Por Cleber Aguiar – Goiás pode conquistar o maior título da sua história!

Fonte: O Estado de São Paulo

Dia para o Goiás esquecer a tristeza

Rebaixado no Brasileiro, time tenta na Argentina, diante do Independiente, a sua maior façanha. Pode até perder por 1 gol

Fábio Hecico – O Estado de S.Paulo

Eles choraram muito ao longo da temporada. Viram o Goiás fracassar no Campeonato Goiano e na Copa do Brasil e dar vexame e ser rebaixamento no Brasileiro. Mesmo assim, não abandonaram em nenhum momento o time de coração. Ergueram o moral dos jogadores, a quem apelidaram de “guerreiros”, e hoje, a partir das 22 horas, diante do Independiente, na Argentina, os torcedores esmeraldinos podem fechar a temporada com lágrimas nos olhos, mas de alegria e emoção com a maior conquista da história do clube. Até derrota por um gol de diferença dá a taça da Copa Sul-Americana ao Goiás e, consequentemente, uma vaga na Libertadores de 2011.

Chegada da equipe na Argentina.

“Não vai ser fácil, mas vamos ganhar. Pelo que o time fez na competição, ele merece ganhar. Será importante para a gente, pois não temos nenhuma conquista internacional”, diz o jovem Murilo Nogueira, de 17 anos, da torcida organizada Força Jovem. “E o título vai apagar tudo que deu de errado no ano. Vamos ganhar um título, ir para a Libertadores e isso dará moral para retornarmos à Série A”, segue, lamentando, apenas, não poder estar entre os 800 torcedores que foram para a Argentina.

Com medo de uma reação violenta dos torcedores argentinos, o pai do garoto, senhor William, pediu que ficasse e torcesse pela tevê. “Além do mais, estava caro. Mas me propus a trabalhar para pagar os R$ 1,3 mil. Só que ele ficou muito preocupado com possíveis brigas.”

Murilo é um dos tantos torcedores que passaram o fim de semana no estádio Hailé Pinheiro, o Serrinha, onde o time principal passou treinando para a decisão. Com uma faixa de “Time Guerreiro” os esmeraldinos levaram voto de confiança ao time. Eram crianças, jovens, mulheres, todos vestidos com o verde da camisa, cor que simboliza a esperança. “Vamos sofrer muito, vai ser duro, mas os jogadores prometeram suar a camisa e nos trazer o título. E eu acredito muito neles”, enfatiza Monica Percim.

Como ganhou por 2 a 0 no Serra Dourada, o Goiás joga com a possibilidade até de derrota por um gol para erguer a taça. Mas os jogadores prometem empenho para voltar não apenas com o troféu, como um resultado positivo. “Fomos muito bem nos jogos fora de casa e vamos lutar muito para dar essa alegria à torcida”, garante o lateral-esquerdo Wellington Saci.

“Precisamos manter o espírito guerreiro que demonstramos durante toda a competição, a nossa vontade, mas sempre pensando em vencer. Se entrarmos imaginando qualquer outro resultado, que não seja a vitória, a chance de termos um insucesso será muito grande”, endossa o artilheiro Rafael Moura, dono de sete gols na competição. “Espero que nosso time leve a melhor e fique com o caneco, que seria importante para o Goiás, depois de ano tão difícil.”

A torcida confia nas palavras do jogador. E o endeusa. “Aha, uhu, o He-man vai te pegar”, cantam, em coro, para saudar seu goleador. “Não vou não, sou da paz”, brinca o jogador, que nos últimos treinos, ainda em Goiânia, recebeu apoio intenso e caloroso de toda a família.

O que deixa os goianos ainda mais motivados para a conquista são os resultados da equipe na competição fora de casa. Todos garantiriam a taça. O time fez 2 a 0 no Grêmio, no Olímpico, perdeu por 3 a 2 do Peñarol, no Uruguai, bateu o Avaí por 1 a 0 em Florianópolis e, por fim, fez 2 a 1 no Palmeiras, no Pacaembu.

‘Sempre sonhei em estar na maior conquista do clube’

ENTREVISTA

HARLEY
Goleiro do Goiás
GOIÂNIA

O treino é puxado, debaixo de sol forte, num calor de mais de 30 graus. Ele não reclama, pula para cá, para lá, se estica, faz pontes, leva boladas e, após duas horas de trabalho, ainda encontra tempo para atender aos fãs e distribuir autógrafos. Mesmo sofrendo com uma infecção estomacal, ele não deixa de falar com ninguém. Ao lado do filho Leandro, de 11 anos, Harley, 38 anos, se dirige ao vestiário para, antes do banho, conversar com a reportagem do Estado. Simpático, contraria as ordens do assessor de imprensa do Goiás e faz questão de contar sobre seus 11 anos de clube, dos 690 jogos, da expectativa de entrar para a história do clube com a conquista da Sul-Americana diante do Independiente e o que deu errado para o time ser rebaixado. “Posso estar me despedindo na Argentina e quero fechar o gol para, caso não renove o contrato, sair festejando a maior conquista do clube.

Como prevê a decisão?

Fizemos uma boa vantagem no Serra Dourada (2 a 0). Porém, tenho bastante experiência de jogos internacionais quando defendi o Cruzeiro, em Libertadores e Supercopa. Contra argentinos, na casa deles, os jogos são sempre duríssimos e vamos para lá cientes disso. Apesar das dificuldades, estamos preparados para tudo.

Qual mensagem mandaria para a torcida sobre essa final?

Queria dizer que todas as nossas forças, nossa alma, será colocada em campo nesta quarta-feira. Depois de alguns insucessos no ano, o Goiás vai ressurgir a partir deste título e, com certeza, fará uma passagem rápida na Série B.

Se você não sofrer gols, o time é campeão. Isso aumenta sua responsabilidade?

Desde que cheguei, sempre ouvi que o Goiás tinha de ganhar um título importante. E pedi muito a Deus para que fizesse parte disso como atleta. Posso estar me despedindo do Goiás na Argentina e quero fechar o gol para, caso não renove, sair festejando a maior conquista do clube (após 11 anos e 690 jogos, ainda não foi procurado para uma renovação).

Se não te procurarem, vai se aposentar após o jogo?

Ainda quero jogar por duas temporadas. Mas darei total preferência para seguir no Goiás (ele já recusou convites de Corinthians, Santos, Internacional e Atlético-MG). Estou bem aqui e se receber propostas semelhantes, vou optar por onde passei os melhores momentos da carreira, onde sou querido e respeitado por todos, que é aqui no Goiás.

Você falou da Série B. O rebaixamento foi a maior frustração?

Minha maior frustração foi não ter conseguido um título de expressão. Já fizemos grandes temporadas aqui, brigamos até quase o fim, só que o clube acabou se perdendo no caminho (foi terceiro, por exemplo, no Brasileiro de 2005), depois deixamos escapar. Sobre a Série B, vai ser bem passageiro, muito rápido. E eu gostaria de reconduzir a equipe à Série A.

O que deu de errado, já que o time melhorou no fim do ano?

Começamos a temporada com uma diretoria muito despreparada. E, para piorar, os problemas políticos atrapalharam muito. Em 11 anos de clube, eu nunca tinha visto o salário atrasar. Esse ano fiquei três meses sem receber. O senhor Hailé Pinheiro reassumiu o clube, pagou cinco salários em 60 dias, deu uma revigorada, mas já era num momento tardio para saírmos do rebaixamento. Todo o desgaste que houve com a diretoria passada acabou nos derrubando.

Sobre a carreira, o que pretende fazer depois que parar?

Sou um cidadão goianiense (nasceu em Belo Horizonte). Meus investimentos estão aqui, minha família toda está aqui. Fiz questão que meus filhos nascessem em Goiânia. Sou apaixonado pelo Goiás, foi algo que entrou no meu coração. Sem jogar, vou vestir minha camisa, pegar minha bandeira e ir para o estádio torcer pela equipe.

Mas não é pouco ser apenas um torcedor?

Sempre serei torcedor. Mas penso em ter um cargo no clube, seguir colaborando.

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