Horcades 90 atletas entraram na Justiça do Trabalho.

E como foram feitos esses adiantamentos de receita?

PETER: Com o Clube dos 13 foram R$ 15 milhões. Como fomos campeões brasileiros e fizemos jus a um prêmio de R$ 8 milhões, a dívida caiu para R$ 7 milhões. Com o Bic Banco, R$ 10 milhões (e isso eles descontarão direto das próximas cota de TV); com a própria TV, por conta do Estadual, mais R$ 2 milhões, com a Traffic, R$ 6 milhões e com a BWA (empresa que fabrica e comercializa os ingressos) mais R$ 1 milhão… Toda esta conta, da administração Horcades, agora cai na nossa cabeça.

Deixando um pouco de lado o caótico quadro financeiro, como você avalia, hoje em dia, a ameaça de tsunami causada pela saída do Muricy?

PETER: Acho que fui um pouco ingênuo em todo o episódio. Mas serviu como aprendizado. Olhando agora, fico me perguntando porque as queixas do Muricy sobre a falta de estrutura, as más condições do gramado e do vestiário das Laranjeiras nunca me chegaram antes. Depois que ele saiu, em apenas uma semana, já melhoramos consideravelmente as instalações do futebol, o campo e até Xerém. Ora, quem era o responsável pelas más condições do departamento de futebol do clube? O vice-presidente (Alcides Antunes). E ele jamais veio a mim reclamar de qualquer coisa ou reivindicar melhorias. Como o Muricy pode se demitir, reclamando da estrutura e ainda elogiá-lo? Se o problema era só esse, o antigo vice de futebol deveria ter me falado, certo?

Como o Muricy pode se demitir, reclamando da estrutura e ainda elogiá-lo? Se o problema era só esse, o antigo vice de futebol deveria ter me falado, certo?

E Abel foi a melhor solução? Houve consenso entre o clube e o patrocinador?

PETER: Houve, sim. Tentamos antes o Felipão, através de uma sondagem feita pelo Celso, mas que foi prontamente recusada, e o Cuca, que, num primeiro momento, chegou a aceitar, mas depois voltou atrás. Agora, estou convencido de que o Abel é a melhor solução. E até lá o Enderson Moreira tem totais condições de fazer um bom trabalho.

No início, você não queria se meter muito no futebol. Agora, pensa diferente?

PETER: Penso, sim. O futebol tem uma importância tão grande que não dá para ficar alheio. Quero profissionalizar totalmente o departamento, ainda vou consultar um grande executivo para tocar tudo, mas estarei sempre por perto. A presença do presidente, entendi agora, é fundamental no processo. Até por apoio político.

Quais são as novidades em relação ao CT. É possível imaginar uma solução a médio prazo? E com que dinheiro o Fluminense compraria o terreno e construiria tudo?

PETER: Estudamos três terrenos, um deles de conhecimento geral, praticamente pronto, o do Banana Golf, no Recreio, que já tem muita coisa pronta. Os outros exigiram obras maiores. Mas, seja qual for o escolhido, o importante é viabilizá-lo, financeiramente. Nossa ideia é fazer uma operação imobiliária de venda antecipada e também campanhas que envolvam o nosso torcedor. Com a Copa no Brasil e as Olimpíadas no Rio, um CT destes tem tudo para ser altamente rentável, até em termos de aluguel de suas instalações. Estou muito otimista em resolver isso logo.

O novo patamar de receitas do futebol brasileiro, não somente em direitos de TV, mas também de patrocínios não permite sonhar com um futuro melhor? É possível imaginar um Fluminense livre das dívidas?

PETER: Temos, realmente, uma oportunidade única de dar um salto de qualidade. Mas seria ingênuo acreditar que dá para resolver tudo em três anos. Se eu conseguir fazer 60% do que pretendo, em termos de profissionalização do clube inteiro, e não somente do futebol, estou certo de que já teremos alcançado outro nível. Por isso, vamos investir muito em TI (tecnologia), nas Laranjeiras, e no marketing, que vai nos ajudar a estabelecer um canal direto e eficiente com nossos torcedores, que são, afinal, os nossos consumidores.

Olhando para o passado, em quais presidentes você vê exemplos para se espelhar?

PETER: Em muitos. A começar por Arnaldo Guinle, que construiu nosso estádio. Falando dos mais modernos, de Francisco Horta, guardo a lembrança da formação de um time inesquecível, como “A Máquina”; de Sílvio Kelly, a construção de Xerém; de Fábio Egipto, uma administração tão austera e competente que conseguiu zerar a dívida do clube (!!!); de David Fischel, a coragem de assumir na Terceira Divisão e reconduzir o clube ao seu lugar de direito, na elite e, por fim, de Manoel Scwhartz, o período esportivo mais brilhante, com o tricampeonato carioca e um título brasileiro!

Olhando para o futuro, além das obras que já começam a ser feitas nas Laranjeiras e em Xerém, dos planos para o CT, e do saneamento financeiro, com o que o presidente do Fluminense sonha?

PETER: Com uma boa oxigenada no futebol brasileiro. A começar pelo carioca. Toda essa discussão em torno dos direitos de TV, aproximou muito os quatro presidentes do clubes grandes do Rio. Patrícia Amorim, Maurício Assumpção, Roberto Dinamite e eu temos conversado muito e nossos planos são ambiciosos. Juntos, poderemos mudar muita coisa e iniciar, talvez, uma nova era no nosso futebol. Um tempo onde o profissionalismo de verdade poderá se impor sobre essa forma alucinada de administrar o futebol que encontrei nas Laranjeiras. Sabia que era complicado e ia ser duro. Mas, ainda assim, me assustei. O quadro é bem pior do que eu pensava…

 

Por Cleber Aguiar – Clubes darão R$ 110 mi a Globo e CBF

Fonte: Folha de São Paulo

RACHA
Por contrato, verba de TV fechada e internet vai para fundo

BERNARDO ITRI
DO PAINEL FC
PAULO VINICIUS COELHO
COLUNISTA DA FOLHA

Dez clubes já firmaram acordo com a Globo pelos direitos dos Brasileiros de 2012 a 2015. Outros oito estão em negociação. E todos doarão integralmente a cota de TV por assinatura e a de internet para fundo a ser gerido em conjunto por Globo e CBF.
O valor desse fundo chega a R$ 110 milhões: R$ 80 milhões referem-se aos contratos de transmissão em TV fechada e R$ 30 milhões aos de direitos de internet, segundo acordos já firmados aos quais a Folha teve acesso e projeções dos que ainda são negociados. No total, cerca de 11% de todos os contratos.
A quantia vai para o Fundo de Custeio, que já existia quando os direitos eram negociados pelo combalido Clube dos 13. “Definíamos o valor em assembleia, e não estava vinculado a uma cota específica”, afirma Ataíde Gil Guerreiro, diretor do C13.
O Fundo de Custeio é reservado para viagens e hospedagens dos clubes que participarão da Série A. Em 2011, serão R$ 65 milhões -R$ 20 milhões para passagens e estadias e R$ 45 milhões para o pagamento de direitos a clubes não filiados.
Globo e CBF passam a gerir esse fundo com anuência dos rebeldes do C13. “Não tenho conhecimento disso, mas digo que a CBF administra o campeonato em seu aspecto técnico, não econômico. Se os clubes deram a administração do fundo à CBF, foi por indicação, não por imposição”, diz Rodrigo Paiva, diretor de comunicação da CBF.
Nas principais ligas do mundo, são os clubes que administram o dinheiro. A passagem da gestão do C13 para CBF e Globo ocorre em razão do racha com a entidade presidida por Fábio Koff. Mas há clubes que desconhecem a profundidade da situação.
“Isso já acontecia antes, não?”, indaga o presidente do Palmeiras, Arnaldo Tirone. Ao tomar conhecimento de que a diferença está em quem administra e no fato de todo o dinheiro de TV fechada e internet estar comprometido, responde: “Não estou vendo problema nisso”.
Além de os clubes renunciarem à gestão de seu próprio dinheiro, a quantia diminui. Na licitação do C13, o valor mínimo para a compra dos direitos de TV fechada era de R$ 100 milhões. Especula-se de que os direitos de internet, mídia com maior potencial de crescimento, sairia por valor semelhante.
De acordo com os contratos aos quais a Folha teve acesso, tanto o dinheiro de TV por assinatura como o referente à internet nem entrarão no caixa dos clubes. Tudo irá direto para o fundo.
O contrato também diz que eventuais sobras, ao final da temporada, serão destinadas à “premiação” dos times.
Procurada, a Globo disse que não se pronunciará enquanto não concluir as negociações com todos os clubes.

Grandes pagarão pelos custos de pequenos

DO PAINEL FC
COLUNISTA DA FOLHA

A lógica dos novos contratos de TV é que o grupo de clubes de maior audiência arrecadem mais. É o que vai acontecer com o Corinthians, que já assinou com a Globo, e com o Flamengo, se assinar.
Os dois serão donos de 20% do dinheiro. O Flamengo deve receber R$ 84 milhões por ano, descontados os valores dos contratos de TV fechada e internet, que serão destinados ao Fundo de Custeio, e acrescidas as luvas do contrato de TV aberta.
Muito mais do que os R$ 38 milhões/ano do triênio 2009-2011, no qual era o mais rico.
Mas, em um ponto, Corinthians e Flamengo perdem.
Como o Fundo de Custeio contabiliza as cotas integrais de TV fechada e internet e os dois clubes arrecadariam mais se o dinheiro chegasse a seus cofres, serão eles os responsáveis pelo pagamento da maior parte das viagens.
Cada um entrará com R$ 8,4 milhões. Juntos, os dois somam 16% do total do dinheiro repassado ao Fundo de Custeio. “Acho razoável isso, porque prefiro perder em 5% do contrato e ganhar nos outros 95%”, diz Hélio Ferraz, vice do Flamengo.
A somatória dos contratos de Corinthians, Vasco e Santos, que já assinaram, Flamengo, Palmeiras e São Paulo, que ainda não acertaram, chega a cerca de 40% do Fundo de Custeio. (BI E PVC)

TV vai lucrar até com vídeo comemorativo

DO PAINEL FC
COLUNISTA DA FOLHA

Segundo o contrato firmado com os clubes, a Globo poderá lucrar com a produção de vídeos comemorativos dos campeões do Brasileiro.
A emissora coloca uma cláusula no acordo que prevê, mediante aprovação entre as duas partes, o lançamento de DVD e Blu-ray de celebração da conquista.
Pelo contrato, se o vídeo realmente for realizado, a Globo, ou quem a emissora indicar, será a responsável pela edição, produção, distribuição e comercialização do DVD. Poderão ser usados até cinco minutos de cada partida, além de imagens de bastidores gravadas pelos clubes.
A reportagem apurou que essa prática não era comum nos contratos anteriores.
“Não existia essa cláusula, e eles [Globo] não cediam as imagens. Era uma das maiores brigas nossas. Quando eles mandavam alguma coisa, era lance de arremesso lateral”, diz Ataíde Gil Guerreiro, do Clube dos 13 (associação de clubes, hoje rachada).
Os clubes que assinarem o contrato, mesmo que não se tornem campeões, aceitam que suas imagens sejam usadas no vídeo do vencedor.
Aliás, sob as mesmas condições da produção do DVD do campeão, se houver um acordo com a Globo, qualquer clube pode ter vídeos, da temporada escolhida, comercializados. (BI E PVC)

Por Cleber Aguiar – Centenário sem presente !

Fonte: Folha de São Paulo

Festa sem presente

Guarani, único time do interior a ganhar o Brasileiro, faz 100 anos abalado por denúncias e vexames
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EDUARDO OHATA
DO PAINEL FC
LEONARDO LOURENÇO
DE SÃO PAULO

No dia em que completa cem anos, o Guarani não tem o que comemorar. O time de Campinas, único do interior a conquistar um Brasileiro, em 1978, coleciona vexames dentro e fora dos gramados.
O último feito do clube responsável por revelar, entre outros talentos, o atacante Careca e o meia Neto, aconteceu em 1994, quando chegou às semifinais do Nacional.
Depois disso, foram 17 anos convivendo com rebaixamentos -um total de sete- e com denúncias de corrupção e de má gestão. Em fevereiro deste ano, a Justiça condenou o ex-presidente José Luiz Lourencetti, à frente do Guarani de 1999 a 2006, a indenizá-lo em R$ 3 milhões por danos morais. Se nos bastidores o clima é tenso, o time montado para o centenário em nada ajuda a confortar os torcedores.
Nesta semana, o Guarani foi eliminado da Copa do Brasil, em Campinas, pelo pouco conhecido Horizonte, do Ceará, e enterrou as chances de fazer uma partida oficial contra um time da primeira divisão em 2011. O estádio do Guarani, palco da eliminação, é motivo para o clima de disputa política. A diretoria vê a venda do Brinco de Ouro como solução para reerguer o clube.
O presidente do Guarani, Leonel Almeida Martins de Oliveira, viajou a Portugal em 2010 com passagens pagas por um advogado que intermediava a negociação com um grupo europeu interessado na compra da arena.
A justificativa é a de que o dirigente foi até a cidade do Porto para conhecer as instalações do Estádio do Dragão, construído com a participação do grupo que pretendia adquirir o Brinco de Ouro.
Curiosamente, é Lourencetti, opositor da atual gestão, quem avaliza as passagens que levaram Leonel e sua mulher a Portugal, de acordo com os documentos a que a Folha teve acesso. Segundo o antigo mandatário, uma infeliz coincidência, já que a agência em que foram comprados os bilhetes pertence a um parente dele.
Leonel Oliveira passou 22 dias em Portugal, entre junho e julho do ano passado.
Procurado pela reportagem, o presidente bugrino se recusou a responder às perguntas. Mas, em carta endereçada aos torcedores do time, admitiu que, na viagem, uniu “trabalho em prol do Guarani e merecido lazer”.
As passagens, no valor de R$ 13.467,51, foram pagas pelo advogado Iedo Garrido Lopes Júnior, que não crê em conflito de interesses ao bancar a viagem do cartola. “Não posso onerá-lo [Leonel] para ver algo que quero que ele conheça”, afirmou Lopes Júnior. Segundo ele, a empresa que representa não negocia mais com o clube.

Venda de arena é vista como única salvação

DO PAINEL FC
DE SÃO PAULO

A venda do estádio Brinco de Ouro está próxima de ser efetuada, segundo dirigentes do Guarani. “É a única forma de salvar o clube”, afirma o vice Jurandir Assis.
“Estamos sempre com problemas. Tudo está penhorado, nosso patrimônio, nossas receitas”, diz.
O negócio é uma permuta e, em troca do Brinco de Ouro – que ocupa área de 90 mil m2 na porção mais valorizada de Campinas-, o Guarani quer um novo estádio, um centro de treinamento e um clube social, além da quitação de todas as dívidas, hoje em R$ 120 milhões.

Guaranis, os índios, nunca tiveram contato com clube

ADRIANO FERNANDES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Os índios guaranis que vivem em São Paulo jogarão seu futebol praticamente alheios à data que hoje celebra o centenário da equipe campineira de mesmo nome.
Segundo a Funai, há cerca de 1.500 índios dessa etnia no Estado. Eles, como os brancos, adoram futebol. E, mesmo próximos fisicamente, estão distantes do clube.
A influência guarani no nome do time é indireta.
Em 1911, jovens campineiros fundaram o clube e, para homenagear o maestro Carlos Gomes, que nasceu lá, batizaram o time com o nome da principal composição do músico, a ópera “Il Guarany”, baseada em romance de José de Alencar.
Em São Paulo, há quatro aldeias guaranis no extremo sul da cidade. Nos campos improvisados de futebol, os índios jogam entre si.
Duelos contra a comunidade externa são mais raros. “Não temos muita habilidade”, admite Olivio Jekupe, presidente da associação que representa a aldeia. “Mas, se o jogo tivesse quatro horas, sempre ganharíamos do branco. Temos mais fôlego.”
No futebol profissional, uma iniciativa sem precedentes fundou o clube Gavião Kyikatejê, formado exclusivamente por jogadores e comissão técnica indígenas. Ele chegou a disputar a segunda divisão do Paraense.
“Em todas as aldeias por onde passei, do Rio Grande do Sul ao Pará, sempre havia uma bola”, diz o doutorando em antropologia Almires Machado, que é guarani.
Entre os guaranis paulistanos, o futebol se transformou no principal meio de lazer.
Na aldeia, sempre é relembrado o feito mais importante da equipe: vencer o time de juvenis do São Paulo- o clube do Morumbi faz ações sociais com os índios.
Olivio Jekupe conta que, em 2007, os tricolores jogaram um amistoso contra a seleção local e perderam por 4 a 1. Quando se apresenta, a equipe guarani usa uniformes do São Paulo, presente dos amigos brancos.
Já o Guarani de Campinas não tem notícia de qualquer aproximação com os guaranis. Sobre convidá-los para os festejos do centenário, o clube considerou ser apenas “uma ótima ideia”.

Por Cleber Aguiar – Obras da Copa 2014 atrasadas…Sim ou Não ?

Fonte: Folha de São Paulo

As obras para a Copa de 2014 no Brasil estão atrasadas?

SIM

É hora de a presidente entrar em campo

JOSÉ ROBERTO BERNASCONI

O Brasil foi escolhido pela Fifa como sede da Copa do Mundo de futebol de 2014, decisão anunciada em outubro de 2007, em Zurique, em cerimônia da qual participaram o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 12 governadores de Estado, representantes de ministérios e do Senado e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.
Desde essa data, já decorreu longo tempo -quase três anos e seis meses. Estamos na metade do prazo, mas longe de termos concluído a metade das obras necessárias à realização da Copa e para deixar legado positivo para a sociedade.
Não é boa a radiografia atual das obras da Copa de 2014.
Boa parte das obras de infraestrutura geral ainda não deslanchou; quanto aos estádios, há situações muito preocupantes, como as de Natal e São Paulo. A maior cidade do país é a única que hoje reúne os requisitos e está predefinida para sediar o jogo de abertura da Copa, mas patina na construção do estádio com capacidade e condições para essa abertura.
Lembramos que o compromisso de realizar bem a Copa de 2014 foi assumido, em nome do país, pela autoridade máxima brasileira, o ex-presidente Lula. É, assim, compromisso de Estado para com a Fifa, com o Brasil e os demais países.
Ao assumir a Presidência da República, Dilma tornou-se a fiadora desse compromisso firmado pelo seu antecessor em nome do país.
Presidente Dilma: a senhora é a única pessoa com poder decisório e de mobilizar recursos, legitimidade e autoridade em relação aos demais ocupantes de cargos públicos envolvidos com a preparação do Brasil para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro.
É, por isso, quem pode cobrar celeridade no desenvolvimento de bons projetos executivos de arquitetura e engenharia, que contemplam as melhores opções técnico-econômicas e definem, entre outros, os cronogramas e os custos das obras. Os projetos executivos permitem aos administradores o total controle do andamento das obras, afastando improvisações e sobrepreços comuns em empreendimentos públicos.
Sem essa cobrança dos responsáveis por parte da Presidência da República, corremos cada vez mais o risco de os eventos de 2014 e de 2016 repetirem o de 2007.
Não pode ser esquecida a lição dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro -quando obras orçadas inicialmente em R$ 400 milhões transformaram-se em fantásticos R$ 3,7 bilhões e, pior, gerando só alguns “”elefantes brancos” e nenhuma melhoria na infraestrutura.
Isso porque faltaram planejamento, projetos executivos e gestão eficiente das obras do Pan-2007.
Estamos na metade do prazo para a Copa de 2014, e restam cinco anos para a Olimpíada de 2016.
Ainda podemos ter obras de qualidade, a custos adequados e no prazo exigido, desde que a senhora, presidente Dilma, exercite a sua liderança para que sejam desenvolvidos bons projetos e obras para estádios, aeroportos, portos, saneamento e mobilidade urbana, entre outros, e para que o país tenha um legado pós-eventos.

JOSÉ ROBERTO BERNASCONI, engenheiro civil formado pela USP, é presidente da regional São Paulo e coordenador dos assuntos da Copa do Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e Engenharia).

NÃO

Faremos a melhor Copa da história

ORLANDO SILVA

A Copa do Mundo da Fifa 2014 é muito mais que a disputa de 64 partidas de futebol por seleções de 32 países. É um evento que produz oportunidades e que serve como catalisador para o desenvolvimento de quem a realiza.
A Copa é excelente plataforma para a promoção de nosso país em âmbito global. O mundo verá uma nação moderna e inovadora. Uma democracia forte. Um lugar marcado pela diversidade, pela tolerância e pela cultura de paz. Uma nação com economia complexa, estável, que permite desenvolvimento sustentado e forte política de inclusão social e distribuição de renda.
A Copa é compromisso de governos. As garantias governamentais oferecidas pelo país à Fifa têm sido cumpridas, inclusive com ajustes na legislação nacional.
A governança pública do processo de preparação do evento se funda num pacto firmado entre os entes federativos e fixado em uma matriz de responsabilidades. Essa matriz estabelece as atribuições de União, Estado, Distrito Federal e municípios, define orçamentos e cronogramas e é um documento público, o que permite transparência e acompanhamento por toda a sociedade.
A Copa tem ciclos de planejamento e trabalho. Já cumprimos o primeiro, selecionamos os projetos e viabilizamos o financiamento de ações de infraestrutura. São projetos para estádios, mobilidade urbana, aeroportos e portos que ora são executados.
O segundo ciclo incorpora outros temas fundamentais, como segurança, turismo, telecomunicações, energia, saúde e sustentabilidade ambiental. O terceiro ciclo tratará de temas operacionais do evento.
A Copa gera empregos. Estudo contratado pelo Ministério do Esporte estima que serão criados 330 mil empregos permanentes até 2014 e que o evento produzirá outros 380 mil empregos temporários.
A Copa tem dia e hora marcados para começar, e esse cronograma antecipa mudanças e investimentos que mais cedo ou mais tarde o país teria que fazer.
Aeroportos são um exemplo: além de disponibilizar todo o recurso necessário para a Infraero ampliar a capacidade do sistema aeroportuário, o governo faz ajustes institucionais e de gestão, o que significa reestruturar o comando da área, inclusive absorvendo maior participação do setor privado. Há expectativa, com tais mudanças, de acelerar o ritmo da atividade nessa área e de requalificar 13 aeroportos.
A Copa estimula a melhoria do transporte coletivo nas nossas principais cidades. São 54 projetos para aperfeiçoar a mobilidade urbana.
Aqui, o desafio do cronograma é urgente, pois 70% das obras começam neste ano. O governo federal garantiu o financiamento, e a execução está nas mãos de prefeituras e de governos estaduais.
A Copa deixará no Brasil estádios mais confortáveis e seguros. Os governos locais escolheram as arenas e o BNDES ofereceu uma linha de crédito para atender aos padrões da Fifa. Em dez cidades-sede, as obras estão em execução.
Natal finaliza a contratação da empresa que fará o seu estádio, enquanto São Paulo terá empreendimento vinculado a um clube local. Prefeito e governador dão garantias de que o estádio paulista estará pronto no prazo acordado.
Os preparativos para a organização do mundial de futebol aumentam o ritmo a cada dia. Trabalhamos para organizar a melhor Copa da história, um evento que deixe um legado que orgulhe os brasileiros. O país pode confiar.

ORLANDO SILVA é ministro do Esporte e coordenador do Comitê Gestor de Ações do governo brasileiro para a Copa do Mundo da Fifa 2014.