Por Edgar Santista – Milan x Real Madrid

Fonte: O Estado de São Paulo

Milan joga cartada decisiva contra Real

Em alta, Ronaldinho volta e é trunfo da equipe italiana, que sofre com más atuações de Robinho e Pato

Antero Greco / MILÃO – O Estado de S.Paulo

Há duelos que fazem parte da mitologia do futebol e sempre provocam alvoroço. Um deles está marcado para as 20h45 de Milão (17h45, de Brasília) e reúne 16 títulos da Copa dos Campeões, o mais importante torneio de clubes do mundo. No não menos mítico Estádio Giuseppe Meazza, no bairro de San Siro, o Milan (que sete vezes levou a taça para casa) recebe o Real Madrid, que em nove ocasiões inscreveu seu nome no troféu. Os dois maiores vencedores continentais definem seu futuro no Grupo G.

Os italianos estão em apuros. Duas semanas atrás, perderam por 2 a 0, em Madri, no encerramento da primeira fase, e novo tropeço pode embicá-los no caminho da desclassificação, já que o Ajax (quatro títulos) desponta como força alternativa e hoje visita o Auxerre, o patinho feio da chave. O Real lidera com 9 pontos, 5 gols a favor e nenhum contra. O Milan tem 4 e saldo zero. O Ajax está com os mesmos 4 dos rossoneri e saldo negativo (3 a 4). O Auxerre segura a lanterna, sem pontos, e deve ser o fiel da balança no tira-teima entre os outros dois gigantes.

O clima está úmido e frio na mais importante cidade da Itália. Foram três dias de chuva ininterrupta, que encharcou ruas, sapatos, gramado do estádio. Mas o tempo não fechou de vez em Milanello, vilarejo a 50 km da capital da Lombardia onde surge o luxuoso centro de treinamento do Milan. Por lá ainda se aposta no afastamento das nuvens cinzas. Pelo menos no discurso de Massimiliano Allegri, técnico da nova geração em torno do qual gira a esperança milanista de reconquista da Europa.

“A partida de Madri é página virada”, avisou o treinador de 43 anos que pela primeira vez na carreira dirige um time grande. E dá-lhe grandeza nisso. Não é tarefa fácil suportar a pressão de um dos clubes mais populares do país (ao lado de Inter e Juventus) e que tem como dono Silvio Berlusconi, polêmico, controvertido e, vá lá, carismático (para quem gosta dele) chefe de governo. Allegri aparentemente não se abala com o panorama sombrio. “Temos condições de recuperar aquele tropeço, pois nosso time é igualmente forte.”

Palavras de otimismo de praxe, referendadas por Slatan Ibrahimovic, o goleador sueco que anteriormente brilhou na Inter e na Juve e agora é o ponto de referência no ataque milanês. “Não há motivo para desespero”, diz. “Basta fazermos nossa parte”, recomenda, de forma genérica. Ibra fala com a segurança de quem conhece os segredos da grande área e de quem é visto, por técnico e torcedores, como titular indiscutível. Ronaldinho Gaúcho tem retorno assegurado, depois de período de repouso. Robinho é opção no banco.

Há possibilidade de Pato ser preterido por Inzaghi. O brasileiro amarga jejum na Copa dos Campeões e no sábado foi vaiado na derrota para a Juventus por 2 a 1, em casa, pelo Campeonato Italiano. Em favor de Pato estão seus 21 anos. Contam, para Inzaghi, os 68 gols que tem na competição europeia. Está a um do recorde do espanhol Raúl.

Os espanhóis desembarcaram à vontade no início da noite de ontem. Eles adiaram a viagem por causa do mau tempo na Itália. Preferiram treinar em Madri e depois zarpar. Dois portugueses são centro de atenção: em campo, quem comanda é Cristiano Ronaldo, em fase extraordinária e com um outubro de recorde: 13 gols. Fora, quem dá as cartas é José Mourinho, conhecido pelos estragos que fez no Milan quando dirigia a Inter (3 vitórias e 1 derrota no clássico doméstico). Mourinho chegou fazendo média com a antiga torcida: “Gostaria que o jogo fosse Inter x Real”, avisou. “Assim, prestaria homenagem a uma torcida que tão bem me recebeu.”

Mourinho pode ficar tranquilo: metade de Milão estará a seu favor hoje.

‘Sonho fazer história como o Maldini’

ENTREVISTA
THIAGO  SILVA
Zagueiro do Milan
Ex-Fluminense, jogador está há dois anos na Itália, onde é titular e faz sucesso
Com 26 anos e zagueiro titular do Milan e da seleção brasileira, Thiago Silva, ex-Fluminense, tem orgulho do apelido: Monstro. Sem falsa modéstia, está certo de que se trata de reconhecimento por seu estilo seguro. Os dois anos de amadurecimento no time italiano incentivam sonhos maiores, como o de seguir trilha de carisma de Maldini e Baresi.

Você está no Milan desde 2008. As pessoas já te chamam de “Monstro”?

Nem todo mundo. Antes era um apelido que os brasileiros conheciam. Agora, aos poucos, aqui também está sendo usado. Por torcida e imprensa. Antes achava que era gozação, mas o próprio Fernando Henrique (goleiro do Fluminense) me garantia que era elogio. Acho que posso acreditar (sorriso).

Não deu frio na barriga quando veio para um clube que tem Maldini e Baresi como mitos na zaga?

Foi meu maior medo na época, pois sabia da fama e do respeito dos dois. E do Nesta, que também é muito querido aqui, e do Costacurta. Mas os seis meses que fiquei parado (as inscrições estavam fechadas) me ajudaram a amadurecer e a perceber que poderia também ter meu espaço. Perdi o medo quando passei a jogar e vi que me encaixei rápido no time.

As camisas 3 (Maldini) e 6 (Baresi) foram aposentadas…

Mereceram a homenagem. Quem sabe, no futuro, também não aposentam a 30, que é a minha? Meu sonho é fazer história como eles.

Link para o jogo ao vivo:

https://icfut.wordpress.com/2010/09/12/icfut-links-de-transmissoes-de-jogos-ao-vivo/


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