ICFUT- Entrevista com Fernando Carvalho .

Fonte: O Estado de São Paulo

‘Grito o tempo todo, xingo o jogador”

FERNANDO CARVALHO, Presidente de honra e ”acima de tudo torcedor” do Inter

Giuliander Carpes – O Estado de S.Paulo

Fernando Carvalho é o caso raro de um dirigente que vira ídolo de uma torcida sem jamais ter pisado num gramado como jogador de futebol. Presidente de honra do Internacional, quase levou o clube para a Segunda Divisão do futebol brasileiro logo no seu primeiro ano de gestão (2002). Não só recuperou o time como foi o artífice da internacionalização do clube com os títulos da Taça Libertadores (2006 e 2010), Mundial de Clubes (2006), Copa Sul-Americana (2008), Recopa Sul-Americana (2007). Falou ao Estado sobre as sensações de 2006 que pode ver repetidas neste ano se o Inter ganhar mais um título, em Abu Dabi.

O senhor é respeitado pelos torcedores, algo que não é muito comum. Como vê essa situação?

No nosso ambiente, isso às vezes aflora, outras vezes não. Passei um período longo sofrendo muitas críticas. Depois do Mundial de 2006, fiquei um ano e meio fora, as coisas demoraram a se encaixar e sofri bastante. Mas realmente tenho uma excelente relação com a torcida colorada. Certamente isso é por ter convivido com o torcedor em muitos momentos vitoriosos. Sou um torcedor acima de tudo e demonstro isso. Talvez seja esse o motivo de uma identificação tão grande.

De 2006 para cá, o pior momento do clube foi quando o senhor esteve afastado. Por que saiu do clube no início de 2007?

Foi um período de muito desgaste até o título mundial de 2006. Achei que era o momento de dar espaço para novos dirigentes como o Giovanni Luigi (eleito novo presidente no início do mês), que assumiu a vice-presidência de futebol naquela época, e mesmo ao Vitorio (Piffero), que ficou como presidente. Só voltei ao clube em maio de 2008, porque o Inter estava em um momento de turbulência e havia muita rejeição ao Tite, que era o treinador certo para aquele momento. Retornei para dar o aval a essa contratação e vencermos a Copa Sul-Americana.

Estava muito emocionado quando o Inter chegou a Porto Alegre em 2006. Sentia-se com o dever cumprido?

Sim, bastante. E nosso time nunca havia vencido um título fora de casa. A única vez que eu lembro foi em Pelotas, em 1961, que foi meu primeiro título (do Campeonato Gaúcho) como torcedor. Foi uma festa maravilhosa, lembro até hoje. Fui com meu pai e meus irmãos esperar o ônibus da delegação, teve carreata, mas os títulos brasileiros foram no Beira-Rio, assim como o da Copa do Brasil de 1992 e o da Libertadores de 2006. Vi vários clubes chegando e andando em carro de bombeiros. Também queria ver o meu clube e acabei participando como um dos passageiros daquele carro de bombeiros em 2006. Foi uma grande festa com mais de 600 mil pessoas nos recebendo nas ruas. Me emociono só de lembrar. Foi o maior momento da minha vida, sem dúvida.

Não será igual se repetir o feito neste ano?

As coisas se renovam. Não sei se minha vibração quando fomos campeões da Libertadores pela primeira vez foi tanta quanto a da última conquista agora. Acho que aquela vez o sofrimento aplacou um pouco a vibração. A qualquer momento podia sair um gol e mudar a história. Desta vez foi mais tranquilo, mais comemorado.

Um dos vídeos mais vistos do Youtube pelos colorados é o da sua festa particular nas tribunas do estádio no Japão, quebrando protocolo. O senhor vai se comportar nas tribunas de Abu Dabi?

Este ano não é comigo, estou fora. Agora é com o Vitorio. Aquela vez (no Mundial de 2006 em Yokohama), aos 30 do primeiro tempo, quando o juiz deu uma falta indevida, já mandei ele longe. O presidente do Barcelona veio me cumprimentar no final do jogo e disse: “Vocês jogaram com 12.” Aí perguntei: “Como assim?” Ele disse que eu estava jogando junto ali. Eles são totalmente diferentes de nós no estádio. Eu antes de tudo sou torcedor. Não tem como eu viver um jogo tranquilo. Eu grito o tempo inteiro, xingo o jogador.

E o Gabiru (autor do gol do primeiro título mundial)? Não acha que o Inter age mal com ele?

Logo depois da festa da vitória, numa churrascaria japonesa, chamei o Gabiru e disse: “Agora vamos fazer novo contrato contigo, vamos te empalhar e pôr na frente do estádio (risos).” Essa era a proposta. O Gabiru por enquanto não quer voltar para o Inter, porque ainda quer jogar. Quando encerrar a carreira, pode ter certeza de que o Inter vai estar esperando. Vai entrar para o departamento de comunicação e correr o Rio Grande mostrando seu pé. A coisa mais fotografada será o pé do Gabiru.
QUEM É

Fernando Carvalho

Nasceu em 1º de novembro de 1952, em Porto Alegre. Assumiu a presidência do Internacional em 2002 e ficou no cargo até 2006, quando conquistou a Taça Libertadores e o Mundial. Hoje é o vice de futebol.

Um pensamento sobre “ICFUT- Entrevista com Fernando Carvalho .

  1. solicito atraves do sr. contato urgente com a presidencia, para que eu possa colocar uma ideia para o inter arrecadar recursos para as obras do estadio sem necessitar de construtoras tendo que seder espaços pertencentes ao clube perdendo assim recursos importantes para a sobrevivencia do clube. Deixarei o meu telefone para contato para que o cluebe me procure o quanto antes para começarmos essa campanha que sera maravilhosa tel: 51.99689005. abraços

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