ICFUT – Sem espaço no futebol brasileiro, Amaral é estrela na Indonésia

Fonte: lancenet

Com direito a motorista particular e outras mordomias, volante ainda não aposentou e é idolatrado até por rivais na Ásia

Amaral-Foto_LANIMA20110306_0054_30 Amaral (à esq.) e Luciano Leandro, exibindo um dos cartazes de divulgação da liga com a imagem do volante (Arquivo Pessoal)

Casa toda mobiliada, motorista particular, fotos e caricaturas espalhadas por outdoors e, de sobra, a moral de jogar com a camisa 10.

Quando nem sonhava mais em receber um tratamento como este de um clube brasileiro, Amaral reencontrou na Indonésia as alegrias dos tempos gloriosos de Palmeiras, Corinthians, Vasco, Fiorentina (ITA), Benfica (POR) e Seleção Brasileira, nos anos 90.

Agora no desconhecido Manado United, o volante lembrado muito mais por sua vitalidade do que por esbanjar classe, está deitando e rolando aos 38 anos.

– À medida em que fui ficando velho, aprendi a cortar caminhos e melhorei o passe e o lançamento. O técnico adversário manda nego ficar me marcando, porque sabe que a bola sai com qualidade – gaba-se.

Tudo começou com o convite de Luciano Leandro, ex-jogador que passou nove anos no futebol indonésio e recebeu a missão de levar até lá um "atleta consagrado", a fim de divulgar uma liga recém-criada para rivalizar com outra, acusada de corrupção no país, segundo ele.

A torcida logo de cara fez Amaral se sentir em casa e voltar a lidar com a prazerosa rotina de ser parado na rua para posar para fotos e distribuir autógrafos. O tratamento de ídolo é repetido até mesmo pelos jogadores rivais, que também tiram a sua casquinha após as partidas.

Mas mesmo com todos os holofotes em cima de si, o volante mantém a humildade dos tempos de coveiro e revela receber salário compatível ao de clubes da Série A2 do Campeonato Paulista, como o Catanduvense, pelo qual jogou em 2010.

– Poderia estar no Brasil ganhando o mesmo salário daqui, mas como não tinha surgido nada, abracei a oportunidade de vir para cá. A diferença é que, na Indonésia, paga-se em dia, enquanto clube pequeno no Brasil paga uma vez e depois passa três meses sem dar nada – explica.

O dinheiro ganho em quase 20 anos de carreira foi o bastante para lhe dar uma vida tranquila, mas se engana quem pensa que Amaral está nadando na grana.

Ele diz que ficou sem receber por sete meses quando defendeu a Fiorentina e que, com o calote tomado em outros clubes, ainda não pode se orgulhar de ter garantido o futuro.

– Perdi muito dinheiro para o futebol. Só na Fiorentina deixei de receber mais de R$ 1 milhão. Mas, graças a Deus, hoje tenho saúde, minha casa e não moro de aluguel. Isso é o mais importante – afirma.

Bate Bola

Amaral, volante do Manado United (IND)

LANCENET!: Como está sendo sua adaptação à Indonésia? 

Sou um cara tranquilo. Fico mais em casa. Quando vim para cá, falei que queria uma casa boa, com mordomia. Porque você está num país totalmente diferente do seu, então tem de ter tudo na sua casa. Internet, televisão, um bom videogame. Meu primo (Vanderlei, que mora com ele) trouxe feijão também…
LANCENET!: E como é o clima?
É calor direto. Só uso calça para ir à igreja, porque não dá para ir de bermuda. É um país diferente. De todos em que já joguei, é o que tem a cultura mais diferente. Mas estou gostando.
LANCENET!: O que tem de tão diferente?
Os caras aqui tomam sopa de olho de galinha, sangue de cobra. Me convidaram para comer um morcego. Falei: “Pô, isso aí é Batman, não vou comer isso aí, não!” (risos). O pessoal come muita pimenta. Impressionante! Quem tiver hemorroida está morto.
LANCENET!: Mas não tomou sustos por aí?
Não. O que dá um pouco de medo, no meu caso, é acordar e dar de cara com o vulcão. Mas ele está dormindo. Até falo para o meu primo que, se o vulcão acordar, os primeiros que ele pegará seremos nós. A minha casa fica a dois quilômetros do vulcão.
LANCENET!: E a torcida é acompanha?
Sim, nunca vi igual! No Brasil as torcidas só percebem quando você é campeão ou quando perde. Aqui não. Eles são muito apaixonados. O pessoal me para bastante na rua. Pede para tirar foto. Os jogadores dos outros times também vêm tirar foto. É gostoso.
LANCENET!: É mais apaixonada do que a torcida brasileira, então?
Treinamento aqui atrai duas mil pessoas. Os estádios, a cada jogo, dá 20 mil de público. Impressionante! É muita gente. Essa liga nova tem 20 times, na outra são 30 times só na Segunda Divisão. E nesses jogos de Segunda Divisão, dá 20 mil, 30 mil pessoas.  Público mais baixo é de 10 mil.
Nota da redação: a capacidade do estádio do Manado United é de 10 mil pessoas.
LANCENET!: Você sente que sua presença tem dados mais público ao futebol aí na Indonésia?
Por exemplo, os ingressos são com foto minha. Algumas cidades têm outdoors meu. Eles fizeram um marketing grande com a minha imagem. Mas é porque eles são muito apaixonados.
LANCENET!: Eles sabem de toda a história de você ter sido coveiro?
Não comentei isso aí, não. É uma coisa que é passado. Não gosto de ficar lembrando o passado. Já passou. Vida nova. Mas se perguntarem para mim o que eu era antes, com certeza vou falar.
LANCENET!: Já planeja a aposentadoria?
Do jeito que estou aqui, dá para jogar até os 40 anos. Estou com 38, mas corpinho de 25 (risos).

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