Por Rogerinho – Há cinco anos, São Paulo era TRI CAMPEÃO DO MUNDO e sepultava rótulo de ‘amarelão’

 

FONTE – Gazeta Esportiva.Net

Título foi a consagração definitiva de Rogério

Luis Fabiano, França, Kaká, Júlio Batista, Ricardinho e muitos outros jogadores são donos de inegável qualidade técnica. No São Paulo, porém, não conseguiram conquistar um grande título de expressão. Para piorar, os fracassos colecionados em torneios eliminatórios fizeram com que o time do Morumbi ganhasse dos rivais um rótulo indigesto entre o fim dos anos 90 e o início da década de 2000: ‘amarelão’.A partir de 2004, a diretoria encabeçada pelo presidente Marcelo Portugal Gouvêa e pelo diretor de futebol Juvenal Juvêncio decidiu apostar em um grupo sem grandes astros para resgatar o orgulho da torcida, que amargava decepções desde a perda da Libertadores de dez anos antes, que talvez caracterize a maior tragédia da história são-paulina. Os frutos seriam colhidos em 2005.

Jogadores como Cicinho, Fabão, Josué, Mineiro, Danilo, Aloisio e Grafite, destaques em clubes menores, entraram em perfeita sintonia com atletas mais experientes como Rogério Ceni, Júnior e Amoroso. Aliado a tudo isso, estava o espírito de liderança de Diego Lugano, que chegou sob desconfiança de jornalistas e torcedores, mas revelou-se um grande xerife e tornou-se ídolo dos tricolores.

“Não só o Lugano, mas também o Júnior, que já tinha experiência no futebol europeu, o Mineiro, que era calado mas dentro de campo também era um líder, o Josué, eu, o Rogério… O time tinha uma espinha dorsal com experiência”, lembrou o atacante Amoroso, em entrevista à Gazeta Esportiva.Net.

No início daquele ano, com Emerson Leão no comando, a equipe já havia faturado o Campeonato Paulista com sobras. Depois, mesmo com a saída do treinador, que foi para o Japão pagar uma “dívida de gratidão com um velho amigo”, faturou a Copa Libertadores após 12 de jejum, sob a batuta de Paulo Autuori, garantindo vaga no Mundial de Clubes da Fifa, no Japão.

 

Souza, Grafite e Fabão festejam no trio elétrico

Em 2005, o torneio deixou de ser disputado apenas por dois clubes e passou a contar com todos os campeões continentais. O Tricolor entrou na competição nas semifinais e encontrou mais dificuldades que o esperado contra o Al-Ittihad (Arábia Saudita), do brasileiro Tcheco, no Estádio Nacional de Tóquio.Em grande fase, Amoroso abriu o placar logo aos 15 minutos do primeiro tempo, mas Noor empatou aos 32, aproveitando rebote de Rogério Ceni. Amoroso voltaria a balançar as redes logo no primeiro minuto da etapa complementar, pouco antes do estreante Aloisio sofrer pênalti bem cobrado pelo goleiro artilheiro: 3 a 1. Ainda antes da metade do segundo tempo, Al Montashari diminuiu e transformou os minutos finais da partida em uma contagem regressiva que terminaria com classificação brasileira.

Angustiados após a difícil partida de estreia, os jogadores do São Paulo ficaram ainda mais temerosos ao assistirem de perto a vitória do Liverpool por 3 a 0 sobre o Saprissa, da Costa Rica, em Yokohama. O gigante Peter Crouch, com imponentes 2,01m, marcou dois gols, enquanto o craque Gerrard anotou o outro. A facilidade dos ingleses parecia desanimar os tricolores, mas havia uma arma secreta.

“Nós sabíamos do favoritismo do Liverpool, mas a situação mudou depois da preleção do Autuori. Ali o grupo começou a ganhar o jogo, porque ele fez uma avaliação impressionante de como a equipe deles jogava”, contou o capitão Rogério Ceni, momentos após erguer a taça do torneio, depois de 90 minutos de muito sofrimento, há exatos cinco anos.

Polícia não conseguiu calcular a multidão tricolor, que parou a cidade para festejar
Sem sofrer gols há 11 jogos, os comandados de Rafa Benítez sentiam-se “imbatíveis”, de acordo com o capitão Gerrard, mas curiosamente entraram em campo sem uma das armas mais temidas pelos brasileiros: Crouch começou no banco, enquanto Morientes e Luís Garcia tinham a difícil (e, naquele dia, impossível) missão de superar o sistema defensivo do São Paulo.

Do outro lado, a dificuldade era parecida, mas o Tricolor possuía um elemento surpresa: Mineiro, aos 26 minutos do primeiro tempo, recebeu lançamento de Aloisio e surpreendeu Hyypia, zagueiro grandalhão que nada pôde fazer a não ser olhar a conclusão precisa do camisa 7.

O mundo estava aos pés do São Paulo, mas as mãos de Rogério Ceni ainda tiveram de praticar alguns milagres – inclusive na célebre falta cobrada por Gerrard, aos seis minutos do segundo tempo. Além da inspiração do capitão, o Tricolor contou com a ajuda da trave e assistiu apreensivo aos três gols ingleses, bem anulados pelo auxiliar canadense Hector Vergara.

Quando já não havia mais unhas para roer, o apito final do mexicano Benito Archundia foi o estopim para uma festa sem fim dos milhares de são-paulinos nas arquibancadas do Estádio Internacional de Yokohama e dos milhões espalhados pelo Brasil. “Não tenho como explicar, só quem vive esse momento sabe como é”, dizia Mineiro, o herói.

Três dias depois do título, uma multidão “incontável”, segundo a Polícia Militar, foi às ruas da capital paulista para receber os campeões e espantar de vez a fama de ‘amarelão’. O trajeto, percorrido em cima de um trio elétrico, estava completamente tomado por são-paulinos desde o Aeroporto de Guarulhos até o Morumbi, com direito a encontros com o então prefeito José Serra e com o governador Geraldo Alckmin, respectivamente na Prefeitura e no Palácio dos Bandeirantes.

“Essa é a maior festa que a cidade já viu, graças a vocês. Obrigado! Temos a maior torcida do mundo”, festejou Rogério Ceni, em cima do ‘Demolidor’, caminhão com mais de quatro metros de altura cedido pela patrocinadora do clube.

Festa tricolor só terminou no Morumbi
Além dos incansáveis Mineiro e Lugano, o goleiro foi o único titular que resistiu à maratona de quase 12 horas e chegou ao Morumbi para mostrar o troféu aos cerca de 15 mil torcedores que lá estavam.

Era a consagração do capitão – eleito o melhor jogador do torneio mesmo jogando no sacríficio, com dores no joelho – e o retorno do clube ao topo do planeta, para espantar de vez a má fama e se consolidar como o time brasileiro com mais conquistas mundiais, posto que ocupa até hoje.

Por Rogerinho – Destaque do tri, Amoroso ‘ignora’ dívida e se declara ao São Paulo

 

FONTE – Gazeta Esportiva.Net

Amoroso era querido pela torcida, mas teve saída tumultuada depois do tri mundial

Há cinco anos, Amoroso ajudava o São Paulo a derrotar o Liverpool e gravava seu nome na história do clube, como integrante do grupo campeão mundial em 2005. No entanto, a boa passagem do atacante pelo Morumbi – onde também foi decisivo na Libertadores – foi meteórica e acabou antes do previsto, após um longo e polêmico processo de renovação contratual.De acordo com ele, por desconfiar de seu potencial, a diretoria não quis oferecer um contrato válido por três temporadas, como era sua vontade. A descrença dos dirigentes também é justificativa para as polêmicas envolvendo o pré-contrato que assinou com o FC Tokyo às vésperas do Mundial e a indefinição quanto ao prêmio em dinheiro que seria recebido pelos jogadores pela eventual conquista.

Amoroso afirma que alguns dirigentes não acreditavam na conquista do tri e por isso teriam projetado utilizá-lo como ‘bode expiatório’ em caso de derrota. Mesmo magoado e até hoje brigando na Justiça para tentar receber a premiação pelo título mundial, ele não escondeu seu carinho pelo Tricolor nesta entrevista exclusiva concedida à Gazeta Esportiva.Net. “Eu nunca quis sair do São Paulo. Achei que nunca mais sairia e que pudesse ficar até hoje”, revela.

Depois de uma rápida e apagada passagem pelo Corinthians, Amoroso ainda esteve no Grêmio e aventurou-se no Aris Tessalônica, da Grécia, antes de voltar ao Guarani, clube que o revelou, para encerrar a carreira. Rodado, ele diz que os dois times que mais gosta são justamente o Bugre e o São Paulo. O nome do estádio são-paulino, aliás, foi modificado pelo ex-atleta. “Falei que ia mudar para Moruntri e está assim até hoje!”.

Gazeta Esportiva.Net: O título mundial do São Paulo está fazendo cinco anos. Lembrava da data?
Amoroso: Claro, lembro sim. O tri, né? Falo sobre isso com o maior prazer!

GE.NET: Você ainda mantém contato com os jogadores que fizeram parte daquele time?
Amoroso: Mantenho. Para não ficar no esquecimento, a gente se fala por internet, celular e rádio. Tenho contato com Luizão, Júnior, Fabão, Alex Bruno, Edcarlos, Lugano… Falo também com o Cicinho, o Danilo, que agora está no Corinthians… A gente se fala sempre.

GE.NET: Como foi a noite anterior ao jogo do Liverpool? Conseguiu dormir bem?
Amoroso: Na verdade, o jogo do Liverpool não era o mais perigoso. A ansiedade que havia era para a estreia, contra o Al-Ittihad, para tirar aquele friozinho da barriga por entrar numa competição onde você não pode perder. Para nós, o primeiro jogo era mais importante e enfrentar o Liverpool seria conseqüência. Me lembro muito bem que, momentos antes da estreia, eu e os jogadores mais experientes, com o aval do Autuori, reunimos todo mundo e dissemos que aquela poderia ser a última oportunidade da maioria de disputar um Mundial. Todo mundo tinha que esquecer a vaidade e os problemas familiares e pensar só no título.

Com Amoroso, Morumbi virou “Moruntri”

GE.NET: Pelo jeito, a conversa deu resultado.
Amoroso: O grupo se fechou e fizemos dois jogos maravilhosos. No aquecimento para o jogo contra o Liverpool, no campo sintético que havia ao lado do vestiário, lembro que o Autuori reuniu todo o grupo e pediu para que fizéssemos tudo o que sabíamos porque com certeza sairíamos com o título. O Mineiro foi abençoado e fez o gol e o Rogério fez uma grande partida. Conheço o Ceni há muito tempo e acho que ele nunca mais vai ter uma atuação como aquela. Foi a partida em que ele mais se destacou.GE.NET: Antes mesmo da estreia você tinha assinado um pré-contrato com o FC Tokyo e isso também foi muito comentado aqui no Brasil. Isso atrapalhou o grupo?
Amoroso: Na realidade, parte dos dirigentes não acreditava que ganharíamos do Liverpool. Os jogadores acreditavam, claro, mas ficou aquela situação constrangedora, porque eles buscaram dois bodes expiatórios para uma possível derrota: o Cicinho, que já estava vendido para o Real Madrid, e o Amoroso, que tinha esse pré-contrato com o FC Tokyo, que depois não foi cumprido e não valeu nada. Acharam dois jogadores para que pudessem culpar num possível fracasso. Aquilo me revoltou muito.

GE.NET: Mesmo assim, você dizia que estava focado no título e foi o destaque do jogo contra o Al-Ittihad, com dois gols.
Amoroso: Quando fiz aqueles gols, me saiu um peso das costas. Tudo que eu queria na vida era ser campeão do mundo. Ficou aquela tristeza por tentarem tumultuar um ambiente maravilhoso.

GE.NET: Também houve uma polêmica quanto à premiação em caso de título e os jogadores ficaram sem falar com a imprensa depois do primeiro jogo por causa disso.
Amoroso:
A premiação foi estabelecida pelo Rogério Ceni e me lembro que o Cicinho perguntou por que ele foi negociar e não o Amoroso, o Lugano ou o Júnior, que também eram experientes. Mas tudo estava definido antes da estreia, o grupo estava fechado e pensava somente no título. Quem criou essa polêmica foram alguns membros da diretoria. Eu, infelizmente, ainda não recebi o prêmio. Mas tudo bem, essa questão está sendo discutida na Justiça.

GE.NET: Quem eram esses dirigentes que não acreditavam no time?
Amoroso: A diretoria é muito grande, tem também os conselheiros… Uns acreditavam, outros não. Acho que não é o caso citar nomes.

GE.NET: Você era um dos líderes daquele grupo. Além do Rogério Ceni, quem eram os outros? O Lugano, que é idolatrado pelos torcedores até hoje, pode ser apontado como principal líder?
Amoroso: Não só o Lugano, outros jogadores também eram líderes. O Júnior já tinha experiência do futebol europeu, o Rogério, eu, o Luizão na época da Libertadores… Vejo o Barcelona jogar com Xavi e Iniesta e lembro dos dois pequenos do São Paulo, Josué e Mineiro, contra aqueles grandões. O Mineiro era mais calado, mas dentro de campo também era um líder. Enfim, era um grupo experiente e forte e acho que nunca mais o São Paulo terá um grupo como aquele de 2005. Ganhou títulos brasileiros na sequência, mas jogadores como aqueles é difícil de encontrar, éramos muito fortes mentalmente também.

GE.NET: Uma das cenas marcantes do jogo contra o Liverpool é a invasão daquele torcedor corintiano que jogou um bambi de pelúcia no Rogério Ceni. Naquele momento do jogo, o São Paulo estava sendo pressionado. Aquilo ajudou o time a recuperar a concentração?
Amoroso: Estávamos tomando pressão, então foi maravilhoso, agradecemos eternamente. Aquilo nos motivou muito mais e o Rogério começou a pegar tudo, deixando o gol do tamanho de uma caixa de fósforo. Sabíamos que estava todo mundo torcendo contra, porque ninguém queria que o São Paulo fosse o único tricampeão no Brasil, superando o Santos de Pelé. Não tinha jeito, atravessávamos uma excelente fase, com um grande treinador e um grupo unido desde a conquista da Libertadores, independente de prêmio ou de qualquer outra coisa. Ninguém estava interessado nisso, só no título.

GE.NET: E os três gols anulados do Liverpool? Aquilo também foi providencial, não foi?
Amoroso: Foi uma grande atuação do bandeirinha [Hector Vergara, do Canadá]! Ele já pode se aposentar e dizer que foi a melhor atuação da vida dele (risos). Ele anulou corretamente. Se tivesse algum tipo de má intenção para dar o título aos europeus, ele deixaria passar um ou dois, mas foi muito correto. Isso nos ajudou e acho que poderiam chutar quantas bolas quisessem: ou o Rogério ia defender ou estariam impedidos.

 

Atacante era um dos mais empolgados com a festa da torcida após a chegada do Japão

GE.NET: Depois do título, antes do embarque para o Brasil, o Marco Aurélio Cunha declarou que você era o mais empolgado com a festa que a torcida faria na chegada do grupo, acompanhava tudo pela internet. Você foi um são-paulino por seis meses?
Amoroso: Pra falar a verdade, eu nunca quis sair do São Paulo. Eu sempre falo isso e minha família pode comprovar. Cheguei na reta final da Libertadores, num momento em que o time precisava por causa da ausência do Grafite [que passou por uma operação no joelho]. Eu sabia que me sentiria bem, porque cresci com o Luizão no Guarani e ele seria meu companheiro de ataque, também tinha amizade com o Rogério Ceni, tinha jogado com o Júnior no Parma, conhecia o Milton Cruz do Japão e também conhecia o Marco Aurélio Cunha, do próprio Guarani. Além disso, o Autuori conversou comigo antes que eu assinasse e disse que confiava em mim. Eu achava que nunca mais sairia, achei que pudesse ficar até hoje.GE.NET: E por que não ficou?
Amoroso: Quando acabou a Libertadores, eu fui até a diretoria e pedi para renovar o contrato por mais três anos, disse que me sentia feliz em São Paulo e que minha família estava estabilizada em Campinas. Eu queria ficar para sempre! Mas aí ficou aquela demora, um impasse e parte da diretoria não acreditava em mim. Tudo isso me motivou a voltar para o futebol europeu e, depois do Mundial, o Milan abriu as portas para mim. Todo jogador sonha com Milan, Barcelona ou Real Madrid. Eu estava com 32 anos e achava que aquela proposta tinha caído do céu, mas fui com dor no coração em saber que deixei um clube onde vivi momentos maravilhosos.

GE.NET: Você arrebentou na final da Libertadores e no Mundial. Qual era a justificativa dos dirigentes que não acreditavam em você?
Amoroso: Não sei o que se passa, como funciona essa questão de contrato, então é difícil falar. Quando coloquei a camisa do São Paulo, percebi que tinha caído muito bem e achei que poderia ser um ídolo da torcida. Não guardo mágoa, mas fico triste por não ter sido ouvido quando poderia ficar por mais três anos. Fui para o Milan com um contrato mais curto e não fui tão feliz como poderia ter sido no São Paulo, com menos dinheiro.

GE.NET: Por ter sido campeão da Libertadores e do Mundial em tão pouco tempo, você não acha que é um ídolo?
Amoroso: Eu me considero. Os torcedores sabem que sempre entrei em campo com muita dedicação, garra e carinho pelo clube, seja no Brasileirão, na Libertadores, no Mundial ou na Sul-americana. Fico feliz por fazer parte da história do São Paulo e acho que faço parte desse time de ídolos. Muitos jogadores jogaram mais tempo, mas não ganharam tanto quanto o Amoroso com a camisa do São Paulo. Não saí por questão financeira. Falei que ia mudar o nome do Morumbi para Moruntri e está assim até hoje (risos)!

GE.NET: A forma como saiu do clube não atrapalhou?
Amoroso: Alguns pensam que por eu ter ido para o Milan e depois para o Corinthians, não posso ser considerado um ídolo. Fui criado no Guarani e nunca jogaria na Ponte Preta, mas não vou ser o último e nem fui o primeiro jogador que saiu do São Paulo e jogou por um clube rival. Não fui procurado para voltar quando não estava feliz no Milan. O São Paulo deveria ter aberto as portas, mas só falou comigo quando já estava certo com o Corinthians.

GE.NET: Sua passagem pelo Corinthians, em 2006, foi apagada. Se arrepende de ter ido para lá?
Amoroso: Era um momento difícil no clube. O Corinthians atravessava uma fase muito complicada, com indefinições de patrocinador e na diretoria. Ninguém sabia quem mandava ou em quem confiar. Sabia que seria difícil construir uma história como fiz no São Paulo, mas disse que não ia deixar o time cair. E não caiu.GE.NET: Não tem saudades de ouvir a torcida gritando que você “é um terror”? Não vai mais voltar a jogar futebol?
Amoroso: Daqui pra frente meu rumo é outro. Estou na área de construção, empreendedorismo, e agora trabalho de terno e gravata (risos). Recentemente joguei pelo São Paulo no Showbol [modalidade parecida com o futebol society, que reúne ex-jogadores de futebol] e senti aquele gostinho novamente. Quem sabe no Showbol eu não possa jogar pelos dois clubes que gosto? Guarani e São Paulo.

GE.NET: Tem um recado para deixar aos torcedores do São Paulo?
Amoroso: Eu agradeço principalmente aos companheiros que jogavam comigo. Agradeço também à Torcida Independente, que sempre acreditou no meu trabalho. Momentos antes da partida contra o Liverpool, integrantes da Independente falaram comigo e me pediram pelo amor de Deus para jogar tudo que sabia e já havia mostrado em outros clubes. Eu disse a eles que podiam ficar tranquilos, pois não iriam se decepcionar. O que vale é o carinho dos torcedores que estão sempre torcendo, na chuva, no sol ou na neve. Acertei com o São Paulo sem luvas, com salário muito abaixo do que merecia, mas me sentia bem, o clube é maravilhoso. Se eu tivesse ficado, o São Paulo seria tetra, porque não teria perdido a Libertadores de 2006 para o Inter.

Por Rogerinho – Especial do TRI MUNDIAL: Onde está Mineiro?

Sem contrato desde agosto, autor do gol do tri ainda vive na Alemanha

FONTE – LANCENET

– Não tenho o telefone dele. E, na verdade, também não faço a menor ideia de onde o Mineiro esteja.

A primeira tentativa de encontrar o autor do gol que deu o tricampeonato mundial ao São Paulo, em 18 de dezembro de 2005, foi em vão. Mesmo conhecido por ter bom trânsito entre os jogadores, o superintendente de futebol Marco Aurélio Cunha não deu nenhuma pista sobre o paradeiro do volante.

E a resposta foi parecida quando jornalistas e pessoas que trabalharam com Mineiro no Brasil foram questionadas. Até que um número de celular com código de área da Alemanha levou a reportagem do LANCENET! ao encontro do jogador.

Em Gelsenkirchen (ALE), cidade do Schalke 04, o herói do título vive com a família e estuda propostas desde que ficou sem contrato com o clube alemão, em agosto. Aos 35 anos, e ainda evitando a palavra “aposentadoria”, ele rechaça a possibilidade de retornar ao Brasil:

– Não atuei no segundo semestre, pois fiquei organizando coisas pessoais. Mas ainda não parei, não (risos). Para a próxima temporada, estou estudando algumas possibilidades e ofertas, mas tudo em questão de Europa. Não existe possibilidade, no momento, de estudar propostas de retorno ao Brasil.

Isso porque ainda quer vencer no Velho Continente. Um dos melhores volantes do Brasil na época, considerado assim por críticos e pelo técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira – que o levou para a Copa do Mundo de 2006 –, Mineiro passou por três clubes após deixar o Sampa: Hertha Berlim (ALE), Chelsea (ING) e Schalke 04. E em nenhum deles, porém, conseguiu chegar ao nível do Tricolor:

– Ainda vivo um momento de adaptação. A Europa é outra realidade e estilo de vida, até mesmo nas questões profissionais. Saí do Brasil ciente dos desafios, das situações que me esperavam na Europa. Continua sendo um desafio…

No maior de todos que já teve, na final do Mundial de Clubes da Fifa, contra o Liverpool (ING), Mineiro venceu. Desafio superado com um improvável gol. Inesquecível.

Se a pergunta for onde está Wally, a resposta é: Mineiro está em busca de mais dias de glória, como o vivido há exatos cinco anos.

Bate-Bola com Mineiro
Por telefone, ao LANCENET!

LANCENET!: Quais as principais lembranças que ficaram do Mundial de 2005?
MINEIRO: A lembrança é de toda a trajetória que fizemos para chegar até aquela sonhada decisão. Havia toda uma expectativa no primeiro jogo, de viver aquele momento inédito. Mas o grupo reagiu bem naquela situação, apesar de não termos ido muito bem no primeiro jogo. Na final, sim. Ficamos felizes por todos se doarem e buscarem se superar, para atingirmos o objetivo principal, o título.

LANCENET!: Saíram do Brasil confiantes?
MINEIRO: Na verdade, não tínhamos ideia do que nos esperava. Para muitos jogadores, era a primeira vez em uma experiência internacional. E havia uma expectativa da torcida e também de um país, fomos representar um país. É claro que acreditávamos que podíamos conseguir o título, mas a ansiedade cercava um pouco o grupo.

LANCENET!: Achou que pudesse justamente ser você o autor do gol do título?
MINEIRO: (Risos) Não. Apesar de ser uma característica minha no time aparecer como elemento surpresa, nem o mais otimista dos torcedores imaginava que eu o marcaria.

LANCENET!: O que pensou na hora?
MINEIRO: Na hora passou muita coisa pela minha cabeça. Posso afirmar que até hoje a minha ficha ainda não caiu direito. Quando eu tiver meus netos, parar realmente e baixar a poeira do futebol, terei um pouco mais de noção do que representou aquele título. Foi uma coisa que não dá pra descrever, uma das maiores emoções que já tive. Você se sente como se o seu dever tivesse sido cumprido. Aquele foi um dos melhores grupos que eu já atuei. Era mesmo como uma família, sem vaidades.

LANCENET!: Como está sua vida na Europa?
MINEIRO: Entendo que, muitas vezes, é necessario criar novos caminhos para que possamos crescer. É o que tem acontecido aqui na Europa. Venho crescendo, aprendendo coisas novas. Estou muito feliz de estar aqui junto com a família.

Por Rogerinho – Especial do TRI MUNDIAL: Ceni a Reina: ‘Você tem só 23 anos…’

Melhor do Mundial, capitão do São Paulo revela palavra de consolo ao goleiro vice-campeão

FONTE – LANCENET

– Você tem 23 anos, ainda vai ter chance de ganhar vários Mundiais. Eu tenho 32, tinha de vencer esse.

Assim, Rogério Ceni, melhor jogador da final contra o Liverpool e também do Mundial de Clubes de 2005, consolou o colega Reina. O goleiro espanhol foi o único adversário com quem o maior ídolo do São Paulo trocou uma palavra no dia de sua consagração em Yokohama.

Reina não era vazado há 11 jogos antes da finalização certeira de Mineiro da decisão do torneio. Na época, já tinha a admiração do capitão tricolor, nove anos mais velho.

Assim que o mexicano Benito Archundia apitou o fim da partida, todos os são-paulinos correram em direção a Rogério. Depois dos abraços, o goleiro fez questão de ir até o colega rival para cumprimentá-lo.

O gesto serviu também para rechaçar ainda mais a tese de que os europeus não dão importância ao torneio de campeões continentais.

– Ele apertou minha mão e saiu andando. Dizem que eles não se importam, mas quando perdem ficam tristes demais, e quando ganham, comemoram como todos – disse o capitão, que, no pódio, ao receber a Bola de Ouro, encarou a cara amarrada do Bola de Prata Gerrard.

Depois de cinco anos, Rogério Ceni ainda se lembra de cada minuto do dia 18 de dezembro de 2005. Dia em que conquistou o título mais importante de sua longínqua carreira e anunciou que faria uma artroscopia no joelho esquerdo.

As dores surgiram com mais força dois dias antes da decisão. Os exames davam a certeza de que seria necessária uma intervenção cirúrgica. O capitão confirma que se não fosse a final do Mundial, dificilmente ele teria entrado em campo.

– Eu teria feito logo a artroscopia, mas como era o último jogo, e “o jogo”, resolvi não treinar para ter condições. Tinha receio do joelho travar e não ir mais, acabei o jogo com muita dor, no meu limite.

Rogério sonha em voltar ao Mundial em 2012, já que no ano que vem o São Paulo não disputará a Copa Libertadores. Até lá, revê em vídeo seu jogo mais importante.

– Agora é tranquilo, mas nas primeiras vezes eu assistia ao jogo e ficava meio assustado, achava que eles podiam empatar – brincou.

Não podem, Rogério. Não mais.

As principais defesas de Rogério Ceni contra o Liverpool

38′ 1ºT
Gerrard cobra falta na área e o espanhol Luis Garcia desvia de cabeça, no canto. Rogério se estica todo e evita o gol. A defesa (foto ao lado) é considerada pelo goleiro a mais difícil de toda partida.

6′ 2ºT
Plasticamente, o momento mais belo de Rogério Ceni na decisão do Mundial. Ele voa no ângulo esquerdo para espalmar cobrança de falta precisa do craque inglês Steven Gerrard, que parece não acreditar.

9′ 2ºT
Kewell faz boa jogada pelo lado esquerdo, sobre Cicinho, e vai a linha de fundo. O cruzamento traiçoeiro leva a bola a caminho gol e o capitão tricolor, atento, a desvia para escanteio.

19′ 2ºT
Luis Garcia, um dos mais perigosos da equipe inglesa, se livra da marcação de Lugano, entra na área e dispara com força contra o gol. Rogério, bem posicionado, consegue espalmar para escanteio.