Por Cleber Aguiar – Fator Brasil vai decidir organização da Copas 2018 & 2022.

Fonte: O Estado de São Paulo

Fator Brasil vai definir sede de Copas

Fifa anuncia hoje países que receberão o evento. Os vários problemas de organização de 2014 influirão na escolha

Jamil Chade ENVIADO ESPECIAL/ ZURIQUE – O Estado de S.Paulo

O futebol brasileiro não concorre a nada hoje na Fifa. Mas o “fator Brasil”” se transformou no elemento decisivo na escolha para definir, nesta manhã, onde ocorrerão as Copas do Mundo de 2018 e 2022. Depois das Olimpíadas de Pequim em 2008 e do Rio em 2016 e das Copas da África do Sul em 2010 e do Brasil em 2014, o esporte mundial se depara com um dilema: levar os maiores eventos do planeta a novas fronteiras e abrir novos mercados ou voltar aos territórios tradicionais, onde tudo já está pronto.

De um lado, novas potências do esporte e da economia surgem como candidatas fortes e com promessas de lucros sem precedentes para a Fifa. Mas ainda não têm aeroportos à altura dos eventos, faltam estádios, existe caos na organização …

A Fifa não disfarça sua irritação. Fontes da entidade revelaram ao Estado que há um sentimento de “fadiga”” pelos problemas enfrentados pela organização na África do Sul e, principalmente, diante das indefinições no Brasil. Não há local de abertura, não se sabe quais serão os estádios dos maiores jogos – nem o custo final do Mundial.

Para piorar, a Fifa está preocupada com o caos nos aeroportos e a violência. “Há um sentimento de que está na hora de dar a Copa a um local onde sabemos que as coisas ocorrem sem surpresas, diante dos problemas de 2010 e as dificuldades no Brasil””, admitiu a fonte. “É o que está sendo chamado de fator Brasil.””

Tradição. Seria nessa “fadiga”” que tradicionais forças do futebol, como Inglaterra, Espanha e Holanda apostam para atrair votos. O argumento é que, se fosse necessário, o Mundial poderia ocorrer amanhã mesmo, já que todos os estádios estão basicamente prontos, assim como aeroportos, estradas e segurança.

Só que a Fifa sabe que a dor de cabeça em abrir novos mercados também traz dinheiro. “Mas o dilema é que o dinheiro não está mais nessas regiões tradicionais e, se queremos ampliar os lucros do futebol, teremos de abrir novos mercados””, admitiu a fonte.

Se a entidade optar por levar o futebol a novos territórios para aumentar ainda mais os lucros do futebol, a Rússia seria forte candidata para 2018. Com uma elite cada vez mais rica e com o dinheiro do petróleo lubrificando partes significativas da economia, o país quer ser potência do futebol nos próximos dez anos.

Para 2022, a opção mais segura seria levar a Copa aos Estados Unidos, país onde o futebol enfim decolou e já tem 24 milhões de praticantes. O Mundial de 1994 ainda tem o recorde de público: 3,5 milhões. Sua seleção se classificou para as últimas cinco Copas. “Se a Copa for realizada nos Estados Unidos, a Fifa não terá nenhum trabalho de pensar na infraestrutura ou nos estádios. Temos tudo””, afirmou o ex-presidente Bill Clinton, que ontem liderou a apresentação da candidatura americana.

Uma opção mais ousada seria a Austrália, país em que a infraestrutura não é um problema e o futebol é cada vez mais popular. “Levar o futebol para a Austrália ofereceria à Fifa grande abertura ao mercado””, afirmou a governadora-geral australiana, Quentin Bryce. “Seria levar a Copa à região que mais cresce no mundo, a Ásia, e que dará ao futebol uma expansão sem precedentes. Dois terços da população mundial estarão na Ásia em 2022.””

A opção mais ambiciosa, porém, seria o Catar. Lá, o dinheiro dos xeques não é um problema e o país considera que está na hora de o Oriente Médio receber o Mundial. O Catar promete gastar US$ 50 bilhões em infraestrutura e estádios, o maior orçamento da história dos Mundiais.

Ontem, em sua apresentação, o presidente da candidatura árabe, Hassan bin Khalifa nin Ahmad Al Thani, insistiu que a Fifa tinha “um encontro marcado com a história””: “Sabemos que é grande aposta. Mas não há riscos. Somos responsáveis e cumprimos o que prometemos.”

Os planos do Catar são ambiciosos. Todos os estádios estarão na mesma cidade e torcedores poderão ir a dois jogos por dia, tudo usando o metrô. Catar também garante que já tem uma solução para o calor de mais de 40 graus. Todos os estádios terão um sistema para reduzir a temperatura para 27 graus. Não haveria elefantes brancos. Os estádios serão desmontados e levados para países pobres.

Mas é o dinheiro que mais interessa à Fifa. Estudos apontam que o mercado do futebol poderia aumentar em US$ 14 bilhões até 2022 apenas no Oriente Médio se o Catar receber a Copa. A Fifa já esfrega as mãos. As estimativas apontam que os eventos em 2018 e 2022 irão gerar renda de US$ 5 bilhões, a maior já obtida em Mundiais.

Para EUA, Brasil usa ‘jeitinho’ao organizar Copa e Olimpíada

Jamil Chade ENVIADO ESPECIAL/ ZURIQUE – O Estado de S.Paulo

ZURIQUE
A Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 no Rio pelo Brasil estariam sendo organizadas com o “jeito tipicamente brasileiro”, deixando tudo para a última hora e sendo um espelho da falta de planejamento na administração Lula. As críticas fazem parte de telegramas escritos pela embaixada dos Estados Unidos em Brasília e que foram revelados ontem pelo grupo Wikileaks. Segundo os documentos, o governo fala muito, mas faz pouco.

Os telegramas de 2009 deixam claro que o próprio governo brasileiro reconhece a existência de problemas para garantir a segurança dos eventos e até mesmo as chances de ataques terroristas. Em um deles, a ministra conselheira da Embaixada, Lisa Kubiske, aponta para o fato de o governo fazer muitas promessas e agir pouco. Um dos exemplos citados é a ideia de Lula de garantir entradas grátis para estudantes e trabalhadores de outros países aos jogos, sem pensar como faria isso. “Articular os objetivos mais amplos e deixar os detalhes para o último minuto pode ser o jeito tipicamente brasileiro, mas pode gerar problemas”, comenta Kubiske. Os americanos ainda criticam o fato de que os governos americanos e do Reino Unido tentaram entrar em contato com o Ministério dos Esportes, mas não foram recebidos.
O caos é visto até como oportunidade de negócios e principalmente para que os militares americanos coloquem o pé no Brasil. A tese é de que, em algum momento, o País se veria em apuros e teria de buscar soluções.

Putin: ‘Uma competição sem escrúpulos’

Primeiro-ministro russo optou por não participar do corpo a corpo entre os candidatos à sede dos Mundiais de 2018 e 2022

Jamil Chade ENVIADO ESPECIAL/ ZURIQUE – O Estado de S.Paulo

ZURIQUE
A Fifa enfrenta hoje sua escolha mais polêmica das sedes de Copas do Mundo, acusada de corrupção e com sua imagem em jogo. Ontem, o tiro de misericórdia saiu do primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, que definiu o processo como “uma competição sem escrúpulos”.

Com sua credibilidade esmagada, a opção da Fifa foi manter a imprensa afastada dos 22 membros da entidade que hoje darão seus votos para escolha das sedes dos Mundiais de 2018 e 2022. Durante a noite de ontem, porém, o Estado presenciou a ida e vinda de delegados dos vários países no hotel em Zurique. A noite antes da votação é tradicionalmente chamada de “a noite das espadas afiadas”, por causa dos acordos secretos que costumam ser firmados.
Putin optou ontem por não aparecer na defesa da candidatura russa à Copa de 2018. “Gostaria muito de ter ido até Zurique. Mas acredito que, nessas condições, é melhor me restringir em respeito aos membros da Fifa para que, de forma calma e sem pressão externa, possam fazer suas decisões”, afirmou Putin. “Por falar nisso, peço que todos os demais (chefes de governo) façam o mesmo.”
O recado era a David Cameron, primeiro-ministro britânico, que ontem se reuniu com Jack Warner, um dos vice-presidentes da Fifa, acusado de corrupção em várias oportunidades. Os ingleses teriam perdido terreno nos últimos dias.
Os Estados Unidos, que concorrem para a Copa de 2022, mandaram Bill Clinton até Zurique. Entre suas promessas, dinheiro. Clinton indicou que, se os americanos organizarem o Mundial, o país apoiará projetos sociais da Fifa pelo mundo.

A Coreia do Sul não se intimidou. Ontem, a delegação anunciou que, se vencer a concorrência para 2022, dará US$ 777 milhões para que a Fifa desenvolva o futebol pelo mundo. A delegação do Japão deixou claro que seu grande trunfo era um só: a Sony, parceira da Fifa e que promete novas tecnologias para o futebol.

Ousadia. A apresentação da Austrália trouxe até uma ironia. Um canguru aparece roubando a Copa do Mundo da Fifa e, depois, levando-o para o país. Mas seria descoberto e obrigado pela própria primeira-ministra, Julia Gillard, a devolvê-la para a Fifa. “Não era assim que queríamos ter conquistado a Copa”, admitiu a chefe de governo, provocando um sorriso constrangido dos 22 membros da Fifa.

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