ICFUT – Timão agenda festa do título com presidente Lula !

Fonte: Folha Online

Corinthians já agenda encontro com Lula em caso de título brasileiro

MARTÍN FERNANDEZ
DE SÃO PAULO

O Corinthians planeja uma visita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em caso de título brasileiro no domingo.

Alan Marques-29.nov.2010/Folhapress
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Além do fato de Lula ser corintiano, colabora para uma eventual visita o fato de o time jogar em Goiânia (200 quilômetros de Brasília).

No domingo, às 17h, o Corinthians enfrenta o Goiás, no estádio Serra Dourada, pela última rodada do Campeonato Brasileiro. Para ser campeão, precisa derrotar o alviverde goiano e torcer por um tropeço do Fluminense.

O time do técnico Tite tem 67 pontos, um a menos que o líder Fluminense, que recebe o rebaixado Guarani, no Engenhão, no Rio.

No ano passado, o Flamengo, quando conquistou o Nacional, visitou o presidente.

Ainda não está definida a data para a visita a Lula –se no domingo à noite, antes de o Corinthians voltar para São Paulo, ou na segunda-feira de manhã, como prefere o estafe do presidente.

Lula vai assistir à partida no Palácio do Alvorada.

Por Rogerinho – Richarlyson se despede com choro.

Fonte: Globo.com

Richarlyson chora na despedida do São Paulo: ‘Eu queria permanecer’

Após cinco anos e meio no clube, atleta é homenageado por companheiros durante entrevista e não segura as lágrimas ao falar de suas conquistas

Por Tiago Leme São Paulo

Richarlyson despedida São paulo
Richarlyson é homenageado e chora na despedida
(Foto: Vipcomm)

Richarlyson se emocionou em seu discurso de despedida do Tricolor, nesta sexta-feira. O atleta relembrou de seus bons momentos com a camisa do clube e não conteve o choro quando foi interrompido durante a entrevista coletiva por uma homenagem dos companheiros. Cantando a música “Amizade, do grupo de samba Fundo de Quintal, os jogadores Jorge Wagner, Lucas, Bruno Uvini, Lucas Gaúcho, Cleber Santana, Zé Vitor e Carleto entraram na sala de imprensa e abraçaram Richarlyson.

– É um momento muito especial para mim, por tudo que a gente passou dentro desse clube, por toda a história. Mas futebol é assim, é dinâmico, apaixonante, e nem sempre a gente consegue agradar a todos. Fico feliz de ter agradado à maioria. Fico feliz de estar dando uma entrevista vitoriosa, falar de cinco anos e meio de muitas vitórias, conquista coletivas e individuais, convocação para a Seleção Brasileira, amigos que fiz. Esse choro é por causa disso. É gratificante saber que, além de coisas profissionais, fiz amigos que eu vou guardar para o resto da vida.- disse o volante, com a voz embargada e lágrimas nos olhos, após ouvir os jogadores cantando os versos “quero chorar o seu choro, quero sorrir seu sorriso, valeu por você existir, amigo”.

Richarlyson chegou ao Morumbi na metade de 2005, disputou 244 jogos e marcou 12 gols. Nesse período, conquistou o Mundial de Clubes, em 2005, e três Campeonatos Brasileiros, em 2006, 2007 e 2008. Após cinco anos e meio no Tricolor, o jogador de 27 anos afirmou que gostaria de ficar no clube por mais tempo. No entanto, entende a posição da diretoria, que não quis renovar o contrato

– É contra a minha vontade, eu queria permancer. A justificativa é que na nova filosofia de trabalho eles vão priorizar a base. E por a gente não ter conquistado um objetivo maior esse ano, nem titulo, nem vaga na Libertadores, a diretoria quer reformular o elenco. Conversei com o Juvenal (Juvêncio, presidente) e disse que gostaria de continuar, mas o futebol é assim, você é obrigado a aceitar algumas coisas, e eu aceitei de boa. O mais importante é que vou sair pela porta da frente, vitorioso, com títulos.

Após a entrevista, Marco Aurélio Cunha, superintendente de futebol, agradeceu a Richarlyson, abraçou o atleta e deixou uma mensagem em nome da diretoria são-paulina.

– Você faz parte de nós, você vai fazer muita falta no dia a dia, mas as pessoas crescem quando saem. Você vai fazer os mesmos amigos em qualquer lugar que você for. Você é muito especial, nós amamos você, e nós queriamos te agradecer por tudo.

Richarlyson não será relacionado para a partida deste domingo contra o Atlético-MG, no Morumbi, pela última rodada do Brasileirão. O volante agora vai estudar propostas para definir o seu destino em 2011. O Fluminense é um dos principais clubes interessados no jogador.

ICFUT – Entrevista com Diguinho do Fluminense!

Fonte: Globo.com

Sem censura: Diguinho sorri, chora e desabafa: ‘Saio, mas me garanto’

Volante tricolor fala sobre intimidades, polêmicas, jeito de ser e dificuldades que enfrentou no percurso até se tornar peça fundamental do Flu

Por Cahê Mota Rio de Janeiro

Censura: uso de poder por estado ou grupo no sentido de controlar ou impedir a liberdade de expressão. No caso de Diguinho, a censura é própria, pautada em um silêncio que por vezes dura meses diante dos microfones. Sem limites em campo na busca pelas vitórias, fora dele as palavras são escassas e pensadas, fruto de pancadas recebidas por seu estilo espontâneo de viver. Defesa da qual o volante se despiu na última terça-feira, quando encarou o gravador e câmera fotográfica para falar da proximidade do primeiro título nacional com a camisa do Fluminense. Mas, acima de tudo, para falar de Rodrigo Oliveira de Bittencourt: um “cariúcho”, como se definiu, que deixou Canoas (RS) para se sentir em casa no Rio de Janeiro.

ESPECIAL diguinho fluminenseDiguinho fala sobre personalidade e estilo de vida em entrevista (Foto: André Durão / Globoesporte.com)

Incansável nas quatro linhas, o camisa 8 tricolor tem papel fundamental na equipe de Muricy Ramalho, que decide o título do Brasileirão no próximo domingo, às 17h (de Brasília), no Engenhão. Tão fundamental que desde que retornou de uma torção no tornozelo esquerdo só viu o Flu deixar o campo “derrotado” após um tempo: os 45 minutos iniciais do empate por 1 a 1 com o Goiás, pela 35ª rodada – entrou em campo no intervalo.

A regularidade apresentada com a bola nos pés desde os tempos de Botafogo, porém, são deixadas de lado por quem prefere falar da maneira com a qual Diguinho vive no Rio de Janeiro. Aos 27 anos, vira e mexe é apontado como um jogador que gosta da vida noturna. Fama que ele não nega, mas rebate com firmeza e argumentos:

Todo mundo tem o direito de ir e vir. Preciso também dispersar a cabeça, porque a batida é grande de concentração, treinos. Dou a vida em campo. Se quero sair, tenho que me garantir”
Diguinho, volante do Fluminense

– Todo mundo tem o direito de ir e vir. Preciso também dispersar a cabeça, porque a batida é grande de concentração, treinos. Dou a vida em campo. Se quero sair, tenho que me garantir. Vão dizer que viram o Diguinho na rua, bebendo uma cerveja, mas podem ir no treino seguinte que vão me ver correndo e trabalhando como os que não saem.

E realmente, em quase dois anos de Laranjeiras, o volante não tem nem um “X” no livro de faltas. Como um skatista e surfistinha, como o próprio define, Diguinho bate o ponto na hora marcada por Muricy Ramalho, desfilando o estilo despojado que o transformou em um dos mais extrovertidos do elenco. Ao lado de Fernando Henrique e Marquinho, é responsável pelos apelidos e brincadeiras em viagens e concentrações. Perfil que contrasta com uma história que inclui agressão de torcedor, uma tuberculose que quase o fez abandonar o futebol e um episódio que até hoje é capaz de abalar sua estrutura: a morte do irmão Vagner, em acidente de moto, em 2007.

Com seis tatuagens, brincos nas duas orelhas, piercing na língua e estilo próprio, Diguinho se soltou, chorou, sorriu, explicou a própria vaidade, admitiu sonhar com a Seleção Brasileira e falou da ansiedade de levantar no próximo domingo o troféu do campeonato mais importante do país: com vocês, Diguinho. Sem censura.

Você é um cara que está há algum tempo no Rio e criou uma identificação grande nos tempos de Botafogo, onde sua passagem ficou marcada também por alguns vices, frustrações… Agora, no Flu, você está prestes a ser campeão do maior campeonato do país. Como está a ansiedade por, enfim, deixar o “quase” para trás?

Diguinho não esconde vaidade: ‘Tenho que me
cuidar’ (Foto: André Durão / Globoesporte.com)

A ansiedade existe, não tem como esconder. Todo mundo que acompanha e torce sente isso. Além de tudo há a motivação para sair do quase, parar de bater na trave. Mas é bom viver isso tudo, o dia a dia, esse momento. Até por tudo o que vivemos no ano passado. Devemos aproveitar cada minuto, sugar o máximo de energia boa. Já sofremos bastante e esperamos concretizar esse momento bom. Temos trabalhado muito, e a expectativa é a melhor possível.

Nessa semana que antecede a decisão, você tem pensado muito em todos os títulos que já deixou escapar?

Procuro esquecer as coisas negativas, as vezes em que tentei e não deu. Deixo de lado. São coisas que não vão me fortalecer. Penso na família, nas pessoas que estão comigo, no quanto trabalhei… Só coisas boas. Esse é o foco. O que passou, passou.

Você tem ideia de que o Diguinho, que por muito tempo foi o “Diguinho do Botafogo”, pode passar a ser o “Diguinho do Fluminense” definitivamente com esse título? Já pensou no quão histórica será essa conquista para o clube?

Desde que cheguei sempre falei isso. Na minha apresentação, disse que não seria mais um e que tinha chegado para fazer história. O Fluminense fez muita força para me contratar, e isso me marcou. Foi um clube que demonstrou mais interesse e mostrou vontade, e não cheguei para defender as cores só por defender. Quero fazer ainda mais história nesse clube de tradição, camisa e com uma torcida gigante. Espero cumprir meus próximos dois anos de contrato e sempre com coisas boas.

Fala-se muito na arrancada do time que saiu de 99% de risco de rebaixamento para a situação atual, próximo de um título. Mas você diria que sua arrancada começou até antes, no episódio em que teve que superar uma tuberculose para continuar jogando? Como você recebeu a notícia da doença no ano passado?

No primeiro instante, fique bem chocado. Via a preocupação de pai, mãe, amigos, e pensava: “Sou muito novo ainda, tenho uma família, pessoas que dependem de mim, e não posso me entregar””
Diguinho sobre tuberculose

No primeiro instante, fique bem chocado. Via as pessoas conversando baixo, sem querer falar sobre o assunto na minha frente, e vi que era sério mesmo, que podia até ter que parar de jogar. Via a preocupação de pai, mãe, amigos, e pensava comigo mesmo: “Sou muito novo ainda, tenho uma família, pessoas que dependem de mim, e não posso me entregar”. Segui à regra tudo o que o médico falou, que se fizesse tais coisas voltaria ou, se não fizesse, teria que parar e poderia até morrer. Levei a sério, fiz tudo certinho e pude provar para mim e para quem duvidada que era capaz. Tive que ser uma cara regrado, eram oito remédios por dia. Foi bem complicado. Para caminhar até a frente de casa já sentia falta de ar. Foi f…! Mas pude voltar no topo, em jogos fundamentais no fim do ano passado, naquela arrancadinha. Teve o dedo de Papai do Céu. Voltei bem, salvamos o rebaixamento e ganhei o ano. Agora, tudo o que está acontecendo é fruto do que plantamos. Estamos conseguindo algo histórico. E só nós mesmos acreditamos desde o início. Esse é o momento da glória.

Outro episódio que não tem como não lembrar foi o da agressão que você recebeu de um torcedor no ano passado. Até que ponto você ficou com medo depois daquilo e de que forma superou a desconfiança da torcida?

Conheço o meu potencial, sei até onde posso chegar. Eu sabia que aquilo ali era resultado de uma cobrança imediata. Cheguei como reforço de peso após ir bem no Botafogo e não rendi o esperado no começo. É preciso um tempo para se adaptar. Tudo muda. Torcida, diretoria, ambiente… Faltou tempo. No dia da briga, estava voltando de doença e rolou muita pressão. Mas soube suportar e dar a volta por cima. Hoje torcedores me encontram na rua e falam que sempre acreditaram em mim, dizem que o cara me agredir foi um erro. Mas também já fui torcedor e sei como é a paixão. Não tenho mágoa nem o que falar. Atualmente, gritam meu nome, eu aceno… É um episódio passado, que procuro deixar de lado.

Gostaria que falasse um pouco desse seu estilo. Se visse o Diguinho caminhando pelo calçadão, de bermuda, cabelo grande e loiro, tatuado, o que diria?

ESPECIAL diguinho fluminense

Diria que era um modelo, né? (gargalhadas). Sou um cara simples. As pessoas às vezes confundem. Quem me conhece sabe que sou puro. Até fico meio assim de falar, mas sou assim. Não gosto de puxar muita conversa, mas quando conheço a pessoa falo bastante. Sei ser amigo, um cara de coração aberto. Me vendo na rua até podem achar também que sou um surfista (risos). Sou mais humilde do que marrento.

Por falar em surfista, já se arriscou no mar?

Já me arrisquei, mas não dá para mim, não. É melhor deixar para quem tem o talento. Meu lugar é mais dentro de campo mesmo. Até porque não temos tido tempo para isso. Quem sabe depois, nas folgas, tento de novo. Mas prefiro mesmo jogar um futevôlei, tomar um solzinho, olhar outras coisas boas que existem na praia… (risos).

E como lida com a vaidade? Dá para perceber que gosta de ser vestir bem, cuida do cabelo…

Sou um cara vaidoso, que se cuida. Cuido do cabelo, do corpo, uso perfumes, cremes, relógios, acessórios, anéis, brincos, correntes… Gosto de combinar camisa com bermuda, tênis maneiro, bonezinho para dar uma diferenciada. É uma maneira de se cuidar. Vamos envelhecendo e acabando. Tem que se manter.

É ligado em moda também?

Procuro fazer mais a minha moda. Tipo skatista, surfistinha… Estou sempre de bermuda, com um tênis baixinho, algo mais leve”
Diguinho

Procuro fazer mais a minha moda. Tipo skatista, surfistinha… Estou sempre de bermuda, com um tênis baixinho, algo mais leve. Não gosto de usar calça. Quando uso, é porque é forçado. Gosto de ficar à vontade.

Mas se for para colocar aquele terno no dia 6 de dezembro (no Prêmio Craque do Brasileirão) para buscar o troféu de campeão, vale a pena…

Aí, sim. Se tiver que ir, com certeza. Coloco até dois (risos). Vai ser bom demais. Essa é a melhor ocasião. Aí, não ligo se estou de terno, sapato apertado… Para comemorar, tiramos de letra.

E estilo musical: qual o gosto do Diguinho?

Curto de tudo. Pagode, funk por estar no Rio e também sertanejo. É bom para ouvir em casa com os amigos. Gosto da cultura brasileira.

Há alguma música ou estilo que você ouça no vestiário, na concentração…

Depende muito do dia. Concentro muito com o Marquinho e quem acorda primeiro coloca o som. O outro respeita, escuta. Tem dia que é bom colocar algo mais leve para dar uma acalmada. Já nesta reta final, é bom algo mais agitado, tipo um rap, para entrar no clima do jogo mesmo. Em decisões, com muita torcida, é bom para dar energia, colocar no embalo.

Você falou do Marquinho e é nítido que vocês têm uma amizade muito forte, o que é marca desse grupo. Diria que essa boa relação que começou lá atrás, na arrancada, é o grande diferencial do elenco atual?

Do ano passado para cá, não tivemos diferenças, problemas. Desde quando estávamos na beira do poço para ser rebaixado e agora para ser campeão. Não há vaidade, não falamos um do outro, sobre um que comprou carro ou que ganha mais. Isso não existe. Independentemente de ter Fred, Deco, Belletti, que ganham acima e são consagrados, todos são tratados da mesma maneira. Não só pelos jogadores como pela rouparia, comissão técnica. Já trabalhei em outros lugares e há tratamentos diferentes, cada um tem seu jeito de ser, mas dentro do grupo, dentro do vestiário, não há deslealdade. Isso faz a diferença. A relação é muito boa. Até mesmo de folga, sinto falta deles. Ligamos um para o outro para sair para jantar, ir para praia, estar junto. No futebol, fazemos muitos colegas e poucas amizades. Com esse grupo conquistei muitos amigos. Marcou.

Você tem muitas tatuagens. Quantas são? Conte a história de cada uma delas?

Tenho seis tatuagens. Todas com explicação. A primeira foi um agradecimento (Deus é fiel). A segunda foi meio na moda, fiz um peixe por conta do meu signo. Fiz outras em homenagem ao meu pai e outra para minha mãe. Há também uma que é o símbolo da amizade que tenho com todas as pessoas que andam comigo. Mais uns 10, 15 usam, como pessoas que moravam comigo na época do Botafogo: o Thiago Marin, o Nélio e o Julio Cesar, goleiro. Marcamos essa nossa amizade. E uma outra que é em homenagem ao meu irmão, que fiz quando ele faleceu. Fiz uma lua, pois o apelido dele era Da Lua, e o capacete, pois aconteceu em um acidente de moto. Vem mais por aí, minha filha está para nascer.

Você falou do seu irmão e na época em que ele sofreu o acidente você ficou bastante abalado, deixou transparecer bastante esse sentimento. De que forma encara a perda dele hoje? É uma inspiração para tudo que você faz?

Diguinho se emociona ao falar do irmão, falecido após acidente (Foto: André Durão / Globoesporte.com)

É difícil até de falar… (Diguinho para e chora bastante). A lembrança que vem é de uma pessoa que estava sempre comigo, incentivando. Era um ídolo, assim como é o nosso pai. É um cara do dia a dia, que estava sempre do meu lado. Tudo o que um fazia, o outro estava junto. Sempre me apoiou nas dificuldades da minha trajetória, me ajudou. Cada vez que abaixo a cabeça para rezar, para agradecer, peço a proteção dele. As lembranças são sempre boas. Não tem como esquecer.

E sobre Seleção Brasileira? Quais seus planos? Desde os tempos do Botafogo cogita-se seu nome, mas nunca aconteceu. Acha que agora, com o time prestes a ser campeão e a renovação do Mano, chegou a hora?

Eu acredito nisso. Acredito porque venho em uma crescente boa e acredito na oportunidade. Meu nome é citado não de hoje, mas desde os tempos de Botafogo. Ano passado realizamos aquela campanha, agora brigamos pelo título, e é questão de trabalho. Tenho que confiar. Não depende só de mim, mas não posso desistir. Não penso que não dá. Nem cogito as coisas que não podem acontecer. Tenho que pensar positivo. Sei da renovação e vou continuar fazendo meu trabalho. O sonho é esse, desde a infância. Seria o auge da minha carreira.

Quais dificuldades você enfrentou no início da carreira? Como foi sua caminhada do Rio Grande do Sul até o Botafogo?

No Sul não têm muito a cultura de contratar, gostam de investir no garoto desde jovem. Por ser pequeno, fraquinho, eu batia nos clubes e voltava. Meu pai era gremista doente, me levava ao Olímpico e me mandavam para casa, diziam que eu ia me machucar. Foi algo que doeu muito em mim por causa do meu pai. Ele nunca me deixou desistir. Até que voltei para escolinha da minha cidade, passei pelo Inter e conheci meu empresário (Jorge Machado), que me levou para o Cruzeirinho de Porto Alegre. Lá joguei com o (Rafael) Sóbis, o Michel Bastos… Depois passei pela Ulbra, da minha cidade, no juniores, e fui para o Mogi. Foi de onde fui para o Botafogo. Hoje fico feliz por lembrar isso e ver que, antes de vir para o Flu, Grêmio e Inter me queriam. Meu pai até brinca com essa situação. É uma motivação a mais.

Isso tudo fez com que você compensasse a falta de estrutura física com a disposição e fôlego que tem em campo?


Eu sabia que precisava ter um diferencial. Sou pequeno, não sou forte e pensei: vou ter que correr e ser habilidoso. Treinava bastante em casa e isso me ajudou. Sei que é difícil ter um cara que marca e joga na minha posição, e quem faz isso se destaca. Foi onde procurei me especializar.

Você falou sobre a cultura gaúcha, mas é muito identificado com o Rio. Diria que hoje é mais gaúcho ou carioca?

Um pouco de cada. Sou de lá, mas tenho muitos amigos aqui. Sou um “cariúcho” para te falar a verdade. Ainda vou bastante para minha cidade, pois gosto muito de lá, vou visitar meus amigos, mas já estou acostumado com o Rio, com o calor. E trouxe todo mundo do Sul para viver esse momento agora. São pessoas que estão comigo nas horas boas e ruins.

Por fim, sempre te acusaram muito de ser um jogador envolvido com a noite, de ser um cara que gosta de curtir, que bebe. Como você encara isso tudo? O que tem de verdade?

Vão dizer que viram o Diguinho na rua, bebendo uma cerveja, mas podem ir no treino seguinte que vão me ver correndo e trabalhando como os que não saem”
Diguinho

As críticas, eu encaro dentro de campo. Às vezes, as pessoas falam demais. A verdade é que saí do Mogi Mirim ganhando R$ 1 mil, R$ 2 mil, e cheguei ao Rio ganhando bem mais. A pessoa acaba conversando com um e outro, e procura ter a cabeça no lugar. Sempre fiz muitas coisas, mas sempre bem pensado. Vou sair hoje? Vou. Mas amanhã vou estar no treino correndo. No jogo, não interessa se saí, se estou cansado, dane-se, vou correr, dar a vida. Ali é o meu ganha-pão, a minha vida. Então, eu saio mesmo quando tem que sair, me divirto, sou novo, estou aproveitando a vida. Não sou ligado em bens materiais, isso a pessoa vai morrer e deixar tudo. Quando tem que aproveitar, aproveito mesmo, mas me garanto em campo. Não tenho histórico de machucar, faltar treino, pedir para sair por estar cansado… Nunca vou deixar que isso aconteça. Se quero sair, tenho que me garantir. Vão dizer que viram o Diguinho na rua, bebendo uma cerveja, mas podem ir no treino seguinte que vão me ver correndo e trabalhando como os que não saem. Não é algo indevido, não há mal nenhum. Todo mundo tem o direito de ir e vir. Preciso também dispersar a cabeça, porque a batida é grande de concentração, treinos. É tudo bem pensado. Dou a vida em campo.

Por Cleber Aguiar – Simon se despede no domingo.

Fonte: O Estado de São Paulo

Simon se despede no Engenhão

Escolhido para apitar Fluminense x Guarani, o gaúcho Carlos Eugênio Simon anunciou que vai encerrar a carreira no domingo.

O experiente árbitro pode fazer parte da partida que decidirá o título. Há duas rodadas, ele causou a ira dos corintianos, que não concordaram com o pênalti anotado para o Vitória, no empate por 1 a 1 em Salvador.
O responsável pelo jogo final do Corinthians será Leandro Vuaden, que apitou o confronto do time paulista contra o Botafogo, em 29 de setembro – ele anulou um gol legítimo dos cariocas.

Em Sete Lagoas, Wilton Pereira Sampaio vai trabalhar no duelo entre Cruzeiro e Palmeiras.

Por Cleber Aguiar – Flu já prepara espaço para a Taça do Brasileirão !

Fonte: O Estado de São Paulo

Com discrição, Flu já prepara espaço para novo troféu

Taças mais antigas receberam polimento especial e foram rearranjadas para [br]receber a nova honraria

Leonardo Maia / RIO – O Estado de S.Paulo

Converse com os jogadores do Fluminense e o técnico Muricy Ramalho e o discurso é o esperado para uma semana que antecede um jogo com amplo favoritismo tricolor e que pode resultar em um título brasileiro: “Não ganhamos nada ainda, temos de respeitar o adversário, o jogo vai ser duro.” Mas a realidade é que a expectativa pela conquista cresce a cada minuto e o clube já se prepara para comemorar o título depois de mais de duas décadas e meia de jejum.

A sala de troféus das Laranjeiras, ontem, já era devidamente preparada para receber a mais nova celebridade. As muitas taças e copas eram polidas e rearranjadas por funcionários para abrir espaço para a nova honraria. Tudo com discrição, sem muito alarde, como deve ser. Mas obviamente ninguém pensa em outro resultado que não a vitória sobre o Guarani, domingo, no Engenhão, para dar início a uma festa há tanto almejada.

“Nem passa pela nossa cabeça deixar esse título escapar. É claro que tudo pode acontecer e temos de respeitar o Guarani. Mas acho que a única coisa que pode nos atrapalhar é o nervosismo”, disse Washington. “Se você for analisar bem, este talvez seja o jogo mais difícil de todo o campeonato, porque apenas nós estaremos interessados no resultado”, alertou Emerson, que apresentou uma bela chuteira verde e grená, preparada especialmente para o jogo derradeiro. O par do atacante trazia as inscrições Sheik, seu apelido, e Paz RJ.

O promotor de Justiça do Ministério Público Rodrigo Terra disse ontem que “recebeu informações” sobre a confusão ocorrida na venda de ingressos para a “decisão” de domingo, vai analisá-las e pode abrir inquérito para investigar o caso. Segundo o promotor, se condenados, o Fluminense e a BWA, empresa responsável pela venda de bilhetes nos guichês e na Internet, serão obrigados a indenizar os torcedores pelos danos que tiverem causado.

Guarani. Cerca de 40 torcedores da Fúria Independente protestaram ontem em frente ao Estádio Brinco de Ouro, em Campinas, pelo rebaixamento do time. Fizeram o enterro simbólico do presidente Leonel Martins de Oliveira e exigiram uma derrota do time para o Fluminense, domingo, para prejudicar o Corinthians.

Por Cleber Aguiar – Bugrinos vão torce para o Fluminense !

Fonte: Diário do Comércio – SP

Bugrinos, Flu desde criancinhas.
Rivalidade, ‘mala-branca’ e parceria entre torcidas organizadas fazem bugrinos repetirem são-paulinos e palmeirenses.
Guilherme Carvalho

Depois de são-paulinos e palmeirenses, agora é a vez dos bugrinos torcerem contra o próprio time. Neste domingo o Guarani encara o Fluminense, no Rio de Janeiro, pela última rodada do Brasileirão e uma vitória do Flu dará o título aos cariocas. Vitória do Guarani ou empate beneficiará o Corinthians, que está em segundo lugar e ainda tem chances de título.

Joga no domingo, contra o Goiás, noSerra Dourada, com a presença de Ronaldo, que, ontem, admitiu tirar dinheiro do bolso para ajudar o Guarani: “Daria, sim, por que não? Não vejo nenhum problema em dar esse incentivo”. Já o  Cruzeiro, em terceiro, precisa que os dois primeiros tropecem. Para não ajudar o Corinthians, os torcedores do Bugre decidiram: torcerão pelo Fluminense. “Prefiro que dê Flu. Uma vezcd que não podemos comemorar, que o título fique o mais longe possível”, explica Fabrício Troncoso, dono do blog “Raça e Tradição”.

Na opinião dos torcedores de Campinas, não faltam motivos para torcer contra o próprio time. Primeiro, existe a questão da rivalidade. Não é nada comparável ao antagonismo existente entre ponte-pretanos e bugrinos nem à  aversão entre são-paulinos, palmeirenses e corintianos, mas a rivalidade entre torcedores de Guarani e Corinthians também não é pequena.

Campinas é uma cidade com muitos corintianos e as provocações sempre existem. “Nunca gostei do Corinthians”, confessa Jonathan Marcelo Vieira, estudante e sócio da Torcida Organizada Fúria Independente. “Acho que ninguém gosta, né? Agora os corintianos estão todos torcendo para gente, mas normalmente não é assim”, explica. Felipe Tenório Calado, também estudante, concorda. “Tenho muitos colegas corintianos pedindo para que o Guarani ganhe, torcendo pra gente, mas não tem como. O  Fluminense é bem mais forte, não há comparação”. Jonathan e Felipe só discordam do resultado para o jogo de domingo. Felipe quer uma derrota digna “tipo 2 a 1”, já Jonathan espera um placar mais elástico. “Por mim, o Guarani nem chuta a gol. E que perca de goleada. Nossa imagem não vai ficar mais arranhada do que já está. Não conheço um bugrino sequer que esteja torcendo pro Guarani no domingo”.

Além da rivalidade, outros dois motivos fazem os bugrinos torcerem contra o próprio time no domingo. Um diz respeito a uma antiga amizade entre as torcidas organizadas do Guarani e do Fluminense; o outro é a injeção de dinheiro que o elenco do Bugre poderá receber de Corinthians e Cruzeiro caso consiga um bom resultado. Como o Guarani não vence fora de casa há seis meses e conseguiu apenas quatro pontos, dos últimos 36 disputados (quatro empates e oito derrotas, nos últimos 12 jogos) e foi rebaixado, um bom resultado agora, incentivado pela suposta “mala-branca”, não cairia bem entre os torcedores. “A imagem que passará é que eles só jogam bem quando há dinheiro e transmissão para TV. Por que não jogaram bem nesses últimos 12 jogos quando o Guarani tanto precisava?”, questiona Felipe Calado. “Podem esperar que caso os jogadores consigam um bom resultado contra o Fluminense sofrerão na volta à Campinas. Iremos ao Viracopos (aeroporto da cidade) pressioná-los”, garante Jonathan Vieira. E a pressão já começou. Ontem, alguns torcedores da Fúria Independente foram ao Brinco de Ouro exigir a derrota do time no domingo, repetindo gesto da torcida do Palmeiras na semana passada.

Parceria entre organizadas

Outro motivo que une bugrinos e tricolores no domingo é uma antiga parceria entre as principais torcidas organizadas dos dois clubes. Junto com a Fúria Independente Tricolor, do Paraná Clube, a Young Flu e a Fúria Independente, compõem uma aliança  batizada de “União Punho Colado”. Quando vão ao Rio de Janeiro, os bugrinos são recebidos pelos torcedores da Young Flu e quando vão à Campinas é a vez do pessoal da Fúria retribuir o favor. È normal encontrar torcedores com camisa do Fluminense em jogos do Guarani, principalmente contra clubes cariocas. Domingo, as duas torcidas já estão com tudo planejado: irão comemorar o título lado a lado. “Será jogo de uma torcida só”, comenta Jonathan Vieira, da Fúria. “É verdade”, concorda Renato Soares, o Renatão, diretor da Young Flu. “A Fúria virá ao Rio para comemorar o título junto com a gente. Não irá torcer pro Guarani, já está tudo combinado”, admite.

Renatão esteve em Barueri nos dois últimos finais de semana, quando assistiu ao Fluminense jogar contra São Paulo e Palmeiras. Nas duas partidas os torcedores paulistas também torceram para o Fluminense. “Isso é normal. Se fosse o contrário, para prejudicar o Flamengo, por exemplo, eu também torceria contra o Fluminense. Aliás, em 97 o Flamengo perdeu em casa pro Bahia e o Fluminense foi rebaixado. Um empate livrava o Flu. Um dia isso terá volta”, deseja. O bugrino Fabrício Troncoso, do blog “Raça e Tradição”, tem  a mesma opinião. “Se fosse pra prejudicar a Ponte Preta, eu não teria dúvidas. Que perdesse de 10, 20 a 0”, brinca. “Mas essa situação é hipotética demais. Ponte Preta nunca tem chance de ganhar um título”, provoca.

Elenco garante: está motivado

Entre jogadores e comissão técnica do Guarani, a garantia é que o time entrará em campo bem mais motivado do que São Paulo e Palmeiras entraram nas últimas duas rodadas. E não importa nem a suposta ‘mala-branca’ – prêmio oferecido por outros clubes interessados em um bom resultado do Guarani. Só o fato de poder causar boa impressão no jogo que decide o campeonato e que será acompanhado por todos já é um bom motivo. “É o tipo de jogo gostoso de jogar. É o tipo de jogo que todo jogador sonha em atuar, com muita gente. A maioria vai para ver o Fluminense, mas espero que acabem vendo o Guarani”, comenta o zagueiro Aislan. O ex-jogador do São Paulo garante que não está preocupado com a revolta do torcedor do Guarani. Os bugrinos vêem quase como uma provocação que o jogue bem domingo, justo agora que não precisa mais já que o rebaixamento do Guarani foi decretado. “É lógico que a gente ficou muito chateado com o rebaixamento, mas as coisas não deram certo. Quando a fase é ruim, a bola bate na trave e sai, não tem jeito. Já quando a fase é boa, o jogador vai tropeçando, trombando e faz o gol. Futebol é assim. Não houve falta de empenho”, afirma o zagueiro, que domingo enfrentará Muricy Ramalho, técnico com quem teve poucas chances no São Paulo. Aislan garante que não guarda mágoas. “Muricy é um ótimo treinador e admiro muito o trabalho dele. No São Paulo ele fez o que pôde, mas o problema comigo era interno, de dentro do clube. Ele me deu boas oportunidades.

Sobre a suposta mala-branca, Aislan garante que não está sabendo de nada. “Ninguém falou comigo e nem precisa. Não podemos esperar incentivo. Temos que fazer a nossa parte, pois somos pagos para isso”, disse o zagueiro. O goleiro Emerson concorda, embora admita que um incentivo não faria mal. “Eu não rasgo dinheiro. Se me mandarem, pego. Mas não estou ligando para isso. Com ou sem dinheiro, não faltará determinação no domingo”, garante.

A polêmica sobre a mala-branca aumentou nos últimos dias quando o lateral esquerdo do Bugre, Moreno, ex-jogador do Corinthians, disse que foi procurado por um dirigente do Timão para negociar um suposto incentivo financeiro. O Corinthians negou o episódio e Moreno terá de dar explicações ao STJD.

Com incentivo ou não, com pressão da torcida ou não, o técnico Vagner Mancini diz que o time vai entrar em campo para buscar um bom resultado contra o Flu. “Vamos entrar em campo tentando vencer. Nós temos a obrigação de fechar o ano vencendo o time que busca o título. É um alento para uma equipe que sofreu muito no segundo turno do Brasileiro”, afirmou. “Vamos mostrar a todos que a camisa do Guarani merece respeito e que podemos sair do Brasileirão com uma imagem um pouco melhor”, completou.